11 julho 2005Cogitar (44 cogitações anteriores)RorschachA maioria já ouviu falar do Teste das Manchas de Tinta de Rorschach. Este teste foi desenvolvido pelo psicólogo suíço Hermann Rorschach (1884-1922), um forte adepto da Psicanálise de Freud e a sua ênfase no inconsciente. O teste é composto de 10 cartões com manchas aleatórias. O psicólogo mostra-os aos pacientes e pede-lhes que digam a primeira coisa que lhes vem à mente. Após todos serem vistos em rápida sucessão, o psicólogo entrega cada cartão ao paciente para que este os analise mais pormenorizadamente. Em cada cartão, deve indicar tudo o que nele vê. É considerado um sinal positivo quando o paciente roda o cartão 90º, 180º ou 270º. Revela assim que procura uma interpretação numa mancha aleatória. A interpretação que os psicólogos podem fazer pode divergir. No entanto, apesar de se pretenderem aleatórios, a maioria (se não todos) contém símbolos e imagens que esperam os psicólogos tenham uma interpretação sexual (a la Freud...) Mais de quatro menções a imagens sexuais nos cartões indicaria algum tipo de obsessão com o sexo. Aparentemente, também ver certas imagens nos cartões indicaria Esquizofrenia. Mas este teste é controverso. Em parte porque primeiramente há uma contradição lógica. As manchas pretendem-se ser desprovidas de significado e subjectivas mas fazer uma avaliação das respostas requer que os desenhos tenham desde logo um significado em relação ao qual se interpreta as respostas. Esse significado é feito pelo psicólogo antes de mostrar os cartões ao paciente. Isso significa que, na avaliação do teste, há duas interpretações presentes: a do paciente e a do psicólogo que serve de referência. É óbvio que o psicólogo é igualmente humano e tem os mesmo direitos a ter problemas por resolver com a mãe ou outros distúrbios. Assim sendo, o teste perde a sua validade. Onde estará a insanidade: na interpretação do paciente ou nas respostas de contraste do psicólogo? Em 2004, os cartões com manchas de Rorschach foram divulgado na internet. A Sociedade Rorschach considera que as manchas dos cartões são marca registada (pelos vistos alguém anda a precisar de fazer alguma psicanálise para considerarem manchas aleatórias marcas registadas...) mas tal pretensão foi contestada por inúmeras pessoas. Na animação, cada cartão é mostrado durante 30 segundos.
Cogitado por Mauro Maia às 21:17
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Eu já fiz esses testes.
Cogitado por: Rata Zinger a julho 12, 2005 04:41 PM
Não vi nada nas manchas. O que por si só também pode traduzir algum significado. Mas, de qualquer maneira, quem conhece o Rorschach - que também se pode ler "raw shark" - sabe que o único significado possível de ler em qualquer uma das manchas é uma "linda borboleta"...
Cogitado por: Rui a julho 12, 2005 05:28 PM
Pois, psicologia tem destas coisas... por um lado, desperta a curiosidade e tem um certo interesse ; contudo, muito daquilo em que assenta não resiste a uma análise mais fria, objectiva e, no fundo, científica.
Cogitado por: Lady Nox a julho 15, 2005 01:07 PM
Pois pois... a veres borboletas lindas em todo o lado.... e com essa recusa toda em te projectares nas pranchas.. ha muita coisa recalcada por ai e muita ansiedade e insegurança tb! N se rejeita nem critica o q n se conhece devidamente, apenas p medo inconsciente d projecçao. Aqui tenho dito. Beijinhos e felicidades!
Cogitado por: Caren a maio 31, 2006 01:57 PM
Obrigado pela visita e pelo comentário, «Caren». Não pretendendo negar de forma alguma a tua afirmação de que «há muitas coisas recalcadas por aí» não deixo de me perguntar, uma vez que o comentário se dirige a alguém não identificado, em que medida não estarás a projectar sobre o recipiente da tua análise o teu próprio «medo inconsciente». Nada no teste impede que se vejam «lindas borboletas». E a exposição a estes testes invalida as análises de que deles se possam fazer. O que poderá ser o caso... De qualquer modo a que te referes exactamente?
Cogitado por: Mauro a maio 31, 2006 10:10 PM
ahahahah
achei piada as borboletas!!
sim pode-se ver de tudo até rins pendurados no cartao 3...será k sou eskizóide?
Cogitado por: rafaela a julho 1, 2006 02:20 PM
Obrigado, «rafaela», pela visita e pelo comentário. A meu ver, «esquisitóide» será talvez quem veja coisas banais nestes cartões... (e agradeço-te o empenho que tiveste em que este comentário abrilhantasse este artigo...)
Cogitado por: Mauro a julho 1, 2006 06:54 PM
eu por acaso consegui ver imagens em praticamente quase todas as figuras...eu axo que isto n so depende da personalidade de cada um, mas tb para o sitio da imagem para onde olhamos.
Cogitado por: ana henriques a dezembro 18, 2006 05:29 PM
Penso, «Ana Henriques», que é muito difícil não se ver alguma coisa em qualquer uma das imagens. O propósito do teste é que se veja realmente alguma coisa. A questão não é saber se se vê alguma coisa ou não. A questão é o que se vê. É aí que o inconsciente trabalha e projecta numa figura puramente aleatória significados que são próprios de cada observador. É na imagem que se pensa ver que está a interpretação do insconsciente de cada um. Nas imagens o que vemos é o que está no íntimo inconsciente de cada um.
Cogitado por: Mauro a dezembro 18, 2006 07:41 PM
é ridiculo.. os cartoes nao sao esses!!asmanchas nao sao brancas todas elas sao preenchidas por preto ou cores pastel! e é claro q estas cores e estes pretos vao despertar reacçoes no sujeito q as ve!! tendo elas spr um conteudo latente ou manifesto, ou seja essas cores tem um significado por ali estarem.. por exemplo no segundo cartao existe uns tons encarnados q podem ter um significado de parzer-desprazer ou tristeza-alegria dependendo da interpretaçao dosujeito!!
Cogitado por: pedro a dezembro 21, 2006 04:41 PM
Fica então registado, «Pedro», a possibilidade de os cartões terem outras cores que não meramente o preto e o branco. Devo salientar, contudo, que das poucas vezes que os vi, eram monocroomáticos, mas agradeço-te a referência à possibilidade de os alargar a outros campos cromáticos e poderem ser reveladores de ainda outros aspectos da personalidade de que a ele é sujeito. Talvez a minha experiência indirecta com os ditos cartões se prenda com a preocupação de quem os divulgou com o eventual «copyright» dos mesmos, pelo que a sua divulgação a um público não-psicólogo se posssa ter feito em tons monocromáticos. É uma questão pertinente e a pesquisar. Mas, tendo em conta o mecanismo pelo qual manchas aleatórias são apercebidas como representações de algo concreto, parece-me que mesmo os cartões monocromáticos poderão ser indicadores de facetas da personalidade e como tal serm psicologicamente relevantes...
Cogitado por: Mauro a dezembro 27, 2006 06:35 PM
gostaria de saber como são confeccionadas as pranchas de Rorschach. Compramos prontas ou a confeccionamos?
e se confeccionamos como posso saber.
obrigado
espero resposta urgente
lenir
Cogitado por: lenir a fevereiro 19, 2007 07:35 PM
Bem, «Lenir», a resposta a essa questão é de algum modo dupla: as Manchas de Rorschach são estas mesmas, não são outras e compram-se assim mesmo. Claro que ninguém impede seja quem for de fazer manchas que se assemelham a estas (de algum modo). Não são é Manchas de Rorschach nem são utilizadas pelos psicólogos, uma vez que existe uma «tabela» de interpretação do tipo de respostas que se obtêm perante cada mancha...
Cogitado por: Mauro a fevereiro 19, 2007 07:58 PM
Mauro, eu só quis saber AONDE essas PRANCHAS podem ser adquiridas. Acho que não soube me expressar. E se quisesse, pudéssemos confeccioná-las. Mas o mais importante é que não consigo adquiri-las. A tabela eu tenho. Obrigado
Cogitado por: lenir a fevereiro 22, 2007 12:52 AM
Já compreendi, «Lenir», a questão. Não sei onde podem ser comprados esses cartões., não sei se haverá alguma loja especializada em materiais psicológicos. Algum(a) profisssional de Psicologia deverá saber onde é que podem arranjá-los. Lamento não poder ajudar nessa questão e, mesmo que pudesse, seria provavelmente uma solução válida em Portugal mas será que seria no Brasil? E acté poderão existir outras soluções no Brasil que não existirão em Portugal. Será que na internet haverá algum site onde se possa comprar/encomendar? Vou procurar e se encontrar logo digo, sim?
Cogitado por: Mauro a fevereiro 22, 2007 01:44 PM
Eu fiz hoje o teste e honestamente só via borrões de tinta. Mas como sabia que tinha que responder tentava visualizar qqualquer coisa. A maioria acabou por ser animais, cheguei mesmo a ver um tamboril. Se nenhuma primeira impressão salta à vista o que quer dizer? E confesso que as únicas figuras que poderiam ser qualquer coisa eram as pretas. As cores não representavam algo. Só vejo o mundo a preto e branco.
Cogitado por: Secret Reindeer a fevereiro 27, 2007 04:58 PM
feliz ou infelizmente fui obrigada a procurar ajuda junto de uma psicologa... Fiz o teste por sua indicação e fiquei bastante confusa..A certa altura os meus olhos já estavam todos trocados!! Tentei encontrar alguma coisa, parecia que não encontrava nada e no fim disse uma parafernália de coisas sem sentido.. (pensava eu)! O resultado foi muita coisa certa sobre mim... Mas será que me vai realmente ajudar naquilo que eu preciso??
Cogitado por: Maria a abril 10, 2007 02:46 PM
Penso, «Maria», que o objectivo é exactmente dizer aquilo que apenas o inconsciente sugere, completamente independente do que racionalmente pensamos que ali está. São as respostas do inconsciente que o psicólogo procura. Se ajudará ou não, penso que dependerá da natureza do que se quer «ajudar» e na capacidade do psicólogo em ajudar e do paciente em querer ser ajudado...
Cogitado por: Mauro a abril 13, 2007 07:14 PM
Será que se pode mesmo ver alguma coisa do inconsciente de alguém a partir da interpretação desse alguém de manchas aleatórias criadas por outrém? Fiz o teste recentemente, fui reprovado em processo de seleção de cargo público (professor de nível básico, 5ª à 8ª de inglês). Cargo esse que já ocupo em outro município. Como estudioso das teorias da linguagem, sei com Foucault, Deleuze, Derrida e outros que o signo escapa, a subjetividade é, sim, multifacetada e plástica como o cérebro. Não atribuímos os mesmos significados, sempre, às mesmas coisas. Por isso, o teste não é válido para quem já viu as manchas anteriormente. Buscar sentidos ocultos na superfície do signo, quer dizer apenas buscar sentidos ocultos na superfície do signo, já que, o que se vê é o que se vê e nada além disso. Como eu vejo, não significa, necessariamente, um estado de espírito oculto do subconsciente que viria à tona a cada nova visão, mas, antes, uma interpretação cultural, portanto, também, coletiva do vejo e pronto. As manchas do Rorschasch (sei lá), são as manchas dele, não as minhas. Para analisar os sentidos ocultos do subconsciente de outrém, creio que é necessário mais do que trazer à tona interpretações de manchas ou qualquer outra coisa. Estados de espírito são resultado de um número variado de fatores, que não só o do inconsciente ou sub... É preciso ler Fernando Pessoa, Alberto Caeiro e os pós-modernos todos. Vivemos na era da subjetividade, do eu multifacetado... é preciso aceitar isso. Mesmo nas empresas, pq não há outra maneira de se ver...
Cogitado por: Jorge a maio 23, 2007 04:34 AM
Bem, «Jorge», as tuas considerações sobre a validade das (conclusões retiradas da interpretação das) Manchas de Rorschach estão em sintonia com a visão de alguns de que a Psicologia é, na verdade, uma pseudo-ciência (na medida em que as suas conclusões não são testáveis nem é posível fazer despistagem e contra-referências, devido ao carácter único da personalidade de cada pessoa). Não me parece é que se possa dizer «as manchas dele (Rorschach)» não são «as minhas manchas». O fulcro destas manchas é realmente de serem aleatórias e destituídas de significados à priori. Cada um vê nelas o que traz e o que é. O problema poderá surgir não tanto nas manchas mas sim na interpretação que outros fazem da interpretação que o sujeito fez das manchas, o que parece ter sido o caso.
Cogitado por: Mauro a maio 23, 2007 11:46 AM
Mauro, o que quis dizer é que nas manchas de Rorschach posso apenas ver as manchas de Rorschasch, nada mais. Tudo o que disser, além disso são meras elucubrações. Eu, por exemplo, em uma das imagens vi uma gravata borboleta, em outra, vi dois animais que pareciam castores ou ratos, e, ainda, em outra, não vi nada só manchas borradas em fundo branco. Qual a resposta certa? O que a gravata e os animais representam de meu subconsciente emergente na imagem? O que quer dizer se forem castores e o que muda se forem ratos? Tudo muito subjetivo... Na primeira vez que fiz (2ª na realidade, pois já havia feito dois anos antes (+-)), a psicóloga me disse: "-Bem, agora vamos fazer um teste de interpretação de imagens. Como as crianças fazem com as nuvens... blablabla..." Então, crianças ao imaginarem figuras concretas em nuvens estão fazendo emergir um subconsciente edipiano, sartreano, lacaniano, freudiano, etc.? Ou estão, apenas, dando asas à imaginação, ou, ainda, realmente, vendo figuras concretas em imagens abstratas (as nuvens). Qual o problema em se enxergar coisas reais no nada ou vice-versa? Pergunte-se, diante de um quadro de Dali ou Magritte. Afinal, o que está emergindo são as imagens possíveis ou o subconsciente do sujeito que não pode, jamais, ser apenas um, e nunca, jamais, o mesmo, ainda que diferente de si? - "o rio nunca é o mesmo" - O que interessa é, realmente, Mauro, confirmar a validade e a confiabilidade desses testes psicotécnicos. No processo de testes de que participei, as manchas me foram mostradas mais de uma vez com intervalo de não mais do que uma semana. Pelo que entendi, esse teste não tem validade se a pessoa já viu as manchas anteriormente. Além do mais, a palavra técnico já me deixa com a pulga atrás da orelha, principalmente, quando utilizada como sufixo de psico-. Como pode o "psico-" ser técnico? Pretensão científica ou instrumento de poder, seleção, blablabla... Quem serve a quem na aplicação desses testes. Sei, por exemplo, que no município em que realizei esses testes e não passei, há orientações políticas para a seleção de funcionários. As empresas, todas, devem ter o perfil dos funcionários que procuram muito bem arquitetados - afinal a história humana é uma construção humana muito bem arquitetada para o interesse de poucos, blablabla... Os psicólogos que precisam sobreviver e, então, trabalham para essas instituições, possuem 100% de autonomia para decidirem o perfil ideal para os(as) candidatos(as)? Se a resposta for não, os testes psicotécnicos, todos eles, não podem ser válidos nem confiáveis de maneira alguma. Um abraço, Mauro.
Cogitado por: jorge a maio 24, 2007 04:10 AM
"Não me parece é que se possa dizer «as manchas dele (Rorschach)» não são «as minhas manchas». O fulcro destas manchas é realmente de serem aleatórias e destituídas de significados à priori." - O significado a priori, Mauro, está no nome do teste: Manchas de Rorschsch, isto é, as manchas são dele não minhas nem de mais ninguém. Elas podem, realmente, serem aleatórias, mas, destituídas de significado, jamais, pois elas existem no mundo por invenção de alguém - isso basta. Vale lembrar que as nuvens, também, existem e possuem significado, sim: são nuvens.
Cogitado por: jorge a maio 24, 2007 04:19 AM
Parece-me, «Jorge», que partilhamos pontos de vista sobre esta questão. O que quis dizer (em que medida o consegui é outra questão) era que o problema com as Manchas de Rorschach não é tanto a interpretação que quem é «testado» faz delas mas sim as «conclusões» a que o psicológo chega baseado nessas interpretações. Em que medida é que a personalidade do psicólogo não influencia a interpretação que ele faz das respostas de quem faz o teste? Em que medida é que os traços de personalidade supostamente revelados por este teste não reflectem tanto a personalidado do examinado como a do examinador? Mas num ponto divergimos: para mim seguramente as interpretações que se fazem das manchas são construções do inconsciente. Exactamente porque são aleatórias e desprovidas de significado extrínseco garante-se que o significado das respostas dadas é intrínseco. A grande questão de quem é leigo como eu (como nós) é que a interpretação das manchas pode apenas reflectir os acontecimentos ocorridos na altura em que se fez o teste e não necessariamente a personalidade. Será que se se vir um anúncio a um circo teremos mais tendência a visualizar um elefante? Será que se se estiver a preparar uma reunião de trabalho se terá mais tendência a visualizar um laço-borboleta? Ou seja, em que medida é que a interpretação é insensível ao quotidiano e às experiências do sujeito visado? Dada a complexidade da mente humana parece-me que dificilmente se poderá recusar essa influência...
Cogitado por: Mauro a maio 24, 2007 04:30 PM
tinha que ser português mesmo ne!!!! estupido!!! você estudou 4 anos do Rorschach pra ter embasamento teorico p dizer o q está ai??? ao menos não se estuda assim aqui no Brasil e muito menos se discute de forma tão senso comum sobre um assunto que queira você ou não é CIENTIFICO!!! tal como a psicologia!!!
Cogitado por: Yule a setembro 5, 2007 03:59 PM
Concordo plenamente com a Yule... não se pode falar assim dee um teste que é comprovadamente cientifico!!! Existem estudos que condizem com o que é colocado no teste, até por isso ele é usado pelos psicólogos... e é usado como um mecanismo de trtabalho e não uma única forma de se trtabalhar numa análise!!! e como já foi dito anteriormente as laminas são coloridas e as cores tem importancia fundamental no teste... acho que deveria pesquisar antes de postar coisas imbecis num meio de comunicação tão difundido como a internet... voce se expoe ao ridiculo dessa forma...
Cogitado por: Luciana a setembro 5, 2007 04:06 PM
Pelos vistos, «Yule» e «Luciana», acabam por revelar que são pessoas conflituosas, cujo interesse é meramente achincalhar opiniões de terceiros e não compreender os sues pontos de vista. Felizmente, conheço bastantes pessoas brasileiras o que me permite não partir para conclusões precipitadas e injuriosas sobre a globalidade do povo brasileiro. Que péssima imagem a que vocês dão... E nem abordarei os seríssimos erros gramaticais cometidos, que certamente surgiram pela precipitação de dizer mal e não de analisar o conteúdo do que foi dito. O vosso ridículo xenofobismo é ainda mais risível e irrisório. Alerto, no entanto, que qualquer tentativa de baixar ainda mais o tom do discurso e a buçalidade das palavras que aqui deixarem será recebido com eliminação total dos comentários deixados que os contenham. A Psicologia é, ainda, uma área demasiado recente para se ter tantas certezas como aquelas que procuram aqui «gritar» (geralmente procura-se colmatar a falta de argumentos extremando o discurso). Em relação ao Teste de Rorschach, a minha opinião mantém-se e em lado algum sou confrontado com argumentos em contrário. Eu, ao contrário do que aqui foi deixado, procuro sempre ter opiniões justificadas e coerentes, nunca me coibindo de as alterar caso elas não o sejam. Insultos à minha pessoa ou à minha nacionalidade só mostra bem como estão inseguros dos vossos argumentos. Em termos do que publico ou não na internet, isso é um assunto pessoal. Agora, certamente que os meus mil visitantes diários (sendo um terço ou mesmo metade deles oriundos do Brasil) discordarão do insulto implícito de que falo ou escrevo sobre o que não sei ou não pesquiso. Fariam melhor em procurar saber mais, pesquisar mais em vez de insultar quem, como eu, apenas deseja partilhar com quem quer os seus conhecimentos. O bom da internet é que só me lê quem quer. E a julgar pelos números, tenho feito um bom trabalho.
Cogitado por: Mauro a setembro 5, 2007 05:44 PM
Tenho já algum conhecimento sobre testagem psicológica, sobre o Rorschach em si, e sinto-me na obrigação de fazer aqui um ponto da situação. E fazer também a defesa da minha área, como estudante de psicologia, e como português já agora.
Antes de mais, a questão da ciência: a Psicologia é a ciência mais recente, que avança a passos muito curtos, muito devido à complexidade do objecto de estudo, possuindo por essa razão um corpo teórico e prático enormíssimo, sendo a crise acerca da interpretação desse mesmo objecto (a mente e comportamento humanos) uma parte inerente à própria psicologia. Poderia discutir-se o que é ciência, mas nem vou por aí, pois chegar-se-ia provavelmente à conclusão que muito poucas "ciências" o são de facto. Na minha humilde opinião, apenas a matemática o é.
Continuando,os constructos psicológicos dificilmente descodificam a 100% o que pretendem analisar, pois as variáveis são mais que muitas. Cabe ao psicólogo encontrar meios de adquirir a maior variedade de informação acerca do sujeito e agregar os vários aspectos numa análise coerente. Por outro lado, a objectividade inequivoca em psicologia é impossivel, pois isso significaria que o ser humano é totalmente previsivel, o que felizmente não é. Quanto à influência do examinador no teste é inevitável, mas existem técnicas para minimizar esse impacto.
Os testes psicológicos baseiam-se na "normalidade". O objectivo acaba por ser o de se identificar o que foge à norma e porquê, e como é óbvio, as pessoas não pensam todas da mesma maneira, mas são ,na maioria das vezes, muito semelhantes. Todos os testes possuem limitações, mas são antes demais ferramentas que complementam e ajudam a análise do psicólogo.
Assim, o teste de Rorschach é um teste de projecção, não dá respostas cabais, não é um questionário de perguntas e respostas predefinidas. É antes uma ferramenta, um meio, não o fim em si. A sua validade em muito depende do examinador e do objectivo com que este utiliza o teste. No rorschach, analisam-se sobretudo reacções perante a ambiguidade, a indecisão do sujeito em dar a resposta, a relação da resposta com o seu historial, como o sujeito lida com problemas imediatos, etc. Não é necessariamente uma "porta" para o inconsciente, mas pode providenciar pistas importantes. As manchas de tinta não são aleatórias como aqui se escreveu, foram trabalhadas e estudadas, e a sua ordem, assim como as suas qualidades cromáticas têem o propósito de provocar estímulos no sujeito, e assim obterem-se dados para análise.
Antes de me despedir, tenho de lamentar a superficialidade do artigo. Não creio que reflicta a riqueza do teste e sobretudo da prática psicológica. É uma opinião redutora sobre algo extremamente complexo. Se o teste deve ser sujeito à critica? Claro que sim. Mas a crítica deve ela própria colocar-se ao nível do que está a ser criticado. O teste de rorschach não é uma criação infundada ou leviana de colocar as pessoas a dizer disparates sobre uns borrões de tinta; é uma criativa tentativa de vislumbrar as fundações do comportamento e da mente, e só por isso merece reconhecimento.
Lamento também a proliferação de "psicólogos" caseiros: este não é um campo de senso comum, como muitos querem fazer crer.
Enfim, muito mais ainda há para dizer, mas já estou cansado, e esta é uma discussão sem fim.
Cumprimentos
Cogitado por: Tiago a outubro 12, 2007 01:05 AM
Eu agradeço-te, «Tiago», imensamente o teu comentário. Uma análise objectiva e destituída de preconceitos e análises imadiatistas é o que esta troca de argumentos mais precisava. Em relação ao comentário em si, apreciei-o bastante tendo, como não deixaria de ser, algumas questões a esclarecer. Um dos pontos importantes que gostaria de referir é a superficialidade do artigo sobre esta questão. Uma breve visita aos 300 e alguma coisa artigos do Cognosco permite verificar que há um miríade de assuntos abordados e que o público que os lê é bastante heterogéneo. O objectivo de qualquer artigo que escrevo para o Cognosco é apenas o de abordar as questões de forma a chamar atenção para elas, sem fazer uma abordagem exaustiva às mesmas. Têm um pendor mais largo do que profundo. A superficialidade é apenas aparente uma vez que, em caso algum, será sinónima de leviandade ou falta de seriedade. A questão de saber se a Psicologia é ou não uma ciência e o que é realmente uma ciência e que disciplinas o são de facto, a única abordagem séria e construtiva é a de Karl Popper, nomeadamente no critério de falsificabilidade da deisciplina. Tantos pelos critérios poppianos bem como por outros, a Psicologia ainda não atingiu o estatuto de verdadeira Ciência: é essa a sua intenção, é nessa direcção que evolui, mas ainda lá não chegou, parece-me (mas não só a mim). É óbvio que são critérios discutíveis, mas seria precisa uma Filosofia inteiramente nova e profunda para poder beliscar a correcção poppiana. A minha formação (e profissão e um dos meus pilares mentais pessoais) é Matemática. Parece-me (mas essa é a minha idiosincracia pessoal) que os critérios actuais para a classificação de ums disciplina como Ciência deverão, à partida, excluir a Matemática. Eu sei que a tendência moderna é a de ver o rótulo «Ciência» como algo apetecível e como sinónimo de rigor e honestidade. A proliferação de supostas «Ciências» no século XX é, no mínimo, risível: hoje em dia há «ciências» de e para tudo, muitas vezes não passando de meros rótulos que se apõe sobre uma disciplina para lhe dar a aparência de credibilidade (até algo como o inenarrável «ocultismo» pretende ser «Ciência do oculto»). Dou tremendo crédito à Psicologia, certamente uma das disciplinas cujo objecto de estudo é o mais complexo e intrincado do Universo: a mente humana. É óbvio que não pode dar respostas absolutas, é óbvio que não pode fazer experimentações (não seria ético), é óbvio que os seus objectos de estudo são todos diferentes e que reagem de formas diferentes aos mesmos estímulos. Mas a abordagem estatística permite inferir conclusões gerais, sem que se caia no erro da particularização. A questão é que a incapacidade de experimentação ou de contra-análise ou da aplicação do teste de falsibilidade (entre outros) não permite incluir, no «edifício» da Ciência, para já, a Psicologia (nem, a meu ver, com o seu carácter linear e cumulativo, a Matemática). Muitos vultos intelectuais que facilmente me deixam na sombra nestas questões, pôem reticências na classificação da Psicologia como Ciência (independentemente de, de facto, obter resultados válidos, mas este é apenas um dos muitos critérios para que algo seja Ciência). Não vejo também, «Tiago», aqui «uma discussão sem fim»: limitei-me a falar de um teste psicológico que se usa actualmente e, depois de o fazer, limitei-me a trocar pontos de vista com alguns comentadores (nem por isso muitos, se comparar com outor sbem mais profícuos artigos no campo). Se puderes verificar em outros artigos, o Cognosco (eu) não é surdo aos contributos nem procura estabelecer bases de certezas inabaláveis sobre o que aborda. Nessa medida só te posso agradecer pelo excelente contributo que deste com o teu comentário. De todos os comentários deixados aqui deixados sobre este assunto, foi o mais interessante e profundo. Obrigado.
Cogitado por: Mauro a outubro 12, 2007 11:27 AM
Para já um obrigado pela frontalidade e sinceridade na resposta. É sempre agradável depararmo-nos com pessoas abertas à discussão e disponiveis para um salutar confronto de ideias. Naturalmente compreendo que procuras abordar um número abrangente de temas e conhecimentos, e isso é muito meritório. Por outro lado, por ser a minha área, fico sempre naturalmente preocupado quando me deparo com apreciações que no meu entender, não possuem a totalidade dos dados. Mas como é óbvio, no meu comentário estou a ser juiz em causa própria: a Psicologia é uma paixão para mim, e muitas vezes defendo a minha área com unhas e dentes, daí alguma emoção à mistura, sem querer me desculpar. Admito que a Psicologia não preenche ainda os critérios para ser considerada "ciência", isso é indiscutivel. Interessante referires Popper, é de facto um pensador excepcional, e os seus ensaios sobre esta matéria são uma referência. Sobre isto creio que não há mais a dizer, apenas que a minha principal preocupação é defender uma área que eu considero ser cada vez mais indispensável na sociedade, e que vejo sistematicamente a ser posta em causa. Não é por acaso que a depressão será a doença do século XXI, não creio que seja alarmismo. Irão todas as pessoas que sofrem de depressão recorrer à medicação psiquiátrica? É um pensamento sinceramente preocupante. Avançando, e revendo o que escrevi, corrijo o que disse: tens razão, a Matemática não será tanto uma ciência como uma ferramenta para as "ciências" - creio que já Comte o havia referido. A "discussão sem fim" foi mais um desabafo, sinceramente. Agasta-me esta ideia muitas vezes generalizada de que a Psicologia é uma espécie de ilusão, que é tudo tão subjectivo que os psicólogos não podem fazer qualquer tipo de avaliação. Mas admito que a existência de péssimos psicólogos é infelizmente grande, o que a juntar à complexidade do objecto de estudo, cria o descrédito generalizado. Daí compreender até certo ponto os olhares de esguelha em relação à psicologia.
Voltando ao Rorschach, encontrei alguns artigos na net que poderão ilustrar a utilidade deste teste. Serão talvez demasiado "técnicos", mas demonstram a validade do teste, quando bem utilizado. Tenho de referir que a utilização inicial do Rorschach era exclusivamente psiquiátrica, logo o propósito era identificar e mapear patologias do foro psiquiátrico, esse era o objectivo do seu autor. Assim, os artigos psiquiátricos são os que mais sustentam a validade do teste, sendo esta a área em que o teste é mais amplamente utilizado. A Psicologia só mais recentemente tem procurado apropriar-se do Rorschach, sendo a sua utilização ainda muito controversa, mas no meu entender perfeitamente válida, quando bem realizada com objectivos bem delineados:
http://psy.psychiatryonline.org/cgi/reprint/43/5/360.pdf
http://pepsic.bvs-psi.org.br/pdf/epc/v21n1/v21n1a07.pdf
http://pepsic.bvs-psi.org.br/pdf/psicousf/v7n2/v7n2a02.pdf
http://www.diva-portal.org/su/theses/abstract.xsql?dbid=368
Por outro lado, é de referir a insistência dos autores destes artigos na importância do contexto em que o teste é realizado, e no seguimento rigoroso do protocolo, de modo a não por em causa a validade do mesmo. Evidenciam também a necessidade da recolha de elementos exteriores ao teste para uma análise psicológica mais verdadeira.
Por último resta-me agradecer pela oportunidade de partilhar ideias. Acabou por ser uma agradável surpresa a descoberta do Cognosco e do seu autor. Prometo passar por cá mais vezes em busca de novos conhecimentos e novos debates. Cumprimentos
Cogitado por: Tiago a outubro 13, 2007 02:06 AM
Sem querer, «Tiago», cair numa troca de galhardetes, parece-me que o prazer é mútuo. O lugar de Popper na Filosofia da Cência é, como referes, incontornável e eu só posso aguardar com expectativa que surja um Popper da Matemática, este que é a mais artística das ciências ou (alternativa que subscrevo) a mais científica das artes. Conhecendo por dentro um pouco do Mundo matemático e sendo frontal amante da Filosofia, é com alguma pena que vejo um tema tão importante como a Matemática ainda não tratada filosoficamente com a mesma profundidade com que Popper (e não só) tratou as bases filosóficas da Ciência. Os meus conhecimentos em psicologia são mas restritos e, por isso, agradeço-te deveras os «links» que aqui deixaste sobre o Teste de Rorschach. Lê-los-ei e, se for apropriado, acrescentarei alguma informação importante a este artigo (que é ainda um pouco dos primórdios do Cognosco logo mais carenciado de revisão e complementaridade). Obrigado mais uma vez e, claro, as tuas visitas e comentários serão sempre bem vindos.
Cogitado por: Mauro a outubro 13, 2007 05:14 PM
O artigo pode não estar aprofundado ao máximo mas valorizo-o na mesma pois permitiu-me pelo menos ter um pequeno vislumbre daquilo que trata o assunto (ou do que pensam que é), e isto já é positivo. Não posso deixar de mostrar a minha confusão em relação a este teste, uma vez que dizem que cada prancha pode corresponder a uma situação (relação com a mãe ou com o pai, etc.) mas então quem define o que a cada prancha corresponde? E como se pode saber que, por exemplo, aquele borrão corresponde à relação com a mãe? Mais uma dúvida: os testes não podem ser aplicados a uma pessoa que não se conhece? Então isso compromete a fiabilidade dos resultados, uma vez que se o psicólogo já sabe dos "problemas" e personalidade do sujeito pode ser influenciado por esse conhecimento. Digo isto porque tive uma sessão com um psicólogo e ele ficou a saber mais ou menos como era a minha maneira de ser e como eu via o mundo e os meus "problemas". Na sessão seguinte já me fez o teste e quando me apresentou os resultados, eram apenas tudo o que lhe tinha dito na 1ª sessão. Fiquei a pensar: será que aqueles resultados provieram mesmo do teste ou foram apenas baseados naquilo que eu lhe tinha contado sobre mim? Enfim... incógnitas. Um beijo.
Cogitado por: Yara a junho 14, 2008 07:24 PM
Realmente, «Yara», a confusão que expressas em relação a este teste é a mesma que muitas pessoas expressam sobre a Psicologia em si e os seus métodos. Na minha família, tenho várias pessoas que são «psicólogas naturais», i.e, sem qualquer tipo de formação académica, baseando-se apenas na sua intuição e inteligência traçam retratos psicológicos exactos de pessoas com quem mal contactaram ou intuem problemas psicológicos que apenas os visados tinham conhecimento. Não é magia, não é sexto sentido, não é telepatia, é apenas empatia humana básica e estas são pessoas que apenas estão mais dispostas a dar ouvidos ao que os seus intintos lhes dizem sobre a psique de terceiros. É a Psicologia uma ciência? Usa métodos científicos? É validada cientificamente? Essas são as interrogações que muitos se fazem. O Teste de Rorschach é apenas mais um de entre tantos. Quanto dos resultados que obtém são provindos do método em si e não da intuição do Psicólogo ou própria auto-reflexão do consultado? Eis questões a que eu mesmo gostaria de ver as respostas...
Cogitado por: Mauro a junho 14, 2008 08:26 PM
Talvez certos aspectos da Psicologia possam ser considerados científicos, por exemplo acho que a psicologia cognitiva que estuda os processos de percepção,atenção e memória tem um grande contributo para a compreensão dos processos cognitivos. Também há estudos muito úteis à sociedade neste campo.Mas agora em relação à psicologia clínica, será que há ajuda psicológica que não se resuma a ansiolitícos e anti-depressivos? Será que um psicólogo clínico é mais do que um ouvinte e opinador? A Psicologia é uma área de estudos que faz muita falta ao mundo-actual, mas só se conseguir cumprir com os seus objectivos... Claro que há pessoas que facilmente intuem sobre o carácter e "problemas psicológicos" dos outros, mas há quem seja capaz de resolver estes problemas? Gostava muito de acreditar que sim (e não com medicamentos, porque os psiquiatras é que tratam disso). Um beijo.
Cogitado por: Yara a junho 16, 2008 08:33 PM
Não nego, «Yara», a utilidade da Psicologia. Nem a validade de alguns dos seus métodos. Apenas expressei a minha questão sobre os fundamentos científicos da Psicologia. Ou seja, acredito que esses fundamentos existam e que expliquem de que forma funcionam os métodos usados pelso Psicólogos, que se istinguem ds Psiquiatras exactamente porque os prieiros não usam medicamentos, como se usa na Psiquiatria. Ou seja, a Psiquitris tem um fundamento científico óbvio, já que se alicerça na química cerebral. Se me derem a escolher prefiro de longe a Psicologia, uma vez que prezo demasiado a minha «flora cereral» para a ter modificada por agentes externos e alheios. A Hipnoterapia e um campo que me inspira curiosidade. Os métodos da Psicologia parecem centrar-se na capacidade latente do consciente em comunicar e reslcer os problemas do inconsciente, através da conversa com o terapeuta. Ou seja, parece-me que sim, que os «psicólogos inatos» possam ajudar a resolver problemas das pessoas, da mesma forma que uma conversa com o melhor amigo/a pode nos ajudar a ultrpassar momentos de crise.
Cogitado por: Mauro a junho 16, 2008 10:02 PM
1º isto não são as pranchas de Rorschach verdadeiras, mais não são dos contornos das manchas dos mesmos cartões e como é obvio o que aqui é apresentado não é nada cientifico e em nada abona à verdade. 2º a técnica de Rorschach é uma técnica projectiva bastante estudada, constituída por 10 prachas originais, que por técnicos especializados podem fornecer muita informação acerca dos sujeitos 3º era bom que não aldrabassem as coisas importantes, até porque pode ser impeditivo de obter resultados verdadeiros a pessoas que tenho conhecimento prévio destas figuras, pois por de alguma "pouca" forma se assemelharem às verdadeiras pranchas de Rorschach, venham a enviesar resultados.
Cogitado por: Raul a novembro 18, 2008 05:49 PM
Agradeço-te, «Raúl», que tenhas esclarecido alguns pontos relevantes sobre a questão das Manchas de Rorschach. 1º Se tiveres razão e não forem sequer os contornos das Manchas de Rorschach (o que não corresponde à verdade), nenhum futuro «consultante» teria o seu teste prejudicado por ter lido este artigo 2º A falibilidade deste teste não é algo que tenha surgido da minha própria interpretação. Críticas comuns a este teste: 1- se sas manchas são verdadeiramente aleatórias e o que é aleatório para cada paciente 2- o Psicólogo que avalia as respostas de cada paciente inconscientemente projecta-se a ele mesmo nas interpretações que faz e dois Psicólogos diferentes podem interpretar as mesmas respostas de forma diferente 3- Não há por isso forma de objectivamente definir as interpretações dadas às respostas. 4- O que é normal é matéria controversa: o normal para uns não será para outros e épocas diferentes terão normalidades diferentes também. 5- Não fui eu que publiquei ooriginalmente as imagens das Manchas de Rorschach nem teria como as obter. O que publiquei foi aquilo que está à disposição de qualquer utilizador da internet. 6- A minha crítica fundamental é à classificação da Psicologia como Ciência, ainda que, como referei noutro comentário, na minha família abundem os «Psicólgos naturais». Filosoficamente a Psicologia tem bases pouco sólidas de verificação objectiva e independente, já que o examinador é um ser humano como é o examinado, com a mesma carga de subjectividade, traumas psicológicas e demais particularidades que fazem de cada ser humano único. Estas não são as «verdadeiras» Manchas de Rorschach? E as «verdadeiras» Manchas de Rorschach darão respostas «verdadeiras»? O qu~e poderá não abonar à verdade é mantermo-nos presos a paradigmas e interpretações externos a nós mesmos. Limitei-me a abordar esta questão com simplicidade e curiosidade.
Cogitado por: Mauro a novembro 18, 2008 06:42 PM
Olá pessoal, há um mês atrás eu passei por uma bateria de exames psicotécnicos que são obrigatórios para a admissão à Força Aérea. Um deles, por exemplo, foi o típico teste de personalidade que engloba um questionário pessoal e o teste to H-T-P ("house-tree-person" - "casa-árvore-pessoa") seguido de um questionário (não menos cansativo e vasto) sobre os desenhos. Obtive, por uma razão ou outra, uma contra-indicação no teste de personalidade, tendo como laudo "Apto com restrição". A organização me permite entrar com recurso e com este, participar de outra bateria de exames psicotécnicos. Após muito estudo sobre o sistema H-T-P (a fim de entender um pouco o que eu havia feito de errado e o que eles concluíram a meu respeito) estou, agora, pesquisando sobre este método de Rorschach, pois há a possibilidade de ser este o exame substituto do H-T-P (ouvi dizer que talvez agora não seja igual). Minhas intenções são de estar um pouco familiarizado sobre de que se trata e aonde serei avaliado pelo Rorschach. Fiquei, em suma, muito triste por ter reprovado no psicotécnico na primeira vez e de forma alguma quero que o mesmo aconteça novamente, afinal, o teste que prestei é um dos mais difíceis de se ingressar, o qual passei 3 anos estudando até chegar aonde estou agora, tão perto de conquistar o meu sonho. Só falta passar no psicotécnico. Estou certo de que eu já sei aonde foi que reprovei no teste de personalidade (além de ter reprovado no teste de raciocínio espacial também) - acabei ficando nervoso, dormi mal no dia anterior e interpretei mal às questões. Agora que me deparei com esta discussão, peço encarecidamente a ajuda de alguém para me esclarecer um pouco a respeito do que vou ter que encarar no teste de Rorschach para que eu possa, assim, ficar mais tranquilo (algo que é certamente essencial para eu atingir níveis satisfatórios nos testes e finalmente ingressar na força) =]. Agradeço desde já. Abraços.
Cogitado por: Otaviano a novembro 21, 2008 04:47 PM
Desejo, «Octaviano», que possas o mais prontamente possível realizar o teu sonho e ingressar na Força Aérea. Não sei se um blogue é apropriado para o nível de detalhe que a tua questão presume. Na internet, em particular na Wikipedia (em Inglês), o teste das Manchas de Rorchach e outros testes psicológicos são abordados e explicados sumariamente. O tipo de conclusões que se podem retirar das respostas indicadas é que não. Presumo que a Força Aérea terá os seus próprios critérios na selecção dos candidatos que considerará aptos mas é uma conjectura pessoal minha, já que não tenho qualquer tipo de conhecimento ou fonte na Força Aérea (quer dizer, na portuguesa até que sim). Mas é de alguém que ingressou e não de alguém encarregue da selecção. De qualquer modo, desconheço que tipo de respostas seriam consideradas «apropriadas» para que ingressasses. Seria importante saberes o tip de respostas que deste e o que poderá na tua personalidade haver que a Força Aérea poderá considerar como «desaquado».
Cogitado por: Mauro a novembro 23, 2008 02:11 PM
Olá, é positivo o teu interesse pelo teste projectivo rorschach, no entanto, discordo contigo quando dizes que as manchas aleatórias não deveriam ser registadas. Pois é exactamente o oposto, deveriam ser registadas, assim como não deveriam circular na internet, se repares nos filmes são usadas outras manchas essas sim, aleatórias. As que apresentas não são as originais nem de perto nem de longe. Apenas os contornos são os mesmos, mas existem as cores, as nuances, os contrastes, etc. Quando testes clinicos são divulgados na internet, qualquer um que seja, perdem a sua validade clínica, pela banalização e por condicionar a visão pessoal da diferentes pranchas do Rorschach. Para que saibas existe um complexo sistema de codificação, que não está relacionado com divagações e interpretações, mas... espante-se com Estatística e Matemática, e posteriormente sim, a interpretação... sempre dentro de um contexto clínico.
Cogitado por: Ribeiro a julho 15, 2009 05:50 PM
Agradeço-te, «Ribeiro» a tua opinião e correcção. Já num comentário anterior tinha sido referido que o que o artigo mostra são os contornos das manchas e não as manchas em si. Nada tenho contra as Manchas serem tornadas públicas (daí tê-lo feito, ainda que só os contornos). Não me espanta de forma alguma que a Estatística (que faz parte do todo maior que é a Matemática) seja utilizada na interpretação das respostas, ainda que este uso, certamente por eu desconhecer como se fará, me parecer estranho na medida em que a Estatística funciona tendo como base valores numéricos e objectivos e as respostas dos pacientes serem subjectivas e nada numéricas. Será por uma listagem exaustiva de todas as respostas possíveis? Certamente que não (as possibilidades são grandes demais para serem humanamente numeráveis). Por campos de significado (todas as respostas ligadas a família num campo, todas as respostas ligadas a animais noutro, todas as respostas ligadas a plantes noutro e assim por diante)? Se assim for, entra aqui em jogo a interpretação subjectiva do avaliador, já que as escolhas dos campos a que atribui a resposta são classificações subjectivas (por exemplo, um cão pode ter um significado de lar para uma pessoa e um significado de autoridade externa para outra, para além de ser um animal). O que apontei em relação às Manchas de Rorschach não é criação minha. São críticas e observações comuns. Em termos filosóficos compreendo-as. Em termos de classificação científica também as compreendo. A Matemática, com todo o seu poder e alcance, é infelizmente por vezes mal usada por incompreesão dos fundamentos e ajuste na aplicação. A imensa vontade que tantos campos do conhecimento têm modernamente de serem classificados como ciência leva-os a usarem indescriminadamente a Matemática como se fosse uma receita infalível e de aplicação instantânea. A Matemática, como qualquer outra coisa poderosa, deve ser empunhada por quem sabe como a usar. Eu nunca pegaria numa arma de fogo porque não sei como manejá-la. Nunca pilotaria um avião porque não sei como o fazer. Só analisando com cuidado de que forma é a Estatística usada nesta situação em concreto é que poderia formular uma opinião ajuizada sobre o seu correcto uso e aplicabilidade.
Cogitado por: Mauro a julho 18, 2009 03:05 AM
Boas tardes a todos(as), tinha noção (como se refere no texto anterior às imagens) da existência deste teste, mas desconhecia ao certo a sua função e os seus procedimentos. A título de curiosidade deixei correr a animação, e ao passar cada uma das imagens, tentei "sem pensar" interpretá-las... fiquei ainda mais curiosa quando constatei as minhas respostas. Não pude deixar de pensar que se o tivesse feito há algum tempo atrás, de certeza que as respostas não teriam sido iguais e é possível que daqui a mais algum tempo sejam outras... Li com atenção todos os comentários aqui publicados... e aprende-se umas coisas... obrigado a todos(as).
Cogitado por: Paula a julho 27, 2009 04:46 PM
Olá «Paula». Fico contente que tenhas gostado do artigo. A função do meu blog é mesmo despertar interesse a fornecer informações interessantes. Não tenho acesso às imagens a cores do teste de Rorschach, só tive acesso a estas. Mas acho que foi muito importante pelo diálogo que despoletou entre mim e quem me visitou e comentou o artigo. Presumo que os agradecimentos sejam para mim e para quem comentou o artigo e a quem tive oportunidade de responder. És sempre bem vinda a este meu espaço virtual.
Cogitado por: Mauro a julho 27, 2009 11:43 PM
Eu preciso fazer um laudo de Rorschach, alguém pode me ajudar?
Cogitado por: Paty a novembro 22, 2009 05:23 PM
Olá, «Paty». Não sei de que forma te possa ajudar. Na internet encontrei est link (http://www.rorschachonline.com/rorschach/pt/) com software gratuito que me parece ser o que procurarás. Espero que sim. Obrigado pela visita.
Cogitado por: Mauro a novembro 25, 2009 10:52 AM
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