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Diário das pequenas descobertas da vida.
Sexta-feira, 10 de Junho de 2005
Língua e princípios
A Evolução, como princípio que molda e transforma, é um dos conceitos modernos de mais ampla utilização numa série de domínios do conhecimento.
Entrou na consciência das pessoas com a Teoria da Evolução das espécies, mas em muitos outros contextos aplica-se: a Evolução dos costumes, a Evolução das sociedades, a Evolução histórica,...

A que hoje me referirei é a Evolução linguística.

É amplamente conhecido que as línguas humanas evoluem com o tempo, sendo que o Português de hoje é diferente do de há 100 anos (como reconstatou meus frater numa recente visita ao Museu do Pão). Ora a questão é que esta Evolução se processa no sentido da simplificação, ao contrário da Evolução biológica, que muitas vezes se processou (mas não sempre) no sentido de maior complexidade (por exemplo, dos primeiros organismos unicelulares para os multicelulares).

Eis uma constatação que entendo mas que me perturba.

O Grego antigo é mais complexo do que o moderno, já mo confidenciou quem tem a possibilidade de comparar;
o Latim, entretanto extinto mas com diversos descendentes, é mais complexo do que as chamadas Línguas românicas;
as Línguas orientais têm uma complexidade sonora maior (nada mais, na minha limitada capacidade, me posso aperceber) do que a das contemporâneas ocidentais.

Tenho pena que assim seja.

A complexidade de uma língua um forte indicador civilizacional do povo que primeiro a falou.
Uma língua humana surge simples na mesma medida em que é menos civilizado o povo que a fala e complexa na simétrica medida.
Essa complexidade prende-se não só com o vocabulário em uso pela Língua mas acima de tudo com as estruturas gramaticais que a mesma utiliza, o que favorece a qualidade dsa obras literárias.

O Português tornou-se mais complexo aquando dos Descobrimentos, para acomodar os novos povos, línguas, costumes, fauna e flora descobertos. Foi também o período áureo da sua História (e potenciador de Camões ou Pessoa).
A(s) língua(s) falada(s) na Bretanha pré-romana tornou-se (tornaram-se) mais complexa(s) após o domínio romano de quatro séculos, após o qual foi crescendo em influência até dominar o Mundo.
O Latim acresceu em complexidade com a influência cultural grega e após a conquista do heleno país, até ao seu papel de farol cultural do ocidente.

As Línguas românicas surgiram com a civilizada influência latina e são mais complexas do que o Inglês, cujo povo já falava uma versão pré-romana e pré-civilizacionaldo Inglês.

Perante uma língua moderna é possível antever a sua evolução civilizacional pelo grau da sofistificação da sua língua, ao nível das estruturas gramaticais empregues, leque amplo de vocábulos e respeito pela estruturação normativa do discurso oral e escrito.

Aliás, quanto menor a civilidade de um povo (ou pelo menos quanto mais baixa é a expectativa de um povo em relação à sua civilizacionalidade) maior a ânsia de «queimar» estruturas gramaticais, destruir palavras, simplificar discursos, eliminar figuras de estilo e de importar modelos extra-linguísticos.

O Inglês com o seu início pouco promissor há muito tem a sua estrutura estável e imune a influências linguísticas externas. As influências estruturantes do discurso moderno no Inglês provêm de dentro da sua comunidade linguística (maioritariamente dos EUA). A última grande mudança extensa no Inglês falado nesse país foi aquando da incorporação das expressões afro-americanas, o que contribui para esta análise. As culturas africanas, não tecnologicamente mais avançadas, eram culturalmente avançadas. Já um país em que a discriminação racial é ponto de ordem quotidiano encontra-se seguramente num patamar civilizacional inferior aquele onde poderia se encontrar.

O Português, nesta ânsia moderna de esquecer o uso de vocábulos (há um nítido afunilamento dos vocábulos usados e entendidos pela generalidade da população), estruturas gramaticais (de que a incapacidade de compreender e usar promomes pessoais, como por exemplo dizer "Ele disse a mim" em vez de "Ele disse-me") e a rápida dissiminação de estruturas linguísticas externas à língua (a generalidade das estruturas no Português oriundo do Brasil tem origem na tradução literal de vocábulos e expressões estado-unidenses).

É, ao contrário da análise mais corrente, triste o Português brasileiro por ter um grau de expectativa da sua civilizacionalidae que o leva a incorporar com tamanha ânsia estruturas estado-unidenses gramaticais.

Mais triste ainda o Português europeu por copiar, com tamanha ânsia, o Brasil que é cada vez mais cópia do Inglês americano. Mais triste ainda por não ter nas suas fileiras autores, poetas e cantores com a qualidade inegável que o povo brasileiro produz com uma taxa tão elevada...


Publicado por Mauro Maia às 22:27
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1 comentário:
De js a 15 de Junho de 2005 às 08:51
... quem fala axim n é gg!
será mais ou menos para estes caminhos que levarão a lingua portuguesa... a actual forma de escrever na net...
FORÇ'AÍ!
js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt


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