Últimas atualizações
Novo endereço do Cognosco: http://www.cognoscomm.com
Diário das pequenas descobertas da vida.
Quinta-feira, 17 de Agosto de 2006
Um por todos
D. Afonso HenriquesEm 1143, D. Afonso Henriques é reconhecido como Rei português pela Coroa de Castela. Nos 42 anos seguintes, até à sua morte em 1185 na cidade de Coimbra, mais do que duplicou as terras que tinha sob seu domínio, conquistadas aos mouros.
A dinastia que fundou, a primeira dinastia real portuguesa, a Afonsina, estabeleceu os limites do território do que é agora Portugal Continental.
um trineto de Afonso Henriques, D. Afonso III, finalizou a conquista do Algarve e mudou a capital do Reino de Coimbra para Lisboa, em 1260. Para mais sobre D. Afonso III e o seu contemporâneo Marco Polo ver A derrota de pizza.

Durante 240 anos, até 1367, a Dinastia Afonsina governou Portugal, ano em que morreu D. Fernando sem ter descendentes masculinos. Na sequência da crise que se seguiu, entre 1383 e 1385, sobe ao trono português D. João I, o da Boa Memória, meio-irmão de D. Fernando e Mestre da Ordem religiosa de Aviz. É assim fundada a Segunda Dinastia Real Portuguesa, a Dinastia de Aviz. Foi esta dinastia que catapultou Portugal para os palcos cimeiros do Mundo, ao dar início e manter os Descobrimentos Portugueses (famosos são os filhos de D. João I, conhecidos como o nome colectivo de Ínclita Geração, que incluía o Infante D. Henrique).

D. SebastiãoDurante 195 anos, até 1580, a Dinastina de Aviz deu à luz os Reis de Portugal. Mas, em 1578, D. Sebastião, com 28 anos, levou para a frente os seus planos militares de conquistas no Norte de África. Desembarcou em Marrocos, com grande parte da nobreza portuguesa e esperando a chegada de um grupo de tropas espanholas, que seriam enviadas (mas nunca foram) pelo seu tio Filipe II de Espanha. As tropas portuguesas foram massacradas pelos Otomanos em Fez, na famosa Batalha de Alcácer-Quibir, pelo sultão Ahmed Mohammed. Na sequência deste desaire militar, em que perderam a vida muitos nobres portugueses e o próprio rei, o tio espanhol de D. Sebastião, Filipe II de Espanha, sobe ao trono português.
Filipe II era neto de D. Manuel I, Rei de Portugal, e filho do famoso Imperador Carlos V, que governou vários territórios na Europa e cuja relevância para a vida e morte do «famoso» La Palisse foi abordada em Ante mortem vivetes.

Durante 60 anos, até 1640, a Dinastia Filipina teve 3 reis espanhóis que usaram a coroa portuguesa, todos de nome Filipe: entre 1580 e 1598 governou Filipe I, o Prudente; de 1598 a 1621 governou Filipe II, o Pio; de 1621 a 1640 governou Filipe III, o Grande (o último rei espanhol de Portugal e devido a quem Espanha permaneceu na posse de Ceuta, como visto em Ceuta aeterna dolor).

Foi durante a a Dinastia Filipina, durante o reinado do fraco Filipe II, que a Espanha organizou a maior Armada que até à data se tinha visto, com o objectivo de proteger as tropas espanholas que aguardavam, no continente, para desembarcarem no Porto de Dover e conquistarem a Inglaterra. Os Espanhóis, donos do único império ultra-marinho da altura (uma vez que tinham unidas, sob a mesma coroa, Espanha e Portugal), que chamaram à sua frota de navios hispano-portugueses Grande y Felicísima Armada, pretendiam eliminar o Reino rival da comparativamente fraca (na altura) Inglaterra. Mas a enorme frota (que consistia em 130 navios de guerra) foi derrotada e a invasão não se consumou. Os Ingleses chamaram então, em tom sarcástico, à «Grande e Felicíssima Armada» a «Armada Invencível». Foi a partir desta derrota do enorme império espanhol da altura que a Inglaterra iniciou a sua escalada marítima que levaria à ascenção da Inglaterra como a potência marítima por excelência que viria a governar o maior império do Mundo.
Apesar de frequentemente se usar a expressão «O império onde o sol nunca se põe» como representativo do império britânico, na verdade esse epíteto era usado para designar o Império espanhol durante a Dinastia Filipina, uma vez que governavam territórios na África, na América, na Europa e na Ásia. O nome das Filipinas é uma homenagem ao imperador espanhol Filipe I, que as conquistou.

Brasão da família Batz-CastelmoreFoi durante o reinado de Filipe II que nasceu, em 1611, no palácio de Castelmore, na antiga província francesa da Gasconha (que se situava na fronteira com a Espanha, ao longo dos Pirinéus e que tinha capital na cidade de Auch), um menino a quem foi dado o nome de Charles de Batz-Castelmore. Em 1611, era rei de França Luís XIII, o Justo, e a França encontrava-se dividida em 39 províncias (as províncias foram depois, na sequência da Revolução francesa, abolidas e reorganizadas em 100 departamentos em 1790.
Sobre outras mudanças revolucionárias, como a tentativa de alterar a própria contagem do tempo, ver Aevum decimale.

O pai de Charles (Bertrand Batz) morreu a proteger o rei, enquanto chefiava a Guarda Real de Henrique IV, o anterior monarca e pai do actual Luís XIII e avô de Luís XIV. O rei Henrique IV foi alvo de várias tentativas de assassinato durante a sua vida (numa das quais morreu o pai de Charles) até que, em 1610, sucumbiu às facadas de um assassino.

Charles de Batz-CastelmoreVários membros da família Batz-Castelmore fizeram parte da Guarda Real e a sua mãe, Françoise de Montesquiou d'Artagnan, era oriunda de uma família com bastante influência junto da corte. Como tal Charles adoptou o nome da mãe, d'Artagnan, ao atingir a maioridade, quando se deslocou a Paris no sentido de também fazer parte da Guarda Real, como o pai e os irmãos. Como não tinha qualquer experiência no campo militar, a sua candidatura foi rejeitada. No entanto, Monsieur de Treville, um grande amigo da família, usou a sua influência política e o jovem ingressou no corpo militar de protecção do Rei.
Em 1644, ingressa nos Mosqueteiros que viria, muitos anos depois, a chefiar.
Quando tinha já 40 anos, e o Cardeal Mazarin era o Ministro-Chefe do Rei, Charles de Batz-Castelmore d'Artagnan conduziu várias missões de espionagem ao serviço do Cardeal. Devido aos seus valiosos serviços, foi nomeado Governador da recentemente conquistada cidade de Lille, conquistada pelo Rei-Sol Luís XIV aos holandeses. Mas, se devido à sua incompetência ou ao facto de ser um governador de um país ocupante, os habitantes não apreciaram o seu governador e Charles também não era feliz, sonhando voltar à vida militar. Com o continuar da guerra entre a França e a Holanda, Charles conseguiu voltar ao combate. A 24 de Junho de 1673, Luís XIV ordenou o Cerco a Maastricht e o Tenente-Capitão Charles de Batz-Castelmore d'Artagnan liderou as tropas francesas. No dia seguinte, a 25 de Junho de 1673, morreu com um tiro de canhão.

Mas, na altura em que Charles nasceu, o Ministro-Chefe do Rei era Armand Jean du Plessis. Armand teve uma carreira política meteórica: estudou Filosofia e, mais tarde, planeou entrar na vida militar. Devido a problemas financeiros (a família Plessis tinha-se apropriado de dinheiro enquanto geriam o Bispado de Luçon), teve de se tornar um clérigo para apaziguar a indignação religiosa. Mais tarde, em 1607, foi ordenado bispo e, em 1616, tornou-se Secretário-de-Estado do Rei. Em 1622, tornou-se cardeal e, em 1624, tonou-se Ministro-Chefe do Rei. Armand tinha dois irmãos mais velhos e os três nasceram em Paris. Entretanto, a sua família mudou-se para a antiga província de Tourrine (já então rebaptizada como Richelieu), onde o pai exerceu um importante cargo político.
Richelieu é uma cidade situada a 50 quilómetros de Tours e a 30 quilómetros de Descartes, cidade natal do filósofo René Descartes.
Artagnan é uma pequena povoação, perto da fronteira com a Espanha, com cerca de 430 habitantes.


Assim, enquanto Charles de Batz-Castelmore d'Artagnan se encaminhava para Paris para servir na Guarda Real do Rei, Armand Jean du Plessis era Cardeal de Richelieu e Ministro-Chefe do Rei e Portugal vivia em plena Dinastia Filipina, aguardando a Restauração, que viria a acontecer alguns anos depois, em 1640.
Mosquete
A história factual de Charles de Batz-Castelmore d'Artagnan e de Armand Jean du Plessis parecerá familiar, o que é bastante razoável, pois a história de Charles e de Armand inspirou uma das histórias literárias mais conhecidas do mundo: Os 3 Mosqueteiros. A obra de Alexandre Dumas pai, foi integralmente inspirada no percurso de vida de Charles Batz-Caltelmore. Charles eventualmente tornou-se chefe d'A Guarda Real (conhecidos como os Mosqueteiros do Rei) e também conde de Artagnan.
O Corpo de Mosqueteiros da Casa Real do Rei da França (mais conhecidos como Mosqueteiros do Rei) foi fundado em 1622, quando o Rei Luís XIII forneceu mosquetes a uma companhia da Cavalaria Ligeira. Durante 7 anos, os Mosqueteiros estiveram sobre o comando do Capitão-Tenente da Cavalaria Ligeira, até que, em 1634, é nomeado, como Capitão dos Mosqueteiros, Jean-Armand du Peyrer, conde de Trèville.
Apenas os homens mais valorosos que pertenciam à Guarda Real podiam ser admitidos para o Corpo dos Mosqueteiros do Rei, como uma promoção, pois tratava-se de um Corpo Militar de Elite. Os Mosqueteiros combatiam a pé ou a cavalo e com mosquetes.
Em 1657, o sucessor dos Cardeal Richelieu, o Cardeal Mazarin, dissolveu os Mosqueteiros. Passados 4 anos, o Cardeal morreu (1661) e o Rei Luís XIV ressuscitou a Companhia de Mosqueteiros em 1664, usando como modelo os Mosqueteiros iniciais.
Ao longo dos anos foram sucessivamente dissolvidos e recriados, até que foram definitivamente dissolvidos a 1 de Janeiro de 1816.

Muitos dos eventos relatados no livro de Alexandre Dumas pai são os acontecimentos romanceados da vida do conde D'Artagnan e da primeira Companhia de Mosqueteiros. Alexandre Dumas pai escreveu 3 livros sobre a vida do conde D'Artagnan: o primeiro, publicado em 1844, chamou «Os 3 Mosqueteiros», ao segundo chamou «Vinte anos depois» e, ao terceiro, chamou «O Visconde de Bragelonne».

A Bastilha Alexandre Dumas pai afirmou que tinha baseado as suas aventuras em manuscritos que encontrou na Bibloteca Nacional francesa, em Paris, que contavam a vida do conde D'Artagnan. Mais tarde foi provado que, na verdade, Dumas baseou-se no livro Mémoires de Monsieur D'Artagnan, capitaine lieutenant de la première compagnie des Mousquetaires du Roi («Memórias do Senhor D'Artagnan, Capitão-Tenente da Primeira Companhia de Mosqueteiros do Rei»), escrito em 1700 (apenas 27 anos após a morte de Charles de Batz-Caltelmore d'Artagnan e 144 anos antes do livro de Dumas) por Gatien de Courtilz de Sandras (1644-1712). Gatien entrou para o Corpo de Mosqueteiros do Rei em 1670, mas deixou-os, após 18 anos, para se dedicar à escrita, e mudou-se para a Holanda. Em 1702, regressou à França e é preso na Bastilha (a famosa antiga prisão de Paris) devido aos seus escritos escandalosos. Na Bastilha, era guarda-prisional um antigo companheiro de armas do conde D'Artagnan de nome Besmaux. Terá sido através dele que Gatien soube da história do famoso mosqueteiro e a partir da qual escreveu o seu livro.

4 mosqueteirosDas personagens mais conhecidas dos livros apenas algumas são personagens históricas, sendo as outras personagens ficcionais:
São personagens inspiradas em factos históricos D'Artagnan, o Cardeal Richelieu, o Rei Luís XIII, a sua esposa Ana de Áustria, o Duque de Edinburgo e o Cardeal Mazarin (que sucedeu a Richelieu em 1642 e que surge no segundo livro da saga).
Para além do Conde D'Artagnan (Charles de Batz-Castelmore d'Artagnan) e do Conde de Trèville (Jean-Armand du Peyrer), alguns outros Mosqueteiros existiram realmente:
~ Armand de Sillègue d'Athos d'Autevielle (1615-1643): era conterrâneo do Conde de Trèville, que o levou, em 1640, para o Corpo de Mosqueteiros que liderava. Morreu jovem, com 28 anos, morto num duelo;
~ Isaac de Portau «Porthos» (1617-?): o seu pai era Secretário do Rei e entrou para a Guarda Real em 1640. Em 1643, ano da morte de Athos, entra para o Corpo de Mosqueteiros.
~ Henri d’Aramitz «Aramis» (?-?): cunhado do Conde de Trèville (uma das irmãs de Aramis casou com ele), pertencia a uma família nobre, com ascendência militar, filho de Charles d’Aramitz, Marechal dos Mosqueteiros. Entrou no Corpo de Mosqueteiros no ano em que também entrou Athos, em 1640, e casou, em 1654, com Jeanne de Béarn-Bonasse, de quem teve 4 filhos.

Apesar de Athos e Aramis terem entrado juntos, em 1640, nos Mosqueteiros, Porthos, que entrou em 1643, não foi companheiro de Athos (que morreu em 1643) e só passado um ano foi companheiro de D'Artagnan (que entrou em 1644).
Não houve simultaneamente estes 3 Mosqueteiros juntos com D'Artagnan. Só Aramis fez sempre parte da História dos Mosqueteiros juntamente com o Conde de Trèville.


Cardeal RichelieuA descrição do Cardeal Richelieu como um maníaco fanático de poder é completamente exagerada. Muitos historiadores consideram-no o primeiro Primeiro-Ministro da História. Em vez de uma figura interessada na sua própria glória, procurou, de diversas formas, engrandecer o seu país enquanto Ministro-Chefe do Rei: procurou consolidar o poder naval da França e, ao fazê-lo, impulsionou grandemente a colonização francesa no que é agora o Quebec canadiano e a Louisiana nos EUA, transformou uma França feudal com vários nobres poderosos num país moderno, com um governo centralizado e forte, que serviu depois de inspiração ao Rei-Sol Luís XIV. Para a consolidação do poder central francês, criou os primeiros Serviços Secretos do mundo. Além disso foi o fundador da Academia Francesa, a instituição que zela pela correcção e divulgação da língua francesa.
Não sendo de todo um anjinho (apesar de ser um padre católico, nunca se coibiu de se aliar a países de religião protestante no sentido de alcançar o que entendia como os interesses internacionais franceses), a imagem de pretendente-ao-trono-francês-sedento-de-sangue é imensamente exagerada e o Cardeal Richeliu serviu a coroa francesa durante 18 anos (de 1624 a 1642), não havendo qualquer evidência de tentativas de usurpar o trono. O seu pupilo, o Cardeal Jules Cardinal Mazarin, sucedeu-lhe como Ministro-Chefe de Luís XIV e também ele serviu a coroa até à sua morte, em 1661.


Publicado por Mauro Maia às 16:56
Atalho para o Artigo | Cogitar | Adicionar aos favoritos

8 comentários:
De Nuno Vitorino a 18 de Agosto de 2006 às 12:22
HURRA QUE CHATO IA ADORMECENDO...


De Mauro a 18 de Agosto de 2006 às 15:55
Agradeço-te, «Nuno Vitorino», pela disponibilidade em visitares o Cognosco e sobretudo a forma construtiva como analisaste exaustiva e analiticamente o assunto abordado e a forma como foi exposto.


De F. Fontes a 18 de Agosto de 2006 às 23:04
Ao contrário do comentário anterior, achei bastante interessante o artigo, assim como a forma peculiar como o artigo é conduzido: começamos com D. Afonso Henriques para terminar na imortal obra de Alexandre Dumas.
Posso estar equivocado, mas penso que não se atribui, comummente, o título de Dom aos monarcas filipinos, ou assim era nos meus tempos de escola.
Aproveito, pois, para arriscar um pedido. Sou um apaixonado pelas chamadas "Dark Ages" e Idade Média, pelo que gostaria que este periodo histórico aparecesse mais vezes por aqui.
So, keep the good work


De Mauro a 18 de Agosto de 2006 às 23:19
Obrigado pela visita, «F. Fontes», e pelo apreço pelo Cognosco. O que motivou a escrita do artigo foi o facto de ter sabido que D'Artagnan tinha sido uma personagem real. Daí até ao paralelismo com a história de Portugal foi um curto (mas sempre interessante) salto. Saber que, quando Portugal realizava a sua Restauração, D'Artagnan de 21 anos esgrimia-se com os Mosqueteiros em França é curioso. Como todos os restantes paralelismos que tenho feito aqui no Cognosco, dá uma perspectiva diferente e curiosa quer às aulas de História quer à história d'Os 3 Mosqueteiros... Compreendo o que referes sobre a ausência do Dom dos Filipes: o orgulho nacional ainda ingere com dificuldade os monarcas espanhóis de Portugal. Não é uma questão significativa e só surgiu no artigo por descuido. De qualquer modo, agradeço-te a chamada de atenção: o artigo será revisto e liberto dos dons dos Filipes (se é que dons estes Filipes tiveram em Portugal além do agitar do nacionalismo lusitano...) ;) A Idade das Trevas tem de facto os seus pontos interessantes (já no Cognosco se abordou a questão da Peste Negra não ter sido Peste Bubónica...). Um facto curioso é que o criador da designação «Idade das Trevas» foi, nem mais nem menos, do que o famoso poeta italiano Petrarca...


De deprofundis a 19 de Agosto de 2006 às 23:38
É sempre bom recordar a História. Foi muito agradável ler este artigo.
Quero, no entanto, fazer um pequeno reparo, não no campo da História, mas no da semântica.
Na minha opinião não é muito correcto chamar "nobres" aos aristocratas. Eu prefiro chamar-lhes fidalgos, o que corresponde mais à realidade. Porque eram "filhos de algo". "Nobre" quer dizer "incorruptível" o que, como se sabe, nem sempre corresponderá à verdade...


De Mauro a 20 de Agosto de 2006 às 11:31
Penso que já antes «falámos» desta questão dos nobres. Eu, pelo menos, já anteriormente fui confrontado com a mesma ideia/opinião e compreendo-a. Mas, na minha opinião, trata-se apenas uma designação. Terás toda a razão em preferir as designação «fidalgos», uma vez que isso é mais correcto em termos da sua definição (alguém era fidalgo bastando ser filho de alguém já de si fidalgo). No mundo hierarquizado da idade medieval esta era seguramente a condição geral para que alguém fosse fidalgo. Mas não era sempre assim, pois o Rei, como recompensa por serviços e actos heróicos, podia tornar um plebeu em fidalgo, um nobre (por isso). Muitos fidalgos, claro, não eram nobres no sentido profundo do termo, mas era aos nobres que o Rei recorria quando necessitava de apoio militar e não era de todo impensável ver o «nobre» liderar as suas tropas no campo de batalha. Foi uma designação que teve um contexto apropriado quando foi criado, mesmo que os descendentes dos nobres não fossem, de todo, «nobres». Mas era um título hereditário e seguramente todos os nobres descenderam de pessoas que não o eram (mesmo que fosse necessário recuar na linha de ascendência até ao tempo em que não havia classes sociais). E há outras designações que, à letra, são incorrectas ou exageradas mas que tiveramos seu contexto. Lembro-me dos «imortais» (título que designava um corpo de elite persa do tempo dos gregos e também os membros da Academia Francesa) não eram verdadeiramente imortais, apenas continuamente substituídos. Mas essa era a sua designação e não nos passará pela cabeça alterá-la agora. Teve o seu contexto. Eu agradeço-te a chamada de atenção, «deprofundis», e estarei mais atento em artigos futuros para previligiar o uso de «fidalgo» em vez de «nobre» (excepto se o contexto assim o ditar). Obrigado.


De Fiju a 23 de Agosto de 2006 às 20:12
Como de sempre, os teus artigos são sempre interessantes.
A História não é o meu forte, mas mesmo assim tenho curiosidade e gosto de ver documentários sobre estes temas.
No que realmente me confundo e poucas vezes acerto é no nome dos reis. Por exemplo, D. Filipe I foi um rei portugues, contudo, também foi rei espanhol, mas chamando-se Filipe II. Após a sua morte, o sucessor da coroa portuguesa foi D. Filipe II. Isto dá cá uma confunsão!!!
Mas os reinados estão repletos de trocas e baldrocas. Por isso não é de surpreender com estes acontecimentos.


De Mauro a 23 de Agosto de 2006 às 22:16
Olá, «Fiju». História sempre foi um dos meus assuntos favoritos. A questão dos Filipes não é muito complicada de seguir: Filipe II era Rei de Espanha e tio de D. Sebastião. Quando este morreu, em Alcácer Quibir, o tio Filipe era o parente do Rei mais próximo ainda vivo. Por isso Filipe II de Espanha tornou-se Filipe I de Portugal (porque nunca houve outro Filipe Rei de Portugal). O filho dele chamava-se Filipe também e tornou-se Filipe III de Espanha e Filipe II de Portugal. Da mesma forma, Filipe IV de Espanha foi Filipe III de Portugal. Os Filipes eram os mesmos, a numeração é que variava de acordo com o país, sempre um a menos em Portugal. Foram uns curtos 60 anos em que 3 Filipes seguidos foram Reis de Portugal e de Espanha (e de outros países também). Consoante o país onde estavam tinham numerações diferentes, um pouco como se fosse o Sr. Filipe na sua empresa e o Lipinho na casa dos seus pais: a mesma pessoa, designações diferentes. ;)


Comentar artigo

Cognosco ergo sum

Conheço logo sou

Estatísticas

Nº de dias:
Artigos: 336
Comentários: 2358
Comentários/artigo: 7,02

Visitas:
(desde 26 de Abril de 2005)
no Cognosco
 
Cogitações recentes
Olá Ribeiro. Eis um link atualizado para a folha d...
Seria possível fornecer um link atualizado para o ...
Obrigado, João, pela contribuição. Não está no art...
Estive lendo sua cogitação à respeito do cálculo d...
Obrigado, Aleff, pelo apreço pelo artigo. Exatamen...
Artigos mais cogitados
282 comentários
74 comentários
66 comentários
62 comentários
44 comentários
Artigos

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Julho 2016

Março 2015

Dezembro 2014

Outubro 2013

Maio 2013

Fevereiro 2013

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Janeiro 2012

Setembro 2011

Abril 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Maio 2010

Janeiro 2010

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Novembro 2008

Outubro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Novembro 2007

Outubro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005