19 outubro 2005Cogitar (5 cogitações anteriores)Libera cafeaNa sequência da dúvida levantada pelo Rui em relação ao processo de descafeinação do café segue-se a descrição dos vários métodos pelos quais a descafeinação é feita. Geralmente ouvem-se opiniões sobre os descafeinados, nomeadamente quanto à segurança do processo pela qual a extracção é feita ou sobre a qualidade do produto final, sem que se saiba como é o processo. É novamente a velha tendência que se tem de repetir o que se ouve sem primeiro verificar a sua veracidade. A oficiosa perrogativa do Cognosco é verificar noções que são repetidas como sendo verdades sem que no entanto haja uma confimação. Por vezes são falaciosas, por vezes não. Mas há que verificar
~ Método directo: com este método os grãos são passados por um jacto de vapor de água a grande temperatura durante 30 minutos. Depois são, durante 10 horas, mergulhados em acetato de etilo ou por clorometano, substâncias que dissolvem a cafeína. Como qualquer uma delas é também tóxica, os grãos passam novamente 10 horas sob um jacto de vapor escaldante para remover qualquer vestígio do solvente usado. (Método europeu directo) ~ Método indirecto: os grãos de café são mergulhados em água quente por vários horas. A água quente extrai os componentes do café dos grãos (basicamente é uma grande chávena de café). Os grãos são retirados e é usado acetato de etilo ou clorometano para remover a cafeína do líquido. Este é então fervido para remover o solvente usado. Os grãos de café são reintroduzidos no líquido (os grãos já não têm cafeína e o líquido também não). Obtem-se assim uma bebida de café descafeinado. (Método europeu indirecto)
~ Processo Dióxido de Carbono-Oxigénio: os grãos de café são passados pelo vapor de água a grande temperatura. São depois mergulhados num banho líquido de dióxido de carbono a grande pressão (entre 73 e 300 atmosferas. Todos os gases, a altas pressões ou baixas temperaturas, tornam-se líquidos. Para valores maiores de pressão ou menores de temperatura tornam-se sólidos.) Após algum tempo a pressão é diminuida para que o gás evapore. A cafeína é removida juntamente com o dióxido de carbono. Oxigénio pode também ser usado da mesma forma para extrair a cafeína dos grãos. ~ Processo Contacto Directo: os grãos de café ainda verdes são mergulhados em água quente (ou mesmo café líquido) para atrair as moléculas de cafeína para a superfície do grão. Em seguida os grãos são transferidos para um contentor que contém óleos de café. Após várias horas a altas temperaturas, os triglicerídeos dos óleos de café removem a cafeína (mas não os componentes que dão o aroma e o paladar do café). Os grãos são então retirados dos óleos de café (que contêm a cafeína retirada) e são secos. Os grãos podem então ser usados para fazer descafeinado. Não há consenso sobre qual destes métodos é o melhor (em termos de segurança e de preço final do produto). Diferentes fabricantes usam diferentes métodos. Há um novo método que promete vir a ser o futuro do café descafeinado. Recentemente descobriram-se plantas de café que produzem muito pouca cafeína. A quantidade presente varia conforme a espécie, podendo ir dos 40 mg aos 125 mg por 100 militros. Como já referido, a espécie Robusta contém mais cafeína do que a Arábica (mais ou menos o dobro). Foi descoberta uma variedade de Arábica que contém um décimo da quantidade de cafeína do que as variedades mais comuns. Há a esperança de que uma variedade que não contenha caféína venha ainda a ser encontrada... No título «Café livre» Cogitado por Mauro Maia às 20:46
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Tantos processos... deixam-me um bocadinho reticente, mas para evitar passar uma noite inteira acordada...
Cogitado por: PN a outubro 20, 2005 01:54 PM
Tantos processos, tantas voltas, prefiro o café com cafeina em doses moderadas. Adoro o pormenor da pesquisa! Beijo
Cogitado por: Maria Papoila a outubro 20, 2005 08:05 PM
Os processos pelos quais a cafeína é extraída são mais do que se esperaria. E é certo que nem todos descansarão a nossa mente quanto à sua segurança química. Mas o que usam produtos tóxicos para dissolver a cafeína também eliminam os vestígios que deles possa haver nos grãos depois do processamento (até que ponto é que é a questão, talvez). Mas o processo «dióxido de carbono» já me deixa mais descansado. Eu apreciaria saber que processo(s) é usado pelas empresas que produzem os descafeinados que se vendem em Portugal.
Cogitado por: Mauro a outubro 20, 2005 09:55 PM
Tambem sentia a curiosidade de saber em relação ao descafeinado. Fiquei esclarecida. Thanks. Uma informação útil e detalhada como sempre. Fica bem e bom fim de semana
Cogitado por: Elsita a outubro 21, 2005 10:43 AM
É comum pensarmos no como a cafeína é retirada ao café. E o desconhecimento causada naturalmente preocupação. Eu gostaria era de saber qual dos métodos usam as companhias que produzem o descafeinado vendido em Portugal. Mas pelo menos o receio de um descafeinado pejado de químicos perigosos destinados a retirar a cafeína está posto de parte. Bem como está posta de parte a ideia de que um descafeinado tem menos sabor ou aroma que um café. Os métodos usados retiram o mínimo de componentes do café que não sejam a cafeína. Se um descafeinado for bem tirado da máquina saberá extremamente bem (e eu já provei um desses.). É possível sabor, aroma e não ter cafeína. Não é esta que dá essas qualidades ao café. Como se viu no artigo anterior, a cafeína é uma substância muito amarga e desagradável. São outros componentes do café que lhe dão o sabor e o aroma. (Quando bebi o descafeinado que sabia como um café, eu tenho certeza de que era mesmo descafeinado. Como bebo pouco café, quando bebo sinto bastante os efeitos. Não senti nenhum deles quando bebi o descafeinado que refiro. Se se bebem descafeinados com pouca espuma e um sabor aguado é porque são simplesmente mal tirados)
Cogitado por: Mauro a outubro 21, 2005 12:04 PM
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