03 novembro 2005Cogitar (0 cogitações anteriores)Euler ergo PlatonOs chamados sólidos platónicos são somente 5 (tetraedro, cubo, octaedro, isocaedro, dodecaedro). São sólidos regulares, todas as suas faces são iguais e, em cada face, os lados são todos iguais. São a epítome da igualdade. ~Como assim «é impossível conceber»? Vivemos num país livre! Imagino o que quiser! A questão é «Como é que se sabe que há apenas 5?». Não haverá algum outro, que nunca foi imaginado e tentado? Não há infinitos sólidos, com tantas faces regulares quantas se queiram? Como sabem que não há mais nenhum? Existe uma demonstração matemática de que assim é. (Já «.» o tinha referido num comentário ao artigo Omnia factus mathematica) Essa demonstração é extremamente curta e recorre à chamada Fórmula de Euler (um outro dos muitos feitos de Euler pode ser apreciado em As pontes de Königsberg) Aplicando à Fórmula de Euler obtem-se: Como todos os termos que estão a somar tem um factor comum (n) colocamo-lo em evidência: 1 - (k/2) + (k/p) > 0 Isto é o mesmo que Analisem-se agora as opções para os valores de k (arestas de cada face) e de p (faces por vértice). Primeiro têm de ser números inteiros positivos. Os únicos valores que satisfazem a condição de (2/k)+(2/p) > 1 Quaisquer outros valores de k ou de p não dão valores superiores a 1. Curiosamente, o nome de Platão era Aristócles. Platão foi a alcunha que um professor lhe deu quando era estudante. Platon significa «ombros largos» em Grego, alcunha que encaixava tão bem no jovem Aristócles que todos, incluindo ele mesmo, para sempre o nomearam assim («ombros largos» poderia tanto referir-se à largura anatómica quer à largura dos seus argumentos...) No título "Euler logo Platão", numa inversão curiosa, uma vez que foi Euler que demonstrou a unicidade dos sólidos de Platão (pelo que Euler justifica Platão neste aspecto) mas por outro lado Platão antecede Euler em 2 000 anos. Sou, para quem ainda não teve oportunidade de constatar nos meus sucessivos artigos, um apreciador de paradoxos... Cogitado por Mauro Maia às 12:15
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