04 junho 2005Cogitar (0 cogitações anteriores)DST Que há Doenças Socialmente Transmissíveis chega-se facilmente à conclusão quando se assiste atónito à dissiminação de preconceitos, ideiais erradas, análises parciais,... pelos membros de sociedades aparentemente bem informadas, a maioria dos quais transmitidos pelos Orgãos de «Comunicação» social.
Um bom hábito (manter-se informado do mundo e da realidade que cerca um indivíduo) tornou-se, na sociedade actual, um péssimo vício (a absorção passiva de «acontecimentos» que outros julgam importantes).
É importantíssimo ter conhecimento dos factos que acontecem pelo Mundo mas hoje em dia poucos têm de facto conhecimento deles. Limitam-se a saber repetir, qual papagaio, os acontecimentos do dia e a saber repetir análises feitas (muitas vezes apressadamente) sem um mínimo de julgamento ou critério pessoal. O que interessa é ouvir as notícias e ter (e dizer) a errónea ideia de que assim se está informado.
A pior forma de informação é aquela que, julgando ser abrangente, abarca de facto pouco da verdadeira essência do conhecimento.
Qualquer um sabe repetir os números e os factos das notícias diárias mas quantos de facto entendem a importância (ou não) que têm e/ou a sua ligação com as restantes? Quantos de facto filtram, por entre a correnteza de «factos» divulgados, os verdadeiramente importantes e significativos?
Quantos poderão estabelecer a ligação histórica e causal entre as notícias divulgadas em dias em alturas diferentes?
Quantos de facto abarcam a significância das mesmas e com elas estrutaram uma visão do Mundo que lhes permite compreender factos passados e integrar num nexo causal os futuros?
Quantos filtram os acontecimentos e factos relevantes e as fontes mais credíveis dos mesmos?
E é neste acéfalo Mundo em que as «últimas notícias» se tornaram a nova droga socialmente aceite (a par do álcool, da nicotina e da cafeína) em que a maioria mergulha e discrimina quem não é um igual viciado que nascem e florescem os preconceitos, as parcialidades, a destruição da língua materna, o esquecimento do passado, a despreparação do futuro, as invejas, os rancores, a falta de valores,...
~ As notícias em que um assaltante negro assaltou uma loja mas é simplesmente um assaltante se o mesmo for caucasiano («caucasiano» é o termo que se aplica para quem seria anteriormente designado por «branco». O termo deriva de uma antiga e actualmente desacreditada ideia de que os povos que colonizaram a Europa seriam originários do Cáucaso, uma cadeia montanhosa que serve de fronteira entre a Rússia, o Azerbeijão e a Geórgia e geralmente considerada a linha divisória entre a Europa e a Ásia).
~ Não existe a palavra «massivamente». É uma perfeita anormalidade difundida por um apresentador da televisão do Estado e que surge da incapacidade de entender que em Inglês é «massive» mas que isso não significa que há uma correspondência literal com o Português. É maciçamente.
(Outras diferenças entre o Português e o Inglês ver Cardinando e Está frio aqui)
E inúmeros outros exemplos se podem dar e continuamente surgem. Há poucos filtros ao que se ouve, as Sociedades ocidentais têm tendência para estabilizar no patamar mais baixo da intelectualidade humana que é ouvir, acenar com a cabeça e repetir provocações e sentimentos negativos na praça pública.
Que se leia e ouça notícias mas sabendo escolher e peneirar o importante.
Na maioria das vezes tratam-se de exacerbações de acontecimentos de poucca monta para justificar a existência de jornais diários (impressos ou transmitidos).
Nunca é demais frisar que se procure a verdade e não a verosimilhança, que se procure o conteúdo e não o aspecto, que se procure a qualidade e não a quantidade, que se procure a essência e não a vacuidade, que se aceite que só o tempo é o juíz dos acontecimentos e que análises apressadas são piores do que nenhuma.
Há que ouvir, há que saber, há que ler, há que aprender, há que falar, há que escutar, há que opinar, há que discordar, há que escolher.
Tudo isto é verdadeiramente pensar
Cogitado por Mauro Maia às 22:46
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