16 setembro 2005Cogitar (4 cogitações anteriores)Colossicum amphitheatrum
Mas entretanto o Imperador Calígula foi morto (o método preferido no mundo romano para uma «suave» mudança política...) e Imperador Cláudio subiu ao poder. Agripina foi trazida do exílio e casou com o tio. Ao seu filho Lucius foi dada uma educação própria de um nobre de ascendência imperial e ficou em linha de sucessão para o trono. A educação do jovem Lucius foi confiada ao eminente filósofo romano Lucius Annaeus Seneca.
Foi nessa ocasião que o «jovem» Lucius adoptou o nome Nero Claudius Drusus Germanicus («Germanicus» em honra do seu avô materno Germanicus). No ano 51 DC Nero foi nomeado sucessor de Cláudio e em 54 DC, após o envenenamento do Imperador (possivelmente pela sua mulher), a sua mãe Agripina foi nomeada regente pois o seu jovem filho de 17 anos ainda não tinha idade para ser Imperador. O reinado de Nero foi marcado pela sensatez e pelo apelo à legalidade, segundo o exemplo de Augusto. Ao Senado foi concedida maior liberdade, nova legislação foi introduzida para fomentar a ordem social, reformou-se as finanças da corte e os governadores da cidade de Roma foram proibidos de gastarem avultadas somas com os espectáculos de Gladiadores na cidade (mas não no Coliseu que, como se verá em seguida, só foi construído após a morte de Nero), era muito rigoroso em relação aos seus deveres legislativos. Mas Nero era uma personalidade de facetas contrastantes: os seus cabelos louros, olhos de um azul pouco profundo, barriga proeminente, pescoço grosso, pés usualmente descalços, corpo coberto de borbulhas e malcheiroso albergavam uma alma simultaneamente artística, desportiva, brutal, fraca, errática, extravagante, sádica,... Inicialmente os seus extremos eram suavizados pelos seus tutores Séneca e Burrus (não há dúvida de que é um bom nome para um mentor...). Mas aos poucos Nero foi perdendo o interesse na governação e dedicou-se aos prazeres mundanos (por exemplo, tomou como amante a bela Poppaea Sabina, casada com o amigo de Nero Marcus Salvius Otho. Em 58 DC Otho foi enviado como Governador para a distante província da Lusitânia....)
Apesar da destruição da «Casa dourada», a gigante estátua de Nero foi tendo o seu rosto alterado para o dos sucessores de Nero, até que o Imperador Adriano o moveu para ao pé do «Anfiteatro de Flávio». Este passaria a ser conhecido pelo colosso que se encontrava às suas portas e o seu nome perdurou. A palavra latina para areia é harena. Facilmente se percebe como «harena» se tornou a «areia» portuguesa. Mas também de «harena» derivou a palavra «arena», uma vez que os circos romanos (os locais de combate dos gladiadores) eram cobertos de areia para absorver o sangue derramado. No título «Anfiteatro colossal». Cogitado por Mauro Maia às 11:27
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É este o mesmo Nero da lenda, que ficou a tocar harpa enquanto Roma ardia, e sufocou até à morte os convidados de um jantar debaixo de uma chuva de pétalas de rosa (!)? Se sim, como é que as duas imagens contrastam tanto? E, já agora, o que aconteceu ao colosso de Nero?
Cogitado por: Rui a setembro 16, 2005 06:28 PM
Olá Mauro. Como em certos aspectos os nossos blogs complementam-se se não te importares vou colocar o endereço do teu blog no Império. Como estou a tratar dos temas por ordem cronológica, irá chegar a altura que os intervenientes deste teu tema serão referenciados no meu. Assim, embora esta ligação se vá perder no tempo, pois demorarei um pouco a lá chegar, fica aqui a anotação. Um abraço.
Cogitado por: marius70 a setembro 16, 2005 07:47 PM
Meus dilectus frater, é uma e a mesma pessoa. Por isso o artigo refere apersonalidade contrastante. Aquela coisa de ele ter mandado incendiar Roma enquanto tocava harpa é obviamente fantasias para encher olho. Pode até ter feito pouco para o extinguir (queria a sua Domus Aurea) mas é certo que também perdeu o seu lar (a Domus Transitora) mas nada sustenta a tese de fogo posto por ele. Obviamente o Colossus Neronis foi destruído para se fazer o Coliseu. Exactamente o que aconteceu e o que fizeram do que sobrou não tenho conhecimento. Provavelmente usaram para os acabamentos...
Marius, é com prazer que registo a tua anotação. O teu blog sobre o Império romano (marius.blogs.sapo.pt) é igualmente interessante. Agradeço-te a visita e o comentário elogioso. O Cognosco é um blog que navega ao sabor da inspiração. Por vezes ocorre-me os códigos de barras, por vezes o Colosso de Nero. É um blog sobre as coisas que eu sei e que desejo aprofundar. Assim reforço o que sei e por vezes aprendo igualmente. Não deixarei de continuar a visitar o teu blog, onde se pode aprender continuamente. Ave Marius.
Cogitado por: Mauro a setembro 17, 2005 12:41 AM
Em relação ao Colossus Neronis, há algo que não vem especificado no artigo e pode ser relevante para o facto de ser geralmente desconhecida essa estátua: entre o Grande Incêndio de Roma e a morte de Nero mediaram 4 anos. Foi durante esses 4 anos que foi construída a Domus Aurea e o Colossus Neronis. Quando Nero morreu a Domus Aurea não estava plenamente acabada. Mesmo que o Colossus já estivesse feito, só durante 4 anos dominou a linha do horizonte da cidade. Não admira que poucos registos apareçam dela e seja algo a que raramente se faz menção.
Cogitado por: Mauro a setembro 17, 2005 12:01 PM
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