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Diário das pequenas descobertas da vida.
Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007
Jardins cor-de-rosa
Corria o ano de 1871, num pacato jardim à beira-mar plantado.
Descontentes com o rumo que o seu país tem vindo a tomar, um grupo de jovens escritores decide reunir-se e, durante alguns dias, publicamente discutir as causas para o seu declínio e as soluções para lhe devolver a glória. Preocupadas com as ilações que estavam a ser tiradas e as suas consequências para o seu
status quo, as autoridades proibiram a realização de mais encontros. Somente 5 foram realizados (dos 10 planeados) mas, pouco tempo depois, os acontecimentos vieram a dar razão à preocupação dos intervenientes e o resultado viria a mudar, 40 anos depois, para sempre o seu país.

Casino Lisbonense Eis o que aconteceu em Portugal, nas últimas décadas de Monarquia que viveu (no final do século XIX): um grupo de jovens artistas reuniu-se para pensar sobre o país e as conclusões a que chegaram revelaram-se correctas e premonitórias. Como o encontro se deu no Casino Lisbonense (no actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa), ficou conhecido como Conferências do Casino. Entre 22 de Maio e 19 de Junho, discursaram Antero de Quental (poeta açoriano), Augusto Soromenho (escritor aveirense), Eça de Queiroz (romancista poveiro, i.e., de Póvoa de Varzim) e Adolfo Coelho (pedagogo coimbrense).
Na imagem, o Casino Lisbonense

Nessa altura, vivia-se ainda no choque da independência do Brasil e a Guerra Civil Portuguesa que se lhe seguiu. E tudo ocorreu num dos séculos mais turbulentos e complicados da História de Portugal: o século XIX.

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Os países da Península Itálica em 1786


Esta História começa com o nascimento de um menino, a 15 de Agosto de 1769, na ilha da Córsega, no Mar Mediterrâneo. Apenas um ano antes, em 1768, a ilha tinha sido vendida, pela República de Génova, ao Reino da França. Na altura, a Itália era composta por vários estados diferentes, alguns Repúblicas, outros Ducados, outros Reinos. Génova tinha sido uma das mais importantes repúblicas, sendo famosa pelo seu comércio com o Oriente (e, por isso, grande rival da República de Veneza). Mas, em 1768, os seus dias de glória já se tinham eclipsado e os habitantes da Córsega fizeram pressão, junto do governo genovês, para que este vendesse a ilha aos Franceses. Era Rei Luís XV, o bem amado, pai do último rei francês, Luís XVI, morto aquando da Revolução Francesa (1789–1799).
Luís XVI é também conhecido por causa da sua esposa, Maria Antonieta. Terá sido ela a trazer, para a França, os famosos Croissant's.

Esse menino nasceu já francês mas toda a vida falou com um sotaque italiano que o tornou alvo de chacota quando era novo e estudava no continente (francês), num Colégio Militar. Formou-se, em 1785, como Segundo Tenente de Artilharia. Mais tarde, viria a destacar-se na Revolução Francesa e eventualmente a governar a França e a conquistar militarmente grande parte da Europa. Esse menino chamava-se Napoleão Bonaparte (nasceu «Napoleone di Buonaparte» mas afrancesou o seu nome para «Napoléon Bonaparte»).

Ora Napoleão empreendeu uma série de batalhas e conquistas militares no Continente Europeu e o seu génio militar permitiu-lhe vir a dominar, além da França, a Espanha, a Itália, os Estados Germânicos (na altura ainda não havia Alemanha) e a Polónia. Fruto da força que o exército e a liderança de Napoleão tinham, eram também aliados da França a Áustria e a Prússia (antigo estado germânico, que unificou, no século XIX, toda a Alemanha e que foi desfeito piliticamente após a II.ª Guerra Mundial, sendo o seu território sido maioritariamente entregue à Polónia, parte à Alemanha e parte à Lituânia). Na sua expansão era invitável o confronto com a Grã-Bretanha, com um vasto império colonial e senhora dos mares. Não podendo enfrentar o poderio naval inglês, decretou, em 1806, um Bloqueio Continental, pelo qual proibia os territórios que tinha sob controlo de fazerem comércio com a Inglaterra. Esperava, dessa forma, estrangular economicamente os ingleses. Mas um país europeu, que tinha laços comerciais com a Inglaterra desde a Idade Média, recusou a ordem de Napoleão.

A Aliança Anglo-Portuguesa foi celebrada em 1373 (no reinado de D. Fernando) e foi reforçada pelo Tratado de Windsor, datado de 1386 (no reinado de D. João I). O Tratado de Windsor foi firmado pelo casamento de D. João I com Filipa de Lencastre (filha do Duque de Lencaster, um nobre extremamente influente na coroa inglesa). Com a ajuda inglesa providenciada pelo sogro, D. João conseguiu derrotar as tropas espanholas do marido da sua sobrinha (a princesa herdeira Beatriz), tornou-se Rei e foi pai da Ínclita Geração, os príncipes portugueses que se detacavam pelos seus dotes pessoais e que impulsionaram Portugal para a sua Época de Ouro: os Descobrimentos (em particular D. Henrique).

Mapa da Terra da Vera Cruz de 1510Em 1500, o navegador português Pedro Álvares Cabral, desembarcou nas costas de uma terra desconhecida a que deu o nome de Terra da Vera Cruz. A colonização portuguesa foi-se alastrando pelo continente, ao longo dos séculos, ultrapassando inclusivamente o traçado do Tratado de Tordesilhas, o segundo tratado no qual Portugueses e Espanhóis dividiam o Mundo em duas áreas de influência.
Em 1479, foi assinado o Tratado de Alcáçovas, uma linha que dividia o Globo horizontalmente a sul do Cabo Bojador no paralelo 27. Por politiquices junto do papa Alexandre VI (espanhol de nascimento) e a fim de os espanhóis poderem reclamar as terras que Colombo tinha descoberto, o Tratado de Alcáçovas foi abolido e o Tratado de Tordesilhas foi assinado.
Ver o artigo Canarias et ignotus tractatus para mais sobre este tratado e como as Canárias foram cedidas aos Espanhóis.

Até ao século XIX, o Brasil permaneceu como a maior colónia e a maior fonte de riqueza da Coroa Portuguesa: o Império Português no Oriente foi perdido para os Holandeses, como visto em A lágrima do leão mas o Brasil, apesar das temporárias conquistas holandesas, permaneceu português.

Monumento aos Heróis da Guerra PeninsularAté que, em 1806, Napoleão decretou o Bloqueio Continental. Portugal recusou e Napoleão decidiu enviar as suas tropas para conquistarem os portos portugueses e forçarem o Bloqueio à Inglaterra. Em 1807, a França e a Espanha assinaram o Tratado de Fountainbleau, pelo qual os dois países acordaram dividir Portugal em 3 Reinos:
~ a Lusitânia Setentrional (terras entre o Rio Minho e o Rio Douro), que seria governado pelo (já extinto) Reino da Etrúria, uma das nações existentes na altura na península itálica e governada pela filha do Rei Espanhol Carlos IV;
~ Algarves (terras a sul do Rio Tejo), que seria governado por um espanhol;
~ Portugal (terras entre o Rio Douro e o Rio Tejo), que se tornariam um território francês.
Para fazer cumprir o acordo, as tropas francesas comandadas pelo General Jean-Andoche Junot (e não por Napoleão), invadiram Portugal. A coroa portuguesa consegiu escapar e fugiu para o Brasil. Entretanto, os Franceses voltaram-se contra os seus aliados Espanhóis e ocuparam militarmente a Espanha. Em Portugal, apesar das suas vitórias iniciais, as tropas francesas foram repelidas (não sem antes pilharem tesouros portugueses. Vestígio disso são os danos provocados nos túmulos reais existentes no Mosteiro da Batalha), retiraram em 1810 e derrotadas finalmente em 1814.
Existe, na cidade do Porto, na Rotunda da Boavista, um Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular: uma coluna com 45 metros de altura encimada por uma estátua de um leão (a vitória Luso-Inglesa) sobre uma águia derrubada (o Império Francês). Ao contrário do que a alguns terá ocorrido, a estátua nada tem a ver com o mundo futebolístico, é uma homenagem ao espírito independente português.

D. Maria I continuou a governar Portugal a partir da colónia com o seu filho João (futuro Rei João VI) a seu lado e a capital portuguesa passa a ser a cidade do Rio de Janeiro. Os portos brasileiros foram então abertos ao comércio com outras nações (até então apenas podiam comerciar directamente com portos portugueses). A economia brasileiro floresce até que, em 1815, ganha o estatuto de Vice-Reino e Portugal para a ser o Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves. O Brasil não era mais uma simples colónia, ganhava um estatuto em pé de igualdade com Portugal. A perda do dinheiro brasileiro e a distância da corte leva a descontentamentos em Portugal (nomeadamente a Revolução Liberal, em 1820, no Porto). D. João VI regressa então a Portugal, 6 anos após a derrota das tropas francesas. O Brasil volta à sua condição de simples colónia e D. João VI deixa o seu filho herdeiro, D. Pedro, a governar o Brasil.

D. Pedro I do Brasil, D. Pedro IV de PortugalMas, para contribuir para a complexidade que este século teve na História portuguesa, as coisas complicaram-se ainda muito mais:
D. João ordena que D. Pedro volte a Portugal. Este recusa-se e declara a independência do Brasil com ele como Imperador: D. Pedro I do Brasil, em 1822.
Entretanto morre D. João VI e parece ter indicado, por carta, como seu sucessor, D. Pedro.
Ora este é Imperador do Brasil e não pode unir Portugal e Brasil desta vez com o Brasil como principal reino. Então, na qualidade de D. Pedro IV, Rei de Portugal (durante apenas 7 dias), dá uma nova constituição ao país (uma constituição liberal e mais limitadora dos poderes régios) e abdica em favor da sua filha, Dona Maria da Glória de Bragança (futura Dona Maria II) com a condição de esta (com apenas 7 anos) casar com o seu tio paterno, D. Miguel e jurar manter a Carta Liberal (a nova constituição). Ora D. Miguel I não apreciava a constituição liberal do irmão e, como regente do reino, ignorou-a. No Brasil, entretanto, as atitudes autoritárias de D. Pedro levaram a que os brasileiros o forçassem a abdicar do trono brasileiro em favor do seu filho, D. Pedro II do Brasil (1825-1891), o segundo e último imperador do Brasil. D. Pedro II do Brasil subiu ao poder em 1841 e governou até 1889, tendo abolido o comércio negreiro em 1850 e a escravatura em 1888, o que provocou descontentamento entre os fazendeiros brasileiros, o que levou no ano seguinte, em 1889, a um golpe de estado no Brasil, em que foi deposto D. Pedro II e implantada a República.
D. Pedro contra D. Miguel pela coroa portuguesa, Honoré Daumier, 1833
D. Pedro I do Brasil tinha sido forçado a exilar-se e a regressar à Europa, em 1831. Chegado à Europa, reuniu Homens e armas e invadiu Portugal, com o intuito de fazer prevalecer a constituição liberal face ao absolutismo de D. Miguel. Após longas e duras batalhas, os liberais de D. Pedro venceram e D. Miguel foi forçado a exilar-se na Áustria. D. Pedro IV, doente, pediu às cortes portuguesas para declararem a maioridade de D. Maria, de 15 anos, para que esta assumisse o trono de Portugal.

Portugal sobreviveu a esta Guerra Civil portuguesa (1828-1834), mas emergiu um reino mais pobre (perdera a maior e mais rica das suas colónias) e exangue da luta fraticida que acabara de vivenciar. Simultaneamente a população portuguesa via-se com mais direitos e com novos sentimentos de liberdade e vontade de se exprimir.

Antero de Quental, por Colombano Bordalo PinheiroE é num reino empobrecido, habituado a viver do ouro brasileiro e mais ainda amarrado ao comércio inglês, como a sua única fonte de riqueza, que surge a Geração de 70. Este foi um grupo de estudantes de Coimbra (liderado intelectualmente por Antero de Quental) que se rebelou contra a arte que se fazia na altura, contra a sociedade em que viviam, contra pesadas e estagnadas as concepções históricas, sociais e filosóficas da sua época. Este grupo de escritores viria a fazer as supracitadas Conferências do Casino, onde discutem, aberta e publicamente, as causas para o declínio de Portugal e para a sua tão grande dependência do que obtinha da sua colónia brasileira.

Nascido em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, arquipélago dos Açores, evidenciou-se um jovem de nome Antero Tarcínio de Quental (1842-1891). Era filho de Fernando de Quental, que lutou ao lado de D. Pedro IV na Guerra Civil (que instaurou o liberalismo em Portugal) e neto de André da Ponte Quental, que lutou contra as invasões francesas e foi amigo do poeta Bocage. Provinha, por isso, de uma família de arreigados defensores da pátria e do liberalismo, tradição que Antero de Quental prosseguiu na sua vida. Teve sempre um espírito lutador e idealista, pugnando pela igualdade e pela justiça social. Em 1852, com 13 anos, vem viver com a mãe para Lisboa e, em 1858, com 18 anos, ingressa na Faculdade de Direito de Coimbra (tendo-se formado em 1864, com 22 anos).

Universidade de CoimbraNo ano seguinte à sua formatura em Direito, envolveu-se numa disputa literária com o seu antigo professor, António Feliciano de Castilho, que viria a ser conhecida por Questão Coimbrã (pela cidade onde ocorreu). Castilho advogava uma poesia ultra-romântico que, aos olhos de Antero de Quental, era decadente, torpe e beato. Para Antero, a poesia deveria pugnar pelo Realismo, a descrição da vida tal como é, com todo o sofrimento, pobreza e injustiça que contém. Dessa forma, a poesia tem um papel mais do que decorativo ou estético: é também uma arma de combate à injustiça social. Nesta disputa animada, foi o Realismo de Antero que saiu vitorioso sobre o Ultra-Romantismo de Castilho. No ano seguinte, em 1866, foi para Lisboa, para exercer a profissão de tipógrafo, profissão que exerceria, em 1867 e 1868, em Paris, para onde se mudou.

Nesse ano, 1868, regressa a Lisboa, onde forma o Cenáculo (também conhecido como a Geração de 70), um grupo de intelectuais (maioritariamente escritores) que se tinham conhecido em Coimbra nos seus anos estudantis. O Cenáculo era contestatário, apontando o dedo à sociedade, aos seus costumes decadentes e ao servilismo social que se vivia, nesses anos após a independência do Brasil e a cada vez maior dependência do comércio com a Inglaterra. Decidem, então, realizar uma série de conferências, que ficaram conhecidas como Conferências do Casino, onde expunham as suas ideias e denúncias para a decadência social portuguesa. Foram realizadas 5 conferências:
~ "O Espírito das Conferências", por Antero de Quental;
~ Causas da Decadência dos Povos Peninsulares", por Antero de Quental;
~ "Literatura Portuguesa", por Augusto Soromenho;
~ "O Realismo como nova expressão da arte", por Eça de Queiroz;
~ "O Ensino", por Adolfo Coelho;

Antero culpava, para o atraso português:
~ A contra-reforma religiosa, que aprofundou o atraso intelectual e científico do país;
~ A centralização política, herdada do Absolutismo e a que o liberalismo não tinha posto cobro, mantendo o país subdesenvolvido e dependente da capital;
~ A herança económica dos Descobrimentos, que tornou o país dependente dos bens que lhe chegavam das suas colónias;
Mas as autoridades políticas e religiosa não apreciaram as Conferências e estas foram proibidas, havendo mais 5 que não chegaram a se realizar. O país fez «ouvidos moucos» aos conselhos e avisos do Cenáculo...

Mapa Cor-de-RosaEm 1890, os avisos do Cenáculo concretizam-se, com o Ultimato Inglês que exigia, a Portugal, que se abstivesse das pretensões de ligar, por terra, as colónias de Angola e Moçambique (o território que agora é o Zimbabué), o chamado Mapa Cor-de-Rosa. A Inglaterra pretendia unir, com uma linha ferroviária, as suas colónias no Sul da África com as do Norte de África. A Inglaterra, sentindo a fraqueza portuguesa, optou por exigir e ameaçar os portugueses, enquanto se entendia com a França, que tinha já uma linha ferrovária que se estendia da costa oriental à costa ocidental africanas (após longos séculos de animosidade entre os dois países, este acordo estreitou os laços entre os dois países, levando a que estes, tradicionais inimigos e rivais, se tornassem os aliados que o século XX testemunhou, na I.ª e II.ª Guerras Mundiais). A humilhação nacional foi sentida por todos os portugueses e viria a levar, em 1908, ao regicídio (onde morreu D. Carlos) e, em 1910, à abdicação de D. Manuel II e à implantação da República.
Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, dois exploradores portugueses, tinham, entre 1884 e 1885, feito a travessia a pé de Angola a Moçambique, no intuito de cartografaram a região e reforçarem as pretensões portuguesas na região, mas 5 anos depois, a Inglaterra ultimou Portugal a abandonar essas pretensões.

Em 1891, Antero de Quental, já doente de Doença Bipolar (uma psicose maníaco-depressiva), muda-se para a sua nativa Ponta Delgada, nos Açores, onde acaba por se suicidar, num banco de um jardim da cidade. Esse jardim chama-se agora Jardim Antero de Quental e tem um memorial em hora de Antero, um dos filhos mais ilustres da região (a par de Manuel de Arriaga, primeiro presidente da República, a poetisa e deputada Natália Correia, entre outros vultos nacionais).
Jardim Antero de Quental, Ponta Delgada, Açores
Jardim Antero de Quental, Ponta Delgada, Açores, onde o poeta é homenageado.

Mors-Amor

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

Antero de Quental


Outros poemas, de Antero e de outros autores, podem ser encontrados no interessante blog, pleno de poesia de autores portugueses e estrangeiros, Nox.

Para uma existência poética e encantada, de quem o Cognosco usufrui da amizade e companhia, ver ainda </i>A Papoila.


Publicado por Mauro Maia às 10:42
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9 comentários:
De Maria Papoila a 14 de Novembro de 2007 às 18:44
Querido Mauro! Estou sem palavras com o link para o meu blog e a referência que lhe é feita! Bem Hajas! Uma lição de história que enquadra a geração de 1870 do século XIX, à volta da figura e do poeta que muito admiro Antero de Quental. (No séc. XX seria também marcante a geração de 70...) Conheci o seu memorial em Ponta Delgada ainda em pequena, o banco do jardim em que se suicidou e o desenho da âncora que fez no chão com a ponta da bengala com a palavra ESPERANÇA por baixo. Artigo para ler e reler! Linda a foto do Monumento aos Mortos da Guerra Peninsular do Porto, na praça com o mesmo nome a que todos chamam Rotunda por durante muitos anos ser a única na cidade... Beijos.


De Mauro a 15 de Novembro de 2007 às 09:19
Bem, «Maria Papoila», que feito esse que alcancei: deixar-te sem palavras, tu que as esgrimas com tanta desenvoltura. Nunca faço referências que não sejam merecidas ou contextualizadas. Neste caso, ambas as referências que faço se enquadram magistralmente. Sem dúvida que o século XIX foi dos mais conturbados (e eu diria mesmo um dos mais importantes) da História portuguesa: só as conturbações políticas são material para vários livros. E o regicídio, que se deu em 1908, foi o último suspiro do século XIX português: todo o século se encaminhou para essa radical e drástica medida. Tenho lido poemas de Antero de Quental, especialmente os sonetos, e também me confesso admirador desse açoriano poeta. Desconhecia o pormenor do desenho da âncora, com a palavra esperança, que Antero desenhou no chão quando se suicidou. As grandes personalidades até na morte são ofuscantes. O agradecimento é todo meu, como sempre tem sido.


De Bic Laranja a 22 de Novembro de 2007 às 21:14
Permita-me corrigir duas imprecisões. 1) D. João I foi filho natural de el-rei D. Pedro I, foi portanto irmão de el-rei D. Fernando e tio de Dª Beatriz; 2) a passagem da corte para o Brasil deu-se com D. João VI como regente e não com D. João IV, como por lapso indicou.
Parabéns pelo seu blogo.


De Mauro a 23 de Novembro de 2007 às 10:48
Obrigado, «Bic Laranja», pela chamada de atenção. Tens razão nos dois pontos que indicas e o artigo está já corrigido. Obrigado.


De Carlos Rodrigues a 27 de Novembro de 2007 às 10:18
Obrigado Mauro, foste espectacular a explicar sinteticamente a História de Portugal, foste mesmo sintético, com meus fracos estudos desconhecia as partes recentes. Só é pena que m*jar para trás provoque perseguições, só é pena que m*jar para trás faça com que haja muita chulice baseada na descendência de. Só é pena que m*jar para trás crie a falsa ideia de que serve para aplicar os mesmos princípios para o futuro, só é pena que m*jar para trás... não vale a pena, neste país, enfim, é só atrofiadores e abutres.


De Fiju a 27 de Novembro de 2007 às 11:41
Bem, só tu para me pores a ler história de Portugal! Enquanto lia o teu artigo fantástico recordava aulas em que as minhas senhoras professoras me pregava a mim e aos meus colegas secas históricas! Não sei porquê, mas tenho uma aversão inconsciente ao que toca aos nomes dos reis. Quando aparecem os nomes dos ilustres monarcas, leio apenas «rei blábláblá IV» acho que fica mesmo só a numeração romana! Bufff tenho de me controlar com esta aversão!
Foi com muito gosto que li o artigo, principalmente na parte do mapa cor-de-rosa! Coisa esquisita, mas gosto dessa parte da história. Cá para mim... Foi nessa pergunta que acertei no teste de história e por isso traz-me boas recordações! Eh eh eh! Enfim! Boa semana! Jokas!


De Mauro a 27 de Novembro de 2007 às 23:02
Bem, «Carlos Rogrigues», agradeço-te o apreço pelo artigo. Não sei se ficou deveras sintético mas era complicado enquadrar historicamente Antero de Quental na sua época, um dos séculos mais complicados da História portuguesa. Foi o máximo de síntese que consegui, sem perder pontos importantes (pelo menos para a inha visão dos acontecimentos) e manter um dicurso minimamente interessante e coerente, não um simples despejar de factos e datas. Compreendo-te por isso, «Fiju», muito bem. Apesar de não ter formação na disciplina, adoro História, mas não a que se aprende na escola. Tu tens aversão aos nomes de Reis, eu tenho aversão a datas e ao conceito de História do estilo «em 1815 -blábláblá; em 1816 blábláblá». Para mim a História é um ruio, que flui do passado ao presente, ligando e explicando acontecimentos: isto deu aquilo, por causa de aquele-outro este-outro sucedeu,... As datas, para mim, só são significativas na medida em que ajudam a contextualizar acontecimentos e em ordená-los cronologicamente. Decorar uma data específica nem pensar, mais «no reinado de D. Aquele-que-tal» ou durante «as Guerras Todos-batem-mas todos-perdem», por exemplo. O que me dá prazer, na História, é fazer estas tapeçarias de acontecimentos, que explicam o Passado e o Presente e mostram como tudo está unido e é coerente.


De Raquel a 16 de Novembro de 2009 às 13:46
Boa tarde, venho por este meio referir que o Antero de Quental não se matou no Jardim Antero de Quental, mas sim ao pé do Convento da Esperança no banco que lá se encontra tendo escrito em cima "Esperança".


De Mauro a 25 de Novembro de 2009 às 10:41
Obrigado, «Raquel», pela tua chamada de atenção. Tens razão, o jardim não é onde Antero de Quental se suicidou mas sim um jardim onde é homenageado. Agradeço-te a atenção e colocarei essa nota no artigo.


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