04 maio 2005Cogitar (1 cogitações anteriores)Scientia in orbis core Nenhum século foi tão dependente da Ciência do que o século XX e nenhum outro se sentiu tão pouco à vontade com ela, desde que Galileu foi forçado a dizer que a Terra não se movia.Este é o paradoxo fundamental com que entramos no século XXI.
Vivemos, respiramos, comemos, comunicamos com a Ciência e raramente ou mesmo nunca (desde que surgiu) foi tão abertamente e voluntariamente desconhecida.
O século XX começou com optimismo, com a inabalável certeza de que a Ciência traria ininterrupto desenvolvimento e bem-estar à Humanidade. Mas aconteceu a Iª Guerra Mundial e os seus milhões de mortos (eficientemente liquidados pela Tecnologia), aconteceu a IIª Guerra Mundial e o Holocausto, aconteceu Hiroxima e Nagasaki,...
Quando acabou o século, o Mundo abraçava de braços abertos (mas tensos) e espírito fechado (e renitente) a sua mais querida filha, a Ciência.
Mas esta deconfiança em relação à Ciência não se deveu apenas ao potencial de destruição enormemente ampliado:
As criações de Impérios (de qualquer nacionalidade) sempre trouxeram sofrimento e escravidão a grandes fatias da Humanidade e não foi por isso que acabaram.
As religiões criaram e potenciaram conflitos suicidas entre elas sem que por isso tenham terminado.
As nações são identificadas por oposição às outras, constantes potenciais inimigas e não foi por isso que acabaram.
Pesarosamente a violência e a destruição (quase) nunca foram causas para o término ideias ou ideais ou formas de pensamento.
Não, o divórcio em comunhão de facto do Mundo com a Ciência tem outra causa.
A Ciência, até ao século XIX, podia ser (e era) feita com pouco mais do que observação da experiência diária, habilidade, bom-senso bem equilibrado e a mecanização de procedimentos técnicos validados pela tradição. Não eram necessárias (e na altura raramente quem a fazia as tinha) habilitações académicas para fazer Ciência. Só curiosidade e um espírito arguto e disciplinado. E a Ciência não era algo que a maioria das pessoas não pudesse dispensar das suas vidas.
Mas, no século XX, este estado de coisas começou a mudar. Os (e)feitos da Ciência começaram a fazer-se notar e a serem admirados e aceites, mesmo quando iam contra os instintos e a experiência quotidiana dos seus utilizadores: o cinema (figuras que se moviam sem terem corpo ou alma), o automóvel (carroças que se moviam sem que nada as parecesse puxar ou empurrar), o avião (barcos que subiam aos ares sem cair), a rádio (a voz de alguém que estava tão longe que nem se via), o raio-X (tirar fotografias do interior sem abrir o exterior),...
O incrível passou a fazer parte da vida quotidiana, cada vez mais, e a um ritmo tal que não permitia a assimilação dos conceitos físicos que o permitia. (É esta clara demarcação entre os princípios que permitem o vôo e os instintos básicos que dizem que sem apoio físico o corpo cai que explica o medo que tantos têm ainda de voar.)
O ideal tecnológico tornou-se, no final do século, um instrumento complexo, operado com o simples premir de botões, à prova de erro pelo utilizador, que tomava decisões (limitadas) e que se auto-corrigia, sem que fossem necessárias qualificações, inteligência ou habilidade por parte dos utilizadores finais. Uma caixa de super-mercado não funciona melhor operada por alguém com as habilitações mínimas ou por um doutorado.
Os milagres do século (verdadeiros e palpáveis por qualquer um) são, no início desde século XXI, factos tão corriqueiros que ninguém pensa mais neles do que pensa em se vestir para ir trabalhar.
Não é necessário compreendê-los para os fazer funcionar. Alguém já o fez (ou fará) melhor.
Daqui resultam duas consequências contraditórias:
.:. Por um lado, a suprema democracia de todos serem iguais perante a Ciência. Qualquer um, melhor ou pior, a usa, todos compreendem tanto do que usam como qualquer outra pessoa (mesmo quem constrói computadores não saberá construir carros ou aviões, casas, não usará muito melhor uma calculadora, uma televisão ou um telemóvel do que qualquer outro ser humano);
.:. Por outro lado a suprema ditadura da sujeição a princípios que não só não se compreendem como se rejeitam, enquanto se põe a comida a aquecer no micro-ondas...
Foi para isto que nasceu o Cognosco..., para unir estes dois paradoxais mundos...A Ciência no coração do Mundo
Baseado no excelente livro «A idade dos extremos - pequena história do século XX»
Cogitado por Mauro Maia às 00:01
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mas o seculo XXI cintifico depentede é com um toque de economicodepedência mas em portugal o vício e matar-se crianças
Cogitado por: tron a maio 6, 2005 12:21 AM
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