04 outubro 2005Cogitar (4 cogitações anteriores)Animal fortissimusViviam numa floresta longínqua muitos animais, alguns pequenos outros grandes, alguns fortes outros fracos, alguns bons outros maus; Nessa floresta vivia uma pequena formiga que era admirada por todos: apesar do seu tamanho era muito veloz e forte. Todos admiravam a força com que a formiga superava pedras maiores do que ela ou subia a árvores maiores do que todos. E vivia também um elefante que era motivo de pena de muitos e desprezo de outros: o elefante tinha nascido com problemas nas suas pernas direitas. Tinha dificuldade a andar, cada passo era uma tortura, mal conseguia acompanhar até a mais pequena cria nas suas andanças pela floresta. E os outros animais comentavam «É tão grande e forte e tem problemas a andar. Coitado.» Um dia uma cria de passarinho caiu do alto do seu ninho. Quando o elefante finalmente chegou todos os animais davam os parabéns à formiga pela forma rápida com que acorreu e pela facilidade com que puxou a ave até ao ninho. Os dias passaram. Um dia caminhava a custo o elefante pela margem do rio quando ouviu um pedido de socorro. Era a formiga que se debatia no meio do rio para não se afogar. Assim que chegou à margem já os animais todos tinham chegado e imediatamente rodearam a formiga. Com grandes gestos todos manifestaram o seu apreço por ela estar bem e comentaram como devia estar forte a corrente, que até a formiga tão forte tinha levado. Ninguém falou ao elefante, ninguém lhe deu os parabéns pelo salvamento. A sua saída passou despercebida à maioria dos animais. Não lhe deu os parabéns, que heróis a sério não precisam. Desde esse dia o mocho tornou-se o melhor amigo do animal mais forte da floresta. Cogitado por Mauro Maia às 22:27
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É tão bom abrir o Cognosco e sempre encontrar uma surpresa! Adoro fábulas e esta história é sábia! Um texto repleto de lições de humanismo, contado por bichos... Beijo
Cogitado por: Maria Papoila a outubro 5, 2005 09:54 AM
Ainda bem que apreciates esta pequena fábula. Era algo que já há algum tempo existia em rascunho mental mas que ainda não tinha efectivado. Expressa razoavelmente um ponto de vista que raramente outros sentem: poucos valorizam a força que muitas pessoas com limitações de alguma natureza têm para simplesmente fazer aquilo que outros poderão dar como adquirido. Agradeço a tua visita e comentário. És sempre uma visita bem-vinda ao Cognosco.
Cogitado por: Mauro a outubro 5, 2005 12:47 PM
Linda fábula com uma coisa que gosto muito: MORAL. Estas fábulas fazem.me pensar e ser cada dia melhor...independentemente das fábulas, mas estas histórias mexem e fazem pensar. Adorei lê-la, não conhecia.Continuações de tudo bom
Cogitado por: Elsita a outubro 6, 2005 12:05 AM
Obrigado Elsa. Não conhecias esta fábula porque ela só passou a existir quando eu a escrevi aqui no Cognosco. É da minha lavra. Fico feliz por teres gostado dela. Como disse num outro comentário, tenta resumir a minha visão sobre este assunto. Os contos que (muito de vez em quando) apresento aqui no Cognosco são da minha autoria. A única excepção (a que eu identifiquei claramente a origem) foi um a que chamei «Sufi-ciente», já que não incluía nome. Se quiseres ver os outros contos que escrevi, procura nas sinopses. Entre Fevereiro e Julho estão alguns. Obrigado pelo apreço, pela visita e pelo comentário. Se fores às sinopses encontras o «Lepus e testudo» em Março, o «Céu e Terra» em Abril, o «Amo ergo liberto» em Junho e «A flor que chorava de amor» em Julho. Por vezes há também poemas meus. Espero que os aprecies também.
Cogitado por: Mauro a outubro 6, 2005 12:22 AM
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