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Diário das pequenas descobertas da vida.
Quinta-feira, 19 de Maio de 2005
Vaca, a Espezinhadora
Tubarão branco</br>
Eis o animal que mais pavor e universal terror provoca nos seres humanos. Mas não é o que mais pessoas mata pelo Mundo. E há outros animais que matam seres humanos mas que não inspiram o mesmo tipo de terror: tigres, serpentes, crocodilos, aranhas,...</br>
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O número de mortes anuais por ataques de tubarões é de 10 (com um registo de 60 ataques anuais a nível mundial).</br>
Curiosamente o número de pessoas mortas anualmente por espezinhamento por vacas é de 1000.</br>
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Vaca planeando o seu próximo ataque. ;)</br>
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As vacas matam 100 vezes mais pessoas por ano no mundo do que os tubarões!</br>
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Porquê essa discrepância entre o número de pessoas realmente morto por tubarões e o medo que inspiram?</br>
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Os tubarões nunca foram muito apreciados. Até os Japoneses só lhes comem a barbatana dorsal (bárbaros!). Mas não passavam de peixes do mar alto, com que poucas pessoas alguma vez tinham contacto na vida.</br>
~ Talvez o facto de os tubarões serem os reis num universo em que o ser humano geralmente se desloca com a graciosidade de um bebé a aprender a andar aumente o terror. Sentirem-se impotentes e incapazes de agir torna as pessoas bastante nervosas.</br>
~ Talvez a visão daqueles dentes afiados como punhais lhe dê um aspecto sinistro, mas eu pessoalmente prefiro que haja o aspecto e menos o assassínio. Jack, o estripador, não parecia nada o que era (se não teria sido preso) e foi assassino.</br>
~ Quando, na década de 70 do século XX, se publicou o livo Jaws e o respectivo filme de Steven Spielberg, estes vinham pejados de ideias pré-concebidas e destinadas unicamente a manipular o terror criaram a imagem de um assassino frio, uma máquina de morder e engolir. Na verdade os tubarões têm a inteligência comparável à de um cão. Não são assassinos, os únicos assassinos no Mundo são os Homens. Os outros animais (incluindo os tubarões) caçam para comer.</br>
Tubarão</br>
Talvez tudo isso contribua para a fama (demasiadas vezes injusta) dos tubarões. Milhares de tubarões morrem por ano e no entanto apenas dez pessoas por ano são mortas por eles. Por exemplo, existem imensos tubarões no Mar Mediterrâneo (ver o artigo Ao contrário da crença popular (Biblus)) para mais informações sobre os tubarões brancos mediterrânicos) e nem por isso se houvem notícias sobre mortes nos milhares de turistas que visitam as praias espanholas, francesas, italianas, gregas,...</br>
</br>
46% desses ataques é a mergulhadores, 38% a surfistas, 11% a nadadores e 5% a pessoas em caiaques, sendo a distância entre 50 metros e 100 metros da costa aquela em que há mais ataques.</br>
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O tubarão (isto é, as centenas de espécies de tubarões que existem, desde as minúsculas de poucos centímetros até ao gigantesco tubarão-baleia de 15 metros) é um animal bonito, forte, astuto e magnífico.</br>
Não digo que se adopte um tubarão e se o crie na banheira mas há que ter respeito por eles. Já existem no planeta há 200 milhões de anos.</br>
O ser humano nem 200 mil tem ainda...</br>
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O título é uma alusão ao Jack, o Estripador</br></br>

Circulou, pela internet, a imagem que ilustrava anteriormente o artigo.
</br>
A imagem continha um surfista e o que era afirmado como sendo um tubarão. Mas, por análise da cauda do animal na água, é fácil verificar que é um golfinho. Os tubarões, como todos os peixes, têm as caudas verticais em relação ao corpo. Só os mamíferos marinhos (como os golfinhos) têm a cauda horizontal em relação ao corpo, como o animal da foto.


Publicado por Mauro Maia às 22:56
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7 comentários:
De Nox a 4 de Junho de 2006 às 12:40
Incrível como só reparei neste artigo agora. Sempre tive um certo fascínio por tubarões. Acho-os uns animais magníficos, mas muito mal compreendidos. Quando se sabe um pouco mais, nota-se o grau de refinação que a selecção natural atingiu neles, o modo como já sobreviveram a eras antes da nossa, e como são animais inteligentes. Pena que haja a ideia estúpida (a estupidez grassa pelo mundo...) de que atacam por pura sede de sangue, quando normalmente o fazem por intrusão humana nos seus domínios (o que pode ferir o orgulho de muitos Homo sapiens, que julgam ser donos do planeta...). Um facto que pode ajudar a desmistificar os ataques é que muitos se dão não por fome, mas porque os tubarões exploram frequentemente o seu ambiente com a boca, o que não é muito saudável caso haja um humano por perto...


De Mauro a 5 de Junho de 2006 às 13:19
Sem dúvida, «Nox», os tubarões são animais belíssimos e que «sofrem» interpretações erróneas sobre eles e que não passam de projecções ilusórias das bestialidades humanas (como outro magnífico animal, a orca). A curiosidade do tubarão, aliada à sua ausência de membros e boca cheia de dentes aguçados leva à classificação como ataques actividades exploratórias. Eu não gostaria de ser alvo dessas atenções de um tubarão mas também não me coloco dentro do seu ambiente natural. Como já disse sobre as orcas, o ser humano projecta sobre outros animais os seus inatos defeitos: os tubarões são por natureza tímidos e afastam-se dos locais frequentados pelas pessoas (como refiro no artigo, excelente exemplo é o Mar Mediterrâneo). O único animal assassino no Mundo é o ser humano (e há também evidências de que os chimpanzés, esses nossos quase-gémeos genéticos, também tenham esse comportamento entre si). Matar indescriminadamente estes belos animais por incapacidade de os perceber, de lidar com os nossos medos e (a meu ver principalmente) pela sobranceria humana (incomoda imenso a noção de que somos animais como qualquer outro e de que há animais cujas capacidades nos relegam para a mediocridade física que somos, como os tubarões e orca) ou apenas para cortar a sua barbatana dorsal para fazer uma sopa (que é um pouco como apanhar um Ferrari e usá-lo apenas para lhe tirar um pneu para colocar num Mini...) é prova suficiente de que bestas sanguinárias e assassinas como nós!


De Nox a 5 de Junho de 2006 às 18:23
Talvez o principal problema tenha sido a histeria americana depois do "Jaws", e a contaminação do resto do mundo por ela...


De Mauro a 6 de Junho de 2006 às 23:39
Eu penso (e não passa mesmo de uma cogitação minha, sem bases sólidas) que o temor de tubarões antecede largamente o filme. Talvez, sendo válida a sedutora teoria do Macaco Aquático, o medo de turbarões exista desde que nos tornámos humanos na costas marítimas do Rift africano... Sendo ou não verdade, o filme terá mais explorado o temor inato de tubarões do que propriamente o provocado. A não ser assim, provavelmente não teria o sucesso que teve. Holywood é bem conhecida por esgravatar no recônditos mais profundos da psique humana em busca de mais um sucesso de bilheteira...


De Nox a 9 de Junho de 2006 às 00:01
Ou não fosse inato ao ser humano o medo do desconhecido...


De Marta a 27 de Agosto de 2009 às 12:07
Olá.. Ao ler as vossas opiniões fiquei muito contente. sempre me senti única com ideais de um mundo pacífico onde os animais pudessem viver tranquilos sem medos. É tão triste saber que o Homem está neste planeta há tão pouco tempo e já fez tanto estrago. Por vezes sinto que nunca irá mudar e que acabaremos por matar todo o planeta. Porque têm essas pessoas de se armar em donos do mundo quando não o podem ser? Este assunto deixa-me realmente muito triste, principalmente porque infelizmente a maioria das pessoa acha que quem importa são os Homens. Não sei onde iremos parar, e também já não sei o que fazer mais.


De Mauro a 27 de Agosto de 2009 às 19:04
Percebo-te, «Marta». Infelizmente parece-me que não há nda que uma só pessoa consiga fazer nesta situação. O que todos nós podemos fazer é dar o nosso exemplo, procurar desmistificar noções erradas, educar as nossas crianças de outra forma, nomeadamente mudando histórias infantis com personagens como o «Lobo Mau». Neste mundo de pedofilia, falar de «Homem mau» era bem mais produtivo e deixavam de instilar esses medos absurdos em crianças pequenas sobre um animal tão fantástico como o Lobo. Recordo-me de terem reintroduzido uma matilha de lobos no Parque Yellowstone, nos EUA, para reverter a desertificação do parque. É que a sua falta levava a um sobrecrescimento da população de Caribús e à desertificação progressiva do parque devido às plantas que eles comiam e pisavam. Os lobos existiam no parque mas foram caçados até desaparecerem no final do século 19.


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