10 maio 2005

Cogitar (3 cogitações anteriores)

Planícies aluviais

Planície aluvialOs erros no uso do Português não se restringem à Ortografia. Pode-se até facilmente constatar que o grupo de erros que mais facilmente surge em Português prende-se com a Oralidade e não com a Ortografia.
Faço esta afirmação respeitando os regionalismos de pronúncia das palavras.
Não é essa situação que refiro.

Que se diga oiro ou ouro ou que se siga camión ou camião são diferenças que se podem notar (por vezes até estranhar) dentro do regionalismo próprio que formou a oralidade de cada um mas que se respeitam enquanto pronúncias e desde que não afectem a correcta ortografia.
Mas há situações que largamente galgam as margens do regionalismo e tranquilamente se instalam nas planícies aluviais do erro, mais se aproximando de pântanos...

Não há justificação para acentuar oralmente sílabas que não são a tónica.
Uma das situações (de entre tantas...) em que isso ocorre é na palavra que designa a velhíssima senhora, a Monarquia (distinguindo-a eu assim da velha senhora, o Estado Novo)
Assim monarquia, palavra grave que tem como últimas sílabas nar+qui+a é muitas vezes lido como monárquia, na incorrecta ideia de que se é monarca então é monárquia, quando apenas uma das últimas 3 sílabas de uma palavra pode ser a sílaba tónica. (Veja-se o artigo Pior palavra do dia (22-4-2005)).
Outros exemplos de incorrecta localização da sílaba tónica relacionam-se com palavras que têm como raízes palavras que têm a sílaba tónica onde erradamente é colocada na nova palavra.

No outro dia escutei a pavorosa palavra árqueiro, quando se pretendia referir uma unidade militar armada com arcos, os arqueiros. Foi o suficiente para diminuir um pouco o brilho de um excelente programa sobre Alexandre Magno. Felizmente (para o canal e para mim como espectador) o tema era suficientemente aliciante e a produção (inglesa) do programa suficientemente boa para que eu não desligasse a televisão...

Cogitado por Mauro Maia às 16:31 | Cogitar (3)
Cogitações anteriores
Chamas a atenção para um aspecto linguístico que considero muito importante: a oralidade. De facto não raras vezes ouvimos erros crassos vindos de quem ou de onde não se espera ou se esperaria ouvir. É um facto que em diversos programas de televisão, sejam de entretenimento sejam de âmbito cultural ou de outra natureza, há pouco zelo relativamente à expresssão oral. Esta situação é tanto ou mais gravosa se pensarmos que são muitas as pessoas e de difentes faixas etárias que os acompanham. Ou seja, aqui temos uma forma de fazer passar e perpetuar erros linguísticos através do que se ouve. Cogitado por: fm a maio 10, 2005 07:45 PM
Foi quando estive no Museu do Pão que reparei em algo curioso: a escrita portuguesa de há cem anos atrás tinha estilos que hoje seriam os terrores de cada professor de português. Cogitado por: Rui a maio 10, 2005 07:51 PM
Claro, a língua evolui. A questão é que há 100 anos ERA Português correcto. O ênfase é no facto de se usar O Português correcto na época em que vivemos. Cogitado por: Mauro a maio 12, 2005 12:52 PM