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Domingo, 18 de Dezembro de 2005
Bonus natal et felix novus annus
Hoje, dia 18 de Dezembro de 2005, o Cognosco faz 10 meses.</br>Também hoje irei, por 15 dias, de férias e regressarei em Janeiro.</br>Durante o tempo que estarei fora desconheço se terei possibilidade de aceder à internet ou que frequência o poderei fazer.</br>O Cognosco estará, de qualquer forma, activo e os artigos arquivados não só podem ser lidos como comentados.</br></br>Passados estes 10 meses, que tenho ainda (ou terei finalmente) a dizer do Cognosco?</br>Com mais de 12 000 visitas, tem superado largamente as minha expectativas.</br>Como já anteriormente referi, nomeadamente no primeiro artigo «Cognosco primo», a criação deste blog deveu-se à minha intenção de registar explicações e razões curiosas para factos ou acontecimentos aos quais vou tendo acesso e que por vezes acabo por perder.</br></br>Os primeiros 2 meses de existência do Cognosco serviram para tactear um pouco este desconhecido mundo da blogosfera (tive apenas uma outra brevíssima e malograda experiência). Comecei praticamente do zero, apenas com o gelo do desconhecimento já quebrado. Houve bastante exploração das potencialidades de um espaço deste tipo, uma procura constante de um modelo para o Cognosco que me fosse agradável e confortável.</br></br>Mas sentia-me muitas vezes a falar no escuro para ouvidos ausentes.</br>E não me sentia realizado plenamente, bastante por culpa minha.
Tinha uma intenção e uma concretização nem sempre paralelas.</br>Mas uma jornada solitária é geralmente fustigada pelas rajadas da indecisão e/ou da incoerência e desfocagem da meta a atingir...</br></br>Até que em Abril, investigando através da internet, encontrei serviços de contadores para páginas web. Através de processos auto-didatas tinha já entendido pequenas partes do importante ficheiro «principal» do blog, pelo que os contadores já seriam fáceis de colocar e ainda por cima eram gratuitos.</br></br>Mas hesitei. Receei, confesso, ter tão poucos leitores que um contador serviria apenas para me desmotivar e dessa forma ser a faísca de um incêndio que consumiria sem volta o Cognosco. Mas dei um passo em frente, que é geralmente a melhor forma de lidar com situações difíceis e decisões complicadas (excepto se estivermos à beira de um precipício. Mas aí a decisão não é difícil de tomar...)</br></br>E constatei que os meus receios eram infundados, pois as visitas eram regulares e o seu número tem lenta mas firmemente subido de uma forma geral. O Cognosco é assim um projecto que se justifica e que é justificado. A sua tónica no conhecimento e na partilha da informação numa variedade de campos do saber é o seu alicerce e, ao contrário do que me poderia parecer neste mundo «viciado» em emoções e novidades, é apreciado, procurado, lido e comentado. Não tenho dúvidas de que têm sido as visitas e em especial os comentários que têm ajudado a elevar a fasquia da auto-exigência. E neste momento a expectativa de registar conhecimentos com que entro acidentalmente em contacto transformou-se numa muito proveitosa dinâmica de procura activa desses mesmos conhecimentos. O facto de ter de os explicar consolida-os de uma forma que uma simples leitura não permitiria.</br></br>Assim sendo, um muito obrigado a todos os leitores e comentadores do Cognosco, por tudo o que têm contribuido, directa ou indirectamente, para que esta rosa desabroche.</br>É uma excelente prenda que recebo neste natal de 2005.</br></br>

Bom natal e feliz ano novo!</font>



Cogitado por Mauro às 00:18
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Sábado, 17 de Dezembro de 2005
Ala membranae
As singelas formigas constituem um dos grupos animais com maior sucesso do mundo.
Por mais incómodas que por vezes parecem, são, sem dúvida, animais invejáveis pela suas capacidades enquanto pequenos insectos com uma tremenda força social.

As formigas pertencem ao:
~ Reino Animal (seres multicelulares, com locomoção e que se alimentam de outros organismos. eg. peixes, aves, insectos, répteis, mamíferos, crustáceos,...);
~ Filo Artópode «pés unidos» (animais com o corpo segmentado, com apêndices em cada segmento, coração no dorso e sistema nervoso no ventre. e.g. insectos, aracnídeos, crustáceos...);
~ Classe Insectos (artópodes com exosqueletos de quitina, corpo segmentado em cabeça, tórax e abdómen e um par de pernas em cada segmento, um total de 6. e.g. moscas, mosquitos, abelhas, formigas,...);
~ Ordem Himenoptera «asas de membrana» (insectos com 2 pares de asas membranosas e translúcidas, em que o primeiro par de asas é maior do que o segundo e nas quais as fêmeas têm um ovipositor, para a colocação dos ovos. e.g. formigas, abelhas, vespas e verejeiras);

Desta classificação é possível extrair uma série de curiosas informações:

~ Todos os seres vivos que se deslocam pelos seus meios e que se alimentam de outros seres vivos são animais. Assim, e ao contrário da noção comum, os peixes são animais, os insectos são animais, as minhocas são animais,...
~ Geralmente pensa-se erradamente que as aranhas são insectos. Mas as aranhas (e outros aracnídeos como os escorpiões e os ácaros) têm 4 pares de patas (os insectos, como a formiga, têm 3 pares). Além disso só têm 2 segmentos corporais (ao contrário dos 3 dos insectos), não têm antenas como os insectos e têm olhos simples, constituidos por uma só lente (ao contrário dos olhos dos insectos)
~ Apesar da sua aparência as verejeiras não são moscas grandes. As verejeiras pertencem à Ordem Himenoptera («hymeno» membrana e «ptera» asa) enquanto as moscas pertencem à ordem Diptera («di» duas e «ptera» asa).
As larvas das verejeiras são vegetarianas, apesar dos adultos caçarem outros insectos.
As larvas das moscas alimentam-se de carne (putrefacta).
Nas himenopteras os dois pares de asas, apesar de tamanhos diferentes, são ambos funcionais. Nas dipteras o segundo par é extremamente reduzido (o nome da ordem serve para lembrar este par quase vestigial).
Da ordem Diptera fazem também parte os mosquitos.
(Ver Girl Power sobre estes insectos)

Mas o facto mais curioso é a inclusão, na mesma ordem Himenoptera, das formigas, das vespas e das abelhas.
A maioria das pessoas consegue ver a semelhança entre as abelhas e as vespas.
Mas o que têm as duas a ver com as formigas?
Apesar de geralmente não terem asas, nas formigas há um tipo especial que desenvolve asas e voa. São as próximas rainhas, que nascem maiores do que as restantes formigas e com asas. Após sairem em grandes quantidades e fazerem um voo de acasalamento, as formigas fêmeas pousam no solo após a cópula e encontram um sítio para fundarem a nova colónia.
Além disso há uma espécie de formiga que possui igualmente um ferrão com veneno: as «Formigas Matabele», da África.
Matabele significa, na língua local, «guerreira».
Formiga Matabele

O ferrão das abelhas e das vespas é um ovipositor transformado.

E em termos evolutivos as formigas são vespas. Durante muito tempo não havia registos fósseis da ascendência evolutiva das formigas. Conheciam-se vários registos fósseis de formigas, com 50 milhões de anos. Eram espécies que não existem actualmente, mas cuja disposição corporal era igual às das formigas actuais. Mas não havia nenhum registo da espécie que as antecedeu, a chamada forma intermédia, a espécie que possui características comuns a dois grupos distintos.
A falta de antepassados evolutivos das formigas foi citada pelos criacionistas (que acreditam que todas as espécies existentes actualmente foram criadas ao mesmo tempo e que nunca se alteraram) como evidência contra a evolução.
Mas os especialistas acreditavam que um fóssil da espécie intermédia que evoluiu para as modernas formigas surgiria.
Em 1967 foram encontrados dois insectos preservados em âmbar (resina fossilizada).
Estes insectos, com 90 milhões de anos, tinham formas intermédias entre as vespas solitárias e as formigas. A essa espécie foi denominada Sphecomyrma («vespa formiga»).
As sociais formigas descendem de um eremita insecto, a vespa solitária.

Uma das diferenças entre as vespas (que geralmente vivem em colónias e caçam para o grupo. As 3 ou quatro espécies em que os indivíduos vivem isoladamente chamam-se vespas solitárias) e as abelhas é que (todas) as vespas alimentam as suas larvas com a carne dos insectos que caçam, enquanto as abelhas alimentam as suas larvas com mel. As vespas solitárias paalisam as sua presas com veneno e depositam os ovos no corpo paralisado dos insectos. Assim, quando as larvas nascem, podem alimentar-se de carne não putrefacta (ao contrário das moscas).

Nas himenopteras o sexo do indivíduo é determinado pela quantidade de cromossomas que tem. Ovos fertilizados têm dois conjuntos de cromossomas e tornam-se fêmeas. Ovos não fertilizados têm um conjunto de cromossomas e tornam-se machos.
As fêmeas himenopteras férteis (abelhas-rainha, vespas-rainha e formigas-rainha) têm uma invejável capacidade: armazenam os espermatozóides que receberam no seu primeiro voo (o voo nupcial) e depois podem escolher quando os ovos são fecundados. Ovos fecundados são origem a fêmeas (estéreis no caso das obreiras e das soldados) e os não fecundados dão origem a machos (cuja única finalidade é fecundarem uma vez um fêmea, morrendo em seguida.)
As formigas, as abelhas e as vespas não necessitam assim de anti-concepcionais.
São elas que determinam quando e se a fecundação se dará.


Algumas das formigas que realizam feitos (quer «bons» quer «maus») que geralmente se associam apenas as seres humanos:

Formica Sanguinis~ as formigas do grupo Formica sanguinea não trabalham, não cuidam das suas larvas nem procuram alimento. A única coisa que as espécies pertencentes a este grupo fazem é atacar ninhos de outras formigas e roubar os ovos ainda por eclodirem. Matam as formigas que lhes façam frente mas não atacam a rainha da colónia atacada. Levam-nos para o seu ninho e não as comem: deixam-nas nascer. Quando as formigas de outras espécies nascem no ninho «Formica sanguinea», trata as formigas que a rodeiam como sendo as da sua espécie e fazem o que fariam no seu próprio ninho: cuidam das larvas, vã apanhar alimento fora da colónia e alimentam as suas «senhoras». Um típico caso de escravidão no mundo das formigas. Quando as formigas-escravas ficam demasiado velhas ou morrem, as Formica sanguinea organizam outra expedição para apanhar mais ovos de outras formigas ainda por nascer. Não matam a rainha das colónias atacadas para que estas sobrevivam para pôr mais ovos, ou seja, potencias novas servas...

EcitonAs formigas do grupo Eciton, originárias do continente americano, formam verdadeiros exércitos que pilham e destroem tudo à sua passagem. Estas formigas, também conhecidas como «Formigas Legionárias», não têm um ninho fixo. Os seus corpos são as paredes e as pernas de toda a colónia (isto é, as formigas simultaneamente são o seu ninho e movem o seu ninho). De duas em duas semanas, toda a colónia (geralmente de mais de 1 milhão de indivíduos) muda-se, após ter predado todos os seres vivos suficientemente lentos (ou pequenos) para não lhes conseguirem fugir. À medida que se deslocam, a rainha e os ovos por eclodir, são transportados em segurança. Quando se confrontam com um obstáculo, as Eciton juntam as mandíbulas e as patas e formam pontes vivas, passando todo o resto da colónia sobre elas. Uma só formiga é capaz de suportar o peso de 100 outras! São especialmente salientes as suas mandíbulas, que até pele e carne humana trespasam.

Lepiotaceae~ As formigas da família Lepiotaceae são agricultoras. Conhecidas como «Cortadoras de folhas», estas formigas possuem fungos, no seu ninho, uma câmara especial, bem no seu interior onde a temperatura e humidade são constantes. As «Cortadoras de folhas» cortam as folhas das árvores que encontram (conseguem, por exemplo, despir por completo um limoeiro num único dia) e levam-nas para o seu ninho. As folhas cortadas são colocadas na câmara fos fungos e, à medida que as folhas apodrecem, os fungos alimentam-se das folhas. As formigas alimentam-se então dos fungos que cultivaram. Uma outra característica única destas formigas é que produzem, no seu dorso, potentes antibióticos. Dessa forma protegem-se a si e aos seus fungos cultivados, de bolores e batérias tóxicas. Ao contrário dos antibióticos conhecidos pelo Ser Humano, os antibióticos destas formigas nunca perdem a sua eficácia, por muitas vezses que sejam usados. Ou seja, são agricultoras em todos os sentidos da palavra: plantam as espécies de que alimentam, fornecem-lhes adubos e protegem-nas com pesticidas.

~ Várias espécies de formigas são também pastoras. Há um insecto chamado Afídeo (Aphis craccivora), geralmente verde e com poucos milímetros de comprimento que produz uma substância açucarada no seu abdómen. Muitas espécies de formigas apreciam sugar as gotas desta substância extremamente doce. Para isso, protegem os pulgões, que se alimentam das folhas de plantas, dos seus predadores naturais, como as joaninhas. Para induzir o pulgão a libertar uma gota, esfregam as suas costas com as suas antenas. Com este sinal, uma gota surge no topo do abdómen do pulgão com que a formiga se deleita. Ou seja, as formigas protegem outra espécie animal dos seus predadores e «ordenham» o líquido produzido por eles. Por outras palavras, são pastoras...

No título «Asa de membrana»</i>


Cogitado por Mauro às 15:54
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005
Celeres dies
Geralmente, quando se pretende marcar um encontro que ocorrerá no mesmo dia da semana seguinte, refere-se «De hoje a 8 dias encontramo-nos».
Isto usa-se com o sentido de, se hoje for 4ª feira, se está a marcar um encontro para a 4ª feira seguinte.

No entanto isto não é exactamente correcto.
Basta pensar-se um pouco na situação.
Imagine-se que é 2ª feira, dia 1. Então 3ª feira é 2, 4ª feira é 3, 5ª feira é 4, 6ª é 5, sábado é 6, domingo é 7 e 2ª é 8.
Passarem então exactamente 7 dias desde que o encontro foi marcado.

~ Mas são 8 dias, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª, Sábado, Domingo e 2ª! É correcto dizer «até de hoje a 8».

Apesar de o intervalo de tempo entre uma 2ª e outra 2ª serem 8 dias (contando com ambas), é certo que o encontro é passado 7 dias.
Se se marcar no dia 1, 2ª feira, um encontro para a outra 2ª, então o encontro é a 8 (1 + 7) e não a 9 (1 + 8).

Parecerá de pouca importância esta questão. Afinal, quando se diz «de hoje a 8», sabe-se que é o mesmo dia da próxima semana. Mas a questão ganha nova importância quando se trata de marcar o dia exacto do mês a que se refere a expressão.
~ Hoje é quarta feira, dia 2. Marcamos encontro para a próxima 4ª, daqui a 8 dias.
~ Isso é dia 10, não é?!

E a questão é que não é dia 10, é dia 9. A quarta feira seguinte é dia 9.
Conte-se (até serve contar pelos dedos, mas não se recomenda) e facilmente se verifica isso mesmo.

Refiro este facto óbvio para mencionar algo que facilita muito a determinação de qual o dia da semana de um qualquer dia de um mês. Sabe-se assim que a diferença entre o mesmo dia da semana é:
~ 7 (se for uma semana);
~ 14 (se foram duas semanas);
~ 21 (se forem três semanas);
~ 28 (se forem quatro semanas);

Então, para determinar o dia da semana, basta saber em que dia do mês e dia da semana se está. Depois é somar 7, 14, 21 ou 28 (de forma a ficar o mais próximo do dia que se pretende). Somam-se então dias (ou subtraem-se) e facilmente se acha o dia da semana.
Em vez de andar febrilmente atrás de um calendário, em vez de se contar pelos dedos, mentalmente calcula-se com facilidade qual é esse dia.

Atente-se nos seguintes exemplos:

~Hoje é dia 21 de Março, 6ª. Em que dia da semana é o dia das mentiras?
Como 21 + 7 = 28, o dia 28 de Março é também uma 6ª feira.
Então 29 de Março é sábado, 30 Domingo e 31 2ª.
Então o dia das mentiras é numa 3ª feira.

~ Hoje é dia 12 de Dezembro, 2ª feira. Em que dia da semana é a passagem de ano?
Como 12 + 14 = 26, o dia 26 de Dezembro é também uma 2ª feira.
Então 27 de Dezembro é 3ª feira, 28 4ª feira, 29 5ª, 30 6ª e 31 sábado.
Então a passagem de ano é no sábado à noite.

~Hoje é dia 5 de Julho, 4ª. Dia 31 vou de férias. Em que dia da semana calha?
Como 5 + 21 = 26, o dia 26 de Julho é também uma 4ª feira.
Então 27 de Julho é 5ª, 28 6ª, 29 sábado e 30 domingo.
Então vou de férias numa 2ª feira.

~Hoje é dia 1 de Setembro, Domingo. Que dia da semana será o dia 1 de Outubro?
Como 1 + 28 = 29, o dia 29 de Setembro é também um Domingo.
Então 30 de Setembro é 2ª e 31 3ª.
Então 1 de Outubro é 4ª feira.

Veja-se também os artigos:
~
Os meses sobre a origem dos nomes do meses em Português;
~
Os dias sobre a origem dos nomes dos dias nas línguas europeias;

Por vezes há também alguns problemas com a memorização dos meses com 30 dias.
Há várias opções (quando se as tem).
Há quem conte pelos nós dos dedos (o que não me parece a melhor opção, tendo em conta o tempo que se consome a percorrer todos os nós dos dedos até encontrar o mês que se pretende).
Há quem saiba uma cantilena do tempo da primária (categoria na qual me incluo) que é «30 dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro. De 28 só há um e o resto é de 31».
A vantagem deste método é que basta saber 4 meses. O resto da cantilena é desnecessário.

Mas claro que cada um memorizou em pequeno pelo método que lhe ensinaram.
(Abro um parêntesis para referir a minha total oposição à teoria actual em Portugal que condena a memorização. A teoria é a de que as crianças têm de compreender as coisas, não devem memorizar seja o que for. Estando eu de acordo com o facto de o edifício do conhecimento se constrói pela via da compreensão, não é menos veementemente que acredito que os alicerces desse edifício se constroem na infância e que a parte sólida desses alicerces é a memorização de alguns factos cruciais.
É claro que uma educação centrada unicamente na memorização é errada, tal como é errada a educação da qual a memorização não faça parte.
In media uerus est.
A tabuada, as regras gramaticais,... são instrumentos de enorme valia para o futuro e cuja necessidade, muitas vezes premente, exige a resposta na ponta da língua. E não há melhor altura para essa memorização do que a infância. Não há nenhum tipo de enferrujamento da mente pelo facto de se memorizar
alguns mas importantes factos, a memorização serve de treino para futuras situações em que a memorização (mesmo que temporária) é exigida e há coisas que têm primeiro de ser memorizadas antes de puderem ser compreendidas. E então o uso de máquinas de calcular para crianças da primária é-me absolutamente repulsivo...

Sempre que quero saber quantos dias tem determinado mês repito para mim mesmo
«Novembro, Abril, Junho, Setembro». Se for um destes tem 30 dias, se for Fevereiro tem 28 (ou 29 se for ano bissexto) e se não for nenhum dos 5 tem 31.
(ver o artigo Um quarto para quatro sobre a necessidade e a origem dos anos bissextos).

Acabou de me ocorrer uma forma fácil de memorizar estes 4 meses: uma mnemónica na forma de uma frase. Algo do tipo:

De Novo Abre Junto às Sete.

(Aqui está um bom exemplo da necessidade da memorização para que se aceda à compreensão. Não é necessariamente um bom exemplo de frase mas se eu não tivesse memorizado os 4 meses, a frase não me ocorreria, mesmo que eu os visse numa lista.
Se a alguém ocorrer uma melhor mnemónica, ou pelo menos outra, peço que o refira).

Também se pode ser um pouco mais ambicioso e perguntar:
~ Hoje é dia 13 de Dezembro de 2005, 3ª feira.
Em que dia da semana é o dia 5 de Março de 2006?

13 + 14 = 27. 27 é 3ª, 28 4ª, 29 5ª, 30 6ª, 31 Domingo.
1 de Janeiro é 2ª. 1 + 28 = 29. 29 de Janeiro é 2ª, 30 3ª, 31 4ª.
1 de Fevereiro é 5ª. 1 + 28 = 29. Se houvesse 29 de Fevereiro seria 5ª. Não há em 2006.
1 de Março é que é 5ª, 2 6ª, 3 sábado, 4 domingo e 5 é 2ª feira.
Solução encontrada sem grandes problemas!
(ver Um quarto para quatro para a regra para determinar que anos são bissextos)

Em matéria de mnemónicas, eis uma que recorrentemente uso e que parece um paradoxo: Eu sei toda a tabuada, do 2 ao 10. E no entanto só sei metade.

Por alguma razão (que só ficou registada a nível inconsciente) eu sei apenas a tabuada quando o primeiro número é maior do que o segundo.
Se me perguntarem «3 x 7» direi «7 x 3 = 21».
Se me perguntarem «4 x 8» direi «8 x 4 = 32».
Se me perguntarem «5 x 6» direi «6 x 5 = 30».
Se me perguntarem «2 x 9» direi «9 x 2 = 18».
Como a multiplicação é comutativa, 3x7 = 7x3; 5x4 = 4x5;...
Assim é possível saber toda a tabuada só sabendo metade...

No título «Dias acelerados»


Cogitado por Mauro às 21:51
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Domingo, 11 de Dezembro de 2005
Paulum adnotamentum
Há já bastante tempo que, no Cognosco, não era possível comentar artigos que estivessem arquivados. Assim que se tentava recebia-se o erro «no id_entry found»
Após vários e-mails sem resposta útil enviados a quem de responsabilidade e após várias infrutíferas experiências de tentativa e erro, eis que hoje, 11 de Dezembro de 2005, consegui configurar o Cognosco com sucesso.</br></br>É já possível comentar com sucesso qualquer artigo arquivado, desde o primeiro («Cognosco primo») até ao último.</br>Basta ir à barra lateral do Cognosco e «Últimas cogitações» ou «Artigos e sinopses». Qualquer arquivo individual que se escolhe tem, no final, a opção para cogitar (com o número de comentários já existentes entre parêntesis) e em baixo os comentários anteriores. Carregando em «Cogitar» surge então uma nova janela onde já é possível deixar um comentário.</br></br>A razão da anterior impossibilidade é da minha responsabilidade.</br>Há algum tempo decidi modificar a estrutura interna do Cognosco de forma a não gravar ficheiros mensais nem diários. Apenas arquivos individuais.</br>É que o Cognosco, com apenas 5 meses de existência, rondava já uma taxa de ocupação de 50%. Ou seja, em menos de um ano (10 meses), o Cognosco teria de ser apagado ou então criado um segundo Cognosco.</br></br>Não satisfeito com nenhuma das opções, retirei a opção de arquivar mensalmente.</br>De cada vez que o Cognosco gravava um ficheiro mensal, eram umas boas dezenas de quilobytes que enchiam o espaço disponível (que é apenas de 15 Mb).</br>Para isso fui ao menu de edição do Cognosco, escolhi na barra lateral «Configuração do Blog», escolhi o separador «Arquivar» e retirei a opção de arquivo mensal.</br></br></br></br>Restava agora apagar todos os arquivos mensais guardados no blog, e que ocupavam espaço. Fui novamente à barra lateral, escolhi «Gestão de ficheiros» e apaguei todos os ficheiros html constituidos por dois números separados por um traço (os arquivos mensais) e deixei apenas os html com um único número (os ficheiros individuais).</br></br>Inicialmente tudo estava bem. Todos os ficheiros arquivados eram comentáveis.</br>Então a praga das publicidades enviadas em bloco para blogs escalou a um ponto que obrigou os responsáveis pelo Sapo a acrescentar uma protecção aos comentários, a já famosa caixa de números a copiar (que inicialmente era constituido por letras, o que foi alterado devido à dificuldade de percepcionar correctamente qual a letra apresentada).</br></br>E de repente os artigos arquivados deixaram de ser comentáveis. Sempre que se tentava surgia a supracitada mensagem de erro.</br>Tornei-me pela primeira vez consciente desse problema quando alguém comentou, em Julho, um artigo de Maio, dizendo que não tinha conseguido comentar no artigo que desejava. Imediatamente fui ao dito artigo, tentei comentar, e surgiu a mensagem de erro.</br></br>O que fazer? Como permitir comentários a artigos em arquivo?</br>Tentei perceber pelos meus meios o que se passava.</br>Não surgia a caixa de cópia de números, logo não era possível comentar.
Mas onde e como colocar essa caixa?</br>Inquiri então electronicamente que melhor me poderia esclarecer essa questão.</br>De cada vez que enviei um e-mail sobre essa questão recebi-a invariavelmente a mesma sequência de respostas: primeiro diziam que conseguiam comentar e não percebiam a minha questão e, após o meu esclarecimento mais detalhado, informavam que os técnicos encontravam-se a tentar resolver a questão.
Após meses de espera, em que o Cognosco arquivado era incomentável, decidi fazer algumas alterações. Uma delas foi alterar o número de dias que o blog apresentava na página de abertura de 7 dias para 14 dias. Não era a melhor opção, já que fazia demorar o tempo de carregamento do blog, mas já era alguma coisa.</br>Coloquei também, na barra lateral do blog, os meses de publicações do blog, que continham links para cada arquivo individual e as suas respectivas sinopses.</br>Mas os artigos continuavam incomentáveis.</br></br>Até que hoje, após um domingo atarefado, com questões para resolver para a semana seguinte e um artigo para acabar e publicar, descobri, por tentativa e erro, como modificar o Cognosco e permitir o comentário aos artigos em arquivo.</br></br>Fui novamente ao menu de edição do blog, escolhi, na barra lateral, a opção «Configuração do Blog», e, no «Modelos de Arquivo», escolhi «Individual Entry Archive».</br>Uma vez lá, dirigi-me ao fim da janela que surgia.
Depois de algum tempo de experiências e modificações, finalmente percebi o que fazer.</br></br>Substituí todo o texto que começava com <&$MTEntryBody$> e acabava no fim do ficheiro com </html> por:</br></br><$MTEntryBody$></br></br><a name="more"></a>
<$MTEntryMore$></br></br><DIV class=posted align="left">Publicado por <$MTEntryAuthor$> às <a href="<</br>MTEntryPermalink$>"><$MTEntryDate format="%H:%M"$></a></br><MTEntryIfAllowComments> | <a href="<$MTCGIPath$><$MTCommentScript$>?entry_id=<$MTEntryID$>" onclick="OpenComments(this.href); return false">Comentar (<$MTEntryCommentCount$>)</a></MTEntryIfAllowComments></DIV></DIV></br></br><div class="comments-head"><a name="comments"></a>Comentários</div></br></br><MTComments>
<div class="comments-body">
<$MTCommentBody$>
<span class="comments-post">Publicado por: <$MTCommentAuthorLink spam_protect="1"$> a <$MTCommentDate$></span>
</div></br></MTComments></br></br></div>
</body></br></html>
</br></br>Desta forma, não só consegui que os artigos arquivados fossem comentáveis, como todos os comentários anteriores aparecem imediatamente visíveis abaixo do artigo.</br></br>Não há dúvida que a perseverança compensa e finalmente uma das questões que mais desejava resolver na estrutura do blog foi resolvida.</br>A todos quanto desejem poupar espaço no seu blog, recomendo a opção de retirarem o arquivamento mensal dos arquivos. É que com esse arquivamenmto, cada artigo é guardado duas vezes, ocupando o dobro do espaço que deveria (individual e mensal). </br></br>Outra opção é eliminar o arquivamento individual e apenas ficar com o arquivamento mensal. Dessa forma não é necessário mexer na estrutura do blog e tudo funcionará perfeitamente, com os artigos a serem arquivados apenas uma vez.</br>O mais importante, como sempre, é fazerem cópias de segurança caso mexam na estrutura do blog. Se não o fizerem algo pode correr mal e lá se vai todo o blog à vida...</br></br>E claro, uma das principais razões pelas quais passei de uma taxa de ocupação de 52,8% (7,92 Mb) com 200 imagens para uma taxa de 25,4% (3,81 Mb) foi o facto de ter copiado todas as imagens que estavam arquivadas no blog para uma página pessoal.</br>Poupei assim 4,11 Mb (27,4%) no blog. Com a opção de gravar somente arquivos individuais e apagando os arquivos mensais são existentes poupei os restantes 6%.</br></br>E neste momento já posso dormir «sossegado» sabendo que o Cognosco, que tem neste momento 295 dias de existência (138 dos quais com artigos), tem uma taxa de ocupação de apenas 22,9% (3,5 Mb). Por este andar pode ainda existir, sem mais medidas de poupança, por cerca de 4 vezes o seu tempo de existência actual. Pode assim viver imperturbado cerca de mais 3 anos.</br>E quando chegar a altura em que o espaço rareie, serão os artigos arquivados a serem colocados na página pessoal onde já estão as imagens...</br></br>No título «Pequeno comentário


Cogitado por Mauro às 23:47
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Sábado, 10 de Dezembro de 2005
Magna bybliotheca
Alexandre Magno («Alexandre, o Grande») viveu entre 356 AC e 323 AC.
Nos seus curtos 33 anos de vida, fundou o maior império que um só Homem alguma vez conseguiu conquistar sozinho. E conseguiu-o em 13 anos, dos 20 anos (quando subiu ao poder) até aos 33 anos (quando morreu).

Foram tais as suas proezas militares que serviu de modelo a grandes conquistadores como Júlio César e Napoleão (que, mesmo assim, nunca lograram o mesmo êxito militar).
Oriundo da Grécia unificada pelo seu pai, Filipe II da Macedónia (um reino pobre e inculto no norte da Grécia) , Alexandre derrotou o maior império da altura, o Império Persa, ao longo de batalhas onde a sua determinação e astúcia derrotaram exércitos muito superiores em número ao seu.
Alezandre era bisneto do herói grego da Guerra de Tróia Aquiles


O Império Persa quando Alexandre se tornou rei da Grécia

Quando o seu pai Filipe II era rei da Macedónia (359 AC a 336 AC) a Grécia era constituida por uma série de regiões, governadas por poderosas cidades-estado, continuamente em conflitos entre si. Filipe derrotou cada uma dessas regiões e unificou a Grécia como uma só nação sob o domínio macedónico, com capital na cidade de Pella, cidade onde nasceria Alexandre.

Filipe II da MacedóniaNa altura a grande potência militar do mundo (mediterrânico) era a Pérsia, enorme Império que se estendia do Egipto à Índia. A Pérsia sempre cobiçou as cidades gregas na Ásia Menor (uma das mais reconhecidas actualmente é Tróia) e mesmo a Grécia continental. Ao longo dos séculos, por várias vezes entrou em guerra com as cidades estado gregas com vista à sua conquista. Os seus intentos não foram todavia concretizados. Uma das mais famosas e memoráveis batalhas que se deram por ocasião de uma dessas invasões foi quando um grupo de 300 soldados espartanos impediu, durante dias, no estreito das Termópilas, a marcha do exército persa de milhares de homens. Todos os 300 espartanos e o seu rei Leónidas acabaram por morrer quando os persas, à distância, os alvejaram com milhares de setas, mas a interrupção permitiu que as tropas gregas das outras cidades-estado chegassem e repelissem os invasores.

Assim que Filipe II unificou a Grécia, fez planos para a invasão do enorme Império Persa, o seu vizinho belicoso. Mas, antes de puder iniciar a invasão, foi morto por um antigo guarda-costas (desconhece-se exactamente as razões, só há especulações).
Após a morte do seu pai, Alexandre encarregou-se de mandar assassinar os seus irmãos e outros pretendentes e subiu ao trono grego.

Assim que reclamou a coroa, várias regiões gregas revoltaram-se, procurando aproveitar-se da inexperiência do jovem Alexandre. Mas os seus cálculos sairam furados e Alexandre esmagou a revolta de forma firme e violenta.

Dário da PérsiaCom o reino pacificado, Alexandre prosseguiu os sonhos de invasão da Pérsia do seu Pai. Numa série de brilhantes combates o seu exército de 35 mil homens derrotou o exército de mais de 100 mil homens de Dário, o rei da Pérsia com 46 anos, inteligente e refinado mas pouco dado às lides militares.

Dário foi finalmente derrotado (e morto enquanto, depois de abandonar as suas tropas a meio de uma batalha, fugia perante a investida de Alexandre). O maior império do mundo pertencia-lhe agora, todas as suas riquezas, povos e saberes.
Em várias partes do seu vasto império, desde o Egipto à Ásia, fundou cidades com o seu nome.
Alexandria, Egipto ; Alexandria Asiana, Irão ; Alexandria in Ariana, Afeganistão ; Alexandria do Cáucaso, Afeganistão ; Alexandria em Oxus, Afeganistão ; Alexandria de Arachosians, Afeganistão ; Alexandria Bucephalous (o nome do cavalo de Alexandre) no Paquistão ; Alexandria Eschate, "A longínqua", Tajiquistão ; Alexandretta (actual Iskenderun) na Turquia e Alexandrópolis (actual Kandahar) no Afeganistão.

Alexandre, quando voltava das suas campanhas na Índia de regresso à Grécia (aonde não tinha ido desde que partira para a conquista da Pérsia), adoeceu subitamente e morreu com a idade de 33 anos e senhor do maior império do mundo.
Uma série de guerras civis deflagaram então, com vista à determinação de quem deveria suceder a Alexandre (antes da sua morte, ao ser interrogado sobre quem o devia suceder, Alexandre inigmaticamente respondeu «o mais merecedor»). O Império acabou por ser dividido entre 3 dos seus generais: Ptolomeu ficou com o Egipto e a Cirenaica; Seleucus com a Ásia e Antogonus com a Grécia.

Estátua egípcia de Cleópatra em basalto negroPtolomeu e os seus descendentes constituiram a última dinastia de faraós a governar o Egipto. Era uma dinastia de origem grega e o seu último governante egpício foi Cleopatra Thea Philopator (Cleópatra VII). Houve várias outras Cleópatras na História (nomeadamente no Egipto), mas foi a sétima que ficou nos anais. Cleópatra é um nome de origem grega que significa «A glória do (seu) pai»). O Egipto foi, no final da vida de Cleópatra, anexado ao Império Romano e nunca mais os faraós governaram o Egipto.

(Curiosamente, quando Alexandre era novo, o seu pai tomou como nova esposa uma mulher de nome Cleópatra, de quem teve um filho. Isto causou grande sofrimento a Olímpia, mãe de Alexandre, sofrimento que este nunca perdoou e eventualmente matou o seu meio-irmão quando subiu ao poder.
Houve assim uma Cleópatra no início da influência de Alexandre no mundo e houve uma Cleópatra quando a sua influência desapareceu, no fim da dinastia Ptolomeica...)


Ptolomeu I fundou, em Alexandria, o Templo das Musas ou Mousaion (que é a origem da palavra «museu») ao pé do túmulo de Alexandre Magno, que pediu para ser enterrado nessa cidade (de que ele pessoalmente escolheu a localização e delineou os planos de construção).
Musa vem do grego «Mousa» (que significa literalmente «poema» ou «canção») e designava as 9 Deusas (Filhas de Zeus e de Mneme, deusa da Memória. Daí a palavra mnemónica) que presidiam às artes e ciências e que inspiravam quem nelas se distinguia.
O seu líder era o Deus grego Apolo, conhecido como
Apollon Mousagetes (Líder das Musas). Os seus nomes eram:

~ Calíope (poesia épica) ; Euterpe (música) ;
Clio (história) ; Erato (poesia amorosa) ;
Melpómene (tragédia) ; Tália (comédia) ;
Polímnia (poesia sagrada) ;
Urânia (astronomia) ; Terpsícore (dança)


Depois o seu filho, Ptolomeu II Philadelphus (284 AC-246 AC), mandou construir um biblioteca junto ao templo das musas do seu pai.
Seria esta biblioteca que viria a ser conhecida como a Grande Biblioteca de Alexandria. Pensa-se que a Biblioteca chegou a conter entre 400 mil e 700 mil pergaminhos.
O método de aquisição de novos pergaminhos era curioso: qualquer estudioso que pretende-se consultar a Biblioteca tinha de deixar um pergaminho novo na Biblioteca e uma cópia era-lhe entregue.

Sabe-se que a Biblioteca foi destruída pelo fogo, mas quando ou por quem é matéria de muitas lendas e opiniões divergentes.
Quase todo o conhecimento do Mundo Antigo estava armazenado nos seus pergaminhos, pelo que a sua destruição foi uma enorme perda para o conhecimento humano.

Uma das lendas para a sua destruição prende-se com a invasão da cidade pelo general romano Júlio César entre 48 AC e 47 AC. Júlio César mandou incendiar a frota egpícia ancorada no porto da cidade e alguns historiadores referem que o fogo se espalhou para cidade e destruiu a Biblioteca. Mas contemporâneos de César (mesmo os seus opositores) não referem a destruição da Biblioteca (ou a sua pilhagem de acordo com outras fontes). É também improvável que tenha sido a invasão romana a destruir a Biblioteca, pois as tropas romanas aquartelaram-se na mesma zona onde se situava a Bilioteca, o que seria impossível se esta tivesse sido destruída pelo fogo. A destruição acidental por um fogo originado no porto seria também muito difícil, tendo em conta a construção em pedra da Biblioteca e dos locais de armazenagem dos pergaminhos.

Reconstituição do Museu na Biblioteca de Alexandria Outros historiadores levantam a hipótese de a Biblioteca ter sido queimada durante um período de guerra civil no final do século 3 DC, mas sabe-se que o Museu (o «templo das musas»), que era adjacente à Biblioteca, existia ainda no século 4 DC.
Há ainda a alegação de que, no século 7 DC, durante a invasão árabe do Egipto, o Califa Omar terá ordenado a destruição dos pergaminhos da Biblioteca dizendo que «Se não está no Corão é heresia, se está é redundante». Esta alegação é geralmente considerada falsa e parte da propaganda cristã contra os muçulmanos.

Teodósio IO que se sabe é que, em 391 DC, o Imperador Teodósio («amigo de deus») ordenou a destruição dos templos pagãos que existiam no império. Teodósio foi o último imperador do império romano unido, antes da divisão, pelos seus descendentes, no Império Romano do Ocidente, com sede em Roma, e o Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, a actual Istambul. Teodósio foi também o Imperador que tornou a religião oficial do Império o Cristianismo. Após a sua ordem, não há mais registos do Templo das Musas em Alexandria.

Há um consenso generalizado entre os modernos historiadores que a Grande Biblioteca de Alexandria sofreu vários eventos destrutivos ao longo da sua história. Mas o maior e o definitivo desses eventos terá sido a destruição dos templos pagãos, no final do século 4 DC, por ordem de Teodósio.

Em 2001 foi inaugurada em Alexandria a Bibliotheca Alexandrina. Esta nova biblioteca, construida perto da localização original, pretende simultaneamente comemorar a Grande Biblioteca e fazer renascer o espírito erudito dessa epoca há muito perdida. Construi-la demorou 9 anos e 220 mil milhões de dólares.
A ideia original para a construção da nova biblioteca surgiu em 1974 na Universidade de Alexandria, que elaborou os planos para a sua localização na cidade, entre o
campus universitário e o porto marítimo.
O projecto é da autoria do arquitecto
Christoph Kapellar e inclui espaço para 8 milhões de livros e 11 pisos para leitura com uma área total de 70 mil m2.
Há áreas especializadas para deficientes visuais, para jovens, para crianças, 3 museus, 4 galerias de arte, um planetário e um laboratório de restauração de documentos antigos.
As paredes exteriores estão gravadas com caracteres de 120 línguas humanas.
Bibliotheca Alexandrina em Alexandria, Egipto

Para mais artigos sobre maravilhas arquitectónicas do mundo antigo ver:
~ Parténon sobre este monumento grego;
~ Colossicum amphitheatrum sobre o Coliseu de Roma;

No título «A Grende Biblioteca»


Cogitado por Mauro às 23:03
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