15 outubro 2005

Cogitar (23 cogitações anteriores)

Cafea est optima amica

TrimetilxantinaCostuma-se pensar no cão como o «melhor amigo do Homem» e no bacalhau como o «fiel amigo». E no entanto não se refere aquela que é verdadeiramente indispensável à vida de milhões de pessoas.
É a muito estimada e valorizada trimetilxantina.
A maioria das pessoas deveria andar na carteira com uma fotografia desta sua melhor amiga. Faz companhia quando se vai tomar café, aquece quando se bebe um chá, consola quando se descarrega as mágoas numa barra de chocolate, agita quando se almoça num «pronto-a-comer»...
A identidade desta super-heroína, que a todos acorre nos momentos de aperto, é de todos conhecida: a cafeína, que tem como «BI químico» C8H10N4O2.

Na sua forma pura, a cafeína é um pó formado por pequenos cristais, branco e com um sabor muito amargo. Em termos médicos, é usado como estimulante cardíaco e como diurético.

A cafeína é um alcalóide e pertence à família das xantinas (que inclui a teobromina, presente principalmente no chocolate). As xantinas no organismo são convertidas por uma enzima específica em ácido úrico (daí o efeito ligeiramente diurético da cafeína).
As plantas produzem cafeína como um pesticida natural para matar os insectos que delas se alimentem, uma vez que estes não têm fígados para filtrar e tornar inóqua a cafeína.

A cafeína encontra-se nos grãos de café, nas folhas de chá (no preto e também no verde), na nozes de cola, nas bagas de guaraná e, em menores quantidades, nos grãos de cacau.
Outros nome para a cafeína são Guaraná e Mateína.
No chá, além da cafeína, há outra xantina quimicamente semelhante, a teofilina.
A principal fonte de consumo humano de cafeína é o café, bebida preparada com grãos de café. Há duas espécies de planta do café, a Arábica e a Robusta, tendo as variedades da primeira espécie menos cafeína do que as da segunda. Há outras bebidas que contêm cafeína, quer naturalmente quer por adicionamento artificial. As quantidades de cafeína variam conforme o produto em questão:

Café:
Grãos de café~ de cafeteira - 130 a 680 mg/litro;
~ descafeinado - 13 a 20 mg/litro;
~ instantâneo - 130 a 400 mg/litro;
~ expresso (feito com Arabica) - 1,36 g/litro;
~ expresso (feito com Robusta) - 3,4 g/litro;

Chá
~ preto - 100 a 470 mg/litro;
~ verde - 8 a 30 mg/saqueta;
~ descafeinado - 1 a 4 mg/saqueta;
~ camomila - 0 mg/litro;

Chocolate
Nozes de cacau~ a quantidade de cafeína presente no chocolate é demasiado pequena para ter qualquer efeito sobre o organismo. No entanto, a teobromina que contém é tóxica para cavalos, cães, gatos, papagaios (e outras aves) e pequenos animais. Se lhes forem dado chocolate, a teobromina permanecerá na sua corrente sanguínea durante 20 horas, uma vez que não conseguem processar a teobromina. Podem então ter ataques epilépticos, ataques cardíacos, hemorragias internas e eventualmente a morte.

Bebidas energéticas
~ 340 mg/litro;

Na União Europeia os produtos que possuam uma quantidade de cafeína
superior 150 mg/litro têm de incluir um aviso quanto ao seu conteúdo.

A cafeína actua por todo o corpo bloqueando os receptores de adenosina que todas as células têm. A adenosina é uma substância que, na extremidade dos neurónios, diminui a actividade celular nervosa, em particular durante o sono. Como a cafeína tem uma estrutura química semelhante à adenosina liga-se aos receptores de adenosina, bloqueando a sua acção. Como resultado, o nível de actividade das células nervosas não é ajustado às necessidades. Isto causa a libertação de adrenalina. Esta aumenta os batimentos cardíacos, a pressão sanguínea, o fluxo de sangue para os músculos (diminuindo o fluxo para a pele e orgãos internos) e despoleta a libertação de glucose no fígado. Da mesma forma que as anfetaminas, a cafeína aumenta os níveis de dopamina nos neurotranmissores (é este aumento de dopamina que, como o faz as anfetaminas, a heroína e a cocaína, provoca a viciação na cafeína).

A cafeína, no entanto e ao contrário do álcool, tem um efeito de duração curta (é, em média, completamente decomposta em 5 horas). O fígado decompõe rapidamente a cafeína em 3 dimetilxantínas: teofilina (que descontrai os brônquios nos pulmões), teobromina (que dilata os vasos sanguineos) e principalmente paraxantina (que leva ao aumento da lipólise, que aumenta a quantidade de gliceróis no sangue e de ácido gordos).

Como qualquer um que já tenha consumido frequentemente café sabe, a ingestão de cafeína aumenta a sua tolerância, pelo que é necessário maiores quantidades para produzir os mesmo efeitos à medida que se toma regularmente bebidas com cafeína. Quem sofra do vício da cafeína necessita de a tomar, já não para se sentir melhor, mas para não se sentir mal. A retirada brusca de cafeína leva a uma hipersensibilidade à adenosina, o que leva a uma diminuição brusca da pressão arterial (o que provoca as típicas dores de cabeça).

Efeito da cafeína na construção de teiasO excesso de cafeína pode levar à intoxicação.
Os sintomas variam com a quantidade e a pessoa.
Em algumas pessoas 250 mg diárias podem provocar agitação nervosa, excitação, insónia, faces coradas, perturbações gastrointestinais e por vezes alucinações.
1 grama diária pode provocar tiques nervosos, discurso e pensamentos incoerentes, arritmia cardíaca ou taquicardia.

Há casos registados de mortes por intoxicação por cafeína, principalmente ligadas ao consumo de pílulas de cafeína por estudantes e pessoas que trabalham por turnos.
(Num caso nos EUA, um estudante morreu após ingerir 90 dessas pílulas - o equivalente a 5 litros de bicas).
Há também casos de abortos espontâneos, diminuição do crescimento fetal (para doses superiores a 300 mg diárias) e alteração dos batimentos cardíacos do feto.

O excesso de cafeína pode provocar pressão arterial alta (que pode provocar acidentes vasculares cerebrais), vaoconstrição (que pode provocar mãos frias) e aumento da produção de ácidos gátricos (o que pode provocar úlceras no estâmogo e esófago).

A dose letal de cafeína para um ser humano é cerca de 10 gramas.
Mas está mostrado que o consumo de sete ou mais «bicas» por dia diminui o risco de diabetes do tipo II...

A história do consumo de cafeína data de há muitos séculos, com o consumo de chá na China Imperial.
Durante o século 15 os Sufis do Iémen (ver o conto Sufi no artigo Sufi ciente) bebiam café para se manterem acordados durante as orações (!).
No século 16 havia cafetarias no Cairo e em Meca.
No século 17 o café foi introduzido na Europa pelas invasões turcas da Áustria
(como visto no artigo Cappuccino)

Dito isto confesso-me um apreciador de café.
Gosto do paladar, gosto do aroma.
Consumo é muito pouco (talvez uma bica por mês) por três razões:
~ apreciar é consumir pouco. Consumir muito é não apreciar, é engolor por hábito;
~ para que, quando o tomo para aumentar o meu estado de alerta, me faça efeito com uma só bica;
~ para evitar o vício (se há coisa que me perturba é a ideia de depender para um bom estado de espírito de substâncias externas a mim).

Este artigo surgiu na sequência do artigo QUAL O CAFÉ MAIS FORTE? O CURTO OU O CHEIO? do blog Informações úteis.

Em resposta a esta questão a Delta enviou uma resposta à autora, que esta transcreveu.
Informam que a quantidade de cafeína numa «bica» curta é 87 mg, numa normal 94,5 mg e numa cheia 98,1. Mais nada informam. Não referem a taxa a que a cafeína é processada no corpo, a questão (que penso ser a relevante neste caso) de haver ou não uma diferença num maior volume de café.
Insatisfeito com a resposta e como a ideia para este artigo era já antiga, surgiu então este esclarecimento sobre a cafeína.
A resposta a questão colocada parece-me ser a de que a diferença na quantidade de cafeína é pequena (8% - 7,5 mg da bica curta para a normal e 5% - 3,6 mg da normal para a cheia, de acordo com os números fornecidos).
Como já foi referido, o efeito da cafeína depende do peso corporal e dos hábitos de consumo.
Acresce-se que não interessa a suposta «diluição» nas bicas cheias.
É verdade que há mais água mas há proporcionalmente mais cafeína.
A concentração é a mesma.
A quantidade é que é maior.
Para quem tome regularmente café, parece-me que estas quantidades não são muito diferentes em termos de efeitos.
Mas a diferença de quantidades entre a «curta», «normal» e «cheia» é aproximadamente igual à diferença de quantidade de cafeína entre tipos diferentes de descafeinados (cujo conteúdo de cafeína varia entre 13 e 20 mg, ou seja, uma diferença de 7 mg).
Se não se sente a diferença entre tomar um descafeinado de uma marca ou outra,
não me parece que a diferença entre os 3 tipos de volume seja sentida de qualquer forma.

No título «O café é o melhor amigo»

Cogitado por Mauro Maia às 15:23 | Cogitar (23)
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Viva a lição de química fisiológica e a conclusão do artigo, qualquer dependência é de evitar. Realmente o chá para além de cafeína também tem teofilina a tal outra xantina. Essa para além destes efeitos tem também o efeito bronco dilatador e é por isso que o chá faz bem á gripe...desculpa lá a intromissão. Beijo Cogitado por: Maria Papoila a outubro 15, 2005 09:48 PM
volto só para dizer que senti alguma falta da citação em latim...Beijo Cogitado por: Maria Papoila a outubro 15, 2005 09:50 PM
Maria Papoila, não te desculpo a intromissão, agradeço-ta. Complementos e correcções aos artigos são sempre bem vindos. A verdade tem muitas moradas. A falta do latim no título foi meramente porque, por descuido, publiquei o artigo antes de ter colocado o artigo e a maioria das imagens. Como vês, estão já nas suas posições devidas. (A questão do efeito do chá nos brônquios está também no artigo. Refere-se a existência no chá de teofilina e mais à frente que esta descontrai os brônquios dos pulmões) Cogitado por: Mauro a outubro 15, 2005 10:48 PM
sendo novata nestas paragens,não esperava encontrar, em um só espaço,tanta informação,tantos pontos de interesse.estou pura e simplesmente pasmada!!!!!!!OBRIGADO Cogitado por: MANELA a outubro 15, 2005 11:52 PM
Agradeço-te a visita, o comentário e em especial o apreço pelo Cognosco, Manuela. Serás sempre bem-vinda. Cogitado por: Mauro a outubro 16, 2005 12:24 AM
Parabens Mauro, um artigo que me fez sorrir inicialmente, mas que ao continuar me fez pensar na quantidade de cafés que tomo e as suas consequências...enfim: os malefícios do café/cafeína... A introdução do artigo foi explêndida!Criando nos leitores e falo por mim; uma tentação de querer saber mais e mais e absorver cada palavra com entusiasmo. Gostei imenso, e ainda bem que pude ser a fonte de inspiração. O de hoje fala da "Famosa" Gripe das aves. Obrigada pelas tuas visitas e por nos proporcionares o contacto com temas tão interessantes e actuais, de uma forma generosamente bem elaborada.Fica bem. Cogitado por: Elsita a outubro 18, 2005 11:19 AM
A quase omnipresente cafeína é uma companhia com duas faces: mostra-nos a sua cara boa quando a bebmo e a sua cara má quando nos queremos afatar. E é sempre de desconfiar de quem nos sorri com uma trela pronta a colocae-nos... Cogitado por: Mauro a outubro 19, 2005 10:33 AM
E os descafeínados, onde entram em tudo isso? São mesmo "saudáveis"? Será que se limitam a retirar a cafeína, ou substituem por qualquer outra substância manhosa? Cogitado por: Rui a outubro 19, 2005 01:41 PM
Sim, senhor, fiquei a saber imenso sobre café. Cogitado por: PN a outubro 20, 2005 01:53 PM
Quando li o artigo fiquei um pouco confusa, porque a minha ideia prévia era de que a família da cafeína era a das xantinas (mais precisamente a das alquilxantinas naturais ou metilxantinas, como mencionado posteriormente) e não das xantaínas, embora isso possa ser apenas um preciosismo de linguagem... Além disso, também já tinha lido que da metabolização da cafeína resulta que 1% acaba por ser excretado sob a forma não alterada e que o restante é excretado como 1-metilxantina e ácido 1-metilúrico, e não como teofilina, teobromina e paraxantina. Algum esclarecimento...? Cogitado por: Nox a outubro 20, 2005 06:15 PM
Ainda bem que apreciaste o artigo, PxN. Eles são também escritos para que outros os apreciem (ou critiquem, dependendo do caso). Quanto à família química da cafeína tens razão, LadyNox. O próprio nome da molécula assim o indica «trimetilxantina». Por lapso meu escrevi «xantaína» quando na verdade é «xantina». Obrigado pela correcção e o artigo será prontamentre corrigido. Quanto à questão do processamento da cafeína, possuo as seguintes informações: como xantina é de se esperar que parte da sua decomposição seja na forma de ácido úrico (como referido no artigo). As informações que tenho referem que no 1º passo do processamento no fígado a cafeína é decomposta nas 3 dimetilxantinas que o artigo refere (4% teofilina, 12% teobromina e 84% paraxantina). Como a cafeína é uma trimetilxantina e os primeiros produtos são dimetilxantinas, será de esperar que os produtos seguintes sejam 1-metilxantina e ácido úrico (como todas as xantinas). Espero que tenha de alguma forma esclarecido parte da tua questão, obrigado pela visita e pela sempre apreciada correcção. Cogitado por: Mauro a outubro 20, 2005 09:41 PM
Sim, está esclarecido. Obrigada :) Cogitado por: Nox a outubro 23, 2005 03:00 PM
Vocês conhecem algum caso de óbito por ingetão de cafeina em criança? Cogitado por: Paulo Carneiro a fevereiro 1, 2006 05:40 PM
Eu não tenho informação de casos registados de mortes de crianças por consumo de cafeína. Mesmo os casos de intoxicação em adultos são raro (os relatados, claro, dos outros nada se sabe, como é óbvio). Sabe-se que a ingestão por um adulto de 50 chávenas de café seguidas será letal. Numa criança será preciso provavelmente menos. De qualquer forma penso que a ingestão de cafeína por uma cafeína (em cafés ou chás e principalmente em colas e em ice-teas) é um atentado ao correcto desenvolvimento da criança. Estando ainda o sistema nervoso a desenvolver-se e ser bombardeado com uma droga psico-activa só pode ser mau. E depois queixam-se as pessoas das crianças irrequietas e que não dormem nem deixam dormir os outros... Cogitado por: Mauro a fevereiro 1, 2006 08:28 PM
Uma informação a confirmar: a cafeína nas crianças tem efeito oposto ao que tem nos adultos. Tem um efeito calmante e, de acordo com o que me disse uma psiquiatra, é usada em determinados casos. Se é letal em crianças? Se é letal em humanos, será concerteza tb em crianças se houver sobredosagem :) PS: Entrei aqui pelo Google... procurava eu informações sobre aquelas trelas de crianças e vim aqui parar LOLLL - fala-se em trelas e em crianças, mas em separado hehehe O resto de um bom dia Cogitado por: carla a março 24, 2006 03:29 PM
Questão pertinente, «carla», mas não conheço qualquer estudo sobre o efeito da cafeína nas crianças. Mas sobre essa questão tenho, sem a mínima base científica sólida, uma cogitação e uma observação. Quanto à cogitação, não tenho conhecimento de qualquer mecanismo pelo qual a semelhança química da cafeína com a dopamina não induza o mesmo tipo de reacção nas crianças que nos adultos. Poderão elas não ter meios para verbalizarem adequadamente os sintomas mas isso poderá não corresponder à ausência de sintomas. Desconheço as diferenças químicas entre os cérebros infantis e adultos. Sei que há diferenças a nível estrutural mas não conheço diferenças a níveis químicos, relevantes para esta questão. Depois a observação: já por diversas vezes pude constatar o efeito que a ingestão de bebidas com cafeína induz em crianças. Basta uma visita a um centro comercial, depois do almoço por exemplo, para verificar a agitação das crianças após beberem c*c*-c*l*. Uma agitação muitas vezes desadequada ao perfil psicológico da criança. É certo que é uma inferência minha (sem fundamentação) ligar esse aspecto a bebidas com cafeína adicionada (são as «colas», os «ice-teas» com os seus extratos de chá preto,...) A resposta à tua questão estaria ligada, a meu ver, ao níveis e efeitos da dopamina nos cérebros infantis. Sem dúvida a ver. Obrigado pelo comentário. Cogitado por: Mauro a março 24, 2006 07:27 PM
oh filho, é assim tou muito confusa..tao?? como é??? kem é o melhor amigo do homem afinal??? o cão, o bacalhau ou o café carago?? agora a sério era so pa dizer a esta gente toda que a molecula da adenosina não é semelhante à molécula da caféina mas sim semelhante à molécula da adenina... Obrigado srs inteligentes e amigos fieis.. ass: bacalhoa Cogitado por: Bioquimicas do futuro a junho 5, 2006 05:43 PM
Estarás mesmo confusa, «Bioquímicas do futuro». A Adenina é uma das 4 bases nucleicas que formam o ADN (é uma das purinas e liga-se à pirimidina Timina). A Adenosina é composta por uma Adenina e uma Ribose. A Adenosina tem um importante papel nas transferências de energia no organismo, quer como ATP (adenosina trifosfato) quer como ADP (adenosina difosfato), podendo ainda tornar-se AMP (adenosina monofosfato) que tem um importante papel na acção de muitas enximas, como a epinefrina. Não confundir portanto a Adenina, cujo papel passivo é fundamental na transmissão genética, com a Adenosina, cujo papel activo é fundamental nas transferências energéticas. Como tal não há qualquer confusão no artigo sobre a semelhança química com a Adenosina, o que induz no organismo a resposta típica ao consumo de cafeína. É verdade que quimicamente a Cafeína é semelhante à Adenina e que é a Adenina na Adenosina que despoleta os efeitos da Cafeína. No fundo, tens razão, mas o artigo está também correcto (se bem que, se o artigo referisse que a Cafeína tinha os seus efeitos devido à sua semelhança com a Adenina isso poderia induzir mais erros do que compreensão: a cafeína imita o papel que a Adenosina tem, uma vez que a Adenina não tem ,no organismo, esse papel). Sendo eu apenas uma pessoa, cabe-me agradecer esse obrigado dirigido a muitos com apenas um receptor. Agradeço também a «bacalhoada», a visita e o comentário. Cogitado por: Mauro a junho 6, 2006 11:15 PM
E cá voltei a este artigo... quanto a uma dúvida posta acima sobre os efeitos no cérebro das crianças, não encontro plausibilidade biológica para que os efeitos nelas sejam diferentes dos verificados em adultos. E o senso comum diz-me que é bastante inverosímil que tenha um efeito calmante... Quanto ao consumo de uma quantidade apreciável de "bicas" por dia, também há estudos que relacionam esse comportamento com a diminuição do risco da doença de Parkinson, por interferência em vias dopaminérgicas no sistema nervoso central. Quanto à diabetes fiquei intrigada, não estou a ver o mecanismo de acção... E ainda, em termos médicos e pelo que sei, julgo que a principal utilização hoje em dia da cafeína é em associação com a ergotamina (derivado da cravagem do centeio - daria um artigo interessantíssimo) no tratamento de enxaquecas e outras cefaleias. Como estimulante cardíaco e como diurético já foi largamente ultrapassada por fármacos mais específicos e melhores nessas funções. Cogitado por: Nox a junho 8, 2006 04:48 PM
Pelo que pude mais a fundo averiguar, «Nox», têm sido feitos mais mais estudos e o papel da cafeína nas diabetes de tipo I e II resultam em conclusões contraditórisa, apesar de haver fortes indicações de que de facto previna ou pelo menos atrase o surgimento de qualquer uma delas. Exactamente o mecanismo de funcionamento não pude determinar (talvez porque ainda não seja bem compreendido), havendo até a sugestão de que são outros componentes presentes no café os responsáveis pelos efeitos benéficos nas diabetes de tipo I e II. Essa hipótese foi colocada por haver algumas evidências de que os ditos efeitos surgem pelo consumo quer de café quer de descafeinado. Sobre as potencialidades da cafeína+ergotamina no combate às cefaleias pouco posso acrescentar sobre os seus efeitos. Sei que a ergotamina induz a vasoconstrição das artérias cranianas e periféricas. Como se pensa que as enxaquecas se devam à excessiva amplitude das pulsações das artérias cranianas, percebe-se os efeitos positivos da ergotamina nas enxaquecas. Sobre os efeitos da cafeína nas mesmas situações tenho uma vivência pessoal que posso relatar: fiz um dia um exame ao fluido da espinal medula. Foi-me retirado líquido da coluna vertebral e foi-me recomendado que permanecesse esse dia deitado. Ao fim de algumas horas deitado cansei-me e levantei-me. Como nada senti passei o resto do dia em pé. O problema foi depois: tive dores de cabeça violentíssimas, dores que surgiam se levantasse nem que fosse poucos milímetros a cabeça da posição horizontal. Após uns dias nessa situação, a médica que me seguia aconselhou-me a tomar um café (uma bica). Quando o fazia, podia andar o dia todo em pé sem sentir a mínima dor de cabeça. Mas, à medida que o efeito da cafeína passava, a dor regressava e só mesmo deitado passava ou até à nova dose de café... Cogitado por: Mauro a junho 8, 2006 08:42 PM
Na diabetes de tipo I é que não percebo mesmo qual será o mecanismo... A ergotamina é vasoconstritora, bem como a cafeína. A sua associação é bastante eficaz nas enxaquecas; se bem que, pelo que li, não é exactamente um problema de excessiva amplitude das pulsações arteriais, mas mais por um mecanismo de libertação de mediadores inflamatórios que provoca vasodilatação. Após uma punção lombar o melhor a fazer é mesmo estar quieto, pelo tempo recomendado...! Provavelmente a cafeína seria no caso o melhor vasoconstritor, pela facilidade da toma e pela ausência relativa de efeitos secundários... daí o alívio. Mas, para a próxima, é melhor seguir à risca as instruções... :) Cogitado por: Nox a junho 8, 2006 11:59 PM
Os mecanismos exactos não conheço a fundo, «Nox», menos ainda a ligação com a diabetes I. E eu espero não ter necessidade de voltar a fazer uma punção lombar... Cogitado por: Mauro a junho 9, 2006 11:32 AM
Compreensivelmente... Cogitado por: Nox a junho 10, 2006 05:15 PM