25 fevereiro 2005Cogitar (4 cogitações anteriores)InjustiçasHá povos, pessoas e situações que foram maltratados pela história: Cogitado por Mauro Maia às 21:30
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O papa não foi lá pedir-lhe que não atacasse Roma: o papa foi lá dar-lhe ouro para que não atacasse Roma. O que não deixa de ser um bocadinho diferente.
Cogitado por: Rui a fevereiro 25, 2005 10:03 PM
Mesmo que o tenha feito (coisa que nunca vi ou li, mas podia ser) o Átila podia bem ter ido à cidade e sacar tudo o que por lá havia. Porquê ficar com parte se podia ter tudo? A meu ver Átila não seria nenhum santo mas esta contenção dá que pensar nas vertentes 3D da personalidade humana. E a história é feita pelos vencedores e claramente a Igreja persistiu...
Outra coisa curiosa: o único general romano que lutou com Átila foi, quando novo, criado pelos Hunos, no seio da "realeza" huna juntamente com Átila, de quem era companheiro e amigo. Para um povo tão demonizado espanta tanta cordialidade.
Cogitado por: Mauro a fevereiro 25, 2005 11:42 PM
Na verdade, o Papa foi informar a Átila que Roma estava sucubindo a uma peste (o que era verdade). Para evitar, desta forma, seu óbito e de seus guerreiros, Átila deu meia-volta e retirou-se. Como se vê, não era nenhum santo. De qualquer forma, concordo que a devastação que Átila e os Vândalos promoveram não foi pior do que as que os romanos fizeram em relação aos povos e às culturas que invadiram (ou mesmo Alexandre, "O Grande" - ou deveríamos dizer "Alexandre, o Bárbaro"?), como os Celtas, por exemplo. Ou que a própria igreja realizou através dos tempos, com sua "caça às bruxas". De qualquer forma, genocídio por genocídio não se justifica e a humanidade, imersa na barbárie e na violência de nossos dias, rotula de "grandes" meros assassinos em larga escala e esquecem-se do exemplo de verdadeiros grandes homens, como Ghandi e Sócrates (porque será que os homens sempre matam os grandes entre eles? Inveja?), e generais, como o grego Leônidas, que morreu defendendo sua pátria e sua gente (e, não, atacando em uma sede desumana de conquista), este sim, um verdadeiro e grande herói.
Cogitado por: Márcia Araújo a janeiro 14, 2008 11:37 AM
Obrigado, «Márcia», pela visita e pelo interesse num dos primeiros artigos do Cognosco. Bastantes artigos depois, algumas destas injustiças (a que foram adicionadas outras) foram analisadas. Em relação aos Vândalos, o artigo «Vandalismo civilizacional» (http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1080349.html) aborda com bastante profundidade a História dos Vândalos e de como houve povos que maltrataram a Roma Imperial (bem como a Roma Cristã) de uma forma bem mais destruidora. Mesmo as tropas de um imperador espanhol cristão atacaram, pilharam e destruíram partes da cidade-sede da Religião Católica (a sua própria!), o que não foi nada do que os VÂndalos terão feito... Quanto ao que o papa terá dito a Átila: parece-me, realmente, bastante verosímil que ele tenha fomntado, nos Hunos, o receio da existência de peste na cidade (curiosamente habitada pelo próprio papa) mas não tenho conhecimento de qualquer documento que ateste ou desminta esta hipótese. Duas pessoas souberam o que foi dito naquela reunião: o papa e Átila. Átila não deixou para a posteridade registos escritos do que fez ou porquê e o papa, se o fez, estará na bem secreta e escondida Biblioteca do Vaticano. Quanto a Gandi, há um artigo no Cognosco, intitulado «O Príncipe e a Roda» (http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1057885.html) que fala de Açoka, o líder «indiano» (na altura não havia a Índia moderna) que começou o seu reinado, há 25 séculos, da forma tradicional (matando e destruindo) e depois se arrependeu, deixando um legado cultural de paz e harmonia que marcaram indelevelmente a mentalidade indiana e que, já no século XX, Gandi corporizou (sem inovar muito Açoka). Quanto a Alexandre (de que o Cognosco falou em vários artigos, desde a criação da Biblioteca de Alexandria até à sua família e ligação indirecta à Guerra de Tróia) foi, de facto, uma personagem multifacetada. É certo que fez a guerra e destruiu mas é certo também que o fez com engenho e astúcia e sempre tendo um número inferior de tropas às do inimigo. Além disso fundou cidades (como a própria Alexandria) ao longo de todo o médio oriente e não rebaixou os povos das nações que conquistou. Isso pode-se verificar na fusão (conhecida como Helenismo) entre as culturas gregas e as do médio oriente e mesmo o seu casamento com princesas desses povos (uma dela deu-lhe mesmo o seu único filho). Teria mais dificuldade em engolir o cognome «grande» em Júlio César ou em Napoleão. Pesando a sua vida, diria que Alexandre fez o bastante para merecer o cognome Grande em 14 anos (desde que subiu ao trono grego com 19 anos até morrer com 33). É preciso conhecer a sua vida para o poder julgar equitativamente (tanto o bom como o mau). Quanto a Leónidas (de que se falou no artigo dedicado aos espartanos «Lacónico regresso» http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1053198.html, não foi nenhum modelo de virtude nem os espartanos o eram. Tinham as suas falhas e as suas glórias. 10 anos antes (governava já Leónidas), o egoísmo espartano não combateu contra as tropas persas que invadiam a Grécia, cabendo aos Atenienses essa glória, imortalizada pela história do mensageiro de Maratona. Mas isso está no artigo. Nem os espartanos lutaram sozinhos. Mas tens razão, a História tende a glorificar os líderes que provocaram guerras e destruição e a esquecer os que cultivaram a paz e a harmonia. Mas talvez isso não passe de uma característica demasiado humana (a História é, na minha opinião, uma das poucas coisas que nos distinguem dos restantes seres vivos deste planeta: só nós registamos a nossa História). Mesmo Reis, como Açoka, que começaram violentos e acabaram pacifistas (se bem que não tenho conhecimento de mais nenhum além deste) não ficam nos anais da História. Ou talvez fiquem e sejamos nós, quem lê sobre História, que tenha uma visão limitada e preste mais atenção aos factos terríveis e menos aos actos bondosos (somos bombardeados com a selvajaria da I.ª Guerra Mundial mas poucas vezes fui confrontado com as Tréguas do Natal de 1914, acontecimento que se pode ler em http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/872746.html). Talvez a culpa não seja só de quem regista a História mas também de quem a lê: talvez cada um só leia na História aquilo que projecta nela...
Cogitado por: Mauro a janeiro 14, 2008 09:59 PM
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