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Diário das pequenas descobertas da vida.
Segunda-feira, 20 de Junho de 2005
Quatae collactanae
Há 4 forças físicas fundamentais no Universo:</br></br>Gravidade~ Gravidade: é a força menos poderosa do Universo, apesar do seu alcance infinito lhe dar o carácter universal que falta às outras. É uma força que depende somente da massa dos objectos, pelo que as interecções entre os corpos do Universo são feitas pela Gravidade. A sua influência sobre os corpos diminui com o quadrado da distância entre eles (se a distância aumentar para o dobro a gravidade diminui para a 4ª parte, se aumentar para o triplo diminui para a 9ª parte, ...).</br>
A partícula que teoricamente conduz a gravidade é o gravitão, mas esta partícula nunca foi experimentalmente encontrada.</br></br>

Força Nuclear Fraca~ Força nuclear fraca: é a força responsável pela radioactividade de algumas substâncias. É 1015 vezes mais forte do que a gravidade (ou seja multiplicada por 10 quinze vezes). Mas o seu alcance é muito pequeno, na ordem dos 10-18 metros (um metro que se divide por 10 dezoito vezes), o que é somente um décimo do diâmetro de um protão. A sua influência diminui com o sêxtuplo da distância (se a distância aumentar para o dobro a força diminui para a 64ª parte). As partículas que conduzem a força nuclear forte são o bosão W e o bosão Z.</br></br>

Electromagnetismo~ Electro-magnetismo: é a força que actua entre partículas carregadas (que têm carga eléctrica). É 1038 vezes mais forte do que a gravidade . E o seu alcance é também infinito e a sua influência também diminui com o quadrado da distância das cargas eléctricas. Deve-se a ela a atracção ou repulsão entre imans, a electricidade estática, a luz, as ondas de rádio, os raios-x e outras ondas electromagnéticas, é a força que mantém os electrões (de carga negativa) à volta do núcleo atómico (que tem carga positiva). A partícula que conduz o electromagnetismo é o fotão.</br></br>

Força Nuclear Forte~ Força nuclear forte: é a força que mantém unidos os núcleos atómicos.</br>Tem uma magnitude relativa (em relação à gravidade) de 1040. É a força mais poderosa das 4, capaz de unir protões que de outra forma de afastariam (devido à sua carga positiva). A razão porque não é sentida pelas pessoas é porque o seu raio de alcance é de apenas 10-15 metros, o que é o diâmetro médio do núcleo atómico.</br></br>

Neste momento da história do Universo as 4 forças são claramente distintas, tanto em alcance como em características. São descritas pela Mecâcnica Quântica.</br>
As 3 últimas forças (electro-magnetismo, forças nucleares fraca e forte) são descritas por uma só teoria, a Teoria Quântica Unificada. Dessa forma as 3 são simples manifestações diferentes do mesmo princípio.</br>
Somente a gravidade não é incluída (principalmente porque não foi ainda descoberto o gravitrão), pelo que ainda não há bases científicas para a chamada Gravidade Quântica, que Einstein procurou até ao fim da vida, como parte do processo de unir a Relatividade com a Mecânica Quântica (ver Decem dimensiones).</br></br>

Existe a teoria de que as quatro forças já foram uma só, no início do Universo.</br>
À medida que este arrefecia (e antes do primeiro segundo depois do Big Bang) as forças foram-se separando.
Primeiro deixou o grupo a Gravidade (10-43 segundos depois do Big Bang).</br>
Em seguida foi a fez da Força Nuclear Forte (10-35 segundos depois do início).</br>Depois separarem-se o Electromagnetismo e a Força Nuclear Fraca (10-11 segundos após o Big Bang).</br></br>O Universao em que vivemos é a directa consequência dos caminhos desavindos destas 4 irmãs separadas à nascença...</br></br>

Quatro irmãs de leite


Publicado por Mauro Maia às 23:07
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Kubernates
O andróide Sunny do filme «Eu, Robot»A cibernética é o «estudo dos mecanismos de comunicação e de controlo nas máquinas e nos seres vivos, do modo como se organizam, regulam, reproduzem, evoluem e aprendem
(definição do dicionário online Língua Portuguesa On-Line).
Esta palavra deriva da palavra grega «kybernetiké», que significa arte de governar.
Esta está relacionada com a palavra do Grego arcaico «kubernates, que significa timoneiro, o homem do leme
(como na música dos Xutos & Pontapés).

O uso da palavra cibernética foi introduzida pelo excêntrico professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology, Instituto tecnológico de Massachusetts) Norbert Wiener. Este foi sempre um professor conhecido pelas suas excentricidades, como dormir nas escadarias do Instituto ou presumir que os outros professores também falavam chinês como ele.

A palavra grega kybernetiké daria origem à palavra latina gubernium que viria a dar origem ao português governo.
Gubernium tem o mesmo significado que a origem arcaica grega, significando timoneiro e simultaneamente governo, gestão.

Realmente cibernética tem a ver com controlo, com gestão, com timonar geralmente de robots (que vem do checo robota, que era o termo que designava os trabalhadores forçados, os servos). Os robots estão cada vez mais independentes graças aos constantes desenvolvimentos da cibernética.

Esta é uma palavra que cada vez mais faz parte da vivência humana e cuja origem não é do conhecimento geral.

Pena é que não haja cartas de marear para os Governos das nações do Mundo.
Muitos naufrágios ter-se-iam evitado na História do
Homo Sapiens...


Publicado por Mauro Maia às 18:18
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Domingo, 19 de Junho de 2005
Dizzy
OuvidoQuando se viaja surge por vezes uma indisposição que só acalma quando o veículo que nos transporta pára.
Esta indisposição ocorre porque o cérebro recebe informações contraditórias dos ouvidos.

~ Que têm os ouvidos a ver com isso? A indisposição é no estômago... Além disso como é que o mesmo ouvido pode dar informações contraditórias? As informações vêm do mesmo sítio...

O ouvido exterior (a parte protuberante feita de cartilagem e mais ou menos 2 centímetros do canal auditivo) recebe e transmite as ondas sonoras para o interior, onde são convertidos em sinais que o cérebro interpreta.

O ouvido interno tem também um líquido que indica ao cérebro a posição do corpo (mais especificamente da cabeça). Mesmo de olhos fechados alguém que inclina a cabeça sente essa inclinação através do deslocamento desse líquido. Dessa forma o cérebro pode fazer os ajustes necessários para manter o equilíbrio do corpo.
O ouvido interno é o responsável pelo equilíbrio.
Quem sofre alguma patologia que lhe afecte o ouvido interno sente o mesmo tipo de tontura e indisposição de quem é transportado de carro e não consegue se manter direito.

Mas há 2 tipos de equilíbrio de que o cérebro recebe informações pelo ouvido interno: o equilíbrio estático (a orientação da cabeça em relação ao solo) e o equilíbrio dinâmico (a orientação da cabeça em relação ao movimento do corpo).

Quando se está num carro em movimento os sensores de equilíbrio estático no ouvido interno informam o cérebro de que o corpo está parado (em relação ao carro). Esta informação é corroborada pelos olhos.
No entanto os sensores de equilíbrio dinâmico sentem o movimento do carro e portanto informam o cérebro de que o corpo está em movimento.

É esse conflito de informações com que o cérebro não consegue lidar e enquanto tenta gerir a crise envia sinais de alarme ao corpo. A parte mais sensível do corpo a esses sinais é infelizmente o estômago. Surge assim a indisposição ligada ao movimento.

Um bom remédio costuma ser fechar os olhos. Dessa forma parte da confusão é eliminada pois diminui-se o fluxo de informações que informam o cérebro de que está em movimento. Também será por isso que quam conduz não sente o mesmo tipo de indisposição do passageiro. O nível de conflito no condutor é menor uma vez que a sua mente está concentrada no movimento do carro. Assim as informações de que está estático são ignoradas pelo cérebro que está a gerir o controlo do movimento do carro. Poderá também explicar porque por vezes quem se encontra sentado nos bancos traseiros não se sente tão rapidamente enjoado. O passageiro dianteiro vê a estrada em movimento à sua frente, enquanto o passageiro traseiro verá principalmente o banco estático que se encontra à sua frente.

CarrosselEsta é também a razão pela qual quando se gira subitamente (ou continuadamente) o corpo se sente essa mesma indisposição no momento em que se pára. Apesar do corpo parar e os olhos informarem o cérebro de que está em repouso o líquido do ouvido interno continua em movimento (como uma panela com água que se mexeu com a colher. Mesmo que se pare de mexer a água continua em movimento durante algum tempo).
Novamente o cérebro recebe informações contraditórias. Os olhos informam o cérebro de que não há movimento mas no ouvido interno os sensores de movimento dinâmico ainda recebem a informação de movimento (só que é só do líquido, mas não têm como distinguir as suas situações).


Publicado por Mauro Maia às 21:56
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Deliquiis Lunae
Eclipse solarUm eclipse solar ocorre quando a órbita da Lua a coloca entre a Terra e o Sol. Não é um fenómeno comum e por isso é sempre extraordinário assistir a um.

~ Como é que a Lua esconde tão completamente o Sol? Não são de mesmo tamanho...


A Sol é aproximadamente 400 vezes maior do que a Lua.
A razão pela qual a Lua consegue esconder tão completamente o Sol durante um eclipse é porque a Lua está 400 vezes mais próxima da Terra do que o Sol.

O Sol e a Lua aparentam ter o mesmo tamanho quando vistos da Terra.

No entanto a óbita da Lua não é perfeitamente circular. Se fosse a sua distância à Terra era sempre a mesma.
Quando a Lua está no seu Perigeu (o ponto mais próximo da Terra) está a 363,3Km.
Quando está no seu Apogeu (o ponto mais próximo da Terra) está a 405,5 km.
A distância média da Lua à Terra é 384,4 km.
A diferença entre o Perigeu e o Apogeu é de 11 %, coisa aparentemente pouca.

Lua no Perigeu - eclipse solar totalNo entanto somente quando a Lua está no Perigeu é que consegue esconder completamente o Sol. Quando ocorre nessa altura o eclipse a Lua esconde completamente a fotosfera do Sol e apenas a coroa solar (a atmosfera incandescente) é visível. Forma-se um eclipse solar total.

Lua no Apogeu - eclipse solar anelarQuando a Lua está no Apogeu a sua distância à Terra é 11% inferior pelo que a desproporção de tamanhos não é completamente equilibrada pela distância. Nessa altura forma-se um eclipse solar anelar.

A Lua está geralmente numa distância intermédia entre o Apogeu e o Perigeu.
Os eclipses solares não costumam ser totais mas a diferença não é suficientemente significativa para ser perceptível. Assim a maioria dos eclipses solares parece total mesmo quando não o é verdadeiramente.

Mas não deixa de ser um espectáculo portentoso assistir a este bailado cósmico em que os dançarinos nunca se tocam e no entanto nunca se afastam para sempre...

Mais uma das coincidências relacionadas com o nosso satélite natural e que determinam alguns aspectos marcantes da nossa percepção da Lua.
(Ver o artigo Et autem convertet sobre a coincidência que permite a existência de um lado oculto da Lua)

Eclipses da Lua


Publicado por Mauro Maia às 13:08
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2005
Ceuta aeterna dolor
Ceuta
Todos aprendemos na escola que Portugal conquistou a cidade de Ceuta no Norte de África aos Mouros em 1415, dando assim início ao período dos Descobrimentos.

Mas hoje Ceuta é uma cidade espanhola no Norte de África e constitui uma Região Autónoma Espanhola.

~ Mas o que aconteceu entretanto? A Espanha conquistou a cidade aos Portugueses nalguma guerra?

A passagem do domínio de Portugal para a Espanha foi uma transição sem conflitos militares. A cidade de Ceuta tornou-se espanhola desde o início da 3ª Dinastia de Reis Portugueses que começou em 1580 (ou 1581, se considerarmos D. António, prior do Crato como o Rei português a governar a partir dos Açores).

D. SebastiãoEm 1580, devido à crise sucessória originada pela morte de Dom Sebastião na malograda expedição a Alcácer Quibir, subiu ao trono português o Rei Espanhol Filipe II (Filipe I de Portugal).

As casas reais espanhola e portuguesa são familiares desde D. Afonso Henriques, primo do rei castelhano. Quando a maioria da nobreza portuguesa morreu nos campos de batalha de Alcácer Quibir no Norte de África somente o rei castelhano subsistia dos parentes de sucessão de D. Sebastião.

Durante 60 anos sucederam-se 3 Filipes espanhóis no trono português e a Espanha era o maior Império do Mundo. Nessa altura Ceuta era um importante porto no comércio mundial e alvo da cobiça de muitas nações. Para a proteger uma forte guarnição militar protegia a cidade.

Quando ocorreu a Restauração em 1640 o dominío espanhol de Portugal terminou. Portugal recuperou quase todas as colónias que possuía antes dos reinados do Filipes.

No entanto Filipe III não devolveu Ceuta a Portugal.

Assim desde 1580 Ceuta é uma cidade espanhola, sem que uma única gota de sangue tenha sido derramada pelos espanhóis para a obter.


Publicado por Mauro Maia às 23:09
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Canarias et ignotus tractatus
CaravelaAs ilhas Canárias (o arquipélago de 7 ilhas no Atlântico) eram conhecidas já na Antiguidade, tanto pelos navegadores gregos como pelos romanos. As ilhas eram habitadas por um povo ainda na idade da pedra, os guanchos. Nem os Gregos nem os Romanos fundaram colónias nas ilhas e o guancho foram deixados relativamente em paz.</br></br>O nome Canárias vem do Latim canis que significa cão, pelos relatos de cães selvagens que existiam nas ilhas. O pássaro canário foi depois baptizado com o nome destas ilhas onde existe.</br></br>Em 1336 os Portugueses efectuaram uma primeira expedição às ilhas, seguida por outras em 1340 e 1341, era rei Dom Afonso IV, o Bravo. Em 1412 Dom Henrique, o Navegador ordenou mais uma exploração das ilhas (e litoral africanao) mas não houve tentativas de colonização. No entanto as ilhas estavam sob «admnistração portuguesa», apesar de serem habitadas e os seus habitantes serem alheios à soberania portuguesa.</br></br>No entanto todos sabemos que as Ilhas Canárias são hoje ilhas espanholas. Não houve invasão militar espanhola nem despojos de alguma guerra Luso-Espanhola.</br></br>Após a conquista de Ceuta em 1415 Portugal iniciou a sua Era das Descobertas.</br>Em 1420 João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira descobrem a ilha da Madeira.</br>Em 1427 Diogo Silves descobre a ilha de Santa Maria, uma das 9 ilhas dos Açores.</br>Em 1492 Colombo descobre a América, julgando ter chegado à Índia (os nativos da américa são chamados de «índios» por causa dessa primeira errónea ideia).</br></br>Em Castela tinha morrido em 1474 o rei Henrique IV o que levantou problemas de sucessão. Henrique IV tinha casado com uma irmã do rei de Portugal, Dom Afonso V. Desse casamento nasceu a princesa Dona Joana.</br>Com a morte de Henrique IV ficava aberta a possibilidade de uma dinastia portuguesa na coroa castelhana. Não gostando da ideia parte da nobreza castelhana rejeitou a paternidade de D. Joana, alegando esta ser fruto das relações ilícitas da rainha com o fidalgo D. Beltrão de la Cueva.</br></br>Antes de morrer Henrique IV tinha apontado como sua sucessora a sua meia irmã, D. Isabel (a mesma que viria a patrocinar a expedição de Colombo). Os Portugueses no entanto insistiam na pretensão de D. Joana ao trono. Em 1480 Afonso V de Portugal casou com a sobrinha e invadiu Castela para reclamar o que considerava seu direito, a Coroa castelhana. Os dois exércitos defrontar-se-iam em 1476 no Toro mas sem vitória de qualquer lado.</br></br>Mas a guerra comportava muitas despesas numa época em que Portugal estava empenhado nos descobrimentos. Os Espanhóis mostravam algum interesse pela costa africana e em particular pela posse das ilhas Canárias. As rivalidades comerciais entre os dois países iam-se acumulando chegando a haver confrontos navais. Uma solução pacífica era ideal para evitar uma guerra que nenhum dos lados pretendia.</br></br>CanáriasEm 4 de Setembro de 1479 assinou-se o Tratado de Alcáçovas (nome da vila onde foi assinado).</br>Este tratado resolvia questões pendentes entre Portugal e Castela:</br>~ Portugal reconhecia D. Isabel como rainha de Espanha, renunciando assim à paternidade D. Joana e a sua pretensão ao trono;</br>~ Em troca das ilhas Canárias, as terras descobertas ou ainda por descobrir a sul do cabo Bojador seriam portuguesas. Abaixo do paralelo 27 as novas terras seriam portuguesas. Mais tarde este Tratado que criava o paralelo 27 seria transformado no meridiano do Tratado de Tordesilhas, a 360 quilómetros das ilhas de Cabo Verde.</br>O Tratado de Alcáçovas foi a primeira divisão do Mundo entre Portugal e Castela.</br></br>Mas entretanto, em 1492, Colombo descobre algumas ilhas do que ele julga ser a Índia mas que é a América (o nome do continente deve-se ao navegador que explorou a costa do novo continente, Américo Vespúcio). Mas as novas ilhas ficam abaixo do paralelo 27 e os Espanhóis desejam a posse dessas novas ilhas. Para o fazer Colombo distorceu os relatórios da expedição para que parecesse que as ilhas se situavam acima do paralelo. Simultaneamente o Coroa castelhana pediu ajuda ao papa Alexandre VI. Este papa era Castelhano e como tal disposto a ajudar as pretensões castelhanas e da sua grande apoiante, a muy católica D. Isabel. Revogou então a bula anterior e criou uma nova bula na qual a divisão geográfica entre Portugal e Castela passaria a ser um meridiano que passaria a 100 léguas dos Açores e a 100 léguas de Cabo Verde. Mas era impossível um meridiano passar por esses pontos, por os Açores se situarem mais a Ocidente do que Cabo Verde. Um novo meridiano foi criado, passando a 370 léguas de Cabo Verde.</br></br>Dessa forma impediu-se o confronto entre as duas nações ibéricas e o novo meridiano viria a permitir a colonização do Brasil. Se o Brasil hoje fala Português é devido a esse tratado.


Publicado por Mauro Maia às 20:28
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Terça-feira, 14 de Junho de 2005
Ciconia
CegonhaA cegonha (Ciconia ciconia) é um das espécies de pássaros mais facilmente reconhecível. Esteve associada a mitos e lendas de muitas civilizações clássicas surgidas à volta do Meditterrâneo e outras por elas influenciadas.</br>De entre os muitos mitos surge a da sua imagem característica associada ao nascimento dos bebés. Essa imagem inclui uma cegonha trazendo um bebé no seu longo bico.</br></br>A sua associação ao nascimento dos bebés terá surgido no norte da Alemanha há muitos séculos. Os aspectos particulares ligados ao surgimento dessa associação não são claro mas podem estar ligados a alguns hábitos deste animal.</br></br>As cegonhas brancas (também há cegonhas negras) são migratórias, deixando a Europa no Outono em direcção a África para passarem Inverno, não voando sobre o Mediterrâneo mas sobre o Estreito de Gibraltar na Península Ibérica). Como retornam no início da Primavera (como as andorinhas) foram sempre vistas como símbolos dessa estação.</br></br>O solestício de Verão (o dia mais comprido do ano) é a 21 de Junho. Este dia era muito festejado nas culturas pagãs e era o dia tradicional para cerimónias de casamento. O Catolicismo surgido posteriormente agregou muitos dos mitos e celebrações pagãs, incluindo esta. O regresso das cegonhas ocorre geralmente 9 meses depois, mais ou menos na altura em que os bebés concebidos nas noites da lua-de-mel nasciam.</br></br>O regresso das cegonhas na mesma altura que o nascimento de bebés foi assim associado. Quando voltavam também bebés nasciam. É assim compreensível a história de serem as cegonhas a trazerem os bebés.</br></br>Além disso, apesar das cegonhas não acasalarem com o mesmo indivíduo toda a vida, têm a tendência de regressarem ao mesmo ninho que tinham abandonado, pelo que muitas vezes se formam os mesmos pares no Verão. Este aparente fidelidade fez também delas símbolos do casamento</br></br>Percebe-se assim porque se chamava Pelargia uma antiga lei grega em que os filhos tinham de tomar conta dos seus pais envelhecidos, assim como estes o tinham feito: Pelargos é «cegonha» em Grego.</br></br>Assim o retorno simultâneo das cegonhas com o nascimento dos bebés, a sua associação ao casamento e ao mesmo ninho contribuiram para associar a cegonha às famílias em geral e ao nascimento dos filhos em particular.


Publicado por Mauro Maia às 16:22
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Deutschland (Alemanha em Alemão)
DeutschlandO nome das nações do Mundo pode variar muito ou pouco em relação ao auto-intitulado nome da nação.

As diferentes variações podem surgir de casualidades históricas como o nome de povos que anteriormente ocupavam a região, personalidades mais conhecidas, ...
As nações mais recentes, fruto da desagregação de nações multi-étnicas anteriores (como as de antigas nações que formavam o ex-bloco soviético) ou de impérios coloniais (como os países africanos), têm uma designação comum a muitos países do Mundo. Tal dever-se-á à globalização mundial (que apesar do desastroso efeito de homeneização cultural permite uma mais eficaz partilha de conhecimentos) ou à extensão geográfica do antigo império colonial.

Poderia-se assim tirar a ilação de que quanto mais recente é uma nação mais universal é o seu nome (temos aqui uma possível perífrase no qual se toma o todo, o Universo, pela parte, o planeta Terra. Por outro lado este planeta é ainda o universo humano...).
e.g. A Sérvia é também a Serbia, por adaptação do seu nome aos padrões linguísticos portugueses ou ingleses, a Lituânia é também Lituania, Angola é Angola, Moçambique é Mozambique (devido à ausência do «ç» em Inglês),...

Mas o simétrico não. Nem por isso quanto mais antiga é uma nação (ou mais diversificada a sua História) mais o seu nome internacional é diversificado.

Portugal tem 800 anos de existência e uma rica História e o seu nome tem pouca variações internacionais. Portugal é Portugal (que deriva do nome do condado que lhe deu origem, o Condado Portucalense) na maioria das línguas mundiais (a excepção que imediatamente ocorre ao espírito é o «Portogallo» italiano), assim como a Inglaterra (Angland, England, ...) cujo nome provém de um povo da região, os Anglos. A diferença não se deverá a casualidades históricas como os povos que habitaram o passado histórico, à extensão dos antigos impérios ou ao desenvolvimento económico.

Já a Alemanha tem imensas variações internacionais. Em Inglês é «Germany» (da antiga designação latina da região, Germania, de um povo da região, os Germanos), em Francês é «Alemagne» (do o nome de um outro povo que morava na região, os Alamanos) e em Alemão é «Deutschland».

~ Mas porque é Deutschland? É a Terra dos Deutsch? Quem foram os Deutsch?

Da mesma forma que a Inglaterra era a morada dos Anglos («Angle» e o sufixo «land» que nas línguas de origem germânica como o Inglês significa «terra») a Deutscland seria a morada dos Deutsch?

Império de Carlos Magno«Deutsch» não era um povo. Este termo aparece pela primeira vez no século VIII. Referia-se à língua falada na parte ocidental do Império de Carlos Magno na Idade Média.
Este Império englobava as regiões que actualmente são a França, a Alemanha, partes da Áutria e da Espanha, a maioria da Itália (foi Carlos Magno que criou os estados papais).
«Deutsch» significava como o povo fala, em particular o povo da zona ocidental do império, por oposição ao Latim falado pelos letrados do Império, com sede na capital Paris.
Quando o Império se desfez após a morte em 814 AD de Carlos Magno o Império dividiu-se ao longo da linha de separação entre o Francês Medieval (com origem latina) e o Alemão (o «Deutsch»).

Assim a Alemanha é em suma a Terra em que se fala como o povo, o que inclui bem mais do que a actual localização geográfica da Alemanha...


Publicado por Mauro Maia às 14:59
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Sexta-feira, 10 de Junho de 2005
Amo ergo liberto
Sonho Caminhando pela estrada da vida sou rodeado por sonhos de todos os tipos.
Uns são mais brilhantes e desfocados, correndo e ultrapassando a velocidade do meu andar.
Outros são mais claramente definidos, de cores homogéneas e definidas, acompanhando a minha jornada.
A maioria é uma estranha mistura de cores e definições já não tão desfocada como os mais brilhantes mais ainda não tão definidos como os mais definidos.
Vão correndo à minha volta, rodeando-me, sussurrando-me ao ouvido, abandonando-me perante outros que vão chegando.

Mesmo à minha frente, a meio da minha estrada, eis que vejo um. Não lhe consigo perceber a cor, não consigo determinar a sua definição. Está lá simplesmente, como que aguardando a minha chegada. Tem uma postura resoluta de quem nem pondera ser ignorado.
Aproximo-me curioso e estendo a minha mão para lhe tocar. Tem uma textura suave, um aroma inebriante, emite um som reconfortante e inspira confiança.

Será este o sonho que há tanto tempo aguardo? - penso.

Sonho na mãoPego-lhe delicadamente com a mão e encosto-o ao peito. De imediato o meu coração pula e rejubila.
Electrizantes emoções perspassam por todo o meu ser, a felicidade inunda-me, o amor estrutura-me o ser, a esperança ilumina a minha visão.
Ignoro todos os outros sonhos. A mais nenhum presto atenção. Todos vão ficando para trás, à medida que correm para me acompanhar e para se fazerem notar. Só um interessa. Só interessa o sonho que guardo na palma da minha mão contra o meu coração.
E assim o mantenho, enquanto percorro a minha jornada rumo a uma meta que desconheço e que a cada passo se vai modificando.

Mas começo a perceber que o meu sonho já não está bem. Agita-se dentro da palma da minha mão, emite ruídos estranhos, tem uma textura urticante.

O que se passará? - penso.

O meu sonho quer ser livre, quer sentir a brisa, quer ver o mundo com os seus olhos, quer aspirar as flores, ouvir os pássaros a cantar, quer ver o nascer do sol.
Mas eu não posso abdicar da minha felicidade!
Mas eu não posso abrir mão do meu sonho!

O meu sonho continua a agitar-se na mão que eu mantenho cerrada firmemente.

Talvez não queira fugir de mim, talvez só queira ser livre para me amar também, não queira ser prisioneiro do amor. - penso.

Mas a sua presença é tão importante para mim, a sua existência junto ao meu coração é-me tão imprescindível. Como posso sequer arriscar abrir a mão? E se ele foge, se escapa, deixa-me para trás?

O meu sonho continua a agitar-se na mão que eu mantenho cerrada firmemente.

Compreendo por fim que tenho de abrir a mão. Não para que ela possa fugir mas para que ele me possa amar. Como se pode amar a nossa prisão?

Relutantemente estendo o braço e lentamente abro os dedos. Lentamente afasto os dedos da palma da mão e progressivamente vejo outra vez o meu sonho.

Finalmente tenho a mão plenamente aberta e o meu sonho está enroscado sobre si na minha palma.
Aos poucos endireita-se, espreguiça-se, abre os olhos e fita-me com os seus olhos de sonho.

Com um olhar diz-me «Obrigado» e abre as asas.

Não sei se fugirá de mim, não sei se se aninhará junto ao meu peito.
Só sei que amo o meu sonho somente se for livre...

Amo logo liberto


Publicado por Mauro Maia às 23:18
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Língua e princípios
A Evolução, como princípio que molda e transforma, é um dos conceitos modernos de mais ampla utilização numa série de domínios do conhecimento.
Entrou na consciência das pessoas com a Teoria da Evolução das espécies, mas em muitos outros contextos aplica-se: a Evolução dos costumes, a Evolução das sociedades, a Evolução histórica,...

A que hoje me referirei é a Evolução linguística.

É amplamente conhecido que as línguas humanas evoluem com o tempo, sendo que o Português de hoje é diferente do de há 100 anos (como reconstatou meus frater numa recente visita ao Museu do Pão). Ora a questão é que esta Evolução se processa no sentido da simplificação, ao contrário da Evolução biológica, que muitas vezes se processou (mas não sempre) no sentido de maior complexidade (por exemplo, dos primeiros organismos unicelulares para os multicelulares).

Eis uma constatação que entendo mas que me perturba.

O Grego antigo é mais complexo do que o moderno, já mo confidenciou quem tem a possibilidade de comparar;
o Latim, entretanto extinto mas com diversos descendentes, é mais complexo do que as chamadas Línguas românicas;
as Línguas orientais têm uma complexidade sonora maior (nada mais, na minha limitada capacidade, me posso aperceber) do que a das contemporâneas ocidentais.

Tenho pena que assim seja.

A complexidade de uma língua um forte indicador civilizacional do povo que primeiro a falou.
Uma língua humana surge simples na mesma medida em que é menos civilizado o povo que a fala e complexa na simétrica medida.
Essa complexidade prende-se não só com o vocabulário em uso pela Língua mas acima de tudo com as estruturas gramaticais que a mesma utiliza, o que favorece a qualidade dsa obras literárias.

O Português tornou-se mais complexo aquando dos Descobrimentos, para acomodar os novos povos, línguas, costumes, fauna e flora descobertos. Foi também o período áureo da sua História (e potenciador de Camões ou Pessoa).
A(s) língua(s) falada(s) na Bretanha pré-romana tornou-se (tornaram-se) mais complexa(s) após o domínio romano de quatro séculos, após o qual foi crescendo em influência até dominar o Mundo.
O Latim acresceu em complexidade com a influência cultural grega e após a conquista do heleno país, até ao seu papel de farol cultural do ocidente.

As Línguas românicas surgiram com a civilizada influência latina e são mais complexas do que o Inglês, cujo povo já falava uma versão pré-romana e pré-civilizacionaldo Inglês.

Perante uma língua moderna é possível antever a sua evolução civilizacional pelo grau da sofistificação da sua língua, ao nível das estruturas gramaticais empregues, leque amplo de vocábulos e respeito pela estruturação normativa do discurso oral e escrito.

Aliás, quanto menor a civilidade de um povo (ou pelo menos quanto mais baixa é a expectativa de um povo em relação à sua civilizacionalidade) maior a ânsia de «queimar» estruturas gramaticais, destruir palavras, simplificar discursos, eliminar figuras de estilo e de importar modelos extra-linguísticos.

O Inglês com o seu início pouco promissor há muito tem a sua estrutura estável e imune a influências linguísticas externas. As influências estruturantes do discurso moderno no Inglês provêm de dentro da sua comunidade linguística (maioritariamente dos EUA). A última grande mudança extensa no Inglês falado nesse país foi aquando da incorporação das expressões afro-americanas, o que contribui para esta análise. As culturas africanas, não tecnologicamente mais avançadas, eram culturalmente avançadas. Já um país em que a discriminação racial é ponto de ordem quotidiano encontra-se seguramente num patamar civilizacional inferior aquele onde poderia se encontrar.

O Português, nesta ânsia moderna de esquecer o uso de vocábulos (há um nítido afunilamento dos vocábulos usados e entendidos pela generalidade da população), estruturas gramaticais (de que a incapacidade de compreender e usar promomes pessoais, como por exemplo dizer "Ele disse a mim" em vez de "Ele disse-me") e a rápida dissiminação de estruturas linguísticas externas à língua (a generalidade das estruturas no Português oriundo do Brasil tem origem na tradução literal de vocábulos e expressões estado-unidenses).

É, ao contrário da análise mais corrente, triste o Português brasileiro por ter um grau de expectativa da sua civilizacionalidae que o leva a incorporar com tamanha ânsia estruturas estado-unidenses gramaticais.

Mais triste ainda o Português europeu por copiar, com tamanha ânsia, o Brasil que é cada vez mais cópia do Inglês americano. Mais triste ainda por não ter nas suas fileiras autores, poetas e cantores com a qualidade inegável que o povo brasileiro produz com uma taxa tão elevada...


Publicado por Mauro Maia às 22:27
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