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Diário das pequenas descobertas da vida.
Domingo, 11 de Junho de 2006
Homenzinhos verdes
Uma das experiências enervantes da vida, nas grandes cidades, é o trânsito, quer para quem conduz quer para quem se desloca a pé.
Para quem tem de se deslocar de carro pelas atravancadas cidades, as filas são um pesadelo, minutos incontáveis perdidos enquanto se espera que o trânsito reinicie a marcha, enquanto se espera que o sinal mude para verde para que mais três carros passem antes do sinal mudar de novo para vermelho. Mas como começou o seu uso? Porquê estas cores? Quem e como decidiu a cor dos semáforos e o seu significado?

Palácio de WestminsterOs primeiros semáforos de trânsito foram colocados em 1868 à frente do Palácio de Westminster, onde se situa o parlamento inglês, na cidade de Londres.
A parte mais antiga deste palácio data de 1097. (Não se confunda este palácio com o palácio da Rainha, o Palácio de Buckingham). É numa das torres do Palácio de Westminster que está o famoso Big Ben.
O Palácio de Westminster não é habitado por um Rei desde o século XVI e desde o século XIII que o Parlamento inglês nele se reúne.


Esse primeiro semáforo tinha lâmpadas a gás e um polícia accionava uma manivela na sua base para mudar para a cor desejada. Infelizmente este semáforo explodiu passado um ano (1869), ferindo o polícia que o operava.
Mas o primeiro semáforo eléctrico surgiu apenas 43 anos depois, em 1912, na cidade de Salt Lake, no estado de Utah, EUA. Este semáforo tinha duas luzes: vermelho e verde.
Em 1914, foi instalado em Cleveland, estado do Ohio, EUA um sistema similar, com as mesmas duas luzes e uma buzina para avisar da mudança de cor.
Mas cada semáforo era independente e era operado individualmente.
Foi novamente na cidade de Salt Lake, 5 anos após o inicial (1917) que os primeiros semáforos interligados foram montados. Eram 6 e mudavam todos de cor no sentido de manter coerente o sentido do trânsito.
Mas estes eram semáforos operados manualmente e foi preciso esperar por 1922 (outros 5 anos) para que um sistema automático surgisse, também nos EUA, na cidade de Houston, Texas. (Houston, we have a problem... with Bush...)
Passados 5 anos surgiram os primeiros semáforos eléctricos automáticos na Europa.
Foi na cidade de Wolverhampton em 1927.
(é curiosa esta sequência constante de 5 anos ligada aos semáforos...</i>)

Mas qual a razão para as cores usadas nos semáforos? Porquê vermelho, amarelo e verde?

Bem, tudo começou na verdade com comboios e com o francês Robert que trabalhava no Chemin de Fer du Nord (Caminhos de Ferro do Norte). O sistema inventado por Robert, o «Disque Rouge», consistia num disco que girava na sua base. Quando ficava com a face virada para o comboio, este avançava normalmente e os condutores paravam. Quando ficava com a face virada para os automóveis, estes avançavam (era sinal de que não vinha qualquer comboio).
Durante a noite o sinal era iluminado por uma luz vermelha.
Associado a este sinal, os franceses adoptaram o sinal sonoro que os Austro-Húngaros criaram (foi o Império Áustro-Húngaro que iniciou a Iª Guerra Mundial, como visto no artigo Um século).

Tendo em conta as doenças conhecidas como Cegueira a Cores, nas quais o indivíduo que as possui não é capaz de distinguir as cores vermelha e verde (e amarela), geralmente o sinal vermelho contém pequenas zonas laranja e a verde pequenas zonas azuis para que um daltónico os possa distinguir.

Uma das doenças mais conhecidas deste tipo (mas não a mais frequente) é o Daltonismo, que recebeu o seu nome do cientista e químico britânico John Dalton (1766-1844), que tinha essa incapacidade. Dalton é principalmente conhecido pela sua Teoria Atómica, na qual a ideia de que as substâncias são compostas por pequenas partículas conhecidas como átomos foi (re)descoberta. O filósofo grego Demócrito (450 AC - 370 AC) já tinha proposto a teoria atómica, mas a sua teoria foi relegada e esquecida por milénios devido à oposição de Aristóteles, cujos ensinamentos foram aceites absolutamente durante os milénios seguintes.
Para mais sobre Aristóteles ver:
~ Apolo não favoreceu Aristóteles sobre a refutação de Galileu a Aristóteles;
~ Celer turtur sobre a oposição de Aristóteles a Zenão;
~ Conor explicare gravitatem sobre a correcta explicação da gravidade;

O olho humano é sensível a 3 cores primárias: vermelho, verde e azul.
O espectro electromagnético da luz visível comporta, no entanto, mais cores.

Vermelho situa-se entre os 780 nanómetros e 622 nanómetros;
Laranja entre 622 nm e 597 nm;
Amarelo entre 597 e 577 nm;
Verde entre 577 nm e 492 nm;
Azul entre 492 nm e 455 nm;
Violeta entre 455 nm e 390 nm;

Ver ainda Lux mundi para mais sobre o espectro luminoso.

A maioria das pessoas tem visão normal, vendo correctamente as 3 cores primárias. 83
A incapacidade de diferenciar algumas destas cores resulta em Cegueira a Cores, da qual há 3 formas:
~ Monocromacia: nenhuma das 3 cores é distinguível, todas parecendo uma só;
~ Dicromacia: apenas 2 das 3 cores são distinguíveis (inclui o Daltonismo);
~ Tricromacia: as 3 cores são distinguíveis mas facilmente confundidas; 56

Dentro da incapacidade de distinguir vermelho-verde, há ainda:
~ Protanopia: são incapazes de distinguir entre verde-azul (492 nm) e branco. Abaixo de 492 nm vêem tudo a azul e acima de 492 nm tudo a amarelo; 37
~ Deuteranopia: confundem cores no espectro verde-amarelo-vermelho, centrado em 498 nm. Isto leva à incapacidade de distinguir entre o verde e o vermelho.
Um conhecido exemplo de deuteranopia é o Daltonismo; 58

Na imagem acima, são mostradas imagens em que surge um número constituido por dois algarismos. Pessoas com cegueira a cores não conseguirão ver o número. Na terceira imagem, referente à deuteranopia, é frequente mesmo pessoas com visão normal terem dificuldade em visualizarem o segundo algarismo.

A Cegueira a Cores é relevante para a distinção entre os as diferentes luzes.
São bastante raras e atingirem principalmente o sexo masculino. Isso deve-se ao facto de que geneticamente as «Cegueira a cor» surgirem no cromossoma X. Os Homens têm um cromossoma X e um Y enquanto as mulheres têm dois cromossomas X.
(Já se abordou a genética dos sexos no artigo Unus uir septem feminae)
O gene para as «Cegueira a cor» é recessivo.
Como os Homens têm apenas um X (não tendo um correspondente no cromossoma Y), o gene recessivo é único, pelo que se manifesta estando só.
Nas mulheres, como existem 2 cromossomas X, o gene para as «Cegueira a cor» tem de surgir simultaneamente nos dois cromossomas.
Desta forma os homens são mais atingidos do que as mulheres, pois é preciso que ambos os progenitores de uma mulher tenham o gene para que ela possua uma das doenças.
Já no homem, basta que um dos progenitores tenha essa deficiência e tenha azar na roleta genética para que seja portador.
Entre 5% e 8% dos Homens têm algum tipo de «Cegueira a Cor».
Apenas 0,5% das Mulheres têm algum tipo de «Cegueira a Cor».
Há na verdade, além da Monocracia, quer na Dicromacia quer na Tricromacia, 3 tipos diferentes.
Agradeço a Nox pela chamada de atenção no comentário que levou a este esclarecimento.

A normalização da disposição das luzes é fundamental para a sua descriminação (não confundir com discriminação...)
Há, no entanto, situações caricatas em que a disposição das luzes dos semáforos foi alterada localmente por razões políticas. Na cidade de Syracuse, EUA, em 1920, as autoridades foram obrigadas, após contínuas destruições de um semáforo num bairro irlandês, a colocar a luz verde no topo e a luz vermelha no fundo. Os emigrantes irlandeses recusavam-se a aceitar que o vermelho «britânico» estivesse acima do verde «irlandês»...

AmpelmannFalta ainda referir as luzes de trânsito para peões da antiga Alemanha de Leste.
Estas foram criadas pelo psicólogo comunista Karl Peglau, que teorizou que os peões responderiam melhor a luzes com uma imagem mais «amigável».
Rapidamente os Ampelmann (em alemão «pequeno homem na luz de trânsito») se tornaram ícones no mundo comunista tornando-se até uma personagem importante num programa sobre Educação Automobilística.
AmpelweibchenApós a unificação alemã o Ampelmann foi preservado nas cidades da Antiga Alemanha de Leste e em alguns bairros de Berlim.
Em 2004 surgiu a sua congénere feminina, a Ampelweibchen, nas ruas de Zwickau e Dresden.

Como facilmente se pode constatar, as 3 cores vermelho-amarelo-verde pertencem a partes distintas do esepctro electro-magnético da luz visível, pelo que são geralmente bem percebidas e distinguidas pelas pessoas.
A questão da cor vermelha significar «parar», amarelo «precaução» e verde «avançar» é uma questão de padronização actual. Tempos houve em que o verde é que significava «precaução» e o amarelo «avançar».
O vermelho, no sistema do francês Robert, significava «avançar».
O amarelo foi também anteriormente substituído pela cor branca.
Mas a cor vermelha significando «perigo» e «parar» é bastante intuitiva, pela sua fácil sugestão da cor sanguínea...


Publicado por Mauro Maia às 23:59
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20 comentários:
De PN a 11 de Junho de 2006 às 22:53
Interessantíssimo este artigo.


De Mauro a 11 de Junho de 2006 às 23:28
Ainda bem, «PxN», que apreciaste. Após 2 semanas sem artigos é bom saber que o veia não enferrujou. Mas gostaria de ter algum «retorno» de quem ler o artigo: não sei se está claro, sinto que algo falta mas não consigo identificar exactamente o quê. Algo na articulação das diferentes questões abordadas. (Talvez seja pscológico...)


De Nox a 12 de Junho de 2006 às 15:11
Posso estar enganada, mas julgo que não ser completamente correcto dizer-se que apenas os homens são atingidos por cegueira para as cores. O que acontece é que o defeito se encontra no cromossoma X e, como os homens só têm um, basta herdar a perturbação para terem defeitos de visão. Já para as mulheres é necessário herdar duas cópias, pelo que é muitíssimo mais raro... Quanto à escolha das cores para o "avançar" e "parar" há uma teoria que a relaciona com as cores frias e as quentes: as cores quentes (como o vermelho) parecem ir de encontro a quem as vê, criando um obstáculo e barrando o caminho; as frias (como o verde) originam uma sensação de profundidade que mostra o caminho livre.


De Jos da Silva Maurcio a 12 de Junho de 2006 às 16:00
EXTRA: Olá Bloguer. Faz artigos deste género sobre ENERGIAS RENOVÁVEIS (Solar, Eólica, Ondas, Biomassa, Hidrogénio etc, etc). FIM DO EXTRA.


CONCURSO SOLAR PADRE HIMALAIA - Edição 2006: Divulgação das ENERGIAS RENOVÁVEIS.

Em http://www.cienciaviva.pt/rede/energia/himalaya2006/home/

Nota: Devia ser a Igreja Católica a divulgar este Padre!!!


CURIOSIDADE: Uma Cidade Renovável. Ver http://www.energiasrenovaveis.com/html/canais/cr/cr.htm


MELHORIAS:

MELHORIA 1: Portugal vai ter a MAIOR CENTRAL DO MUNDO de produção de energia fotovoltaica.

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1259899


MELHORIA 2: Portugal vai ter o PRIMEIRO PARQUE MUNDIAL de aproveitamento da energia das ondas.

http://dn.sapo.pt/2006/05/12/economia/enersis_instala_primeiro_parque_onda.html


PROPOSTA DE MELHORIA:

As praias da costa Portuguesa estão a ser “comidas” pelo mar.

Construam DIQUES PROTECTORES que sejam PLATAFORMAS GERADORAS de ENERGIA DAS ONDAS.


Braga, 19.4.2006






De Mauro a 12 de Junho de 2006 às 19:18
Tens toda a razão, «Nox». A maioria das «cegueira a cores» é de origem genética, surgindo no cromossoma X. Alterarei o artigo para corrigir essa óbvia falha. A percentagem mundial de Homens está também incorrecta (faltando ainda a feminina). Agradeço a sugestão para um outro artigo, «José da Silva Maurício» e também a visita ao Cognosco. É um artigo a ponderar e de relevante interesse, a das energias renováveis (finalmente constroem algo que há anos é óbvio em Portugal: vastas áreas do alentejo são martirizadas pelo calor, não havendo agricultura. A energia solar há muito devia ter sido uma aposta nacional).


De Nox a 13 de Junho de 2006 às 18:36
É sempre um prazer poder contribuir...


De Elsita a 13 de Junho de 2006 às 20:56
Transmissão de pensamentos, mesmo que não me tivesses visitado eu viria visitar-te agorinha mesmo. Curioso!._))Quanto ao post de hoje e às respectivas cores que compõem o semáforo, adorei, pelo vastidão de informação e curiosidades até, e deixa-me dar destaque a algumas: a importância da personagem ícone no mundo comunista no programa de automobilismo, em especial por se comemorar hoje o aniversário da morte de Álvaro Cunhal e em simultâneo EUgénio de Andrade e "curiosamente" da companheira do Á. Cunhal. e de um extremo ao outro do assunto resta-me discordar da tonalidade vermelha ligada a sanguinário, pois a cor vermelha é nada mais nada menos que BENFICA! E Esta Heim!!!!!!!!!!! :-)))))Tudo bom por aqui e para ti


De js a 14 de Junho de 2006 às 11:04
...como eu tenho num artigo que escrevi Já há bastante tempo em Portugal a leitura que os condutorse fazem não é bem a que está regulamentada, no verde passa-se nas calmas ... no amarelo acelera-se porque ainda vai dar e no vermelho finge-se que ainda está amarelo...
FORÇ'AÍ!
js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt e


De Mauro a 14 de Junho de 2006 às 19:06
Obrigado pela visita, «Elsita». Sep nesares bem, a associação «sanguinária» à cor vermelha serve os «interesses» do teu clube: uma reputação de «sanguinários» e «matadores»? Melhor impossível... É verdade, «js», a leitura prática dos semáforos nem sempre corresponde à leitura teórica que deles os condutores fazem. Onde moro presentemente os condutores (a generalidade) têm o hábito de parar nos vermelhos, mas passá-lo poucos segundos antes de mudar para verde... Vejo-o como um bom exemplo do «chico-espertismo» nacional...


De Maria Papoila a 15 de Junho de 2006 às 22:37
Interessantíssimo este teu artigo Mauro. E veio explicar-me porque tenho uma certa ceguiera às cores nas horas do lusco-fusco.
Beijo


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