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Diário das pequenas descobertas da vida.
Sábado, 15 de Setembro de 2012
O Saber esclarece

Um traço comum à maioria (todos?) os regimes políticos totalitários é subverter a História, a Cultura, as tradições e os valores dos países que tiveram a infelicidade (consentida ou não na altura) de viverem sob o seu jugo.

A última metade do século passado assistiu à ascenção de vários desses regimes (de esquerda e de direita) e às adulterações e manipulações que empregaram para ganhar e manter a sua posição política.

 

Em Portugal, foi a adulteração da rica História portuguesa para lhe dar contornos mais salazaristas. Como as cores da bandeira nacional (vermelho e verde) que eram simplesmente as cores do Partido Republicano que derrubou a Monarquia e que foi derrubado para permitir a ascenção da ditadura salazarista (para mais sobre o papel do Estado Novo ver Cadeira Negra). Distorcendo a realidade histórica, espalharam a noção de que representavam «o sangue dos heróis que se sacrificaram pela pátria» (um claro apelo militarista) e os campos verdes de Portugal (um claro apelo nacionalista). Ou o racismo bacoco e contrário ao «espírito português», já que Portugal, pelas mãos do Marquês de Pombal, em 1761, aboliu a escravatura. Duzentos anos de Abolocionismo mas que chocavam com a necessidade de justificar um Império colonial risível e uma guerra suicida contra pessoas que ligitimamente apenas queriam serem donas da sua casa e vida. Ainda agora pagamos os custos culturais (outros custos, como os financeiros e sociais, são abordados no artigo anteriormente referido) dessa distorção e a rica História de Portugal com quase 900 anos é esquecida e negligenciada pela geração que lutou contra o Regime Político salazarista e contra tudo quanto a ele estava relacionado.

  

 Na Alemanha, o partido liderado pelo Cabo da Baviera distorceu a riqueza da Cultura musical, filosófica e mitológica do país. Nascido na Áustria, lutou na I.ª Guerra Mundial ao lado do Exército Alemão na Divisão da Baviera (de onde era oriunda a sua família materna). Tendo sido vítima de um ataque com Gás, assistiu às mortes dos seus companheiros enquanto ele próprio nada sofreu fisicamente. Mas as marcas psicológicas foram profundas e ficou com Cegueira Histérica (apesar de fisicamente nada ter). Foi retirado a essa condição psicológica debilitante por um psicólogo que o convenceu de que tinha sobrevivido por ter uma missão na vida e que a sua «cegueira» impossibilitaria. O Cabo com o bigode ridículo absorveu de tal forma esta noção que a sua visão voltou e virou-se para algo pelo qual nunca antes tinha mostrado interesse (era um pintor de pouco sucesso antes da guerra): a Política. Com as sérias consequências que daí advieram. A própria idiotice do regime e dos seus alicerces teóricos conduziria à sua destruição (Einstein é um exemplo paradigmático) mas foi infelizmente necessário que 6 milhões de pessoas morressem antes disso.

 

Campo de concentração de Sachenhausen

A (agora) infame frase «Arbeit macht frei» («O Trabalho dá/faz livre») foi mais uma dessas apropriações cancerosas feita pelo regime desse pequeno cabo da Baviera que seria o primeiro na fila para a aniquilação pelos seus sequazes caso os critérios de extermínio do seu regime a todos abrangesse. Ele era o perfeito exemplar de tudo o que não era o «Ariano» fictício por ele imaginado, com o seu cabelo escuro e fraco, o físico magro, baixa estatura, a doença de Parkinson precoce...

Foi colocada à entrada de vários Campos de Concentração (mas não de todos: o campo de Buchenwald, perto da cidade de Weimar, Alemanha, tinha a inscrição «Jedem das Seine» («A cada um o que é seu»): dos 400 existentes, «apenas» em Dachau (Alemanha)Gross-Rosen (Polónia)Sachsenhausen (Alemana), Theresienstadt (República Checa) e Fort Breendonk (Bélgica).   

A frase surgiu como título de um livro, da autoria de Lorenz Diefenbach, de 1873 no qual jogadores e burlões deixam para trás os seus vícios depois de se dedicarem a trabalhos honestos e meritórios. Eis como a mais nobre das intenções é deturpada e usada para fins contrários à sua intenção original. 

 

Como é usual em pessoas de pequena estatura moral e intelectual, os acéfalos nacional-socialistas roubaram a criatividade de uns para fingirem ter o brilho que não tinham. 





Publicado por Mauro Maia às 19:06
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