23 abril 2005Cogitar (3 cogitações anteriores)Receita para um Super-Homem
~ Junte-se 1024 pessoas. Divida-se em 512 grupos de 2. Em cada grupo cada um escolhe "par" ou "ímpar". Um dado é lançado. O que perde (não acertou) sai.
~ Junte-se as 512 pessoas que ficaram. Divida-se em grupos de 256 pessoas. Em cada grupo cada um escolhe "par" ou "ímpar". Lança-se um dado. O que não acertou sai.
~ Junte-se as 256 pessoas que ficaram. Faz-se o mesmo e sai quem não acertou.
~ Repete-se e o número de grupos vai diminuindo. 128, 64, 32, 16, 8, 4, 2, 1.
Obtém-se um par final homogéneo, em que os dois foram 10 sucessivas vezes vencedores. Os dois acertaram nas 10 vezes em que tiveram de escolher se queriam par ou ímpar. Cada um dos dois pensa: "Eu devo ter um sexto sentido para estas coisas. Até agora acertei sempre. Eu sinto qual será a resposta ainda o dado não foi lançado. Eu devo conseguir ver o futuro!"
Cada um escolhe "par" ou "ímpar". O que não acerta sai. O vencedor dá pulos de alegria. "Eu ganhei! Eu ganhei! Eu tenho mesmo um poder especial!"
Passado um ano realiza-se o mesmo concurso. O campeão em título prepara-se para uma vitória folgada. "Afinal eu tenho um poder especial. Que podem estes coitados contra mim?". 1026 pessoas são divididas em grupos de 2 e escolhem "par" ou "ímpar". O campeão escolhe e sai.
Moral da história A falácia do vencedor. É óbvio que alguém seria o vencedor. Quem vencesse teria ganho 10 vezes seguidas a escolha do tipo de número correcto. Mas a escolha é aleatória, o resultado é aleatório, o vencedor em cada grupo é aleatório. No final há aleatoriamente um vencedor de entre todos. Não é o melhor, não é o mais sortudo, não é o mais clarividente, não é o mais sagaz. Teria de ser um de entre todos. Se fossem
1 048 576 pessoas de entre elas uma só teria acertado 20 vezes seguidas no tipo de número correcto. As pessoas têm a predisposição (inata?) de ligar acontecimentos aleatórios e senti-los como se estivessem ligados. Eis a origem das superstições. Mas estas são ainda piores. Basta por vezes que seja uma Sexta-feira 13 e tropeçarmos num degrau para acharmos que estão ligadas uma coisa com a outra. Mas continua a ser aleatório. O que a inteligência permite são os meios para discernir entre a ilusão da causalidade e a verdadeira causalidade. Superstições, crenças, religiões, seitas, filosofias de vida, até a própria ciência, tudo é é sensível a esta falácia mas só a inteligência nos ilumina a fronte com a luz da correcta causalidade. Foi assim que nos tornámos homo sapiens (homem conhecedor, em latim). Trancendendo a ilusão da causalidade.
Cogitado por Mauro Maia às 16:15
| Cogitar (3) Cogitações anteriores
Olha, e eu já expectante a salivar pelas revelações que me irias trazer em como eu poderia aprender a voar e a atrair todas as donzelas à minha volta. E afinal, era só uma metáfora matemática. :~( Oh, bem, é a meia-vida.
Cogitado por: Rui a abril 23, 2005 08:38 PM
O título do artigo conseguiu então o seu objectivo... Ó para o título todo feliz! EhEhEhEhEh! ;)
Cogitado por: Mauro a abril 23, 2005 09:04 PM
Se bem que me parece que a mensagem do artigo talvez te tenha passado ao lado: não é uma metáfora...
Cogitado por: Mauro a abril 23, 2005 09:35 PM
|