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Diário das pequenas descobertas da vida.
Quinta-feira, 31 de Março de 2005
Guerra biológica
~ 1346 O primeiro uso de agentes bacteriológicos num conflito armado foi em 1346, em Kaffa (actual Feodóssia). Nessa batalha os corpos de soldados Tártaros que tinham sucumbido à Peste Negra foram atirados sobre as muralhas da cidade (sitiada). Já agora a Peste Negra NÃO era a Peste Bubónica nem foi transmitida pelas ratazanas negras...

~ 1710 Durante a Guerra entre a Rússia e a Suécia as tropas Russas aparentemente usaram os cadáveres dos seus soldados mortos pela Peste Negra (que surgiu por várias vezes ao longo da história europeia, se bem que de cada vez menos violenta que a anterior. As pessoas que sobreviviam iam ganhando imunidade) para tentarem provocar uma epidemia junto das tropas inimigas (os pormenores do como não sei).

~ 1767 A Guerra Franco-Índia foi combatida na América do Norte pela França e pela Inglaterra entre 1754-1767. Ambos os lados contavam com o apoio maciÇo (NÃO é massivo. Isso nem existe em Português!) de tribos Índias. Os Ingleses atacaram o Forte Carillon (francês) sem sucesso 2 vezes, sofrendo muitras baixas. Um general inglês, Sir Jeffery Amherst, forneceu às tribos índias aliadas dos Franceses cobertores infectados com o vírus do sarampo. A epidemia matou todos os Índios. Pouco depois o general Amherst atacou com sucesso o Forte Carlillon renomeando-o Forte Ticonderoga. Obviamente a epidemia de sarampo foi indispensável nesta vitória

~ 1917 Na Iª Guerra Mundial agentes alemães inocularam cavalos e gado destinados à França com vírus nos Estados Unidos. Apesar do uso intensivo de cavalos na Grande Guerra obviamente que esta tentativa de Guerra Biológica pelos Prussianos não alterou o curso da guerra.
E muitos mais relatos há, oriundos do século passado (o XX), nomeadamente vindos da Unidade de Guerra Biológia japonesa que infectou milhares de camponeses chineses durante a invasão à China anterior à IIª Guerra Mundial.


Publicado por Mauro Maia às 22:15
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11 comentários:
De Nox a 12 de Abril de 2006 às 20:47
E ouvi que Napoleão, uns tempos antes de marchar sobre Viena, enviou para lá um regimento para preparar o terreno de batalha... um regimento de prostitutas sifilíticas, para enfraquecer o inimigo.
E, já agora, um pedido de esclarecimento: a peste negra não é a peste bubónica?


De Mauro a 19 de Abril de 2006 às 22:20
Não é consensual a tradicional versão da peste bubónica, espalhada pelas pulgas de ratos, ter sido a peste negra. Não me recordo do seu nome, mas um investigador escreveu sobre a peste e constatou algumas discrepâncias entre a peste bubónica (que ainda hoje existe em partes da Índia, por exemplo) e a peste negra. Não há registo de milhares de ratos mortos na altura nas ruas da Europa, cujos corpos mortos já não serviam de alimento às suas pulgas; houve peste negra onde não havia ratos (como a Islândia); os sintomas médicos da peste bubónica não coincidem com os registos da peste negra (a peste bubónica não causa as mesmas erupções por todo o corpo que provocava a peste negra). Foi aventado, por esse especialista, que a bactéria mais verosímil para provocar a epidemia negra na Europa terá sido o bacilo do antrax. Em 2001 alguns investigadores proposeram a hipótese de que terá sido um vírus semelhante ao vírus do Ébola e não uma bactéria. Não há ainda consenso mas está cada vez mais distante a hipótese de a peste negrta ter sido a peste bubónica...


De Nox a 22 de Abril de 2006 às 18:56
O facto de haver peste negra onde não havia ratos pode ser porque, na realidade, estes não são os únicos animais veículos das pulgas que estão infectadas com bactérias da espécie Yersinia pestis. Há casos, actualmente, de transmissão por esquilos, por exemplo. Mas vou verificar os sintomas e ver se descubro alguma coisa.


De Mauro a 22 de Abril de 2006 às 19:33
Se o animal transportador das pulgas não fosse o rato (melhor dizendo, a ratazana negra) a teoria da peste bubónica ser a peste negra cai ainda mais por terra. Não há qualquer registo da morte de milhares de cadáveres de animais peludos nas ruas da Europa da altura. Além de que as ratazanas seriam comuns nas cidades europeias de então, os esquilos (ou outros mamíferos de tamanho pequeno) não eram. E se ratos não havia na Islândia, os esquilos menos ainda. Para que fosse a bactéria da peste bubónica teria de ter sido transportada por pulgas presentes em animais existentes no continente europeu e na Islândia. E esses animais comuns eram muito poucos...


De Nox a 26 de Abril de 2006 às 22:52
Andei a ler umas coisas, o que confirmou a ideia que já tinha. A infecção por Yersinia pestis pode ter duas manifestações. A bubónica (a que aumenta os gânglios linfáticos e cria as tumefacções, os tais bubões) e a septicémica, ou pneumónica. Na forma septicémica, a bactéria está na circulação sanguínea e cria manchas purpúricas que dão uma coloração escura à pele, daí o termo "negra"; além disso, é transmissível pelas gotículas expelidas pelos doentes ao falar, tossir ou espirrar, o que a torna altamente infecciosa. Assim, torna-se desnecessário o vector pulga para a transmissão; faz-se pessoa a pessoa. O Bacillus anthracis (que origina o carbúnculo, como julgo ser mais correcto em português, já que antrax é uma importação dos países anglo-saxónicos) origina de facto uma escara negra no local da infecção, na sua forma cutânea (também há a pulmonar, muito falada no caso dos trabalhadores dos correios dos Estados Unidos no pós 11 de Setembro, bem como a gastro-intestinal). Mas esse não necessita de vector animal obrigatório, embora possa ser uma zoonose. O que é talvez possível é que ambas as doenças, pelos sintomas e por, na altura, serem frequentemente fatais e bastante contagiosas, fossem englobadas sob a mesma designação, julgo eu.


De Mauro a 26 de Abril de 2006 às 23:20
Desconheço os pormenores mais profundos da investigação segundo a qual a peste bubónica não seria a peste negra (só poderei presumir que quam a fez tivesse conhecimento das duas formas, a peste bubónica e a septicémica). Mas surgem-me duas observações: se a peste negra era a forma septicémica da infecção por Yersinia pestis, então de facto não era a peste bubónica, era a «peste septicémica». Dessa forma acrescenta-se apenas mais um contra à hipótese de se tratar da peste bubónica. É uma infecção pela Yersinia pestis mas não é a peste bubónica (se as duas vertentes surgissem simultaneamente não haveria razão para as distinguir...) Mas de algum lado veio e passou a ter transmissão humano-humano... Muito interessante o pormenor que referes de que o termo mais correcto em Português será carbúnculo (em vez do estado-unidense Antrax ou do infinitamente mais horrível Antraz).


De Nox a 26 de Abril de 2006 às 23:53
Posso ter dado a ideia de que as 2 manifestações da peste são algo mais ou menos estanque, mas julgo que se sobrepõem bastante. Ou seja, um doente poderia inicialmente ter os sintomas "bubónicos" e, quando a bactéria entrasse sem circulação, teria os septicémicos. Mas havia aqueles que apenas tinham um ou outro... Embora antraz soe um pouco mal, de facto, penso ser mais correcto que antrax (este tenho quase a certeza que não existe na nossa língua).


De Mauro a 27 de Abril de 2006 às 11:40
Dizes isso por causa do «ax» do fim da palavra, que se lâ «aks»? Já ouvi a teoria de que o «x» com o som «ks» não existe em Português. Mas é óbvio que sim: fixo lê-se «fiKSu», flexível lê-se «fleKSível», eu leio o nome «Félix» como «FéliKS». Não percebo porque surgiu essa ideia de que não há «x» com o som «ks» na língua portuguesa. Claro que há. Penso que acabas por responder à questão sobre o Antrax quando referes que o mais correcto em Português é «carbúnculo». Se se usa Antrax é por importação directa dos EUA e, como tal, não verei problemas com a palavra «AntraX». Que achas desta questão?


De Nox a 27 de Abril de 2006 às 18:39
Não, não é por isso. É porque no pós 11 de Setembro, quando houve a polémica das cartas com pó branco nos correios dos Estados Unidos, se ter falado geralmente em Antrax; e ouvi especialistas da língua portuguesa muito indignados com tal, que a forma de aportuguesar a palavra seria Antraz, etc etc. Resolver-se-ia tudo facilmente com "carbúnculo". Quanto ao "x" como "ks", claro que existe. Pelo menos na minha oralidade... senão como se chamaria um "táxi"? E julgo que, na escola primária (há já muito muito tempo...), quando se faziam uns exercícios de separação de palavras de acordo com a pronúncia do "x", o "ks", ou "cs", estava lá.


De Mauro a 27 de Abril de 2006 às 19:02
Consideras então, como eu, perfeitamente absurda a ideia de que não existe «x» lido como «ks» em Português... Considero que AntraZ é bem pior do que Antrax, tal como Antrax será pior do que Carbúnculo (que, no entanto, não tem o mesmo apelo auditivo, por se assemelhar ao inestético «Furúnculo»). E que justificação davam esses especialistas em Língua Portuguesa para o antraZ? Não me soa nada como mais aporteguesado...


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