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Segunda-feira, 20 de Junho de 2005
Quatae collactanae
Há 4 forças físicas fundamentais no Universo:</br></br>Gravidade~ Gravidade: é a força menos poderosa do Universo, apesar do seu alcance infinito lhe dar o carácter universal que falta às outras. É uma força que depende somente da massa dos objectos, pelo que as interecções entre os corpos do Universo são feitas pela Gravidade. A sua influência sobre os corpos diminui com o quadrado da distância entre eles (se a distância aumentar para o dobro a gravidade diminui para a 4ª parte, se aumentar para o triplo diminui para a 9ª parte, ...).</br>
A partícula que teoricamente conduz a gravidade é o gravitão, mas esta partícula nunca foi experimentalmente encontrada.</br></br>

Força Nuclear Fraca~ Força nuclear fraca: é a força responsável pela radioactividade de algumas substâncias. É 1015 vezes mais forte do que a gravidade (ou seja multiplicada por 10 quinze vezes). Mas o seu alcance é muito pequeno, na ordem dos 10-18 metros (um metro que se divide por 10 dezoito vezes), o que é somente um décimo do diâmetro de um protão. A sua influência diminui com o sêxtuplo da distância (se a distância aumentar para o dobro a força diminui para a 64ª parte). As partículas que conduzem a força nuclear forte são o bosão W e o bosão Z.</br></br>

Electromagnetismo~ Electro-magnetismo: é a força que actua entre partículas carregadas (que têm carga eléctrica). É 1038 vezes mais forte do que a gravidade . E o seu alcance é também infinito e a sua influência também diminui com o quadrado da distância das cargas eléctricas. Deve-se a ela a atracção ou repulsão entre imans, a electricidade estática, a luz, as ondas de rádio, os raios-x e outras ondas electromagnéticas, é a força que mantém os electrões (de carga negativa) à volta do núcleo atómico (que tem carga positiva). A partícula que conduz o electromagnetismo é o fotão.</br></br>

Força Nuclear Forte~ Força nuclear forte: é a força que mantém unidos os núcleos atómicos.</br>Tem uma magnitude relativa (em relação à gravidade) de 1040. É a força mais poderosa das 4, capaz de unir protões que de outra forma de afastariam (devido à sua carga positiva). A razão porque não é sentida pelas pessoas é porque o seu raio de alcance é de apenas 10-15 metros, o que é o diâmetro médio do núcleo atómico.</br></br>

Neste momento da história do Universo as 4 forças são claramente distintas, tanto em alcance como em características. São descritas pela Mecâcnica Quântica.</br>
As 3 últimas forças (electro-magnetismo, forças nucleares fraca e forte) são descritas por uma só teoria, a Teoria Quântica Unificada. Dessa forma as 3 são simples manifestações diferentes do mesmo princípio.</br>
Somente a gravidade não é incluída (principalmente porque não foi ainda descoberto o gravitrão), pelo que ainda não há bases científicas para a chamada Gravidade Quântica, que Einstein procurou até ao fim da vida, como parte do processo de unir a Relatividade com a Mecânica Quântica (ver Decem dimensiones).</br></br>

Existe a teoria de que as quatro forças já foram uma só, no início do Universo.</br>
À medida que este arrefecia (e antes do primeiro segundo depois do Big Bang) as forças foram-se separando.
Primeiro deixou o grupo a Gravidade (10-43 segundos depois do Big Bang).</br>
Em seguida foi a fez da Força Nuclear Forte (10-35 segundos depois do início).</br>Depois separarem-se o Electromagnetismo e a Força Nuclear Fraca (10-11 segundos após o Big Bang).</br></br>O Universao em que vivemos é a directa consequência dos caminhos desavindos destas 4 irmãs separadas à nascença...</br></br>

Quatro irmãs de leite


Cogitado por Mauro às 23:07
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Kubernates
O andróide Sunny do filme «Eu, Robot»A cibernética é o «estudo dos mecanismos de comunicação e de controlo nas máquinas e nos seres vivos, do modo como se organizam, regulam, reproduzem, evoluem e aprendem
(definição do dicionário online Língua Portuguesa On-Line).
Esta palavra deriva da palavra grega «kybernetiké», que significa arte de governar.
Esta está relacionada com a palavra do Grego arcaico «kubernates, que significa timoneiro, o homem do leme
(como na música dos Xutos & Pontapés).

O uso da palavra cibernética foi introduzida pelo excêntrico professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology, Instituto tecnológico de Massachusetts) Norbert Wiener. Este foi sempre um professor conhecido pelas suas excentricidades, como dormir nas escadarias do Instituto ou presumir que os outros professores também falavam chinês como ele.

A palavra grega kybernetiké daria origem à palavra latina gubernium que viria a dar origem ao português governo.
Gubernium tem o mesmo significado que a origem arcaica grega, significando timoneiro e simultaneamente governo, gestão.

Realmente cibernética tem a ver com controlo, com gestão, com timonar geralmente de robots (que vem do checo robota, que era o termo que designava os trabalhadores forçados, os servos). Os robots estão cada vez mais independentes graças aos constantes desenvolvimentos da cibernética.

Esta é uma palavra que cada vez mais faz parte da vivência humana e cuja origem não é do conhecimento geral.

Pena é que não haja cartas de marear para os Governos das nações do Mundo.
Muitos naufrágios ter-se-iam evitado na História do
Homo Sapiens...


Cogitado por Mauro às 18:18
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Domingo, 19 de Junho de 2005
Dizzy
OuvidoQuando se viaja surge por vezes uma indisposição que só acalma quando o veículo que nos transporta pára.
Esta indisposição ocorre porque o cérebro recebe informações contraditórias dos ouvidos.

~ Que têm os ouvidos a ver com isso? A indisposição é no estômago... Além disso como é que o mesmo ouvido pode dar informações contraditórias? As informações vêm do mesmo sítio...

O ouvido exterior (a parte protuberante feita de cartilagem e mais ou menos 2 centímetros do canal auditivo) recebe e transmite as ondas sonoras para o interior, onde são convertidos em sinais que o cérebro interpreta.

O ouvido interno tem também um líquido que indica ao cérebro a posição do corpo (mais especificamente da cabeça). Mesmo de olhos fechados alguém que inclina a cabeça sente essa inclinação através do deslocamento desse líquido. Dessa forma o cérebro pode fazer os ajustes necessários para manter o equilíbrio do corpo.
O ouvido interno é o responsável pelo equilíbrio.
Quem sofre alguma patologia que lhe afecte o ouvido interno sente o mesmo tipo de tontura e indisposição de quem é transportado de carro e não consegue se manter direito.

Mas há 2 tipos de equilíbrio de que o cérebro recebe informações pelo ouvido interno: o equilíbrio estático (a orientação da cabeça em relação ao solo) e o equilíbrio dinâmico (a orientação da cabeça em relação ao movimento do corpo).

Quando se está num carro em movimento os sensores de equilíbrio estático no ouvido interno informam o cérebro de que o corpo está parado (em relação ao carro). Esta informação é corroborada pelos olhos.
No entanto os sensores de equilíbrio dinâmico sentem o movimento do carro e portanto informam o cérebro de que o corpo está em movimento.

É esse conflito de informações com que o cérebro não consegue lidar e enquanto tenta gerir a crise envia sinais de alarme ao corpo. A parte mais sensível do corpo a esses sinais é infelizmente o estômago. Surge assim a indisposição ligada ao movimento.

Um bom remédio costuma ser fechar os olhos. Dessa forma parte da confusão é eliminada pois diminui-se o fluxo de informações que informam o cérebro de que está em movimento. Também será por isso que quam conduz não sente o mesmo tipo de indisposição do passageiro. O nível de conflito no condutor é menor uma vez que a sua mente está concentrada no movimento do carro. Assim as informações de que está estático são ignoradas pelo cérebro que está a gerir o controlo do movimento do carro. Poderá também explicar porque por vezes quem se encontra sentado nos bancos traseiros não se sente tão rapidamente enjoado. O passageiro dianteiro vê a estrada em movimento à sua frente, enquanto o passageiro traseiro verá principalmente o banco estático que se encontra à sua frente.

CarrosselEsta é também a razão pela qual quando se gira subitamente (ou continuadamente) o corpo se sente essa mesma indisposição no momento em que se pára. Apesar do corpo parar e os olhos informarem o cérebro de que está em repouso o líquido do ouvido interno continua em movimento (como uma panela com água que se mexeu com a colher. Mesmo que se pare de mexer a água continua em movimento durante algum tempo).
Novamente o cérebro recebe informações contraditórias. Os olhos informam o cérebro de que não há movimento mas no ouvido interno os sensores de movimento dinâmico ainda recebem a informação de movimento (só que é só do líquido, mas não têm como distinguir as suas situações).


Cogitado por Mauro às 21:56
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Deliquiis Lunae
Eclipse solarUm eclipse solar ocorre quando a órbita da Lua a coloca entre a Terra e o Sol. Não é um fenómeno comum e por isso é sempre extraordinário assistir a um.

~ Como é que a Lua esconde tão completamente o Sol? Não são de mesmo tamanho...


A Sol é aproximadamente 400 vezes maior do que a Lua.
A razão pela qual a Lua consegue esconder tão completamente o Sol durante um eclipse é porque a Lua está 400 vezes mais próxima da Terra do que o Sol.

O Sol e a Lua aparentam ter o mesmo tamanho quando vistos da Terra.

No entanto a óbita da Lua não é perfeitamente circular. Se fosse a sua distância à Terra era sempre a mesma.
Quando a Lua está no seu Perigeu (o ponto mais próximo da Terra) está a 363,3Km.
Quando está no seu Apogeu (o ponto mais próximo da Terra) está a 405,5 km.
A distância média da Lua à Terra é 384,4 km.
A diferença entre o Perigeu e o Apogeu é de 11 %, coisa aparentemente pouca.

Lua no Perigeu - eclipse solar totalNo entanto somente quando a Lua está no Perigeu é que consegue esconder completamente o Sol. Quando ocorre nessa altura o eclipse a Lua esconde completamente a fotosfera do Sol e apenas a coroa solar (a atmosfera incandescente) é visível. Forma-se um eclipse solar total.

Lua no Apogeu - eclipse solar anelarQuando a Lua está no Apogeu a sua distância à Terra é 11% inferior pelo que a desproporção de tamanhos não é completamente equilibrada pela distância. Nessa altura forma-se um eclipse solar anelar.

A Lua está geralmente numa distância intermédia entre o Apogeu e o Perigeu.
Os eclipses solares não costumam ser totais mas a diferença não é suficientemente significativa para ser perceptível. Assim a maioria dos eclipses solares parece total mesmo quando não o é verdadeiramente.

Mas não deixa de ser um espectáculo portentoso assistir a este bailado cósmico em que os dançarinos nunca se tocam e no entanto nunca se afastam para sempre...

Mais uma das coincidências relacionadas com o nosso satélite natural e que determinam alguns aspectos marcantes da nossa percepção da Lua.
(Ver o artigo Et autem convertet sobre a coincidência que permite a existência de um lado oculto da Lua)

Eclipses da Lua


Cogitado por Mauro às 13:08
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2005
Ceuta aeterna dolor
Ceuta
Todos aprendemos na escola que Portugal conquistou a cidade de Ceuta no Norte de África aos Mouros em 1415, dando assim início ao período dos Descobrimentos.

Mas hoje Ceuta é uma cidade espanhola no Norte de África e constitui uma Região Autónoma Espanhola.

~ Mas o que aconteceu entretanto? A Espanha conquistou a cidade aos Portugueses nalguma guerra?

A passagem do domínio de Portugal para a Espanha foi uma transição sem conflitos militares. A cidade de Ceuta tornou-se espanhola desde o início da 3ª Dinastia de Reis Portugueses que começou em 1580 (ou 1581, se considerarmos D. António, prior do Crato como o Rei português a governar a partir dos Açores).

D. SebastiãoEm 1580, devido à crise sucessória originada pela morte de Dom Sebastião na malograda expedição a Alcácer Quibir, subiu ao trono português o Rei Espanhol Filipe II (Filipe I de Portugal).

As casas reais espanhola e portuguesa são familiares desde D. Afonso Henriques, primo do rei castelhano. Quando a maioria da nobreza portuguesa morreu nos campos de batalha de Alcácer Quibir no Norte de África somente o rei castelhano subsistia dos parentes de sucessão de D. Sebastião.

Durante 60 anos sucederam-se 3 Filipes espanhóis no trono português e a Espanha era o maior Império do Mundo. Nessa altura Ceuta era um importante porto no comércio mundial e alvo da cobiça de muitas nações. Para a proteger uma forte guarnição militar protegia a cidade.

Quando ocorreu a Restauração em 1640 o dominío espanhol de Portugal terminou. Portugal recuperou quase todas as colónias que possuía antes dos reinados do Filipes.

No entanto Filipe III não devolveu Ceuta a Portugal.

Assim desde 1580 Ceuta é uma cidade espanhola, sem que uma única gota de sangue tenha sido derramada pelos espanhóis para a obter.


Cogitado por Mauro às 23:09
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