Últimas atualizações
Novo endereço do Cognosco: http://www.cognoscomm.com
Diário das pequenas descobertas da vida.
Segunda-feira, 25 de Abril de 2005
No quarto vigésimo quinto dia do ano
25 de AbrilPara qualquer Português esta é sem dúvida um data histórica: 0 25 de Abril, a implantação da Democracia em Portugal (apesar de assombrada pelo espectro de Comunismo nos primeiros tempos que tanto marcou e marca ainda a nossa Constituição).</br></br>Após anos (1926-1974) de uma ditadura retrógrada e que atirou literalmente Portugal para a Idade Média em pleno século XX e que levou à morte ou mutilação de muitos dos jovens da Nação na infame Guerra Colonial (1961-1974).</br>
Números da Guerra de um Portugal, com (menos de) 10 milhões de habitantes:</br>
o> 800 mil mobilizados;</br>o> 8 mil mortos;</br>o> 100 mil feridos;</br>o> 4 mil deficientes físicos;</br>o> 100 mil vítimas de stress de guerra;</br>o> 40% do Orçamento de Estado destinado em cada ano;</br></br>Como não compreender o grito de revolta de um Povo sangrado durante tantos anos por um regime que afirmava cuidar do país quando cuidava somente de si mesmo?</br>Mas em relação a este tão recente período na História portuguesa há algumas questões mal resolvidas ou respostas mal fornecidas:</br>~ a Revolução dos Cravos é assim chamada porque o Povo, saindo à rua após o levantamento militar, envergava cravos vermelhos, com os quais enfeitou as armas dos militares. Mas de onde surgiram os cravos? Porquê essa flor e não outra? Não houve nenhum esforço concertado para ligar a Revolução a uma flor. A única explicação com que alguma vez entrei em contacto é a de que nesse dia, nas ruas de Lisboa, apenas uma florista vendia flores. As únicas que tinha eram cravos vermelhos. As pessoas, querendo celebrar o seu 1º dia de Liberdade, compraram estas flores. Daí a associação da Revolução com esta cor específica (se bem que não deixa de ser uma grande coincidência a cor da flor ser a cor da ideologia dos jovens militares que fizeram a revolução...)</br>~ Portugal não vivia num regime Fascista. Viveu-se numa opressora ditadura (de direita) mas que não era, nem pretendia ser, Fascismo. As principais diferenças seriam grosso modo:</br>o> apesar do culto ao chefe, este era um de falas mansas, familiar, sem grandes manifestações públicas (ao contrário de Hitler, Mussolini e depois Estaline);</br>o> uma ideologia profundamente católica, ao contrário do paganismo hitleriano;</br>o> a ausência de grandes manifestações populares em que as pessoas entravam num histerismo colectivo. Esta era uma ditadura que promovia a calma e a inacção do seu povo;</br>Assim, apesar das enormes semelhanças (partilhadas como todas as ditaduras, de direita ou esquerda), como a censura, a repressão política, a polícia secreta, o nacionalismo exacerbado, a mitificação da Nação, não era Fascismo. Aliás, o único país fascista da altura era a Itália (e a Etiópia ocupada por ela na altura). Mesmo o Nazismo não era Fascismo (a Itália nunca foi anti-semita, a base da ideologia nazi, e a Itália sempre se conservou Católica).</br>Portugal foi uma ditadura de direita mas não fascista (aliás, existiu em Portugal o Partido Nacional-Socialista, liderado por Rolão Preto, que Salazar rapidamente extinguiu). Portugal foi uma Ditadura de Direita Orgânica (como era Áustria antes da anexação "pacífica" pelos nazis), caracterizada pelas grandes corporações industriais e pela aceitação tácita por parte de todos de uma estratificação da sociedade em classes rígidas (onde um filho de um lavrador seria lavrador, o filho de um opolítico seria politico) que procurava dessa forma eliminar a luta de classes advogada pelos comunistas (o anti-cristo do Estado Novo). </br>Tudo isto dito pode um filho da Revolução, nascido e criado no país por ela criado, gritar:</br></br>Viva a Revolução! Viva Portugal! Viva a Democracia!


Publicado por Mauro Maia às 12:58
Atalho para o Artigo | Cogitar | Adicionar aos favoritos

4 comentários:
De pauxana a 25 de Abril de 2005 às 13:42
Viva! Viva! Viva!


De fm a 25 de Abril de 2005 às 19:45
Fiquei mais esclarecida após ter lido o teu artigo. Reflecti um pouco e algumas ideias começaram a bailar em mim. É certo que vivemos numa Democracia desde 1974, não convivemos com a atroz e temerosa polícia secreta, bem como com a triste e desprezível guerra colonial. Mas não continuamos a viver desde então sob regimes que continuam a cuidar de si mesmos? Defendendo os interesses daqueles que dele fazem parte, subordinando aos seus os interesses reais da generalidade dos portugueses? Sim. Portugueses e portuguesas e não povo - nesta palavra não vejo dignidade quando proferida mas apenas subserviência que relembra os tempos difíceis da época salazarista. O país desde 1974 não segue a linha da ditadura, mas será que existe a total liberdade tão reafirmada nos diferentes campos da nossa sociedade? Penso que existe a vontade de acreditar que assim o é. Vejamos agora a censura, será que ela ainda não está presente na nossa sociedade? Pensemos um pouco... Pois nem sempre é o sonho que comanda a vida do homem mas a mudança nem que seja a do regime político.


De Mauro a 25 de Abril de 2005 às 21:55
A questão de sabermos se vivemos ou não num país onde há verdadeira liberdade só pode ser respondida definindo o que se entende por "liberdade" para que depois se possa saber se é "verdadeira" ou não.
A meu ver, a verdadeira liberdade não é puder dizer tudo o que se quer, é puder dizer o que se quer assumindo as possíveis consequências. A liberdade de quem diz é limitada pela liberdade de a quem se dirige. Se todos fizessem e dissessem o que quisessem não haveria Democracia, seria uma Anarquia. Portanto a minha questão é o que é a liberdade? Como seres sociais e inteligentes que somos temos de gerir a nossa liberdade em função da liberdade dos outros. O verdadeiro problema é que a liberdade e a responsabilidade por ela não costumam andar de mãos dadas. Por isso tem de haver mecanismos de protecção legislativos para que a liberdade de alguém dizer o que quer não interferir com a minha liberdade de não ser difamado. Cada um assume a responsabilidade de dizer apenas a verdade, o correcto? Infelizmente não. Como seres limitados que somos puderemos alguma vez ter a certeza de que as nossas opiniões, ideias, raciocínios são verdadeiros, são correctos? Não também. Infelizmente a nossa liberdade só é limitada pela nossa incapacidade. Pensando em termos platónicos o ideal "liberdade" existe nesse mundo idealizado, só que o conceito é transposto para o mundo que, na visão platónica, é imperfeito. Como puderia então a liberdade ser perfeita num mundo e para seres imperfeitos? Há uma contradição de termos...
Agora, saber se esta liberdade de que gozamos é a melhor que puderíamos alcançar é outra questão. Penso que em termos históricos temos colectivamente (nós, nas Democracias liberais) uma liberdade que nunca um tão grande grupo de indivíduos numa mesma nação teve. Neste momento esta é a melhor liberdade a que pode almejar um ser humano. Penso que o limite para perfeição dessa liberdade estará sempre situado no limite da nossa imperfeição como Humanidade.


De cmaya a 26 de Abril de 2005 às 17:18
Concordo, absolutamente.Viva a democracia.


Comentar artigo

Cognosco ergo sum

Conheço logo sou

Estatísticas

Nº de dias:
Artigos: 336
Comentários: 2358
Comentários/artigo: 7,02

Visitas:
(desde 26 de Abril de 2005)
no Cognosco
 
Cogitações recentes
Obrigado, João, pela contribuição. Não está no art...
Estive lendo sua cogitação à respeito do cálculo d...
Obrigado, Aleff, pelo apreço pelo artigo. Exatamen...
achei muito interessante essa sua forma de ver a l...
Obrigado, Desejo um bom 2014 também.
Artigos mais cogitados
282 comentários
74 comentários
66 comentários
62 comentários
44 comentários
Artigos

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Julho 2016

Março 2015

Dezembro 2014

Outubro 2013

Maio 2013

Fevereiro 2013

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Janeiro 2012

Setembro 2011

Abril 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Maio 2010

Janeiro 2010

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Novembro 2008

Outubro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Abril 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Novembro 2007

Outubro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005