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Diário das pequenas descobertas da vida.
Terça-feira, 1 de Maio de 2007
A Lágrima do Leão

As armas e os barões assinalados

Que, da ocidental praia lusitana,

Por mares nunca de antes navegados

Passaram ainda além da Taprobana, (...)

 

   Quem seja lusófono (e somos já de perto de 170 milhões no Mundo inteiro, num total de mais de 6 mil milhões e 500 milhões de seres humanos existentes no início do século XXI, ou seja, mais de 2,5% da população mundial) ter-se-á já cruzado com estas estrofes iniciais d'Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. A muitos terá ficado a questão de saber o que é ou o que foi exactamante a «Taprobana». Alguma cidade mitológica? Algum monstro marinho rival do Adamastor? Um continente? Uma ilha? Um rei? Uma nação? Uma cidade? Já anteriormente, em Pessoa (in)completa se abordou uma questão similar, uma relação estabelecida entre o Binómio de Newton e a Vénus de Milo feita por Fernando Pessoa.

 

   Mas e quanto à Taprobana? Alguns afortunados terão recebido alguma resposta a esta questão. Os ainda mais afortunados terão recebido uma resposta correcta a esta questão. E a verdadeira resposta tem tanto de simples como de maravilhosa. A Taprobana é uma ilha, com a forma apropriadamente de uma lágrima (fazendo lembrar as lágrimas portuguesas com que se fizeram os Descobrimentos). Aliás, uma das alcunhas da ilha é mesmo «Lágrima».

 

   A História desta ilha estende-se até à Pré-História, 2 mil e 500 anos de História (escrita, portanto) e cerca de 125 mil anos de Pré-História (não escrita, obviamente). Tendo em conta que o Ser Humano (Homo Sapiens Sapiens) existe há sensivelmente 150 mil anos, é fácil ver que esta ilha é conhecida da Humanidade quase desde o seu aparecimento.Monte Sri Pada ou Pico de Adão Curiosamente, esta ilha é vista como o berço da Humanidade pelas 3 principais religiões monoteístas do Mundo. Pensa-se geralmente em Jerusalém como o local considerado sagrado por 3 religiões diferentes (duas delas com origem na outra, a mais antiga). No entanto, nesta ilha, existe um Monte considerado sagrado por 4 religiões diferentes: o Judaísmo, o Cristianismo, o Islamismo e o Budismo. Nesse monte (conhecido como «Sri Pada» ou «Pico de Adão») existe uma pegada (de um pé esquerdo) que as 3 religiões monoteístas consideram como sendo a pegada do primeiro Homem (Adão para as 3, uma vez que todas são baseadas na mesma fonte, os escritos judaicos) e, para o Budismo, é a pegada deixada por Buda quando ascendeu aos Céus. Para mais sobre Buda ver o artigo O Príncipe e a Roda, que fala do grande rei indiano Açoka e da sua conversão ao Budismo.

 

   Durante milhares de anos a ilha foi governada pelos seus habitantes. Uma das dinastias, a Dinastia Sinha, governou 2 mil anos, e a ilha foi conhecida durante muito tempo como Sinhala. Entretanto a ilha foi invadida pelo Reino da Kalinga (ver, sobre este reino e a sua influência em Açoka, também o artigo O Príncipe e a Roda). Depois da conquista de Kalinga por Açoka, o filho deste (de nome Mahinda) introduziu o Budismo na ilha. Devido aos contactos que a Índia teve com os europeus, através das conquistas de Alexandre Magno (ver os artigos Magna Bybliotheca e Kara vistoria para mais sobre este grande conquistador grego) os povos europeus tiveram conhecimento da Índia e da ilha.

 

   Depois da divisão do Império de Alexandre pelos seus generais, um geógrafo de nome Megástenes foi embaixador de Seleuco I (um dos generais de Alexandre e que ficou com as possessões asiáticos do Império) na corte de Chandragupta, o fundador da dinastia Máuria e avô do já referido Açoka. Chandragupta notabilizou-se como general, unificando grande parte da Índia sobre o seu reinado e tendo derrotado as tropas de Alexandre Magno quando este invadiu a Índia, impedido assim a expansão grega para o território indiano. Megástenes viajou por todo o Império Máurio, descrevendo a Cordilheira dos Himalaias e uma grande ilha, existente a sudoeste do continente indiano, a que Megástenes deu o nome de Taprobanê (do nome indiano «Tâmraparnî», que significa «Folha de Cor de Cobre», devido à vegetação da ilha).

 

   Quando os Portugueses lá chegaram (em 1506), na sequência de uma tempestade no mar, encontraram uma ilha dividida em (pelo menos) 4 reinos principais: Kotte, o mais importante e aonde aportaram os barcos portugueses, Sitawaka, Kandy (no centro montanhoso da ilha) e Jaffna (no norte da ilha). A expedição portuguesa era liderada por Lourenço de Almeida, filho do primeiro Vice-rei da Índia, Francisco de Almeida (nomeado 3 anos antes, em 1503) e deixou, na Baía da Cidade que encontraram (a actual Colombo, capital financeira da ilha, vizinha da capital admnistrativa, Kotte) o típico Padrão que os nossos navegadores deixavam nas praias desconhecidas a que aportavam.

 

   Alguns anos depois, o terceiro Vice-rei português, Lopo Soares de Albergaria, enviou um grande contingente militar, dando início à conquista da maior parte da ilha. A conversão dos nativos da ilha à religião católica e repressão da religião budista começou também (e, ainda hoje, muito depois da presença portuguesa na ilha, 3% da população é católica e tem nomes portugueses próprios e de família). Os Portugueses chamaram à ilha Ceilão, nome derivado de Sinhala, o nome que os habitantes locais davam à ilha (em consequência da dinastia bimilenar Sinha, como visto acima). Camões, quando escreveu os Lusíadas, recorreu à designação da Antiguidade Clássica grega, chamando à ilha Taprobana. Um dos nomes pelo qual a ilha é também designada, oficiosamente, é «A lágrima da Índia», devido à sua forma e localização.

 

   A ilha foi sendo progressivamente colocada sob domínio português até que, aquando da união dinástica das coroas portuguesa e espanhola (como consequência da derrota de D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir), os inimigos da coroa espanhola passaram a ser inimigos da coroa portuguesa. Para outras consequências dos 60 anos de união ibérica (1580-1640) ver o artigo Ceuta aeterna dolor. Para um breve apanhado das primeira, segunda e terceira dinastias portugueses ver o artigo Um por todos, que fala dos mosqueteiros franceses, nomeadamente do famoso D'Artagnan.

 

   Além dos ingleses, um outro acérrimo inimigo dos espanhóis (e consequentemente dos portugueses sob domínio filipino) era o povo holandês, que tinha sido conquistado e massacrado pelo imperador espanhol Carlos V, marido de Dona Isabel, princesa portuguesa filha de D. Manuel I. Ambos foram pais de Filipe I (de Portugal, II de Espanha) e, devido ao seu avô português, Filipe viria a tornar-se rei de Portugal. Durante o reinado de Filipe, os holandeses revoltaram-se contra o domínio espanhol, eventualmente conquistando a sua independência. Em consequência da guerra Hispano-Holandesa, as possessões ultramarinas dos espanhóis (incluindo as portuguesas) passaram a ser atacadas pelos navios holandeses (e também ingleses).
Ceilão tornou-se um dos alvos militares dos Holandeses. A ilha, desde que os Filipes governavam Portugal, passou a viver num estado de anarquia e violência, devido à negligência. Por isso, a presença holandesa foi acolhida com agrado pelos habitantes de Ceilão. Estes, em 1638, assinaram com os holandeses o Tratado de Kandi, que dava a esta nação europeia o título de protectora da ilha. A guerra entre os Portugueses e os Holandeses (que durou de 1588 a 1654) passou a incluir o Reino da Kandi. Eventualmente a presença portuguesa na ilha terminou e os Holandeses passaram a dominar a ilha, até 1798 (quando a ilha foi integrada no Império Britânico). Na Guerra Luso-Holandesa, os Portugueses saíram vitoriosos nas Américas e em África (apesar das temporárias conquistas holandesas no Brasil) mas os Holandeses saíram

Igreja Portuguesa em Ceilão

 

 vitoriosos na Ásia, com a Indonésia e Ceilão a ficarem sob domínio exclusivo holandês.

 

   Ao longo dos sucessivos impérios europeus na ilha (Português, Holandês e Britânico) a ilha foi chamada de Ceilão e depois por Ceylon. Em 1948, a ilha ganhou a sua independência dos ingleses, em consequência do fim da IIª Guerra Mundial (3 anos antes). Em 1972, mudou o seu nome para Sri Lanka (que, em sânscrito, significa «ilha resplandescente»). Hoje a ilha, com perto de 67 quilómetros quadrados, tem 20 milhões de habitantes, é cultural e religiosamente diversificada (devido ao seu passado colonial) e é um popular destino de férias, devido também ao seu clima e geografia.

 

Chá Preto do Ceilão

 

Uma das exportações mais conhecidas do Sri Lanka é o «Chá de Ceilão». O inglês James Taylor (1835-1892, 57 anos) introduziu o cultivo do chá na ilha em 1852. Comprou um terreno de 310 metros quadrados e fez a primeira plantação de chá na ilha. Um outro inglês, Thomas Lipton visitou a ilha e passou a vender o chá de Taylor na Europa e América. O chá é ainda hoje conhecido como Chá de Ceilão (o nome da ilha quando Taylor e Lipton iniciaram a sua comercialização), apesar do nome da ilha ter mudado para Sri Lanka. Hoje, a bandeira da ilha é uma das mais curiosas do Mundo, com um leão (o povo da ilha) dourado armado com uma espada na pata direita (a soberania da ilha), num fundo vermelho com quatro folhas de figueira (uma das espécies de figueira, a Ficus Religiosa) em cada canto (a influência budista). A toda a volta uma faixa amarela (o clero budista) e, à esquerda, duas faixas verticais, de tamanho igual, verde (a fé islâmica) e amarelo-açafrão (a etnia tamil, predominante na ilha). A espécie Ficus Religiosa é diferente da dos figos geralmente consumidos em Portugal. Estes são da espécie Ficus Carica. Um outra espécie conhecida de figos, a Ficus Elastica, produz o conhecido látex.

 



Publicado por Mauro Maia às 09:56
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10 comentários:
De Oscar a 1 de Maio de 2007 às 22:45
Coloquei uma questão na Cogitação FEZ-SE A LUZ, como o último comentário lá já data de 2006 gostaria que o SR. Mauro Maia olhasse a cogitação, digo isso pois sou leigo no assunto e não sei se o SR. vai ler este pedido logo. Muito grato, abraços Oscar


De Maria Papoila a 2 de Maio de 2007 às 10:06
Virei ler o resto do artigo. Quanto ao prémio, creio ser perene dado a ideia ser melhor explicada aqui
http://www.thethinkingblog.com/2007/02/thinking-blogger-awards_11.html.

A ilha em forma de lágrima que produz bom chá vai dar uma linda história.
Beijo


De Mauro a 2 de Maio de 2007 às 14:16
Também eu, «Maria Papoila», estou ansioso para ver de que forma a Taprobana se manifestará aqui no Cognosco. Poderá ser estranho, mas os artigos, muitas vezes, acabam por se fazer quase de forma autónoma. O tema é este, a camoniana Taprobana, a História da ilha, a sua ligação aos Descobrimentos e outras informações relevantes estão reunidas. De que forma é que se reuniram num todo coerente, ou que aspectos serão previligiados em detrimento de outros é que eu desconheço à partida. Já me aconteceu, sobre algum tema X, quer falar de A, B e C. E, no final, ter falado de B e C e ainda de D. O Cognosco, por vezes, parece ter uma mente própria. Claro, sempre condicionada à inha disposição e possibilidades. Mas acho que sim, a Ilha da Vegetação Vermelha tem tudo para dar uma história (a par da sua História) bonita. Não necessitas, «Óscar», de temer pela falta da resposta à questão deixada em outro artigo. Recebo sempre uma notificação sempre que um comentário novo é deixado, independentemente do artigo e da data em que o último comentário foi deixado. E faz parte do espírito do Cognosco (e assim tem sido sempre feito) nunca ignorar qualquer comentário e dar resposta às questões colocadas. Sobre esta questão em particular, não serei mais do que um leigo interessado, mas tenho já algumas considerações (algumas delas em parte contidas no artigo) que atempadamente deixarei.


De deprofundis a 7 de Maio de 2007 às 11:06
É sempre um prazer passear a mente por estes belos artigos. Esclarecedores de algo mais que simples curiosidades. Abordam temas interessantes e abrangentes num portentoso manancial de cultura e erudição.
Artigos, à primeira vista demasiado extensos, que se devoram com avidez e chegam a parecer demasiado curtos.
Um abraço.


De Mauro a 7 de Maio de 2007 às 12:17
A História, «Deprofundis», desta ilha e da sua relação com os Portugueses é realmente fascinante. Obviamente que não posso assumir como a-priori meus a totalidade dos factos que o artigo refere. Mas a erudição, neste Mundo de globalização e de internet, estará mais na procura do saber e não na quantidade de saber acumulado, pondero eu. Claro que é preciso conhecimento para gerar conhecimento (e foi esse aliás um dos motivos que esteve na génese do Cognosco). Quem sabe não virás um dia a incluir no teu blog fotografias desta lacrimejante ilha, dos vestígios portugueses nela existentes (e resistentes) e da famosa «Pegada de Adão» (de que não consegui encontrar uma fotografia)... Obrigado pela visita e pelo comentário.


De Maria Papoila a 7 de Maio de 2007 às 16:44
Querido Mauro:
Só hoje aqui vim e como calculava o artigo iria ser desenvolvido com pormenores que desconhecia. A Bandeira do Sri Lanka é fascinante e desconhecia o significado de todo o seu simbolismo. O chá para uma apreciadora é do melhor que se produz.
Beijo


De Mauro a 7 de Maio de 2007 às 17:37
Também eu, «Maria Papoila», sou apreciador de chá (mas igualmente, confesso, de bom café). Foi em parte como resposta ao teu comentário anterior que adicionei a «pequena» História do «Chá do Ceilão». Não fossem os Filipes e quem sabe se em vez da bica ser a bebida usual em Portugal se não seria o chá... É sempre óptimo receber a tua visita!


De Nica de "Baby Blog" a 7 de Maio de 2007 às 17:42
_**_** • Vim conhecer seu
_**___** cantinho, que gostei
_**___**_________**** muito.
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_**__**_______*___**___** a que
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..::¨`•.* FELIZ DIA*¸.•`¨
.(¸.•*(¸.•*´ `*•.¸)*•.¸).


De O Alcovital a 27 de Junho de 2007 às 23:20
Sim, com certeza que me encontro deveras agradado com este blog. Só o descobri hoje e já me cativou - como "aquela cativa que me tem cativo" parafraseando também o nosso Camões - ele que me perdoe, mas sou bem mais "zarolho" -conhecia a Taprobana do poema, mas desconhecia, devido talvez à zarolhice,de que se tratava na verdade do Ceilão. Muito nos conta o nosso amigo Mauro e muito gostamos nós de o saber. De lágrimas de leão nunca tinha ouvido falar, conheço as lágrimas de donzela, lágrimas de coração despeitado, de viúva inconsolável, de amor acabado, de homem injustiçado, de mãe com filho aprisionado. Conheço lágrimas de cristal de diamante lapidado, de alegria e de mau fado. Ah e também lágrimas crocodilo, que talvez chore, quem sabe, por não beber um cházinho do Ceilão. De felino apenas o Dente de Leão, por sinal uma flor da qual se faz um belo vinho num bonito conto de Ray Bradbury "A cidade fantástica"- em inglês " Dandelion Wine". Voltando à lágrima em forma de ilha, aproveito para dizer que, infelizmente, a nossa história está cheia de factos interessantíssimos e que a maior parte de nós desconhece, eu incluído. Viva o Sri Lanka! Mauro à presidência. Post scriptum: diabos levem os filipes, para além do chá os ingleses também nos levaram o vinho do Porto, se bem que esse foi negócio de outro filipe, um tal do pombal.


De Mauro a 28 de Junho de 2007 às 09:36
Essa, «O Alcovital» do «outro filipe, um tal do pombal» foi muito bem achada: um Sebastião «o inDesejado»... A bárbara cativa que te tem cativo tem-me a mim cativo também... Desconheço se os leões choram mas desconfio que não: os crocodilos excretam o sal que têm a mais através das glângulas lacrimais, como o fazem as aves marítimas. Os leões não têm semelhantes necessidades fisiológicas (e emocionais menos ainda). O desconhecimento de que Taproana=Ceilão é natural. Como digo no artigo, é exactamente porque não costuma ser referido esse facto (ficando a subliminar mensagem de que se tratará de alguma terra mitológica) que escrevi o artigo: de uma curiosidade pessoal para uma procura de resposta para um artigo. Nem imaginas quantos artigos têm tão humilde origem: uma curiosidade minha. Felizmente que a minha curiosidade é sufiientemente grande para justificar 300 artigos (estando, na forja, 35 outras curiosidades para cristalizar num artigo). Ainda bem que aprecias o Cognosco: é, inerentemente, um elogio pessoal que me fazes (um pouco como elogiar um filho a um pai: é sempre motivo de orgulho pessoal para ele). Obrigado. Quanto a ser presidente, espero que não, não teria tempo para fazer o Cognosco...


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