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Diário das pequenas descobertas da vida.
Terça-feira, 8 de Março de 2005
Biblus
- O fruto proibido do velho testamento NÃO era uma maçã. A Bíblia não refere nomes. Só diz que é o fruto do conhecimento e que assim que o comeram Adão e Eva passaram a perceber a sua nudez.

- Por falar em Bíblia (nome que vem de Biblos, que significa livro em Grego) Jonas NÃO terá sido engolido por uma baleia. A história que inspirou a de Pinóquio não é assim descrita. Diz que um "grande animal", um Leviatã, engoliu Jonas e o largou passado 3 dias na costa. Em principio tal animal terá sido um tubarão branco. Existem tubarões-brancos no Mediterrâneo. Não se costuma saber isto porque os tubarões são tímidos e não costumam deixar águas profundas. Há registos fotografados, recolhidos, filmados, de tubarões brancos no Mediterrâneo a engolir inteiras as suas presas. Há até o registo de um pescador engolido por um perante o olhar impotente dos seus colegas, descrição perfeita do destino de Jonas.


Publicado por Mauro Maia às 18:13
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10 comentários:
De Rui a 9 de Março de 2005 às 12:41
"Descrição perfeita do destino de Jonas"? Jonas passou três dias na barriga do bicharoco, sem que qualquer travo de digestão tivesse sido iniciado. Será que os bichos da Bíblia não comiam? Será que não necessitavam de comer? Teriam sistema digestivo? Será que defecavam? Reproduziam-se? Aquela história do "sexo dos anjos" pode revelar que os bichos no Céu, às tantas, de bichos não têm nada.


De Nox a 12 de Abril de 2006 às 20:42
Por acaso li há algum tempo que havia um caso de um pescador engolido por uma baleia, posteriormente pescada por colegas seus e, quando a abriram, viram que o desafortunado homem estava, e vivo, ainda que "mal-estimado". Contudo, como o relato é antigo, não sei qual será a sua veracidade...


De Mauro a 19 de Abril de 2006 às 21:58
Penso que a história a que te referes é sobre um pescador de nome James Bartley. Em Fevereiro de 1891, a bordo do baleeiro «Star of the East», junto às ilhas Falkland, um cachalote foi avistado. Duas barcaças perseguiram a baleia, tendo a primeira conseguido arpoá-la mas a segunda sido atirada ao ar pela cauda da baleia. A baleia foi morta e puxada para bordo. Dos dois pescadores que estavam no bote derrubado, um afogou-se e o outro, James Bartley, desapareceu. A baleia foi aberta e, na manhã seguinte, o seu estômago foi aberto. No interior descobriram o inconsciente, mas ainda vivo, companheiro. Reavivaram-no e a única sequela da permanência no estômago do cachalote foi a pele do pescoço, mãos e face ter ficado completamente branca pelos sucos gástricos. No entanto esta história parece mais um mito «urbano» do que uma história credível: é improvável que alguém não sufoque no interior do estômago de uma baleia, estando lá preso várias horas e a baleia geralmente só abrir a boca para se alimentar debaixo de água. Além de que existiu de facto, naquela altura e perto daquele local, um navio chamado «Star of the East», mas este não era nem baleeiro nem tinha um marinheiro a bordo de nome James Bartley. No entanto fica a correcção ao artigo: apesar de algumas baleias terem uma garganta muito pequena (a Baleia Corcunda tem uma garganta pouco maior do que uma bola de ténis), algumas baleias têm gargantas suficientemente grandes para engolirem uma pessoa (os Cachalotes alimentam-se de lulas gigantes, que contam com 6 espécies, de comprimentos entre 10 e 15 metros). Continua, no entanto, a ser tão (in)verosímil que alguém tenha sobrevivido a ser engolido quer por uma baleia quer por um tubarão. No entanto, parece mais razoável que semelhantes histórias (em paricular de pescadores de tempos bíblicos na costa mediterrânica) tenham sido inspiradas por ataques dos tubarões brancos do Mediterrâneo...


De Maria Papoila a 22 de Abril de 2006 às 16:44
Mauro, já tenho o teu selo colocado. Obrigada por mo teres enviado. Interessante artigo e não me parece possível a mim também alguém ter sobrevivido após ter sido engolido por uma baleia. Sabia da exis tência de tubarões brancos nas águas profundas do Mediterrâneo, porque tive um colega italiano que foi para Pemba por praticar mergulho, e vi belíssimas fotos de seus mergulhos no Mediterrâneo. Beijo


De Nox a 22 de Abril de 2006 às 18:59
Sim, de facto a história é bastante inverosímil. A hipótese de sufocar ou partir a coluna vertebral ao ser engolido é bem mais provável. Mas não deixa de ser uma história rocambolesca...


De Mauro a 22 de Abril de 2006 às 19:42
É uma história bastante rocambolesca de facto e provavelmente nem sequer muito criativa: a história original do Pinóquio foi criada por Carlo Lorenzini e pela primeira vez publicada em 1883 e a história do marinheiro engolido por uma baleia viu a luz do diz em 1891 (8 anos depois)...


De Nox a 23 de Abril de 2006 às 12:39
Em vez de ser a lenda a originar o conto infantil, terá sido então o conto a originar o mito urbano... :)


De Mauro a 23 de Abril de 2006 às 20:43
Em ambos devem ter origem na história bíblica de Jonas, se bem que a história de James Bartley terá tido a dupla influência de Jonas e Pinóquio...


De Denise a 23 de Outubro de 2008 às 02:49
É mais viável para o homem crer somente no que é palpável do que no sobrenatural, mas até no que é natural ele se engana. Homem, um ser totalmente limitado e racional, jamais poderá entender o que Deus faz quando quer. Deus é sobrenatural e ordena até aos animais, para cumprir seus propósitos.


De Mauro a 23 de Outubro de 2008 às 10:39
Congratulo-te, «Denise», pela correcção do teu Português ainda que não descortine onde terei afirmado, neste artigo, algo que seja contrário ao que afirmas. Há duas realidades diferentes no fenómeno religioso que considero importante salisntar: a vertente mística e a vertente humana. A crença em entidades divinas acompanha o Ser Humano há muito, talvez até mesmo seja anterior ao aparecimento do Ser Humano na Terra. O Homem de Neanderthal, o nosso muito chegado irmão genético já extinto, foi o primeiro a enterrar os seus mortos com oferendas, como flores. Isto poderá indicar uma consciência religiosa anterior ao Ser Humano, tal como o Fogo foi domesticado muito antes de nós surgirmos, pelo Homo Erectus. Mas as religiões, com toda a sua carga ritual e interpretativa, é claramente um fenómeno humano. Que se creia numa ou mais entidades superiores é uma coisa, ter uma religião formal, com rituais e interpretações próprias é outra. A limitação e a ilimitação que referes aplica-se aqui: enquanto que essa entidade se pode considerar como sendo inescrutável devido à sua natureza, as religiões, os seus escritos e rituais sãso limitados e falhos. Não surpreenderá a existência de tantas religiões diferentes, cada uma tão válida como a seguinte. Se religiões tão próximas como o Judaísmo (a primeira das três a surgir), o Cristianismo (a segunda a surgir de uma seita da primeira) e o Islamismo (uma actualização das duas anteriores), que têm muitos dos mesmos pressupostos básicos, veneram muitas das mesmas figuras religiosas e comungam dos mesmos princípios, não se entendem, isso mostra bem como as religiões, longe de serem um fenómeno místico, geralmente não foram mais do que um fenómeno político-militar. Citar fontes religiosas nunca constituiu uma boa argumentação lógico-filosófica pois, mesmo entre a mesma religião, há princípios morais antagónicos, algo que não é exclusivo das Religiões Cristãs (Ortodoxa, Católica, Protestantes,...) ou das suas inúmeras seitas. As diversas contradições podem (e são frequentemente)explicadas, pontualmente, por entidades externas aos escritos religiosos. Mas a ligação à fonte que inspira a interpretação religiosa (geralmente escritos cuja antiguidade e consequentes cópias ligeiramente diferentes em cada etapa) perde-se. Fica apenas a palavra de mais um Ser Humano que interpreta, à sua maneira pessoal, o que lê. Muitos dos fundamentos Judaico-Cristão-Islâmicos predecem largamente o seu surgimento, encontrando-se os seus fundamentos religiosos em Religiões antiquíssimas (e entretanto extintas), como o Culto a Aton, no Egipto, fonte de inspiração (quando não cópia literal) para muitos dos mais belos textos do Antigo Testamento, ou o Zoroastrismo persa, fonte de muitos dos seus princípios morais (e não esquecer que os Reis Magos eram persas: os Magos eram um dos povos do vasto império persa), ou as religiões Babilónicas e Assíricas, fonte de muitas das suas histórias fundamentais (como o Jardim do Eden ou o Dilúvio). Tudo resumido, chego à conclusão de que cada um acredita no que deseja, no que considera como verdadeiro. Não encontro nenhuma razão fundamental para valorizar uma tradição religiosa em detrimento de outra, pois todas elas têm, no seu núcleo primordial, os mesmo dogmas e ensinamentos. A razão para isso é a mais humana de todas as razões: as religiões são feitas pelo Ser Humano e respondem todas elas às inquietações próprias da nossa espécie. A sua semeçhança básica é bem o testemunho de como são tão humanas todas as religiões.


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