06 junho 2005Cogitar (62 cogitações anteriores)Decem dimensionesNa experiência do dia-a-dia movemo-nos num espaço com 3 dimensões (largura, comprimento e altura).Desde que a Teoria da Relatividade de Einstein generalizou-se a ideia (mas a ideia foi criada pelo Matemático Minkowsky) de que vivemos num mundo a 4 dimensões (as três do espaço e uma do tempo).Dessa forma, para marcar um encontro, especificar-se-ão as 4 dimensões: estou na Rua Cognosco, no 5.º andar, porta 161 às 21h.A Teoria da Relatividade Geral explica os grandes objectos do Universo No entanto não permite entender os movimentos dos menores objectos do Universo. Quando se entra no Reino Sub-Atómico falha e uma outra teoria é usada: a Mecânica Quântica (mecânica porque trata de partículas e movimentos e quânticas porque no mundo sub-atómico a energia não aumenta de forma contínua mas em pequenos pacotes chamados «quanta», quantidades em latim).
Com ela são descritas (e várias vezes foram previstas antes de descobertas) todas as partículas sub-atómicas e os seus movimentos.Mas as duas teorias são completamente contraditórias entre si.A aplicação da Teoria da Relatividade Geral às partículas sub-atómicas leva a resultados exagerados e falsos. Só a Mecânica Quântica resolve os problemas do muito pequeno, com conclusões que contradizem as da Relatividade Geral.O próprio Einstein trabalhou nesta questão até morrer, sem ter chegado a um resultado. Uma das últimas teorias surgidas para ligar a Relatividade à Quântica foi a Teoria das Cordas. Nessa teoria todas as partículas do Universo e todas as forças existentes são vibrações diferentes das mesmas partículas ínfimas, as «cordas». Tal como um «dó» é diferente de um «fá» numa guitarra porque é uma vibração diferente da corda, também um electrão é diferente de um quark porque é uma vibração diferente das mesmas »cordas».A Teoria das Cordas resolve o problema da incompatibilidade porque o tamanho onde começam as divergências é inferior ao tamanho das teóricas «cordas».Dessa forma o problema não é resolvido, é simplesmente esquecido por nunca ocorrer.A Teoria das Cordas tem alguns resultados diferentes do que indica o senso comum. Uma delas é que vivemos num Universo a 10 dimensões~ Como 10 dimensões? Altura, largura, comprimento, tempo,... não se anda em mais nenhuma direcção. Como pode haver 10 dimensões?Além das dimensões infinitas espacial e temporal existem mais algumas dimensões que são tão pequenas que nada passa por elas (à excepção das «cordas»).A razão pela qual não são detectadas emtende-se num simples exemplo:Uma mangueira tem 3 dimensões, uma delas (o comprimento) significativamente maior do que as outras (a largura e a altura). Quando se pega numa mangueira as 3 dimensões são visíveis. No entanto, se a mangueira for colocada a 500 metros só o seu comprimento é detectável. As outras são tão pequenas que passam despercebidas.Da mesma forma as dimensões extra passam-nos despercebidas. Existem em todos os pontos do Universo e no entanto só em 4 delas (as maiores) os objecto podem circular.O Universo tem assim 10 dimensões (ou talvez mais), mesmo que não se veja por onde andam.Espero que não tenhamos de circular pelo Universo com uma lâmpada na mão em busca delas...No título «Dez dimensões»
Cogitado por Mauro Maia às 21:41
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Há uma história do Calvin em que tudo se torna multidimensional, com as leis da perspectiva a não funcionarem, as linhas rectas a não convergirem para um único ponto no infinito e as demasiadas perspectivas de cada objecto a fornecerem tanta informação que é impossível para o endiabrado rapazola sequer mexer-se. O que esta história das dez dimensões me fez recordar.
Cogitado por: Rui a junho 7, 2005 10:59 AM
Há uns tempos vi (mas não tenho competência científica para ajuizar sobre o assunto) que Stephen Hawking também teria conseguido uma ligação entre Relatividade e Mecânica Quântica, por trabalhos efectuados no campo dos buracos negros...
Cogitado por: Lady Nox a junho 7, 2005 01:15 PM
interessante artigo com uma "lacuna": não se percebe de onde vem o nº 10, para as tais 10 dimensões...
Não querendo transformar esta cogitação num artigo, apenas penso que existe uma infinidade de dimensões, bastando para tal assumir, ou pelo menos ponderar, que, por exemplo, a dimensão moral pode ser também uma dimensão também fisica. No meu entender, qualquer dimensão que tenha consequências físicas deve ser considerada física até porque terá, seguramente, origens físicas (como se pode considerar a moral não física quando a origem é no homem "físico" e as suas consequências são no homem "físico"?).
Cogitado por: muSky a fevereiro 10, 2006 04:28 PM
Obrigado pela visita, «muSky», e pelo comentário. O artigo não refere explicitamente o porquê das 10 dimensões porque não
era esse o objectivo (apenas o de referir o curioso resultado da possibilidade de haver mais doque as 4 dimensões geralmente consideradas). As 10 dimensões referidas resultam tão somente que com esse número as incompatibilidades entre a relatividade geral e a mecânica quântica não se verifica. Na Teoria das Cordas esse é o valor necessário à existência e integração no nosso Universo dessas minúsculas entidades. As dimensões que referes são dimensões de natureza humana (e nós, seres humanos, temos infindas). As considerações sobre as dimensões do Universo prende-se somente com as dimensões estrictamente físicas. A dimensão moral que referes (ou a emocional ou a religiosa ou a empática ou a mítica ou...) só se manifesta na medida em que os nossos cérebros funcionam dentro das dimensões físicas (as 4 ou as 10) e é nessas que fazem reflectir as dimensões não-físicas(que são obviamente humanas, pessoais e subjectivas). A realidade desse tipo de dimensões depende do cérebro que as cogita. E nesse ponto há infindas (não diria infinitas que a finitude é parte integrante da inteligência humana). Suponhamos a dimensão religiosa: para alguns será uma dimensão tão real como a altura ou o tempo, para outros poderá não ter realidade para além do cérebro das pessoas que crêem. Em qualquer tipo de dimensão humana o factor subjectividade estará presente (a sua existência depende sempre de quem as integra na sua mente) ao passo que as dimensões físicas «per se» são indesmentíveis e objectivas (ninguém mentalmente são duvidará do tempo que passa, da distância a que as coisas estão entre si...). Que te parece, «muSky»?
Cogitado por: Mauro a fevereiro 11, 2006 07:06 PM
Já sei que não há consenso em apenas e só definir as dimensões visíveis por todos. Assim como três de espaço e uma de tempo, também é válida uma dimensão esférica de espaço e uma de tempo, mas a de tempo é mais intrigante, conseguimos nas dimensões de espaço inverter uma esfera como inverter uma luva que estava na mão esquerda e passa a servir para colocar na direita o que significa que o significado de oposição não é o correcto, mas sim é a mesma coisa numa «direcção oposta». Einstein na relatividade colocou a dimensão de tempo em duplicado e fez operações matemáticas entre espaço e tempo quando ao mesmo tempo dizia espaço-tempo, sendo tudo um todo o que é um contra-senso para fazer divisões e raízes entre espaço e tempo. O tempo é algo virtual e não conseguimos separá-lo da massa e do espaço continuando a ser uma coisa a deslocar-se de um lugar para outro a determinada velocidade em que velocidade e tempo não se distinguem. Para quem tem a lógica como imposição da matemática e da não contradição vou terminar com o seguinte. É lógico que num espaço a três dimensões dois objectos estão sempre equidistantes entre si, esta deveria ser a lógica, mas na verdade da relatividade o referencial de observação absoluta, no exterior indica que dois objectos podem estar para uns observadores a uma distância a que todos concordam mas que rodando o referencial, para outros observadores os dois objectos, os mesmos poderão estar em posições e distâncias diferentes dos outros observadores, chegando ao máximo disto tudo dois objectos a dois metros de distância entre si podem ter qualquer outra distância sendo uma delas ocuparem o mesmo espaço, mas e as dimensões de tempo como é que ficam? A noção de causa e efeito perde a sua ordem assim como aquilo que é lógica aparentemente irrefutável, mas ficamos com uma pontinha de intuir outras dimensões de espaço, mas e as de tempo?
Cogitado por: Carlos Rodrigues a abril 13, 2007 11:39 PM
Bem, «Carlos Rodrigues», as tuas questões/afirmações levam-me sempre à mesma conclusão. Não sou, longe disso, qualquer tipo de autoridade sobre estas questões. Sou um leigo, interessado e de olho aberto. Já li bastantas coisasw sobre vários temas relacionados com o que, ao longo dos artigos do Cognosco, temos vindo a debater. Nunca, em todos os livros que li, fossem eles mais ou menos credíveis (e é importante saber fazer esta destrinça), conceitos como os que avanças com tanta certeza na tua correcção me surgiram. Mais importante ainda (para mim): tudo quanto apontas e indicas e referes não têm a mínima ligação com todo o vasto (apesar da minha relativamente tenra idade tenho consciência do muito e do pouco que ja sei) leque de conhecimentos que possuo, sendo os mais relavantes para as questões aqui abordadas a Filosofia, a História, a Matemática e a Física. Nada do qeu dizes me aparece fundamentado, nada do que me dizes tem raízes fora dos teus conceitos pessoais. Nada. Não tenciono ser rude (longe disso) mas tenho a sensação constante de que estou perante um amontoado de tijolos, sem forma nem estrutura, a que alguém insiste em chamar «catedral». Os tijolos têm consistência e poderão até ser verdadeiros, não há é o mínimo vestígio de cimento a ligá-los...
Cogitado por: Mauro a abril 14, 2007 05:42 PM
Desculpa Mauro mas tu apareces com as quatro dimensões de Minkowsky como se elas fossem tijolos bem cimentados o que é um disparate. As três dimensões desse senhor só são válidas para no senso comum jogar à batalha naval para efectuar determinação de lugares como nas coordenadas de Descartes servem para desenhar peças em 3D numa base 2D. Mas em Descartes ele introduziu o zero porque não funcionaria doutro modo, no entanto, ele foi corajoso em introduzir o zero porque no tempo dele a Igreja Católica ainda tinha enorme poder e esta abominava o zero. Na física as três dimensões de espaço e uma de tempo já não são um consenso geral na comunidade científica. Quando afirmamos comprimento, altura e largura estamos a repetir três vezes cada uma das linhas porque qualquer uma delas pode ser a outra, em física não faz sentido falar de «dentro», «fora» e as outras três palavras, o que parece ainda fazer sentido é falar de «volume» ou «profundidade» que são sinónimos e por consequência termina-se na noção de «esfera». Se em qualquer uma das três dimensões se tirar uma ficamos sempre com «espaço» bidimensional, mas este observado do lado da espessura não tem espessura e é invisivel por natureza, na verdade é mais correcto afirmar que não existe. Basta retirar uma dimensão para todo o edifício se desmoronar. Na teoria das cordas a alegoria da mangueira vista ao longe é falsa porque mesmo ao longe a mangueira é um fio bidimensional e ao aproximarmo-nos verificamos que tem três dimensões como qualquer outro objecto. Esta imagem não apresenta qualquer novidade dimensional. As duas dimensões conseguimos intuir fracamente mas ao reflectir no logismo «espessura» a bidimensionalidade não existe. Agora considerando como sendo o cimento na qualidade de «quantidade dimensional» e não a simples nomenclatura de três dimensões como havendo uma de uma dimensão, duas de duas dimensões, e três de três dimensões, todas elas independentes uma das outras embora conectáveis, podemos desdobrar, uma linha (sem espaço, na verdade) que não pode ter curvatura como já é possível intuir em duas dimensões, esta uma «soma-se» a um espaço de duas dimensões e depois à de três, por sua vez duas dimensões soma-se à de três dimensões, por sua vez a de três soma-se às duas primeiras por inteiro e ainda apresenta-se como uma unidade de três. Assim a totalidade é de que vivemos num espaço de cinco dimensões de espaço. Mas como manda a teoria da relatividade cada observador transporta o seu próprio espaço-tempo, então, existe uma dimensão de tempo em triplicado que explica o senso comum, mas para cada uma das outras dimensões e de cada conexão é preciso alguém intuir como será o tempo(s) nesse desdobramento. Agora outro assunto, penso que descobri uma falha na matemática. A regra diz que um número positivo multiplicado por um número negativo ou dois negativos entre si deverá resultar um número positivo e nunca negativo. Assim, 0= (1x(-1))= 1, porque a multiplicação e a divisão são extrapolações da adição e da subtração, então 0=(1-1)=1. E sabes qual é a soma da diferença entre dois pontos de referência? Vá lá Mauro, tem calma com os tijolos e o cimento.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a abril 15, 2007 09:37 PM
Ser-me-ia, «Carlos Rodrigues», difícil ter mais calma. Limitei-me a invocar uma imagem que exprime mais-ou-menos o meu ponto de vista. Mas vamos aos pontos relevantes: no artigo há um caminhar pelas noções de dimensões que se têm vindo a ter ao longo do tempo. Dentro do contexto apropriado, poderão estar correctas, como a Mecânica de Newton é válida (e usada mesmo hoje em dia) dentro de um contexto não-relativista de velocidades próximas da da luz. Não advogo que Minkowski estivesse correcto ou errado. Matematicamente estava correctíssimo (lá está, no sentido matemático do princípio da não contradição e do terceiro excluído). Se estava correcto fisicamente é outra questão inteiramente diferente. A Igreja Católica sempre abominou muitas coisas mas felizmente a verdade tem sabido vir à superfície. É claro que os espaço a 4 dimensões já não é um consenso geral na comunidade científica como o próprio artigo refere, ao falar na teoria (sublinho teoria, apesar de ser atraente) das Cordas e das Super-cordas. A «alegoria» da mangueira NÃO é uma alegoria da teoria das cordas. É meramente uma forma de se perceber como é possível que hajam dimensões que não se conseguem visualizar. É exactamente pelo facto de a mangueira ter 3 dimensões, apesar de ao longe só serem vistas 2, que é o ponto fulcral e mais importante da alegoria. Como todas as imagens que se usam para tornarem mais perceptíveis conceitos abstractos, tem as suas limitações, não servindo como cenário total e único do que se passa com as dimensões «escondidas». Por exemplo, a imagem de Eistein do espaço-tempo como uma tira de borracha que objectos com massa simultaneamente influenciam e são influenciados é um bom exemplo: nem o espaço é feito de borracha, nem é necessariamente plano (falta determinar a quantidade de matéria-escura para se saber), nem tem as limitações de elasticidade que a borecha tem. No entanto, serve, dentro dos limites apropriados, como imagem muito sugestiva de como um objecto com massa interage com o espaço-tempo. Uma alegoria nunca serve para todos os cenários mas claro que, quanto melhor for a alegoria, mais cenários consegue conter. Mas aí, entra em jogo a dualidade quantidade-simplicidade. Aquilo que referes cmo uma falha da Matemática parece ser unicamente uma falha conceptual tua. Um número positivo vezes um número negativo dá um número negativo. Como igualas 0 a 1x(-1) é então claramente inconcebível dentro da aritmética usual. Não respeitas os axiomas para chegar à conclusão que os axiomas estão errados. 0=1+(-1). -1=1x(-1). A multiplicação (e divisão) de números recionais positivos é algo com paralelismos no mundo físico, mas não a multiplicação (e divisão) de números negativos. Mas, já agora, referes que 0 é igual a 1 vezes (-1) porque «a multiplicação é uma extrapolação da soma». Mas isto não tem qualquer sentido, começando pelo facto de não indicares nem respeitares a dita «extrapolação» pela qual a soma se converte numa multiplicação (em termos de números naturais, uma multiplicação não passa de uma série de somas). Que extrapolação usas para dizer que 0 é igual a 1 vezes -1? Usando apenas a tua «conclusão» seria válido dizer que 5=2*3 porque a multiplicação é uma «extrapolação» da soma? Na base decimal claro que não, tal como 0 NÃO é igual a 1 vezes -1 na base decimal.
Cogitado por: Mauro a abril 16, 2007 12:03 PM
Acerca das dimensões sabes que sou eu quem tem razão, ter razão não sou o único e significa que não sabemos, só temos os espaços bidimensionais como a abstração de outras dimensões e esta abstracção é muito ténue, frágil, quando a exploramos profundamente concluímos ser uma ilusão devido ao conceito de «espessura». Quanto a zero ser igual a um parece de facto um disparate, mas vi esta teoria noutro blogue acerca de cosmologia do infinito e depois pensei no assunto e recordei as aulas de matemática da minha mocidade onde uma regra desta disciplina é que dois ou mais números de sinal negativo na multiplicação resultam sempre num produto positivo. Mas também tu com a imagem do combustível do carro até à energia cinética das rodas transformas-te uma raiz negativa em positiva. Por um lado é um disparate zero ser igual a um, mas o impossível foi feito a partir do possível, assim sendo o possível o ser e simbolizando este com o número um então o zero foi feito a partir do um. Ainda, apresento duas operações para se discutir, é possível tirar zero de um, é possível tirar um de zero? Em todos os outros números é possível tirar uns de outros mas no número zero é um disparate fazê-lo a partir dos outros, na lei da conservação de energia, nada se perde, tudo se transforma, nas leis da matemática há um número infinito de operações que dão a aniquilação, o zero. Mas o mais simples é que sendo o zero «um número», a expressão entre aspas denomina uma quantidade, o que é um disparate, discorda o que quiseres mas eu penso que a matemática sofre deste grande erro, ou, no mínimo, um paradoxo.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a abril 22, 2007 08:44 PM
Acerca das dimensões , «Carlos Rodrigues», não sei onde está a tua razão. Além disso, e re-sublinhando o que disse no meu comentário anterior, atenção que uma alegoria é, pela sua própria natureza, uma imgem simplista que retrata uma vertente de uma situação mas não pode obviamente explicar e retratar todas. A alegoria da mangueira não é certa nem errada, é apropriada como imagem para dar uma ideia de como pode haver dimensões que estão aparentemente escondidas. Essa é exactamente a força desta imagem: a dimensão que não se vê está lá, mas a distância torna-a imperceptível ao observador distante. Da mesma forma, os espaços de Calabi-Yau, que serão a forma pela qual as dimensões extras do universo se «enrolam», existem em cada ponto do Universo, mas a «distância» de escala que nos separa deles torna-os invisíveis. Estão lá, apenas não os conseguimos perceber devido à «distância» a que estamos. Por isso a imagem da mangueira é, a todos os títulos, simplesmente brilhante. Mais ainda, na minha opinião, do que a imagem de Einstein do espaço-tempo que se comporta como uma «folha» de borracha. Quanto À multiplicação de números negativos, atenção ao número de número negativos que estás a multiplicar. Quando dizes «dois ou mais números de sinal negativo na multiplicação», estás a ignorar a óbvia diferença entre multiplicares 2, 4, 6, 8, ... números negativos e multiplicares 1, 3, 5, 7, 9, ... números negativos. Multiplicar um número par de números negativos tem como resultado um número positivo (-1)x(-1)x(-1)x(-1) = 1. Multiplicar um número ÍMpar de números negativos tem como resultado um número NEGAtivo (-1)x(-1)x(-1) = -1. Além do mais, insistes em querer ver conceitos matemáticos abstractos à luz de rígidos princípios físicos. Como geralmente, é a Física que tem de correr para tentar acompnhar a Matemática e não o oposto. Os números (ditos) imaginários já existiam muito antes de se cogitar a existência de Campos de Higgs, cujo valor é um número (dito) imaginário. É claramente possível tirar matematicamente 1 de 0, isto é, fazer 0 - 1. O resultado é -1. É irrelevante para a Matemática que haja algum princípio físico que use esta aritmética. Irrelevante. Mas, por acaso, até existe um princípio físico que usa o conceito de 0 - 1 = -1. Imagina (uma das «experiências mentais» de Einstein) que tens um frigorífico. Este começa por estar à temperatura ambiente. Por acção da transferência de energia para o exterior do aparelho, a temperatura interior vai diminuindo. A dado momento, está em 0. Em seguida, um grau centígrado de energia térmica é retirado ao interior do frigorífico. Então 0 - 1 = -1, ou seja, a temperatura do frigorífico passou a ser -1ºC. A Matemática tem paradoxos, como provou o grande Kurt Gödel, mas a um nível bem mais sofisticado do que esse irrisório e infantil exemplo de «0 - 1», que qualquer um pode facilmente rebater. E não, não é à toa que empreguei este tom «paternalista». O objectivo está bem longe, é claramente diferente, de querer mostrar algum tipo de superioridade. Serve apenas para tentar mostrar que esta «conversa» tem de subir vários pontos na credibilidade e exactidão conceptual.
Cogitado por: Mauro a abril 22, 2007 10:53 PM
Primeiro que tudo já percebeste que fui induzido em erro pelos professores do meu tempo, mas de qualquer das maneiras acredito que só um número restrito de indivíduos conhece os elementos físicos ou conceptuais que os alunos sem saberem têm de cumprir escrupolosamente. De resto os que sabem é que têm direito a prevaricar acerca de algumas dessas regras em que algumas parecerão grandes disparates. Os espaços Calabi-Yau são uma teoria em que não há nada que a desminta nem a prove. Começou com uma teoria baseada num tornado que por sua vez é baseada na relatividade. Os inteligentes que intuiram que o núcleo de espaços desses são buracos negros suspeito que se basearam numa das muitas surpreendentes propriedades da gravidade predita por Newton que é quanto mais nos aproximamos da gravidade para o lado nano mais forte é a força misteriosa da gravidade. É uma teoria linda de facto, talvez seja neste argumento com esta prova que a teoria das cordas concilia a mecânica quântica com a relatividade ao incluir a gravidade neste âmbito. Para o lado do nano dominar estes buracos negros também serve de interesse à coisa mais complicada do planeta - os sapiens, serve para viajar no tempo, dominar o tempo, entrar por um buraco de minhoca e sair noutro lado do universo, mas até à data só há especulações abstractas e controversas no que se passa no interior dum buraco negro estrelar e é baseado na relatividade dos buracos negros macro para viajar no tempo que pensamos que os buracos negros nano são de longe domináveis ao contrário dos macro. Quanto ao zero e ao um estamos também a falar de macro e micro, mas mais profundo e irredutível, são as coisas verdadeiramente simples onde está a maior complexidade do mundo, onde os melhores pensadores do mundo têm convicções mais fortes que as certezas das ciências exactas, talvez esteja a ser idealista mas um dia todos no mundo estarão numa maravilhosa sintonia de todos serem Criacionistas. Na questão do zero e do um, no cogito interior, em questões semânticas semióticas sou eu que tenho razão ficando também a estrutura da lógica neste âmbito com uma lacuna por resolver sabe-se lá até quando.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a abril 23, 2007 10:02 PM
Houve um tempo, «Carlos Rodrigues», em que se sonhava que todas as pessoas tivessem consciência da «verdade divina». No entanto, os conflitos religiosos mostraram a «face feia» da Religião (monoteísta) e do seu uso como «verdade surprema». Houve um tempo, «Carlos Rodrigues», em que se sonhava que todas as pessoas tivessem consciência da «verdade científica». No entanto, veio a Iª Guerra Mundial e o Comunismo e mostraram a «face feia» da Ciência e do seu uso como «verdade suprema». Penso retirar, da História (que tanto aprecio), a lição de que os sonhos mais cruéis para a Humanidade são os sonhos para a Humanidade, sem respeito pela diversidade do ser humano e das suas crenças. Prefiro sonhar que eu não acredito em Deus e que outros acreditam do que desejar que todos não acreditem ou que todos acreditem. Como já alguém disse «Não concordo consigo mas bater-me-ei até à morte para que seja ouvido». Esse é o espírito que valorizo e que me parece o mais frutuoso. Tendo em conta que tive o mesmo tipo de professores que a maioria dos alunos deste país, e fazendo uma rápida comparação, parece-me que pôr a tónica nos «maus professores» não é a resposta correcta. Muito do que se retira da escola (e da vida) é aquilo que procuramos tirar dela(s). Se for passar as férias ao Havai e ficar sempre fechado no hotel, poderei afirmar que passar «férias no Havai» é muito aborrecido, mas a culpa será minha porque não procurei a sua beleza. O mesmo se aplica às aulas e à escola. Só se traz aquilo que se quer trazer. Mais uma vez parece-me que colocas «a carroça à frente dos bois» (peço desculpa pelo jargão popular, mas não encontro outra forma de me fazer entender nesta «conversa») no que diz respeito a espaços de Calabi-Yau. Estes são construções meramente matemáticas, tanto faz para a sua solidez conceptual que descrevam ou não as dimensões extra da teoria das cordas. Nada há que desminta ou não a aplicação destes espaços às dimensões extra da teoria das cordas, mas a sua validade matemática é inquestionável e impossível de rebater. A minha carteira existe e tem validade, independentemente de a usar para transportar dinheiro ou não. Não me parece de todo que a gravidade tenha «lados» macro ou nano. A gravidade é a mesma, quer em parsecs quer em nanómetros. Daí que ela constitua a grande brecha entre a Mecânica Quântica e a Relatividade: é exactamente por ser a mesma força a mediar as interacções de partículas quânticas e buracos negros. Além do mais, dadas as dimensões das dimensões extra da teoria das cordas, nanómetros serão uma medida tão irrealisticamente grande para os espaços Calabi-Yau como usar quilómetros para medir a altura de uma pessoa. Se apenas cordas se podem movimentar nas dimensões extra, qual é a natureza desses «buracos negros» existentes nessas dimensões? Um conceito à partida demasiado infundado para ser abordado sem maiores especificações. Viagens no tempo e «proezas» que tais parecem surgir demasiado à vontade no teu discurso para que pareçam verosímeis. Por tudo e nada, qualquer (falso) conceito que apresentas como prova de «paradoxos» (geralmente imaginários ou forçados) parecem conduzir-te a esses assomos de imaginação. Não os descarto à partida mas só os aceitarei com fundamentos sólidos. E peço desculpa de te o dizer, a haver «os melhores pensadores do mundo» nunca poderiam ter convicções mais fortes do que a Ciência. A começar pelo critério absolutamente subjectivo do que será um «melhor pensador». A meu ver, qualquer pensador que ignore conceitos tão fundamentais como a Ciência só poderá ser um «pior pensador». Quando muito um «melhor iludido». Quanto às razões semióticas, insistes em querer usar o argumento da (presunçosa) autoridade que terás (e que não vejo espelhada em qualquer palavra ou conceito). Se tens razão porque tens razão não entendo sequer a necessidade desta intereacção «virtual».
Cogitado por: Mauro a abril 24, 2007 10:17 PM
Se a verdade fosse uma pluralidade de diversidade em que cada um tivesse razão, todos têm razão mesmo que a razão de uns seja contrária à de outros, se é este caminho que escolhemos então caminhamos para a anarquia. Sabemos que não é assim e que a liberdade degenera em libertinagem, se uma criança for entregue a si própria não recebendo qualquer educação sabemos que a maioria dessas crianças se perdem na vida. Existem regras porque há quem não as queira cumprir, existem pessoas realmente más, realmente porque sabem o mal que estão a fazer, eu ao ignorante perdoo e ensino, ao inteligente que sabe o mal que fez , é perverso e merece castigo. Existem sistemas e subsistemas a que chamamos Governos e empresas e instuituições porque sabemos que deve haver previdência para assegurar a ordem. O ser humano cria leis para se rodear e privar de coisas. E as leis são criadas baseadas em erros que cometemos e também baseadas no empirismo. Assim as comunidades científicas também têm leis que são baseadas em observações empíricas e consensos gerais entre os membros. Obrigado pelas faíscas e de me irritares em não dares o braço a torcer a coisas que já estão bem cimentadas. Foi belo a intuição dos espaços Calabi-yau baseada na estranha afirmação de Newton, se no tempo dele tivessem sido intuidos os buracos negros ele mesmo tinha intuido os micro buracos negros.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a abril 26, 2007 02:13 PM
Em relação, «Carlos Rodrigues», ao conceito de verdade (e apenas em relação a este), sou um descontente mas resignado agnóstico: eu sinto que Ela existe, não consigo é prová-lo (a mim ou a outros). Analisa uma partícula, atenta na sua dualidade simultânea de partícula e onda e tenta encaixar uma só dessas verdades (onda ou partícula ou então velocidade ou posição) nela... É curioso todo o teu discurso sobre regras: é exactamente pela minha necessidade que elas sejam respeitadas que me insurgi (vitualmente, como é óbvio) em relação à tua peremptória afirmação de que «eu é que tenho razão», sem que um vestígio sequer de base sólida para essa caricata afirmação. Desrespeitas impunemente raciocínios lógicos, atropelas conceitos, forças conclusão e falas em «seguir regras»? Só se for a regra de não seguir regras. As regras e a moral pla qual uma sociedade se mantém coesa são convenções sociais, mutáveis e diferentes conforme as sociedades, não deixando de cimentar o edifício social. Os Maias praticavam sacrifícios humanos para garantir boas colheitas e a sua sociedade manteve-se intacta durante milénios. Os gregos clássicos praticavam abertamente a homossexualidade (tanto masculina como feminina) e a sua sociedade manteve-se intacta por séculos. O facto de qualquer um destes valores serem condenados (abertamente ou não) na sociedade actual não retira poder a esses valores como cimento social nas sociedades onde existiram. Posso não aceitar nem compreender sacrifíicos humanos ou a homossexualidade mas não deixo de respeitar as sociedades em que eles perduraram. É difícil, concedo-te isso, olhar para o Mundo sem as restricções morais da Religião Católica, mas se conseguisses vias como o Mundo é belo e complexo. Tira os óculos de sol e vêm contemplar um museu, tira os auscultadores e vem ouvir uma sinfonia. E quanto a «dar o braço a torcer», nunca tive qualquer problema em o fazer quando estava errado. Não é seguramente este o caso, principalmente sobre coisas que «estão bem cimentadas». Cimentadas por quem e baseado em que argamassa é que fica a questão...
Cogitado por: Mauro a abril 26, 2007 03:40 PM
A nível social sem dúvida que existe muito autismo
onde são preocupação coisas que até os estúpidos concordam como lógicas verdadeiras, mas a nível cosmológico uma das minhas máximas é o seguinte: Qualquer sobredotado que queira sentir-se um estúpido ignorante é uma questão de tentar aferir e explicar o infinito. Acredito que os psicólogos e psiquiatras de todo o mundo resolveriam bastantes casos de psicoses e autismos lançando no campo dessas mentes alguns princípios metafísicos e deixá-los divagar até se confrontarem com eles mesmos. Uma imagem simples que sobrepõe a loucura como maioria às ditas ciências exactas é simples, o nosso cérebro é pequeno em relação ao resto do corpo e no entanto o que não houver codificado no cérebro esse corpo não tem fisicamente, mas nós temos inúmeras coisas que o corpo não tem, temos por exemplo a noção de ir à praia e ficarmos por momentos a olhar o horizonte conseguindo medir mentalmente a distância que observamos, sabemos que o nosso cérebro é pequeno comparado com a distância do horizonte que calculamos com ele, logo temos dentro do cérebro distâncias astronomicamente maiores que aquelas que ocupam o cérebro. Extrapolando podíamos começar por ter a noção correcta de unidade astronómica comparando com quilómetros que já percorremos, depois extrapolavámos sucessivamente sem nunca perder a noção da lonjura em distância real, passávamos pela velocidade da luz, chegávamos ao parsec até ao diâmetro do universo observável, mas a nossa IMAGINAÇÃO vai mais longe, tão longe, que mesmo que existam outras dimensões espaciais que contradigam o lugar onde estamos no infinito pondo em causa a noção de princípio, meio e fim, no nosso modesto univero basta-nos a correcta definição da consequência metafísica entre recta e curva para sabermos que em qualquer espaço dimensional, a noção de distância leva-nos a deparar connosco próprios no centro do infinito que significa que o princípio, meio e fim estão onde nós estivermos, que o infinito tem ter fim e tem não ter fim que estamos sempre no centro do infinito e que todo o infinito está no centro de todo o infinito, não há fuga possível para este autismo da realidade, onde «autismo», «realidade» e «ilusão» são todos sinónimos. Continuarei a dizer.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a abril 27, 2007 11:40 PM
É sempre, «Carlos Rodrigues», um exercício perigoso o de tomar o que consideramos verdades absolutas como sendo verdades universais. Faz-me lembrar os primeiros europeus que aportavam em terras desconhecidas pensando que os (amer)índios reconheceriam e ajoelhar-se-iam perante a imagem da cruz. Não percebiam que a verdade absoluta que conheciam não era a verdade universal que julgavam. É um pensamento curioso mas «verdade absoluta» não é sinónimo de «verdade universal» (penso que aqui se encontra a raíz dos conflitos religiosos). Portanto o que são «coisas que até os estúpidos concordam como lógicas verdadeiras» é matéria de óbvia discordância. Começo por apontar o dedo ao adjectivo «estúpido» e perguntar qual o critério que se poderá empregar para fazer essa classificação. E meu ver, provavelmente só um critério estúpido poderá ser usado para classificar alguém como estúpido. Novamente divagas inifitamente sobre o conceito do infinito, acabando por efectuar o mais limitado de todos os possíveis infinitos: uma curva fechada. Argumentos que suportam argumentos qu levam a argumentos que apoiam os argumentos iniciais. Roda e roda e nunca se sai da roda. Foi graças a um semelhante circuito que se deu a Queda da Bolsa em Nova Iorque, em 1933, começando na infame Quinta-feira negra: dinheiro em acções que apoiavam dinheiro em acções que apoiavam dinheiro em acções, tudo baseado em papel. A queda era inevitável... Dou-te plena razão num aspecto: há considerações sobre o infinito e a realidade que parecem verdadeiros autismos...
Cogitado por: Mauro a abril 29, 2007 12:18 AM
Começo por assumir o erro de utilizar a palavra «estúpido», eu sou estúpido em muitos assuntos, um deles é a classificação escolar, um mal-educado rótulo que se coloca a quem não tem a escolaridade básica. Embora muito por dizer acerca da ignorância, da inocência, da ingenuidade, palavras todas de significados diferentes mas da família do mesmo assunto, salto para o fim, no assunto de cosmologia do infinito somos todos estúpidos, mas aqueles que mais sabem acerca do assunto ou tornam-se extremamente modestos e têm dificuldades em sobreviver e a desenvolver estados de loucura ou caiem no erro de se tornarem arrogantes e querer como às vezes eu quero impor ao mundo inteiro impor verdades universais que as confundem com verdades absolutas. Mas é aqui que há uma subtil diferença que ao distinguir uma da outra se percebe que não é subtil de transição suave e imperceptível mas sim um radical abismo. Para emendar a diferença, para ti que julgo-te com conhecimentos para isso não tendo desculpa para cometer erros no assunto, essa abismal diferença é que as verdades universais podem escrever-se com letra minúscula e no plural ou no singular e estão sujeitas à mudança, as verdades de hoje podem ser as mentiras de amanhã, incluindo a própria matemática que defendes não haver contradições é uma criação embora seja vista como o instrumento virtual das realidades físicas, mas só conhecemos uma ínfima parte da natureza e tudo indica que há lógicas subjacentes às lógicas conhecidas que as contradigam e as digam simultaneamente, os desconhecidos são maiores que os conhecidos, os fenómenos físicos e fenómenos psicológicos são ainda muitos os que esperam por respostas de lógica coerente. No meu livro de cosmologia eu discuto este assunto onde uma coisa pode ser verdadeira dentro dum sistema e falsa dentro de outro e vice-versa fazendo depois uma extrapolação unicamente escalar de conjuntos hierárquicos. Mas o grande abismo é que verdade universal é válido para a natureza e a outra é um assunto tão sério que deverá escrever-se assim: Verdade Absoluta, que pode ser um outro nome d'O Infinito Absoluto. Conceptualmente o plural e singular também são válidos mas acrescentando: Verdade Absoluta Singular-Plural. É isto que eu tenho tendência a impor não sem alguma relutância no âmbito de Singular-Plural, como eu já te disse uma vez, eu, tu ou seja quem for somos não-ser a tentar aferir O Ser, este princípio da mediocridade para mim é um absoluto sem letras maiúsculas no assunto, mas existem consensos, hierarquias e padrões e não conseguimos imaginar os sistemas adequados e para os sapiens sem eles. Pensamos que é verdade o que cada um considera verdade mas vivemos num universo pejado de impossíveis que não nos permite concordar com a total liberdade de tudo e todos. Não se trata também do mais limitado dos infinitos, mas uma das naturezas do infinito, por um lado a noção de curva diz-nos que concorda com a teoria do Hotel de Hilbert, o infinito não seria infinito se estivesse em fase de criação, ele tem de ser já infinito à priori, e ainda contrariando «o mais limitado dos infinitos» está a noção de recta que justifica que o infinito é infinito e nos induz a não haver uma expressão equívoca por natureza do assunto que é «o eterno retorno» a proposição das duas únicas geometrias conhecidas, recta-curva, encerra o paradoxo do infinito ser simultaneamente infinito e fechado, ou mais correctamente, realizado. No entanto, no teorema de Hilbert cabe sempre mais, há sempre mais lugar para novos «clientes», mas esta alegoria não a considero totalmente correcta. Discordo a métrica e o próprio sistema com que chegam e são colocados nos quartos esses clientes. Este assunto leva-nos a outro que já discutimos e se conecta com outro, eu digo o meu oito deitado para o Infinito Absoluto Todo Poderoso, e digo o meu oito em pé para Este Ser Continuamente Original a criar novos clientes para o Hotel mas se ripostares em reperguntares se Deus Pode fazer uma pedra que Ele não Consiga levantar, novamente digo-te que a pedra não é pesada nem leve, somos ilusão com presunção à Realidade e o último passo atrás, somos não-é a tentar aferir O Que É.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 4, 2007 10:10 PM
Esse adjectivo, «Carlos Rodrigues», deveria mesmo ser abolido do uso quotidiano. Tem uma tal carga subjectiva, excluidora e pretensamente-superior que o tornam, a meu ver, adequado apenas a auto-descrever-se: somente o adjectivo «estúpido» é estúpido... Em relação à Matemática, uma breve que seja leitura do que aqui tenho deixado torna claro que NUNCA disse que a Matemática é distituída de contradições: como já disse, Kurt Gödel mostrou claramente isso. A confusão óbvia que estás a fazer é entre o Princípio Constructor da Matemática (o da não contradição) com a Realidade Última dessa construcção (a existência, em ALGUNS sectores mais teóricos da Matemática, de contradições insanáveis). Mas o facto de haver contradições em ALGUNS sectores não implica obviamente existirem contradições em TODOS os sectores. Da mesma forma que se pode visitar uma mesquita em Lisboa sem daí aferir que toda a cidade ou todo o país é muçulmano (lembrei-me desse exemplo por ter acabado de ver um interessantíssimo programa na RTP2 sobre a minoria muçulmana no Reino De Portugal pré e pós expulsão manuelina. Sem dúvida, foi Portugal que mais perdeu com essa expulsão-ou-conversão-forçada). Novamente cometes uma enorme contradição: afirmas que «somos ilusão com presunção à Realidade e o último passo atrás, somos não-é a tentar aferir O Que É» (e a validade desta afirmação não colocarei para já sob escrutínio). No entanto, és tu mesmo quem afirma sistematicamente as características desse Infinito que consideras tão acima de todos que não pode ser compreendido. Como afirmas a impossibilidade de caracterizar esse infinito por parte de nós-não-seres quando tu mesmo o fazes ao o afirmar? Como retiras a conclusão de que o teu Infinito (a ter vontade consciente, que penso poder retirar das tuas palavras) não quer/deseja/obriga/permite que as suas criações o compreendam e descrevam? Se tiveres razão quanto ao facto de esse infinito-divindade ser incompreensível então automaticamente deixas de ter razão quanto ao facto de esse infinito-divindade ser incompreensível. Acabei de mostrar a contradição do teu pensamento da mesma forma (mas claramente que não com a mesma mestria) com que Gödel mostrou que, ao nível da auto-demonstração, a Matemática não se pode auto-provar (apesar de poder provar que não se pode auto-provar). E esta é, a meu ver, uma das maiores forças que tem a Matemática: a capacidade de mostrar que tem as suas fraquezas.
Cogitado por: Mauro a maio 5, 2007 12:20 PM
Não pretendo afirmar que O Infinito Absoluto seja Incompreensível, pretendo fazer entender a nossa insignificância e o tão pouco que sabemos do infinito criado, quanto mais, será uma presunção definir O Infinito Absoluto. Se analisarmos as coisas do ponto de vista semiótico vemos apenas indução dedutiva, é como uma das minhas máximas que é o seguinte: A visibilidade do invisível é a palavra invisível. Esta pode ser junta ao dizeres que a matemática demonstrou as suas próprias limitações, mas eu já te defini no cogito anterior o que é para mim a matemática mas posso acrescentar que a métrica decimal é plana tendo o que não existe no mundo físico. Isto significa que a exactidão lógica, a consistência absoluta existe embora não a tenhamos fisicamente. Se dissermos que a verdade são as coisas como elas são está correctíssimo afirmá-lo, é um bom truque. Mas vejamos outra proposição que pode pôr em causa a semiótica no domínio dos signos linguísticos e a lógica de afirmar que a verdade são as coisas como elas são, é o seguinte: a palavra refutável é refutável e a palavra irrefutável é irrefutável, isto é uma clara contradição de ambas, uma contradiz a outra e vice-versa e ambas se concordam uma com a outra, ambas são uma contradição e uma não contradição. Não pretendo impor a «minha» verdade aos outros, pretendo sim, um dia, ser capaz de a fazer entender, afinal os maiores conflitos no mundo e a nível individual são um pouco parecidos com dois daltónicos a discutirem o transparente. É de longe mais gratificante fazer perceber aos outros o que nós também percebemos, sabemos até que o amor, coisa completamente subjectiva tem num dos seus princípios duas pessoas gostarem ambas das mesmas coisas ao ponto culminante de surgir o que possa parecer telepatia. E para terminar gosto de passar de metro nos Olivais, numa direcção cito-te que uma coisa não é só o que vemos mas também o que ela significa, depois faço a viagem no sentido inverso e cito: A Verdade não pertence a ninguém mas tão somente a quem seja capaz de a entender.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 6, 2007 11:22 PM
Quer-me parecer, «Carlos Rodrigues», que estás a querer voltar atrás sobre as tuas pegadas... As afirmações que aqui tens deixado sobre «O Infinito» são extensas e por demais óbvias. Afirmas as suas características mas acabas por afirmar a incoerência de caracterizar «O Infinito» por parte de não-seres como tu (e eu e todos nós). O paradoxo deste ponto essencial no teu discurso deverá levar-te a ponderar seriamente a validade e profundidade das tuas crenças. Quanto a tudo o mais, reafirmo que apenas fazes malabarismos desajeitados com palavras e com conceitos, como afirmar que «A visibilidade do invisível é a palavra invisível». Conceitos nulos construídos com raciocínios nulos... Poderia perfeitamente, mimetizando a tua afirmação «A sonoridade do silêncio é a palavra som». Vácuo gerando vácuo.
Cogitado por: Mauro a maio 7, 2007 10:52 AM
Estás a interpretar mal a máxima entre o par complementar visível-invisível e claro não percebeste as proposições seguintes que lhe são inerentes, é filosofia no âmbito da semiótica que lida com signos ou imagens porque tudo o que existe tem um significado, o resultado não é inócuo mas sim tem a característica de ser simultaneamente um dilema e uma contradição e são estas as conclusões que se tiram da ciência da cosmologia do infinito, metafísica, ontologia e Teologia. Eu diria que a razão é igual e proporcional à lógica física dos elementos incógnitos da natureza e o idealismo ao contrário da razão supõe o transcendental sem necessidade de o demonstrar, porém gera certezas óbvias. O verdadeiro idealista quando morre pensa que ainda está vivo. O silêncio e o som são complementares que é um pouco diferente de antagónicos e complementares significa que tiveram origem comum porque duas coisas antagónicas entre si é uma da outra a sua contradição o que significa que por sua vez que nenhuma delas é mais correcta que a outra e que deverá haver uma verdade subjacente a ambas que as refutará. Para terminar devo dizer-te que é no silêncio positivo que reflectimos nas coisas verdadeiramente profundas da vida, do mundo e de que correctamente a palavra impossível foi feita a partir do possível. Por fim deixo uma frase poética que me ocorreu hoje, como é óbvio, no silêncio, é a seguinte: A imaginação é aquilo que está mais próximo do horizonte.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 7, 2007 10:25 PM
Para uma pessoa com elevada capacidade cognitiva é fácil de imaginar esta seguinte experiência: Imagina que existes apenas tu, és infinito, não existe absolutamente mais coisa alguma fora de ti, não existe espaço fora de ti. A pergunta é a seguinte: Tu existes? Isto foi sonhado por mim já há muitos anos mas não soube interpretar. Recentemente descobri que na metafísica, um proeminente físico de que não recordo o nome por ser um nome estrangeiro, formulou esta questão doutro modo aplicando-a à gravidade. É mais ou menos assim se existir um balde com água a rodar sobre si mesmo e não existir absolutamente mais coisa alguma, embora exista espaço, esse balde provoca uma força na água para o exterior, essa água e esse balde tentam dispersar-se para o exterior provocado pela rotação? Parece que a resposta é que não é gerada uma força para o exterior porque não existe mais massa alguma no universo. Eu dei um passo mais atrás e retirei o espaço. Posso imaginar que Deus seja um Uno Plural mas de forma alguma, não aceito o politeísmo. Também não me agrada a mim não-ser mas somos no mínimo testemunhas da existência de Deus. Já foi dito pelos Hindus que podemos ser o sonho de Deus, mas se não formos o sonho de Deus, Deus é o sonho do homem.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 8, 2007 09:09 PM
Em relção, «Carlos Rodrigues», em relação às tuas considerações sobre a semiótica tenho o seguinte a considerar: ou é uma pseudo-ciência (cheia de noções irrelevantes que sustentam argumentos incoerentes) ou precisarás de aprofundar mais os teus conhecimentos. O que aqui tem chegado não parece passar de inconsequentes jogos de palavras. Quanto ao balde a rodar é uma outra questão em diferente, bem mais palpável. A questão do balde a rodar e do seu significado para o espaço absoluto data já das rivalidades intelec tuais entre o alemão Leibniz e o inglês Newton. Não desejando entrar muito no assunto (terá de aguardar o dia em que escreva um livro sobe o assunto), tem a ver com a definição de espaço, se este apenas um conceito abstracto ou se é uma entidade física. Para Leibniz o conceito era um termo relacional, algo que situa os objectos entre si. Não havendo objectos não há espaço. Já para Newton é uma entidade física, com ou sem objectos. O debate girava em torno da descrição do que ocorria à água no interior do balde enquanto rodava. Para Leibniz (e mais tarde para o alemão Mach, que aprofundou o conceito de Leibniz) o espaço sem objectos é como um alfabeto sem letras: um conceito vazio. Como uma faca sem lâmina nem cabo: um conceito inexistente excepto como palavras. Mais tarde o conceito inspirou Einstein na criação da Restrita. Para Eistein o espaço NÃO é absoluto, o tempo NÃO é absoluto mas o espaço-tempo É absoluto. Aliás, a Teoria da Relatividade tem , pelos menos, dois conceitos absolutos: a invariância da velocidade da luz e o absoluto do espaço-tempo. Pergunto-me é como alguém que afirma estar a escrever um livro sobre estes assuntos, pode claudicar perante nomes tão incontornáveis como os de Leibniz, Newton, Mach ou Einstein. Põe um imenso e sério ponto de interrogação à validade das afirmações nele contidas...
Cogitado por: Mauro a maio 8, 2007 10:10 PM
Leio livros de divulgação científica e a minha opinião é na maior parte das vezes concordar com alguns autores cientistas dos assuntos discutidos. Não sei o que significa claudicar mas parece-me que estás a aproximar-te das tuas próprias contradições como foi o caso da palavra «estúpido». Qualquer cientista que nomeaste na discussão do assunto eram indivíduos com as mesmas e alguns até menos capacidades e inteligência que quase qualquer outro ser humano. Podias falar-me era das inclinações, vocações, educação que cada um desses afortunados teve. Em relação à semiótica tenho uma máxima que é o seguinte: A intenção da semiótica é dizer «aqui está fisicamente» já foi referido por outros no cognosco que os sentimentos poderiam existir fisicamente, quase concordo contigo e diria NUNCA. Mas o problema é o seguinte lema: tudo é possível e como tu pareces um céptico que só aceitas o que é passível de ser demonstrado teremos de esperar pelo futuro e saber se o nunca deixará de ser nunca ou se como de costume montes de coisas no passado que foram rotuladas de impossíveis ou nunca virão a seu tempo a passar ser do domínio do existir fisicamente. Se o espaço-tempo é absoluto então não há mais do que o que se entende na relatividade porque a palavra absoluto é da família das palavras do «fim» e portanto não há uma continuação de realidades sucessivamente subjacentes sem nunca (e disse nunca) alcançar um espaço-tempo absoluto.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 10, 2007 10:33 PM
Bem, «Carlos Rodrigues», temos novamente uma atribuição arbitrária e destituída de válidas razões de qualidades ou defeitos (a cada um caberá classificar a característica que referes) à minha personalidade. Limito-me a discordar de ti, o que não faz de mim nem crédulo nem céptico. Procuro apenas não aceitar a palavra de outrém sem razões válidas (em que medida se consegue penso que é a verdadira medida do Ser Humano). E não deves cometer o mesmo tipo de erro quando tão-ligeiramente descreves estes vultos da racionalidade humana como «afortunados». Newton era filho de um agricultor que morreu antes do seu nascimento, Mach nunca foi à escola até aos 15 anos, Einstein nasceu com problemas de fala e era apelidado de «atrasado» pelo seu professor do ensino primário. O muito que alcançaram foi pelo seu mérito exclusivo e pela sua inteligência. Dificilmente foram «afortunados», exceptuando na inteligência, o que claramente contradiz as tuas palavras de «eram indivíduos com as mesmas e alguns até menos capacidades e inteligência que quase qualquer outro Ser Humano». Bem pelo cntrário, brilham no panteão das realizações humanas como qualquer um de nós apenas poderia sonhar e dificilmente alcancará. Ignorá-los quando se pretende escrevfer sobre os assuntos que te propões será como escrever o Novo Testamento sem Jesus de Nazaré, ou o Corão sem Maomé. A tua semiótica continua a parecer um discurso sem real carácter válido. Não duvido que o tenha (saliento veementemente este ponto de vista) mas tens feito um trabalho menos do que adequado a expressar os seus argumentos. «Quase concordo contigo mas digo nunca»?! Risível. «Claudicar»? Qualquer dicionário dirá que será sinónimo d «cometer falta». «O Nunca deixar de ser Nunca»? E deixará o Sempre de ser Sempre»? Voltas e voltas sem rumo nem trilho sólido, malabarismo de palavras sem conteúdo. Uma qualquer leitura das obras dos «afortunados»
Cogitado por: Mauro a maio 11, 2007 07:11 PM
Um professor universitário desafiou os seus alunos com esta pergunta: "Deus Criou tudo o que existe?" Um aluno respondeu valentemente: "Sim, Ele fez" "Deus Criou tudo?" perguntou novamente o professor. "Sim senhor", respondeu o jovem. O professor respondeu: "Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal, pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau". O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, regozijava-se de ter provado mais uma vez que a fé era um mito. Outro estudante levantou a mão e disse: "Posso fazer uma pergunta, professor?" " Lógico", foi a resposta do professor. " O jovem ficou de pé e perguntou: "Professor, existe o frio?" "Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?" O rapaz respondeu: " De facto, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo o corpo ou objecto é susceptível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com este corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criámos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor". "E existe a escuridão?" continuou o estudante. O professor respondeu: "Existe". O estudante respondeu: "Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a escuridão não, até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com as suas diferentes longitudes de ondas. A escuridão não. Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz. Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim? A escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente". Finalmente o jovem perguntou ao professor "Senhor, o mal existe?" O professor respondeu: "Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo, essas coisas são do mal". Ao que o estudante respondeu:" O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência de Deus, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever essa ausência de Deus. Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não há calor ou a escuridão quando não há luz". Então o professor, depois de balançar a cabeça, ficou calado. O nome do jovem era ALBERT EINSTEIN. Senhor Mauro, estes assuntos são quase todos discutidos no meu livro onde discordo com algumas coisas, mas só discordo porque a ciência avançou depois deste magnífico estalo, não significa que eu seja mais inteligente, modéstia à parte.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 13, 2007 12:49 AM
Bem, «Senhor Carlos Rodrigues», acaba por demonstrar que conhecerá os nomes de alguns dos vultos da Ciência que abordaram e pensaram sobre as questões sobre os quais o eu livro se debruçará. Não vejo então razão para o comentário anterior de que se tratava de «um proeminente físico de que não recordo o nome por ser um nome estrangeiro». Einstein era alemão e, no entanto, aqui fica o registo do nome. Folgo em ver que a doutrina não obscurece a memória. Sobre as «provas» e as «discussões» sobre a existência de Deus, é para mim evidente que se acredita ou não. Nenhum argumento lógico, nenhuma história relatada, nenhum argumento de autoridade lhe conferirá realidade. É, de qualquer modo, um argumento extremamente falacioso, errado e parcial o afirmar que o Mal é fruto da ausência de Deus no coração dos Homens. Da minha experiência pessoal, o Mal é completamente independente de crenças religiosas (ou da sua ausência). Já conheci pessoas extremamente bondosas que não eram religiosas e pessoas extremamente más que acreditavam. O que se classifica como Bem e como Mal é uma questão de rótulos fáceis colocados sobre as opções que os Seres Humanos tomam no decorrer da sua vida. Se agem com empatia, tendo em conta as implicações das suas acções sobre os outros e optando por não as prejudicar o rótulo é «Bom». Se optar por as prejudicar o rótulo é «Mau». A probabilidade de escolher prejudicar o não prejudicar é o que determina a classificação de alguém como «Bom» pu «Mau». Parece-me de qualquer modo esta história de Albert Eistein pouco credível, na medida em que choca com outros pormenores da sua biografia: as dificuldades de fala e só ter começado a falar aos 6 anos são 2 pormenores biográficos que parecem minar a credibilidade deste história como sendo de Albert Einstein. Se os verdadeiros são os dois que referi se é o que referes não tenho ferramentas necessárias para aferir. A história é muito curiosa, sem dúvida, não implicando com isso que concorde com as suas conclusões. Até porque o argumento do professor cai logo por terra a partir do momento que refere que as obras de cada um são o reflexo do seu criador. Nem sempre é o caso: um polícia poderá tirar uma vida no decorrer da sua vida, sem que essa acção reflicta necessariamente o seu carácter. Foi uma questão de pesar as consequências das suas acções. Pressupondo que Deus existisse e que teria criado o Universo, poderá ter sido confrontado com essa mesma opção: em que medida a ausência de Mal não seria pior do que a sua presença, na medida em que fornece um pano-de-fundo sobre o qual se pode escolher não tomar determinadas acções. Além disso, ao contrário do «frio» e da «escuridão» (que são classificações baseadas na ausência de características físicas) o «mal» não é a ausência de alguma característica física. Mal e Bem são rótulos (geralmente civilizacionais) de índole meramente subjectiva. De que forma se poderá garantir que o Mal é a ausÊncia de Bem e não se trata do oposto, i.e., que o Bem não passa da ausência do Mal?
Cogitado por: Mauro a maio 13, 2007 08:10 PM
Penso que a moral reducionada ao mal e ao bem é um assunto onde sem excepções todos claudicamos, seja qual for o status, se, e se não fosse o facto do mal ser indesejável e o bem desejável, de um ser e conduzir à ordem e o outro de ser e conduzir à desordem. Podemos desejar mal a alguém e isso frequentemente acontece infelizmente, mas muito raramente desejamos mal a nós próprios e normalmente com o passar do tempo fica-se pelo remorso, um reconheço que errei, um ainda era jovem, um não sei onde estava com a cabeça, um eu ignorava, etc, mas no ignorar é onde está muito mal. A adjectivação, a qualidade das coisas são algo virtual tal como o tempo de demoração da viagem de um objecto não é o objecto. E o tempo de demoração se aplica de modo precisamente igual a objectos diferentes. O que é para mim belo pode ser para ti feio, mas muito raramente acontece não havendo no consenso geral empates. O que é para mim a noção de espaço-tempo pode não ser a mesma que a tua e a maioria, mas não significa que a maioria por ser maioria esteja correcta. Se as qualidades das coisas não se podem materializar como sendo elas mesmas para acabar com as discórdias, como eu digo num dos meus dísticos provérbios: Ruindade em beleza muito rara leva-me a pensar se a deidade tem cara. Outras duas máximas podem ambas apenas ser assimilidas pela razão, não é nada de subjectivo negar o mal e aceitar o bem. As máximas são: "O bem e o mal são uma mesma condição porque um é do outro a sua contradição". A outra é: "Aquilo que está suficientemente Limpo nunca passou por sujar-Se". Penso que se as qualidades das coisas não são cristalizáveis na forma daquilo que são materialmente, então as qualidades são uma linguagem universal em quaisquer dimensões, o que pensas disto?
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 15, 2007 10:58 PM
É, «Carlos Rdrigues», a meus olhos, fundamentalmente errado reduzir a moral a uma visão maniqueísta. Não creio que exista «Bem» puro nem «Mal» puro: como já disse, esses parecem-me rótulos que se atribuem com demasiada ligeireza. Concordo que o «Bem» (i.e., o que geralmente recebe esse rótulo) é preferível ao rótulo «Mau». Quanto ao «Bem» levar à ordem e o «Mal» à desordem já não me parece matéria de aplicabilidade absoluta, a par da subjectividade dessa rotulação. Por exemplo, as pirâmides aztecas são um portento de engenharia e maravilha. Mas foram construídas para que nelas se realizassem sacrifícios humanos. Aos olhos modernos, claramente foram feitas para o «Mal». No entanto, aos olhos aztecas (e até eventualmente às suas vítimas) o sacrifício humano era «Bem», uma vez que aplacava os Deuses e traria felicidade e prosperidade a todos. Penso que os suicidas e os auto-mutiladores poderão servir como contra-exemplo da tua afirmação «muito raramente desejamos mal a nós próprios». Infelizmente é mais frequente do que raro... Ao longo da minha (curta) vida, por várias vezes constatei que a pura ignorância é melhor do que a meia-compreensão. Se, em termos físicos, um copo meio cheio é melhor do que um copo vazio, em termos humanos conhecer apenas meia coisa leva ao suprir do que se desconhece (e muitas vezes desconhece-se esse meio que falta por absoluta incapacidade de o perceber) com pseudo-facto, verosimilhanças-erradas e superstições. Muitas vezes, a pura ignorância leva ao «é melhor não tocar se não parto» (mas, claro, atmbém muitas vezes leva ao «parto porque não deve ter interesse»). As únicas coisas absolutas que me parece que o ser humano tenha é o que vem da sua (ainda maioritária) componente animal. Tudo quanto é criação do espírito e da vontade humanas é matéria de subjectividade e cada ser humano escolhe de que forma subjectivamente valoriza determinado conteúdo. O espaço-tempo é um conceito sobre o qual não sou produtor mas mero consumidor. Não tenho certezas absolutas nem fés arreigadas e baseadas nos meus instintos. Sobre a tua máxima «O bem e o mal são uma mesma condição porque um é do outro a sua contradição», recordo o fenomenal livro (ainda o meu, de entre todos, livro favorito) «Gödel, Escher e Bach: laços eternos» (Douglas R. Hofstadter), no qual (por entre a míriade de outras coias que analisa) o autor fala de «figuras e fundos» e de como a negação de algo não constitui por si mesmo alguma coisa. Um exemplo (dado no próprio livro) é o dos números primos (e cá voltamos a um dos primeiras temas). É fácil determinar os números compostos e não há um programa que forneça todos os números primos. Devido ao infinito-numerável dos números naturais, retirar os números compostos não fornece os números primos. Por exemplo, todos os múltiplos de 2 são números compostos (excepto o próprio 2) mas não há semelhante proposição para os números primos (exceptuam-se tentativas originais e interessantes como «os primos de Mersenne» que não produz apenas números primos mas produz mais primos do que compostos).
Cogitado por: Mauro a maio 17, 2007 04:49 PM
Confesso que tenho dificuldade em perceber a importância conceptual dos números primos, foi matéria que não dei na pouca escolaridade que tive. Parece-me de facto de cogitar o porquê da existência dos números primos e da sua existência aparentemente aleatória quando a nossa métrica numérica é uma constante linear, decimal e escalar de unidade para unidade. Os números primos serão aquilo que coloca em causa a rectidão da nossa métrica numérica? Porque há tão poucos números que resultam números inteiros? Não sei como funcionam os outros algoritmos mas se têm presas regras dos algoritmos que pensamos ser o mais natural com certeza que têm números primos. Penso que talvez para encontrar a métrica real ou correcta seria necessário ensinar desde criança uma métrica diferente a cada criança e que o seu mundo fosse visto como o natural, aquilo que os rodeia tem essa métrica a servi-los e eles deverão considerar natural como todos concordam com a métrica decimal. Depois essas crianças quando crescessem fosse ensinado a cada um a lógica da métrica de todos os outros, talvez a comparação dos números primos em cada uma das métricas mostrasse algo de profundo ou acerca da matemática ou da própria natureza. Quanto ao bem e ao mal uma maior parte é a imperfeição tanto da natureza como dos seres humanos, não sou maniqueísta e também não considero o mal e o bem como as principais peças para jogar o universo, não quero acreditar que Deus necessite de ambos para nos pôr à prova, mas sinto-me tentado a aceitar que ambos foram criados equimetricamente para nos pôr a mais lógica das coisas a escolher, pois ao termos a capacidade de sindérese perdemos a tua consideração da ignorância ser uma santa e passamos a ser passíveis de castigo ao sabermos muito bem os actos que estamos a praticar.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 20, 2007 12:15 AM
Bem, «Carlos Rodrigues», a importância dos números primos é por demais relevante para a Matemática e para a Ciência. Pode dizer-se que muito do nosso mundo tecnológico assenta sobre as propriedades deste números-aparentemente-simples-inteiros, começando (mas não se esgotando) na internet. Qualquer que seja a métrica considerada, basta que o conceito de «números que só se dividem de forma inteira por 1 e por si mesmos» para que os primos surjam. As propriedades dos números primos que são usadas nos computadores transcendem a métrica usual, uma vez que assentam sobre uma métrica decimal calculada numa métrica binária. Peço-te que não me atribuas palavras que não usei. Obviamente que nunca poderia considerar a «ignorância» como «santa». Todo o Cognosco é bem demonstração da minha perspectiva contrária. Obviamente que a adjectivação «santa» (a par com «pecado» ou qualquer outro termo com carga religioso-concptual) é-me alheia e indesejável. Passando por cima do facilistismo-da-linguagem, se eu aplaudisse ou desejasse a ignorância muito do que faço ou aprecio não seria feito ou não existiria, a começar pelo Cognosco. Chamei apenas a atenção para o facto de, tal como «Bem» não é o antónio de «Mal» (havendo um enorme conjunto de situações que não é nenhum desses aparentes extremos), ignorância» e «sabedoria» são termos subjectivos e nem por isso antagónicos (havendo situações, que referi) em que o antónio de sabedoria é meia-sabedoria (e não necessariamente ignorância). Ter a pretensão de situar a Matemática no grande círculo do Universo sem ter o mínimo conhecimento sobre números primos é um exemplo de pseudo-sabedoria-mais-antagónica-da-sabedoria-do-que-a-ignorância. Remantando também, «sindérese» é um termo que desconheço em absoluto, que nenhum dicionário consultável contém a definição e de não consigo extrair (por via da similitude ou do contexto) a palavra que queria ser usada.
Cogitado por: Mauro a maio 21, 2007 12:51 AM
Primeiro que tudo peço desculpa da expressão santa ignorância, foi apenas uma força de expressão que penso conheceres ser habitualmente usada no contexto discutido. Penso que a tua sabedoria tem mais de prudente do que profunda e consequentemente - não arriscas. Não afirmo com certeza absoluta que o bem não seja o contrário de mal, mas supus a ignorância humana como aquilo que pode dar-te razão, se não é não sei quais são os factos em que assentas a negação de serem antónimos, também coloquei a natureza e a natureza humana como imperfeitas que coloca por consequência outra pergunta: o Quê ou Quem fez isto tudo? No dicionário da Porto Editora a palavra sindérese aparece com o significado de «ter o dom de saber distinguir o bem do mal», como deves saber na religião Católica aparece espontanemante no princípio do tempo que o primeiro homem e mulher poderiam comer de todas as árvores excepto o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, consegues supor um paraíso e seres humanos perfeitos sem terem qualquer conhecimento de bem e mal? Obrigado pelo esclarecimento dos números primos, é curioso acerca da sua aplicação na Informática e gostava de saber mais profundamente, como se aplica, mas mais profundo deve ser saber os conhecimentos conceptuais da física, metafísica e sobretudo o que já referi, como é que a nossa métrica tão linear tem esta «coisa bizarra»? Mais uma vez desculpa e obrigado por me ensinares e perderes o teu precioso tempo comigo.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 22, 2007 01:19 AM
Bem, «Carlos Rodrigues», o meu tempo tem a mesma importância que o tempo de qualquer outra pessoa: é precioso apenas para o próprio e cabe a si mesmo escolher como o passa. Não te precisas ter então (mas agradeço-ta de qualquer modo) a preocupação quanto ao tempo gasto. Sim, eu percebi o sentido da expressão mas estava desajustada.Peço eu então desculpa pela ignorância sobre o termo «sindérese». Sim, o termo cunhado pela filosofia cristã (com o seu expoente em Tomás de Aquino) que remete para escolha entre Bem e Mal. Não ser religioso não é nem nunca poderá servir de desculpa para desconhecer o termo. Agradeço-te que o tenhas usado. A minha «sabedoria» (que obviamente é impossível de não pôr entre aspas) é diminuta perante a vastidão do muito que desconheço. Quanto ao risco de que consideras que a minha carece, penso que confundes entre insconsciência e coragem. sta é uma confusão típica dos espíritos adolescentes (o que não me parece que seja o teu caso em termos biológicos). Quem assume riscos sem saber o que enfrenta é inconsciente. Quem assume riscos consciente do que enfrenta mas assumindo-os mesmo assim é corajoso. É corajoso quem enfrenta um incêndio para salvar outra pessoa sabendo que poderá morrer, é inconsciente quem conduz embriagado. Os riscos que assumo intelectualmente estão bem acima do que aqui falamos e não terás, por isso, tido oportunidade de com eles te confrontares. Mas nunca são inconscientemente tomados: a minha postura na vida e os meus valores estão bem firmes (não inflexíveis mas firmes). Não confundas também firmeza com prudência. Se não afirmas o Bem como o contrário do Mal, o que colocas entre eles? Eu nada preciso pôr entre eles, já que para mim são ambos conceitos carecidos de realidade objectiva (pelo que não têm que ter algo entre eles). A questão dos números primos já há muito está para ser abordada num artigo do Cognosco. Talvez agora, que manifestas este interesse (por ventura partilhado com outras pessoas) esteja na altura de o fazer.
Cogitado por: Mauro a maio 22, 2007 05:51 PM
O bem e o mal carecer de realidade objectiva? Já usaste várias vezes as palavras objectivo e subjectivo e parecem--me fazer parte tanto do teu léxico como da tua maneira de ver o mundo. Não conhecemos coisas que não tenham qualidades, virtualidades, subjectividades, aquilo que mais sinto-me tentado a aceitar em todas as coisas é que o universo é uma alternância de noese e noema embora me pareça demasiado simples a eternidade vista deste modo.Espero que sejas mais revelador científico que muitos outros ao incluires os números primos no teu blog, também sei que poderás estar sujeito a limitações da comunidade científica e da tua capacidade de aferição e inferição. Para terminar deixo duas máximas: O lógico é o incontestável mas o absurdo o mais provável.A outra máxima tem pretenciosamente de ficar válida para toda a eternidade: Perpetuar é uma fatalidade que cabe a todos, assim como morrer é uma consequência de nascer.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a maio 22, 2007 11:18 PM
Si, «Carlos Rodrigues», o Bem e o Mal carecerem de realidade objectiva. Nunca um cometa deixou de atingirum planeta porque poderia matar Seres Vivos, nunca um animal (irracional, claro está) deixou de comer outro para não o fazer sofrer, nunca um vulcão deixou de entrar em erupção porque destruiria uma ilha,... O Bem e o Mal são conceitos subjectivos e existentes apenas nas mentes de animais racionais, animais capazes de se porem no lugar do outro e imaginarem o que o outro sente (nisto também não somos únicos, várias experiências com símios superiores demonstraram que eles o fazem, provavelmente também as baleias e os delfinídeos o farão). O adjectivo «objectivo» será tão objectivo como «subjectivo» será subjectivo? Poderão até ambos serem subjectivos, na medida em que aquilo que eu entendo como objectivo possa ser visto como subjectivo por outro. A espiritualidade será objectiva para alguns mas é claramente subjectiva para mim, uma metáfora que serve para catalogar os processos mentais. Objectiva é a pedra que chuto no caminho para casa, subjectiva é a dor que sinto quando chuto a pedra a caminho de casa. As minhas limitações no Cognosco prendem-se apenas com a heterogeneidade de formação de quem o visita. Heterogeneidade essa subjectiva e dependente da formação de cada um. Um médico que leia o artigo sobre a gripe terá conhecimentos acima do que lá está descrito mas poderá estar a baixo quando ler sobre os 6 algoritmos para efectuar multiplicações manualmente. Um mínimo denominador comum é necessário e, sendo determinado por mim, claramente subjectivo. Quanto às máximas, se o absurdo é o mais provável então é porque o que parece absurdo é na verdade lógico. Em que medida perpetuar é uma fatalidade para todos? Perpetuar o quê?
Cogitado por: Mauro a maio 23, 2007 12:13 PM
Gostaria imenso de continuar a filosofar contigo mas tenho estado a trabalhar num conto que já terminei e tenho muito mais trabalho deste delineado. Tudo o que acontece é perpetuado, se um dia conseguirmos viajar para o passado o máximo que conseguimos fazer é histórias diferentes e não emendar as coisas negativas. O acaso é poderoso como sendo uma entidade impassível da qual tendo uma existência inócua, como que de facto não existir e não se poder atribuir qualidades. Mas nós só não existimos como disseste bem somos racionais, com certeza que o acaso não pode ser castigado, mas nós se tivermos poder para desviar um grande calhau que venha direito à Terra e não o fazermos com certeza que os responsáveis serão chamados e acusados assertivamente do que tu consideras subjectivo, eu diria antes espiritual, e isto embora nos pareça virtual é de longe mais sensível que qualquer materialismo do mundo já na sua maioria mundano. Nós somos dotados tanto de rancor como de remorsos que em casos raros fazem-se sentir mais que a dor que consideras subjectiva e eu considero um sentido humano mais poderoso e delicado do que os outros além de que este tem desde que somos seres humanos um papel na dotação da inteligência e intervenção com todo o exterior o que falta grandemente a um robot para começar a tornar-se completo e com características humanas, coisas subjectivas como o amor e o sofrimento. O ser humano comete erros em que não sabe a gravidade do que fez, mas também comete erros sabendo o mal que está a fazer, são estes que pesam na consciência e serão pesados e terão tanto mais peso quanto menos escrúpulos termos. Acho que não é necessário estudar a estrutura da lógica para entender que tudo é objectivo embora algumas coisas se encontrem em limiares subjectivos ainda por «exactificar», afinal o ser humano vive por gerações e necessita de aprender repetidamente em cada nascimento, muitos dos que não são ensinados desde que nascem geralmente perdem-se na vida cometendo graves erros, mas meia volta aparece um que aprende o que há de melhor,... O Infinito Absoluto É Infinitamente Generoso...
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 12, 2007 10:08 PM
Ainda por força do acaso, outra noção mastodôntica do infinito é que existe um número infinito de universos extremamente iguais a este, tudo o que cada um fizer existe extremamete igual em número infinito, essa história do «como eu só existo eu» é falsa acerca do infinito, talvez seja verdadeira em não ocuparem o mesmo lugar, mas até o «talvez» é duvidoso embora considere a noção de oposição poderosa e considere o paradoxo de qualquer filosofia, qualquer afirmação está simultaneamente certa e errada...
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 12, 2007 10:17 PM
Recebi um e-mail de uma Maresia, não associei o facto de que tens uma amiga que comunica contigo no cognosco e como estou habituado a excluir mails de desconhecidos foi o que fiz, sei que eram fotos, tentei ver mas não tenho admissão a esse serviço. Por via das dúvidas queria saber se é ela ou coincidência de alguém em que de facto fiz bem excluir. Obrigado.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 15, 2007 08:48 PM
Bem, «Carlos Rodrigues», desejo-te bons contos. Tudo o que acontece é perpetuado? Outra mastodôntica afirmação que elimina a incerteza pela distância a que está o observador. O absolutismo do «tudo» é que ponho em questão. A perpetuação do que acontece não me parece plausível, quando muito as consequências do que acontece, pelas aventuais marcas que deixa no fluir temporal, é que poderão se perpetuar. Por exemplo, todos os seres humanos existentes descendem de uma mesma mulher que deixou África à milhares de anos (a chamada Eva genética). Ela não foi a primeira mulher que surgiu, muitas outras coexistiram com ela. Mas, de todas, apenas os descendentes dela sobreviveram até hoje. Conclusão possível: a existência das outras mulheres não foi perpetuada, a sua marca temporal desapareceu, a sua influência genética na espécie humana desapareceu. O Tudo que se perpetua deveria incluir estas mulheres mas não o faz, logo este Tudo é apenas um quase-Tudo. Atenção às aifrmações mastodônticas... O acaso é uma mera medida da nossa ignorância/incapacidade. O Princípio da Incerteza de Heisenberg é uma barreira impenetrável a essa incapacidade, o tamanho das cordas outra, o desfecho político da travessia de César do Rubicão para enfrentar os seus adversários políticos em Roma uma barreira da ignorância. Todas são catalogáveis como acaso. Se o acaso existe parecer-me-á uma questão retórica, as suas consequências é que não... A dor é subjectiva, inteiramente subjectiva. Não a informação que leva à dor, os impulsos eléctricos que vão dos nervos ao cérebro que o avisam de algo que está a pôr em causa o organismo, mas a dor em si, que é a interpretação que o cérebro faz dessa informação. Por isso é possível que o mesmo tipo de informação (a penetração de um objecto metálico para além da endoderme, por exemplo) possa ser entendida como uma dor aguda por uns e como um desconforto para outros (ou até mesmo um prazer, para os sádicos). Transmissão de impulsos eléctricos de aviso: objectivo. Dor: subjectiva. A destrinça dos dois parece-me óbvia. Se a dor, como afirmas, fosse uma característica humana dotadora de inteligência (sic), então todos os animais pertencentes ao filo «Chordata» (que inclui, mas não se esgota, nos vertebrados) seriam humanos e dotados de inteligência, uma vez que é o único filo dotado dde sistema nervoso central capaz de transmissão de impulsos elétricos a um único orgão central. Por exemplo, o filo «Mollusca», que inclui os espantosamente inteligentes polvos, não sentirá dor mas os octópodes não deixam de ser capaz de realizar tarefas complicadas, de resolver problemas e engendrar formas de ultrapassar obstáculos. Sentem dor? Duvidoso. São inteligentes? Provavelmente. Se confundes impulsos elétricos que informam o cérebro do estado do corpo com a emoção «dor», então talvez, pegando nas investigações de António Damásio, a dor possa ser encarada como parte da razão. Mas nunca será a única componente nem será exclusiva aos humanos. Se falas de dores não físicas, dores emocionais, dores sentimentais, dores psicológicas, então, por definição, falas de algo plenamente subjectivo (que poderá até ter manifestações psico-somáticas, sem deixar de ser mera construção mental). Qualquer eventual inteligência robótica terá necessariamente de incluir, no seu reportório, a capacidade de fazer interpretações do estado do seu corpo e, logo, de sentir dor. Se não fizer essa interpretação, mas apenas se limitar a registar a informação, não será inteligente mas uma mera máquina de calcular complexa. Um autómato pascaliano não tem inteligência, um autómato damasiano tem inteligência. A teoria do Multiverso não passa disso mesmo: uma teoria (mais ou menos apelativa, subjectivamente dependente de quem com ela se confronte). Será até uma teoria retórica, na medida em que não se antevêm formas realistas de se comprovar a existência desses universos paralelos. Se a tomares na base da fé, fá-lo-ás por tua conta e risco. A Maresia é uma amiga, sim, a Maresia que te terá enviado as fotos é que poderá não ser necessariamente a Maresia de que falas. A internet é um capo por excelência da subjectividade...
Cogitado por: Mauro a junho 17, 2007 09:17 PM
O todo e as parcelas, o virtual e o supostamente concreto, cito-te:« pelas eventuais marcas que deixa no fluir temporal», o que entendes por tempo? É algo de concreto? Acho que sabes ser subjectivo, não está deifinida nem satisfeita a nossa noção de mudança, mutação, degeneração... Deverias ter em conta um todo infinito composto por parcelas e portanto «o poder da natureza não é infinito» e ter em conta um Todo Infinito, Absoluto, não repartível. Todas essas mulheres de que falas e tudo o que as rodeiam continuam a fazer o que fizeram e a estar onde estavam no lugar onde estava o «nosso» universo, podem até os caminhos de algumas terem seguido outra direcção temporal... Tudo o que conhecemos de concreto é na verdade virtual, tudo o que conhecemos de objectivo e subjectivo é ambas as coisas. Mas tens razão, o que vemos com olhos de ver é poderoso, mas enganador, como tu dizeste em resposta a um cogito anterior, a verdadeira lógica é a que está subjacente e não aquela em que a esmagadora maioria concorda e a defende com pancada de criar bicho... cito-te «então todos os animais pertencentes ao filo "chordata"...» Todos? Todos, Mauro, estás muito preso a uma perolazinha azul, muito pequenina comparada com a estrela que, por sua vez a estrela é uma estrelita comparada com, por sua vez a galáxia é uma poeirazita comparada com, e nunca mais terminava... mas também me tornei excessivamente optimista e idealista ou será que sentimos uma depressão geral por haver cada vez mais áreas do saber e cada uma mais extensa e específica, por exemplo, a Informática e AI que nos próximos cem anos se tornará um mundo autêntico... a inteligência Mauro é na verdade as nossas limitações, não são as cordas, nem um espertalhão César que não se apercebeu que era mais inteligente que os outros mas sim que os outros eram mais burros que ele, o princípio de incerteza, também parece um intransponível obstáculo, mas quantas vezes classificamos como intransponíveis obstáculos que vencemos... Uma coisa Mauro, leva a sério a possibilidade de um dia sermos dominados pelas criaturas inteligentes que criaremos, porque de qualquer jeito hoje já sabemos que aquilo que entendemos por ser humano será obsoleto... Mas como evoluímos desde musaranhos até ao que somos com certeza que colocamos componentes no nosso cérebro e continuará a nossa evolução, pensa que hoje temos inteligência de musaranho comparado com o que seremos, talvez para aí mais dois mil anos... tens a certeza que o nosso universo é uma gaiola sem escapatória, a mim preocupa-me o acaso dizer que sim, mas a teoria diz que há uma possibildade em todas em cada coisa que se pretende objectivar... e outro sinónimo de tudo? Que tal: teoria!
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 18, 2007 09:58 PM
Não me sabia, «Carlos Rodrigues», citável... O que entendo por Tempo? Penso poder resumir tudo o que penso: o que entendo do Tempo é que não o entendo. Para além da invariância do seu fluir mono-direccionado pela 2ª lei da termodinâmica e estar plenamente mergulhado nele, nada mais sobre ele sei. Alguém já provou que, se o universo fosse fechado e estivesse em rotação, as viagens no tempo seriam possíveis. Não sei é como tal seria possível. E os imensos paradoxos que essas viagens criariam fazem-me pensar se sequer será desejável que sejam possíveis... O que dizer sobre infinitos repartíveis e não-repartíveis? Questões retóricas, seguramente, para as quais não antevejo descobertas interessantes por sobre elas meditar. O Universo que conhecemos, no qual vivemos, é este, apenas este. Se existirá um Universo paralelo onde um Mauro não criou um Cognosco numa noite chuvosa e, como tal, não se encontra neste (ou naquele?) momento a responder a um comentário é algo cuja influência neste Universo me parece absolutamente nula. O multiverso é um oceano que nada diz a uma única das suas gotas. Portanto, depreendo então das tuas palavras que consideras TODOS os animais vertebrados (e ainda os notocordados) como inteligentes? Pergunto-me então qual a tua definição de inteligência, que parece tão alta a ponto de incluir aves, peixes,... Em que medida é que estarei preso a este planeta por ter um conceito de inteligência que abarca unicamente grandes símios e cetáceos? Considero estatisticamente impossível a não-existência de vida extraterrestre, assim como impossível a não existência de inteligência extra-terrestre (o que é completamente independente de haver qualquer fundamento credível aos OVNIS). Mas o diálogo centrava-se na Terra, por ser ainda o único planeta no qual se conhece a existência de vida inteligente. Levo tão a sério (ou preocupadamente) a possibilidade de virmos a ser dominados pelas nossas criações como receio vir a ser dominado pelos meus filhos... Não é certamente pelo facto de haver o risco de que me possam vir a roubar, despejar,... que os deixarei de ter. Os benefícios e o prazer de os ter suplantam largamente os riscos. Penso que estás (mas isso é mal da sociedade no geral) excessivamente antropocentrado: pode-se especular sobre como será uma eventual inteligência humana sem considerar como certo que seja provida dos mesmos instintos egocentrados da espécia humana. Até porque esse instinto de auto-preservação e egoísmo surgiu ao longo d evolução das espécies vivas apenas porque as que assim não eram pereceram. Os genes só sobrevivem assim. Mas já os memes (as nossas ideias) podem e fazem-no regularmente sobreporem-se aos ditames genético-egoístas (o instinto da reprodução pode ser suplantado pelo desejo do celibato, por exemplo). Um ser inteligente, mesmo que criado por nós, desprovido dos mecanismos e das necessidades genéticas da auto-preservação a qualquer custo não terá necessariamente os nossos defeitos, pois será constituído unicamente pelos nossos ideiais e não pelos nossos instintos. Como antes referi, um autómato damasiano será inteligente sem necessidade de instintos egoístas. O Universo poderá ou não ser uma gaiola sem escapatória (competirá à Física a resposta), mas, amarrados a uma cadeira, no fundo de uma gruta, olhando sombras projectadas na parede, é a única realidade vivenciável e ponderável.
Cogitado por: Mauro a junho 20, 2007 12:48 PM
Sem dúvida que o nosso planeta num multiverso infinito é uma gota perante algo impassível esteja dentro duma gaiola impossível de abrir ou completamente escancarada à espera que alguma forma de vida inteligente a perceba, e, considerando as dimensões temporais, quem considerar sabe que a probabilidade de sermos encontrados é infinitamente maior do que encontrarmos. É deveras discutível a alegoria da caverna, insisto que o ser humano sofre de uma depressão quase invisível, geral que é de pensar que a sua inteligência é simultaneamente a melhor e mais adaptada e a sua capacidade de dar como finalizado a exploração da Física não sendo necessário qualquer inteligência superior porque não há continuidade. Coisas que consideras subjectivas fartaste-te de as discutir no último cogito, nós vamos apostar na segurança do planeta ao mesmo tempo que o abrimos para a diversidade o mais total possível. Não voltei a referir a dor, pois bem, o ser humano pode e acontece morrer por não suportar o excesso de dor, esta é uma causa primária entre muitas outras porque acabamos por morrer de forma igual para todos que é qual seja o problema este cancela a respiração e morremos sempre por asfixia. A dor não é apenas objectiva, é uma realidade tão forte que os doentes que hoje têm oportunidade de sofrerem mais do que alguns anos atrás onde não era muito prolongado o sofrimento, têm um misto de medo e admiração e não fazem encómios à dor, sabemos que críticas não faltam, mas é daquelas coisas que é uma fase da vida onde um acidente de um jovem que partiu meia dúzia de ossos e se curou poderá falsamente julgar o que é o sofrimento da dor, duma maneira geral, a velhice acompanhada de doença dolorosa é a melhor receita para explorar as dificuldades da História e pré-História, é daquelas coisas onde a teoria vale um por cento comparado com o empirismo e como no caso do talento, um por cento sobrepôe-se aos noventa e nove de trabalho, mas o trabalho não serve de nada sem talento. No caso da dor é indispensável o sofrimento prolongado embora a gerontologia tenha um reverso periclitante, «o sofrimento ora embrutece ora amolece», mas garanto-te que é uma componente indispensável à evolução da inteligência humana. Percebo a comparação com os teus filhos, mas os teus filhos não têm mutações daquelas que os distingue definitivamente dos pais, eles estão dentro do que entendemos por «ser humano», tenta perceber que o que está em causa é sermos pais de algo que nos fará entrar na lista das espécies em extinção que seria humilhante se as nossas criações chegassem à conclusão que não temos capacidade de adaptação para fazer face ao universo. Procurando ser analista, não desprezando qualquer hipótese, as sombras das cavernas que criamos em breve têm a capacidade de nos iludir de tal maneira que perdemos a noção do que é realmente real e o que é virtual, nem sequer perceberiamos da morte do planeta e a nossa.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 20, 2007 09:04 PM
Não partilho, «Carlos Rodrigues», da tua visão é-óbvio-que-vai-ser-um-desastre em relação a uma eventual IA. Visões apocalítpicas de um fim do mundo patrocinado pela ciência marcaram a última metade do século passado, devido à ameaça nuclear da Guerra Fria. Muito mais riscos se avolumam no horizonte da Humanidade e muitos mais surgirão, mas não partilho essa visão armagedónica. Não vejo qualquer inevitabilidade na «tomada» de poder pelas IA's. Pode acontecer e pode não acontecer. Da forma como eu vejo a questão, considero até mais provável o dealbar de uma idade de ouro quando elas surgirem do que uma idade das trevas. Mas isso, claro, são considerações pessoais, sem fundamentos para além das minhas cogitações. Desprovidas dos mecanismos biológicos da competição-para-sobreviver que marca os seres vivos, tais considerações não terão necessariamente de lhes ssurgir. A visão antropomórfica de «se elas são melhores do que nós vão nos dominar» parece-me, além de exagerado e mesquinha, extremamente eurocêntrica: muitos foram os povos que os Europeus contactaram na Idade das Descobertas, alguns, em estágios diferentes de desenvolvimento, em alguns aspectos mais avançados do que os euroopeus, em alguns casos menos. Mas os «novos» povos não tiveram maioritariamente uma atitude beligerante para com os recém-chegados. Muitas foram as ocasiões em que as primeiras colonizações europeias (em especial no «Novo Mundo») eram tão frágeis que facilmente teriam sido destruídas pelos indígenas (em muito maior número e conhecedores do território). Não o fizeram, protegeram até os Europeus, com a traição que se lhe seguiu. Ainda muito antes disso, no que é o actual Deserto do Atacama, na costa do Pacífico, existiu uma cidade (de nome Caral) que prosperou durante mil anos sem uma única muralha, sem armas de qualquer tipo, sem uma única inscrição ou desenho mural que indiciasse qualquer tipo de manobra militar. Durante MIL ANOS prosperou, fez comércio com os seus vizinhos (a cidade está a vários quilómetros do mar e foram encontradas conchas de espécies marinhas e ainda redes de pesca feitas com o algodão que a cidade produzia e que era a base da sua riqueza). Não, não vejo como inevitável uma «batalha com as IA». Catastrofismos são tão prejudiciais como os optmismos exacerbados.
Cogitado por: Mauro a junho 21, 2007 04:29 PM
A escatologia, penso, é uma ciência que deve ser levada a sério. No passado estudava-se a saúde humana, hoje há mais ciências que têm por hipernónimo a escatologia. No âmbito dos apocalipses devo fazer o reparo numa coisa em comum que se não é intrigante é caso para inquirir o porquê. A ficção científica apresenta obras em que as coisas acontecem muito rapidamente, há uma transição brusca para a destruição total do planeta. Assim, proponho esta hipótese apocaliptica acontecer num volume de tempo extenso que com subtileza e suavidade o ser humano vai incluindo componentes que lhe permite ser mais inteligente e adaptado, embora não consigamos imaginar locomotoramente uma forma melhor que a antropomórfica podemos evoluir muito a nível de inteligência e esperança de vida, eu suponho uma evolução lenta, que só é rápida comparada com a nossa evolução natural. A transição poderá ser uma aceitação de inferioridade. Não esquecer que a inteliência biológica também evolui a par da cibernética. Começará por haver inteligências superioris tanto orgânicas como cibernéticas e provavelmente essas coisas estarão à venda se mantivermos o mesmo modelo económico... mas a partir daqui torna-se dificil prever o que vai acontecer.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 22, 2007 10:20 PM
Mais uma vez, «Carlos Rodrigues», a ilusão da superioridade patrocinada pelo antropocentrismo... Desde de quando a forma humana é a mais perfeita fisicamente? Perfeita em quê? Não haverá nenhum animal, com estrutura e estatura semelhante à humana que não lhe seja fisicamente superior. Provavelmente, uma das primeiras medidas das IA será a de desenharem melhores corpos para si mesmos. Provavelmente diferentes, de acordo com o meio ambiente onde para o qual se destina. E aqui fica patente a inferioridade física humana: na água não somos grandemente hidrodinâmicos (mais do que os restantes primatas, em virtude da eventualmente correcta teoria do símio aquático, mas muito menos do que qualquer outro animal que passe algum tempo na água, seja terrestre ou não); não alcançamos grandes velocidades de corrida terrestre, temos uma resistência de corrida média; não somos garantidamente aerodinâmicos; sem protecção adequada não resistimos a temperaturas extremas; damo-nos mal com elevadas altitudes, sucumbimos a profundidades de água quase rasa; certamente nunca nos adaptaríamos a viver no espaço exterior sem uma dose maciça de tecnologia. Como pode um organismo que não é mais do que um feto de símio que atinge a idade adulta ser fisicamente superior? Fazendo menção às tuas crenças religiosas, não esqueças que a soberba é um pecado mortal... Quanto à escatologia, nunca consigo reprimir um sorriso perante a dualidade do seu significado (e daí talvez a dualidade seja menos do que presumo): não se limita a ser o «estudo» (e coloco esta palavra entre pronunciadas aspas) teológico do que sucederá no «fim do mundo» (outras valentes aspas, uma vez que este fim só ocorrerá com a extinção do Sol, daqui a 5 mil milhões de anos); escatologia refere-se também ao estudo dos excrementos. O antropocentrismo parece-me ser um dos maiores defeitos das religiões humanas (em particular, mas não exclusivamente, das monoteístas)...
Cogitado por: Mauro a junho 22, 2007 10:40 PM
É curioso, já não és a primeira pessoa a chamar-me de ter a soberba, acho que é desta vez que vou ver ao dicionário que defeito é este, (supostamente defeito), mas para já ficares a saber eu não sou Católico, nem de qualquer religião baseada no Cristianismo, que penso terem sido todas deturpadas. Quanto às outras religiões não as conheço no seu âmago, e diga-se de passagem que quase todas se não mesmo todas contêm mistérios (supostamente) em que só determinados individuos têm acesso a conhecê-los, por aqui se vê o egoísmo dos sapiens, que não me recordando do palavrão da soberba parece ser um componente da hipocrisia dessas religiões, mas isso também acontece noutras ciências, status quo e interesses mesquinhos. A religião que eu tenho fui eu que a redescobri e acrescentei o meu cunho pessoal. Vivi quase vinte anos numa aldeia onde morava a escassos cinquenta metros da Capela e só aos trinta e sete anos que tenho agora comecei a ler a Bíblia para quando cheguei a uma parte onde se relatava sacrifícios de animais com sangue espalhado por cima de altares, abandonei a leitura do livro porque associei os sacrifíos a outros que se faziam com seres humanos. Da mesma maneira, os santos populares e quase todas as festas Católicas são todas roubadas das tradições politeístas greco-romanas, mas não só, se viajarmos pelo país reparamos que foram «importadas» tradições de festas religiosas que os nativos dos outros continentes praticavam. É parecido com a diáspora da emigração dos portugueses, se subisses os cinco Km que vão da cidade à minha aldeia e fores um arquitecto com conhecimentos de arquitectura de todo o mundo, sem te dizerem nomeavas cada país pela arquitectura das casas que os emigrantes constróiem cá. Sou Criacionista por autorecriação mas não desprezo totalmente as outras hipóteses filosóficas, e uma que tenho em atenção, é haver um universo Determinista por detrás do nosso que criou o nosso. As baleias podem ter um cérebro mais aperfeiçoado que o nosso mas estão fracamente adaptadas aos oceanos porque não têm braços com dedos e um que é uma alavanca que nos permite manusear muitos objectos da natureza, em função do campo gravítico estamos bem adaptados, mas é claro que a selecção natural não nos dotou de suportar elevados ou muito fracos campos de gravidade e também vivemos num nicho de temperaturas pequeno comparado com a extensão de temperaturas que conhecemos, também respiramos oxigénio e não passamos sem ele nem podemos substituir pela enorme panóplia de gases que hoje conhecemos, mas no caso da AI, concerteza que será tão versátil como o é um transformer da ficção científica. Mas tudo isto é relativo à nossa bolinha azul e o sistema solar porque é fortemente provável haver vida inteligente baseada noutros elementos químicos, sem, devo antes repetir, que quem sustenta as nossas dimensões serem quatro há que lembrar que basicamente são os quatro primeiros números da ordem numérica, pensando em outras dimensões escalando simplesmente a ordem numérica, ficará a perceber porque é que eu digo que as probabilidades de sermos encontrados são infinitamente superiores a encontrarmos. Quanto a não sermos aerodinâmicos bastaria recuar no tempo e rever os «animais» mitológicos. É até bem possível nós e outros animais termos componentes cerebrais que não se tem fisicamente, que não foram previstas no ADN, por exemplo, para terminar este cogito devo dizer-te que já sonhei que voava várias vezes e é tão delicioso voar que hoje mesmo fiz uma máxima acerca do assunto: Assim como podemos voar num sonho, onde nos doem as asas, sem que tenhamos asas, todos nós existimos sem de facto existirmos. Assim, quem sabe, realizemos a fantasia de Ser Deus sem de facto O Sermos. Basta saber que Deus É Amor.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 23, 2007 09:47 PM
É, «Carlos Rodrigues», estranho que alguém que conhece (e usa) «semiótica», «sindérese» ou «escatologia» não saiba o que é «soberba»... Desculpa a catalogação da tua crença como católica, tomei a parte pelo todo: se em Portugal se é religioso, o mais provável é que seja católico. Mas fica registado o esclarecimento. Obviamente que Santos, anjos e as míriades de Nossas Senhoras que por aí há (apesar de serem supostamente a mesma, cada uma tem um aspecto e «propriedades» milagrosas diferentes, conforme o local de «aparição»). Se isto não é politeísmo e negação do Mandamento n.º alguma-coisa-que-nunca-me-darei-ao-trabalho-de-decorar de «Não adorarás falsos ídolos» não sei o que é... Quanto À ficção científica, a realidade mostra-se sempre mais estranha do que ela, para além da sci-fi ter servido, servir e servirá para inspirar avanços tecnológicos/científicos (lembro-me de um livro, escrito em meados do século XX, chamado «O Labirinto», em que se falava de uma cidade abandonada onde existiam chafarizes onde bastava pôr as mãos em forma de concha debaixo da torneira para que a água jorrasse. Já no final do século eis que se concretizou. Já agora, Júlio Verne não foi visionário: o que ele descreveu foram tecnologias mais ou menos existentes no seu tempo). Ser Deus sem se Deus parece ter sido sempre a meta da Humanidade...
Cogitado por: Mauro a junho 27, 2007 12:23 AM
Ouvi dizer que o Deus dos Católicos diz que somos vaidade, coisa que é um atributo e não algo material. Na verdade sei de algumas coisas do Cristianismo que considero correctas e poderão ainda ser válidas como um caminho de prudência para a humanidade, mas um erro crasso é aquele de se dizer que Deus fez o mundo em seis dias e ao sétimo descansou. O disparate é que Deus pode fazer um número infinito de universos em T0, não concordo que Deus precise de descansar para coisa alguma. Mas também é certo que naqueles tempos sobreviver era de longe mais dificil do que hoje e que regras como manter a virgindade e praticar em toda a adolescência a abstinência sexual era fundamental para ser saudável e ter uma vida longa. São coisas que hoje ainda são válidas mas não são propriedade exclusiva do Cristianismo, outras religiões praticam esse importante hábito e são tão velhas ou ainda mais que o Cristianismo. O politeísmo e o próprio Cristianismo são provas da idolatria antropomórfica das Divindades, mas há religiões que não acreditam num Deus pessoal embora não apresentem como será um Deus não pessoal. Nós cá temos um provérbio: Por causa dos santos adoram-se as pedras. O livre-arbítrio e o avanço da abertura a muitas liberdades são uma prova de que cada ser humano é um deus que pode decidir tudo o que faz e quer, mas está visto a quantidade de liberdade que degenerou em libertinagem, os menos inteligentes e sem princípios são as principais vítimas da liberdade. Quem é inteligente e com conhecimetos sabe cometer crimes dos quais sai ileso tais como a sugestão aos mais ignorantes em fazerem coisas passíveis de castigo. É que, por exemplo, quem sugere a um indivíduo para matar outro não é crime, o criminoso é o que mata e não o inteligente que o convenceu. Mas voltando à hipótese de Ser Deus Sem sequer ser tem o lado mau de um possível apocalipse, por exemplo, sabe-se que se conseguirmos viajar no tempo também temos como capicua o poder de destruir o tempo. Não sei se sabes mas parece que o Catolicismo abomina a ideia do ser humano ser Deus porque essa hipótese é exactamente relacionada com o livro do apocalipse. A essa fantasia impõe-se perguntar: O que é ser Deus? O pouco que sei é Ser ao contrário de nós que somos fantasia.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 27, 2007 01:04 AM
Em relação, «Carlos Rogrigues», ao cristianismo no seu geral, encontro, como tu também, vários aspectos positivos (e ter crescido numa sociedade católica ajudou a inculcar em mim alguns deles). Encontro também muito negativos, mas mais ligados à instituição Igreja do que às religiões Cristãs (e dentro destas, mais positivas umas que outras). No geral, pouco (talvez até mesmo nada) encontro de novo na religião cristã: sendo, na sua base, uma seita judaica, é natural. No artigo que escrevi sobre as origens do Judaísmo desenvolvo um pouco mais a questão. O Islamismo apresenta uma noção de Deus que vai bastante de encontro ao que referes: Alá é tudo menos uma divindade pessoal, não é representável, nem contável, muito menos divisível. O problema do Islamismo está na forma como alguns grupos o praticam. Excluindo as regras que ditam a forma como o indivíduo tem de agir na sua vida, acho o islamismo bastante fascinante. Existe, na lei (pelo menos em Portugal), a figura do «autor moral», isto é, da pessoa que instigou outra a cometer um crime. O autor moral é tão responsável (ou mais, depende do caso) como o autor factual. A não ser assim, os líderes de organizações de crime seriam sempre inocentes... A virgindade e a abstinência sexual não equivalem necessariamente a melhor hábitos de saúde. Podem até promover situações de falta dela. Lembro-me, assim de repente, de D. Sebastião e das suas ejaculações espontâneas ; temos ainda os casos de traumas psicológicos associados também à virgindade imposta. Como em tudo, desconfio sempre do absoluto nas definição: o melhor para cada pessoa é sempre relativo a essa pessoa. O que me parece é que o conceito Deus é dos conceitos mais relativos que a Humanidade criou, daí as constantes guerras religiosas que assolam a Humanidade. Não vejo povos à luta pela questão Geocentrismo/Heliocentrismo nem Terra Plana/Terra Esférica nem ... Geralmente (nem sempre, eu sei) as lutas por divergências intelectuais surgm em contextos religiosos. O que é Deus? Deus é criado à imagem de quem nele crê. Diz-me quem crê e dir-te-ei que é crido...
Cogitado por: Mauro a junho 28, 2007 09:07 AM
Aprendi agora muito do que por mim mesmo descobri e também um pouco mais de História e religião. Sou um indivíduo que muitas pessoas poderiam pensar que é mais belo descobrir por si próprio o mundo do que simplesmente ter aprendido tudo o que já se sabe acerca dele. Essas pessoas poderiam afirmar que eu tenho obrigação de ser feliz, em parte até sou, sou um indivíduo que basta ter algumas coisas satisfeitas, coisas que não dispenso, para andar sempre com um sorriso que às vezes é mal interpretado. Já me disseram que é feliz quem por feliz se tem, eu sou um pouco assim. A sabedoria para mim é muito importante, é importante para mim aprender alguma coisa dia-a-dia e também cada vez que escrevo algum poema ou frase poética aumenta a minha auto-estima, no entanto, estou já numa fase da vida em que as coisas não me admiram e não tenho aquela vontade que tinha em fazê-las. Mas bem, não me surpreendeu quase nada que a minha obra de cosmologia se identifique em muitos aspectos com o Islamismo, era coisa que já desconfiava, também me pareceu ver alguns comportamentos simpáticos, por suponho eu, indivíduos da comunidade Islâmica. Estou surpreendido comigo mesmo que é quase sinónimo de eu continuar a repetir que na maior parte das vezes não forço a escrita, ela sai e posso dizer-te que acontece muitas vezes a pontualidade de eu fazer coisas em que depois se encaixam naturalmente numa obra minha, uma compósita já com mais de mil páginas, por esta felicidade, e ao invés, por alguns traumas, tenho o direito de afirmar com toda a certeza que Deus existe... mas é possível que não exista para quem não crê que exista.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 28, 2007 08:54 PM
E não é isso, «Carlos Rodrigues», que todos deveríamos permanentemente fazer: aprender todos os dias alguma coisa? Tendo em conta que o Islamismo é neto do Judaísmo e filho do Cristianismo, é natural que alguém, que seja teísta e tenha crescido num país de tradição católica, encontre os Islamismo pontos comuns. Se excluir as obrigações pessoais que cada crente tem de cumprir diariamente, encontro no Islamismo várias questões mal abordadas no Judaísmo/Cristianismo mas com uma roupagem mais lúcida e clara no Islamismo. Também, nascido mil anos depois da «mãe», é natural que tenha sabido aprimorar alguns dos seus traços «genéticos»...
Cogitado por: Mauro a junho 29, 2007 08:39 AM
Que por sua vez a «mãe» e os «filhos» rabuscados na India e no Egipto onde há por aí parte das tradições cristãs com práticas muito superficialmente modificadas,... não tenho certeza mas parece que a China também...
Cogitado por: Carlos Rodrigues a junho 29, 2007 11:09 PM
Sim, Índia e Egipto são algumas das origens de alguns traços judaico-cristão-islâmicos. Há um artigo no Cognosco sobre as origens do judaísmo: tanto o Zoroastrismo dos Medos persas como o Atonismo egípcio de Amenhotep III e da Amenhotep IV (Akenaton), respectivamente avô e pai de Tutankamon. Um assunto interessante este, o das origens das religiões...
Cogitado por: Mauro a julho 3, 2007 08:27 AM
Pelo que sei nós ainda continuamos a ser a última mutação que ocorreu dando origem ao sapiens, sem descurar a possibilidade de outros símios sonharem, nós só nos conhecemos a nós com essa característica enraizada nas religiões, já me aconteceu «déjà vu» e é simplesmente por isso que acredito, se não me tivesse acontecido poderia discordar como alguns, mas só alguns porque acontece a muitos sonhos no mínimo estranhos, eu até já fiz psicoterapia tendo sido uma das questões abordadas, quando discuti com o médico na presença de todos quando ele se serviu da relatividade de Einstein para explicar este fenómeno, é um assunto simultaneamente encantador e mete medo acontecer «déjà vu» a alguém. Talvez esta seja uma das origens da religião, outras poderia ser uma interrogação dirigida à morte, o ser humano ainda hoje, há muita gente que teme uma violenta trovoada, outra a forte necessidade de explicar a ordem do mundo e a simples existência de nós próprios, as eternas perguntas, quem somos, de onde viemos, para onde vamos, onde estamos, se recuares no tempo a existência de religião era como uma necessidade imperativa, não conhecmos nenhum povo na História em que possamos dizer que não tinham um deus ou deuses, é curioso também que nunca foi uma «ciência» secundária, foram sempre as classes dominantes que praticavam, obrigavam a praticar e era um «escudo» para governar... Mas deve haver muitos outros detalhes intrigantes. Nos dias de hoje, excluindo o Islamismo, quase todas as religiões estão a ser literalmente abandonadas sendo a mais forte causa a tecnologia existente e a física a dar explicações de A+B para o que há duzentos anos ainda eram fenómenos de origem divina, mas mais, o mundo ocidental é o que tem a religião mais errada e a que causou e causa mais guerras, por outro lado ouve-se muito a seguinte hipocrisia: Sou católico mas não sou praticante, se tentares saber à maioria destas pessoas tudo o que é fundamento da sua religião eles não sabem e é melhor não insistires porque a seguir partem para a ignorância, na verdade uns precisavam de serem literalmente fechados em claustros para meditarem nas asneiras que pretendem impor aos outros à força, estou a ser suave, Mauro, não me preocupa em nada alguns atentados terroristas contra gente estúpida, mesquinha perversa e sobretudo pedante quanto às suas supostas crenças.
Cogitado por: Carlos Rodrigues a julho 3, 2007 03:56 PM
Ora aqui temos, «Carlos Rodrigues», um comentário que aborda uma série de questões abordáveis. Felizmente terei uma pequena abertura profissional nestes dias, pelo que posso acrescentar um pouco mais de ênfase nos meus comentários. As mutações que deram origem ao sapiens não nos foram exclusivas: os neandertais eram tão nós (retirando diferenças físicas niglegenciáveis para a questão) que dificilmente deixariam de partilhar algumas das nossas melhores e piores características. No artigo «C'est le meme», falo ligeiramente deles e do que partilhariam connosco. Quanto aos sonhos propriamente ditos, estão cientificamente documentadas fases de sono REM (a fase em que se sonha durante o sono) em muitos mamíferos, particularmente os carnívoros (desde os gatos até símios). Sonhar não é uma característica exclusivamente humana e, provavelmente, antecedeu largamente os próprios primatas, quanto mais os Homo Sapiens. Pegando nos registos fósseis, os primeiros répteis com características mamíferas (o Archaeothyris possuía já um crânio com características mamíferas e pensa-se que o Cynodonte teria pêlo e sangue quente) surgiram ainda os Dinossáurios vagueavam na Terra. Provavelmente, tendo em conta o desenvolvimento do sistema límbico, responsável pelas emoções, surgiu com os mamíferos, não era distutído inteiramente de razão pressupor que esses mamíferos teriam pesadelos com os seus gigantes primos diurnos (Carl Sagan avançou até com a possibilidade de a fase de sono ter surgido, nos mamíferos, para os obrigar a icar na toca durante o dia e a só sair à noite, período em que o frio nocturno impossibilitava os «lagartos terríveis» de se movimentarem. Eventualmente, de cordo com Sagan, o período de vigília passou da noite para o dia. As religiões cristãs não são ocidentais, nasceram na tradição zoroástrica e atonista do Médio Oriente e Norte de África. Seria curioso saber em que medida um monoteísmo de origetm plenamente europeia (lembro, por exemplo, da escola eleática, de que era discípulo Zenão, com a sua crença na unicidade de tudo e na não divisibilidade das coisas, poderá ter sido a primeira manifestação de um monoteísmo europeu, como já referi no artigo sobre o assunto) teria divergido das actuais religiões monoteístas médio-orientais dominantes... Talvez muitos dos paradoxos destas eligiões não surgissem, uma vez que não chocariam com a mentalidade cultural europeia como fazem. Concordo e discordo de ti: os atentados são perpretados por gente estúpida (o que não é o mesmo que inteligente, são mesmo só estúpidos e iludidos), infelizmente não matam só «gente estúpida, mesquinha perversa e sobretudo pedante quanto às suas supostas crenças» (as tuas palavras). Mesmo que o fizessem, nunca poderia concordar em recusar um erro porque se aplica sobre outro erro. São dois erros, não apenas um. Nunca me passaria pela cabeça sancionar a morte de alguém pelas suas crenças na mesma medida em que não apreciaria que me condenassem pela minha total falta de crenças religiosas. O respeito tem de ser a base de qualquer relacionamento (não o execrável «respeitinho» português, o respeito ue discorda).
Cogitado por: Mauro a julho 4, 2007 09:32 PM
Certamente, «Carlos Rodrigus», compreenderás que o teor do teu comentário não se ajusta minimamente ao local. Peço-te que restrinjas os teus comentários a teores menos prosaicos. Misérias todos vão tendo as suas, uns mais do que outros. E vá lá, és a primeira pessoa que recebe uma advertência aqui no Cognosco. Geralmente a eliminação é imediata e sem deixar vestígios.
Cogitado por: Mauro a julho 8, 2007 12:54 AM
TÓPICO DE ANÁLISE: O tempo é contínuo feito de momentos estáticos num presente eterno em constante mudança
Cogitado por: Carlos Rodrigues a julho 13, 2007 05:11 PM
O tópico, «Carlos Rodrigues», já foi exaustivamente explorado pelos antigos gregos: as Escolas de Parménides (mestre de Zenão) e a de Heraclito. O primeiro defendia que não havia movimento nem diversidade: tudo era a mesma coisa e era uma ilusão dos sentidos pensar-se o contrário. Heraclito acreditava que tudo era mudança. Os contemporâneos de Parménides apreciavam a sua legislatura mas escarneciam da sua Filosofia. Zenão, para lhes responder, criou os seus paradoxos. Um deles refere-se à questão que colocas. O artigo http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/858067.html aborda todos eles. O livro «Fundamentos da Matemática», de Bento de Jesus Caraça, aborda as consequências dos paradoxos para a Matemática.
Cogitado por: Mauro a julho 14, 2007 12:26 AM
Cliquei para ver o artigo mas diz que a página não foi encontrada. Tentarei novamente. Com o caraças, pensava ser o único autor desta máxima. Li um livro de divulgação científica em que um indíviduo diz que o plágio começa quando alguém nasce duzentos anos depois e descobre que alguém teve a mesma ideia há duzentos anos. O meu caso é bem mais grave... de facto com a inteligência que hoje tenho faz-me confusão como é que eu poderia ser tão burro quando era criança, jovem e jovem adulto, apenas sei que fui atrofiado e muitos se aproveitaram de mim como autores morais. Mas deve haver muitos homólogos destas ideias e outras o que poderá fazer pensar muita gente...
Cogitado por: Carlos Rodrigues a julho 14, 2007 08:57 PM
A culpa, «Carlos Rodrigues», estava no comentário em si: dois erros direccionavam para um link errado e o caracter » impedia-o de funcionar correctamente. Se há desconhecimento da ideia de outro (seja 200 anos depois ou 200 segundos depois), em que medida se poderá falar de plágio? A tentação da miséria é grande... há um claro pisar do risco... fica a chamada de atenção.
Cogitado por: Mauro a julho 15, 2007 06:06 PM
O princípio de incerteza diz que para se saber onde está um corpo não se pode saber a que velocidade é que vai e para se saber a velocidade não se pode saber onde está. Isto é uma impossibildade da própria natureza que conhecemos, para se saber a velocidade é necessário uma porção de distância, para se saber onde está o centro irredutível do lugar é zero, é um não-local, não está em lugar algum por mais pontos de referência que existam à volta do lugar, aumentando o raio continuamente ele «termina» no infinito e é aqui no infinito que ficamos a pensar, em relação ao infinito, onde está coisa alguma? Ou mesmo, o que é coisa alguma? Percebe-se que a minha máxima é o paradoxo da união entre o estático e o movimento, sendo as duas coisas nenhuma delas e ficamos sem saber o que são tudo. Também já sabemos que a grande teoria de tudo diz que a pluralidade é apenas formas diferentes de uma unidade, novamente um paradoxo. As coisas existem tanto como onda quântica como corpuscular, no lado corpuscular parecem ser finitas e como onde estão em todos os lugares só não sabemos se uma coisa no seu lado corpuscular existe também simultaneamente no estado de onda que permitiria um número infinito de coisas extremamente iguais. No estado de onda quântica faz-nos parecer que existe um número infinito de coisas pré-existentes que desconhecemos, o que no futuro, por acidente ou propositado podemos colapsar ondas de objectos que nunca vimos como que tirando do «nada» coisas infidáveis. Na unificação do estático e movimento, Zenão dá um exemplo: em cada momento a seta está parada num determinado local, e para saber a velocidade da seta não podemos tê-la parada, seria uma contradição, tem de estar em movimento, para saber a velocidade temos que medir o tempo que ela percorre de um lugar ao outro, e aqui leva-nos a outro paradoxo, as coisas finitas são também infinitas. A noção de continuidade mais profunda é que uma porção finita é também infinita. Para se medir a velocidade da seta com total precisão ela tem de passar por um número infinito de lugares estando parada em todos eles, e essa porção infinita é zero porque cada porção de lugar por onde passa a seta é zero e a soma de lugares zero de um lugar a outro é infinito, logo, infinito, finito e zero são uma mesma coisa - zero. Assim, o movimento é uma ilusão dos sentidos. Quem perceber isto infere o absurdo que o nosso mundo é onde aquilo que para todos é lógico é na verdade algo incoerente. A seta moveu-se e percorre uma distância finita o que parece lógico, a seta esteve em movimento de um lugar ao outro parece correcto, mas o número de vezes que esteve estática de um lugar ao outro é infinito, sendo qualquer porção que se tome é infinita, o tempo, o movimento de duração de um lugar ao outro é que precisa de uma inferição correcta. Concluindo, sabemos menos do que é o tempo do que o que é o espaço. Quando se tira a fotografia de algo em movimento esse algo aparece estático na fotografia dando-nos um exemplo claro de que um objecto em movimento também está parado. No entanto, sabemos que não conhecemos coisa alguma estática, os átomos da fotografia estão em movimento assim como qualquer objecto da astronomia, haverá gravidade estática?
Cogitado por: Carlos Rodrigues a julho 15, 2007 09:24 PM
Pois, o Princípio de Heisenberg implica tudo isso: Zenão teria ficado orgulhoso. Logo ele que queria provar que a diversidade e o movimento são paradoxos induzidos pelos sentidos. Não concordo com ele mas não deixa de impressionar (apesar de cada um dos paradoxos ter sido já matematicamente provado incorrecto). Geralmente um objecto em movimento não fica bem em fotografias, ficam registadas diversas posições do objecto. Boas máquinas, com diafragmas rápidos, conseguem esse «isolamento» aparente. Mas é óbvio que o limite é a velocidade da luz: é impossível «fotografar» um fotão individual em movimento (com tudo o que de paradoxal uma fotografia da luz tem), não há diafragmas físicos que atinjam nem uma percentagem significativa da velocidade exigida. Quanto à imobilidade total, estática, o «frio absoluto» (0º kelvin) é isso mesmo: a total ausência de movimento corpuscular. O estado da matéria Bose-Einstein (de que já se falu num dos primeiros artigos do Cognosco) não é exactamente «frio absoluto» mas não andará muito longe... E um corpúsculo que faça parte de um Aglomerado de Bose-Einstein estará quase «estático»
Cogitado por: Mauro a julho 16, 2007 03:27 PM
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