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Diário das pequenas descobertas da vida.
Sexta-feira, 30 de Junho de 2006
Sabe a mais
Sentado à mesa, leva-se a sandes à boca e dá-se uma dentada generosa. A proporção dos diversos sabores está perfeita, todos os ingredientes contribuem para o prazer desta refeição...</br></br>

Mas como sentimos os sabores? Que propriedades são essas nos alimentos que ingerimos que nos despertam as sensações colectivas a que se chama «sabor»?</br></br>

Associa-se o sentido de «gosto» à língua. Desde pequenos que é uma verdade inata à experiência da maioria das pessoas. Somente em situações em que esse sentido é temporariamente perdido damos pela sua existência. Pessoa sortuda a que não está familiarizada com a perda (ver o artigo Perca o erro sobre o uso incorrecto desta palavra) dos sabores da comida que vem com a constipação ou com a gripe...</br></br>

A origem do sabor na língua e o seu temporário «desaparecimento» têm origens diferentes, origens que se combinam para formarem um dos sentidos com que o ser humano nasce.</br></br>

Tradicionalmente reconhece-se a existência de 4 tipos básicos de sabor:</br>
doce, amargo, salgado e ácido.</br>
Estes sabores são identificados na língua, nas papilas gustativas, as rugosidades que se sentem na superfíce exterior da língua. Estas rugosidades são sensíveis a certas substâncias e emitem para o cérebro sinais que são interpretados como sabores.
(Para o efeito das comidas picantes nas papilas gustativas ver Or in igne)</br></br>

Considera-se (mas nem todos os investigadores concordam) que diferentes zonas da língua são mais sensíveis a estes 4 sabores: no fundo da língua a zona sensível ao sabor «amargo», em ambos os lados o sabor «ácido», lateralmente ainda mas na ponta da língua o sabor «salgado» e mesmo na ponta da língua o sabor «doce».
É possível mergulhar a ponta de um palito em diferentes substâncias e tocar nas diversas regiões da língua e sentir as diferentes sensibilidades dessas zonas, em maior ou menor grau...)</br></br>

~ o sabor «salgado»:</br>
salina em AveiroEste sabor é principalmente sentido na presença de cloreto de sódio (NaCl), vulgarmente conhecido como sal de cozinha. Quando o NaCl forma iões Na+ (iões de sódio), estes penetram os canais transportadores de iões de sódio existentes na língua, levando à emissão de um sinal para o cérebro que o interpreta como «salgado».</br></br>

~ o sabor «ácido»:</br>
Este sabor é sentido de uma forma semelhante ao do sabor salgado.</br>
Os ácidos decompõe-se em iões com hidrogénio que penetram também os canais de sódio. Só que adicionalmente bloqueiam os canais transportadores de iões K+ (iões de potássio). A combinação dos dois efeitos é transmitido ao cérebro que o interpreta como «ácido».</br></br>

~ o sabor «doce»:</br>
Apesar de ser um dos sabores mais comuns e aprazíveis à maioria das pessoas, só recentemente se determinou qual o mecanismo fisiológico pelo qual este sabor é sentido pela língua.</br>
A detecção deste sabor é feito por uma grande variedade de receptores ligados a uma vasta família de proteínas chamadas Proteínas G. Na presença de açúcar, algumas proteínas e outras substâncias são activados, nas papilas gustativas, receptores acoplados às proteínas G. Estes receptores funcionam como amplificadores dos sinais transmitidos pelas células.</br>
Estes sensores têm uma configuração curiosa, sendo contituídos por uma cadeia de aminoácidos no exterior das células ligada a uma cadeia de proteínas que atravessam 7 a membrana celular numa configuração em forma de «onda».</br>
Além do seu papel importante no sentido «sabor», os receptores acoplados àsproteínas G têm ainda um papel importante no «olfacto» e até, pesquisas recentes revelam-no, poderão estar ligados à obesidade.
</br>
Quando os sensores específicos deste sabor são activados, um sinal é emitido para o cérebro, que o interpreta como «doce».</br>
Se alguém alguma vez se perguntou como podem os adoçantes ter uma sabor doce se não são açúcares tem aqui a resposta: o aspartame (um bem conhecido adoçante, 180 vezes mais doce do que o açúcar mas com apenas 4 quilocalorias por grama) activa os mesmos receptores acoplados às proteínas G que o açúcar.</br>
(para mais sobre o que são as calorias ver Quotidianus calor).</br></br>

~ O sabor «amargo»:</br>
Este sabor é igualmente detectado por receptores acoplados às proteínas G, como o é o sabor doce. Entrar em pormenores sobre o funcionamento exacto destes receptores transcende o âmbito do Cognosco, mas fica a informação da sua existência e importância.</br>
A substância mais amarga conhecida é o denatónio, descoberto em 1958.
Em diluições mesmo de 10 ppm (partes por milhão) em água é insuportavelmente amargo. (Mais ou menos 10 gotas em 25 litros de água, se se supuser que uma gota de água tem um volume de 0,025 mL).</br>
Devido ao seu intenso sabor, é usado:</br>
~ nos álcoois medicinais, de forma a tenham um sabor tão amargo que não sejam bebidos como uma bebida alcoólica;</br>
~ nos vernizes contra o roer das unhas. O seu sabor é tão intenso que eu já tive o desprazer de ter uma ideia do seu sabor: alguém que tinha um desses vernizes postos tocou-me ao de leve nos lábios. Apenas esse gesto foi suficiente para o sentir.</br></br>

Mas recentemente descobriu-se outro sabor, além dos 4 conhecidos:</br></br>

~ o sabor «umami» (apesar do nome aparentemente anedótico, é cientificamente aceite como um outro sabor. «Umami» é japonês e significa literalmente «bom sabor»)</br>
Este sabor é igualmente detectado por receptores acoplados às proteínas G (como os sabores «doce» e «amargo»).</br>
Estes receptores detectam a presença de glutamatos livres (não ligados a outras moléculas) na boca.</br>
O glutamato monossódico (desenvolvido em 1907) é um dos aditivos alimentares mais usados nas indústria alimentar, por dar aos alimentos um sabor muito apreciado pela maioria das pessoas. Existe em todas as batatas fritas com sabores, ketchups, os queijos Roquefort e Parmesão, molho de soja, entre outros.Lupinus luteus</br>
A razão porque sabem tão bem não é porque são doces ou amargos, salgados ou ácidos, é porque são umamis (também)!</br>
As uvas, os bróculos, os cogumelos e os tomates são naturalmente ricos em glutamatos livres, logo têm um sabor umami...</br>
O sabor umami é particularmente reforçado em combinação com sódio. Por isso os tomates, os cogumelos e os bróculos têm o seu sabor muito reforçado com a adição de sal. Uma planta rica em glutamatos é a Lupinus luteus. As suas sementes são os muito apreciados tremoços...</br></br>
</br>
É fácil então perceber estas questões:</br>
~ a complementariedade dos sabores doce-amargo e salgado-ácido: cada par destes sabores é detectado por receptores similares na boca.</br>
(o famoso porco agri-doce é um bom exemplo de junção de sabores de pares diferentes que se combinam para alargar a sensação dos sabores)</br>
~ porque razão as batatas fritas de pacote sabem tão bem a quem as consome (em especial as com sabores): o seu sabor umami é reforçado pelo sal das batatas.</br>
(é bem conhecido o efeito de «não dá para comer só uma» deste tipo de aperitivo);</br>
~ porque razão os tremoços são conservados em água salgada e são consumidos assim: o sabor salgado reforça o seu sabor umami...</br></br>

Está em investigação a existência de um sabor específico ligado às gorduras, o sabor «gordo». Este sabor será detectado pelo receptor CD36. Determinou-se que ratos de laboratório sem este receptor não tinham nenhum gosto por comidas com gordura e não processavam a gordura no seu sistema digestivo (logo não a absorviam).</br>
Espera-se que mais investigações possam ajudar pessoas a controlar os seus impulsos alimentares excessivos...




A razão pela qual aparentemente se perde o sabor da comida quando se está constipado é porque grande parte da sensação do sabor é na verdade sensação do cheiro.
A comida sabe bem porque cheira bem antes de a comermos mas também cheira bem dentro da boca já.
Com o nariz entupido não há circulação de ar, pelo que o cheiro da comida não chega aos receptores nasais e sente-se a diferença.
Não é que a comida tenha de facto perdido o sabor.
A comida não perdeu coisa alguma, quem a come é que o perdeu.
O que acontece é que de tanto se estar habituado à conjugação do sabor e do cheiro que se estranha a ausência desta...


Publicado por Mauro Maia às 16:35
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Quarta-feira, 28 de Junho de 2006
D'Hondt vem?
Há pequenas questões que não suscitam grandes interrogações ou dúvidas existenciais sobre a forma como são resolvidas mas que, mesmo assim, necessitam de alguma explicação para que a racionalidade e inteligibilidade do Mundo se complete com mais um pequeno tijolo.

Por exemplo, é fácil perceber como se processa, na maioria das eleições em Portugal, a determinação do vencedor:
~ Vota-se, nas eleições presidenciais, num candidato. O vencedor é o candidato mais votado;
~ Vota-se, nas eleições executivas, num partido. O vencedor é o partido mais votado;
~ Vota-se, nas eleições autárquicas, num partido. O vencedor é o partido mais votado;

Mas como se processam as eleições para a Assembleia da República Portuguesa?
Facilmente se constata que há mais do que um vencedor.
230 deputados na Assembleia da República Portuguesa.
Não há um vencedor mas 230 vencedores.

A questão de como se processa a eleição destes 230 deputados não suscita geralmente interrogações pois facilmente se pensa numa resposta verosímil:
Erradamente pode pensar-se que é só verificar a percentagem dos votos totais e com base nelas atribuirem-se os mandatos.

Para se perceber porque razão, apesar de ser verosímil, a contagem percentual não é a correcta nem, na maioria das situações, viável atende-se nestes exemplos:

~ Numa eleição para 10 lugares votam 1000 pessoas.
O Partido A tem 220 votos; 220/1000 = 0,22 = 22%
o Partido B 450 votos; 450/1000 = 0,45 = 45%
o partido C tem 330 votos; 330 / 1000 = 0,33 = 33%
Assim:
~ o Partido A terá 10 x 0,22 = 2,3 mandatos; Arredondado 2 mandatos;
~ o Partido B terá 10 x 0,45 = 4,2 mandatos; Arredondado 4 mandatos;
~ o Partido C terá 10 x 0,33 = 3,5 mandatos; Arredondado 4 mandatos;
Os 10 lugares estão preenchidos.
Parece estar tudo bem: as percentagens forneceram resultados que, arredondados, preencheram os 10 lugares que foram a votação.

Mas a situação geralmente não é assim tão certinha: geralmente calcular percentagens e arredondar resultados resulta em mais deputados do que lugares ou menos deputados do que lugares:

Na mesma eleição considere-se:
O Partido A tem 250 votos; 250/1000 = 0,25 = 25%
o Partido B 400 votos; 400/1000 = 0,40 = 40%
o partido C tem 350 votos; 330 / 1000 = 0,35 = 35%
Assim:
~ o Partido A terá 10 x 0,25 = 2,5 mandatos; Arredondado 3 mandatos;
~ o Partido B terá 10 x 0,40 = 4 mandatos; Arredondado 4 mandatos;
~ o Partido C terá 10 x 0,35 = 3,5 mandatos; Arredondado 4 mandatos;
Obtêm-se 11 deputados para 10 lugares.

Alternativamente:
O Partido A tem 240 votos; 240/1000 = 0,24 = 24%
o Partido B 430 votos; 430/1000 = 0,43 = 43%
o partido C tem 330 votos; 330 / 1000 = 0,33 = 33%
Assim:
~ o Partido A terá 10 x 0,24 = 2,4 mandatos; Arredondado 2 mandatos;
~ o Partido B terá 10 x 0,43 = 4,3 mandatos; Arredondado 4 mandatos;
~ o Partido C terá 10 x 0,33 = 3,3 mandatos; Arredondado 3 mandatos;
São eleitos 9 deputados para 10 lugares.

Esta é a regra geral:
o simples cálculo percentual resulta em desajustamentos entre o número de deputados eleitos e o número de lugares postos a votação.
Como então se faz para garantir que são eleitos exactamente tantos deputados quantos os lugares na Assembleia da República?

Esta é uma questão já antiga. A votação passou a fazer parte integrante da eleição dos representantes políticos de um povo desde a introdução da «democracia» ateniense no século 6 AC.

Mas a chamada teoria das eleições (os métodos pelos quais uma votação deve corresponder a cargos elegíveis) surgiu durante a Revolução Francesa (entre 1789 e 1799).
Para um acto curioso surgido durante a Revolução Francesa ver Aevum dicimale)
Era necessário criar um método que permitisse a eleição do número exacto de eleitos para os lugares elegíveis, respeitando a proporção dos votos.

Surgiram, na altura, 2 métodos diferentes para o fazer:
~ </i>Jean-Charles Chevalier de Borda</i> (1763-1799) foi eleito presidente da Académie des Sciences, em 1762. Em 1770 definiu um método de eleição para os membros da academia, conhecido hoje como Contagem de Borda, usado durante mais de 20 anos. Em 1800 Napoleão Bonaparte decretou a eliminação desse método (aparentemente Napoleão insistia em que fosse usado um método que ele próprio tinha criado). Há, na Lua, uma cratera de nome Borda em sua honra, principalmente por ter sido ele que construiu a barra cujo comprimento foi a medida aceite para o metro durante séculos

~ Marie Jean Antoine Nicolas Caritat, marquês de Condorcet (1743-1794) foi nomeado Secretário da mesma Académie des Sciences. Como desaprovava a Contagem de Borda, criou um método que viria a ser conhecido como o Método de Condorcet. Condorcet tinha verificado que era possível, numa mesma eleição para múltiplos lugares, uma maioria preferir A a B, outra B a C e outra C a A. Isto conduz a um paradoxo, conhecido como o Paradoxo de Condorcet, em quem por um lado A vence B que vence C (logo A vence C) mas simultaneamente C vence A.

Depois, no final do século XVIII, os EUA foram fundados e vários métodos foram propostos para eleger de forma justa e proporcional os representantes das colónias na House of Representatives.
Estadistas como Alexander Hamilton, Thomas Jefferson e Daniel Webster proposeram diferentes métodos para o conseguir.

O método proposto por Jefferson foi depois redescoberto e renomeado por Victor D’Hondt (1841-1901), matemático belga.
O Método de D'Hondt (que é igual ao Método de Jefferson) é actualmente usado na Argentina, na Áustria, na Bélgica, na Bulgária, no Chile, na Croácia, na Escócia, na Eslovénia, na Espanha, na Finlândia, em Israel, no Japão, na Holanda, no País de Gales, na Polónia, na República Checa, na Suíça, na Turquia e em Portugal.

Na Eleição para a Assembleia da República Portuguesa, o método usado para fazer corresponder os votos ao número exacto de 230 deputados é o Método de D'Hondt (muitas vezes erroneamente chamado de Método de Hondt)
(ver Eleições para a Assembleia da República (#10) para mais informações)

Como se processa então o Método de D'Hondt (ou Método de Jefferson)?
Considera-se o número de votos que cada partido teve.
Divide-se então sucessivamente esse valor pelo número de deputados já eleitos + 1.

Por exemplo, considere-se a mesma eleição, para 10 lugares com 1 000 votos determinados, em que há os partidos A, B e C.
A teve 240 votos, B teve 430 votos e C teve 330 votos.
Como se viu em cima, o cálculo percentual leva à determinação de deputados geralmente diferente dos 10 necessários.

O Método de D'Hondt começa por colocar por ordem crescente de votos os partidos.
Neste caso B 430; C 330; A 240
O partido que tem a maior votação elege o primeiro lugar.
Neste caso B elege o primeiro lugar
Divide-se depois a votação de cada partido pelo número de lugares que já tem + 1.
Neste caso divide-se a votação de B por 2, ficando 430/2 = 215
O partido que tem o maior valor para esse lugar ganha esse lugar
neste caso C tem 330, logo elege 1 pessoa para o lugar 2
Em seguida divide-se o número de votos de cada partido pelos lugares que tem + 1
Neste caso, B = 430 / 2 = 215; C = 330/2 = 215; A = 240/1 = 240
O valor mais alto para o lugar 3 é o do partido C, com 330. Então C elege uma pessoa para o lugar 3.
Para o lugar 4 divide-se B = 430/2=215; C=330/2=115; A = 240/2 = 120
É B que tem o maior valor para o lugar 4 e elege uma pessoa para esse lugar.
Continuando o processo obtém-se para: B 5 lugares; C 3 lugares; A 2 lugares.

Uma outra forma de usar o Método de D'Hondt é dividir os votos de cada lista sucessivamente por 2 em seguida por 3, em seguida por 4,...
O número mais elevado na tabela é o primeiro deputado, o seguinte o segundo...

Da qualquer uma das formas, obtém-se a seguinte distribuição de lugares:
B 5 lugares; C 3 lugares; A 2 lugares.

Este método pode ser usado para qualquer situação em que, numa votação, se tem de escolher vários lugares numa só eleição.

Este é o método pelo qual, em Portugal, se escolhem os deputados à Assembleia da República.
É desta forma que, na noite das eleições, vão anunciando sucessivamente os deputados de cada partido que já foram eleitos. Não é uma questão percentual. É uma questão de D'Hont...

As eleições para a Assembleia da República em 2005 teve os seguintes resultados.
É fácil, mas trabalhoso, verificar passo a passo a eleição de cada um dos deputados...



Publicado por Mauro Maia às 00:28
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Domingo, 11 de Junho de 2006
Homenzinhos verdes
Uma das experiências enervantes da vida, nas grandes cidades, é o trânsito, quer para quem conduz quer para quem se desloca a pé.
Para quem tem de se deslocar de carro pelas atravancadas cidades, as filas são um pesadelo, minutos incontáveis perdidos enquanto se espera que o trânsito reinicie a marcha, enquanto se espera que o sinal mude para verde para que mais três carros passem antes do sinal mudar de novo para vermelho. Mas como começou o seu uso? Porquê estas cores? Quem e como decidiu a cor dos semáforos e o seu significado?

Palácio de WestminsterOs primeiros semáforos de trânsito foram colocados em 1868 à frente do Palácio de Westminster, onde se situa o parlamento inglês, na cidade de Londres.
A parte mais antiga deste palácio data de 1097. (Não se confunda este palácio com o palácio da Rainha, o Palácio de Buckingham). É numa das torres do Palácio de Westminster que está o famoso Big Ben.
O Palácio de Westminster não é habitado por um Rei desde o século XVI e desde o século XIII que o Parlamento inglês nele se reúne.


Esse primeiro semáforo tinha lâmpadas a gás e um polícia accionava uma manivela na sua base para mudar para a cor desejada. Infelizmente este semáforo explodiu passado um ano (1869), ferindo o polícia que o operava.
Mas o primeiro semáforo eléctrico surgiu apenas 43 anos depois, em 1912, na cidade de Salt Lake, no estado de Utah, EUA. Este semáforo tinha duas luzes: vermelho e verde.
Em 1914, foi instalado em Cleveland, estado do Ohio, EUA um sistema similar, com as mesmas duas luzes e uma buzina para avisar da mudança de cor.
Mas cada semáforo era independente e era operado individualmente.
Foi novamente na cidade de Salt Lake, 5 anos após o inicial (1917) que os primeiros semáforos interligados foram montados. Eram 6 e mudavam todos de cor no sentido de manter coerente o sentido do trânsito.
Mas estes eram semáforos operados manualmente e foi preciso esperar por 1922 (outros 5 anos) para que um sistema automático surgisse, também nos EUA, na cidade de Houston, Texas. (Houston, we have a problem... with Bush...)
Passados 5 anos surgiram os primeiros semáforos eléctricos automáticos na Europa.
Foi na cidade de Wolverhampton em 1927.
(é curiosa esta sequência constante de 5 anos ligada aos semáforos...</i>)

Mas qual a razão para as cores usadas nos semáforos? Porquê vermelho, amarelo e verde?

Bem, tudo começou na verdade com comboios e com o francês Robert que trabalhava no Chemin de Fer du Nord (Caminhos de Ferro do Norte). O sistema inventado por Robert, o «Disque Rouge», consistia num disco que girava na sua base. Quando ficava com a face virada para o comboio, este avançava normalmente e os condutores paravam. Quando ficava com a face virada para os automóveis, estes avançavam (era sinal de que não vinha qualquer comboio).
Durante a noite o sinal era iluminado por uma luz vermelha.
Associado a este sinal, os franceses adoptaram o sinal sonoro que os Austro-Húngaros criaram (foi o Império Áustro-Húngaro que iniciou a Iª Guerra Mundial, como visto no artigo Um século).

Tendo em conta as doenças conhecidas como Cegueira a Cores, nas quais o indivíduo que as possui não é capaz de distinguir as cores vermelha e verde (e amarela), geralmente o sinal vermelho contém pequenas zonas laranja e a verde pequenas zonas azuis para que um daltónico os possa distinguir.

Uma das doenças mais conhecidas deste tipo (mas não a mais frequente) é o Daltonismo, que recebeu o seu nome do cientista e químico britânico John Dalton (1766-1844), que tinha essa incapacidade. Dalton é principalmente conhecido pela sua Teoria Atómica, na qual a ideia de que as substâncias são compostas por pequenas partículas conhecidas como átomos foi (re)descoberta. O filósofo grego Demócrito (450 AC - 370 AC) já tinha proposto a teoria atómica, mas a sua teoria foi relegada e esquecida por milénios devido à oposição de Aristóteles, cujos ensinamentos foram aceites absolutamente durante os milénios seguintes.
Para mais sobre Aristóteles ver:
~ Apolo não favoreceu Aristóteles sobre a refutação de Galileu a Aristóteles;
~ Celer turtur sobre a oposição de Aristóteles a Zenão;
~ Conor explicare gravitatem sobre a correcta explicação da gravidade;

O olho humano é sensível a 3 cores primárias: vermelho, verde e azul.
O espectro electromagnético da luz visível comporta, no entanto, mais cores.

Vermelho situa-se entre os 780 nanómetros e 622 nanómetros;
Laranja entre 622 nm e 597 nm;
Amarelo entre 597 e 577 nm;
Verde entre 577 nm e 492 nm;
Azul entre 492 nm e 455 nm;
Violeta entre 455 nm e 390 nm;

Ver ainda Lux mundi para mais sobre o espectro luminoso.

A maioria das pessoas tem visão normal, vendo correctamente as 3 cores primárias. 83
A incapacidade de diferenciar algumas destas cores resulta em Cegueira a Cores, da qual há 3 formas:
~ Monocromacia: nenhuma das 3 cores é distinguível, todas parecendo uma só;
~ Dicromacia: apenas 2 das 3 cores são distinguíveis (inclui o Daltonismo);
~ Tricromacia: as 3 cores são distinguíveis mas facilmente confundidas; 56

Dentro da incapacidade de distinguir vermelho-verde, há ainda:
~ Protanopia: são incapazes de distinguir entre verde-azul (492 nm) e branco. Abaixo de 492 nm vêem tudo a azul e acima de 492 nm tudo a amarelo; 37
~ Deuteranopia: confundem cores no espectro verde-amarelo-vermelho, centrado em 498 nm. Isto leva à incapacidade de distinguir entre o verde e o vermelho.
Um conhecido exemplo de deuteranopia é o Daltonismo; 58

Na imagem acima, são mostradas imagens em que surge um número constituido por dois algarismos. Pessoas com cegueira a cores não conseguirão ver o número. Na terceira imagem, referente à deuteranopia, é frequente mesmo pessoas com visão normal terem dificuldade em visualizarem o segundo algarismo.

A Cegueira a Cores é relevante para a distinção entre os as diferentes luzes.
São bastante raras e atingirem principalmente o sexo masculino. Isso deve-se ao facto de que geneticamente as «Cegueira a cor» surgirem no cromossoma X. Os Homens têm um cromossoma X e um Y enquanto as mulheres têm dois cromossomas X.
(Já se abordou a genética dos sexos no artigo Unus uir septem feminae)
O gene para as «Cegueira a cor» é recessivo.
Como os Homens têm apenas um X (não tendo um correspondente no cromossoma Y), o gene recessivo é único, pelo que se manifesta estando só.
Nas mulheres, como existem 2 cromossomas X, o gene para as «Cegueira a cor» tem de surgir simultaneamente nos dois cromossomas.
Desta forma os homens são mais atingidos do que as mulheres, pois é preciso que ambos os progenitores de uma mulher tenham o gene para que ela possua uma das doenças.
Já no homem, basta que um dos progenitores tenha essa deficiência e tenha azar na roleta genética para que seja portador.
Entre 5% e 8% dos Homens têm algum tipo de «Cegueira a Cor».
Apenas 0,5% das Mulheres têm algum tipo de «Cegueira a Cor».
Há na verdade, além da Monocracia, quer na Dicromacia quer na Tricromacia, 3 tipos diferentes.
Agradeço a Nox pela chamada de atenção no comentário que levou a este esclarecimento.

A normalização da disposição das luzes é fundamental para a sua descriminação (não confundir com discriminação...)
Há, no entanto, situações caricatas em que a disposição das luzes dos semáforos foi alterada localmente por razões políticas. Na cidade de Syracuse, EUA, em 1920, as autoridades foram obrigadas, após contínuas destruições de um semáforo num bairro irlandês, a colocar a luz verde no topo e a luz vermelha no fundo. Os emigrantes irlandeses recusavam-se a aceitar que o vermelho «britânico» estivesse acima do verde «irlandês»...

AmpelmannFalta ainda referir as luzes de trânsito para peões da antiga Alemanha de Leste.
Estas foram criadas pelo psicólogo comunista Karl Peglau, que teorizou que os peões responderiam melhor a luzes com uma imagem mais «amigável».
Rapidamente os Ampelmann (em alemão «pequeno homem na luz de trânsito») se tornaram ícones no mundo comunista tornando-se até uma personagem importante num programa sobre Educação Automobilística.
AmpelweibchenApós a unificação alemã o Ampelmann foi preservado nas cidades da Antiga Alemanha de Leste e em alguns bairros de Berlim.
Em 2004 surgiu a sua congénere feminina, a Ampelweibchen, nas ruas de Zwickau e Dresden.

Como facilmente se pode constatar, as 3 cores vermelho-amarelo-verde pertencem a partes distintas do esepctro electro-magnético da luz visível, pelo que são geralmente bem percebidas e distinguidas pelas pessoas.
A questão da cor vermelha significar «parar», amarelo «precaução» e verde «avançar» é uma questão de padronização actual. Tempos houve em que o verde é que significava «precaução» e o amarelo «avançar».
O vermelho, no sistema do francês Robert, significava «avançar».
O amarelo foi também anteriormente substituído pela cor branca.
Mas a cor vermelha significando «perigo» e «parar» é bastante intuitiva, pela sua fácil sugestão da cor sanguínea...


Publicado por Mauro Maia às 23:59
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