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Diário das pequenas descobertas da vida.
Sábado, 10 de Dezembro de 2005
Magna bybliotheca
Alexandre Magno («Alexandre, o Grande») viveu entre 356 AC e 323 AC.
Nos seus curtos 33 anos de vida, fundou o maior império que um só Homem alguma vez conseguiu conquistar sozinho. E conseguiu-o em 13 anos, dos 20 anos (quando subiu ao poder) até aos 33 anos (quando morreu).

Foram tais as suas proezas militares que serviu de modelo a grandes conquistadores como Júlio César e Napoleão (que, mesmo assim, nunca lograram o mesmo êxito militar).
Oriundo da Grécia unificada pelo seu pai, Filipe II da Macedónia (um reino pobre e inculto no norte da Grécia) , Alexandre derrotou o maior império da altura, o Império Persa, ao longo de batalhas onde a sua determinação e astúcia derrotaram exércitos muito superiores em número ao seu.
Alezandre era bisneto do herói grego da Guerra de Tróia Aquiles


O Império Persa quando Alexandre se tornou rei da Grécia

Quando o seu pai Filipe II era rei da Macedónia (359 AC a 336 AC) a Grécia era constituida por uma série de regiões, governadas por poderosas cidades-estado, continuamente em conflitos entre si. Filipe derrotou cada uma dessas regiões e unificou a Grécia como uma só nação sob o domínio macedónico, com capital na cidade de Pella, cidade onde nasceria Alexandre.

Filipe II da MacedóniaNa altura a grande potência militar do mundo (mediterrânico) era a Pérsia, enorme Império que se estendia do Egipto à Índia. A Pérsia sempre cobiçou as cidades gregas na Ásia Menor (uma das mais reconhecidas actualmente é Tróia) e mesmo a Grécia continental. Ao longo dos séculos, por várias vezes entrou em guerra com as cidades estado gregas com vista à sua conquista. Os seus intentos não foram todavia concretizados. Uma das mais famosas e memoráveis batalhas que se deram por ocasião de uma dessas invasões foi quando um grupo de 300 soldados espartanos impediu, durante dias, no estreito das Termópilas, a marcha do exército persa de milhares de homens. Todos os 300 espartanos e o seu rei Leónidas acabaram por morrer quando os persas, à distância, os alvejaram com milhares de setas, mas a interrupção permitiu que as tropas gregas das outras cidades-estado chegassem e repelissem os invasores.

Assim que Filipe II unificou a Grécia, fez planos para a invasão do enorme Império Persa, o seu vizinho belicoso. Mas, antes de puder iniciar a invasão, foi morto por um antigo guarda-costas (desconhece-se exactamente as razões, só há especulações).
Após a morte do seu pai, Alexandre encarregou-se de mandar assassinar os seus irmãos e outros pretendentes e subiu ao trono grego.

Assim que reclamou a coroa, várias regiões gregas revoltaram-se, procurando aproveitar-se da inexperiência do jovem Alexandre. Mas os seus cálculos sairam furados e Alexandre esmagou a revolta de forma firme e violenta.

Dário da PérsiaCom o reino pacificado, Alexandre prosseguiu os sonhos de invasão da Pérsia do seu Pai. Numa série de brilhantes combates o seu exército de 35 mil homens derrotou o exército de mais de 100 mil homens de Dário, o rei da Pérsia com 46 anos, inteligente e refinado mas pouco dado às lides militares.

Dário foi finalmente derrotado (e morto enquanto, depois de abandonar as suas tropas a meio de uma batalha, fugia perante a investida de Alexandre). O maior império do mundo pertencia-lhe agora, todas as suas riquezas, povos e saberes.
Em várias partes do seu vasto império, desde o Egipto à Ásia, fundou cidades com o seu nome.
Alexandria, Egipto ; Alexandria Asiana, Irão ; Alexandria in Ariana, Afeganistão ; Alexandria do Cáucaso, Afeganistão ; Alexandria em Oxus, Afeganistão ; Alexandria de Arachosians, Afeganistão ; Alexandria Bucephalous (o nome do cavalo de Alexandre) no Paquistão ; Alexandria Eschate, "A longínqua", Tajiquistão ; Alexandretta (actual Iskenderun) na Turquia e Alexandrópolis (actual Kandahar) no Afeganistão.

Alexandre, quando voltava das suas campanhas na Índia de regresso à Grécia (aonde não tinha ido desde que partira para a conquista da Pérsia), adoeceu subitamente e morreu com a idade de 33 anos e senhor do maior império do mundo.
Uma série de guerras civis deflagaram então, com vista à determinação de quem deveria suceder a Alexandre (antes da sua morte, ao ser interrogado sobre quem o devia suceder, Alexandre inigmaticamente respondeu «o mais merecedor»). O Império acabou por ser dividido entre 3 dos seus generais: Ptolomeu ficou com o Egipto e a Cirenaica; Seleucus com a Ásia e Antogonus com a Grécia.

Estátua egípcia de Cleópatra em basalto negroPtolomeu e os seus descendentes constituiram a última dinastia de faraós a governar o Egipto. Era uma dinastia de origem grega e o seu último governante egpício foi Cleopatra Thea Philopator (Cleópatra VII). Houve várias outras Cleópatras na História (nomeadamente no Egipto), mas foi a sétima que ficou nos anais. Cleópatra é um nome de origem grega que significa «A glória do (seu) pai»). O Egipto foi, no final da vida de Cleópatra, anexado ao Império Romano e nunca mais os faraós governaram o Egipto.

(Curiosamente, quando Alexandre era novo, o seu pai tomou como nova esposa uma mulher de nome Cleópatra, de quem teve um filho. Isto causou grande sofrimento a Olímpia, mãe de Alexandre, sofrimento que este nunca perdoou e eventualmente matou o seu meio-irmão quando subiu ao poder.
Houve assim uma Cleópatra no início da influência de Alexandre no mundo e houve uma Cleópatra quando a sua influência desapareceu, no fim da dinastia Ptolomeica...)


Ptolomeu I fundou, em Alexandria, o Templo das Musas ou Mousaion (que é a origem da palavra «museu») ao pé do túmulo de Alexandre Magno, que pediu para ser enterrado nessa cidade (de que ele pessoalmente escolheu a localização e delineou os planos de construção).
Musa vem do grego «Mousa» (que significa literalmente «poema» ou «canção») e designava as 9 Deusas (Filhas de Zeus e de Mneme, deusa da Memória. Daí a palavra mnemónica) que presidiam às artes e ciências e que inspiravam quem nelas se distinguia.
O seu líder era o Deus grego Apolo, conhecido como
Apollon Mousagetes (Líder das Musas). Os seus nomes eram:

~ Calíope (poesia épica) ; Euterpe (música) ;
Clio (história) ; Erato (poesia amorosa) ;
Melpómene (tragédia) ; Tália (comédia) ;
Polímnia (poesia sagrada) ;
Urânia (astronomia) ; Terpsícore (dança)


Depois o seu filho, Ptolomeu II Philadelphus (284 AC-246 AC), mandou construir um biblioteca junto ao templo das musas do seu pai.
Seria esta biblioteca que viria a ser conhecida como a Grande Biblioteca de Alexandria. Pensa-se que a Biblioteca chegou a conter entre 400 mil e 700 mil pergaminhos.
O método de aquisição de novos pergaminhos era curioso: qualquer estudioso que pretende-se consultar a Biblioteca tinha de deixar um pergaminho novo na Biblioteca e uma cópia era-lhe entregue.

Sabe-se que a Biblioteca foi destruída pelo fogo, mas quando ou por quem é matéria de muitas lendas e opiniões divergentes.
Quase todo o conhecimento do Mundo Antigo estava armazenado nos seus pergaminhos, pelo que a sua destruição foi uma enorme perda para o conhecimento humano.

Uma das lendas para a sua destruição prende-se com a invasão da cidade pelo general romano Júlio César entre 48 AC e 47 AC. Júlio César mandou incendiar a frota egpícia ancorada no porto da cidade e alguns historiadores referem que o fogo se espalhou para cidade e destruiu a Biblioteca. Mas contemporâneos de César (mesmo os seus opositores) não referem a destruição da Biblioteca (ou a sua pilhagem de acordo com outras fontes). É também improvável que tenha sido a invasão romana a destruir a Biblioteca, pois as tropas romanas aquartelaram-se na mesma zona onde se situava a Bilioteca, o que seria impossível se esta tivesse sido destruída pelo fogo. A destruição acidental por um fogo originado no porto seria também muito difícil, tendo em conta a construção em pedra da Biblioteca e dos locais de armazenagem dos pergaminhos.

Reconstituição do Museu na Biblioteca de Alexandria Outros historiadores levantam a hipótese de a Biblioteca ter sido queimada durante um período de guerra civil no final do século 3 DC, mas sabe-se que o Museu (o «templo das musas»), que era adjacente à Biblioteca, existia ainda no século 4 DC.
Há ainda a alegação de que, no século 7 DC, durante a invasão árabe do Egipto, o Califa Omar terá ordenado a destruição dos pergaminhos da Biblioteca dizendo que «Se não está no Corão é heresia, se está é redundante». Esta alegação é geralmente considerada falsa e parte da propaganda cristã contra os muçulmanos.

Teodósio IO que se sabe é que, em 391 DC, o Imperador Teodósio («amigo de deus») ordenou a destruição dos templos pagãos que existiam no império. Teodósio foi o último imperador do império romano unido, antes da divisão, pelos seus descendentes, no Império Romano do Ocidente, com sede em Roma, e o Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, a actual Istambul. Teodósio foi também o Imperador que tornou a religião oficial do Império o Cristianismo. Após a sua ordem, não há mais registos do Templo das Musas em Alexandria.

Há um consenso generalizado entre os modernos historiadores que a Grande Biblioteca de Alexandria sofreu vários eventos destrutivos ao longo da sua história. Mas o maior e o definitivo desses eventos terá sido a destruição dos templos pagãos, no final do século 4 DC, por ordem de Teodósio.

Em 2001 foi inaugurada em Alexandria a Bibliotheca Alexandrina. Esta nova biblioteca, construida perto da localização original, pretende simultaneamente comemorar a Grande Biblioteca e fazer renascer o espírito erudito dessa epoca há muito perdida. Construi-la demorou 9 anos e 220 mil milhões de dólares.
A ideia original para a construção da nova biblioteca surgiu em 1974 na Universidade de Alexandria, que elaborou os planos para a sua localização na cidade, entre o
campus universitário e o porto marítimo.
O projecto é da autoria do arquitecto
Christoph Kapellar e inclui espaço para 8 milhões de livros e 11 pisos para leitura com uma área total de 70 mil m2.
Há áreas especializadas para deficientes visuais, para jovens, para crianças, 3 museus, 4 galerias de arte, um planetário e um laboratório de restauração de documentos antigos.
As paredes exteriores estão gravadas com caracteres de 120 línguas humanas.
Bibliotheca Alexandrina em Alexandria, Egipto

Para mais artigos sobre maravilhas arquitectónicas do mundo antigo ver:
~ Parténon sobre este monumento grego;
~ Colossicum amphitheatrum sobre o Coliseu de Roma;

No título «A Grende Biblioteca»


Publicado por Mauro Maia às 23:03
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5 comentários:
De Maria Papoila a 11 de Dezembro de 2005 às 15:58
Gostei da viagem ao Império de Alexandre, curioso que desconhecia ter morrido com 33 anos, tal como Cristo, e fiquei deslumbrada com a arquitectura, localização e capacidade da nova Biblioteca de Alexandria! Beijo


De carlos arinto a 11 de Dezembro de 2005 às 19:29
Parabens. Bom texto. Boa informação


De Mauro a 11 de Dezembro de 2005 às 20:19
Obrigado a ambos pelas visitas e pelos comentários. A nova biblioteca de Alexandria parece de facto impressionante, Maria Papoila, merecedora de uma visita. Eu imagino é que, nestes 4 anos, ainda não esteja perto de 8 milhões de livros...


De Antonieta a 25 de Fevereiro de 2008 às 01:30
Sou professora de História e já estou aposentada. Mas não perdi a mania de viajar na História. Nessas viagens encontrei Alexandre o Grande. Parabéns muito bom seu texto. Que DEUs o abençôe.


De Mauro a 25 de Fevereiro de 2008 às 11:16
Obrigado, «Antonieta», pela visita e pelas palavras. Alexandre Magno, eis um homem cujas acções brilham através dos milénios, apesar de ser (talvez por isso mesmo) alvo das catalogações simplistas de muitas pessoas que ouvem pouco e menos ainda repetem. Foi uma figura admirável, com todos os seus pontos positivos e negativos, como qualquer ser humano. Mas o que fez transcendeu, na minha opinião, em muito o que não fez ou mal fez. A extensão dos seus feitos é tal que me não me permite condensá-lo num único artigo. Mas, quando posso, eis que ele surge.


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