14 abril 2005

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A Terra (é) gira

Terra
A Terra gira sobre o seu eixo. Daí termos dias e noites, nasceres e pores do sol,...
Mas há mais consequências relacionadas com essa rotação. Uma delas é o surgimento da chamada força de Coriolis, que imprime a objectos sobre a influência da gravidade da Terra (em rotação) movimentos circulares.

Um curioso exemplo da força de Coriolis é o "pêndulo de Foucault". Este consiste num pêndulo pesado suportado por um fio longo (há um desses em exibição em Paris, penso que no Panteão mas já lá não vou há anos). Está em oscilação, frente, trás, frente, ... Esperar-se-ia que sempre que fosse em frente seria no mesmo sítio e para trás tmbém (no mesmo plano de oscilação). Mas como se comprova em Paris, o pêndulo, além de ir para a frente e para trás vai lentamente rodando sobre o seu eixo, pelo que o sítio por onde vai em frente é outro de quando vai para trás. Passado algum tempo as diferenças acumulam-se e ficam facilmente perceptíveis. É a força de Coriolis em acção.

Outro exemplo são os furacões, tornados, etc. É a força de Coriolis a fazer girar sobre um eixo imaginário massas de ar em movimento.
Ora a força de Coriolis faz girar objectos sobre o seu eixo no sentido contra-relógio (direita-cima-esquerda) no hemisfério Norte e no sentido dos ponteiros do relógio (cima-direita-baixo) no hemisfério sul. Assim os furacões giram para um lado no hemisfério norte e para o outro no hemisfério sul. No equador não há força de Coriolis, pelo que não há furacões nem os furacões do norte se deslocam até ao sul. Faz parte da mitologia urbana dizer-se que a água nos ralos no hemisfério Norte gira contra-relógio e no sentido dos ponteiros do relógio. No equador cai simplesmente, nem sequer girando.

Seria assim por causa da... força de Coriolis!
Já muito se tem escrito sobre isto, muito se especulou. Uns claramente a favor da ideia outros claramente contra.
Nunca me desloquei ao hemisfério sul, pelo que não posso realizar a experiência que me clarifique sobre o assunto (assim que o fizer será a primeira coisa a fazer).
Mas aparentemente alguém já realizou experiências sobre este assunto. Em 1962 Ascher Shapiro, investigador no MIT (Massachusetts Institute of Technology) encheu um tanque (com 1,80m de diâmetro e 15 cm de altura) de água de modo a que a água enche-se o reservatório num movimento circular no sentido dos ponteiros do relógio (como a experiência foi feita em Massachusetts, USA, hemisfério norte num sentido oposto ao da força de Coriolis). Aguardou um hora, a água estava parada e abriu o ralo. A água, provavelmente conservando ainda algum do movimento giratório inicial, girou saindo pelo ralo no sentido dos ponteiros do relógio, contrário ao que a força de Coriolis produziria. O efeito da força de Coriolis é muito ligeiro (milionésimos da força de gravidade) pelo que são outros factores que mais contribuem para o efeito giratório da água (a forma do ralo, o sentido inicial da água, etc.).
Se Shapiro tivesse aguardado 1 dia talvez desse à força de Coriolis a possibilidade de afectar (muito ligeiramente) o movimento da água completamente em repouso e esta girasse contra-relógio.

Mas ninguém espera 1 hora para esvaziar o lavatório ou a banheira. O movimento da água não se explica pela força de Coriolis e ela gira em qualquer uma das duas direcções, independentemente do hemisfério em que se está...

Fim do capítulo? Não parece. Ainda no outro dia, em conversa com uma professora de Física, ela afirmou ter verificado pessoalmente o efeito giratório para o outro lado no hemisfério sul...
Cogitado por Mauro Maia às 23:37 | Cogitar (0)
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