06 novembro 2005

Cogitar (23 cogitações anteriores)

circa Trientes Insulae

Bandeira dos AçoresUma dúvida que persiste e geralmente recebe como resposta um lugar comum velho, desactualizado e incorrecto é
a origem do nome do Arquipélago dos Açores.

~ Então não se chama Açores porque há lá muitos açores, a ave?

A resposta comum e repetida sem profundidade analítica é a de que o nome deriva das aves de rapina de nome açor que existiriam nas ilhas em grande número e que os navegadores avistaram quando lá chegaram.
Mas é necessário esclarecer várias questões quanto a esta resposta imediata e incorrecta quanto à origem do nome Açores.

A primeira é a de que não há açores nos Açores (parece paradoxal mas é verdade). Nos Açores há uma ave de rapina a que os açorianos dão o nome de Milhafre ou (que é o símbolo da região presente na sua bandeira autonómica).
Agradeço ao Paulo me ter indicado, na sua página, este outro nome açoriano para a ave.
Mas a ave açoriana não é nem um açor nem um milhafre.

Para esclarecer bem esta questão dos não-milhafres e dos não-açores, aqui vão as espécies que, sendo parecidas, não são a mesma.

Açor
~ Accipiter gentilis - o açor, que só existe em Portugal continental acima do Tejo e é um residente permanente.

Águia de asa redonda
~ Buteo buteo - a águia-asa-redonda, que habita Portugal (continente e ilhas) e é cada vez mais rara. Tem como característica a cauda redonda.
~ Buteo buteo rothschildi - a ave a que chamam «milhafre» nos Açores mas que é uma subespécie de águia-asa-redonda (como tal é semelhante fisicamente).

Gavião
~ Accipiter nisus - o gavião, que passa o Inverno em Portugal continental

Milhafre Negro
~ Milvus migrans - o milhafre negro, que tem o corpo castanhanho, cauda forcada e não redonda e passa pelo interior continental português no Verão.

Milhano
~ Milvus milvus - o milhano (ou milhafre real), que tem também a cauda forcada e existe o ano inteiro no continente português a norte do Tejo.

Tendo em conta as características físicas das diferentes espécies aqui apresentadas, parece de todo improvável que navegadores experientes, habituados a reconhecer no firmamento constelações e estrelas com as quais se orientavam, tenham confundido duas espécies de aves distintas, sendo ambas comuns nas suas terras de origem (tanto o açor como a águia-asa-redonda), sendo por isso do seu amplo (re)conhecimento.
A hipótese da confusão parece altamente improvável (até porque, se confundissem, teriam dado aos Açores o nome de Águias-Asas-Redondas). A incorrecção do milhafre por parte dos habitantes regionais (que data das primeiras colonizações) é mais compreensível, não tendo muito deles os anos de experiência de observação dos navegadores (que conheciam bem as aves que observavam nos céus, uma vez que as costumavam usar como pontos de referência para a presença de ilhas no mar alto).

~ Mas então, se o nome não veio do pássaro, de onde veio?

A mando do Infante D. Henrique (de quem era muito amigo), o cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador de Almorol Gonçalo Velho Cabral, descobriu os Ilhéus das Formigas em 1431 (no seguimento de um primeiro avistamento por Diogo de Silves em 1427) e em 1432 desembarcou nas Ilhas de Santa Maria (a primeira que viu) e São Miguel. Os Açores são constituidos por 9 ilhas divididas em 3 Grupos (Flores e Corvo no Ocidental, Graciosa, Terceira, São Jorge, Faial e Pico no Central e São Miguel e Santa Maria no Oriental) de uma beleza estonteante, cada irmã com o seu vestido debroado com padrões diferentes.
Mapa dos Açores por Pierre de Sousa Lima 1999

Gonçalo Velho Cabral, que nomeou a ilhas que descobriu (menos o Corvo e as Flores, descobertas por Diogo de Teive), era devoto de Nossa Senhora do Açor, santa adorada numa pequena povoação situada em Portugal continental, na Beira Alta, concelho de Celorico da Beira, a freguesia dos Açores.

A esta padroeira da freguesia vários milagres são atribuidos («O Açor e o Pagem», «Aparecimento da Senhora ao Rústico da Vaca», «O Filho do Rei Resuscitado» e «Milagre da Batalha da Penhadeira»).
Gonçalo Velho Cabral era muito devoto da Nossa Senhora do Açor e, quando foi encarregue da viagem de exploração às ilhas avistadas por Diogo Silves, pediu a protecção à Virgem. Quando descobriu a primeira ilha deu-lhe o nome de Santa Maria, em agradecimento pela descoberta. Ao descobrir as outras ilhas, verificou que era um arquipélago e deu-lhe o nome de Açores, em honra da sua protectora.
Nossa Senhora dos Açores - Beira Alta
Açores é uma das povoações mais antigas da Beira Alta, assim o prova a lápide funerária visigótica epígrafada, do século VIII, que pode ser vista na Capela-mor da Igreja de Nossa Senhora do Açor, venerada pelos cavaleiros medievais do século XII e em cuja honra se celebra anualmente uma romaria no mês de Agosto.

A questão da quantidade de aves que terá levado ao nomear do arquipélago parece também sem fundamento. A fauna das ilhas não tem sofrido demasiado com as alterações provocadas pelas pessoas (um dos encantos das ilhas açorianas é exactamente a sua natureza incorrupta e luxuriante) pelo que, havendo tal profusão de aves no século XV não seria de esperar uma extinção tão violenta que tivesse quase extinguido uma ave que seria tão abundante. Que os navegadores tenham avistado de facto açores em grandes quantidades (e que entretanto se extinguiram nestes 5 séculos) é claramente impossível. Os açores não são aves migratórias, pelo que nunca deixam o continente, enquanto que a águia-de-asa-redonda (o «milhafre» açoriano) é, pelo que podia ter sido arrastado por ventos fortes para o arquipélago, como tantas outras aves o foram.

A hipótese de os primeiros descobridores terem visto açores nas ilhas é claramente errada.
Que tenham confundido as aves com açores altamente improvável.
Que as aves eram em número suficiente para levar os navegadores a baptizar as ilhas com esse nome muito difícil de aceitar.
Que Gonçalo Velho Cabral tenha chamado o arquipélago de Açores devido ao nome da sua santa claramente compreensível e possível.

Já agora, e aproveitando o ensejo, eis as origens dos nomes das ilhas:
~ Santa Maria padroeira do descobridor Gonçalo Velho Cabral;
~ São Miguel em honra do santo;
~ São Jorge em honra de outro santo;
~ Graciosa pela vista que se obtinha dela;
~ Pico devido à sua elevada montanha (o ponto mais alto de Portugal, com 2 319m);
~ Faial estava coberto de densas matas de Faias, ainda hoje abundantes;
~ Corvo despertou especial atenção uma colónia de corvos marinhos de lá;
~ Flores é uma ilha particularmente florida;
~ Terceira por uma razão complexa que nada tem a ver com a ordem pela qual as ilhas foram descobertas. Aquando da descoberta do arquipélago já se conheciam os arquipélagos das Canárias e da Madeira. A novas ilhas eram então conhecidas como Ilhas Terceiras. Uma das ilhas mais importantes do arquipélago era a que continha o porto onde os barcos que faziam os descobrimentos portugueses aportavam para se abastecerem de cereais açorianos. Na altura o trigo era a principal cultura do arquipélago e alimentava os navegadores dos descobrimentos nas suas longas viagens. Como era nesta ilha que paravam sempre, os navegadores portugueses passaram de dizer que iam às Ilhas Terceiras para passar a dizer que iam à Ilha Terceira. Daí o nome que ficou.

(Acrescento agora uns pequenos reparos que me foram feitos, via e-mail, ao artigo por Daniel de Sá. Por lapso, e como se pode comprovar pelo mapa acima mostrado, a Horta foi incluida na origem dos nomes das ilhas açorianas. A Horta não é uma ilha açoriana, é uma cidade da ilha do Faial. Gonçalo Cabral Velho era devoto de Nossa Senhora do Açor, mas não se sabe com exactidão a sua origem. O nome da flor açoriana hortência deve-se a Hortense Lepaute, que descobriu o período do cometa Halley. A hortência só foi introduzida nos Açores no século XIX e a ilha das Flores deve o seu nome a outra flor, pequena e amarela, ainda por lá abundante. Agradeço-lhe os pequenos reparos e as correcções foram já integradas no artigo.)

O nome do descobridor do arquipélago dos Açores pode variar de acordo com as fontes usadas ou a sensibilidade de quem as lê. Há quem considere os descobridores dos Açores como o escudeiro de D. Henrique, Diogo de Silves e ainda Diogo de Teive (que descobriu as ilhas do Corvo e das Flores). Mas a importância de Gonçalo Velho Cabral para o estabelecimento português nos Açores é indiscutível.

Antes do povoamentro das ilhas mandou Gonçalo Velho Cabral, em 1432, introduzir gado miúdo. Após essa introdução, e tendo sido constatado que as ilhas eram seguras porque o gado sobreviveu, começou o povoamento das ilhas das quais foi o primeiro capitão-donatário (embora o povoamento sistemático só tenha começado alguns anos mais tarde - Santa Maria, em 1439, e São Miguel, em 1444).
«O Padre Gaspar Frutuoso, cronista micaelense da 2.ª metade do Século XVI, atribui o descobrimento das 7 ilhas dos Açores (ou seja, as ilhas dos Grupos Oriental e Central) a Gonçalo Velho Cabral. Actualmente, essa teoria é negada por alguns historiadores, que julgam que a ter descoberto alguma ilha do arquipélago, terão sido apenas as ilhas do Grupo Oriental.» (Retirado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Gon%C3%A7alo_Velho_Cabral

Tenho de agradecer a valiosa ajuda de Daniel de Sá, que cuja companhia e espírito contagiante pude usufruir aquando da minha estada nos Açores, e que me despertou para este tão repetido e incorrecto lugar comum. Já num artigo anterior (Bondade) tive a oportunidade de o recordar, sem o nomear explicitamente.

Há alguns dias decidi finalmente visitar uma página portuguesa que alguém já me tinha referido. Sendo portuguesa e declarando-se como uma página com a intenção de esclarecer dúvidas da Língua Portuguesa, pareceu-me relevante visitá-la.
Eis que, aberta a dita página (que não mencionarei explicitamente por razões que adiante serão entendidas), sou confrontado com uma dúvida colocada por uma leitor da página, perguntando a origem do topónimo Açores e o «esclarecimento» dado pela página.
Dizia então a supracitada página que o nome advinha da presença das aves de rapina da espécie açor que lá existiam quando os navegadores as descobriram. Daí tambem, indicam seguidamente, o gesto do futebolista Pauleta (de origem açoriana) quando marca golos.
Tal explicação é incorrecta por variadas razões, começando pelo facto de não haver açores nos Açores (apenas uma ave que lá apelidam de Milhafre e que é o símbolo da região). Como se viu o nome provém da santa de devoção do navegador que descobriu o arquipélago, Nossa Senhora do Açor (cujo culto é feito na vila dos Açores, na Beira Alta). Tem a imagem desta santa 2 açores, um em cada ombro.
Fiz-lhe estes esclarecimentos e recebi, um dia ou dois depois, uma resposta provinda dos autores da dita página, dizendo para estar atento aos dias seguintes. Eis que a vou consultar e deparo com um «esclarecimento» mais velho do que as avós de muitos de nós: nos Açores há milhafres e os navegadores foram induzidos em erro na determinação da espécie, chamando-lhes Açores. Nem uma menção a uma origem ligada ao descobridor, nem a uma santa. Fizeram
tabula rasa das informações que lhes prestei. Esta atitude destoa num sítio que tem como objectivo esclarecer e combater lugares comuns. Persistir na verosimilhança e na parecença, sem aprofundar as questões que lhes são levantadas em vez de procurar a veracidade, mantendo-se na repetição do que se ouve dizer em vez do que é de facto não abona nada em favor de uma página que de esclarecimentos tem pouco e que de lugares comuns e pesquisas superficiais parece ter mais.

No título «acerca das Ilhas Terceiras».

Cogitado por Mauro Maia às 17:18 | Cogitar (23)
Cogitações anteriores
Gostei muito do artigo que escreveste. Primou pelo conteúdo que nele é trabalhado, revelando-se paulatinamente uma "caixa" cheia de agradáveis e doces surpresas que adoça o espírito de qualquer leitor, até mesmo do menos guloso. Primou também pelas imagens que nele se encontram que casam harmoniosamente com o que é dito e como é dito. Primou ainda pela facto de ter como objectivo clarificar e até acrescentar conhecimento ao que se julgava que já era conhecido ou /e até sabido. Espero que continues a escrever outros de tão boa ou melhor qualidade que este que aqui apresentas! Cogitado por: micronalpha a novembro 6, 2005 10:56 PM
Muito obrigado pela visita e pelo comentário, que tanto primou pelo apreço demonstrado. Cogitado por: Mauro a novembro 6, 2005 11:39 PM
E eu que pensava que era mesmo por causa da ave... Cogitado por: PN a novembro 6, 2005 11:43 PM
Como muitas pessoas o fazem. Também a mim me foi dito por muito tempo o mesmo. Até que a verdade surgiu e o engano desfeito. Como digo no artigo, pena tenho que quem devia esclarecer (após uma pesquisa séria) ajude mais a alimentar verosimilhanças falsas e lugares comuns incorrectos. Cogitado por: Mauro a novembro 6, 2005 11:48 PM
Os Açores (ilha) que dizem deslumbrante e que só conheço de video e de palavras encantadoras de quem a visita, está no meu futuro próximo como uma visita obrigatória (de mochila às costas se possível)...quanto à origem do seu nome, tambem eu responderia da forma (i)lógica por desconhecimento, adorei o roteiro histórico desde a descoberta da ilha, passando pelos mil encantos que nos aliciam. Obrigada pela viagem.Fica bem Cogitado por: Elsita a novembro 7, 2005 03:19 PM
As ilhas açorianas são de facto magníficas. Aconselho a qualquer um visitá-las. São de cortar a respiração de tão belas que são. Se planeias uma visita a qualquer uma delas (todas são belas e merecedoras de visitas mas o tempo nunca permite ver tudo o que se deseja) e como conheço melhor São Miguel, posso aconselhar-te pelo menos: não esquecendo a Lagoa das 7 Cidades, não deixes de ir às Furnas (que ficam perto de Ponta Delgada). Lá vais encontrar as ditas furnas (onde podes comer maçarocas de milho cozidas nas próprias furnas), o lindíssimo Parque Terranostra (que, além das espécies endémicas dos Açores, tem uma piscina natural de água aquecida naturalmente, de cor laranja e na qual se pode tornar banho - é bastante ampla), a lindíssima Lagoa das Furnas e o cozido das Furnas, que é uma maravilha. Prova também o único chá cultivado e produzido na Europa, o Chá da Gorreana, que fica no conselho da Ribeira Grande mas mais a este (na estrada que vai dar à Maia). A Povoação é também bonita, tendo sido a primeira povoação a ser construída na ilha (daí o nome). Na comida micaelense tradicional usam bastante a pimenta da terra. Fica o aviso (ou o conselho) conforme aprecies ou não. Eu podia encher este comentário com as milhares de maravilhas da ilha, mas não te quero estragar as surpresas todas. E há mais 8 ilhas para além desta de igual formosura... Cogitado por: Mauro a novembro 7, 2005 06:05 PM
Conheço Celorico da Beira e perguntava-me porque teria uma freguesia o nome de Açores...Vou ter de visitar a igreja! Claro que embora me perguntasse o porquê também acreditava na história de haver muitos açores nas ilhas! Grata poe mais este brilhante artigo tão esclarecedor! Cogitado por: Maria Papoila a novembro 7, 2005 09:44 PM
Pois, na verdade a questão revela ser: «Porque têm os Açores o nome de uma freguesia de Celorico da Beira?» A História é sempre uma caixinha de surpresas que não me canso de abrir. Obrigado MP por mais uima vez cá vires e pelo continuado apreço pelo Cognosco. Cogitado por: Mauro a novembro 7, 2005 10:39 PM
...mais uma importante lição... FORÇ'AÍ! js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt e http://mprcoiso.blogs.sapo.pt (tens algum artigo sobre o calculo da inflação...se tiveres deixa comentário e respectivo link no meu artigo inflação...Obrigado pelas lições) Cogitado por: js a novembro 8, 2005 04:25 PM
O que se aprende neste BLOG! Para mim, passou a ser de leitura obrigatória. Vou acrescentá-lo aos meus links. Cogitado por: deprofundis a novembro 8, 2005 08:38 PM
Agradeço a ambos as palavras e as visitas. Nem dúvida dão outro vigor e responsabilidade aos artigos publicados. Não serve qualquer coisa, procura-se que não. E sempre a avançar mais um milímetro a fronteira do desconhecimento, faltando ainda vários quilómetros... Cogitado por: Mauro a novembro 8, 2005 11:08 PM
1. não, perder também é vencer. essa é a grande questão e é quando aprendemos isso que passamos a vencer sempre, ao perder como ao ganhar 2. proponho uma outra pesquisa - Berlenga, arquipélago cujo nome tem origem numa espécie endémica, a B.... Cogitado por: maresia a novembro 10, 2005 11:28 PM
O meu ponto sobre a questão do perder/ganhar é que o importante de perder é porque é uma forma de ganhar (mais juízo, se algum já se tiver). Será sem dúvida uma investigação interessante a fazer: a origem do nome Berlengas. Pode ser que a explicação tradicional esteja correcta, talvez não. Assim que souber alguma coisa em concreto não hesitarei em publicar um artigo sobre o assunto, maresia. Obrigado pela sugestão. Cogitado por: Mauro a novembro 11, 2005 11:00 AM
Oh! Não há novidades, mas recordei os Açores. Deixo votos de bom fim de semana e tudo de bom Cogitado por: Elsita a novembro 11, 2005 02:05 PM
Constatei (mais um vez) esta semana que de facto o tempo é a comodidade mais preciosa que temos no mundo hodierno. Tal é o ritmo a que estamos sujeitos que sobra por vezes muito pouco tempo para «the finers things in life»... Mas pelo menos uma boa surpresa que pudemos encontrar aqui é um comentário «elsítico» ;) Cogitado por: Mauro a novembro 11, 2005 06:58 PM
O nome do Arquipélago é alvo de discussão e de diversas teses, há muitas mais e também deveras interessantes, uma das mais plausíveis é a dos "azuris" que ficou de fora, talvez esquecimento mas não tira o mérito do texto, muito bem conseguido. Parabéns. Cogitado por: Tobias a abril 17, 2007 12:01 AM
Obrigado, «Tobias», por me apresentares uma outra possibilidade para a origem desse lindíssimo arquipélago. Certamente que não deixarei de averiguar os «azuris». A razão pela qual não foram abordados no artigo é porque realmente não tinha deles conhecimento. Espero que seja uma possibilidade tão prolixa e interessante como a da padroeira do descobridor dos Açores. Cogitado por: Mauro a abril 17, 2007 12:20 AM
Só uma pequena adenda à origem do nome da cidade da Horta. Estará relacionado com o nome do colono e fidalgo flamengo Joss van Hurtere (alvo de inúmeras variantes ortográficas), também conhecido por Job de Utra ou Job Dutra. Este último apelido ainda é comum nos Açores. Para mais informação: http://pt.wikipedia.org/wiki/Joss_van_Hurtere Cogitado por: João Pedro Silva a julho 24, 2007 06:16 PM
Obrigado, «João Pedro Silva», pela referência ao líder dos colonos flamengos (os holandeses, sempre os holandeses a morderem-nos os calcanhares coloniais... Ou melhor, os nederlandeses...) Já pude averiguar a sua existência a a eventual transformação do seu nome de família para o mais aportuguesado Dutra. Não tinha conhecimento de semelhante personagem e agradeço-te muito que a tenhas referido. Cogitado por: Mauro a julho 24, 2007 09:17 PM
Muitos parabéns pelo trabalho realizado. Mas gostava que tirasse uma dúvida: que é feito da hipótese do nome "Açores" vir da palavra utilizada pelos navegadores "Azuri"? Cogitado por: António a setembro 20, 2007 09:09 PM
Bem, «António», os Açores, quando os portugueses lá chegaram, eram desabitados. Isso significa que quaisquer outros povos que lá pudesse ter estado (mas não há qualquer evidência ou vestígio de colonos pré-lusitanos nos Açores) não poderiam, de forma alguma, ter qualquer influência sobre a toponímia do arquipélago. Açores, ligada à padroeira do navegador Gonçalo o Velho, é possível e verosímil. Quanto aos «Azuri», peço então eu um esclarecimento sobre quem ou quando foram como povo. Como referência, encontro apenas uma manga japonesa que se passa num mundo de fantasia e magia (uma fonte pouco credível para um evento histórico). Cogitado por: Mauro a setembro 20, 2007 09:53 PM
Gostei muito do artigo e basei-me nele para postar: http://basaltonegro.blogspot.com/2008/07/aores-ou-milhafres-s-queimados.html Gostaria de saber se concorda parcialmente ou na totalidade. Cumprimentos Paulo Cogitado por: Paulo a julho 20, 2008 07:22 PM
Bem, «Paulo», sem dúvida interessante o teu artigo na tua página. Com um estilo mais incisivo do que o do meu artigo, o que em nada lhe retira espírito crítico e analítico. Agradeço a tua (indirecta) resposta à questão que coloquei no comentário anterior sobre a hipótese «azzurro», o italiano para «azul». Há, contudo, também a hipótese de estar ligado ao Português arcaico «azules». Esta hipótese, de o nome estar ligado à cor azul, é sem dúvida interessante. Mas pergunto-me se de facto as ilhas açorianas são vistas ao longe num navio como sendo azuis. E se de facto assim é, se está ligada à refracção da luz (que dá a cor azul ao nosso céu) no ar ou ao reflexo do mar (por sua vez reflexo do céu). Se sim, tal não acontecerá com outras ilhas também? Não seria de esperar que houvessem mais algumas ilhas no Mundo cujo nome estivesse ligado à cor azul? É interessante como hipótese mas seria importante fazer um estudo mais detalhado sobre de que forma as ilhas poderiam ser vistas como azuis, se o são de facto e alguns factos paralelos que suportem essa hipótese. A razão porque falei apenas na Teoria da Nossa Senhora do Açor prende-se com ligar factos que de outra forma seriam desconexos ou mesmo incompreensíveis: Gonçalo Velho Cabral, qeu primeiro as terá descoberto, era oriundo da Beira Alta. Esta tem uma povoação, bem mais antiga do que o povoamento das Ilhas da Bruma e mais antiga mesmo do que a própria nacionalidade portuguesa, com o nome Açores. A existência deste nome, nesta terra antiquíssima, é suficiente para despertar pelo menos a curiosidade. Tem uma padroeira dos Açores e Gonçalo Velho Cabral nasceu e cresceu lá, o que levanta a hipótese de ter sido padroeira dele. A religiosidade da atribuição de nomes às ilhas está patente na escolha para S. Miguel, Santa Maria e São Jorge. o arquipélago também poderia. Enfim, a teoria religiosa é apenas mais uma mas com alguns elementos que compreendo como podem compor a sua verosimilhança. A hipótese «azzurro» liga os Açores à vaga de emigração genovesa para a ilha Mas porque não designações tipicamente alentejanas e algarvias, além das suas contribuições para o melódico sotaque açoriano, já que os principais colonos portugueses no início do povoamento eram de lá oriundos? Talvez aí a hipótese «azules» possa surgir mas destrói a ligação à emigração genovesa. E quanto aos emigrantes vindos da Flandres? Nada tiveram a dizer sobre o assunto? Penso, mas poderei estar incorrecto, que foram a nacionalidade não-portuguesa que em maior número emigrou para as ilhas. E na Flandres não se fala italiano (nem mesmo uma língua românica): falam «flamengo», uma língua derivada do «holandês» e, como tal, uma língua germânica. Em alemão, azul é «blau», em Inglês (outra língua germânica) é «blue». Desconheço como se dirá «azul» em flamengo mas suspeito que será mais semelhante a «blau» do que a «azul». Enfim, as teorias têm de crescer com as suas raízes implantados e torneando as rochas da verosimilhança e coerência externa e interna. Nitidamente precisaria de pesquisar mais e de ter mais fontes para estudar esta hipótese. Mas interessante, «Paulo», muito interessante a teoria e a tua página. Parabéns e um grande obrigado por aqui teres vindo. Obrigado pela indicação que os Buteo Buteo Rothschildi são também designados por «Queimados». Incluí já essa referência, com o devido agradecimento, no corpo principal do artigo. A designação «queimados» será devida à cor? Será isto apenas verosimilhança ou é mesmo veracidade? Cogitado por: Mauro a julho 20, 2008 10:12 PM