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Diário das pequenas descobertas da vida.
Domingo, 8 de Janeiro de 2006
Typi sanguinis

glóbulo vermelhoJá todos ouviram falar de sangues diferentes, os chamados «tipos sanguíneos». Há A, B, AB e O e cada um deles pode ser positivo ou negativo. Mas o desconhecimento do que esses tipos são exactamente e as crendices associadas a esse desconhecimento parecem grassar.

  

A primeira questão a ter em conta é os grupos sanguíneos A, B, AB e 0 (é um zero e não a letra «o», já que indica ausência). Os grupos sanguíneos são determinados pela presença ou ausência, na parede exterior dos glóbulos vermelhos, de certas moléculas conhecidas como antigenes. Os antigenes (que são geralmente ou proteínas ou polissacarídeos) são substâncias que induzem uma resposta imunitária por parte dos glóbulos brancos do corpo quando estes não os conhecem. Os antigenes podem ser produzidos pelo metabolismo natural do corpo (e esses antigenes não induzem normalmente respostas imunitárias) ou provirem de fontes externas (podendo despoletar ataques do sistema imunitário caso esses antigenes sejam desconhecidos para o sistema imunitário). Este grupo sanguíneo, AB0, foi descoberto em 1901.

Por estranho que possa parecer, os quatro grupos sanguíneos são determinados por apenas 2 antigenes (A e B).

Caso os glóbulos vermelhos tenham apenas antigenes A, o grupo sanguíneo é A.

Caso os glóbulos vermelhos tenham apenas antigenes B, o grupo sanguíneo é B.

Caso os glóbulos vermelhos tenham antigenes A e B, o grupo sanguíneo é AB.

Caso os glóbulos vermelhos não tenham antigenes A nem B, o grupo sanguíneo é 0.

 

Macaco RhesusAlém destes 2 antigenes, há ainda o chamado Factor Rhesus, que deve o seu nome à designação comum dada a uma espécie de macacos, os macacos Rhesus (Macaca mulatta). Os Macacos Rhesus são amplamente usados em pesquisas médicas e foi neles que primeiro se determinou a existência do antigene Rhesus, descoberto depois também nos seres humanos, em 1937. Quando o antigene Rhesus está presente nos glóbulos vermelhos, o sangue é Rh+. Quando está ausente, é Rh-. Assim quem, nos glóbulos vermelhos, tem os antigenes A e Rh é A+.

Quem, nos glóbulos vermelhos, não tem o antigene A nem B nem Rh é 0-.

Quem, nos glóbulos vermelhos, tem o antigene B mas não o Rh é B-.

 

Na verdade, o grupo Rh tem vários antigenes diferentes, sendo os mais importantes os antigenes C, c, D, E, e. O D é o antigene mais importante e quando se diz que se é Rh+ ou Rh- isto indica exclusivamente a presença ou ausência do antigene D. Apesar de ser mais prático utilizar os sinais «+» e «-» após o grupo sanguíneo, em termos de laboratório é utilizada a nomenclatura RhD positivo e RhD negativo, por ser mais seguro: não há o risco de um traço mal feito ou apagado gerar confusões.

~ E que importância tem essas coisas do A, do B e do Rh?

 

A determinação do tipo sanguíneo de uma pessoa é crucial em transfusões sanguíneas e na gravidez de uma mulher. (Apesar de serem muitas vezes usadas como expressões sinónimas, Grupo sanguíneo e Tipo sanguíneo não são a mesma coisa: grupo sanguíneo refere-se ao sistema ABO mas o tipo sanguíneo inclui o sistema AB0 e o factor Rh. AB é o meu grupo sanguíneo e AB- é o meu tipo sanguíneo, por exemplo).

 

Como indicado em cima, o sistema imunitário ataca os glóbulos vermelhos que contenham antigenes que desconhece.

As consequências no caso de transfusões sanguíneas com tipos sanguíneos incompatíveis incluem anemia hemolítica (destruição de glóbulos vermelhos), falha renal (os rins deixam de funcionar), choque (hipoperfusão, as células do corpo não recebem o oxigénio que necessitam) e morte.

 • Se uma pessoa é A+ e receber sangue do tipo AB- :

~ o sistema imunitário reconhece o antigene A, não estranha a ausência do Rh mas ataca o antigene B. A pessoa entra em hipoperfusão e morre.

• Se uma pessoa for AB- e receber sangue A- :

~ o sistema imunitário reconhece o antigene A, não estranha a ausência de B nem estranha a ausência de Rh. A transfusão é bem sucedida e a pessoa fica bem.

• Se uma pessoa é 0- e receber B+ :

~ o sistema imunitário ataca o antigene B e o Rh. A pessoa entra em choque e morre. (na verdade o tipo 0- só pode receber sangue do tipo 0-. Qualquer outro tipo é letal.)

• Se uma pessoa é AB+ e receber 0+ :

~ o sistema imunitário não estranha a ausência do A, nem do B e reconhece o Rh. A transfusão é bem-sucedida.

Como regra geral, o corpo estranha e ataca o que não tem e é indiferente à ausência do que tem. Pode-se assim, com base nesta simples regra, estabelecer os seguintes quadros para tipos compatíveis em transfusões sanguíneas:

Analisando-se os quadros, percebe-se porquê:

~ o tipo AB+ é receptor universal (como tem todos os antigenes presentes, não estranha nenhum tipo de sangue);

 ~ o tipo 0- é o dador universal (não tem qualquer antigene que um sistema imunitário possa estranhar e atacar). A questão nem sempre é assim tão simples, apesar de geralmente o ser e, para efeitos práticos, isto é o mais importante.

Incluído está também, tendo em conta a percentagem dos diversos tipos de sangue em Portugal, qual a percentagem de pessoas de que se pode receber sangue e, na segunda tabela, a percentagem de pessoas a quem se pode dar.

Em termos de herança genética, o grupo sanguíneo (A, B, AB ou 0) tem regras muito simples e é determinado principalmente por um par de alelos. Dessa forma, é fácil determinar as possibilidades do grupo sanguíneo dos filhos, tendo em conta os grupos sanguíneos dos pais. O Factor Rhesus é determinado por vários pares de alelos, pelo que não é linear a sua determinação no sangue dos filhos. A regra básica é que A e B são dominantes e O é recessivo. Assim, por exemplo:

 

~ se um dos pais é A e o outro é A os filhos podem ser A ou 0 (mas não B ou AB);

~ se um dos pais é A e o outro é AB, os filhos podem ser A, B ou AB (mas não 0);

~ se um dos pais é B e o outro é 0 os filhos podem ser B ou 0 (mas não A ou AB);

 

Se pensarmos no grupo sanguíneo dos filhos, a tabela anterior é facilmente transformada nesta, que indica, tendo em conta o grupo sanguíneo da criança os possíveis grupos sanguíneos dos pais (tanto faz que a primeira seja da mãe ou que a primeira seja do pai)

 

Nunca é demais lembrar de que não há incompatibilidades entre os sangues dos pais. Todos os grupos sanguíneos dos pais são compatíveis em termos genéticos. Problemas de saúde como Síndroma de Down, paralesia cerebral, ... não se devem a quaisquer incompatibilidades entre os sangues dos pais. Na verdade esses problemas surgem por excesso de compatibilidade genética entre os pais. Se um tiver nos genes a informação para uma doença (mesmo que não a revele) e o outro também, há, pelo menos, uma probabilidade de 25% de que os filhos a tenham e revelem. Já tive conhecimento de casamentos que terminaram devido ao nascimento de uma criança com síndroma de Down. Como a explicação incorrecta que lhes deram foi que se devia à incompatibilidade entre os seus sangues, acabaram por transpôr essa suposta incompatibilidade para a sua relação pessoal. Aqui está um caso de crendices que influenciam directamente o bem-estar emocional das pessoas...

 

A questão da incompatibilidade é também importante na gravidez, conforme o tipo de sangue da mãe grávida e do feto. Se a mãe for Rh- e o feto Rh+, o sistema imunitário pode criar defesas contra os antigenes Rh do feto do bebé, levando a um aborto espontâneo. Por vezes essa incompatibilidade não surge com o primeiro filho Rh+ de uma mãe Rh- mas se um segundo filho tiver também Rh+, os anticorpos maternos acumulados na primeira gravidez podem atacar e matar o bebé. Felizmente há panaceias para ambas as situações, bastando fazer análises pré-natais e efectuando o tratamento adequado. Acresce-se ainda que a distribuição dos tipos sanguíneos no mundo não é uniforme.

Dos habitantes do mundo: 38% são 0+, 34% A+, 9% B+, 7% 0-, 6% A-, 3% AB+, 2% B- e 1% AB-.

Dos Portugueses: 39,9% são A+; 6% 0+ ; 7% B+ ; 6,6% A- ; 6,1% 0- ; 2,9% AB+ ; 1,1% B- ; 0,4% AB-.

É claro que quando se refere «+» é Rh+ e quando é «-» é Rh-.

A tabela seguinte mostra a probabilidade da combinação dos diversos tipos de sangue de um casal, tendo em conta as percentagens de distribuição dos diversos tipos de sangue no Mundo:

 

Assim, a probabilidade de haver um casal com tipos de sangue:

~ A+ e A+ é 11,56%;

~ A- e AB+ é 0,18%;

~ 0+ e AB- é 0,38%

Assim, quanto à ideia errada que ainda se vai repetindo por aí quanto a «incompatibilidades de sangue», esta tabela dá-lhe uma machadada final:

A probabilidade de um casal ter o mesmo tipo de sangue é 11,56% + 0,36% + 0,81% + 0,04% + 0,09% + 0,01% + 14,44% + 2,66% = 29,97%. Se os tipos de sangue fossem incompatíveis, quase 30% (aproximadamente 1 em cada 3 crianças) teriam problemas de saúde, o que é obviamente ridículo.

Em Portugal, a probabilidade de um casal ter o mesmo tipo de sangue é 41,14%. No Brasil, a probabilidade de um casal ter o mesmo tipo de sangue é 39,8%. Nenhum destes países tem quase metade das crianças com problemas genéticos. A incompatibilidade de tipos de sangue é um mito abolutamente errado!

 

De acordo com a página Index Mundi, a taxa de natalidade no Brasil é de 16,04 por cada 1000 habitantes, a de Portugal 10,45/1000 e a mundial 85/1000.

Da tabela verifica-se que, em 6,95% dos casais, ambos têm o mesmo tipo de sangue. Mas 6,95% de todos os bebés nascidos não têm problemas de saúde. Isso seriam perto de 9 milhões e meio no mundo (6 mil milhões, 706 milhões, 993 mil e 152 habitantes), perto de 212 mil bebés no Brasil (190 milhões, 132 mil e 630 habitantes) e perto de 8 mil e 500 bebés em Portugal (10 milhões, 617 mil e 575 habitantes) teriam problemas de saúde apenas devido a o tipo sanguíneo dos pais ser o mesmo.

Penso que o absurdo dos números mostra bem a a irrazoabilidade de o tipo sanguíneo parental ter a ver com a saúde dos bebés. No Mundo, morrem, por ano, cerca de 282 milhões de crianças, 4 milhões e meio no Brasil e 51 mil e 500 em Portugal. 3% dos bebés do Mundo morreriam só por causa de os pais terem o mesmo tipo de sangues? 5% dos bebés brasileiros? 15% dos bebés portugueses? Das principais causas de mortalidade no Mundo são, de acordo com a página 20 principais causas mundias de mortalidade, a SIDA (AIDS) que mata 4,9% da população mundial. Esse número é enorme e assustador. Se 3%, 5% ou 15% dos bebés tivessem problemas de saúde por o tipo sanguíneo dos pais ser igual, haveria campanhas tão intensas a nível mundial como as que são feitas para a prevenção de comportamentos de risco na infecção por HIV!

 

Além do grupo sanguíneo do sistema ABO (o mais comum), e o Rh, há ainda outros, muito raros, 27 grupos (que receberam o nome da primeira pessoa na qual foram identificados):

~ Diego positivo é um tipo de sangue encontrado apenas em populações asiáticas e em nativos norte-americanos (como consequência da expansão dos seres humanos da África, para a Ásia e daí para a América);

~ o sistema MNS, com os tipos M, N e MN de antigenes.

~ Duffy negativo confere imunidade parcial à malária e é apenas encontrado em populações africanas (resultado de alguma mutação que conferiu ao indivíduo original protecção contra essa doença que ainda hoje mata milhares de pessoas no continente).

~ o sistema Luterano contém 21 antigenes diferentes.

Outros sistemas são o Colton, Kell, Kidd, Lewis, Landsteiner-Wiener, P, Cartwright, XG, Scianna, Dombrock, Chido, Kx, Gerbich, Cromer, Knops, Indian, Ok, Raph e o JM.

Mas qualquer um destes é tão raro que a maioria das pessoas não tem de se preocupar com eles, exceptuando se forem de um grupo étnico onde forem mais comuns. Em termos evolutivos, pensa-se que inicialmente todos os seres humanos eram do grupo O. À medida que os seus descendentes se iam expandindo pelo mundo, foram ocorrendo mutações. Por volta de 20 mil AC, ocorreu uma mutação e surgiu o grupo A nos seres humanos que habitavam a Europa Central e a Escandinávia (Suécia, Noruega e Finlândia). Em 10 mil AC, com uma nova mutação, surgiu o grupo B nos seres humanos que tinham chegado à Ásia. Com os descobrimentos, a partir de 1 500 DC, as populações Africanas, Europeias e Asiáticas começaram a cruzar-se e surgiu um novo grupo, o grupo AB. Provavelmente é esta a razão pela qual os grupos sanguíneos estão distribuídos numericamente como estão, sendo o tipo O (o mais antigo) o mais comum e o tipo AB (o mais recente) o menos frequente.



Publicado por Mauro Maia às 20:43
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282 comentários:
De Humberto a 3 de Dezembro de 2010 às 05:57
Duas pessas,uma do grupo a e outra do grupo b, ambas com pis de grupo o, podem ter filhos de sangue tipo:

a)AB, apenas
b)A e B , apenas
c)A, B, e O apenas
d)A, B, AB e O
e)O apenas


De Mauro Maia a 7 de Dezembro de 2010 às 14:55
Obrigado, «Humberto», pela cogitação. Não cheguei a entender se era um reparo, uma correcção ou uma confirmação do que está expresso no artigo. Por isso, analisarei o comentário esperando encontrar a resposta. A primeira questão que me surge é a da impossibilidade de pais, ambos do Grupo 0, terem filhos de Grupos diferentes de 0. O gene para 0 é recessivo e só se manifesta quando presente em ambos os alelos. Um casal mutuamente 0 nunca poderia ter filhos biológicos A ou B. Temos ainda que considerar as possíveis combinações de pessoas de Grupo sanguíneo A e B. A pode ser AA ou A0 e B pode ser BB ou B0. Os descendentes de A com B podem ser assim A0 (o que se manifesta como A), AB (que se manifesta como AB), BA (que se manifesta como AB), B0 (que se manifesta como B) ou 00 (que se manifesta como 0), como bem referes e o artigo também. O que pretendias realçar com a tua cogitação?


De Patrícia a 19 de Outubro de 2010 às 00:07
Oi Sr boa noite!Gostaria de saber se posso engravidar ?Tenho sindrome de waanderburg e tipo sanguineo O+ e sou surda profunda e meu marido tb é surdo e tem A+ e nasceu por rubeola.Será que essa sindrome pode ter risco de filho?É uma doença grave?
Aguardo a resposta
Patrícia


De damaris kieuteka a 9 de Maio de 2010 às 07:32
Meu marido possui sangue B positivo, eu possuo sangue O negativo, poderiamos gerar um filho com sangue A negativo?


De Mauro Maia a 16 de Maio de 2010 às 10:43
Olá «Damaris». A primeira questão a ver é ter a certeza dos vossos tipos sanguíneos. Porque não há forma de b com 0 ter filhos A, como o artigo explica. Certifiquem-se do vosso tipo sanguíneo (e do bebé também).


De Cristina a 18 de Fevereiro de 2010 às 11:50
Oi Mauro venho hoje dar-lhe a notícia tão esperada: estou grávida!!!! Se Deus quiser dará tudo certo dessa vez!!!! estou muito feliz!fique com Deus e abraço!!!


De Amilton a 17 de Fevereiro de 2010 às 10:57
Tenho 0+ e a mulher A+, minha filha nasceu com O- e no teste do pezinho, o resultado foi TRAÇOS DE HEMOGLOBINA S. Gostaria de saber se existe algum resultado estranho, uma vez que na família não possuimos ninguém com hemoglobina.


De Mauro Maia a 17 de Fevereiro de 2010 às 11:13
Parabéns, «Amilton», pelo feliz acontecimento: parabéns pela filhinha. Todas as pessoas têm Hemoglobina, felizmente. São os glóbulos vermelhos e transportam oxigénio dos pulmões para o resto do corpo. Todos têm, inclusivamente a vossa família. Normalmente temos hemoglobina redonda, flexível, com uma curva central. Esta é a chamada Hemoblgobina A. No entanto, podem ocorrer hemoglobinas com uma forma e textura diferentes. A Hemoblina S é uma hemoblonia que não tem a usal forma redonda mas sim em corma de foice. Isto diminui a quantidade de oxigénio que pode transportar. Sendo em si uma situação negativa, a Hemoblonia S confere alguma protecção contra a Maária, já que o vírus não se consegue intalar na forma em foice da Hemoblobina S. Como só há traços de Hemoblobina S, isso significa que os globulos vermelhos da vossa filha não são Hemoblonia S, apenas alguns. Ela não terá qualquer doença ou problema físico, ainda que devam falar com o vosso médico sobre essa questão da existência de Hemoglobina S. Não é para preocupar mas apenas para amar muito a vossa filha que nasceu protegida contra a Malária.


De Cristina a 3 de Janeiro de 2010 às 17:38
Obrigada pelas belas palavras!!!! Desejo a você e a sua família um feliz natal e um próspero ano novo!Que Jesus os abençõe e que esse novo ano seja ainda melhor do que o que passou e que lhe traga muitas alegrias!!! Tudo de mais maravilhoso pra ti!
Um abraço!!!!!


De Alfinete de Peito a 9 de Janeiro de 2006 às 12:20
Informação muito importante e pertinente. Por falar nisso não me lembro qual o meu tipo de sangue, tenho que ir verificar.

Temos dito.


De Mauro a 9 de Janeiro de 2006 às 13:31
Obrigado pela continuada presença no Cognosco, Alfinete de peito. É de facto muito importante saber-se o grupo sanguíneo e também ter essa informação facilmente acessível para em qualquer eventualidade ser encontrada. E também ter em conta que há grupos sanguíneos muito incomuns em algumas partes do mundo (os grupos com Rh- são muito incomuns no extremo asiático) pelo que os bancos de sangue desses países não costumam tê-los armazenados. É uma questão importante a ter em conta quando se planeia uma visita a essa região do mundo (e os governos desses países também procuram incentivar turistas com grupos sanguíneos com Rh- a doarem sangue).


De Maria Papoila a 9 de Janeiro de 2006 às 14:26
Muito bom este artigo, tudo muito bem explicado e de fácil compreensão. Quer nas transfusões sanguíneas, quer na gravidez é realmente fundamental conhecer-se o tipo sanguíneo de qualquer indivíduo. Em Portugal, mesmo que os cidadãos tenham o seu tipo sanguíneo identificado, numa situação de urgência não realizada qualquer transfusão sem uma determinação prévia de confirmaçaão. Em relação à gravidez a mais importante é a incompatibilidade materno-fetal do factor Rh, fundamentalmente se a mãe for Rh- e o filho Rh+. Como se desenvolvem anticorpos durante a gravidez o mais importante é logo após o parto dar à mãe uma imunoglobulina anti-Rhesus que acturá como antídoto aos anticorpos anti-Rhesus que ela criou durante a gravidez. Se não tomar esta imunoglobulina, numa gravidez seguinte ela já terá em circulação anticorpos anti-Rhesus, e vai abortar outro filho se este for Rh+. Se for Rh- o problema não se levanta. No aconselhamento pré nupcial quando os futuros conjugues determinam o tipo sanguíneo, se o marido for Rh-, poderemos considerá-lo o marido ideal... Em relação aos grupos A, B, AB, e O as incompatibilidades materno-fetais não são tão graves. O meu comentário já parece um artigo... Beijo


De Mauro a 9 de Janeiro de 2006 às 14:34
Obrigado, Maria Papoila, pelo comentário. A questão do Rh- materno com o Rh+ fetal é já focado no artigo mas é um óptimo complemento ao artigo (que por lapso não figurou no original) que a admnistração do tratamento nesta situação ocorre logo após o parto. O que desconhecia era a minha inclusão nessa categoria do «marido ideal» no sentido da progénie. Obrigado pelas palavras... ;)


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