11 novembro 2005Cogitar (9 cogitações anteriores)Quatuor colores
Tentou então pintar outro mapa dos condados, mas desta vez com apenas 3 cores. Mas por muito que tentasse não conseguia pintá-los sem que dois condados adjacentes tivessem sempre cores diferentes. Continuou a tentar e continuou a não conseguir. Conjecturou então que, se calhar, todos os mapas podiam ser pintados com no máximo 4 cores. Era uma conjectura interessante porque era simples, fácil de enunciar e de perceber, de aplicação universal e com aplicações práticas importantes. Apesar de ser um Matemático, Guthrie não conseguiu demonstrar a sua conjectura. Colocou então esta questão ao grande matemático De Morgan (que é um dos Matemáticos com um dos nomes mais engraçados para fazer jogos de palavras. «Meninos, de quem é este livro?» «De De Morgan!»). De Morgan é especialmente conhecido pelos seus resultados na Lógica (o facto de a negação de uma negação ser uma afirmativa, de uma implicação ser equivalente a uma negação disjunta com uma afirmação,...) Entretanto algumas «demonstrações» iam surgindo, mas todas acabaram por se revelar falaciosas. Uma delas, feita pelo Matemático Kempe, em 1879, foi aceite durante uma década, até que outro Matemático de nome Heawood encontrou um mapa, com 18 cores, no qual o resultado de Kempe falhava.
Em Dezembro de 2004, numa conferência científica na França, o Matemático Gonthier (juntamente com Werner) reformularam a prova, podendo dessa forma validar todos os passos dos cálculos computacionais. Mas há uma forma simples de encontrar o número de cores necessário para colorir uma mapa que tem aplicações para encontrar o número mínimo de grupos necessários para realizar uma dada tarefa. Um grafo é uma forma de esquematizar ligações entre itens, de forma a facilitar o encontro das formas mais eficazes de realizar tarefas entre esses itens. Como usar então os grafos para encontrar o mínimo número de grupos que se podem formar para realizar uma dada tarefa, respeitando as limitações impostas? Poderia parecer que seriam precisas tantas horas quanto o número de reuniões, uma hora para cada. Mas não é bem assim. Há reuniões que, não tendo pessoas em comum, se podem realizar as mesmo tempo (em salas diferentes). Basta então analizar o grafo e verificar que: O número cromático é sempre o menor número de arranjos que se podem fazer. Mesmo que se encontre outros arranjos Este método da coloração de grafos pode também ser usada para determinar o número mínimo de cores que se pode usar para pintar um mapa sem que regiões vizinhas fiquem com a mesma cor. Mas imaginemos que era uma mapa de Portugal. Seria mais complicado de representar com um grafo e mais ainda verificar a olho quantas cores seriam necessárias. No máximo serão 4. Mas será que se poderiam usar menos? Ao contrário da crença popular, que insiste em pintar o Mundo com as cores futebolísticas, o mundo pode ser pintado com no mínimo com 4 cores. Aqui está o artigo sobre a coloração de mapas usando grafos referida por «.» num comentário anterior. Respondendo ao apelo deixado por «elf», aqui estão exemplos de grafos que se pintam com um número de cores diferente de 3. Mas o máximo é mesmo sempre 4... Cogitado por Mauro Maia às 19:53
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mauro, este artigo das quatro cores está maravilhoso, a explicação dos grafos vai me ser muito útil...a coloração de Portugal a 3 cores muito interessante mas o fundamental o pedido de utilizarmos as 7 do arco-íris! Beijo
Cogitado por: Maria Papoila a novembro 12, 2005 10:17 AM
Os grafos servem bem para ilustrar o que já noutros artigos referi: a Matemática não são contas, Matemática é a relação entre as coisas. Um grafo, com a sua maravilhosa simplicidade e poder de aplicação, é, a meu ver, uma das mais maravilhosas criações matemáticas de Euler. Ainda bem que te será útil a coloração de mapas, Mª Papoila. Apesar da sua aplicação universal, são poucas as pessoas que o conseguem ver (prende-se sistematicamente com o preconceito de que a Matemática é difícil...)
Cogitado por: Mauro a novembro 12, 2005 11:16 AM
experimenta aqui, apesar de desde Setembro o Observatótio estar em stand-by, existem alguns artigoas anteriores bastante engraçados e acessíveis, acessíveis o suficiente para eu os dar ao meu filho de 16 anos e para o meu cosmólogo favorito achar que faço bem...
Cogitado por: maresia a novembro 12, 2005 02:52 PM
falhou o link... :( http://www.oal.ul.pt/oobservatorio/
Cogitado por: maresia a novembro 12, 2005 02:53 PM
Muito interessante de facto, merecedor de uma visita mais atenta. Obrigado pela lembrança, pelo conselho e pela visita.
Cogitado por: Mauro a novembro 12, 2005 03:21 PM
ahei este artigo bastante interessante, apesar de ja ter ouvido isto numa palestra que assisti na minha faculdade. Mas gostava se fousse possivel expliar como e que com apenas quatro cores se consegue pintar um grafo... pois os exemplos mostrados era possivel pintar-se com apenas 3
Cogitado por: _elf a novembro 13, 2005 05:39 PM
Tendo em conta a história do desenvolvimento da coloração de grafos, penso que, se transformarmos o mapa dos condados de Inglaterra num grafo, só poderemos colorir esse grafo com 4 cores. Mas pensa num mapa com 4 regiões que têm todas fronteiras em comum. A coloração desse grafo será com 4 cores. Mas colocarei então, no artigo, mais tarde, alguns exemplos de grafos que se pintam com 1, 2 e 4 cores. Há os mais simples (como o que referi) e alguns mais complexos. Espero que ajudem. Obrigado pela visita e pelo pedido de aprofundamento da questão.
Cogitado por: Mauro a novembro 13, 2005 05:46 PM
Há quanto tempo não ouvia falar de grafos! Acho que a primeira vez foi quando li "O Homem que só gostava de números", sobre o Paul Erdös. Livro fascinante... Como de costume, o artigo está óptimo :)
Cogitado por: Lady Nox a novembro 13, 2005 11:58 PM
Faço minhas as tuas palavras. O livro é excelente e também a mim me foram mostrados assuntos neste livro que não tinha conhecimento e que são muitos interessantes (um deles, o número de Erdos, que inspirou mais tarde o artigo «Parus mundus» aqui no Cognosco e quiçá não inspirará mais tarde outros...) É sempre um prazer receber-te aqui no Cognosco, Nox. Sabes, há um artigo do Cognosco (já com algum tempo) em que eu referia uma adivinha grega clássica que envolvia a noite («nux» em grego com caracteres latinos) e a unha («onux» em grego clássico com caracteres latinos). É um que fala de Provérbios e Adivinhas (e penso que o título é este mesmo).
Cogitado por: Mauro a novembro 14, 2005 01:16 AM
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