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Diário das pequenas descobertas da vida.
Domingo, 21 de Janeiro de 2007
Primos inter primos

Nos confins do Universo, gira, em torno do seu próprio centro, uma galáxia. Nada a notabiliza de entre a miríade de outras galáxias, nem o seu tamanho (100 mil anos-luz de diâmetro, ou seja, 946 mil biliões, 52 biliões, 840 mil milhões e 500 milhões de quilómetros) nem a sua idade (13 mil e 600 milhões de anos, cerca de 100 milhões de anos menos do que o Universo) nem a sua forma (uma espiral com vários braços). Pertence a um grupo local de galáxias, a que pertencem mais de 30 outras galáxias e todas giram em torno do centro do seu próprio grupo. As inúmeras estrelas que a compõem (perto de 400 mil milhões) nascem, giram em torno do centro galáctico e morrem. Uma normal estrela, a meio da sua vida de 10 mil milhões de anos, na ponta de um dos braços (no «Braço de Órion»), a 26 mil anos-luz do centro (245 mil biliões, 973 biliões, 738 mil milhões e 530 milhões de quilómetros) e ao longo de 250 milhões de anos (a 13 mil e 200 quilómetros/hora), executa o seu bailado cósmico de homenagem ao suserano buraco negro do centro galáctico. A galáxia é a Via Láctea, a estrela é o Sol.


Oito planetas giram em redor do Sol (relembro que Plutão foi despromovido, em 2006, pela União Astronómica Internacional (IAU), devido ao seu tamanho, forma e mesmo origem, à categoria de planeta-anão, juntamente com muitos outros corpos astronómicos). O quinto maior planeta, o terceiro, que se formou há 4 mil milhões e 600 milhões de anos, foi palco de vários acontecimentos incríveis ao longo da sua História: quando tinha 67 milhões de anos, um corpo astronómico (conhecido pelo nome genérico de «Planeta Theia»), com o tamanho aproximado de Marte, «tocou» na superfície. Os detritos libertados reuniram-se num anel à volta do planeta. Ao longo de cerca de 6 milhões de anos, os detritos reuniram-se para formar a Lua, o seu único satélite; quando o planeta tinha 600 milhões de anos, surgiram, na sua superfície, moléculas com a capacidade de fazerem cópias de si mesmas. Foi o início da Vida e essas moléculas foram-se multiplicando e diversificando. Hoje em dia, há mais de 14 milhões de espécies de seres vivos no Mundo (embora menos de um quinto tenha sido classificada e recebido um nome), entre seres microscópicos (a vasta maioria), plantas e animais.

Novas evidências mostram que, quando a Terra tinha já 4 mil milhões e 535 milhões de anos de existência surgiu um grupo de mamíferos que viria a dominar o Mundo, os Primatas.
As características que distinguiam (e ainda distinguem) dos restantes mamíferos incluem:
.:. terem cinco dedos em cada membro;
.:. terem unhas em vez de garras;
.:. terem os olhos virados para a frente (visão binocular) e verem a cores;
.:. terem polegares oponíveis;
Esta última característica não é exclusiva dos primatas, os gambás também têm.
À medida que a tectónica das placas afastava os continentes, os Primatas encontraram-se espalhados pelo Mundo, evoluindo muitas vezes de formas diferentes. Encontram-se, hoje em dia, divididos em 2 Subordens, os Estrepessirrínios (do grego «strepho»+«rhis» que significa nariz encurvado) e os Haplorrínios (do grego «haplos»+«rhis» que significa nariz simples).


Desde há 40 milhões de anos, os Haplorrínios encontram-se divididos em 2 Parvordens:
.:. Os Platirrínios (do grego «platos»+«rhis» que significa nariz largo), representados apenas pelos Macacos do Novo Mundo (ou seja, do Continente Americano).
Como o seu nome indica, têm narizes largos com as narinas viradas para fora. Além disso, são geralmente noctívagos e monogâmicos (formam pares para a vida);
O filósofo Platão recebeu o seu nome devido às suas costas largas, «platos» em grego. Tendo em conta que esta é uma característica física que apenas surge na adolescência, a teoria de que devia o seu nome às suas costas largas remete para a hipótese de que se trataria de uma alcunha. Não havendo qualquer evidência de que tivesse outro nome além de Platão, tudo aponta para que fosse apenas um nome de baptismo, sem ligação a características físicas, tal como alguém chamado Filipe (do grego «philos»+«hippos», amigo de cavalos) não o é necessariamente.
.:. Os Catarrínios (do grego «catos»+«rhis» que significa nariz estreito) que inclui três famílias, os Cercopitecídeos (os Macacos do Velho Mundo, ou seja, África, Ásia e Europa), os Hilobatídeos (os Gibões) e os Hominídeos (os Orangotangos, os Gorilas, os Chimpanzés e os Humanos).
Como o nome indica, têm narizes estreitos e as narinas viradas para baixo. Além disso, são geralmente diurnos e não são geralmente monogâmicos. A maioria vive em grupos sociais.

Esta classificação científica é algo que seria absolutamente surpreendente há pouco mais de dois séculos. A simples noção de que o ser humano faz parte de uma vasta família e de que todos os seres vivos estão ligados a um ancestral comum é uma ideia tão incrível que muitas pessoas continuam teimosamente a rejeitá-la. Mas a Teoria da Selecção Natural e da Evolução Biológica já há muito deixaram o campo incerto de meras possibilidades e encontram-se firmemente implantadas nas certezas do conhecimento humano.

Tudo começou na Inglaterra, principiava o século XIX. A 225 quilómetros a noroeste de Londres, na cidade de Shrewsbury, nasceu, em 1809, Charles Darwin.
Este foi um ano pródigo em nascimentos de vulto: Louis Braille, Edgar Allan Poe, Felix Mendelssohn e Abraham Lincoln, entre outros.
Desde pequeno que mostrou interesse em observar o Mundo à sua volta, fazendo colecções de seixos, conchas, moedas, ovos de pássaros, flores e insectos.
Preocupado com a sua natureza contemplativa, o seu pai, Robert Waring Darwin, quando Charles chegou à idade apropriada, inscreveu-o, em 1825, no curso de Medicina na Universidade de Edimburgo, na Escócia, a 360 quilómetros para Norte.
Quando Darwin nasceu, a França Napoleónica estava no seu período de expansão continental e beligerância com o Reino Unido. Em 1807, deu-se a 1ª Invasão Francesa do território português, com a entrada do General francês Junot, sem resistência, pela fronteira portuguesa e entrando em Lisboa a 30 de Novembro desse ano. No dia anterior, a 29 de Novembro de 1807, a Corte Portuguesa tinha partido para o Brasil para fugir às tropas francesas. Foi este o evento que viria a culminar na Independência do Brasil. No exacto ano em que nasceu Darwin em Inglaterra, 1809, começou a 2ª Invasão Francesa, com a entrada pelo Minho e a conquista da cidade do Porto. Poucos meses depois, tropas portuguesas e inglesas libertaram a cidade e expulsaram os franceses de Portugal. Em 1810 deu-se a 3ª e última Invasão Francesa. Após a derrota, os franceses retiraram. A perene recordação dessas invasões foi a ilegal perda de Olivença para os Espanhóis, que nunca a devolveram, apesar de terem de o fazer. Para mais sobre esta perda ver o artigo Olivença amata filia.

Quando Darwin foi estudar Medicina em Edimburgo, em 1825, nascia, em Portugal, o grande escritor Camilo Castelo Branco e, no recém-independente Brasil, nasce D. Pedro II, filho do príncipe Português (e rei de Portugal durante uma semana) D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil, uma vez que foi este príncipe que, permanecendo no território brasileiro quando a coroa portuguesa voltou ao continente europeu, declarou a independência do Brasil, soltando o famoso grito do Ipiranga «Liberdade ou Morte!»).
Foi também em 1825 que morreu Antonio Salieri, o compositor, tornado célebre pelo filme «Amadeus». Neste filme é retratado como uma figura medíocre e invejosa de Mozart, o que não corresponde à verdade biográfica. Também morreu, neste ano, Alexandre I, csar da Rússia, o inimigo russo de Napoleão.

Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, cavaleiro de LamarckEnquanto esteve na Universidade, Darwin foi exposto à teoria de Lamarck (de nome Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, cavaleiro de Lamarck), de que os caracteres fisiológicos adquiridos pelos progenitores são passados à descendência (por exemplo, de acordo com o Lamarckismo, se alguém é praticante de culturismo e tem, por isso, bícepes muito desenvolvidos, os seus filhos terão os mesmo músculos, devido ao pai e não a exercício físico). O avô de Darwin, Erasmus Darwin, tinha, nos seus escritos desenvolvido uma teoria semelhante, aprofundado depois por Lamarck. Enquanto isso, as aulas de Medicina iam incomodando o sensível Darwin, uma vez que as lições e as experiências eram conduzidas em seres humanos vivos, numa altura em que a anestesia era inexistente. Numa dada altura, foi conduzida uma operação sobre uma criança. Darwin abandonou a sala de operações a meio, incapaz de suportar os gritos da criança, gritos esses que o perseguiriam durante anos.

Apenas 2 anos após o ingresso na Universidade (em 1927), o pai da Darwin, convencido de que o seu filho não tinha inclinação nem vocação para ser médico (como ele próprio era), retirou-o do curso de Medicina e inscreveu-o num curso de Belas Artes, no Colégio de Cristo, na Universidade de Cambridge. O objectivo era que o filho se tornasse clérigo, vindo a usufruir do bem-estar económico da classe sacerdotal. Mas, para Darwin, o Colégio de Cristo funcionou como umas férias pagas de 3 anos, anos esses, segundo o próprio Darwin, «lamentavelmente desperdiçados a rezar, beber, cantar, namorar e jogar às cartas.»

Charles Darwin em 1831, com 22 anosMas estes 3 anos foram igualmente proveitosos, tendo Darwin travado conhecimento (e amizade) com o professor de Botânica John Stevens Henslow. Foi Henslow que o introduziu a Robert Fitzroy, capitão do navio Beagle. A primeira impressão de Fitzroy em relação a Charles Darwin não foi das melhores.
Na altura, estava na moda a «Frenologia», a pseudo-ciência que defende que a personalidade e o carácter de um indivíduo podem ser avaliados pela forma exterior do crânio. Esta pseudo-ciência foi fundada pelo fisiologista alemão Franz Joseph Gall, na sua obra de 1796 «A Anatomia e Fisiologia do Sistema Nervoso em geral e do Cérebro em particular». Gall defendia que o cérebro é a sede da inteligência e dos sentimentos, que o cérebro é constituído por 27 «órgãos», cada um responsável por um traço de personalidade (o colaborador de Gall, Johann Spurzheim, alargou a lista depois para 37) e ainda que a forma do crânio se adapta às formas dos «órgãos» mentais que se situam abaixo dele. Estudando então a forma e tamanho do crânio, seria possível avaliar a personalidade e a inteligência do indivíduo. Mas a Frenologia desde a sua origem foi construída como uma pseudo-ciência: em vez de se recolher dados e sobre eles formular uma teoria, foi construída deturpando alguns dados e inventando outros, de modo a que se encaixassem na teoria. Mas, tal como a pseudo-ciência Astrologia foi a origem da ciência Astronomia ou que a pseudo-ciência Alquimia deu origem à ciência Química, a Frenologia veio a dar origem à ciência Neurologia. Mas, pela primeira vez no mundo moderno, o cérebro foi identificado como a sede da mente...
Fitzroy olhou para o jovem Darwin, de 22 anos, e achou, pela forma do seu nariz, que este não tinha nem a mentalidade nem a energia necessárias para se ser um bom cientista. Acabou por aceitar o jovem a bordo, tendo em perspectiva as conversas científicas que poderia ter com o jovem, ao longo dos inúmeros jantares que uma missão de 5 anos (o Beagle deixou a Inglaterra em 1831 e voltou em 1836).

Durante os anos que esteve nos mares da América do Sul, Darwin teve o privilégio de apreciar vários exemplos dos mistérios da vida. Com a precisão de um cientista e a imaginação de um poeta (pois todo o cientista é um poeta que canta a natividade do pensamento humano no Mundo), reuniu, observou e classificou seres e objectos com que ia entrando em contacto, procurando reuni-los numa teoria coerente e explicativa. Também, nesta viagem, a sua índole humanista foi-se manifestando, como no dia em que viu, na costa brasileira, uma escrava idosa e um grupo de escravos fugitivos que, em vez de se deixar capturar pelos seus perseguidores, preferiram atirar-se de um penhasco. O comentário de Darwin foi «Se fosse uma matrona romana, seria considerado um exemplo de nobre amor à liberdade. Numa escrava, será visto como selvagem obstinação.»
Durante toda a vida foi um fervoroso oponente da escravatura em qualquer das suas formas. Foi este o espírito que partilhou com o seu contemporâneo americano Lincoln...

Com os dados que recolheu na viagem do Beagle, Darwin pode formular, a sua Teoria de Evolução. Em 1859, com 50 anos, publicou o seu livro «Sobre a Origem das Espécies pela Selecção Natural», na qual se explica a multiplicação da diversidade dos seres vivos. O aumento do número de seres é superior ao aumento da provisão dos alimentos (uma população animal cresce exponencialmente e os alimentos crescem linearmente). Resulta daí uma concorrência entre todos os seres vivos para os alimentos e o espaço disponíveis. Os mais bem adaptados ao meio conseguem sobreviver e deixar mais descendentes e os outros estão condenados a desaparecer (ou os seus descendentes menos adaptados). De cada vez que o ambiente muda, de cada vez que as circunstâncias são diferentes, os seres vivos mais adaptados podem tornar-se os menos adaptados e a diversidade da vida vai crescendo por sucessivas adaptações ao meio e a sua transmissão aos descendentes. Mas Darwin teve o cuidado de deixar de fora a espécie humana nesse primeiro livro, antecipando sérias controvérsias com a sociedade da altura.

Foi apenas em 1871, quando publicou o seu livro «A Ascendência do Homem», que Darwin abordou o sensível tema das semelhanças anatómicas e comportamentais do ser humano e dos grandes símios (chimpanzés, gorilas e orangotangos). Nele, mais uma vez reunindo provas factuais, mostrou que a diferença entre o ser humano e os (na altura?) intitulados «animais inferiores» são uns curtos passos. Desde que foi publicado, o livro foi alvo de diversos ataques, tanto honestos como difamatórios. A ideia de que «o Homem descende do Macaco» nunca foi defendida por Darwin. Na verdade, e tendo em conta as inúmeras semelhanças, são na verdade primos genéticos do Homem, descendentes de um ser que antecedeu ambos.

Esta ideia enferma ainda de uma outra concepção profundamente errada, e a que a Língua Portuguesa (na sua vertente popular) tem dado alento e sustento.
Como explicado em cima, a vasta família directa do Ser Humano é a ordem biológica «Primatas» (do latim «primas» que significa excelente, nobre, o primeiro), devido à sua semelhança com os seres humanos. Dentro da ordem primata há duas subordens, os «Estrepessirrínios» (chamados também prossímios) e os Haplorrínios, que incluem os Társios e os Símios. Ora, é dentro desta última (a infraordem dos Símios) que estão incluídos os macacos, os gibões e os símios superiores.

São três infraordens bem diferentes, cada uma com as suas características e descendem todos de um mesmo primata (que não era obviamente um macaco, que surgiram depois).
Há 58 milhões de anos, os Haplorrínios dividiram-se em 2 ramos, os Társios e os Símios. Há 40 milhões de anos, os Símios do continente americano separaram-se dos Símios dos continentes europeu, africano e asiático. Há 25 milhões de anos, separaram-se os grandes símios dos restantes símios.

Daqui decorrem as quatro divisões dos primatas do Mundo actualmente existentes:
prossímios (como os lémures de Madagáscar), os társios, os macacos (do Novo e do Velho Mundo), os gibões e os grandes símios. Os seres humanos fazem parte destes últimos, juntamente com os chimpanzés, gorilas e orangotangos.
Durante muito tempo, na Escola, aprendeu-se, nas aulas de História, lições sobre os Hominídeos. Estes eram vistos como o conjunto dos antepassados já extintos do Ser Humano (Australopitecus, Parantopos e Homos). Mas, desde meados do século XX, esta categorização foi revista. Neste momento, os Hominídeos incluem todos os Grandes Símios (Humanos e os seus antepassados, Chimpanzés, Gorilas e Orangotangos).
Uma característica visual permite distinguir os Hominídeos (os grandes símios) dos restantes primatas (apesar de não ser absolutamente correcta em termos científicos, á um bom auxiliar contudo): a ausência de cauda. A maioria dos primatas possui caudas, algumas maiores outras pequenas. Geralmente só os hominídeos (os grandes símios, como nós) não têm cauda, possuindo o Osso do Cóccix, no fundo da coluna vertebral.



Ou seja, longe de sermos descendentes dos macacos somos seus primos. É já muito conhecida a semelhança genética entre os Seres Humanos e os Chimpanzés (até há pouco tempo calculada em 98,5% mas actualmente revista em 95%) remete mais para uma relação de irmãos do que para uma relação entre primos. Aliás, de entre todos os grandes símios, não há nenhum mais próximo dos chimpanzés do que os humanos. Formamos uma tribo aparte (no sentido biológico do termo), os Homininos. Os demais grandes símios pertencem a tribos diferentes.

Por estas razões, e tendo em conta a absoluta recusa de qualquer forma de violência para com seres humanos, só posso se não execrar coisas como A Aldeia dos Macacos (note-se a violência de colocar seres inteligentes entre quatro paredes, sem terem cometido qualquer crime, a par da incorrecção científica da designação, uma vez que a «Aldeia» inclui os nossos irmãos genéticos Chimpanzés).
Há ainda incorrectas traduções do inglês «ape» (que se refere à superfamília Hominoidea, que inclui Gibões, Orangotangos, Gorilas, Chimpanzés e Humanos) para «macaco», que pertencem a famílias diferentes e incluem os Macacos do Novo Mundo e os Macacos do Velho Mundo. O filme «Planet of the Apes» não podia ter pior tradução do que «Planeta dos Macacos». É aqui que a Língua Portuguesa falha, ao nível popular. Não há termo adequado, na linguagem popular, que corresponda a «ape». Mas qualquer coisa menos «macaco»...

Neste pequeno planeta, girando à volta de um normal sol, de uma normal galáxia, recusamos estender a mão a quem nos é mais próximo, tanto outras pessoas como os nossos irmãos e primos genéticos. Somos ainda uma espécie infantil, que surgiu há apenas 150 mil anos, comparados com os 4 milhões de anos que a Vida tem neste planeta. E o ritmo a que destruímos o nosso quarto de dormir e atiramos papa para o chão é assustador.

Tantas violências familiares e linguísticas são de pôr os cabelos em pé a qualquer um...
Cria de Macaco Careca (Macaca arctoides)

E como pode alguém honesta e imparcialmente olhar para os bebés dos quatro grandes símios e não ver quão próximos todos somos?! Como muitas vezes acontece, a verdade vem das crianças...
Bebé ChimpanzéBebé Orangotango
Bebé Gorila

No título «Primeiros entre os primeiros»


Publicado por Mauro Maia às 15:14
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9 comentários:
De deprofundis a 26 de Janeiro de 2007 às 14:41
Apesar de tudo, há ainda quem defenda (e ataque os outros por isso) que o Homem foi criado directamente por um deus. Como se o código genético do homem, só por acaso, fosse demasiado parecido com os de outros primatas. E como se fosse necessário a esse deus criar um universo todo com milhares de milhões de anos de existência para, num minúsculo astro (que não pasa de um grão de areia em relação ao Cosmos)colocar um ser criado à sua imagem e semelhança mas com defeitos suficientes para, de vez em quando, merecer as chamas do Inferno...


De Maria Papoila a 27 de Janeiro de 2007 às 10:33
Mauro que dizer de um artigo pormenorizado sobre a evolução da Terra e da vida na terra. Nunca gostei da Aldeia dos Macacos no Zoo e nunca gostei de ver representações de chimpanzés no circo, talvez porque dede criança reconhecesse os laços genéticos que me ligam a esses nossos primos... Parabéns pelo artigo. A foto é extraordinária.
Beijo


De Mauro a 27 de Janeiro de 2007 às 15:11
Quer-me parecer, «deprofundis», que quem ataca opiniões contrárias às suas não está muito certo das suas e, como tal, sente a necessidade de compensar as suas fragilidades argumentativas com o extremismo das suas posições. Nada encontro de incompatível entre crenças religiosas e o facto de os outros grandes símios fazerem, connosco, uma família de laços estreitos (já que há laços comuns a todos os seres vivos deste planeta). De que forma alguém conciliria a crença numa «criação especial» e as evidências astronómicas seria curioso de perceber... Realmente, «Maria Papoila», é uma grande violência sentenciar seres tão inteligentes e próximos de nós a uma pena capital não tendo cometido delitos. Também gostei muito da fotografia (faz lembrar um Einstein juvenil, não faz?) e é bem elucidadtiva quanto ao grau de proximidade que temos com os nossos primos (primos porque se trata de uma espécia de macaco, se fosse um chimpanzé seria um nosso irmão). Se encontrar alguma fotografia de um rande símio recém-nascido acho que a adicionarei ao artigo...


De PN a 29 de Janeiro de 2007 às 21:51
Já há bastante tempo consegui conciliar a resposta religiosa com a resposta científica para a história da criação do mundo. É, na verdade, muito simples, basta ter em consideração que a Bíblia é um livro de características alegóricas, em particular o Livro de Génesis, que no fundo recupera mitos já existentes noutras religiões.
Quanto aos nossos primos, respeito-os imenso.
Obrigada por mais este excelente artigo.


De Mauro a 29 de Janeiro de 2007 às 23:31
Essa era também, «PxN», a perspectiva do extraordinário divulgador científico Carl Sagan: ele considerava a Bíblia como uma série de alegorias curiosamente ajustáveis aos conhecimentos científicos actuais. Em particular no seu livro «Os Dragões do Éden» ele faz várias abordagens a esse paralelismo, principalmente em relação ao Génesis: a expulsão do Jardim do Éden, depois de Adão e Eva terem comido o Fruto Proibido
(O Fruto do Conhecimento do Bem e do Mal) é uma alegoria ao desenvolvimento da inteligência humana, antes de a termos vivíamos na inocente sobrevivênvia dos animais e, ao adquirir Inteligêcia (e portanto pudermos escolher para lá dos nossos instintos). Assim que passámos a saber avaliar o que é o Bem e o Mal, fomos alegoricamente expulsos do Éden da inconsciência animal. Estas e outras abordagens alegóricas de Carl Sagan podem ser encontradas em
http://nautilus.fis.uc.pt/softc/Read_c/gradiva/2008.htm


De Nox a 31 de Janeiro de 2007 às 20:28
Uma breve mas interessante história da evolução. É curioso que nos Estados Unidos da América haja agora pressões, em determinados estados, no sentido de se ensinar o criacionismo como teoria científica tão válida como a selecção natural. Parece-me que as pressões selectivas por lá estão a seleccionar os menos aptos intelectualmente...


De Mauro a 1 de Fevereiro de 2007 às 09:09
É um debate, «Nox», que parece já ser antigo (em especial nos EUA) e que espelha bem as dicotomias desse país. Se, por um lado, a investigação e a aplicação de critérios científicos para a aceitação de um determinado corpo de conhecimentos é valorizado, por outro lado, a ainda pressões no sentido de acatar como válidos corpos de conhecimento cuja base de sustentação é a autoridade e o costume religioso. Cada um será livre para, em termos pessoais, reger a sua vida pelos critérios que lhe aprouverem, mas é outra coisa bem diferente querer impor esses mesmos critérios pessoais a outros. Mais curioso ainda parece ser o facto de se querer pôr em pé de igualdade o Criacionismo bíblico e a Evolução científica, quando à partida se nega a validade do conhecimento científico: quererão os defensores da introdução do Criacionismo igualá-lo a uma teoria que consideram errada? Isso parece conduzir à conclusão lógica de que querem dar ao Criacionismo o estatuto de falsidade (o mesmo que dão à Evolução científica)...


De Fiju a 18 de Fevereiro de 2007 às 00:43
Sempre achei fascinante ler sobre a evolução da nossa espécie. Portanto, este artigo foi deveras extraordinário.
Contudo, gostava de ressaltar a ideia de que no meio de tanta matéria no universo, creio que haverá em algum sítio, seres com inteligência. Não digo humanos, porque para se chegar até ao homo Sapiens, foi necessário uma grande selecção e conjugação de genes fantástica! E com muita sorte deu-se o acaso de dar um ser vivo inteligente! Mas deveríamos ser mais racionais no que toca à nossa sobrevivência. Pois não cuidamos do nosso habitat e estragamo-lo com coisas supérfluas como o servir no momento e deitar fora sem aproveitar.
Parabéns por continuar a escrever artigo interessantes! Até já tinha saudades de visitar o teu blog! Boa continuação de fim de semana.


De Mauro a 18 de Fevereiro de 2007 às 17:26
A vastidão do Universo, «Fiju», torna a existência de inteligência extra-solar uma certeza. Claro que, a meu ver, há uma clara diferença entre a existência de inteligência extra-solar e a existência de OVNIS. A estrela mais próxima da nossa (e portanto teoricamente a distância mais curta a que tal inteligência se poderia encontrar) está a 4 anos-luz de distância. Como não e possíve a qualquer partícua dotada de massa atingir a velocidade da luz, seriam necessários talvez 8 anos só para aqui chegarem e outros 8 anos para voltarem (isso num quadro ultra-optimista de velocidades a metade da velocidade da luz, o que, não sendo impossível, é deveras complicado de atingir em termos práticos, uma vez que o aumento da massa dos corpos que viajam a essa velocidade é enorme. 8 anos parece muito tempo de viagem só para andarem por aqui a raptar pessoas e para aparições fugazes... Seres Humanos, evoluindo de forma separada num outro planeta, é um a quase-impossibilidade estatística: os inumeráveis acontecimentos que levaram ao nosso aparecimento por cá não se poderiam reproduzir, na mesma sequência e pertinência, noutro local. Seres inteligentes noutro planeta sim, seres humanos noutros planetas não...


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