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Diário das pequenas descobertas da vida.
Sábado, 28 de Outubro de 2006
Influência astral
Numa sala, alguém espirra. Comentários à sua volta:
- Coitado, constipou-se. Apanhou alguma rajada de vento mais frio.
- Pois, andam por aí estas gripes. Se calhar não apanhou a vacina.
- Isto agora só lá vai com descanso e antibióticos!


Este tipo de comentários, bastante comuns quando alguém espirra, contém uma série enorme de erros e desconhecimentos do que é uma gripe, do que é uma constipação, as diferenças entre ambas, o que as causa, como curá-las ou tratá-las...

Começando pelo básico, gripes e constipações são doenças bem diferentes nas suas causas, pericolosidade e efeitos.
A gripe é mais perigosa, demora mais a passar e pode levar a doenças mais graves, como a pneumonia. É, além disso, a doença que mais mortos provocou na espécie humana (só num ano, entre 1918 e 1919 matou tantas pessoas no mundo inteiro como toda a peste negra). A constipação é mais ligeira, menos perigosa e demora menos a passar mas também pode levar ao aparecimento de uma pneumonia.
Partilham alguns (mas não todos os) sintomas.

Os sintomas da gripe são:
~ tosse, dor de cabeça, fadiga física, garganta inflamada, febre e dores musculares.
Os sintomas da constipação são:
~ tosse, dor de cabeça, fadiga física, garganta inflamada, espirros e nariz congestionado.
Alguns dos sintomas são comuns (mais mais graves na gripe), mas há outros sintomas específicos de cada uma delas. Se alguém espirra, tem uma constipação, se tem febre alta é uma gripe.
Graças ao contributo de Maria Papoila, acrescenta-se que a constipação pode ser acompanhada de febre baixa (38º), enquanto a da gripe é superior (40º)

Vírus InfluenzaA gripe é causada por um de três vírus (tipo A, tipo B e tipo C) da família Ortomixoviridae (influenza), que ataca aves e mamíferos.
O nome do vírus surgiu na Itália do século XV, quando se acreditava que a gripe era provocada por «influências astrológicas desfavoráveis» e, mais tarde, no século XVIII, quando se pensava que era por «influência do frio». O termo «influenza» sobreviveu, como o termo «desastre», que significa «mau astro», má influência astrológica...
A constipação pode ser provocada por uma miríade de diferentes vírus (mais de uma centena foram já identificados), desde vírus da família Picornaviridae (rinovírus, ecovírus, coxsackievírus), da família Coronaviridae (coronavírus) e da família Paramixoviridae (paramixovírus).

Outra diferença entre as duas doenças é as formas de propagação. Embora ambas se propaguem pelo ar, têm vários mecanismos de propagação diferentes.
Os vírus influenza (causadores da gripe) também se transmitem pela saliva (um beijo mais intenso, por exemplo), secreções nasais, fezes (a falta de higiene pessoal, água contaminada por fezes,...) e sangue. Os diferentes vírus que provocam a constipação transmitem-se pela secreções nasais, através dos espirros e da tosse, ou directamente ou através de apertos de mão ou puxadores de porta (sendo depois a mão levada ao nariz). Os vírus da constipação podem durar várias horas no exterior, enquanto «aguardam» alguém para infectar (é claro que os vírus não têm intenções nem planos, limitam-se a agir mecanicamente). Após alguém constipado espirrar, o ar fica contaminado de vírus por horas e estes caem a um ritmo muito vagaroso, pelo que são contagiosos mesmo após horas depois de uma pessoa constipada passar. Entram no organismo principalmente através do nariz e da garganta e pelos olhos por vezes também, através do líquido lacrimal que é «despejado» através do Duto nasolacrimal (canal que liga olhos e nariz e através do qual o excedente lacrimal é expelido. É por esta razão que o nariz se enche de líquido quando se chora). A boca não é um ponto especialmente vulnerável à entrada dos vírus da constipação, pelo que contactos orais (como num beijo) não transmitem a doença.

Vírus da gripe das aves H5N1Um aspecto comum às duas doenças é que os vírus que as provocam estão em constante mutação, permanecendo virais mas suficientemente diferentes para que uma vacina permanante para qualquer uma delas seja muito difícil (se não impossível) de encontrar.
Uma pessoa que fique doente e depois se cure fica imunizado contra a variante do vírus que a atacou, mas não contra todas. Devido à rápida propagação dos vírus, novas variantes surgem constantemente, pelo que uma pessoa imunizada contra uma das variantes possa facilmente adoecer com outra.

Um outro aspecto fundamental nas duas doenças é que são provocados por vírus.
Os antibióticos funcionam unicamente contra bactérias, que são organismos vivos, com uma parede celular e informação genética necessária para a reprodução do indivíduo. Os antibióticos rebentam essa parede celular das batérias (mas não as do corpo humano), levando à destruição bacteriana.
Mas os vírus não são seres vivos: não possuem paredes celulares (há alguns que têm um invólucro exterior mas não uma verdadeira membrana celular) e não são capazes de se reproduzirem com outro membro da sua «espécie», não têm o equipamento genético para isso (e essa é uma condição indispensável há classificação de algo como «ser vivo», a capacidade de auto-reprodução). Em vez disso, usam e abusam das células de seres vivos para que estas produzam novos vírus. São meros motores de injecção de material genético.
Quando um vírus entra num organismo, agarra-se à parede celular de uma célula e injecta literalmente o seu material genético (apenas uma fila de ARN e não uma fita dupla de ADN) para o interior da célula. As células têm ADN, que contém toda a informação genética do organismo numa hélice dupla de bases nucleótidas (Adenosina, Timina, Citosina e Guanina, que deve o seu nome ao facto de ter sido primeiro detectada nas fezes fossilizadas de aves, a que se dá o nome de «guano», material fertilizante que se costumava usar para adubar). Essa informação é preciosa para o organismo e nunca deixa o núcleo do indivíduo. As suas informações para a célula são transferidas, do ADN para o resto da célula, através de fitas de ARN. Estas contêm as ordens de produção das diferentes substâncias produzidas pela célula. Quando o ARN viral entra nas células, sobrepõe-se ao ARN celular, e as «fábricas» de substâncias da célula começam a produzir somente vírus, cuja informação está contida no ARN viral.
O interior celular vai-se enchendo de vírus, já não produz as coisas que necessita para viver e, ao fim de algum tempo, rebenta e morre, lançando uma nova multidão de vírus para infectar as células vizinhas.
É uma descrição muito sumária da acção viral mas penso que esclarecedora.
Como salienta Nox, o mecanismo antibiótico de «rebentamento» das paredes celulares nem sempre ocorre e nem é o mais frequente, tal como, apesar da maioria dos vírus só terem ARN, uns poucos têm ADN. Crucial também é a distinção entre ser vivo/ser não-vivo na classificação dos vírus. Mas o mecanismo que se descreve acima, apesar de nem sempre se verificar, permite uma visualização dos possíveis mecanismos de acção antibiótica (ou antimicrobiana, como também é salientado). Não há dúvida de que este é um tema longe se se esgotar num único artigo e agradeço a Nox levantar mais um pouco do véu, podendo dessa forma ainda mais aliciar à pesquisa de mais informação sobre a microbiologia.


Hipócrates de KosÉ por esta razão que tomar antibióicos não cura gripes ou constipações, estes não os afectem em nada, é como mandar uma horda de mosquitos para parar uma manada de elefantes. Os «remédios caseiros» e as «explicações populares» abundam nas duas, devido à sua longa convivênvia com os seres humanos.
A constipação era já conhecida no Antigo Egipto, havendo hieróglifos (do grego «hieros» -sagrado e «glifo» -escrita) que representam pessoas com os seus sintomas.
Também Hipócrates (o do célebre juramento que os médicos fazem) descreveu a doença no século 5 AC. Igualmente os Maias (e os Aztecas, seus descendentes culturais, como visto em Nex terrae) conheciam a doença e também tinham os seus «remédios populares» (que incluíam folhas de tabaco, pimentos picantes e mel).

Hipócrates descreveu também a gripe, no mesmo século (400 AC).
Por todo o mundo, ao longo da História, se têm registado surtos mais ou menos pandémicos de gripe. O surto mais grave de gripe deu-se entre os anos 1918 e 1919, a chamada «Gripe Espanhola» (apesar da doença não ter começado em Espanha nem lá ter sido a população mais atingida. O facto de a Espanha não ter entrado na Iª Guerra Mundial, ao contrário de Portugal, levou a que não houvesse censura militar aos jornais da época, pelo que relatos da doença eram livremente imprimidos. Como apenas os jornais espanhóis falavam abundantemente da doença, acabou por se pensar erradamente que era ali que tinha surgido e onde era mais virulenta). A guerra tinha acabado e milhares de soldados regressaram a casa, levando consigo a doença. Esta espalhou-se como fogo por um mundo devastado pela Guerra e entre 40 milhões e 50 milhões de pessoas morreram, até mesmo no Ártico e em remotas ilhas do Pacífico.

A gripe tem 3 tipos diferente de vírus (e dentro desses tipos novas variantes vão surgindo):
~ tipo A é o responsável pela gripe aviária. Este tipo surge nas aves mas geralmente infecta depois mamíferos (como o Homem). A gripe do início do século XX foi a variante H1N1 (que actualmente só existe em reservas genéticas em laboratórios militares) e a do início do século XXI é a variante H5N1.
Estas variantes recebem o seu nome científico devido às moléculas que contêm.
Possuem hemaglutininas (H), responsáveis pela «aderência» viral às células que atacam (e que recebem o seu nome devido a também levarem à aglutinação dos glóbulos vermelhos do sangue, os hematrócitos).
Têm também neuraminidases (N), que aumentam a capacidade de virulência por segregarem ácido siálico.
Novas variantes dos vírus têm alguma mutação ou nas hemaglutininas ou nas neuraminidases, fazendo assim variar a designação no número da respectiva letra.
É o tipo mais perigoso, com a maior velocidade de mutação dos três tipos.
~ tipo B, que afecta unicamente seres humanos (e focas!), que é pouco patogénico e não provoca pandemias como o tipo A. Os influenza B têm mutações mais lentas do que os do tipo A (cerca de metade ou um terço da velocidade de mutação do tipo A). O tipo B não recebe a denominação H*N* que tem o tipo A.
~ tipo C, que afecta seres humanos e porcos (a já-várias-vezes-ouvida-«gripe suína») e é o tipo mais lento a sofrer mutações. No entanto, é mais perigoso do que o tipo B e pode provocar pandemias regionais. Também este tipo não tem as designações H*N*.
Algumas variantes, do tipo A, que provocaram epidemias de gripe foram a H1N1 (gripe 1918-1919), H2N2 (gripe asiática), H3N2 (gripe de Hong Kong), H5N1 (a gripe das aves do século XXI), H7N7 (que tem um potencial de salto entre espécies perigoso), H1N2 (que afecta seres humanos e porcos).

Os vírus que provocam a constipação são vários e também em constante mutação. Não são, em geral, mortais. Estes vírus atacam as células da mucosa do nariz e da faringe, ligando-se aos receptores ICAM-1 (moléculas de adesão inter-celular) das células ali presentes. As moléculas ICAM são as responsáveis pela adesão entre diversas células, em especial entre os glóbulos brancos. Os receptores destas moléculas encontram-se nas paredes celulares dos eritrócitos e é pela porta da «polícia» que estes bandidos se infiltram e roubam a «esquadra»!
Para mais sobre os glóbulos brancos e vermelhos do sangue ver O ninja das casas.

Os vírus da constipação (e os da gripe) não têm cura conhecida, nenhuma mezinha da avó resolve o problema, nenhum leite aquecido com mel ao deitar cura...
É o corpo, e apenas o corpo, o responsável pela cura.
Mesmo tratamentos ditos «modernos», como os suplementos de vitamina C, ainda não se provaram como eficazes no combate à doença. É só mais um «remédio popular» que é como andar a pôr alho para afugentar vampiros: o bem que faz é psicológico...
Já se mostrou matematicamente, em esTepes, que não há vampiros.

Uma das mais erradas mas mais difundidas ideias sobre quer as gripes quer as constipações é a que as liga ao frio e a ter os pés ou a roupa molhada. Repete-se, sem fundamento qualquer e só porque se ouviu dizer, «Não apanhes frio, olha que te constipas!» ou «Vai já tirar essa roupa molhada e tomar um banho quente antes que te constipes!»
Isto é absolutamente errado. O frio não causa nem gripes nem constipações (basta ver que, em climas frios, a taxa de incidência das duas doenças é igual ou inferior às dos países de temperatura moderada ou quente).
Reverendo John WesleyEsta errónea ideia surgiu no século XVIII, quando John Wesley (1703-1791), clérigo anglicano, publicou um livro em que afirmava que os arrepios de frio provocavam a constipação e, por isso, não se devia tomar banhos de água fria.
Também William Buchan (1729-1805), médico, afirmava que a causa da constipação eram pés e roupas molhadas.
É uma ideia com perto de 300 anos, desactualizada e errada, e no entanto, continua-se a repetir a mesma lenga-lenga!
Foram levadas a cabo, de forma séria e rigorosa, já no século XX, experiências para determinar se o frio aumentava a susceptibilidade às constipações e gripes. Nenhuma das já feitas mostrou qualquer relação entre o frio e a constipação ou a gripe.
A maior incidência de gripes e constipações no Inverno não se deve ao frio que se faz sentir mas ao facto de as pessoas estarem mais tempo juntas em locais aquecidos e mais próximas umas das outras. O que acaba por difundir a constipação e a gripe não é o frio, é o que fazemos para fugir dele. Uma emenda pior do que o soneto, neste aspecto!

Claro que, como ambas as doenças afectam as mucosas nasais, apanhar ar frio depois de se ter a doença realça o mal-estar.
Mas isto, de forma alguma, quer dizer que o frio as causa.
Não se confunda causas com efeitos!

Resumindo tudo:
A gripe e a constipação são doenças provocadas por vírus e não pelo frio e que não têm cura conhecida. Pode-se aliviar os sintomas mas não se pode curar. O corpo é o supremo médico nestas questões!

A razão porque todos os anos é necessário apanhar uma nova vacina da gripe relaciona-se com a sua taxa de mutação. Ninguém sabe exactamente que mutação se dará a seguir, mas os médicos fazem uma ideia aproximada de algumas das características da mutação e incluem-na na vacina. Claro que não é 100% seguro (dão-se muitas mutações diferentes), claro que se pode ter o azar de se ser exposto a uma variante não coberta pela vacina...
Mas, entre nada fazer, e dar uma ajuda ao nosso sistema imunitário...

Mas, novamente graças a Maria Papoila, há grupos de risco que devem tomar a vacina para a gripe: «Os idosos, os doentes cardíacos, diabéticos e pulmonares ou com outras doenças crónicas, as crianças, os profissionais de saúde, produtores e tratadores de aves domésticas, bombeiros» e eu acrescentava os professores, que passam o dia inteiro com crianças...


Publicado por Mauro Maia às 18:27
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15 comentários:
De Maria Papoila a 29 de Outubro de 2006 às 13:57
Olá Mauro:
Um artigo muito interessante muito esclarecedor que foca todos os pontos e desmistifica conceitos enraízados sobre as duas doenças.
Acrescento que a constipação pode ser acompanhada de febre (factor inflamatório) mas que esta raramente ultrapassa os 38º ao contrário da gripe que pode atingir os 40º.
Também realçar que a vacina embora não totalmente segura tem grupos de risco a ser aplicada. Os idosos, os doentes cardíacos, diabéticos e pulmonares ou com outras doenças crónicas, as crianças e os profissionais de saúde.
Importante a referência à ineficácia do antibiótico no tratamento destas doenças.
Muito bem desenvolvido este artigo.
Beijo


De Maria Papoila a 29 de Outubro de 2006 às 14:01
Acrescento aos grupos de risco os produtores e tratadores de aves domésticas...para não falar de bombeiros que para mim já fazem parte de profissionais de saúde. Beijo


De Mauro a 29 de Outubro de 2006 às 17:25
Obrigado por esses úteis complementos ao artigo, «Maria Papoila». A fragância da tua presença é sempre uma bem-vinda visita ao Cognosco.


De PN a 29 de Outubro de 2006 às 21:55
Olá Mauro. Adorei este artigo porque desfez muitos mitos que me foram incutidos desde nova. Já agora, para desfazer dúvidas, apanhar calor em excesso pode originar sintomas parecidos com a constipação ou gripe?


De Mauro a 30 de Outubro de 2006 às 09:28
Olá, «PxN». É sempre com prazer que recebemos amigos aqui no Cognosco. Quando se apanha «calor» a mais, geralmente por se apanhar sol a mais no verão, corre-se o risco de se apanhar uma insolação. Os sintomas da insolação incluem suor e respiração mais intensa, dor de cabeça, tontura, falta de ar, aumento da temperatura do corpo, mal-estar e vómitos. A dor de cabeça, a tontura, o mal-estar são sintomas comuns à gripe e à constipação. O aumento da temperatura pode ser confundido com febre (mais comum na gripe mas que também pode surgir na constipação). Não há a garganta inflamada (sintoma comum às duas e a sua ausência ajuda a distinguir se é insolação ou gripe/constipação), nem os espirros da constipação. A minha resposta à tua questão é então: «sim, apanhar calor a mais pode originar sintomas semelhantes ao da gripe e da constipação».


De Nox a 30 de Outubro de 2006 às 23:09
Um artigo particularmente pertinente tendo em conta a época do ano e a histeria em torno do assunto. Só uns pequenos reparos: normalmente as famílias dos vírus são referidas em latim, como Coronaviridae, Picornaviridae e por aí fora. Outro pormenor é a informação de que os antibióticos rebentam a parede bacteriana; tal é verdade apenas nalguns casos, pois há vários mecanismos pelos quais os antimicrobianos podem actuar, sendo esse apenas um deles, havendo outros bastante mais frequentes. As células do corpo humano não possuem parede, apenas membrana (a distinção parede/membrana é crucial em termos biológicos). E a questão de os vírus serem ou não seres vivos está longe de terminar, uma vez que se conseguem reproduzir, originar descendência e até sofrer evolução, embora sempre numa relação parasítica com um hospedeiro. Os antimicrobianos não actuam neles porque o seu metabolismo é completamente diferente do das bactérias. Para além disso, há vírus com DNA (como o da Hepatite B), nem todos têm RNA; dentro de cada uma dessas divisões, há-os com cadeia simples e dupla. Ainda um preciosismo, segundo fui informada há já algum tempo: o termo "antibiótico" deveria ser usado apenas nos casos em que a substância agressora é produzida por um ser vivo contra outro, sendo "antimicrobiano" o termo mais correcto nos compostos de síntese humana. Contudo, isso é mais uma discussão para microbiologistas, que de interesse prático tem muito pouco...


De Mauro a 31 de Outubro de 2006 às 11:14
Obrigado, «Nox», pelos complementos/reparos. Serão integrados no artigo, sem dúvida, pesando o seu carácter informativo/explicativo (nem sempre são termos coincidentes, infelizmente). Todos os pormenores são importantes, penso, até porque muitas vezes um pormenor é suficiente para fazer desmoronar mesmo o mais firme edifício (e isto é particularmente verdadeiro nas Ciências).


De Fiju a 31 de Outubro de 2006 às 21:35
A questão de apanhar frio e sair de casa com o cabelo molhado julgo que deve estar ligado ao mesmo tipo de factor do stress.
Quando estamos sob stress, o nosso organismo está mais débil a qualquer agente estranho.
Ao entrar em stress, o organismo produz hormonas de stress (adrenalina e cortisol) que induzem reacções como, por exemplo, a dilatação dos vasos sanguíneos dos nossos músculos, aumento do ritmo cardíaco e pressão arterial e a dor é temporariamente suprimida. Este processo contribui para ultrapassar, eficazmente, a situação que estamos a passar.
Mas estas hormonas não são só uma pera doce. Têm efeitos secundários, como a supressão temporária do sistema imunológico.
Assim, se estivermos sujeitos a qualquer bactéria ou vírus, estes agentes têm acesso livre para atacar o organismo e contrair gravemente as doenças.
Por isso é que quando estava na época de frequências ficava sempre doente! Eram constipações, gripes, gastroenterites, qualquer coisa!


De Mauro a 31 de Outubro de 2006 às 22:00
Obrigado por este bom complemento ao artigo, «Fiju». Pegando então na tua descrição e nas (in)conclusões a que chegaram os estudos sobre a ligação entre o frio e as constipações/gripes, reforço a conclusão geral de que o frio não causa as constipações (até porque se o fizesse estaríamos perante um caso de geração espontânea, conceito há muito abandonado). Referes o binómio stress/depressão-imunológica. Apresentas uma série de argumentos válidos e a conclusão a que chego é a mesma em que sempre pensei: o que «provoca» as constipações não é apanhar frio, é o stress de estarmos sempre a ouvir «Veste um casaco se não ficas doente!» Mais uma vez, é o remédio que provoca a doença...


De Fiju a 31 de Outubro de 2006 às 22:49
Bem, essa do stress por estarmos sempre a ouvir para nos agasalharmos está muito boa! É que é absolutamente verdade! Então quando dou um espirro causal, já vem a minha mãe a dizer "Pois! Andas mal vestida já estás constipada!" Estou de acordo que se não houver virus ou bactérias, é claro que não adoecemos. Infelizmente há sempre um por perto quanto estamos mais débeis! Os vírus são uns sacanas! Pronto! :-D Bom feriado!


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