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Quarta-feira, 11 de Maio de 2005
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O crescente islâmico O símbolo cristão é a Cruz, onde foi morto o fundador da religião;
Para sermos mais precisos, como bem salientou Rogério Pereira no comentário que aqui deixou, foram os seus discípulos que a fundaram baseados nos seus ensinamentos.
o símbolo judeu é a Estrela de David, símbolo do seu grande rei (que na sua juventude terá morto um filisteu de nome Golias com 3 metros), um grande general e pai do célebre Salomão;
o símbolo islâmico é o Quarto Crescente, que figura na maioria das bandeiras dos países islâmicos (curiosamente não figura na da Indonésia, o mais populoso país muçulmano do Mundo, que é simplesmente duas faixas horizontais, a superior vermelha e a inferior branca)

Mas de onde veio o símbolo? O que representa?

O uso desse símbolo religioso é anterior ao Islamismo.
Maomé, no século VII, ensinou uma nova religião às tribos nómadas politeístas da Arábia Saudita, após ser visitado pelo Arcanjo Gabriel (o mesmo que anunciou a Maria que daria à luz Jesus). O Arcanjo falou-lhe de Alá e ditou a Maomé o equivalente à Tora judaica e à Bíblia cristã, o Corão. Como Maomé era analfabeto (segundo a tradição islâmica) só uma intervenção divina poderia ter escrito o livro. Isso constitui, para os povos islâmicos, a prova da origem divina do Al Corão («al» é o artigo definido em árabe, o equivalente ao «o» e ao «a» português. Daí, por exemplo, «algarve»: do árabe al garb, que significa «o ocidente», uma vez que este era o território mais ocidental que dominavam).

Islão Durante a vida de Maomé, toda a Península Arábica foi convertida ao Islamismo e, após a sua morte, os árabes rapidamente converteram e/ou conquistaram muitos povos e nações.
Um desses povos convertidos, os Turcos, oriundos da Ásia, venceu e conquistou o Império Bizantino (a cor-de-rosa no mapa), o antigo Império Romano do Oriente, que tinha como capital Constantinopla (anteriormente chamada Bizâncio). Mudaram o nome da cidade para (o actual) Istambul e adoptaram, como seu símbolo, (do povo turco mas não da sua religião islâmica) o Quarto Crescente, que era o símbolo da cidade de Constantinopla.
O Quarto Crescente tornou-se o símbolo de um povo islâmico (o Turco) e não de todos os povos islâmicos. Então como se tornou identificado com a religião islâmica?

Os árabes converteram muitos povos na sua expansão geográfico-religiosa, entre esses povos os Turcos. Acontece que os Turcos viriam a ser o principal povo islâmico, em vez dos árabes, fundando o seu Império, chamado Otomano, em 1300 e passando até a governar os próprios árabes. O seu Império estendia-se da Grécia até à Península Arábica e Norte de África. Após a derrota na Iª Guerra Mundial (em 1918), ao lado da Alemanha e da Áustria-Hungria, o Império dividiu-se nas diversas etnias que o compunham (Sudão, Irão, Iraque, Turquia,...). Após deixarem de ser ocupados pelas tropas francesas e inglesas, usaram, para simbolizar o que tinham em comum (a religião) o que anteriormente tinham em comum, o Império Otomano (o Turco), através do seu símbolo, o Quarto Crescente.
Por isso, os países de religião islâmica do Médio Oriente e Norte de África têm, na bandeira, o Quarto Crescente (o símbolo do antigo Império Otomano). Os países islâmicos que não fizeram parte do Império Otomano (como a supracitada Indonésia, que fica entre o continente asiático e a Austrália) não têm.
Há países muçulmanos que não fizeram parte do Império, como a Indonésia ou o Afeganistão, que não têm o crescente na sua bandeira. Há excepções, como o Egipto, de países que fizeram parte do Império Otomano e que não adoptaram o Quarto Crescente, mas a generalidade dos países que anteriormente fizeram parte do império têm.
Há algo caricato sobre o símbolo que devo realçar (resulta caricato pela designação que, em Português, se dá às fases da Lua, apesar de não ser assim noutras línguas).
Lua Minguante C O símbolo é uma das fases da Lua e é designado (o símbolo) por Quarto Crescente (por exemplo, o equivalente da Cruz Vermelha nos países muçulmanos é o Crescente Vermelho. Mas a fase representada não é o Quarto Crescente, é o Quarto Minguante.

Agradeço ao Nelson o ter chamado a atenção para o facto de que, no Hemisfério Sul, o «C» é mesmo o Quarto Crescente e o «D» é mesmo o «Quarto Minguante». Mas apenas a Indonédia é o país maioritariamente islâmico no Hemisfério Sul (e uma pequena ponta no sul da Somália em África) mas nenhum destes países tem uma fase da Lua na sua bandeira (a da Indonésia são apenas duas faixas horizontais e a Somália azul com uma estrela). E a designação de «crescente» e «minguante» é também dependente da língua que se fala (é assim em Português e é «crescent» e «gibbous» em Inglês. Seria interessante saber como será a designação em Árabe...). A conclusão é de a fase da Lua representada no «Crescente vemelho» é mesmo o Quarto Minguante na grandessíssima mairia dos países islâmcios por estes se situarem no Hemisfério Norte.


Lua A mnemónica que uso desde criança para saber qual é qual é: se parecer um C é Decrescente (minguante), se parecer um D é Crescente.


Lua Crescente D Assim o Islamismo é a religião do Quarto Minguante... (no Hemisfério Norte!)
Também se percebe porque não o designam assim. Ninguém quer ter uma religião minguante, o que querem é uma religião crescente...

Querem o símbolo mas não querem o nome...



Publicado por Mauro às 00:18
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66 comentários:
De Mauro a 4 de Maio de 2009 às 18:55
Agradeço, «Rogerio», a atenção dada ao artigo. É verdade, o Cristianismo em si mesmo não foi fundado pela figura histórica de Jesus de Nazaré e tenho até dúvidas se ele reconheceria ou aprovaria esta instituição religiosa que o tem como figura central e a quem deu o nome através do título «Cristo» (Messias). Não deixa de ser a figura central do Cristianismo, que se fundou sobre as bases judaicas das quais nasceu como seita no século I da nossa era. É uma pequena correcção de de assaz importância. É sempre bom sermos precisos quando tal não complexifica em demasia a mensagem. A figura histórica de Jesus e a figura histórica de Maomé são neste ponto bem diferentes. Ambas as religiões fundam-se sobre os seus ensinamentos, mas Jesus não criou a instituição religiosa enquanto Maomé o fez. Agradeço-te a chamada de atenção e a precisão e adicionarei essa nota ao artigo. Obrigado.


De Rogerio Valmir Pereira a 4 de Maio de 2009 às 16:18
Olá. Meu nome é Rogério V. Pereira, graduado em Ciências da Religião pela UNISUL - Palhoça/SC e Pós Graduado na área pela FURB - BLUMENAU/SC.
Gostaria de comentar sobre a informação dada sobre o cristianismo, onde é colocado que o fundador do Cristianismo foi Jesus. Jesus era Judeu e morreu como tal. Quem fundou o Cristianísmo foram os Apóstolos de Jesus após a sua morte algum tempo depois.


De Mauro a 14 de Fevereiro de 2009 às 12:57
A Bock, como a nossa Superbock... Mais um tipo de cerveja oriundo da Alemanha e do jejum monástico. Sei, no passado recente, os aspectos negativos (isto é até um eufemismo) vindos de lá (por culpa de um austríaco histérico a quem fez falta ser casrtado em tenra idade ou quando foi ferido na Iª Gurra Mundial). Mas a História, Cultura, Ciência, Filosofia, Música europeias pouco seriam sem os inquestionáveis contributos germânicos. Confesso-me admirador das suas gentes e do(s) país(es) (incluindo, mas não exclusivamente, a Áustria, outra grande pátria germânica). Tanto assim que me encontro a aprender a língua, a que cada lição me apresenta novos, intricados e belos aspectos desta língua fundamental para a identidade europeia (nunca esquecer que a Europa pós romana/medieval foi fundada por povos germânicos que, da Bretanha à Itália, de Portugal à Áustria, ocuparam o anterior Iimpério Romano (do Ocidente), expulsaram ou integraram as gentes romanas desses territórios, assimiliaram a cultura romana e fundaram os alicerces para os modernos países europeus. Mais do que saber se a Religião Católica devia ser incluída na Constituição europeia como um pilar da Europa (não nego a sua importância histórica) a cultura germânica, passada e presente devia ser referida como um fundamental pilar.


De . a 14 de Fevereiro de 2009 às 09:23
E a bock, não esquecer a bock. Até muito recentemente não sabia que se tratava de uma classe de cerveja. Nem que na sua génese estava essa concepção curiosa que os monges tinham do jejum ;-) Bom fim de semana


De Mauro a 13 de Fevereiro de 2009 às 11:36
Não querendo parecer anti-patriota mas nada há de «comezinho» na cerveja, muito menos nas alemãs (de que sou fã, pelo que bebo muito pouco para apreciar e não apenas engolir). A vida monástica, estranha como é aos meus leigos olhos, teve as suas contribuições decisivas para o Mundo: os doces conventuais portugueses (tendo sido criado em Aveiro, nunca poderia esquecer os seus ovos moles); as cervejas alemãs (que saudades de um copo de Weissen Bier ou do Oktoberfest...); as coontribuições genéticas de Mendel (mas não para o «gene pool» da Humanidade, já que era monge) ou mesmo a inacreditável precisão dos mapas do século XV de Fra Mauro, num tempo em que muito do Mundo não tinha sido ainda visto por olhos europeus. Uma questão que agora me ocorre é a de saber se houve monges/freiras que tenham contribuído para o avanço da Ciência além de Mendel... Foi também na Wikipédia que tive um primeiro vislumbre do que é um Díodo de Zenner (e de que o seu funcionamento está igualmente ligado ao Efeito de Túnel) mas não tinha prestado atenção ao Díodo de Túnel. Mas fá-lo-ei agora que mo referiste. Ao que sei, os monges alemães aperfeiçoaram as suas cervejas (famosas no Mundo inteiro, ainda que nem sempre se conheça a sua origem como as Pilzner, as Budweiser,...) como mitigação do jejum a que eram obrigados: como eram líquidos não contavam como quebra de jejum mas com a cevada e com o seu teor alcóolico, que adiciona bastante teor calórico: apenas a gordura, com 9 cal por grama, tem maior teor calórico do que o álcool, com 7 cal por grama.


De . a 12 de Fevereiro de 2009 às 21:05
Hoje de manhã estava a reflectir sobre este assunto dos díodos e a pensar que tinha confundido os efeitos - já lá vão uns anos desde que estudei estas matérias :-) O díodo Zener baseia o seu funcionamento num outro fenómeno, designado por efeito de avalanche. Há um outro tipo de díodo, denominado precisamente de efeito túnel, que recorre a este efeito quântico para funcionar. Tem (ou tinha) aplicação em circuitos electrónicos de alta frequência/velocidade. Era usado, por exemplo, nos circuitos de disparo de osciloscópios de frequências elevadas. Tem uma característica curiosa: quando polarizado de uma determinada maneira, exibe uma resistência negativa; ou seja, quando se aumenta a tensão eléctrica que lhe é aplicada, a corrente eléctrica que o percorre diminui em vez de aumentar. No entanto, estive a fazer uma rápida pesquisa na Internet e parece que o efeito túnel também está presente no díodo Zener, juntamente com o já referido efeito de avalanche. Mais informação aqui ( http://en.wikipedia.org/wiki/Zener_diode ) e aqui ( http://en.wikipedia.org/wiki/Tunnel_diode ), entre muitos outros sítios.

Quanto a Darwin, Mendel e à vida monástica, ressalvo a aplicação do adjectivo "comezinho" à cerveja. Nada na cerveja é comezinho! ;-)


De Mauro a 12 de Fevereiro de 2009 às 11:50
Não conhecia o Díodo de Zener mas já percebi que utiliza o efeito de túnel nos electrões para, como dizes, estabilizar a tensão eléctrica (de acordo com o Acordo Ortográfico, a partir de 2012 passaremos a escrever «elétrico» mesmo, já que este «c» é uma consoante muda). Mas do microscópio de varrimento por efeito de túnel tinha conhecimento. A Mecânica Quântica lidera mesmo os avanços tecnológicos do século XXI (e final do XX). A biografia de Einstein é uma excelente recomendação de leirua, como me parece que poderá ser a biografia de Darwin (neste ano que comemora o seu nascimento e a publicação da «Origem das espécies»). Não sou, confesso, grande adepto de «actualidades» e o que «está a dar neste momento»: para mim o tempo é o supremo juíz e o que vale a pena é imune À sua passagem e é relevante independentemente da data. Mas a figura de Darwin, a sua biografia e qualquer uma das suas obras resistiu ao crivo do tempo, mesmo tendo em conta que, na nosssa perspectiva neo-darwinista, que funde genética e selecção natural, possam parecer destituídas de alguma fundamentação de base, uma vez que ele não tinha ainda conhecimento do trabalho de Mendel (caso para referir um caso em que uma vida monástica contribui decisivamente para o progresso do mundo fora dos muros do mosteiro. Outro caso, mais comezinho, será o dos doces conventuais portugueses e as cervejas alemãs).


De . a 11 de Fevereiro de 2009 às 18:23
Sim, creio que foi esse o livro que folheei há tempos numa livraria. Mas tinha a ideia (errada) de que o teletransporte tinha sido incluído na classe III. O efeito túnel tem aplicações na electrónica: está na base do funcionamento de um dispositivo que dá pelo nome de díodo Zener e que é usado como estabilizador da tensão eléctrica em fontes de alimentação. E constitui, também, a essência do funcionamento do chamado microscópio de efeito túnel. Como tal, talvez venha, de facto, a ser usado numa máquina de teletransporte. Quanto mais não seja no teletransporte de portadores de carga eléctrica de um lado para o outro de uma junção PN :-) Outra leitura interessante será, talvez, a da biografia de Einstein que foi recentemente editada. Até há pouco só conhecia a que foi escrita por Abraham Pais.


De Mauro a 10 de Fevereiro de 2009 às 19:46
Curiosamente, encontro-me neste momento a ler esse mesmo livro: «A Física do Impossível» de Michio Kaku e já vi alguns programas apresentados por ele (ou no Odisseia ou no História ou talvez em ambos). Interessante, sim. Neste momento encontro-me na «Invisibilidade», em que ele fala de Metamateriais (substâncias cujas propriedades se devem à sua estrutura e não à sua composição). Eu, como apreciador de boa ficção-científica, não posso deixar de apreciar a temática do livro (ainda que apreciasse maior profundidadde e tenha consciência que, daqui a alguns poucos anos, este livro estará desactualizado). Os 3 graus de classificação de impossibilidade são: Classe I - Tecnologias hoje impossíveis mas que não violam as leis físicas conhecidas neste momento (teletransporte, motores de antimatéria, telepatia, telecinese, invisivilidade); Classe II - tecnologias que se situam nos limites das leis físicas neste momento conhecidas (máquinas do tempo, viagens no espaço-tempo e através de «wormholes»); Classe III - Tecnologias que violam as leis da física conhecidas neste momento. Mas o que é considerado possível hoje não o é necessariamente amanhã. Relembro aqui uma citação do grande físico Lord Kelvin, mencionada no livro na página 54: «A Rádio não tem futuro. As máquinas voadoras mais pesadas do que o ar são impossíveis. Os raios X revelar-se-ão um embuste» (1989). Tudo previsões que a nossa tecnologia provou não estarem correctas. Também me recordo que Lord Kelvin afirmava que a Terra não podia ter os mais de 4 mil milhões de anos porque já teria arrefecido, de acordo com as Leis da Termodinâmica, pelo que não haveriam vulcões. Desconhecia o descaimento atómico que mantém o núcleo metálico do nosso planeta em ebulição.


De . a 10 de Fevereiro de 2009 às 12:37
A propósito do teletransporte da matéria, folheei há tempos um livro de Michio Kaku que, se não estou em erro, abordava esse tema. O autor é um conhecido divulgador de ciência e tentava prever alguns dos avanços tecnológicos que a ciência poderá proporcionar a curto, médio e longo prazo. Dividia-os em três categorias, consoante o grau de dificuldade envolvido. Obviamente, o teletransporte pertencia à última.


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