15 junho 2005

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Canarias et ignotus tractatus

CaravelaAs ilhas Canárias (o arquipélago de 7 ilhas no Atlântico) eram conhecidas já na Antiguidade, tanto pelos navegadores gregos como pelos romanos. As ilhas eram habitadas por um povo ainda na idade da pedra, os guanchos. Nem os Gregos nem os Romanos fundaram colónias nas ilhas e o guancho foram deixados relativamente em paz.

O nome Canárias vem do Latim canis que significa cão, pelos relatos de cães selvagens que existiam nas ilhas. O pássaro canário foi depois baptizado com o nome destas ilhas onde existe.

Em 1336 os Portugueses efectuaram uma primeira expedição às ilhas, seguida por outras em 1340 e 1341, era rei Dom Afonso IV, o Bravo. Em 1412 Dom Henrique, o Navegador ordenou mais uma exploração das ilhas (e litoral africanao) mas não houve tentativas de colonização. No entanto as ilhas estavam sob «admnistração portuguesa», apesar de serem habitadas e os seus habitantes serem alheios à soberania portuguesa.

No entanto todos sabemos que as Ilhas Canárias são hoje ilhas espanholas. Não houve invasão militar espanhola nem despojos de alguma guerra Luso-Espanhola.

Após a conquista de Ceuta em 1415 Portugal iniciou a sua Era das Descobertas.
Em 1420 João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira descobrem a ilha da Madeira.
Em 1427 Diogo Silves descobre a ilha de Santa Maria, uma das 9 ilhas dos Açores.
Em 1492 Colombo descobre a América, julgando ter chegado à Índia (os nativos da américa são chamados de «índios» por causa dessa primeira errónea ideia).

Em Castela tinha morrido em 1474 o rei Henrique IV o que levantou problemas de sucessão. Henrique IV tinha casado com uma irmã do rei de Portugal, Dom Afonso V. Desse casamento nasceu a princesa Dona Joana.
Com a morte de Henrique IV ficava aberta a possibilidade de uma dinastia portuguesa na coroa castelhana. Não gostando da ideia parte da nobreza castelhana rejeitou a paternidade de D. Joana, alegando esta ser fruto das relações ilícitas da rainha com o fidalgo D. Beltrão de la Cueva.

Antes de morrer Henrique IV tinha apontado como sua sucessora a sua meia irmã, D. Isabel (a mesma que viria a patrocinar a expedição de Colombo). Os Portugueses no entanto insistiam na pretensão de D. Joana ao trono. Em 1480 Afonso V de Portugal casou com a sobrinha e invadiu Castela para reclamar o que considerava seu direito, a Coroa castelhana. Os dois exércitos defrontar-se-iam em 1476 no Toro mas sem vitória de qualquer lado.

Mas a guerra comportava muitas despesas numa época em que Portugal estava empenhado nos descobrimentos. Os Espanhóis mostravam algum interesse pela costa africana e em particular pela posse das ilhas Canárias. As rivalidades comerciais entre os dois países iam-se acumulando chegando a haver confrontos navais. Uma solução pacífica era ideal para evitar uma guerra que nenhum dos lados pretendia.

CanáriasEm 4 de Setembro de 1479 assinou-se o Tratado de Alcáçovas (nome da vila onde foi assinado).
Este tratado resolvia questões pendentes entre Portugal e Castela:
~ Portugal reconhecia D. Isabel como rainha de Espanha, renunciando assim à paternidade D. Joana e a sua pretensão ao trono;
~ Em troca das ilhas Canárias, as terras descobertas ou ainda por descobrir a sul do cabo Bojador seriam portuguesas. Abaixo do paralelo 27 as novas terras seriam portuguesas. Mais tarde este Tratado que criava o paralelo 27 seria transformado no meridiano do Tratado de Tordesilhas, a 360 quilómetros das ilhas de Cabo Verde.
O Tratado de Alcáçovas foi a primeira divisão do Mundo entre Portugal e Castela.

Mas entretanto, em 1492, Colombo descobre algumas ilhas do que ele julga ser a Índia mas que é a América (o nome do continente deve-se ao navegador que explorou a costa do novo continente, Américo Vespúcio). Mas as novas ilhas ficam abaixo do paralelo 27 e os Espanhóis desejam a posse dessas novas ilhas. Para o fazer Colombo distorceu os relatórios da expedição para que parecesse que as ilhas se situavam acima do paralelo. Simultaneamente o Coroa castelhana pediu ajuda ao papa Alexandre VI. Este papa era Castelhano e como tal disposto a ajudar as pretensões castelhanas e da sua grande apoiante, a muy católica D. Isabel. Revogou então a bula anterior e criou uma nova bula na qual a divisão geográfica entre Portugal e Castela passaria a ser um meridiano que passaria a 100 léguas dos Açores e a 100 léguas de Cabo Verde. Mas era impossível um meridiano passar por esses pontos, por os Açores se situarem mais a Ocidente do que Cabo Verde. Um novo meridiano foi criado, passando a 370 léguas de Cabo Verde.

Dessa forma impediu-se o confronto entre as duas nações ibéricas e o novo meridiano viria a permitir a colonização do Brasil. Se o Brasil hoje fala Português é devido a esse tratado.
Cogitado por Mauro Maia às 20:28 | Cogitar (0)
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