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É inegável a importância que, na segunda metade do século XX e início do século XXI, o Inglês tem como lingua franca (a expressão latina é assim mesmo, sem acento) internacional. Isto é, como uma língua de conversação para a generalidade dos encontros internacionais. Quem se encontre perante alguém de outro país e não sabe a sua língua nativa, a primeira língua que tentará usar para estabelecer contacto e um ponto de entendimento é o Inglês.
O som «Th» é feito pondo em contacto a ponta da língua com os incisivos superiores. Em seguida, faz-se um som semelhante a um «s» fazendo passar o ar pelos dentes e a língua na posição descrita. Também pode ser lido como um «d» (como em «this») ou um «t» (como em «lighthouse»), consoante a palavra em que se encontra.
O Inglês desenvolveu-se, ao longo dos séculos, numa ilha a norte da Europa, a que modernamente se chama Grã-Bretanha (que inclui a Escócia a norte, a Inglaterra no centro e sul e o País de Gales a oeste). A Irlanda, a ilha sua vizinha, fez já parte da Grã-Bretanha mas tornou-se independente em 1920 (reconhecido pelo governo britânico em 1921), ficando somente uma das suas 4 províncias, o Ulster (Irlanda do Norte) ligada ainda à Grã-Bretanha até hoje. É frequente ser usado o nome Inglaterra para designar o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, na verdade é apenas um dos países que o constitui (e que, historicamente, uniu todos os outros sob a sua coroa).
Mas, nos territórios romanos britânicos, deu-se a chegada do Latim e das línguas faladas pelos legionários romanos. Muitos eram oriundos de territórios conquistados e falavam outras línguas que não o Latim. Os soldados estacionados na Grã-Bretanha eram principalmente oriundos do actual norte da Alemanha e Dinamarca e a acompanhá-los vieram muitos colonos Anglos (de Angeln, região que agora é em Schleswig-Holstein, no norte da actual Alemanha), Saxões (da Saxónia, no sudeste da actual Alemanha) e os Jutos (oriundos da Jutelândia, Sul da Saxónia). Quando se deu a retirada romana das ilhas, no século 5 DC, foi a língua germânica desses soldados e desses colonos que foram a semente da língua que viria a ser conhecida como Inglês.
Até que, três séculos depois, no século 8 DC, os Víquingues (aqui temos um interessante palavra esdrúxula: «Ví»+«quin»+«gues» e como tal é acentuada na antepenúlima sílaba) oriundos da península escandinava (actuais Noruega, Suécia e Finlândia), conquistaram o nordeste da Grã-Bretanha (a costa mais próxima da sua península nativa). Navegavam nos seus característicos navios (geralmente conhecidos como «drakkar», que não passa da palavra víquingue para «Dragão», devido à forma da proa dos navios). Esta vaga de conquistadores, que falavam um língua germânica conhecida como «Norse» e que deu origem aos actuais Norueguês, Sueco e Finlandês, introduziu significtivas mudanças e simplificações nesse Proto-Inglês. Entre essas simplificações contam-se a conhecida ausência de género nas palavras inglesas (não há palavras masculinas ou femininas) e a perda das declinações da língua alemã. Surgiu assim o Inglês Antigo, ocasionalmente (mas não significativamente) importando umas poucas palavras gregas e romanas quando o Cristianismo foi introduzido nas ilhas.
Durante muitos séculos, o Rei inglês (descendente de Guilherme, o Conquistador) era Duque da Normandia (no Norte da França) e esse facto despoletou fortes rivalidades entre ingleses e franceses, que deram origem à Guerra dos 100 anos (entre 1337 e 1453, cento e desasseis anos) sobre quem seria o legítimo Rei Francês, se a Casa de Valois (francesa) se a Casa Plantageneta (inglesa). Nesta guerra, notabilizou-se Joana D'Arc, valorosa combatente francesa. No fim da Guerra, a casa de Valois (falou-se, em Fumare salutem, de Marguerite de Valois, durante algum tempo possível futura mulher de D. Sebastião) emergiu como a governante de toda a França, incluindo o Ducado da Normandia. Essa rivalidade prosseguiu durante séculos, até que, no final do século XIX, uma aproximação histórica devido a uma linha de caminho-de-ferro entre as suas possessões africanas enterrou o machado de guerra entre os dois países (a Grã-Bretanha lidou de forma diferente connosco, o que originou a célebre questão do mapa Cor-de-Roa, de que se falou em Jardins cor-de-rosa) e ambos se tornaram os fortes aliados a que o século XX nos acostumou, através da Iª e IIª Guerras Mundiais.
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