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Diário das pequenas descobertas da vida.
Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005
Injustiças
Há povos, pessoas e situações que foram maltratados pela história:
- Os Vândalos cometeram o hodioso crime de saquearem a "pacífica" e "benevolente" capital dos Romanos, Roma. Por tal para sempre tiveram o seu nome associado ao anti-social acto de «vandalismo»...
Os Vândalos saquearam Roma em 455DC, bem depois de se instalaram na Península Ibérica (e eventualmente invadirem e formarem um Reino Vândalo no Norte de África com capital em Cartago). Não foram mais brutais no saque a Roma do que outros povos, mas o seu nome ficou associado a actos de destruição violenta e desnecessária (coisa que os Vândalos não fizeram em Roma). O verbo «vandalizar» foi pela primeira vez usado em 1800...
- (John) Hooligan foi de facto o primeiro hooligan da história. No final do século XIX, este respeitável bêbado e pai de múltiplas brigas em estádios ingleses meteu-se em tantas que, quando se "reformou", a polícia passou a designar todos os pacíficos e amantes Ultras do desporto como hooligans... Ainda bem que o pai Hooligan não está cá para ver como o seu nome é arrastado pela lama. Tão boa família...
- Bárbaros eram todos os povos que não eram Gregos. Por aqui até os Romanos eram bárbaros...
- Átila, o Huno, foi marcado com o epíteto d'O flagelo de Deus. No entanto podia ter saqueado Roma e não o fez. Às portas de Roma, o papa dirigiu-se com alguns bispos ao acampamento huno. O papa era velho, todos estavam desarmados e não havia nada na cidade que fizesse frente ao Hunos. No entanto, apesar de pagãos e valorizarem a resistência e força física, depois da conversa com este velhote deram meia volta e deixaram Roma em paz. Para flagelo de Deus até que Átila foi bem mericordioso... Se tivessem saqueado Roma talvez se dissesse que "Hunaram-me a mota" em vez de "Vandalizaram-me a mota"...


Publicado por Mauro Maia às 21:30
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4 comentários:
De Rui a 25 de Fevereiro de 2005 às 22:03
O papa não foi lá pedir-lhe que não atacasse Roma: o papa foi lá dar-lhe ouro para que não atacasse Roma. O que não deixa de ser um bocadinho diferente.


De Mauro a 25 de Fevereiro de 2005 às 23:42
Mesmo que o tenha feito (coisa que nunca vi ou li, mas podia ser) o Átila podia bem ter ido à cidade e sacar tudo o que por lá havia. Porquê ficar com parte se podia ter tudo? A meu ver Átila não seria nenhum santo mas esta contenção dá que pensar nas vertentes 3D da personalidade humana. E a história é feita pelos vencedores e claramente a Igreja persistiu...
Outra coisa curiosa: o único general romano que lutou com Átila foi, quando novo, criado pelos Hunos, no seio da "realeza" huna juntamente com Átila, de quem era companheiro e amigo. Para um povo tão demonizado espanta tanta cordialidade.


De Mrcia Arajo a 14 de Janeiro de 2008 às 11:37
Na verdade, o Papa foi informar a Átila que Roma estava sucubindo a uma peste (o que era verdade). Para evitar, desta forma, seu óbito e de seus guerreiros, Átila deu meia-volta e retirou-se. Como se vê, não era nenhum santo. De qualquer forma, concordo que a devastação que Átila e os Vândalos promoveram não foi pior do que as que os romanos fizeram em relação aos povos e às culturas que invadiram (ou mesmo Alexandre, "O Grande" - ou deveríamos dizer "Alexandre, o Bárbaro"?), como os Celtas, por exemplo. Ou que a própria igreja realizou através dos tempos, com sua "caça às bruxas". De qualquer forma, genocídio por genocídio não se justifica e a humanidade, imersa na barbárie e na violência de nossos dias, rotula de "grandes" meros assassinos em larga escala e esquecem-se do exemplo de verdadeiros grandes homens, como Ghandi e Sócrates (porque será que os homens sempre matam os grandes entre eles? Inveja?), e generais, como o grego Leônidas, que morreu defendendo sua pátria e sua gente (e, não, atacando em uma sede desumana de conquista), este sim, um verdadeiro e grande herói.


De Mauro a 14 de Janeiro de 2008 às 21:59
Obrigado, «Márcia», pela visita e pelo interesse num dos primeiros artigos do Cognosco. Bastantes artigos depois, algumas destas injustiças (a que foram adicionadas outras) foram analisadas. Em relação aos Vândalos, o artigo «Vandalismo civilizacional» (http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1080349.html) (http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1080349.html)) aborda com bastante profundidade a História dos Vândalos e de como houve povos que maltrataram a Roma Imperial (bem como a Roma Cristã) de uma forma bem mais destruidora. Mesmo as tropas de um imperador espanhol cristão atacaram, pilharam e destruíram partes da cidade-sede da Religião Católica (a sua própria!), o que não foi nada do que os VÂndalos terão feito... Quanto ao que o papa terá dito a Átila: parece-me, realmente, bastante verosímil que ele tenha fomntado, nos Hunos, o receio da existência de peste na cidade (curiosamente habitada pelo próprio papa) mas não tenho conhecimento de qualquer documento que ateste ou desminta esta hipótese. Duas pessoas souberam o que foi dito naquela reunião: o papa e Átila. Átila não deixou para a posteridade registos escritos do que fez ou porquê e o papa, se o fez, estará na bem secreta e escondida Biblioteca do Vaticano. Quanto a Gandi, há um artigo no Cognosco, intitulado «O Príncipe e a Roda» (http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1057885.html) (http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1057885.html)) que fala de Açoka, o líder «indiano» (na altura não havia a Índia moderna) que começou o seu reinado, há 25 séculos, da forma tradicional (matando e destruindo) e depois se arrependeu, deixando um legado cultural de paz e harmonia que marcaram indelevelmente a mentalidade indiana e que, já no século XX, Gandi corporizou (sem inovar muito Açoka). Quanto a Alexandre (de que o Cognosco falou em vários artigos, desde a criação da Biblioteca de Alexandria até à sua família e ligação indirecta à Guerra de Tróia) foi, de facto, uma personagem multifacetada. É certo que fez a guerra e destruiu mas é certo também que o fez com engenho e astúcia e sempre tendo um número inferior de tropas às do inimigo. Além disso fundou cidades (como a própria Alexandria) ao longo de todo o médio oriente e não rebaixou os povos das nações que conquistou. Isso pode-se verificar na fusão (conhecida como Helenismo) entre as culturas gregas e as do médio oriente e mesmo o seu casamento com princesas desses povos (uma dela deu-lhe mesmo o seu único filho). Teria mais dificuldade em engolir o cognome «grande» em Júlio César ou em Napoleão. Pesando a sua vida, diria que Alexandre fez o bastante para merecer o cognome Grande em 14 anos (desde que subiu ao trono grego com 19 anos até morrer com 33). É preciso conhecer a sua vida para o poder julgar equitativamente (tanto o bom como o mau). Quanto a Leónidas (de que se falou no artigo dedicado aos espartanos «Lacónico regresso» http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1053198.html, não foi nenhum modelo de virtude nem os espartanos o eram. Tinham as suas falhas e as suas glórias. 10 anos antes (governava já Leónidas), o egoísmo espartano não combateu contra as tropas persas que invadiam a Grécia, cabendo aos Atenienses essa glória, imortalizada pela história do mensageiro de Maratona. Mas isso está no artigo. Nem os espartanos lutaram sozinhos. Mas tens razão, a História tende a glorificar os líderes que provocaram guerras e destruição e a esquecer os que cultivaram a paz e a harmonia. Mas talvez isso não passe de uma característica demasiado humana (a História é, na minha opinião, uma das poucas coisas que nos distinguem dos restantes seres vivos deste planeta: só nós registamos a nossa História). Mesmo Reis, como Açoka, que começaram violentos e acabaram pacifistas (se bem que não tenho conhecimento de mais nenhum além deste) não ficam nos anais da História. Ou talvez fiquem e sejamos nós, quem lê sobre História, que tenha uma visão limitada e preste mais atenção aos factos terríveis e menos aos actos bondosos (somos bombardeados com a selvajaria da I.ª Guerra Mundial mas poucas vezes fui confrontado com as Tréguas do Natal de 1914, acontecimento que se pode ler em http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/872746.html (http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/872746.html))). Talvez a culpa não seja só de quem regista a História mas também de quem a lê: talvez cada um só leia na História aquilo que projecta nela...


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