07 junho 2005Cogitar (2 cogitações anteriores)Num piscar de olhosQuem olhe para o céu à noite poderá maravilhar-se com o fabuloso espectáculo que é o Espaço e a sua aparentemente infinda quantidade de estrelas. E as estrelas piscam, como que a quererem contar-nos os seus segredos. Acontece que as estrelas não brilham. O brilho de uma estrelas é constante ao longo de grande parte da sua vida, aumentando quando nasce, estabiliza e varia quando é a morte da estrela. Somente os pulsares piscam (ritmadamente) mas estes já não são estrelas... ~ Isso não tem a mínima lógica. Pois se as vemos a piscar... O «piscar» das estrelas prende-se com os movimentos de ar na atmosfera. Um fenómeno semelhante acontece no Verão quando se circula de carro por uma auto-estrada. Um pouco mais à frente do carro na estrada parece haver uma poça com líquido a brilhar. Essa ilusão de óptica é provocada pela ascenção do ar aquecido pelo calor do alcatrão. A luz que chega à Terra vinda das estrelas é distorcida pelos movimentos aleatórios das camadas de ar. Essa é outra razão pela qual os telescópios terrestres se situam no topo de montes ou montanhas: para diminuir as camadas de ar sobre ele para que as distorções sejam menores e também porque aí o ar é mais rarefeito e mais frio. O enorme sucesso do Telescópio Espacial Hubble prende-se com a sua localização fora da atmosfera terrestre. Há telescópios maiores na Terra do que o Hubble e melhores instrumentos de medida e sistemas computadorizados tão ou mais avançados.
Só que o Hubble está para além das distorções da atmosfera e portanto as suas imagens são mais nítidas. O facto de o Hubble estar à volta da Terra e não na sua superfície não faz com que esteja mais próximo das estrelas e por isso capte melhores imagens. Para as escalas de distâncias a que estão as estrelas a distância entre a órbita e a superfície da Terra é nula. A estrela mais próxima do Sol é Alfa Centauri (As estrelas mais brilhantes de cada galáxia chamam-se Alfa e Centauri porque é a galáxia). Alfa Centauri está a 4 anos-luz da Terra ou seja a luz viaja durante 4 anos para chegar até nós. Se Alfa Centauri explodisse agora só daqui a 4 anos é que se saberia...
A luz viaja a uma velocidade constante de mais ou menos 300 000 quilómetros por segundo. Sendo assim 4 anos luz correspondem a 37 869 120 000 000 quilómetros (37 biliões 869 mil miliões e 120 milhões de quilómetros.
O que são os 35 900 quilómetros da órbita geostacionária dos satélites ao pé de tantos biliões? Um nada que nem se atreve a ser algo...
Edwin Hubble foi um eminente astrónomo estado-unidense do século XX que descobriu que havia mais galáxias para além da Via Láctea e que, além disso, todas elas se estão a afastar umas das outras a grande velocidade. Isto conduziu por regressão lógica à ideia do Big Bang, pois se todas as estrelas se estão a afastar significa que no passado estiveram mais próximas. Sendo assim houve um início para o Universo e todas as estrelas partiram de um ponto inicial (faz lembrar a prova de Aristóteles da Existência de Deus que diz mais ou menos «todas as coisas se movem por acção de outras e essa por acções de outras e... Tem de haver uma força que deu início a esse suceder de movimentos, um motor primordial. O motor primordial é Deus»).
O Cognosco não se responsabiliza pelo último passo deste argumento...
Cogitado por Mauro Maia às 23:05
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Tenho sempre feito comentários ao corpo textual dos artigos que publicas mas nunca ou raramente aos títulos dos mesmos. Estes merecem a minha atenção uma vez que revelam originalidade e cuidado da tua parte relativamente à sua selecção e adequação face aos textos produzidos. Os títulos são o cartão de entrada, são eles que desde logo poderão ou não prender o leitor e o cativar para a leitura.
Cogitado por: fm a junho 8, 2005 05:01 PM
De facto uma parte significativa dos artigos publicados é o seu título. Como bem classificados é o seu cartão de visita. Os títiulos de um livro, de um quadro, de um poema, ... são as suas linhas estruturantes. A meu ver não deve ser uma mera sinopse do texto ou obra nem uma citação do/da mesmo/a. Deve ter alguma coisa a ver com o texto mas sem ser uma descolorida frase do mesmo. A criatividade começa pelo início. Agradeço-te o comentário. Por vezes o título para um artigo é mais complicado de encontrar do que o texto em si. É bom saber que não é em vão. (De qualquer forma nunca seria pois para mim formam um tudo indissociável. Um bom texto perde por um mau título bem como um bom título não salva um bom texto)
Cogitado por: Mauro a junho 9, 2005 11:07 AM
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