Cardinando
.: 10 é dez na Europa e nos EUA;
.: 100 na Europa e nos EUA;
...
.: 1 000 000 (1 seguido de 6 zeros, 106) é um milhão na Europa e nos EUA;
~ 1 seguido de 6 zeros é 106? Porquê? Não devia ser 16? Assim parece que é 1 seguido de sete zeros, o zero do dez mais os 6 zeros depois...
A questão de 1 seguido de 6 zeros ser 106 tem a ver com o facto de o 6 designar o número de multiplicações que o número 10 (a base) faz consigo mesmo.
(Uma forma de escrever números muito grandes ou muito pequenos chamada notação científica).
.: 106 é 10x10x10x10x10x10 = 1 000 000 (um milhão).
.: 16 é 1x1x1x1x1x1 = 1 (um).
Por isso 1 seguido de 6 zeros é 106 e não pode ser 16.
e.g. 25 = 2x2x2x2x2 = 32
Mas a partir do cardinal 1 milhão as coisas começam a divergir.
.: 1 000 000 000 ( 109 )
designa-se por mil milhões na Europa mas nos EUA chamam-lhe one billion.
.: 1 000 000 000 000 (1012)
é um bilião na Europa mas nos EUA já é one trillion.
.: 1 000 000 000 000 000 (1015) é mil biliões na Europa mas nos EUA é one quadrillion.
...
De mil em mil os Europeus designam o novo número como mais «um mil». «Dois mil seguidos» é mais «um milhão».
De mil em mil os estado-unidenses designam o novo número como mais «um milhão».
Não acharia necessário fazer ponto relevante esta questão se não fosse o facto de por demasiadas vezes ter lido livros de divulgação científica, com o honesto e louvável propósito de informar o público em geral de questões científicas de uma maneira simplificada mas de informação incorrecta.
Todo um brilhante livro pode ter o seu brilho diminuido por más-traduções deste tipo. O que se pretende que informe acaba por servir de veículo à transmissão de erros grosseiros.
O Universo tem 15 x 109 anos. Quando é um livro dirigido a um público europeu lê-se 15 mil milhões de anos de idade.
Os americanos podem dizer «fifteen billions» mas 15 biliões na Europa é 15 x 1012.
Quando não entendidas estas diferenças podem (e são) ser fontes de erros e de desinformação.
Tudo bem, os Estado-unidenses lêem de uma forma e os Europeus de outra.
Mas que se saiba o que se está a referir quando se diz «um bilião» para evitar confusões e erros, particularmente nas traduções de obras. Por isso é sempre bom os tradutores indicarem o número em notação científica para que se saiba que não há erros na sua tradução. Ter premissas comuns (como já muitas vezes focado anteriormente (ver Dividere nam regere) é o primeiro passo para o mútuo entendimento.
De qualquer forma como este povo pode liderar o mundo científico é de alguma forma paradoxal quando se pensa nas unidades de medida arcaicas que ainda usa (ver o artigo Está frio aqui) e o estranha forma de dizerem mil, milhão, bilião,... sem passarem por mil milhões, mil biliões,...
Até na Matemática os estado-unidenses parecem apreciar a fast-food...
Cogitado por Mauro Maia às
20:48
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