27 fevereiro 2005

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Laetitia

Uma das maiores lacunas que sinto na educação em Portugal (e consequentemente na minha) é a completa ausência de Latim. É tão importante, fundamental, o Latim para saber Português como são os alicerces numa casa: a parte que se usa está acima do solo (o Português) mas está escorada em sólidas fundações (o Latim).

E é uma língua bem mais complexa do que a maioria das línguas actuais. Quem já viu alguém a traduzir (bem) um texto latino fica boquiaberto. É que a posição das palavras na frase não é estática como a nossa, na qual os substantivos em regra precedem os verbos que precedem os complementos, e na qual a posição das palavras na frase influi no seu sentido (em Português um grande homem é diferente de um homem grande...).

Assim traduzir uma frase em Latim (Erras, mi Lucili, si existimas nostri saeculi esse vitium luxuriam (...)" Seneca Epistulae Morales XCVIIé mais ou menos isso, pelo que já presenciei: "Ora bem, erras é o verbo. Onde está o sujeito? Aqui depois dele temos o Lucili. Ah, este é o sujeito. E agora os complemento...". De cair para o lado. Limito-me a ver dar vida a vassouras de madeira...

Posso, por exemplo, dizer "Mevs nominvs Mavrvs es" (O meu nome é Mauro). Nem sei perguntar o nome de alguém. É que não depende da entoação nem uma mera inversão de posição... Atente-se como a ordem pode ser completamente diferente do que esperaríamos em Português. A posição das palavras em Latim é muito mais fléxivel, sem ser completamente absoluta... Um homem grande e um grande homem é o mesmo em Latim (magnvs vuir descreve os dois e vuir magnvs é a mesma coisa). Já agora não há u nem j em Latim. v é u é j é i. Justitae lê-se Iustitia, verba é uérba...

E há coisas curiosas em Latim. Virus, por exemplo, é uma palavra latina, apesar de eles desconhecream o que semelhante entidade quasi-biológica seria. Quer dizer substância venonosa ou repulsiva. Virus é o veneno da cobra, é o odor corporal depois de se limpar estábulos...

Outra é a palavra savrvs e savrivs. Savrvs (sauro) é pássaro e savriv (sáurio) é réptil. Muito antes de se saber que existiram dinossáur(i)os e que o único ramo sobrevivente deu origem às aves já os Romanos (por via dos Gregos) tinham designações semelhante para os dois. Coincidência? Só pode, porque os únicos répteis com esqueletos semelhantes aos das aves tinham há muito desaparecido. Nenhum réptil actual tem os ossos das pernas por baixo do corpo como as aves têm e os dinossáur(i)os tinham. Mas eu também gostava de fazer coincidâncias tão próximas da verdade como eles...

E no início foi a vuerba (que é palavra e não verbo)...

Cogitado por Mauro Maia às 16:28 | Cogitar (2)
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Eu estudei latim durante 2 anos no secundário e confesso que foi das disciplinas mais complexas com que me deparei. De facto é impressionante assistir alguém a traduzir um texto pois as diferenças em relação à nossa lingua são notórias. Confesso que foi a disciplina em que tirei notas mais baixas de todo o me percurso escolar e como tal não me deixa muitas saudades. Para além disso não retive muito daquilo que estudei :( No entanto sou forçada a admitir que quem não tem umas noções de latim, certamente tem uma visão completamente distorcida do significado e origem de algumas palavras :) Bjs Cogitado por: TemposPerdidos a fevereiro 27, 2005 05:36 PM
Pois é, o latim tem que se lhe diga. Exige disciplina, estudo, dedicação. Como dizia a minha professora tem que se trabalhar todos os dias, senão esquece-se. Pois, eu deixei de estudar e esqueci... Agora que me auxiliou bastante na compreensão da nossa língua, isso ajudou. Cogitado por: pauxana a fevereiro 27, 2005 09:42 PM