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Diário das pequenas descobertas da vida.
Quinta-feira, 27 de Julho de 2006
Os Medos dos Magos
O século XXI começou (a 1 de Janeiro de 2001) com o peso de questões por resolver do século XX. Questões essas cujo impacto no novo século prometem durar (espera-se que não muito).

Uma das heranças do século passado foi a verdadeira epidemia de crendices, horóscopos, superstições, logros e pseudo-«ciências», que se dizem «sobrenaturais», enquanto a Ciência é simultaneamente a mão que alimenta e a mão que é traiçoeiramente mordida.
(ver Scientia in orbis core para mais sobre a razão para esse papel dual da Ciência)

Outra questão, mais importante e mais preocupante, é a constante beligerância entre as nações do Médio Oriente, em especial entre as nações árabes e Israel (mas não exclusivamente). Essa rivalidade transvasa muitas vezes a área, focando-se noutros países. A face mais visível dessas rivalidades são os atentados terroristas que, começando no século XX, tiveram o seu momento mais ignóbil já no novo século, a 1 de Setembro de 2001 em Nova Iorque. Apesar da aparência e da insistência de quem disso beneficia, estes atentados não tiveram origem (quando começaram ainda no século XX) em motivos religiosos ou em supostos «choques culturais». As cruzadas há muito tinham terminado (a nona e última acabou em 1271 e marcou o fim da presença militar cristã na região) e durante os 645 anos seguintes a rivalidade cristã-muçulmana diminuiu até à quase extinção, sob a mão firme do Império Otomano.
Até que, a 16 de Maio de 1916, a meio da I.ª Guerra Mundial, foi tomada uma decisão que viria a levar, 85 anos depois, à destruição das Torres Gémeas de Nova Iorque: o Acordo Sykes-Picot, entre a Inglaterra e a França.
(ver o artigo Um século para maiores detalhes sobre a Iª Guerra Mundial, este acordo e a sua ligação aos atentados terroristas)

Começa um novo século (e um novo milénio) e é importante que se olhe para um Passado que insiste em morder os calcanhares do Presente.

Uma das questões prementes parece ser o papel das religiões no Mundo, em particular as 3 grandes religiões monoteístas que têm sido usadas como protagonistas para muitos dos principais eventos do século XX: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo.
Curiosamente, para supostos «antagonistas», partilham uma forte ligação e uma imensa variedade de valores e de visões do Mundo e do Homem. As três são conhecidas como as «Religiões do Livro», por terem como base, para a sua fé, os ensinamentos contidos num livro considerado sagrado. Surgiram na mesma região (o Médio Oriente) e têm partilhado uma longa história de conflitos. São também conhecidas como Religiões de Abraão, pelo papel primordial que a sua figura tem nos fundamentos de qualquer uma delas.

~ O Judaísmo foi, das três, a primeira a surgir. Contando com perto de 15 milhões de fiéis em todo o Mundo, é a mais antiga fé monoteísta que é ainda praticada. De acordo com a tradição judaica, foi fundada por Abraão em 1 800 AC mas tornou-se o Judaísmo actual com Moisés, cerca de 1 200 AC. Tem como livro sagrado a «Tora» (que, em hebraico, significa «Lei»).
~ O Cristianismo surgiu mais de 1 mil anos depois, como uma seita religiosa judaica. Conta com perto de 2 mil milhões e 100 mil fiéis em todo o Mundo. Foi fundada por Jesus da Nazaré (6 AC - 33 DC), que viveu na antiga colónia romana da Judeia, onde pregou e converteu pessoas. De acordo com a tradição cristã, após morrer e ressuscitar, os seus discípulos espalharam-se pelo Mundo para pregar a sua fé. Após a conversão do Império Romano, a sua ascenção a maior religião monoteísta (em números absolutos) tornou-se imparável. Tem como livro sagrado a «Bíblia» (que, em grego, significa «livro»).
~ O Islamismo surgiu 600 anos depois do Cristianismo e 2 400 anos depois do Judaísmo. Conta com perto de 1 mil milhões e 400 mil fiéis em todo o Mundo. Foi fundada por Maomé (571 DC - 632 DC), um comerciante árabe que unificou as tribos politeístas da Arábia sob uma nova religião, baseada em princípios comuns ao Judaísmo e ao Cristianismo. Tem como livro sagrado o «Alcorão» (que, em Árabe, significa «A recitação»).
(ver o artigo Míngua sobre a origem do símbolo Quarto Crescente na religião islâmica</font></a>)

Mas, apesar da crença durante muito tempo sustentada nos países cristãos de que a «Bíbilia» tinha sido o primeiro livro alguma vez escrito (a Tora judaica é um conjunto de textos durante muito tempo dispersos), mesmo as partes mais antigas do Antigo Testamento têm origem em mitos e histórias escritas milhares de anos mais antigas.

Por exemplo, uma das mais antigas civilizações do mundo, a Suméria, surgiu entre os rios Tigre e Eufrates, onde é o moderno Iraque. Inventaram os números em 3 500 AC, a escrita em 3 100 AC e as sílabas das palavras em 2 600 AC. Escreviam em placas de argila, que eram, depois de usadas, cozidas para conservar os seus registos. Muitas dessas placas foram descobertas, contendo textos em escrita cuneiforme (literalmente «em forma de cunha», pois consistia numa série de símbolos feitos com uma ponta afiada). Há registos escritos com poemas de amor, tratados de Matemática, Medicina, Astrologia/Astronomia (naqueles tempos não havia distinção entre as duas). Em algumas dessas placas há o registo dos mitos religiosos sumérios.
Um deles narra a história de
Ziusudra, o rei da cidade Shuruppak (a moderna cidade iraquiana de Tell Fa'rah, 200 quilómetros a sudoeste de Bagdad). Este rei foi avisado pelo deus sumério Enki de que os deuses iam destruir a Humanidade por meio de um dilúvio (a razão para a decisão dos deuses perdeu-se). Enki ordena então a Ziusudra que construa um grande navio (perdeu-se igualmente o que seria embarcado e salvo). Há vestígios arqueológicos de uma grande enchente na região, por volta de 2 750 AC. O mito de Noé surgiu baseado no mito de Ziusudra.

Mas, se o Islamismo se baseou no Cristianismo e o Cristianismo no Judaísmo, não são geralmente conhecidas as origens do Judaísmo.

O Monoteísmo ocidental está intrinsecamente ligado ao Médio Oriente.
O primeiro registo de um monoteísmo na região surgiu com o Zoroastrismo, fundado por Zaratrusta (cerca de 1 500 AC), conhecido pelos gregos como Zoroastro, no que é agora a parte oriental do Irão e a parte ocidental do Afeganistão, a Terra dos Medos.

A região era, na altura, conhecida como Média e habitada por um povo de origem ariana (que não eram nem louros nem de olhos azuis mas falavam uma língua indo-europeia) conhecido como os Medos.
O Império dos Medos coexistia com o Império dos Persas, dos Lídios, dos Fenícios e dos Egípcios, todos mais a ocidente.

Medos e Persas emigraram, para a região, vindos da Ásia Central, em sensivelmente 1000AC. Os Medos instalaram-se no que é agora o norte do actual Irão (com capital na cidade de Ecbátana) e os Persas no que é agora o sul do Irão (com capital na cidade de Persépolis), na actual Fars, uma das trinta províncias do Irão. A proximidade dos dois povos levou a grandes contactos e a casamentos entre as casas reais dos dois (como aconteceria, milhares de anos depois, entre Portugal e Espanha).

O império cresceu em cultura e ciência. Durante muito tempo foram politeístas, até que Zaratrusta fundou o Zoroastrismo, o primeiro monoteísmo conhecido. Esta nova religião foi conquistando muitos devotos ao longo do tempo.
A máxima do Zoroastrismo era «faz aos outros o que gostavas que te fizessem» e adoravam Ahura Mazda, o Deus Criador.

Em 552 AC, Ciro o Grande, de ascendência real persa e meda, subiu ao trono persa. Eventualmente conquistou o Reino Medo ao seu avô e tornou-se rei de ambos. Após a consolidação dos dois tronos, virou-se para o Reino dos Lídios, que conquistou, e depois para a Babilónia, que juntou às suas conquistas em 539 AC. Foi Ciro quem libertou os Judeus do jugo babilónico que os mantinha na Babilónia desde Nabucodonosor II. As suas relações com a Judeia e a Fenícia eram excelentes. Foi Ciro, o Grande, o fundador do vasto Império Persa, o maior império terrestre da altura. Foi um descendente de Ciro, o rei persa Dário I (521AC - 486AC), que reconheceu oficialmente o Zoroastrismo.

Topo da Catedral de Colónia e o seu brasãoUm dos povos Medos era os Magi (plural de Magus), uma tribo responsável pelos ritos funerários e religiosos. Também os Magi se converteram ao Zoroastrismo e, durante muitos séculos, foram aprofundando os seus conhecimentos astronómicos, religiosos e científicos. Foi de Magi que evolui a palavra «mago» e as vestes tradicionais dos Magi (o chapéu alto e pontiagudo e as roupas longas e largas) tornaram-se as vestes tradicionalmente associadas aos feiticeiros (como, por exemplo, o mítico Merlim do Rei Artur. Ver Magnus tellus, onde se apontam algumas possíveis origens do nome do Rei Artur e a sua ligação ao Ártico e ao Antártico). As semi-luas e estrelas são uma referência aos extensos estudos astronómicos dos Magi.
Foram 3 homens da tribo Magi que, segundo a Bíblia, estudaram os céus e visitaram Jesus no seu berço. Por isso se designaram «3 Reis Magos».
(Conta a lenda que os 3 Reis Magos estão enterrados, em sarcófagos de ouro, na Catedral de Colónia, na Alemanha. Em 1164 o Arcebispo da cidade comprou estas «relíquias sagradas» e colocado-as na Catedral, construída para os receber. A Catedral de Colónia tem uma estrela no seu topo (em vez de uma cruz) e o brasão da cidade tem 3 coroas em honra das ossadas dos 3 Reis Magos lá enterrados.

250 anos após a morte de Ciro, o Grande, a vasta Pérsia era governada por Dário III (cujo nome de baptismo era Codomano), que governou 6 anos, até que Alexandre Magno conquistou o império e Codomano foi deposto.
(para mais sobre Alexandre e a sua influência no Mundo ver Magna bybliotheca)

Na mesmo altura em que Zoroastro pregava na Pérsia, no reino vizinho do Egipto a classe sacerdotal passava por grandes mudanças. O Faraó Amen-hotep III (1389AC - 1351AC) decidira limitar o poder dos sacerdotes de Amon, a principal divindade egípcia. Em vez de se declarar «filho do Amon», este faraó declarou-se «filho de Aton». Apesar de serem ambas divindades ligadas ao sol, Amon era uma figura com aspecto humano, enquanto Aton era simplesmente o disco solar.
A diferença poderá parecer pouca aos olhos modernos, mas a decisão do Faraó levou a grandes conflitos sociais.

Busto do Faraó AkenatonQuando Amen-hotep III morreu, subiu ao trono o seu filho Amen-hotep IV.
Este era fortemente adepto de «Aton», tendo levado ao extremo o afastamento da classe sacerdotal de Amon. Mudou o seu nome para Akenaton «O que trabalha por Aton» e fundou o Atonismo (ou Atenismo), o culto a Aton (ou Aten. Os Egípcios não tinham vogais, pelo que é uma questão especulativa se seria um «o» ou um «e»). A principal esposa de Akenaton era Nefirtiti «A beleza que chegou», de quem teve 6 filhas (um delas, Ankhesenpaaten, eventualmente casou com o pai, de quem teve uma filha-irmã). Teve também outras esposas, de quem teve mais filhos. De uma dessas esposas teve um herdeiro, a quem deu o nome de Tutankaton «Imagem viva de Aton». Este, após a morte do pai, restabeleceu o culto a Amon, os privilégios da antiga classe sacerdotal e mudou o nome para Tutankamon «Imagem viva de Amon». Fez todas estas alterações com apenas 9 anos, tendo morrido com 19 anos, o que indicia manipulação por parte de outros, nomeadamente pelo antigo vizir do pai, de nome «Ay».
(Para mais sobre Akenaton ver Celer turtur)

O Judaísmo terá assim sido duas influências monoteístas: o Zoroastrismo persa e o Atonismo egípcio.
Amenhotep III fundou as bases do Atonismo entre 1389 AC a 1351 AC.
Zaratrustra fundou as bases do Zoroastrismo em cerca de 1 200 AC.

Reconstituição da antiga BabilóniaO Zoroastrismo terá influenciado os Judeus que viviam na escravidão na Babilónia, desde 587 AC. Foi depois levada para a Judeia, após serem libertados (em 539 AC) por Círo, o Grande.
Além disso, o Atonismo terá influenciado os seus vizinhos Judeus (há várias passagens, no Antigo Testamento, que são cópias exactas dos textos religiosos «atónicos»: o Cântico dos Cânticos é textualmente uma prece do Atonismo a Aton, com o nome deste último mudado para Jeová ou para Deus).

Apesar dos cálculos baseados na Bíblia datarem Abraão em cerca de 1 800 AC, evidências arqueológicas sugerem que não poderá ter surgido antes de 650 AC. De qualquer maneira, seguramente o Zoroastrismo e o Atonismo deixaram as suas perenes marcas no Judaísmo, através dele no Cristianismo e através dos dois no Islamismo.

Lutas fraticidas, é como as guerras religiosos destes últimos séculos deviam ser classificadas...


Publicado por Mauro Maia às 11:18
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22 comentários:
De Maria Papoila a 28 de Julho de 2006 às 13:44
Olá Mauro:
Li atentamente esta magnífica lição de história das religiões.
Concordo em absoluto que esta guerra é uma luta fraticida e que é forçoso os povos do Mundo chegarem a uma solução para os sucessivos conflitos na região.
Vou de Férias, só volto em Setembro aos blogs.
Beijo


De Mauro a 28 de Julho de 2006 às 23:13
De facto, «Maria Papoila», seria de esperar que as origens comuns as tivessem tornado menos beligerantes. Mas talvez por isso mesmo sejam tanto, como 3 filhos competindo pela atenção do progenitor... Boas férias! Eu também irei, dentro em pouco. Mas volto. ;)


De marius70 a 1 de Agosto de 2006 às 04:35
De um artigo que escrevi para o fórum religiões sobre Abraão, "pai" das três grandes religiões beligerantes: judaica, cristã e islâmica. Com filhos assim não há pai que aguente.

Ele também não era exemplo para ninguém e assim haverá sempre estas malditas guerras até ao fim dos tempos. Cada um olha para o seu umbigo e ao quererem impôr aquilo que pensam que é a sua e única verdade sem o respeito e tolerância que deveriam ter para com os outros não há "verdade" que resista. O estúpido humano ainda não compreendeu que os deuses são arranjados conforme dá na real gana de quem o governa e assim aconteceu com os "Atons" e "Amons", e com Constantino que num acto meramente político tornou um homem comum num filho de um deus que por sua vez tornou os judeus num povo eleito contra os outros povos (que pelos vistos não são filhos do mesmo deus) mas que têm todos um homem em comum, Abraão. Agora com a promessa de não sei quantas virgens no paraíso para quem carregue bombas à cintura e as façam despoletar junto de gente inocente,não faltam pretendentes e alguns tão jovens que as virgens continuariam virgens depois do sacrifício supremo que é dar a própria vida. Não sei porque carga de água, não são os que mandam, a enfiar as bombas à própria cintura e usufruir das virgenzinhas que prometem aos outros. Vamos saber então quem é este homem de seu nome:

Abraão

Primeiro patriarca hebreu, é venerado pelas três grandes religiões monoteístas: judaica, cristã e islâmica.

De acordo com o Génesis, deixou Ur, na Mesopotâmia, por chamamento de Deus, e dirigiu-se para a terra que veio a designar-se Canaã. Para avaliar a veracidade da sua fé, Jeová exigiu-lhe a imolação do seu único filho, Isaac, mas acabou por poupá-lo. Abraão recebeu a promessa de que os seus descendentes iriam receber aquela terra como herança.

Patriarca do povo hebreu e venerado como tal na tradição judaica; supõe-se que haja vivido por volta dos séculos XX a XVII a. C. embora não haja prova histórica de sua existência.

Abraão era casado com Sara, sua irmã por parte do pai e, quando lhe convinha, apresentava-a como irmã, não como esposa. (Como irmão ele poderia negociá-la no caso de algum homem poderoso a cobiçar, ao passo que como marido se exporia a ser morto pelo rival.) Abraão cedeu sua "irmã" ao Rei Abimelec, de Gerar, que a devolveu sem chegar a submetê-la sexualmente, depois que Deus o ameaçou de castigo. A mesma história é contada em versões diferentes em outros trechos de Génesis (capítulos 12, 20 e 26).

Na história do sexo, Abraão aparece como o instituidor da CIRCUNCISÃO ritual entre judeus; segundo a Bíblia, ele tinha 99 anos quando se circuncidou e determinou a mesma operação no primeiro filho, Ismael, e em todos os escravos da casa. Em retribuição ao sacrifício, Deus permitiu a Sara engravidar então pela primeira vez, quando ela já tinha 89 anos e já não menstruava (Génesis 17:17 e 18:9-15).

Tudo de bom e boas férias


De Fiju a 1 de Agosto de 2006 às 11:25
É completamente absurdo ser-se apologista de guerras! Essa acção leva-me a considerar se o ser humano está interessado em viver ou se simplesmente o instinto animal se apoderou dele e apenas quer mostrar que é mais resistente que qualquer outro. Mas são as crenças que levam às guerras mais longas. Os confitos entre religiões está sempre presente (infelizmente). Mas o que me irrita é essa situação. Supostamente, as religiões são fundamentadas no amor, paz e em tudo o que é dirigido para o que é alegadamente o "bem". Então porque insistem nas guerras? Eis a questão que se irá fazer eternamente! Suponho que estás de férias, por isso bom descanso!


De Mauro a 1 de Agosto de 2006 às 21:57
Considero a questão religiosa puramente pessoal: quem não acredita não acredita, quem acredita acredita. Não há a forma de racionalmente provar coisa alguma sobre aquilo em que se acredita (ou não). Certo é que só os deuses são divinos, as religiões são humanas. Os males que empestam o Mundo (e muitos se podem apontar) sugiram ou surgem de diferentes interpretações de um mesmo fenómeno, factual ou emocional. Agradeço-te ,«marius70», pela visita e pela breve história sobre Abraão. Pelos vistos, até mesmo nos seus mitos fundadores, as «religiões do livro» nascem com a semente do engano e da violência. Se calhar só mesmo um pai deste calibre para aguentar as birras destas 3 irmãs mimadas... Curiosamente, «Fiju», todas as 3 religiões focadas são assentes em princípios de tolerância e respeito. Mas, sendo humanas como são, entre o que pregam e o que fazem vai uma enorme diferença. E na verdade, na minha opinião, tenho encontrado pessoas tão bem formadas e com princípios quer religiosas, quer ateias. A religião, tanto tempo vendido como o meio para a salvação talvez não seja mais do que um fim a que se poderá chegar sendo, à partida, virtuoso (com toda a carga subjectiva que esta palavra seguramente contém). Obrigado a ambos pelos votos de boas férias. Profissionalmente as minhas férias começaram há poucos dias. Mas, ao contrário do ano anterior, este Agosto parece prometer maior possibilidades de manter um contacto regular com o Cognosco. Férias serão férias, mas o Cognosco permanecerá de pé... ;)


De Nox a 4 de Agosto de 2006 às 23:30
Uma versão interessante da história de Akenaton pode ser encontrada num livro de Christian Jacq, "A Rainha Sol". Foca principalmente a história da sua filha, que creio ser aquela que referes ter casado com ele, mas que no livro é retratada como tendo casado com o futuro Tutankamon (a história egípcia desse período é nebulosa, precisamente devido à opção religiosa do "faraó herético", o que permite grandes liberdades a romancistas e a historiadores também...). Independentemente da veracidade histórica, o certo é que o romance é bastante bom, pelo que pode ser uma sugestão de leitura para férias :)


De PN a 5 de Agosto de 2006 às 16:29
Para mim a questão religiosa soa-me, muitas vezes, a uma desculpa para a criação de quezílias que têm como objectivo a conquista de poder ou de território. A religião pode trazer benefícios ao homem, no sentido de lhe dar uma orientação de vida, mas tem de se ter uma vivência consciente da religião para não se cairem em fanatismos que nada têm a ver, muitas vezes, com os princípios orientadores religiosos.
Boas férias, Mauro.


De Mauro a 17 de Agosto de 2006 às 13:55
Obrigado pela sugestão, «Nox». Os livros de Christian Jacq já, por diversas vezes, me prenderam a atenção em livrarias. Parecem, de facto, muito interessantes (principalmente para quem, como eu, aprecia bons romances históricos). Quanto à princesa egípcia Ankhesenpaaten ela foi realmente filha-esposa de Akenaton e irmã-esposa de Tutankamon. Que grande confusão seriam as designações familiares nessa família: filhos que são irmãos da sua mãe e netos do pai, filhos que são primos da sua mãe e do seu pai, filhos que são enteados do seu sobrinho... O livro é uma óptima sugestão de leitura, Verão ou não... Obrigado pelos votos de boas férias, «PxN», e retribuo-os: um bom Verão. As minhas férias, este ano, não são propriamente férias tendo em conta a série de diligências que necessito efectuar (que começam por uma mudança de casa de perto de 1 000 quilómetros, 943 km para ser exacto...) As religiões, como tive oportunidade de expressar num comentário anterior, têm vários propósitos e destinam-se a vários fins, de acordo com quem com elas contacta. Por toda a História os piores actos de barbaridade e os mais altruístas gestos de bondade têm sido inspirados por elas. Será uma questão de se se vê o copo meio-vazio ou meio-cheio...


De Joanilson Abreu a 4 de Dezembro de 2006 às 14:05
Saudações,
Sobre a primiera religião monoteísta.

A crença em um Deus único é comum em todas as religiões. A confusão é que somente aos iniciados era permitido saber disso. Para o povo era contada uma Teodisséia que enobrece a região e o povo local.

A história de Moisés, por exemplo, bate exatamante num iniciado que ensina ao povo os segredos da iniciação (no caso, iniciação da religião egipcia). Junto com este segredo é emendado uma história para enobrecer o povo de Moisés.

Após uma análise mais detalhada, constata-se que é raro uma religião politeísta.

Cordialmente,
Joanilson.


De Mauro a 4 de Dezembro de 2006 às 22:09
Obrigado, «Joanilson Abreu», por essa reflexão sobre as religiões. Compreendo o argumento apresentado. No entanto uma questão surge-me: de que forma se pode aferir a existência de religiões monoteístas para iniciados e politeístas para as outras pessoas se, por definição, apenas os iniciados a ela tinham acesso. Exceptuando casos (aparentemente raros) de sobrevivência de registos escritos dessas crenças monoteístas em religiões aparentemente politeístas, a grande maioria das religiões de que tenho conhecimento (e saliento aqui que limito a minha observação apenas às que conheço mesmo que apenas superficialmente) são politeístas em toda a sua extensão e desconheço a existência de pequenos grupos de iniciados monoteístas dentro delas. Claro que seitas qualquer religião minimanente bem sucedida gera e estas podem advogar qualquer diferença em relação à religião da qual brotaram, inclusivamente um monoteísmo numa religião politeísta. Mas avaliando somente as grandes religiões clássicas europeias, todos os grandes escritores, filósofos, polítivos, artistas,... das religões grega e romana exaltavam as diversas divindades do seu panteão. Afirmar que haveria um grupo de entre eles monoteísta parece uma conclusão retirada do monoteísmo generalizado dos tempos modernos. Um projecção do presente sobre o passado, talvez. As evidências arquológicas, culturais e artísticas apontam para um passado politeísta para as religiões monoteístas. As primeiras de que se tem conhecimento são mesmo o zoroastrismo e o atenismo...


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