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Diário das pequenas descobertas da vida.
Sexta-feira, 13 de Maio de 2005
por Nada
Nada
Constato que o Nada não existe.

Em nenhum momento ou local </i>deste</i> Universo houve ou há alguma coisa que se possa realmente classificar de Nada.



Por exemplo, o que ocorrerá mais facilmente a qualquer um como exemplo do Nada, o vácuo de Espaço (o imenso espaço que há entre estrelas, planetas, cometas,...), não é verdadeiramente um vácuo:
~ por muito poucas que sejam, sempre partículas numa dada quantidade de Espaço que se julgaria «vazio>;
~ em qualquer ponto do Universo há Luz ou qualquer outra radiação eletro-magnética presente. Luz é Energia e Energia é Algo, diferente do Nada;
~ mesmo onde não chega qualquer radiação há sempre milhares, milhões de uma partícula sub-atómica, o neutrino, que não tem massa e quase não reage à matéria. Passam por segundo, através da Terra, através de nós, milhares. Entram num lado da Terra e saem na antípoda. Se há sequer um neutrino o Nada não existe.
~ mesmo que o Vácuo Perfeito (sem Luz, matéria, neutrinos, sem fosse o que fosse) há sempre a criação espontânea de pares de partículas/anti-partículas em qualquer vácuo (como garante o Princípio da Incerteza de Heisenberg). Esses pares de partículas e anti-partículas existem duramente fracções de segundo e rapidamente se anulam mutuamente numa explosão de raios gama. Onde há partículas e energia o Nada não existe.

Um outro exemplo que poderá ocorrer a alguém é os Buracos Negros, esses corpos de estrelas já «falecidas» que são tão pesados que tudo quanto existe na sua vizinhança é sugado para o seu interior: partículas, Luz, energia, neutrinos, outras partículas, estrelas, planetas,... Mas então pode-se dizer que num Buraco Negro não há coisa alguma, que há só Nada, porque tudo é sorvido para o seu interior e desaparece? Não. Steven Hawking, um dos maiores físicos da actualidade, estudou teoricamente os fenómenos ocorridos em volta desses magestosos glutões espaciais. E o que descobriu foi que os Buracos Negros, apesar de tudo absorverem, emitem radiação!. Tem a ver com o par partícula/anti-partícula que falei anteriormente. Quando esses pares de partículas surgem espontaneamemte a uma certa distância de um Buraco Negro, uma das partículas é absorvida pela imensa gravidade mas a outra não e prossegue a sua jornada em busca da sua companheira entretanto desaparecida. Muitas destas situações ocorrem perto de um Buraco Negro e o conjunto de todas as partículas que perderam a sua companheira pode ser detectado como radiação vinda do Buraco Negro. A essa radiação dá-se o (justo) nome de Radiação de Hawking e já foi detectada no Espaço vinda de um Buraco Negro.
(Para mais sobre Buracos Negros e outros resíduos estelares ver o artigo Est(rel)as)

Até em termos de conceito o Nada não pode existir. O Nada é pelo menos uma coisa, a palavra que o designa. Se há uma palavra há algo, se há algo não existe o Nada

O Nihilismo fracassa assim que nasce...


Publicado por Mauro Maia às 00:32
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33 comentários:
De Rui a 13 de Maio de 2005 às 14:20
Existe uma história do Tio Patinhas em que o Pardal descobre que existem, efectivamente, bolsas de nada no Universo, e então partem para as ir buscar. E porque é que o tão muquirana, avarento, forreta pato está interessado no nada? Ora, porque a partir do momento em que ele tem nada, declara que tem nada aos impostos e, como tal, deixa de pagar impostos - pois os impostos pagam-se a partir de uma percentagem do que se tem, e se tem nada, nada pode pagar. Confuso? Ainda mais, porque depois o nada escapa, e como é nada, tudo o que toca também se torna nada, o que levanta depois ainda mais problemas: o nada dentro do nada era fácil de ter, mas e o nada dentro de tudo, será que é nada? Portanto, sempre que sou assaltado por estas ideologias, faço como um outro animal famoso das BDs: bato uma sorna num galho e espero pelo jantar.


De Mauro a 13 de Maio de 2005 às 14:55
Sem dúvida as BDs da Disney foram sempre incontáveis momentos de diversão (para um miúdo) e momentos de profunda reflexão sobre conceitos díspares. Lembro-me da questão da Quantidade/Qualidade e de como me pós a reflectir sobre o assunto em tão tenra idade. (O Donald estava a fazer uma dieta qualquer e tinha de tomar uma quantidade certa de pão integral. Só que ele tomava, para desconserto dos 3 sobrinhos, o triplo da quantidade porque "se um faz bem 3 fazem melhor". Se estava a fazer uma dieta tinha de moderar a quantidade para melhorar a qualidade, mas estava a fazer o oposto: procurando a quantidade estava a diminuir a qualidade. Penso que foi a partir daí que passei a valorizar a qualidade em oposição à quantidade)


De Carlos Rodrigues a 28 de Janeiro de 2008 às 10:34
Sem dúvida que o nada é a mais abstracta das metafísicas sem considerar o seu terrível poder para baixar a auto-estima de qualquer pessoa, criar depressões e crises existencialistas que já levaram e continuam a levar muita gente ao suicídio e à criminalidade, dir-se-ia que o nada sem ser é poderoso. Na matemática, os menos dotados no assunto, que sabemos ser a maioria da população mundial, de maneira nenhuma aceitam que a base da matemática seja uma linha recta onde o zero é o meio, meio sem nenhum matemático saber explicar, e a extremidade do lado esquerdo é o infinito menos que nada e do lado direito o infinito mais que nada, -1,-2,...ad infinitum é menos que nada, isto significa que menos dois é menos nada que menos um, para não aceitar tal absurdo uso o teu erróneo conceito de qualidade versus quantidade, qualquer matemático concorda que menos um e mais um são ambos quantidades, logo, não são nada, mas sim, quantidades. E qual as suas qualidades? Os números podem aplicar-se a qualquer objecto, excepto o nada que não tem objecto, mas na matemática ao contrário do mundo físico não podemos atribuir à matemática qualidades físicas, em matemática uma coisa só está correcta se tiver uma explicação matemática, isto é, tem de ser da matemática para a matemática, um matemático tem de se abstrair e pensar como a matemática. então devo informar que os números negativos são quantidades assim como os positivos e o zero é a qualidade de qualquer quantidade. Carlos Rodrigues


De Carlos Rodrigues a 6 de Fevereiro de 2008 às 09:49
Não dizer «nada» é dizer alguma coisa?


De Mauro a 6 de Fevereiro de 2008 às 11:48
Bem, «Carlos Rodrigues», tude dependerá do contexto. As regras da lógica assim o dizem: a engação de «Nada» é «Alguma coisa» ou «Tudo». Claro que o uso corrente, em Português e outras línguas latinas (Português, Espanhol, Francês, Italiano) é o de que a dupla negação é um reforço da negação e não, como o diz a Lógica elementar, uma afirmação. As línguas germânicas (Inglês e Alemão) não cometem este disparate lógico na conversação: uma dupla negativa não se usa para reforçar a negativa. Esse é um traço que nos ficou, a nós povos latinos, do Baixo Latim, falado pelo estratos mais baixos da sociedade romana e do qual descendem as supracitadas línguas. No artigo «Duplex negatio» (http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/821470.html) fala-se mais sobre esta questão.


De Carlos Rodrigues a 8 de Fevereiro de 2008 às 10:21
Começo por transcrever todas as coisas que escreveste que significam nada na cogitação anterior, porque se fosse em tudo o que já escreveste era uma enorme trabalheira. «dupla negação», «reforço da negação», «não», «não cometem», «dupla negativa», «não se usa», «reforçar a negativa» e «duplex negatio». Realmente parece ir contra o senso, «não» contra a Lógica, se um nada não existe como pode haver mais que um nada? Na Matemática existe um número infinito de operações que resultam nada. Na verdade, uma sucessão de infinitos sempre maiores uns que outros, no mundo físico tem sido Lavoisier que continua a ter razão. Também não sei quem percebeu primeiro que eu mas a Matemática tem coisas planas que o mundo físico não tem, e tem coisas iguais que o mundo físico também não tem. Portanto, não baseies a tua lógica elementar na Matemática porque esta é apenas uma ferramenta que raras vezes consegue adaptar-se ao nosso estranho e absurdo mundo físico. Uma máxima minha de uma lógica «não» matemática é: um nada menos que nada é o impossível ter morrido antes de ter sido concebido», coisa analógica a um dos resultados absurdos da relatividade no âmbito dos paradoxos que seria viajar no tempo.


De Mauro a 11 de Fevereiro de 2008 às 14:04
Bem, «Carlos Rodrigues», já que assim começas, começarei por novamente te fazer compreender que há outros Mundos fora de ti, outras noções além das tuas, outraos conceitos diferentes dos teus e conclusões a que nunca chegarias. Agradeço-te a transcrição das minhas palavras, uma vez que a mesma reforça bem como confundes tão facilmente a tua incapacidade de compreenser com ausência de compreensibilidade. Lógica matemática É a lógica do Universo, é a lógica que se formou espontaneamente quando a energia e matéria do Universo começaram a interagir no Big Bang. Percebo que não compreendas as minhas palavras, não presumas é que elas são destituídas de compreensão: o Mundo não se mede pelo diâmetro do nosso umbigo. Há negações e há afirmações, no sentido lógico do termo, como bem estudou o matemático De Moivre. Na Lógica matemática e na Lógica do Mundo físico, o contrário de um não é um sim. Uma dupla negativa torna-se uma afirmativa e é preciso apenas muito má-vontade para insistir em não ver isso. Quanto a basear a minha Lógica «elementar» na Matemática, posso apenas dizer-te que a Matemática tem várias faces, é a Deusa Chiva do conhecimento humano: é uma ferramenta para entender o Mundo e é o funcionamento do Mundo, tanto é a Criadora como a Destruidora. Eu não posso basear a minha Lógica «elementar» na Lógica matemática porque a Lógica é inerentemente matemática: a que não é não é Lógica, e apenas vontade casmurra de ter razão. As tuas auto-citações são bem um espelho da distorção lógica com que encaras o Mundo. Eu agradeço-te a visita e o comentário.


De Carlos Rodrigues a 11 de Fevereiro de 2008 às 21:30
Pareces irritado, procuro ter calma por me atribuires os nadas da «incompreensão» que tanto me castigas. Continuarei a citar, sempre em primeiro lugar, as vezes que «reproduzes» o nada. «outros mundos fora de ti», este é um nada que todos têm a nível universal, uns mais que outros. « outras noções além da tua», este é deveras curioso, acredita-se que existem questões eternas que de época para época têm novas inferições, mas acaba naquela estória da verdade de ontem ser a mentira de amanhã, pergunto eu, qual será a mentira final? seja como for só é uma opinião se não for de facto uma convicção partilhada pelos Pares.«outros conceitos diferentes dos teus» este nada também é e não é, a palavra conceito está mais próxima do talvez do que o somatório de « um contrário de um sim é um não», o somatório é compares esta tese com a antítese onde a antítese é a tese e a tese é antítese, qualquer coisa como com sem e sem com. «conclusões a que nunca chegarias» acho que sabes a anedota do «não digas nunca», aqui aplic-se: «outros mundos fora de ti» e o que comentei acerca.« incapacidade de compreenderes» aqui usas-te a dupla negação, «incapacidade» que translada compreensão em «incompreensão». «que não compreendas», mesmo que um dia se consiga colocar a «lógica» do universo numa equação eu faria duas questões: e antes do universo e depois do universo?, Lógica matemática é a lógica do universo, não merece resposta, não estavas calmo quando escrevreste este cogito, pois não?«que não compreendas» «não presumas» «destituidas de», apenas um comentário, estás a mostrar insegurança quanto ao significado dos significantes. «o mundo não se» pelo que eu sei ainda alguém será acusado de ser o próprio universo, para mim este mundo é reles, de certeza que há universos infinitamente mais seguros que este,« há negações e afirmações» aplica-se o princípio de que o oposto de sim é não e o não pode ser o sim num sistema inverso ao par sim-não, onde o sim é não, já te ofereci a minha obra mas tu és orgulhoso, paciência,... «má vontade», já foi explicado, paciência outra vez, mas vou reforçar, uma dupla positiva é uma negativa, «não ver isso», (estou a ficar cansado,acho que uns não vêem, uns não percebem, e outros não aceitam, mas deve haver mais,...)depois acabas a dizer que a matemática é o próprio mundo, paciência outra vez, não acredito mas acredito que é dificil intuir um mundo sem matemática ou haver uma matemática completamente original, mas eu tenho o problema de acreditar em tudo, paciência também para mim, vou terminar com algo estupidamente lógico para uns e profundamente abstracto para outros: se o nada não existisse ninguém deveria ter a noção da não-existência,...termos a noção do significado do nada é algo sinistro, é a subjectividade ter valores iguais mas opostos à objectividade, uma verticalidade de que não conseguimos fugir, a definição de oposição é como por exemplo, o impossível está a uma «distância» infinita do possível, mas,...


De Carlos Rodrigues a 12 de Fevereiro de 2008 às 11:46
«constato que o nada não existe», dupla negação: «nada» «não existe», mas sei o que pretendes dizer: demonstro que o nada é nada. tal coisa é não-demonstrável, não-demostrável é sinónimo de nada. Mas ao assumires que demonstras, o nada é teu, faz parte de ti, e eu digo: se eu não tiver um braço não posso demonstrar que o tenho, já tu «constatas» que o nada é nada, e «é» entre ambas as palavras, o que é?


De Carlos Rodrigues a 12 de Fevereiro de 2008 às 12:09
«luz é energia e energia é algo, diferente do nada;» lamento, luz «não-é» energia, luz é um elemento físico, energia é o movimento-trabalho que realiza «um» elemento físico, de outra «forma» a energia é um elemento virtual,...«diferente do nada», temos aqui a figura de estilo da comparação, para efectuarmos uma comparação necessitamos, no mínimo, de dois elementos, onde geralmente pretendemos realçar um deles. tu dizes que «algo» é «diferente» de «nada», algo e nada são os dois elementos, e diferente a qualidade de algo, para que a qualidade de algo esteja correcta é necessário ter a certeza do que é o elemento «nada»,... enfim só dispões de um elemento e são necessários, no mínimo, dois, para estabelecer uma comparação.


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