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Diário das pequenas descobertas da vida.
Segunda-feira, 30 de Abril de 2007
Thinking blogger
A 23 de Abril, comemorou-se o Dia Mundial do Livro. A querida amiga do Cognosco Maria Papoila foi, mais uma vez (perdi já a conta às vezes em que o foi), gentil e incluiu o Cognosco na lista dos blogs que a fazem pensar.
Eis então a minha lista, sem cuidado com número de links (como se se pudesse pôr limites aos nossos afectos, virtuais ou não) e sem critérios de ordenação:

~A Papoila Uma visão poética da vida, uma vida vivida com a poesia. Da sempre perfumada e fresca Papoila.

~Bloquito Uma visão bem-humorada e bem analisada da vida feita por dois filósofos da vida. Um deles o meu irmão Rui.

~Nox O lado simultaneamente negro e branco, feliz e triste, sol e lua, noite e dia dos poemas que enchem a nossa vida. Da profunda e reflexiva Nox.

~.•°o.O No mundo do faz de conta O.o°•. a vida é feita de acontecimentos, uns mais engraçados do que outros mas, no Mundo do Faz de Conta, tudo tem graça e boa-disposição. Da leve e eterno sorriso Fiju.

~Impressões digitais a vida é feita de risos mas também de reflexão. A vida que podia ser a de qualquer um de nós analisada como nem todos de entre nós conseguiriam. Da minha doce amiga Paula.

~Deprofundis as fotografias e as reflexões sobre a vida condensadas em momentos únicos. Do viajado e sempre presente mesmo quando ausente Deprofundis.

~O Império Romano não há Presente sem Passado nem Portugal sem Império Romano. A análise de importantes (alguns conhecidos, outros esquecidos) personagens e momentos que marcaram a vivência de um Império que marcou toda a nossa presente existência. Do romano e atento amigo Mário.

~Enquanto a onda não volta perspectivas sempre originais e audazes sobre os acontecimentos pessoais e interpessoais. Da minha querida Maresia, que tanta falta faz aqui no Cognosco.


Publicado por Mauro Maia às 09:56
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Terça-feira, 17 de Abril de 2007
Esdruxulamente
Ouvem-se, por vezes, enormes atropelos à bela língua com que tivémos a sorte de nascer. Alguns desses atropelos poderão ser cometidos realmente por falta de formação, mas muitos são aqueles cometidos por laxismo e desinteresse.
Não sou alguém (e haverá alguém?!) cujo discurso seja destituído de erros e contradições. Mas o verdadeiramente importante não é errar, é aprender com o erro. Há uma fobia moderna em relação ao erro que é extremamente contraproducente. O erro, como elemento que se combate constantemente, é um importante elemento de aprendizagem e crescimento DESDE que sirva como degrau para cima na escada do conhecimento: esse erro não se volta a cometer, mesmo que ainda hajam muitos a ultrapassar.


Há já alguns anos, reuni, a pedido de uma pessoa amiga, uma série de pequenas e pessoais regras ortográficas e gramaticais que tenho vindo a «coleccionar» ao longo dos meus curtos anos de vida e lide com a fera lusitana.
Já em outros artigos tive a oportunidade de falar em outros:
~ Duplex negatio sobre o uso e origem de uma das mais estranhas construções gramaticais da Língua Portuguesa: a dupla negação;
~ Lusitana linguae sobre o uso de uma das mais belas (na minha opinião) estruturas da Língua Portuguesa: a pronominalização;

Outras questões surgem, uma das mais importantes relaciona-se com a acentuação e entoação das palavras em Português (estão muito relacionadas).
Por exemplo,
~ será que Monarquia se lê »Mo+nár+qui+a» ou se lê «Mo+nar+qui
~ será que é «Júlio» ou «Julio»?

A resposta à maioria destas questões relaciona-se com o conceito de ditongo e sílaba tónica. Um ditongo é um conjunto de duas vogais que se lê como um só som. Os únicos ditongos que existem, na Língua Portuguesa, são:
1) ai
2) au
3) ei
4) eu
5) iu
6) oi
7) ou
8) ui

Qualquer outra combinação de letras não é um ditongo e por isso é constituído por duas sílabas:
Ai (expressão de dor) -> ditongo - 1 sílaba
Ia (1ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do verbo ir) -> não é ditongo - 2 sílabas

eg: Partiu - tem 2 sílabas (Par - tiu) - iu -> É ditongo
Água - tem 3 sílabas (Á - gu - a) - ua -> NÃO é ditongo
Monarquia - tem 4 sílabas (Mo - nar - qui - a) -> ia não é ditongo

As palavras, em Português, só podem ser acentuadas nas 3 últimas sílabas.
Há 3 tipos de acentos que não podem ser utilizados simultaneamente na mesma palavra:
´ - acento agudo
` - acento grave
^ - acento circunflexo

O ~ (til) não se considera um acento mas somente a indicação gráfica da nasalação das vogais "a" e "o", substituindo assim o an (ã) ; on (õ) ; pode por isso ser usado na mesma palavra com um acento, apesar de não ser comum (exemplo, sótão)
As palavras só podem ser acentuadas (com um dos três primeiros acentos) na sílaba tónica.
A excepção é rara e é só em palavras como «àquele», em que há uma nítida junção de "a" a uma palavra que começa por "a". Sempre que há a junção de dois "a" tal união é acentuada na forma grave (`)
eg Eu dei aquele cão ao meu vizinho
Eu dei àquele cão um bife para o jantar- "Eu dei a aquele cão um biefe para o jantar"
Eu vou à quinta - "Eu vou a a quinta"

As palavras podem ser:
- esdrúxulas - a sílaba tónica é a antepenúltima
- graves - a sílaba tónica é a penúltima
- agudas - a sílaba tónica é a última

As palavras esdrúxulas são sempre acentuadas na antepenúltima sílaba.
- tópico - palavra esdrúxula (tó + pi + co) - leva acento agudo
- mágoa - palavra esdrúxula (má + go + a) - leva acento agudo
- As palavras esdrúxula NUNCA levam acento grave (o exemplo acima descrito da palavra «àquele» não é uma palavra esdrúxula, apesar de ter acento na antepenúltima sílaba. É uma palavra grave, a sílaba tónica é a penúltima (à - que - le)

- A maioria das palavras em Português é grave. As palavras graves podem ou não levar acento, não havendo regra para a sua acentuação, sendo mais frequente não terem:
maioria - palavra grave com 4 sílabas (mai + o + ri + a) - sem acento
monarquia - palavra grave com 4 sílabas (mo + nar + qui + a) - sem acento e com a sílaba tónica em «qui».

- As palavras agudas podem ou não ser acentuadas, não havendo novamente regra geral.
Todos os verbos na forma infinitiva são palavras agudas:
tomar
colher
sorrir
compor

-Todas as palavras terminadas "r" e "l" são agudas, excepto quando têm um acento para quebrar:

Tomar (a cidade)
Portugal (o país)
militar
colher
mulher
porvir
calor
Aljezur
normal
hotel
tamboril
caracol
azul

Por exemplo, a frase:
«Em Tomar, consequentemente o fim da monarquia levou a maioria do povo à rua e, em todas as janelas das suas casas, mesmo às do sótão, hastearam-se bandeira verdirubras. Um caracol azul e sozinho estranhamente juntou-se à festa»

será lida desta forma (em que o negrito indica a sílaba tónica e o sublinhado a diferença entre a leitura e a escrita da letra):
«Em Tumár, consequentemente o fim da munarkia levou a maiuría do pôvo à a e, em tôdas as janélas das súas cásas, mesmo às dú tão, hasteáram-se bandeiras verdirubras. Um caracól azúl e sozinhu istranhamente juntou-se à fésta»

Que me desculpem os visitantes brasileiros do Cognosco por esta leitura com um sotaque «português»


Publicado por Mauro Maia às 00:06
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Q questões
Há também, a par com a acentuação e leitura das palavras em Português, questões relacionadas com o uso correcto (e as diferenças) de "c","g", "j", "q", "s", "r" "rr",”ss”

O som «ca», «co», «cu» só se faz com «c» - casar, comer, cujo
O som «ce» e «ci» só se faz com «q» - queijo, quilómetro
Para se usar o «c» para «sa», «so» ou «su» põe-se a cedilha – caça, coço, roçar, ruçar

c + a "ca" - carro, bucal
c + e "se" - parece, acetona (para fazer o som “ce” tem de se escrever que «aquele»)
c + i "si" - acima, plasticina (para fazer o som “ci” tem de se escrever qui «aquilo»)
c + o "co" ou "cu" - cachecol, copiar
c + u "cu" - cuja

ç + a "sa" - criança,
ç + e nunca se usa - usa-se ce ou ci
ç + i nunca se usa - usa-se ce ou ci - «criancice»
ç + o "so" ou "su" - soçobrar, caroço
ç + u "su"
O som «g» só se faz com «g» – gigante, guerra, figo,...
O som «ja», «jo», «ju» só se faz com «j» - janela, beijoca,...
O som «je» ou «ji» faz-se normalmente com «g» - megera, fingir
excepções – laje
eg: exigir -> exijo (para preservar o som, o «g» tem de se tornar «j»)

g + a "ga" - gato, papagaio
g + e "je" - gelo, afugenta
g + i "ji" - giratório, ágil
g + o "go" ou "gu" - golpe, gostoso
g + u "gu" gutural, agudo
g + u + e "ge" guerra, afoguear
g + u + i "gi" Guilherme, guiar, águia

E quanto ao «q»» O que dizer desta letra, geralmente lida como «q de cauda» (sendo o seu verdadeiro nome «que»
qu + a "cua" - quando, antiquado
qu + e "ce" - aquele, quebrar
qu + i "ci" - aquilo, quimera (a excepção, é a palavra tranquilo que se lê (tran + cui +lo)
qu + o "cuo" - quociente, quota (que se lê por vezes "cota" erradamente)
«Cota» com «c» é um dos eixos coordenados do espaço: o das Abcissas (x), o das Odenadas (y) e o das Cotas (z)
qu + u - não usado

Quantos aos «r»:
Um "r" entre duas vogais lê-se "re" - caro
Um "r" no início de uma sílaba entre uma consoante e uma vogal lê-se "rre" – palrar
Um “r” no meio de um sílaba entre uma consoante e uma vogal lê-se "re" – palavra, breve
Dois "r" usam-se entre duas vogais para o som "rre" - carro
No início de uma palavra se usa um "r", nunca dois - rato, rotunda

Quanto ao «ss»:
Um "s" entre duas vogais lê-se o som "ze" - caso, quase, liso
Um "s" entre uma consoante e uma vogal ou entre duas consoantes lê-se o som "se" - conselho
Dois "s" usam-se SÓ entre duas vogais para o som "se" - lasso
No início de uma palavra SÓ se usa um "s", NUNCA dois - sapato, sino

O uso de "ç" ou "s" ou "ss" não tem regra
- conselho (opinião)
- concelho (município)
- faça - "fassa"
- faca
- face
- fase
- soçobrar - "sossobrar"
- assombro - "açombro"

O uso de "x" ou "ch" não tem regra, apenas o bom hábito d ler permite saber qual deles se usa na palavra que esteja em causa (e um dicionário, claro):
- xadrez - "chadrez"
- cachecol - "caxecol"
- caixa - "caicha"
- chatear - "xatiar"

O som "ke" ou "ki" é sempre feito com "qu";
O som "ge" ou "gi" é sempre feito com "gu";
O som "ja" ou "jo" ou "ju" é sempre feito com "j";
O som "je" ou "ji" é normalmente feito com "g" - Jesus é uma excepção.

• Diminutivos e advérbios de modo

Os diminutivos e o advérbios de modo são sempre palavras graves, em que a sílaba tónica é a penúltima, mesmo que a palavra de origem seja acentuada. Logo os diminutivos e o advérbios de modo nunca têm acentos (excluem-se, como já visto, os "tis")

só - sozinho - somente
científico - cientificamente
café - cafezinho
José - Josezinho


• verbos e substantivos com a mesma raíz

Os verbos na forma infinitiva são sempre agudos, ao passo que os substantivos são graves.
Pescar - Pesca ("Pêscár - Pésca")
Trocar – Troca (“Trucár – Tróca”)
Drogar - Droga ("Drugár - Dróga")

Isto deve-se ao facto de os verbos terminaram em «r» e, como já visto, palavras terminadas em «r» são sempre agudas, exceptuando-se acentuação em contrário.


Publicado por Mauro Maia às 00:04
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Domingo, 1 de Abril de 2007
Onze milésimo tricentésimo vigésimo segundo dia
Eis chegado o terceiro primeiro dia de Abril do Cognosco, com o seu tricentésimo artigo.
Já em outras ocasiões foi referido, dado a sua (aparente) importância:
~ Comemorações
~ Peixes de Abril

Há simultaneamente, sobre este dia, muito a dizer e pouco a dizer, muito que se sabe e pouco que se sabe, é vivido por muitos e ignorado por muitos.
Não concordando com o «espírito da época» (não havendo propriamente épocas com cujo «espírito» concorde), fica aqui uma das mais curiosas «partidas de 1 de Abril» que já tive conhecimento. A história da colheita de esparguete na Suíça prendeu a atenção de muitos espectadores da BBC, quando foi transmitida a 1 de Abril de 1957. O vídeo da transmissão original da BBC é este:

Não é cedo na Inglaterra mas a Primavera, este ano, apanhou todos de surpresa. Aqui, na fronteira entre a Suíça e a Itália, os arbustos que se enclinam sobre o lago já deram flor, pelo menos 4 noites antes do esperado. Mas, podem perguntar, o que tem a chegada adiantada e bem-vinda de abelhas e flores em botão a ver com comida? Simplesmente porque o Inverno passado, um dos mais suaves de que há memória, teve os seus efeitos de outra forma também. O mais importante entre tudo foi que resultou numa excepcionalmente grande colheita de esparguete. Nas últimas duas semanas de Março, uma altura de grande preocupação para os cultivadores de esparguete, há sempre a hipótese de uma geada que, sem destruir por completo a colheita, geralmente afecta o seu sabor e torna mais difícil que atinja grandes valores nos mercados mundiais. Mas agora esses perigos terminaram e a colheita de esparguete avança. O cultivo de esparguete, aqui na Suíça, não é obviamente levada a cabo na tremenda escala da indústria italiana. Muitos de vós terão certamente visto imagens das enormes plantações de esparguete no vale do rio Pó. Para os Suíços, no entanto, esta tende a ser mais uma actividade familiar. Outra razão porque este terá sido um ano em grande reside no virtual desaparecimento do escaravelho do esparguete, uma pequena criatura que causou muita destruição no passado. Depois da colheita, o esparguete é colocado para secar, no quente sol alpino. Muitas pessoas ficam geralmente surpreendidos com o facto de o esparguete ser usualmente produzido com um comprimento tão uniforme. Mas este é o resultado dos esfoços pacientes de muitas gerações de cultivadores de esparguete, que conseguiram produzir o esparguete perfeito. E agora, a colheita é celebrada por uma refeição tradiconal, um brinde à nova colheita. Agora entram os criados, trazendo o prato tradicional, que é obviamente esparguete, colhido nesse dia, seco ao sol e portanto trazido fresco do jardim para a mesa nas melhores condições. Para os que apreciam este prato, não há nada como esparguete cultivado em casa.

Palavras para quê? Certamente das melhores partidas de 1 de Abril já realizadas, em especial por ter vindo de tão austera fonte como a BBC...
A estação recebeu, depois da emissão, centenas de chamadas de espectadores interessados em saber como adquirir «pés de esparguete», para poderem, também eles, cultivá-lo em casa. A bem humorada resposta foi «coloquem um esparguete dentro de um recipiente com molho de tomate e aguardem». Impagável, quase dá vontade de entrar no espírito...

Para uma ligação entre o esparguete e os romanos ver A derrota de pizza, um artigo que fala de Marco Pólo e do que ele foi fazer à corte chinesa durante a vida de D. Dinis.


Publicado por Mauro Maia às 13:36
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