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  <title>Cognosco</title>
  <subtitle>Diário das pequenas descobertas da vida.</subtitle>
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    <name>Maurp</name>
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  <updated>2012-01-26T13:23:41Z</updated>
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    <issued>2012-01-26T13:16:26</issued>
    <title>cognosco @ 2012-01-26T13:16:26</title>
    <published>2012-01-26T13:23:41Z</published>
    <updated>2012-01-26T13:23:41Z</updated>
    <content type="html">Não pode uma pessoa andar com mais trabalho e menos disponibilidade e logo perde as imagens no seu blogue...
Mas a culpa, desta vez, não foi do Sapo.
Apesar de ser um muitas outras coisas...
Mania de quererem que só possamos escolher as opções que ELES querem...
Passei imenso tempo a colocar o Cognosco como eu queria, não tenho o Cognosco como quero e nem deixam fazer a migração para outro serviço de blogues (ainda que permitam de outros para este)...
Arranjarei forma de dar a volta!</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2011-09-23T09:32:04</issued>
    <title>cognosco @ 2011-09-23T09:32:04</title>
    <published>2011-09-23T08:32:32Z</published>
    <updated>2011-10-24T12:40:50Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A História é, a par da Matemática, daquelas disciplinas vítima de muitos mal-entendidos e preconceitos desajustados.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Para muitos, História é uma lista enfadonha de datas e nomes de Reis e de relatos de guerras.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Se fosse assim, eu seria mais uma dessas pessoas. Mas eu gosto imenso de História.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A verdadeira História (ou a forma como eu entendo a História): um rio contínuo de acontecimentos, Passado a tornar-se Presente e a encaminhar-se para o Futuro, a fluidez de um organismo vivo sem a rigidez dos objetos inanimados, as datas como ilhas em torno das quais flui o rio da História e não como os alicerces rígidos de um edifício imóvel.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Neste início do segundo milénio da nossa era, é importante fazer um balanço do milénio passado para melhor entender o início deste.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Mil anos não são facilmente reduzidos num pequeno texto nem tenho as ferramentas para o fazer.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Limitar-me-ei então aos 3% da Terra que tanto influenciaram os destinos dos restantes 97% ao longo deste milénio: a Europa Ocidental.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;E ainda assim, apenas a alguns aspetos mais salientes.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quando o ano 1 da nossa Era começou, a Europa Ocidental fazia parte do Império Romano.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ninguém, na altura, lhe chamou o ano 1. Foi apenas 525 anos depois que Dionísio Exíguo criou o &lt;em&gt;Anno Domini&lt;/em&gt; e o calendário que, passados 3 séculos (no final do século VIII), foi adoptado no Império Carolíngio. 15 séculos depois, é o calendário usado em contextos internacionais por muitos países, nomeadamente pela ONU (o nome em  inglês é UNO, que é «um» em Latim e deu origem a «unidade», «unido»,... em Português).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O Império Romano estava no seu auge, a mais poderosa entidade política, militar, cultural alguma vez existente ao longo da História Europeia.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quando o «novo» milénio começou, reinava ainda o primeiro Imperador romano César Augusto, sobrinho de Júlio César (reinou entre 27AC e 14DC). O Império vivia a &lt;em&gt;Pax Romana&lt;/em&gt;, um período de 207 anos (de 27AC a 180DC) de estabilidade política e paz militar e que terminou quando o Imperador Marco Aurélio morreu.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Até que, em 376, os Hunos de Átila chegaram à Europa e derrotaram os povos germânicos da fronteira com o Império romano. Fugindo aos cavaleiros nómadas hunos, os Visigodos entraram no Império, saquearam a cidade de Roma e instalaram-se na Península Ibérica durante 200 anos. Atrás deles, vieram os Francos, que se instalaram na Gália que viria a adotar o nome de França (de «francos»). Os Anglos (oriundos do norte da atual Alemanha) e os Saxões (oriundos do moderno centro alemão) instalaram-se na Bretanha (ainda hoje em dia, se designam por Anglo-Saxónicas as pessoas de origem inglesa).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 275AD, o Império Romano tinha sido dividido oficialmente em dois (o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O Império Romano do Ocidente foi desaparecendo gradualmente à medida que as tribos germânicas iam alargando os seus domínios. Em 476DC, o último imperador romano do ocidente abdicou sob pressão do líder bárbaro Odoacer.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O Império Romano do Oriente perdurou até 1453, quando os Otomanos conquistaram finalmente Constantinopla, mudaram o seu nome para Istambul e adotaram o símbolo da cidade como o seu: o quarto crescente (que modernamente se associa à religião islâmica apesar de não ser um símbolo religioso. Para mais, ver o artigo &lt;a title="Míngua" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/616701.html" target="_blank"&gt;Míngua&lt;/a&gt;). Esta designação é moderna, os «romanos do oriente» sempre se chamaram romanos e, entre outras designações, chamavam ao seu território «Romania», o que é a origem do moderno nome do país Roménia, que fazia parte deste império (também chamado, muitos séculos depois, de Império Bizantino devido ao antigo nome da cidade: Bizâncio-&amp;gt;Constantinopla-&amp;gt;Istambul).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2011-09-08T14:13:23</issued>
    <title>Retorno</title>
    <published>2011-09-08T13:49:16Z</published>
    <updated>2011-09-08T13:53:24Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Há já bastante tempo que não escrevo um artigo no Cognosco.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, questões de cariz pessoal têm-no impedido.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Lamento se terei desiludido os cerca de 300 visitantes diários do Cognosco.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Tentarei retomar esta fonte de luz na minha vida que é este meu blogue.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Não sei se terei a mesma pujança e capacidade de anteriormente mas a vontade está presente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Começarei por escrever um artigo em que farei um balanço curto de alguns pontos que considero, numa perspetiva puramente pessoal, importantes na compreensão da Europa (ocidental) neste início do segundo milénio da «nossa» era.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Será um balanço histórico do primeiro milérnio deste pequeno espaço geográfico imprecisamente definido, a Europa dita Ocidental, como definida pela National Geographic Society: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Liechenstein, Luxemburgo, Malta, Mónaco, Nederlândia (vulgo Holanda), Noruega, Portugal, São Marino, Suécia, Suíça, Reino Unido, Vaticano.  &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Esta pequena área do Mundo, com cerca de 4 milhões de quilómetros quadrados (3 936 021,125 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;), ocupa apenas cerca de 3% da superfície terrestre (148 milhões e 940 mil km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;) mas tem sido o principal foco de mudanças globais no milénio que terminou recentemente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Será um artigo muito eurocêntrico (na vardade europa-ocidental-cêntrico), pelo que espero a compreensão dos leitores brasileiros do Cognosco (das 300 visitas diárias, cerca de 100 eram, do Brasil, oriundas).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O Brasil, comum e corretamente ente designado de nosso país-irmão (assim como a Espanha).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Numa perspetiva mais exata (mas condescendente), é mais um país-filho da mesma forma que a Espanha é de forma mais exata (mas inquietante) o nosso país-mãe...  &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:cognosco:83032</id>
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    <issued>2011-04-23T14:32:14</issued>
    <title>ln</title>
    <published>2011-04-23T14:10:35Z</published>
    <updated>2011-08-04T10:18:41Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;em&gt;A cidade estremeceu, abalada profundamente, e começou a desabar. […] Nas suas casas, ardiam as velas dos oratórios e as igrejas regurgitavam povo a ouvir missas. Toda a gente, numa onda, correu às praias; mas, rolando em massas, estancou perante a onda que vinha do rio, galgando a inundar as ruas, invadindo as casas. Por sobre este encontro ruidoso, uma nuvem de pó que toldava os ares e escurecia o sol, pairava, formada já pelos detritos das construções e das mobílias, que o abalo interno da terra vasculhava, e os desabamentos enviavam, em estilhas, para o ar.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;em &lt;a href="http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/terremoto2.htm"&gt;http://educaterra.terra.com.br/voltaire/m&lt;wbr /&gt;undo/terremoto2.htm&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eis uma descrição do Terramto de Lisboa de 1755. Era e de Novembro, dia de Todos os Santos e a população da cidade estava concentrada nas Igrajas em cerimónias religiosas. &lt;/p&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2011-02-22T12:50:21</issued>
    <title>A dança do Leão</title>
    <published>2011-02-22T13:05:16Z</published>
    <updated>2011-04-04T11:57:39Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://www.cognoscomm.com/mm/Glb01.jpg" alt="" width="100" height="100" align="right" border="0" /&gt;Neste início da segunda década do século XXI, um dos temas de relevância internacional (a par com o terrorismo e o aquecimento global) tem sido a Globalização e as suas consequências para a diversidade da experiência humana (ainda que sejam as questões económicas as mais focadas). Mas esta não foi a primeira Globalização a que o Mundo assistiu e vive-se ainda com as consequências das anteriores enquanto se discute a actual. Quantas de facto existiram, depende da definição que se use de Globalização e do que se pretende avaliar. Desde as trocas culturais que se estabeleceram entre a Europa grega e o Oriente persa com as conquistas de Alexandre Magno no século IV AC, ou o império romano que unificou norte europeu, norte de África e médio Oriente, ou a rota da seda que uniu China e Europa, muitas foram as épocas históricas classificadas como Globalizações.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Uma delas, que verdadeiramente uniu regiões antípodas do planeta, foi a que foi iniciada pelos Portugueses no início do século XV.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Muitas foram as motivações que levaram os Portugueses a olharem para o Oceano e a sonhar com o que estaria para lá do horizonte: a presença moura (ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/82325.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Ápices culturais&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para a diferença entre «Mouros», «Sarracenos», «Árabes», «Berbéres» e «Muçulmanos») tinha desaparecido de Portugal no século XIII (persistiu mais um século no Sul de Espanha), pelo que nenhuma guerra absorvia os recursos do país; as relações com a vizinha Espanha estavam estabilizadas (enquanto esta se unia e combatia o Reino mouro de Granada); o resto da Europa vivia ainda a «ressaca» da Peste Negra (que dizimou metade da população europeia em meados do século XIV) e com a Guerra dos 100 anos (nome colectivo dado a uma série de conflitos entre meados do século XIV e meados do século XV que opôs a Inglaterra e a França e onde se notabilizou a célebre Joana D'Arc); as Cruzadas ainda continuavam na sua busca por reconquistar o Médio Oriente aos Árabes e reverter a expansão muçulmana.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/GlbPrJ.jpg" alt="Pormenor de um mapa português de África com Preste João" width="200" height="200" align="left" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Portugal, reino pequeno no canto  ocidental do continente europeu, com as suas fronteiras bem definidas, relações comerciais com Mouros e Espanhóis consolidadas, com uma área arável limitada, estava nas condições ideais para embarcar com sucesso na grande aventura dos Descobrimentos, faltando apenas uma força aglutinadora e motivadora que o «empurrasse» para o mar. Este foi o papel desempenhado pelo Infante D. Henrique, filho do rei Português D. João I. A partir da conquista da cidade moura de Ceuta (ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/39856.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Ceuta aeterna dolor&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para entender como a cidade é agora espanhola sem nunca ter sido conquistada após os portugueses o terem feito, em 1415), Portugal foi alargando a sua zona de influência na América, África e Ásia, contornando os mercadores italianos e mouros e estabelecendo ligações entre povos tão distantes como os povos da Amazónia e do Japão ou os Aborígines australianos. A par com as motivações culturais e económicas, as motivações religiosas nortearam grande parte do esforço de expansão portuguesa, levando-os a procurar aliados e circunstâncias geográficas, económicas e políticas que os favorecessem na luta contra o «grande inimigo muçulmano», finda que estava o sua presença no território nacional. Foi nesse contexto que uma figura mítica se destacou na imaginação portuguesa (e europeia): &lt;strong&gt;Preste João&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Durante a Idade Média, tornou-se popular na Europa a história de um Imperador cristão, sábio e poderoso, que governava um reino para lá do império muçulmano, algures a Oriente (da Europa). Sendo bastante poderoso (rezavam as múltiplas histórias que circulavam e se avolumavam), seria um valioso aliado para os cristãos europeus contra as invasões muçulmanas. Havia quem o situasse algures no Médio Oriente, outros em África, outros em plena Ásia. Seria descendente de um dos Três Reis Magos (ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/11355.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Os Medos dos Magos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para mais informações sobre estas três enigmáticas figuras), seria um governante justo e amado, o seu vasto reino continha vários animais incríveis, a fonte da juventude existiria lá (e mantinha o Imperador Preste João permanentemente jovem) e ainda estaria situado ao pé do Paraíso terrestre que albergou Adão e Eva (da tradição judaica, consequentemente cristã, consequentemente muçulmana).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;&lt;em&gt;A origem do nome desta figura mitológica não é clara, mas parece ter tido origem em João, o Presbítero. Presbítero remete para os Presbiteranos (do grego &lt;/em&gt;presbýteros &lt;span lang="grc" xml:lang="grc"&gt;πρεσβύτερος&lt;/span&gt; «ancião»), &lt;em&gt;que classifica um ramo do Cristianismo em que a congregação é liderada por um Conselho de Anciãos, daí o nome.&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/GlbEtp.jpg" alt="Localização da Etiópia em África" width="120" align="right" border="0" /&gt;Os navegadores portugueses do século XV, acreditavam ter encontrado o reino do mítico &lt;strong&gt;Preste João&lt;/strong&gt;, ao estabelecerem contacto com um Reino não-Muçulmano junto ao Golfo Pérsico, no chamado «Corno de África», ao depararem com a &lt;strong&gt;Etiópia&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar da rápida expansão muçulmana, que apenas num século quase triplicou de área, os povos etíopes permaneceram fiéis à sua religião não-islâmica, mantendo-se cristãos ortodoxos. A Etiópia foi das primeiras nações em todo o Mundo a converter-se ao Cristianismo (no século 4AD), na mesma altura em que o Império Romano se converteu oficialmente também.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Entre 632AD e 750 AD, o Império Muçulmano estendeu-se da Península Arábica ao longo do Norte de África até abranger a Península Ibérica. Isto significa que passou de 2,6 milhões de km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; (a Península Arábica) para 7 milhões de km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; (com a inclusão da Península Ibérica) em 118 anos. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Ou seja, 7/2,6 = 2,69 vezes o seu tamanho em 750-632 = 118 anos. Para se ter uma ideia da rápida expansão do Islamismo, os 92 milhões de &lt;em&gt;km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; de &lt;/em&gt;Portugal Continental foram conquistados aos Mouros em 1139-1249 = 110 anos. O Império Muçulmano expandiu 7-2,8 = 4,4 milhões de &lt;em&gt;km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; em 118 anos. Foram 4,4/118 = 0,037 ﻿milhões de &lt;em&gt;km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; ou 37 mil &lt;em&gt;km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; por ano.&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;A cada 2,5 anos conquistaram uma área do tamanho de Portugal, que nos demorou 110 anos!&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A Etiópia foi uma Monar&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;qui&lt;/span&gt;a (&lt;em&gt;lê-se «mu»+«nar»+«QUÍ»+«a» e «mu»+«NÁR»+ca&lt;/em&gt;) ao longo da sua longa História e a Casa Imperial Etíope afirma descender do Rei Salomão e da Rainha do Sabá através do filho de ambos Menelik I. Entre o século IV AC e 1970, esta dinastia Salomaica governou a Etiópia (só entre 1137 e 1270 é que uma outra dinastia, chamada Zagwe, a substituiu) e só foi derrubada em 1974, quando um golpe de estado depôs o último Imperador etíope (&lt;strong&gt;Haile Selassie I&lt;/strong&gt;) e estabeleceu a presente república. Os Etíopes afirmam até terem, na sua posse, a famosa «Arca da Aliança», que era guardada no Templo de Salomão e que desapareceu entre as conquistas militares que Jerusalém sofreu ao longo da sua História. Como afirmam que a sua casa imperial descende do filho de Salomão com a Rainha do Sabá, explicam dessa maneira que a «Arca Perdida» na verdade foi guardada e está na Etiópia. &lt;em&gt;O primeiro filme da saga «Indiana Jones» coloca-o na senda (em confronto com os Nazis) dessa mítica arca. Daí o nome do filme (em Portugal) ser Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Haile Selassie nasceu com o nome de «Tafari Makonnen» e, por ser da casa imperial, recebeu o título de «Ras» (cujo equivalente será «barão» ou «príncipe»). Assim, até se ter tornado Imperador e mudar de nome, era conhecido como &lt;strong&gt;Ras Tafari&lt;/strong&gt;. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A semelhança entre o nome do ex-mo&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;nar&lt;/span&gt;ca etíope e o movimento &lt;strong&gt;Rastafariano&lt;/strong&gt; da Jamaica,&lt;strong&gt; não&lt;/strong&gt; é mera coincidência.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/GlbHal.jpg" alt="Haile Selasie" width="100" height="150" align="left" border="0" /&gt;&lt;em&gt;Ras Tafari&lt;/em&gt; subiu ao trono da Etiópia em 1930 (depois de confusas lutas pelo poder), adoptando o título real de «Sua Majestade Imperial &lt;strong&gt;Haile Selassie I&lt;/strong&gt;, Rei dos Reis, Senhor de Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá e Eleito de Deus» e tornando-se &lt;strong&gt;Negus&lt;/strong&gt; (rei). Durante o seu reinado (de 44 anos), a Etiópia foi atacada e conquistada pelas tropas fascistas do ditador italiano Mussolini (de 1935 até 1942), participou na Guerra da Coreia ao lado dos EUA (que termiinou com o impasse que deu origem às duas Coreias que se conhecem hoje), integrou a Eritreia na Etiópia (tendo depois conduzido uma guerra infrutífera contra a Eritreia para a manter), procurou reformar o sistema feudal em que a Etiópia ainda vivia em pleno século XX, a região de Wollo (no nordeste do país) passou por um período de fome que se tornou mundialmente conhecido e denegriu bastante a reputação do país em termos internacionais. Em 1974, uma revolução, feita por militares de baixa patente, depôs Haile Selasie (tal como alguns meses antes tinha acontecido em Portugal), que foi preso e morreu um ano depois (o movimento Rastafariano sustenta que Haile Selasie não morreu, já que é a reencarnação de Jesus Cristo).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="padding: 0px 5px; float: right;"&gt;&lt;img style="border: 5px solid #FFFFFF;" src="http://cognoscomm.com/mm/GlbBnd.jpg" alt="" width="200" height="134" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker4448" style="text-align: justify;"&gt;O&lt;em&gt; Movimento Rastafariano&lt;/em&gt; surgiu na sécada de 1930, na Jamaica, como um movimento de inspiração cristã, &lt;strong&gt;Pan-Africano&lt;/strong&gt; (união de todas as pessoas de origem africana), tendo África (&lt;strong&gt;Zion&lt;/strong&gt;) como centro, a rejeição do Mundo moderno ocidental (&lt;strong&gt;Babylon&lt;/strong&gt;) centrado nos EUA, o uso religioso da marijuana (&lt;em&gt;cannabis&lt;/em&gt;) como meio de expansão da consciência e a veneração de Haile Selasie (&lt;strong&gt;Ras Tafari&lt;/strong&gt;) como a segunda reencarnação de Jesus Cristo. Aquando do fim da I.ª Guerra Mundial, realizou-se a &lt;strong&gt;Conferência de Berlim&lt;/strong&gt;, a pedido de Portugal e todos os países africanos ficaram sobre «admnistração» de países europeus (na verdade, colonialismo com  outro nome, tal como em Portugal se passou a designar as Colónias africanas como «Territórios Ultra-marinhos» com o mesmo propósito). Apenas dois países (a &lt;strong&gt;Etiópia&lt;/strong&gt; e a Libéria) ficaram independentes e «auto-administrados». Ainda que a Libéria fosse um país livre, os seus laços com os EUA eram grandes, já que o país fora fundado por ex-escravos libertos dos EUA (daí o nome do país...) Apenas a Etiópia permanecia, aos olhos de muitos, firme e independente de ligações ou dependências externas. Fazendo, além disso, parte da «Dinastia Salomónica», com ligações ao Velho Testamento e à Bíblia, Haile Selasie emergiu como a encarnação de todas crenças pan-africanas. Para isto contribuíram os seus títulos dinásticos como «Leão de Judá» (o leão é também uma forte imagem no Rastafarismo) e «Senhor dos Senhores», títulos encontrados na Bíblia. O movimento rastafariano refere várias vezes, nas letras das músicas, palavras como: Jah (diminutivo de Jeová), Babylon, Zion, Lion (leão), ganza (marijuana), além de usar a bandeira de Haile Selassie (que era usada como bandeira etíope até ser derrubado) como bandeira do movimento e as cores da Etiópia (verde, amarelo e vermelho) para se representarem. Apesar de muito associadas aos Ratafarianos, as «dreadlocks» não fazem parte da sua ideologia. Também crêem na origem de toda a Humanidade em África, o que é apoiado pela Arqueologia e pela Genética. Veja-se as letras da mais famosa banda de Reggae: Bob Marley e os Wailers. &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;#39;andale mono&amp;#39;, times;"&gt;&lt;strong&gt;Kussondulola - Nós somos rastaman&lt;/strong&gt; Uma banda reggae portuguesa&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;object width="480" height="390" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true" /&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always" /&gt;&lt;param name="src" value="http://www.youtube.com/v/O0SujMXzejY?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;rel=0" /&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true" /&gt;&lt;embed width="480" height="390" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/O0SujMXzejY?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;rel=0" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /&gt;&lt;/object&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Este país africano, tão ligado às tradições religiosas do Médio Oriente, foi a resposta às aspirações de Portugal quando, em plenos Descobrimentos, encontrou um país cristão (ainda que ortodoxo) nas «costas» dos inimigos muçulmanos. O aliado cristão parecia ter chegado e Portugal ainda participou em batalhas de apoio aos Etíopes (principalmente contra o Império Otomano) sendo os soldados portugueses altamente valorizados (não apenas pelas armas de fogo, já que o Império Otomano as tinha também, como referido no artigo &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/11221.html" target="_blank"&gt;Um por todos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; sobre os 3 Mosqueteiros). Mas a lenda foi morrendo, à medidade que ia sendo confrontado com a realidade. Mas ainda continuou e continua a inspirar muitos com os seus relatos de riquezas imensas, fonte da juventude e cultura ímpar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A título de exemplo, veja-se o romance de 2000 &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Baudolino&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;, de Umberto Ecco, onde um grupo de aventureiros parte em busca do fabuloso&lt;strong&gt; Reino de Preste João&lt;/strong&gt;, tendo encontrado mais do que antecipavam...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Faz parte da condição humana sonhar e continuar a sonhar,  mesmo contra as evidências. &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Tem sido essa a nossa maior qualidade e o nosso pior defeito...&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:cognosco:82544</id>
    <author>
      <name>Mauro</name>
    </author>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/82544.html"/>
    <issued>2010-12-07T19:04:39</issued>
    <title>Fractal como o destino</title>
    <published>2010-12-07T19:09:22Z</published>
    <updated>2010-12-08T13:16:40Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ainda que a premissa oficiosa do Cognosco seja, como já anteriormente referido, procurar escapar aos grilhões da «actualidade» e das «notícias mais recentes» (atitude norteada pela noção de que somente o Tempo permite garimpar a areia dos factos para encontrar as verdadeiras pepitas), há acontecimentos suficientemente marcantes para lhes garantir a imediata atenção. Este é o caso do recente falecimento do matemático Benoît Mandelbrot.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="float: left; text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 5px solid #FFFFFF;" src="http://cognoscomm.com/mm/frtmdb.jpg" alt="" width="200" height="200" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker6709" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Tendo morrido a 14 de Outubro de 2010 (a um mês de fazer 86 anos), &lt;strong&gt;Benoît Mandelbrot&lt;/strong&gt; nasceu a 20 de Novembro de 1924, em Varsóvia (Polónia). Cedo foi introduzido a conceitos matemáticos e físicos por vários membros da família ligados ao mundo académico: a sua Mãe foi uma das primeiras médicas licenciadas na Rússia e também por dois tios (um deles Professor de Matemática  no &lt;em&gt;Collège de France&lt;/em&gt; em Paris). A família Mandelbrot (cuja tradução literal seria «pão de amêndoa») fugiu, em 1936 (3 anos após a subida de Hitler ao poder e 3 anos antes do início da II.ª Guerra Mundial) para a França.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entretanto casou e mudou-se para os EUA, onde trabalhou 30 anos para a IBM. Sendo doutorado em Aerodinâmica e em Matemática, Mandelbrot dedicou a sua vida à investigação em campo tão variados como a Economia (procurou padrões reconhecíveis na flutuação dos mercados financeiros) ou a Astronomia. Neste campo, apresentou uma explicação para o chamado &lt;strong&gt;Paradoxo de Olbers&lt;/strong&gt;, segundo o qual o facto de o céu nocturno ser escuro não é compatível com a noção de um Universo infinito mas estático.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Este paradoxo refere que, num Universo infinito e estático, qualquer ponto do céu tem obrigatoriamente uma estrela em cada ponto para onde se olha, o que levaria a que o céu fosse brilhante em vez de escuro, como de facto se observa. Apesar de receber o seu nome do astrónomo amador alemão do século 19 Heinrich Wilhelm Matthäus&lt;strong&gt; Olbers&lt;/strong&gt;, desde o século 16 que se conhece este paradoxo. Esta noção foi referida pelo astrónomo inglês Thomas Digges, que foi o primeiro astrónomo a colocar oficialmente em causa o modelo geocêntrico de Ptolomeu em favor do modelo heliocêntrico de Copérnico. Tendo anteriormente procurado estabelecer a distância a que tinha ocorrido uma explosão de super-nova em 1572 e calculado que esta se tinha dado numa órbita superior à da Lua, Digges publicou as suas ideias heliocêntricas e de Universo mutável, onde foi o primeiro a sugerir a noção de um Universo infinito com infinitas estrelas. Com base na sua ideia de um Universo infinito, Digges postulou a distribuição das estrelas por um Universo de dimensões infinitas, em vez de uma esfera finita em redor da Terra como defendeu Ptoloomeu. A corrente Teoria do Big Bang tem aspectos em contradição com ambas as noções, uma vez que considera um Universo finito, em expansão, mutável e com um número finito de corpos celestes. Como a descoberta da Radiação Cósmica de Fundo comprovou, a Terra é atingida efectivamente por radiação cósmica de todos os pontos do céu mas a breve fase de expansão acelerada do Universo foi tão rápida que ainda há raios de luz a chegar até nós e os que nos chegam estão tão enfraquecidos que são apenas micro-ondas, invisíveis ao olhar humano e de fraca energia. Assim, cada ponto do céu nocturno é de facto «iluminado» mas por luz invisível aos nossos olhos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/18002.html" target="_blank&amp;quot;"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Loqui longinquitate&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para mais sobre as micro-ondas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mandelbrot, através do estudo de várias estruturas dinâmicas, criou a noção de &lt;strong&gt;fractal&lt;/strong&gt;, que são figuras geométricas que não têm as usuais dimensões 1D, 2D, 3D (ou mesmo 4D) mas podem também ter dimensões não inteiras como 1/3, √2 ou outras.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ver o artigo &lt;a title="Simplesmente complexo" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/15163.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Simplesmente complexo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para mais sobre conjuntos numéricos como os números naturais, inteiros, racionais reais ou complexos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A noção da existência de figuras com as propriedades dos &lt;strong&gt;fractais&lt;/strong&gt; (serem infinitamente complexas, terem uma regra de construção simples, uma parte da figura ser semelhante ao todo da figura ou  terem uma dimensão não necessariamente inteira) não surgiu com Mandelbrot mas foi ele o primeiro a baptizá-las. Das mais antigas que se conhecem está a &lt;strong&gt;Poeira de Cantor&lt;/strong&gt;, que tem uma dimensão de aproximadamente 0,6309 (exactamente log 2 / log 3) e que é obtida dividindo um segmento de recta em 3 partes, retirando o segmento do meio e repetindo o procedimento para os dois segmentos resultantes. Constata-se que a figura pode ser calculada infinitamente, tem uma regra de construção simples, cada parte mais pequena da figura é semelhante à figura inicial e tem uma dimensão não-inteira).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://cognoscomm.com/mm/FrtCnt.jpg" border="0" alt="" height="80" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A noção de &lt;strong&gt;fractais&lt;/strong&gt; permite compreender de que forma é que os pulmões podem ter uma área de 70 m² (a dimensão de metade de um campo de ténis) e caberem no nosso peito: a área do interior dos pulmões têm uma dimensão fractal de aproximadamente 2,97. É um valor muito próximo de 3, o que confere aos pulmões uma dimensão total de aproximadamente 4!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O cérebro humano tem uma dimensão fractal de aproximadamente 2,79. Todas as dobras do cérebro permitem que esta estrutura única, que representa apenas 2% do total do peso do corpo, receba 15% do sangue bombeado pelo coração, 20% do total de oxigénio consumido e 25% do total de glucose usada pelo corpo!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em média, o corpo de um ser humano adulto contém aproximadamente 5 litros de sangue ao longo de 96 560 quilómetros de artérias, veias, capilares. Tendo em conta que o perímetro da Terra é de  40 mil km, o sistema circulatório, se fosse estendido, daria 96 500/40 000 = 2,4125 voltas à Terra. Aproximadamente 2 voltas e meia! Porque o sistema circulatório se distribui de forma fractal, cada uma das aproximadamente 50 biliões de células estão próximas de uma artéria ou de uma veia e no entanto o sistema circulatório ocupa pouco espaço no corpo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E muitos outros exemplos podem ser dados de como a Natureza utiliza as estruturas fractais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Esta questão da dimensão não-inteira vale a pena abordar. Se estão representadas numa superfície de dimensão 2, como é que não são 2D? É importante recordar que é possível representar um cubo (3D) numa superfície plana (2D) sem que isto implique necessariamente que o cubo tenha dimensão 2. Para determinar com exactidão esta dimensão, os matemáticos recorrem ao conceito de &lt;strong&gt;Dimensão de Hausdorff-Besicovitch.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Felix &lt;strong&gt;Haurdorff&lt;/strong&gt; foi um matemático alemão que viveu entre  1868 e 1942 e Abram Samoilovitch &lt;strong&gt;Besicovitch&lt;/strong&gt; foi um matemático russo que viveu entre 1891 e 1970. Ambos viveram o suficiente para testemunharem as piores barbaridades cometidas nos seus países de origem durante o século XX.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt; A determinação da Dimensão de Hausdorff-Besicovitch foi já vista e aplicada a fractais e a figuras geométricas comuns (como quadrados e cubos) no artigo &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/18990.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Fractais&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;, onde também se explica o que é o log 2 (ou o log 3) que aparece na dimensão exacta da Poeira de Cantor. Os objectos naturais não têm as formas perfeitas que a maioria das pessoas conhece, o que se reflecte na dimensão que de facto têm. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;"As nuvens não são esferas, as montanhas não são cones, as costas marítimas não são círculos, uma tábua de madeira não é lisa nem um relâmpago viaja em linha recta" &lt;/strong&gt;como referiu Mandelbrot em 1983. Alguns objectos naturais têm uma estrutura (e dimensão) fractal como as nuvens, montanhas, relâmpagos, costas marítimas, flocos de neve, várias plantas como os brócolos ou as couves-flor, a pigmentação exterior de muitos animais, a distribuição das galáxias no Universo, o sistema sanguíneo, a superfície dos pulmões,…&lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="float: right; text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 5px solid #FFFFFF;" src="http://cognoscomm.com/mm/FrtBrc.jpg" alt="Poeira de Cantor" width="307" height="133" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker6385" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mas como fazer então para determinar essa dimensão fractal? Tomemos como exemplo um &lt;strong&gt;brócolo&lt;/strong&gt;. Este vegetal (não é um legume, como foi já explicado em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/5380.html&amp;quot;" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Frutas &amp;amp; Legumes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;), tem uma estrutura que se multiplica diversas vezes, sendo cada estrutura mais pequena semelhante ao brócolo inicial, com um procedimento de «construção» simples (cada nova «ramo» é semelhante ao anterior»), o que lhes dá algumas características fractais. Qual será então a sua &lt;strong&gt;Dimensão de Hausdorff-Besicovitch&lt;/strong&gt;? Para a determinar, é necessário ter um procedimento de medida aplicável a diferentes escalas. É na evolução da dimensão ao longo de sucessivas escalas que se determina a dimensão fractal. Mede-se o comprimento do brócolo e regista-se o valor bem como o número de pedaços. Separa-se então o vegetal em partes mais pequenas mas ainda semelhantes ao inicial. Regista-se o comprimento médio dos pedaços e o seu número. Realiza-se repetidamente este procedimento. Para cada um dos valores anteriores calcula-se o seu logaritmo (log ou ln, que se pode encontrar muitas das calculadoras no mercado). Suponha-se que os valores obtidos foram os contidos na tabela apresentada (omitiu-se o inicial com apenas 1 pedaço por razões que se prendem com as propriedades dos logaritmos, já que o logaritmo de 1 é sempre 0).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Para minimizar o efeito de distorção de valores anómalos, pode-se omitir o valor mais baixo e o valor mais alto (a sombreado na tabela).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A Dimensão pretendida é dada pelo valor absoluto do &lt;strong&gt;declive da recta de regressão linear (ou dos mínimos quadrados)&lt;/strong&gt; que é a recta que mais próxima está de todos os pontos&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;do gráfico. O declive de uma recta é basicamente a inclinação que esta tem, em que valores positivos indicam que a recta, da esquerda para a direita, «sobe», valores negativos que a recta «desce» e se o declive for 0, que a recta é horizontal.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Há, pelo menos, 3 formas de calcular este valor (que é a dimensão fractal).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;1.: Num computador, utilizando uma folha de cálculo, pode-se usar directamente a função «declive»&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;2.: Através do cálculo e posterior divisão do valor da &lt;strong&gt;covariância entre os valores respectivos de cada logaritmo&lt;/strong&gt; pela &lt;strong&gt;variância dos logaritmos das escalas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;3.: Representando num gráfico os pontos correspondentes aos logaritmos obtidos, traçar a recta de regressão linear (ou o mais aproximado dessa recta que for possível) e dividindo o valor da intersecção dessa recta com o eixo das ordenadas pelo valor da intersecção da recta com o eixo das abcissas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Pode ser visto &lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;a href="http://cognoscomm.com/mm/FrtCalc.jpg" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;uma imagem desses três cálculos efectuados numa medição para o cálculo de uma dimensão fractal (ver dimensão fractal de uma linha de costa mais abaixo).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Eis um exemplo simples. Considere-se um fractal simples como a &lt;strong&gt;Curva de &lt;/strong&gt;&lt;em style="font-weight: bold;"&gt;Sedgewick &lt;/em&gt;(do matemático Robert Sedgewick). Começa-se por um quadrado. Coloca-se em cada canto um quadrado com metade de lado do anterior, com o centro no vértice do quadrado anterior. Repetindo o procedimento, obtém-se a &lt;strong&gt;Curva de &lt;em&gt;Sedgewick&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/frtsdgw.jpg" alt="" width="500" height="134" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Para calcular a dimensão fractal da Curva de Sedgewick, pode-se dividir a curva,&lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="float: right; text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/frtsdgwcalc.jpg" alt="" width="150" height="151" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker9526" style="text-align: justify;"&gt;no terceiro passo, em quadrados.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker85" style="text-align: justify;"&gt;A figura fica coberta com 14 quadrados de 1/14 de lado e o fractal cobre 148 quadrados.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Fazendo o mesmo para passos diferentes, obter-se-ia outras contagens de quadrados.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Utilizando um dos métodos acima explicados, obtemos um valor para a &lt;strong&gt;dimensão fractal&lt;/strong&gt; da &lt;strong&gt;Curva de Sedgick&lt;/strong&gt; de 0,8936.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;E para outro tipo de &lt;strong&gt;fractais&lt;/strong&gt; como o comprimento da linha costeira de um país?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;É fácil obter valores dados como certezas do comprimento das linhas de costa de diversos países.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por exemplo, na página virtual &lt;a href="https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;CIA - The world factbook&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, a linha de costa de Portugal é dada como 1793 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Já a costa do Reino Unido é dada como sendo de 12 429 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mas, como Mandelbrot salientou em 1963, no artigo que escreveu «How long is the coast of Britain?» (Quão longa é a costa da Inglaterra), o comprimento obtido &lt;strong&gt;depende do comprimento da régua usada.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Se for usada uma régua de 1 quilómetro de comprimento, há muitos detalhes menores do que a régua que não são medidos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Se for usada uma régua de 1 hectómetro de comprimento, há muitos detalhes que não são medidos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Se for usada uma régua de 1 decâmetro de comprimento, há muitos detalhes que não são medidos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Se for usada uma régua de 1 metro de comprimento, há muitos detalhes que não são medidos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Cada régua medirá um comprimento diferente e essa diferença pode ser estabelecida através da &lt;strong&gt;dimensão fractal&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Considere-se uma linha de costa arbitrária como a da figura. Pretende-se determinar o seu comprimento. Cada régua diferente que se use dará valores diferentes.&lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="float: right; text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/frtmc0.jpg" alt="" width="297" height="120" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker2079" style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p id="SAPORTECursorMarker8142" style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 10 km: 6, costa mede 60 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 9 km: 7, costa mede 63 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 8 km: 7, costa mede 56 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 7 km: 8, costa mede 56 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 6 km: 12, costa mede 72 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 5 km: 13, costa mede 65 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 4 km: 14, costa mede 56 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 3 km: 20, costa mede 60 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;.:Réguas 2 km: 29, costa mede 58 km.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/frtmc.jpg" alt="" width="500" height="205" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Calculando a &lt;strong&gt;dimensão fractal&lt;/strong&gt; usando os métodos acima explicados, obtém-se a dimensão fractal desta costa: 0,979182758616188...&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mas falar de Mandelbrot não fica completo sem falar no fractal criado por si e que ostenta o seu nome: o &lt;strong&gt;Conjunto de Mandelbrot.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/frtmdst.jpg" alt="" width="560" height="420" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este lindíssimo fractal tem propriedades curiosas, como é próprio de todos os fractais.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A linha de fronteira deste conjunto tem dimensão 2, em vez da dimensão 1 que esperamos de uma linha.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Fazendo aproximações a qualquer parte da fronteira, há sempre pormenores complexos e surgem imagens do conjunto inicial, a parte repetindo o todo. Este belo e complexo fractal (e é mesmo no plano complexo que ele é representado) é construído com a fórmula f(z) = z² + c&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt; 
&lt;object width="640" height="385"&gt;
&lt;param name="allowFullScreen" value="true" /&gt;
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&lt;param name="src" value="http://www.youtube.com/v/9G6uO7ZHtK8?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" /&gt;
&lt;param name="allowfullscreen" value="true" /&gt;&lt;embed height="385" width="640" src="http://www.youtube.com/v/9G6uO7ZHtK8?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" type="application/x-shockwave-flash"&gt; &lt;/embed&gt;
&lt;/object&gt;
&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:cognosco:82325</id>
    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2010-05-25T12:31:37</issued>
    <title>Ápices culturais</title>
    <published>2010-05-25T11:31:56Z</published>
    <updated>2010-08-22T14:01:07Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A seis meses do acabar a primeira década do século XXI, a Humanidade confronta-se ainda com problemas que herdou do seu passado, como o terrorismo internacional (ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/30566.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Um século&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;), ligado sobretudo ao extremismo de uma minoria muçulmana que claramente tem uma visão muito limitada e distorcida da fé religiosa que dizem professar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;É sempre bom lembrar que &lt;strong&gt;muçulmano&lt;/strong&gt; é todo aquele que professa a fé islâmica, árabes são apenas os naturais da Arábia sejam ou não muçulmanos. O neologismo em voga tem sido «islamita», o que considero estranho e desnecessário já que Muçulmano existe com esse significado. Se fosse «&lt;strong&gt;Ismaelita&lt;/strong&gt;», derivado de «Ismael», entenderia. As 3 principais religiões monoteístas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo) entrelaçam-se ao longo da sua História com laços de origem, crenças, personagens relevantes e constantes rivalidades ideológicas e militares. Abraão, figura ancestral e reverenciada pelas três, teve pelo menos oito filhos. Os dois primeiros tinham os nomes de Ismael e Isaac. Ismael, o mais velho (referido pelos textos sagrados das três religiões), é encarado como o antepassado dos Árabes (e logo dos Muçulmanos) e o segundo mais velho, Isaac, como o antepassado da religião Judaica (e consequentemente da Cristã, já que esta surgiu como uma seita da primeira). Assim, &lt;strong&gt;Ismaelitas&lt;/strong&gt; são os filhos de Ismael e logo são os Árabes (e os Muçulmanos em geral, já que Maomé seria descendente directo de Ismael e a religião muçulmana foi fundada por Maomé). Desconheço o que islamita seja ou de onde terá vindo (receio que tenha sido uma confusão com o correcto termo «ismaelita» mas não tenho dados que o comprovem). Quanto a outras designações que quem se lembrar vagamente da História de Portugal reconhecerá, como &lt;strong&gt;Mouros, Sarracenos&lt;/strong&gt; ou mesmo &lt;strong&gt;Mamelucos&lt;/strong&gt; ou os &lt;strong&gt;Berbéres&lt;/strong&gt;, apesar de serem frequentemente usadas como sinónimas não o são verdadeiramente. A palavra Mouro chegou ao Português (e outras línguas românicas) através do Latim «Mauro», que designava os originários do Norte de África (daí o nome do moderno país Mauritânica). Através da evolução das línguas, «Mauro» tornou-se «Mouro» (ainda que Camões se referisse aos «valentes Mauros» nos Lusíadas). A palavra «moreno» descende de «mouro». Sarracenos eram um povo que habitava na península Arábica (referidos por Ptolomeu, no século 2 DC, como &lt;/em&gt;Sarakenoi&lt;em&gt;) &lt;/em&gt;&lt;em&gt;mas que não eram árabes e tinham a fama de viverem em tendas no deserto e fazerem pilhagens no Império Bizantino, através do qual o nome chegou às línguas europeias. Mamelucos foram o grupo de elite militar de várias sociedades muçulmanas. Originalmente eram escravos tornados guerreiros (que é o significado original de Mameluco) mas cujo poder e influência política cresceu entre os séculos 9 e 19. Os Berbéres são um grupo étnico que se estende d&lt;em&gt;o Atlântico ao Egipto e que inclui, entre os notáveis, o ex-futebolista Zinadine Zidane. Nem todos estes grupos muçulmanos tiveram o mesmo peso na conquista da Península Ibérica mas estes termos são frequentemente usados como sinónimos. Mas é importante saber a distinção entre eles.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Outro dos grandes problemas que a Humanidade enfrenta e que poderá ser umas das principais limitações para o seu progresso tem sido o&lt;strong&gt; Racismo&lt;/strong&gt; (e a &lt;strong&gt;Xenofobia&lt;/strong&gt;, a sua origem. Não esquecer que Xenofobia vem do grego «Xenos» (estranho) e «Phobos» (medo irracional e exagerado), ou seja é apenas um medo do que não se conhece &lt;em&gt;provavelmente por suspeita de que seja, de alguma forma, superior&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, parece ser um daqueles medos irracionais que temos desde o início da Humanidade (e que a precederá, já que o Homo Sapiens não «criou» sentimentos, emoções, capacidades, instintos, fobias, comportamentos que já não existissem, apenas as exagerou, como a Guerra, a Violência, o Amor, a Amizade, o Altruísmo,...), fruto da insegurança dos pequenos grupos familiares em que vivemos grande parte da existência da espécie, nestes últimos 150 mil anos (cidades e grupos maiores surgiram com o advento da civilização, há cerca de 10 mil anos). Ao longo de 140 mil anos, a Humanidade (e os seus antepassados antes disso) viveu em pequenos grupos familiares, sempre na defensiva em relação a grupos estranhos e potencialmente perigosos. Então, há apenas 10 mil anos, grupos humanos juntaram-se em aglomerados populacionais: as primeiras cidades. E o grupo familiar em relação ao qual se tinha o instinto de protecção passou a abarcar a cidade. À medida que as cidades iam prosperando e se fortalecendo, algumas começaram a conquistar e dominar cidades vizinhas, formando reinos e impérios. No início, estes eram circunscritos a cidades com populações da mesma etnia e língua. Mas evoluíram para abarcar grupos mais heterogéneos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/RcAkk.jpg" alt="Acádia, ca. 2300 AC" width="396" height="206" align="left" /&gt;O primeiro império multi-étnico e politicamente centrado terá sido o fundado por Sargão, o Grande, entre os séculos 23 AC e 22 AC. Este foi fundado pelo primeiro imperador da Acádia, situada no Médio Oriente, com capital na cidade de Akkad, no actual Iraque.&lt;em&gt; Foi este Império da Acádia que serviu de pano de fundo ao filme&lt;/em&gt; de 2002 «O Rei Escorpião»&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Imagem retirada de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:Orientmitja2300aC.png" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/File:Orient&lt;wbr /&gt;mitja2300aC.png&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;E o sentimento de desconfiança em relação aos outros subsistiu (hábitos culturais são muito difíceis de eliminar), alimentando guerras, genocídios, intolerâncias, perseguições. Por vezes, a Xenofobia vem disfarçada com argumentos (falsos) de suposta origem religiosa, mítica, biológica, social mas o cerne permanece o mesmo: desconfiança do vizinho e justificação para a realização de actos intoleráveis para com outro ser humano com vista a proveito próprio.  Assim nasceu a bárbara prática da &lt;strong&gt;Escravatura&lt;/strong&gt;, praticada por povos de todo o Globo (o que atestará à premissa da antiguidade da Xenofobia). Povos tão díspares como os Espartanos na Grécia Antiga (ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/8924.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Lacónico regresso&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt; &lt;/span&gt;) e os Helotas, o povo que eles escravizavam e que lhe permitia dedicar tanto tempo a aperfeiçoar as suas tácticas militares. Ou ainda os Aztecas (ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/18606.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Nex terrae&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt; &lt;/span&gt;) e os seus rituais de sacrfícios humanos. Ou os Romanos, que usaram a mão de obra escrava para erigir os seu império e monumentos (ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/30026.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Colossicum amphitheatrum&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt; &lt;/span&gt;). Ou os Europeus dos séculos XV e XVI, que usaram a Escravatura como forma de ultrapassarem a crise demográfica e económica provocadas pela Peste Negra do século XIV.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Assim, após a conquista de Ceuta, em 1415, pelos Portugueses (ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/39856.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Ceuta aeterna dolor&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para a explicação de porque Ceuta nunca foi conquistada depois de 1415 mas é agora espanhola), a Europa parte à «descoberta» de um Mundo que desconhece e de povos com múltiplas e distintas culturas, tendo na mão armas de fogo (inventadas pelos chineses, sendo que o primeiro registo histórico do uso de armas de fogo é relativo à Dinastia Jin, entre 1115 e 1234, que usou canhões, foguetes e armas pessoais de fogo contra os Mongóis) e as ainda mais mortíferas armas da ignorância, presunção cultural e cupidez económica. Viraram as suas ambições económicas para o vasto continente africano (ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/30393.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Magnus Tellus&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para a origem dos nomes dos 5 continentes actuais), em busca de matérias primas e de mão-de-obra. África foi o berço da Humanidade, há 150 mil anos, de onde depois o ser humano partiu para colonizar o Globo, como já tinha anteriormente feito o &lt;em&gt;Homo Erectus (que entretanto se extinguiu, deixando apenas um grupo que veio a dar origem aos seres humanos em África e outro grupo na Europa que veio a dar origem ao Homem de Neanderthal)&lt;/em&gt;. Quando as civilizações «clássicas» surgiram depois, em redor do Mar Mediterrânico, como os Fenícios no Médio Oriente, os Egípcios do Norte de África, os Gregos e os Romanos na Europa, mantiveram a sua esfera de influência cultural e domínio circunscritas ao norte verdejante (na altura) do continente, mantendo o deserto do Saara como fronteira natural. E os parcos conhecimentos europeus, quando partiram à «descoberta» do que incontáveis gerações anteriores já tinham descoberto (os continentes da América pelos Ameríndios e da Oceania pelos Aborígenes australianos), foram os que herdaram dos seus antepassados fenícios (que fundaram a mítica Cartago no norte Africano), egípcios (cuja expansão imperial se dirigiu para o Médio Oriente a norte), gregos (que se expandiram pela Ásia graças às conquistas de Alexandre magno) e romanos (que conquistaram as terras à volta de todo o Mar Mediterrâneo tornando-o o «Mare Nostrum»). A vastidão do continente africano manteve-se desconhecido aos europeus assim como as suas populações e formas de vida até os Portugueses contornarem todo o continente e renomearem o Cabo das Tormentas como Cabo da Boa Esperança.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A proximidade geográfica e demográfica desses antigos impérios manteve constantes alguns traços fisionómicos e culturais, que viriam a ser utilizados de forma manifestamente ignorante e gananciosa para justificar a subtracção das qualidades humanas de populações inteiras com vista à sua exploração comercial. Não é possível racionalmente justificar a escravidão e usurpação de grupos a quem se atribui qualidades humanas, o que sempre se manifestou quando há guerras (vilipendiar o adversário e dotá-lo de características sub-humanas é geralmente o primeiro passo) ou a exploração de um grupo de pessoas por outro. Isto ocorreu, por exemplo, quando Portugal cegamente iniciou a Guerra Colonial, o que ainda se manifesta no absurdo racismo das pessoas que cresceram no Portugal pré-25 de Abril.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/598.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Cadeira negra&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para mais sobre o Portugal salazarista.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/RcHm.jpg" alt="Homem núbio" width="100" height="159" align="right" /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="padding: 0px 3px; float: right;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/RcMl.jpg" alt="Mulher núbia" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sem bases concretas para justificar o tratamento das populações africanas que levavam para as suas colónias no Novo Mundo, usaram algumas características físicas (como a hipermelanização cutânea ou feições platorrínicas) e a ignorância e pedantismo europeus em relação à História para tratarem pessoas como animais de carga e propriedade de alguns. Mas, e aqui se revela a ignorância histórica de muitos, um dos baluartes civilizacionais da cultura europeia (a civilização egípcia) foi amplamente influenciada, rivalizada e mesmo superada por um grupo demográfico e cultural de claros e distintos traços «negróides», uma civilização que fez tremer o Egipto ao longo da sua História e Pré-História, uma civilização que construiu mais Pirâmides que os egípcios, que lhes legou divindades, hábitos culturais e conhecimentos sem os quais o Egipto não teria sido o que representa ainda no imaginário «ocidental». Falo dos orgulhosos e admiráveis &lt;strong&gt;Núbios&lt;/strong&gt;, nativos do actual sul do Egipto e norte do Sudão, cujos descendentes ainda lá vivem.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A civilização núbia dese&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:cognosco:82099</id>
    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2010-01-01T18:09:39</issued>
    <title>Digital mente</title>
    <published>2010-01-01T18:09:51Z</published>
    <updated>2010-05-29T16:38:58Z</updated>
    <content type="html">&lt;div&gt;&lt;em&gt;Hoje é dia 1 de Janeiro. Lá fora, ainda há os ecos do fogo de artifício. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;E começou um novo &lt;/em&gt;&lt;em&gt;ano, 9 anos desde que o novo milénio iniciou (nunca esquecer que &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; houve ano 0, houve o ano 1 AC seguido pelo ano 1 DC).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;E agora, como na segunda metade  do século passado, o ser humano vive imerso num mundo dominado por computadores e máquinas sofisticadas. De uma forma tão profunda e intensa que as gerações mais novas nem conhecem nem imaginam como era a vida anterior ao surgimento dos computadores...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É algo tão presente na nossa vida moderna, que muitas vezes nem se questiona exactamente de onde vieram os computadores. A começar pela própria palavra que, em português, usamos para estas ubíquas máquinas sem as quais o Cognosco não existiria.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os computadores fazem cálculos, a enorme velocidade. Porque não são chamados «Calculadores»? Porquê «Computadores»? Computar é bastante fácil de entender:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é... aquilo que os computadores fazem...&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cômputo é, assim o dizem os &lt;a href="http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=cômputo" target="_blank"&gt;dicionários&lt;/a&gt;,&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999; font-size: 9px;"&gt;1. &lt;/span&gt;&lt;span style="cursor: hand;" title="Duplo clique para ver definição"&gt;Cálculo, conta, contagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999; font-size: 9px;"&gt;2. &lt;/span&gt;&lt;span style="cursor: hand;" title="Duplo clique para ver definição"&gt;Cálculo pelo qual os computistas determinam o dia em que cai a Páscoa e, conseguintemente, as festas móveis do calendário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="cursor: hand;" title="Duplo clique para ver definição"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border-color: black;" src="http://www.cognoscomm.com/mm/MT01.jpg" border="0" alt="" width="100" height="115" align="left" /&gt;Daqui veio a palavra «computar» e «computador». O nome destas máquinas que tanto moldaram a segunda metade do passado século e prometem moldar a primeira deste (pelo menos) está ligada à Páscoa...&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que tem o cálculo da Páscoa assim de tão complicado que precisa da sua própria palavra (e até a criação de uma classe profissional chamada «Computadores», que eram as pessoas responsáveis por esse cálculo na Idade Média)?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem, «Páscoa» vem do hebraico &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pesach&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; que significa «Passagem» e é a data na qual os Judeus celebram a Fuga do Egipto liderados por Moisés. A Passagem refere-se à passagem de Jeová (e não do Anjo da Morte como erradamente se pensa) pelo Egipto, matando todos os primogénitos nas casas que não tivessem sangue de cordeiro na porta como sinal de pertencerem a uma família hebraica. Foi, de acordo com a Bíblia, a última das 10 pragas e matou todos os primogénitos egípcios, incluindo o filho do Faraó.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi isto que celebravam os Apóstolos na Última Ceia, pois todos os 14 comensais eram Judeus.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border-color: black;" src="http://www.cognoscomm.com/mm/MT02.jpg" border="0" alt="Leonardo da Vinci - A ùltima Ceia" width="500" height="265" align="middle" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde o Primeiro Conselho de Niceia (em 325 DC), a Páscoa é celebrada no primeiro domingo após o equinócio de Março (&lt;strong&gt;equinócio&lt;/strong&gt; vem do Latim &lt;strong&gt;&lt;em&gt;equi&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; «igual» + &lt;em&gt;&lt;strong&gt;nox&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; «noite», que são os dois dias em que a duração do dia e da noite são aproximadamente iguais, marcando o início da Primavera e o Outono). Esta é a Lua Cheia Pascal, importante em muitos calendáros. Um mês lunar é o tempo que medeia entre duas luas cheias e corresponde a 29 dias, 12 horas, 44 minutos e 2,8 segundos (29,53059 dias). Ora esta disparidade entre o mês lunar e o mês civil que usamos (do Calendário Gregoriano) leva a que o mês lunar não corresponda ao mês habitual. Pode-se estar permanentemente a olhar o céu, para verificar quando ocorre o Equinócio e a primeira lua cheia é complicado e sujeito a erros de observação (basta que esteja mau tempo, a lua esteja encoberta por nuvens, ou imprecisão no cálculo da duração do dia...) para que a precisão requerida se perca.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por meio de alguns cálculos complexos (dai o «computadores» humanos), era possível calcular quando esse primeira lua cheia após o equinócio se dava. Assim, em vez do que poderíamos esperar se as línguas humanas fossem definidas e criadas conscientemente, os &lt;em&gt;computadores&lt;/em&gt; assim se chamaram em vez de&lt;em&gt; calculadores&lt;/em&gt;, ainda que sejam basicamente sinónimos. A palavra &lt;strong&gt;&lt;em&gt;cálculo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; em si mesma, vem do latim &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Calx&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (pedra de cal), da qual &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Calcis&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; é o diminutivo. Daqui obtiveram-se várias palavras como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;calcar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;calcanhar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;cálculos &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;(as pedras dos rins),... O diminutivo de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;c&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;alx&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; é &lt;strong&gt;&lt;em&gt;calculi,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; como as pedras que eram usadas originalmente nos ábacos e a a palavra  acabou por deseignar a actuividade de fazer operações matemáticas. Antigamente, antes de haver computadores, usavam-se instrumentos como o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ábaco&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; para auxiliar as contagens.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border-color: black;" src="http://www.cognoscomm.com/mm/MT03.jpg" border="0" alt="Ábaco romano" hspace="5" vspace="5" width="500" height="322" align="middle" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta reconstrução de um Ábaco romano, é possível ver várias filas com esferas. Há 3 conjuntos principais de filas, uma superior com apenas uma esfera, uma fila maior em baixo com quatro esferas cada uma (excepto a última com cinco) e uma fila mais à direita com uma ou duas esferas. Lembrando a numeração romana: I representa 1, X  representa 10, C representa 100, M (no Ábaco é o símbolo &lt;sup&gt;&lt;sub&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Calibri&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;; mso-bidi-theme-font: minor-latin; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: SimSun; mso-fareast-theme-font: minor-fareast; mso-hansi-theme-font: minor-latin; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: ZH-CN; mso-bidi-language: AR-SA;"&gt;∞&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%; font-family: &amp;#39;Calibri&amp;#39;,&amp;#39;sans-serif&amp;#39;; font-size: 11pt; mso-bidi-theme-font: minor-latin; mso-ascii-theme-font: minor-latin; mso-fareast-font-family: SimSun; mso-fareast-theme-font: minor-fareast; mso-hansi-theme-font: minor-latin; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: ZH-CN; mso-bidi-language: AR-SA;"&gt;) &lt;/span&gt;&lt;/sub&gt;&lt;/sup&gt;representa 1000. Combinando os símbolos, é possível representar uma grande gama de números (ainda que números maiores ou mais complexos resultem em arranjos difíceis, como fazer 1976: MCMLDDVI). A coluna com um Teta especula-se que representasse casas decimais, bem como as colunas da direita. As mais acima fazem contagens mas de 5 em 5 (V é 5, D é 50 e L é 500). Assim, 67 seria representado no ábaco como uma pedra (um cálculo) na coluna X de cima e outra em baixo (5+1) e um cálculo na coluna I em cima e dois cálculos na de baixo (5+2). O Ábaco foi a primeira mecanização de cálculos criada e foi (e ainda é) usada durante milénios.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border-color: black;" src="http://cognoscomm.com/mm/MT04.jpg" border="0" alt="" hspace="2" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como a data não é homogénea em todos os locais, pois é dependente de onde era feita a medição e a hora local a que se dá a Lua Cheia, são necessários cálculos complexos para determinar quando ocorre essa Lua Cheia especial. Durante muito tempo, usou-se o calendário hebraico como base para determinar quando era a Lua Cheia pascal (já que esta é uma celebração judaica com vários milénios e  estes faziam regularmente os cálculos para a determinação da sua ocorrência). Mas, como qualquer outro filho rebelde, as Igrejas Cristãs contestaram os cálculos que eram feitos usando o Calendário hebraico e foram elaboradas tabelas que especificavam quando esse nascimento se dava, que apresentavam valores diferentes entre si e diferentes do calendário hebraico. A Igreja Católica, com sede em Roma, tinha a sua, a Igreja Ortodoxa Oriental, com sede em Alexandria (no Egipto, ver o artigo sobre Alexandre Magno, que fundou a cidade, em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/20700.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: #0000ff;"&gt;Magna byblotheca&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;) outra. Eventualmente, ainda que tenha sido muito difícil e demorado, os cálculos feitos pela Igreja Ortodoxa Oriental prevaleceram. Como a determinação da data da Páscoa está ligado à Lua e a meses lunares e 12 meses lunares não correspondem a 1 ano solar, usa-se o Ciclo Metónico (descoberto pelo astrónomo Metão de  Atenas). Metão verificou que 19 anos solares correspondem sensivelmente a 235 meses lunares (a diferença é de duas horas, sensivelmente um dia completo a cada 219 anos). O Ciclo Metónico é utilizado nos cálculos para naves especiais que se dirigem à Lua, no Calendário hebraico e determinação da Páscoa. Cada período de 19 anos pode ser dividido em 235 meses lunares e no primeiro dia do décimo-quarto mês lunar ocorre a primeira Lua Cheia eclesiástica (a Lua Cheia pascal). A Páscoa ocorre no primeiro domingo depois dela.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border-color: black;" src="http://cognoscomm.com/mm/MT06.jpg" border="0" alt="" width="100" height="100" align="left" /&gt;Usando métodos semelhantes aos hebraicos, as diversas igrejas cristãs calcularam tabelas diferentes da data de ocorrência da Lua Cheia pascal. Poder-se-ia modernamente pensar para quê tanta polémica e discórdia quando bastava ficar a olhar o céu para saber mas é preciso não esquecer que se viviam outros tempos, em que noções teóricas eram consideradas verdadeiras, independentemente das observações práticas. Tempos pré-científicos... Assim, a partir do século 3 DC, surgiram tabelas cristãs repeitantes à ocorrência da Páscoa, em ciclos de 8 anos, 82 anos no século 4 e no século 6 Dionísio Exíguo elaborou uma tabela nova, que ajustava o método da Igreja de Alexandria ao Calendário Juliano (foi este mesmo Dionísio o criador da contagem de tempo AC e DC que ainda hoje usamos, adaptada ao calendário gregoriano actual, baseado nos seus cálculos de quando ocorreu o nascimento de Cristo, ainda que tudo aponta para que tenha cometido um erro de 6 anos: o nascimento ter-se-á dado em Abril de 6 AC e o «nosso» ano 7 DC é o verdadeiro ano 1 DC). De 19 em 19 anos (Ciclo Metónico) , o primeiro dia solar e o primeiro dia lunar correspondem ao mesmo, tornardo-se a repetir o mesmo padrão. Nos calendários solares, isso significa que o primeiro domingo após a primeira Lua Cheia eclesiástica é numa data variável mas num calendário lunar é numa data fixa. A &lt;strong&gt;Páscoa&lt;/strong&gt;, tendo em conta os cálculos que a determinam, calha sempre numa data &lt;strong&gt;entre 22 de Março e 25 de Abril &lt;/strong&gt;(num intervalo de 35 dias, portanto).&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border-color: black;" src="http://cognoscomm.com/mm/Gauss.jpg" border="0" alt="" align="right" /&gt;Vários métodos foram usados para o «Computus» (a determinação da data da Páscoa), sendo que o advento dos computadores (que devem o seu nome a este cálculo) deram a qualquer pessoa a possibilidade de computar o Computus para qualquer ano (nunca esquecendo que o Calendário gregoriano que usamos modernamente só foi adoptado em 1582). O grande matemático Carl Gauss (de que já se falou em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/44168.html" target="_blank"&gt;Simples mente&lt;/a&gt; e em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/11574.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: #0000ff;"&gt;Erros Normais&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;) criou, em 1800, um algoritmo para calcular a data da Páscoa tendo em conta o ano que se desejava, que incluía dividir o ano por 19 (o Ciclo Metódico), também dividir o ano por  4 (para entrar em conta com os anos bissextos) e ainda por 7. Com os restos de cada uma das divisões, e mediante uma série de cálculos, é possível calcular o dia em que calha a Páscoa tendo em conta o ano a considerar. Modernamente, com os computadores pessoais para calcular o Cômputo, numa folha de cálculo pode-se determinar esta data usando a fórmula (em Português pt-pt)&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;=MOEDA(("4/"&amp;amp;A1)/7+RESTO(19*RESTO(A1;19)&lt;wbr /&gt;-7;30)*14%;)*7-6&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o que resultará num número que, após ser formatado para «data» indicará em que dia é a Páscoa no ano indicado na célula A1.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eg. para A1=2009; A1=2010; A1=2011 obtêm-se respectivamente os valores 39915;  40272; 41007. Após formatar a célula com a fórmula como sendo do tipo «data», obtem-se 12 de Abril de 2009; 4 de Abril de 2010; 8 de Abril de 2011 que são os dias em que calha a Páscoa nesses anos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto, claro, usando computadores para fazer o cálculo que lhes deu o nome e uma folha de cálculo. Os cálculos eram outros e mais complexos antes do advento dos aomputadores, ainda que Gauss tenha «facilitado» esse cálculo com o seu algoritmo (digo facilitado porque ainda assim os cálculos são longos e fastidiosos). Mas os computadores só surgiram na segunda metade do século 20, com o advento da II.ª Guerra Mundial e a necessidade de descodificar mensagens inimigas. Vários cientistas ingleses estiveram envolvidos na decifração do código ENIGMA nazi. Um dos cientistas envolvidos foi um matemático de nome Alan &lt;strong&gt;Turing&lt;/strong&gt;. Em 1936 (&lt;em&gt;a II.ª Guerra Mundial começou em 1939, tendo o Partido Nazi subido ao poder em 1933, no mesmo ano que Salazar criou o Estado Novo em Portugal, como visto em&lt;/em&gt; &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1091223.html"&gt;&lt;span style="color: #0000ff;"&gt;Cadeira Negra&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;) ele criou o conceito do que é hoje chamado de &lt;strong&gt;Máquinas de Turing&lt;/strong&gt;, que foi o princípio teórico que esteve por detrás do desenvolvimento dos modernos computadores. Se estamos a usar estas máquinas maravilhosas neste momento deve-mo-lo também a este matemático!&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border-color: black;" src="http://www.cognoscomm.com/mm/MT05.jpg" border="0" alt="" width="500" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;sup&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Em «A Mente Virtual» &lt;span style="font-family: &amp;#39;Comic Sans MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Times New Roman&amp;#39;; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Times New Roman&amp;#39;;"&gt;Roger &lt;span style="font-family: &amp;#39;Comic Sans MS&amp;#39;; mso-fareast-font-family: &amp;#39;Times New Roman&amp;#39;; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SA; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;#39;Times New Roman&amp;#39;;"&gt;Penrose &lt;/span&gt;(1989)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma Máquina de Turing é um conceito teórico que surpreendentemente é equivalente a qualquer computador moderno (ou mais correctamente qualquer computador moderno é uma Máquina de Turing física mas mais limitada). &lt;span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;É uma máquina sem existência física e pode existir em papel, em mecanismos físicos, numa mente. Um computador na cabeça de qualquer pessoa! &lt;span style="font-size: small;"&gt;Uma Máquina de Turing é um conjunto de instruções directas sobre como lidar com uma série de zeros e uns. E todos os computadores agem assim também. As instruções podem ser algo tão simples como «Se encontrar um 0 substitua por 1, se encontrar um 1 passe para o número seguinte». Como qualquer Máquina de Turing (computadores incluídos), tem uma entrada de dados, operações a fazer com os dados e uma saída de dados. Pode-se pensar numa fita de papel com 0's e 1's escritos como entrada, um mecanismo para ler as instruções e realizá-las sobre os dados de entrada e a fita com os dados processados na saída. O mecanismo de leitura e processamento de dados pode ser uma máquina calculadora, um computador ou mesmo um animal. O importante é que tenha como reconhecer os dados e possa levar a cabo as suas instruções.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"&gt;Um exemplo muito simples de uma Máquina de Turing podia ser a que adiciona 1 a um número dado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="font-family: mceinline;"&gt;ARTIGO INCOMPLETO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2009-08-16T08:16:00</issued>
    <title>Egrégios ventos</title>
    <published>2009-12-20T14:00:12Z</published>
    <updated>2010-01-01T18:14:44Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: left"&gt;&lt;img style="width: 127px; height: 73px" border="0" alt="" align="right" width="132" height="99" src="http://cognoscomm.com/mm/Bdprt0.gif" /&gt;&lt;i&gt;Olho pela minha janela e, lá fora, vejo uma bandeira&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left"&gt;&lt;i&gt;portuguesa drapejando ao vento. O seu verde imaculado&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left"&gt;&lt;i&gt;reflectia-se&lt;/i&gt; &lt;i&gt;nos extensos campos à sua volta e o seu ígneo&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left"&gt;&lt;i&gt;vermelho no sol&lt;/i&gt;&lt;i&gt; que se punha ao longe.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;Mas de onde vieram estas cores? Porque foram estas as escolhidas para a bandeira? Ao longo dos seus, feitos em 2009, 881 anos de vida (870 anos se se contar a partir da aprovação papal), Portugal teve várias bandeiras. Pelo menos 15 bandeiras representaram este pequeno grande rectângulo plantado à beira-mar (podem ser vistas no final do artigo). Desde as bandeiras quadradas brancas com a cruz a azul dos primeiros Reis, à mesma mas com um rebordo vermelho com castelos, rectangulares com fundo totalmente branco ou com o fundo dividido numa parte azul e outra branca, até à actual vermelha e verde, várias bandeiras representaram este pequeno território que deu novos mundos ao Mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;A História de Portugal começa, paradoxalmente, no meio da actual França, algures no século IV. Durante as invasões hunas do Império Romano, no século IV, várias tribos germânicas, fugindo aos hunos, espalharam-se pelo Império Romano do Ocidente: os Francos no que viria a tornar-se a moderna França, Visigodos, Vândalos, Alanos na península ibérica. Outros povos se lhes juntaram como os Suevos e os Burgúndios. Os primeiros dirigiram-se para a Península Ibérica. Os últimos, vindos da Escandinávia, instalaram-se na região onde é a actual Dijon, perto dos Francos. Aí fundaram o seu reino, a Burgúndia, que existiu até ser anexada pelos reis francos da dinastia merovíngia (&lt;i&gt;sim, a mesma que é referida no livro como tendo sido fundada pelos descendentes de Jesus&lt;/i&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;img border="0" hspace="5" vspace="5" align="left" width="200" height="200" alt="" src="http://cognoscomm.com/mm/BdprtBrg.gif" /&gt;A Burgúndia, que ocupava sensivelmente a região da Borgonha actual, manteve alguma da sua autonomia dentro do reino franco e tornou-se mesmo um ducado influente dentro do reino, tendo um dos Duques da Borgonha se tornado Rei dos Francos em 923. Da família real burgúndia viria a nascer, em 1035, Henrique, Duque da Burgúndia. Teve um total de 7 filhos, tendo o mais novo, nascido em 1066, recebido o nome do pai, Henrique. Como filho mais novo, nunca herdaria o Reino da Burgúndia, pelo que abandonou a sua casa, em 1090, para acompanhar o seu primo, Raimundo da Burgúndia, que se vinha casar com a filha mais velha do Rei de Leão e Castela de nome Urraca, com 12 anos. Tendo-se juntado a Afonso VI de Castela e Leão na Reconquista Cristã na Península Ibérica, Henrique destacou-se na luta contra os Mouros, &lt;i&gt;a grande maioria não era Árabe. Árabes são os oriundos da Arábia e a maioria dos conquistadores muçulmanos, i.e., que professavam o Islão, eram oriundos de Norte de África, da região conhecida pelos Romanos como Mauritânia. Daí o nome do país e também o de Mauros, que se tornou em Mouros. Camões, nos Lusíadas, refere-se aos Mouros como Mauros e eis o porquê)&lt;/i&gt;. Pelos seus feitos, Afonso VI deu-lhe a mão da sua filha bastarda Teresa (&lt;i&gt;Tareja&lt;/i&gt; em Português arcaico) em casamento. O primo de Henrique, Raimundo da Burgúndia, casado com Urraca de Castela, tinha-se tornado Conde da Galiza, Conde de Portugal (Condado portucalense) e Conde de Coimbra. Afonso VI, como recompensa pelo valor de Henrique na Reconquista, separou, em 1093, a Galiza em duas: o norte ficou para Raimundo e o sul, o Condado Portucalense e o Condado de Coimbra, para Henrique. Desde essa altura que as duas regiões, o Norte de Portugal e a Galiza, partilham uma herança comum, reforçada pelo sangue de dois primos divididos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;img border="0" hspace="5" alt="Estátua de D. Afonso Henriques, em Lisboa" vspace="5" align="right" height="200" wdth="96" src="http://cognoscomm.com/mm/BdprtAfH.jpg" /&gt; Raimundo morreu em 1107 e Urraca tornou-se, em 1109, Rainha da Galiza, Leão e Castela, (a primeira mulher a tornar-se Rainha de um país ocidental) após a morte do príncipe herdeiro, Sancho, que morreu na infância, e do pai, em 1179. Ao longo do seu reinado, enfrentou problemas internos, com o ex-marido Afonso I de Aragão e com o cunhado, conde D. Henrique. Em 1125, a Rainha Urraca morreu, treze anos antes do seu sobrinho, D. Afonso Henriques, se ter proclamado Rei de Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;D. Henrique usava, como estandarte na sua luta contra os Mouros, um escudo com uma cruz azul e fundo branco. D. Afonso Henriques, &lt;i&gt;o Conquistador&lt;/i&gt;, que se proclamou Rei de Portugal em 1139 (após a Batalha de Ourique, na qual venceu um exército mouro numericamente superior) usou o estandarte do pai como o seu, acrescentando à cruz 5 escudetes (chamados também &lt;b&gt;quinas&lt;/b&gt;) com 11 pontos cada. É difundida a ideia de que as 5 quinas representavam as «chagas de Cristo», que D. Afonso Henriques terá visto antes da Batalha, mas esta lenda foi criada muitos séculos após os acontecimentos. O mais provável, é que fossem apenas pregos adicionados aos escudos para os reforçarem deixados visíveis para evidenciarem o facto de D. Afonso Henriques, ao tornar-se Rei, passava a cunhar moeda própria (Escudetes num brasão indicam, em heráldica, que quem o enverga pode cunhar moeda, tendo dinheiro e independência política para tal).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;Quando D. Sancho I, &lt;i&gt;o Povoador&lt;/i&gt;, sucedeu a seu pai, tomou como sua a bandeira do pai, eliminando a cruz azul e deixando as 5 quinas. Foi esta a bandeira usada pelos reis seguintes, o seu filho D. Afonso II, &lt;i&gt;o Gordo&lt;/i&gt; e o seu neto D. Sancho II, &lt;i&gt;o Capelo&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;img border="0" hspace="5" alt="Azeitona grafada" vspace="5" align="left" width="150" height="150" src="http://cognoscomm.com/mm/BdprtGfAzt.jpg" /&gt;&lt;i&gt;D. Afonso II também é conhecido pelo cognome «o Gafa». Na Idade Média, as pessoas com Lepra eram chamadas de «leprosos», «lázaros» e «gafos». A Gafa da Oliveira (ver a página&lt;/i&gt; &lt;a href="http://home.utad.pt/~ltorres/documentos_pdf/gafa.pdf"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Gafa da Azeitona&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;) é uma doença que atinge as oliveiras e em especial as azeitonas nas árvores e que lentamente destrói a azeitona a partir de uma depressão inicial provocada pela picada da mosca que transmite o vírus pela sua saliva, que é também o meio de transmissão de uma pessoa para outra. O aspecto acastanhado e rugoso que a azeitona ganha levou a que fosse aplicada aos doentes com Lepra e os hospitais para leprosos eram conhecidos como «Gafarias». D. Afonso II seria provavelmente leproso.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;Em 1245, o Papa Inocêncio IV, através da bula &lt;i&gt;Inter alia desiderabilia e Grandi non emmerito&lt;/i&gt; excomungou e depôs D. Sancho II, considerando-o um «rex innutilis» (governante incapaz) devido a conflitos com os interesses da igreja em Portugal. Então D. Afonso III, &lt;i&gt;o Bolonhês&lt;/i&gt;, irmão mais novo de D. Sancho II, deixou o Condado de Bolonha, no norte de França (onde era conde por casamento), foi coroado Rei de Portugal. D. Afonso III subiu então ao trono e, não sendo o filho mais velho o anterior monarca, teve de utilizar a bandeira do pai com alterações (regras da heráldica). Incorporou então uma borda vermelha com castelos dourados. O significado dos castelos não é claro. Vários cronistas indicam que se trata da representação dos castelos mouros que Afonso III conquistou (sendo que o número referido é variável). Há também quem veja nos castelos dourados sobre fundo vermelho a alusão ao brasão do Reino de Castela: um castelo dourado sobre um fundo vermelho. Ou porque a sua mãe Urraca era de Castela ou porque casou (depois de se separar da Condessa de Borgonha) com uma infanta castelana, D. Beatriz. O número de 7 castelos foi apenas definitivamente estabelecido no século XVI.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;img border="0" hspace="5" alt="Bandeira de D. Afonso III" vspace="5" align="right" width="100" height="100" src="http://cognoscomm.com/mm/BdprtAfiii.gif" /&gt;A bandeira portuguesa não sofreu grandes alterações durante os aproximadamente 200 anos seguintes (cerca de 12 monarcas), desde D. Afonso III, &lt;i&gt;o Bolonhês&lt;/i&gt;; passando por D. Dinis, &lt;i&gt;o Lavrador&lt;/i&gt; (que mandou plantar o pinhal de Leiria e foi grande poeta); D. Pedro I, &lt;i&gt;o Justiceiro&lt;/i&gt; (que mandou vingar a morte da sua amante D. Inês de Castro); D. João I, &lt;i&gt;o da Boa Memória&lt;/i&gt; (por a ter deixado na mente dos seus súbditos, foi pai da Ínclita Geração e iniciou os Descobrimentos portugueses); D. João II, &lt;i&gt;o Príncipe Perfeito&lt;/i&gt; (no seu reinado os Descobrimentos começavam a trazer prosperidadee felicidade a Portugal). A primeira alteração de vulto deu-se com D. Manuel I, &lt;i&gt;o Venturoso&lt;/i&gt; (por ter tido a ventura/sorte de usufruir de todos os feitos do seu primo e predecessor D. João II), quando ascendeu ao trono, em 1495 (80 anos após o início da expansão portuguesa, com a conquista de Ceuta em 1415 por D. João I). A forma quadrada passou a uma forma rectangular com proporção 2:3 (ou seja, a cada 2 centímetros de altura da bandeira correspondem 3 centímetros de comprimento). &lt;i&gt;Por comparação, as proporções dos ecrãs de televisão são 4:3 ou então 16:9&lt;/i&gt;; além disso, a borda vermelha com castelos dourados passou para o brasão central, tendo no centro as 5 quinas. Coroando o brasão, uma coroa representativa do facto de esta ser a bandeira de um reino. Quando o seu bisneto, D. Sebastião, &lt;i&gt;o Desejado&lt;/i&gt;, morreu na Batalha de Alcácer-Quibir (ver mais pormenores em &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1040414.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Um por todos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/669259.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Ceuta aeterna dolor&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;), Portugal teve, como bandeira, a bandeira espanhola.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;Durante 60 anos, Portugal foi governado por representantes dos Reis espanhóis. Até que, a 1 de Dezembro de 1640, D. João IV, &lt;i&gt;o Restaurador&lt;/i&gt; liderou uma revolta nacional e restaurou a independência (com algumas perdas territoriais, como Ceuta e o Império Português do Oriente, como visto em &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1072231.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Nova e demónios&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;), a bandeira portuguesa voltou a ser a que ea antes da perda da independência: fundo branco com um brasão central encimado por uma coroa. Em 1807, a família real portuguesa foge das invasões francsas, mudando radicalmente os destinos de Portugal (ver &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1077656.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Jardins cor-de-rosa&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;Um dessas alterações foi na bandeira portuguesa. &lt;img border="0" hspace="5" alt="Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves" vspace="5" align="left" width="183" height="250" src="http://cognoscomm.com/mm/BdprtJiv.gif" /&gt;Residindo o rei no Brasil, o seu estatuto passou de colónia para reino e assim D. João VI passou a ser Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves. A esfera armilar, representativa dos descobrimentos portugueses e do Brasil e a cor azul foram inseridos pela primeira vez na bandeira nacional (desde D. Manuel I que a esfera armilar fazia parte do estandarte real ma não da bandeira nacional). Mas, na enorme reviravolta na história de Portugal que foi a Independência do Brasil e a subsequente Guerra Civil, duas facções lutaram pelo poder político: os Absolutistas, partidários de D. Miguel, e os Liberais, partidários de D. Pedro. Tendo-se exilado nos Açores, os Liberais não adoptaram a bandeira existente, introduzindo alterações: a esfera armilar desapareceu, a cor azul passou a ser metade do fundo de toda a bandeira, com o brasão central no meio das duas cores. Eventualmente o Liberais ganharam a Guerra Civil e a bandeira nacional passou a ser a bandeira liberal de fundo branco e azul, sem esfera armilar. D. Maria II assumiu a governação e a bandeira sofreria mais uma alteração: a cor azul passou a ocupar um terço (1/3) da bandeira e a cor branca dois terços (2/3), reflectindo o estandarte da marinha portuguesa.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;E foi esta bandeira liberal a de Portugal durante os 76 anos seguintes, ao longo dos 6 últimos monarcas portugueses. A 5 de Outubro de 1910 foi instaurada a República em Portugal, depondo D. Manuel II, &lt;i&gt;o Desventurdo&lt;/i&gt; (por ter tido o azar de ser o último Rei de Portugal e governar apenas 2 anos). Houve muitos debates sobre como deveria ser a nova bandeira nacional, já que a anterior tinha vários símbolos da Monarquia e o azul era a cor da Santa Padroeira de Portugal. Como os Republicanos eram laicos (defendiam a separação entre Estado e Igreja), foi nomeada uma Comissão para decidir como deveria ser a nova bandeira. Entre outros, faziam parte Columbano Bordalo Pinheiro (pintor e irmão de Rafel Bordalo Pinheiro, o criador da figura do «Zé Povinho»), João Chagas (jornalista), Abel Botelho (escritor) e Ladislau Pereira e Afonso Palla (líderes militares da Revolução). &lt;img border="0" hspace="5" alt="Zé Povinho, sempre desconfiado de Monárquicos e Republicanos" vspace="5" align="right" width="130" height="250" src="http://cognoscomm.com/mm/BdprtZpv.jpg" /&gt;Foi esta comissão que aprovou a bandeira nacional actual como a bandeira de Portugal. O azul e branco monárquico foi substituido pelo vermelho e verde republicano, a esfera armilar foi reintroduzida, a coroa desapareceu e mas as proporções 1/3 e 2/3 das cores da bandeira foram preservadas. O vermelho e verde (que eram simplesmente as cores do Partido Republicano que tinha feito a Revolução) foram justificados porque o vermelho foi considerado uma cor de conquista e alegria, a cor do sangue e representativa de vitória. O verde foi mais difícil de justificar, já que nunca tinha feito parte da bandeira nacional, tendo a comissão acabado por a justificar dizendo que, durante a revolução republicana de 1881, reprimida brutalmente pelas tropas monárquicas, era esta a cor da bandeira dos revoltosos republicanos, vencidos e exilados quando a tentativa de revolução falhou (29 anos depois é que a Revolução foi bem sucedidda). A esfera armilar é o símbolo dos Descobrimentos Portugueses, a época de ouro de Portugal e a época de maior orgulho na nossa História.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt;As cores da bandeira derivam da do Partido Republicano Português: o vermelho é uma das cores tradicionais do Federalismo Ibérico, uma ideologia Socialista-Republicana muito comum no início do século XX e que defendia a união política entre Portugal e Espanha; o verde era a cor que, segundo Augusto Comte, teórico do positivismo (doutrina filosófica muito cara aos mentores do PRP, designadamente Teófilo Braga), convinha aos homens do futuro, isto é, aos positivistas.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;Em 1928, a Primeira República foi deposta, uma ditadura militar foi imposta e Salazar tornou-se ministro das Finanças. Em 1933, a Constituição foi alterada e o Estado Novo foi criado. Como qualquer outra Ditadura, como forma de se auto-justificar, auto-glorificar e desviar as atenções da população oprimida para símbolos exteriores à miséria da sua vida, a Censura foi implementada, a Religião e o Futebol foram manejados para limitar as vistas nacionais e o passado histórico foi subvertido. Algumas dessas manipulações sociais são abordadas em &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1091223.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Cadeira Negra&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;. Uma das pequenas subversões da realidade histórica deu-se com a justificação das cores nacionais: tendo a Primeira República sido o Regime extinguido pelo Estado Novo, as cores nacionais não poderiam ser associadas às do Partido do Regime anterior. Pelo que as explicações, que a maioria dos Portugueses ouviu na Escola Primária, passou a ser a de que o verde é a cor da esperança (para passar a mensagem subliminar que as dificuldades que as pessoas sentiam passariam) e de que o vermelho é a cor do sangue dos que e sacrificaram por Portugal (justificação para o carácter nacionalista do regime e incentivo para os jovens portugueses se disporem morrer na Guerra Colonial a exemplo dos heróis portugueses do passado).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;b&gt;E eis a História do símbolo nacional por excelência mas que se alterou ao sabor dos ventos da História e da Política que sopraram neste pequeno e velho jardim europeu...&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;img border="2" hspace="5" alt="Bandeiras de Portugal" vspace="5" align="middle" width="500" height="567" src="http://cognoscomm.com/mm/Bdprt_his.gif" /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt;Bandeiras de Portugal&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2009-04-05T19:24:00</issued>
    <title>Cadeira negra</title>
    <published>2009-12-20T14:00:12Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:12Z</updated>
    <content type="html">&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/GGCrv.jpg" width="100" height="100" align="left" border="0" /&gt;Quando se fala na História recente de Portugal, o 25 de Abril de 1974 é incontornável. Quando ocorreu, terminou com um regime autoritário que vigorava desde 1933 (o mesmo ano em que os Nazis subiram ao poder na Alemanha). Como todos os regimes autoritários (sejam de inspiração de Esquerda ou Direita), manteve-se no poder limitando as liberdades das pessoas, censura, auto-promoção (geralmente falsa ou exagerada), xenofobia e intolerância para com opiniões discordantes ou simplesmente diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, como recentemente vergonhosamente se notou num programa televisivo que pretendia eleger o maior Português de sempre, muitas pessoas em Portugal ainda conservam uma visão idealista e positiva desse período negro da História portuguesa na qual a inteligência nacional foi reduzida a meia dúzia de apoiantes do regime, em que a força nacional foi reduzida a trabalhos braçais, em que a população em geral foi reduzida à ignorância, ao alcoolismo e à aceitação cega das normas sociais através do medo e da desconfiança.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Uma palavra sobre o analfabetismo durante o Estado Novo. São ainda comuns as escolas construídas durante esse negro período. Muitos (eu incluído) estudaram numa escola primária construída nessa altura e o meu ensino secundário também (os famosos liceus de um só bloco e dois ou mais andares. Será que aqui houve um aspecto positivo no negrume em que este «senhor» mergulhou Portugal? Assim poderia parecer mas apenas nos anos 60 houve um investimento grande na construção de escolas em Portugal, já no final da sua (des)governação, que terminou em 1968 após uma queda de uma cadeira. O Estado Novo era marcado por uma estrutura social hierarquizada, em que as pessoas que nasciam numa determinada classe social nela permaneciam. A maioria dos jovens, após acabar o ensino primário, deixavam os estudos e começavam a trabalhar. A educação era reservada à pequena elite que apoiava a ditadura. A iletracia (a capacidade de comunicar ideias e de perceber o que lhes é comunicado, oralmente ou acima de tudo de forma escrita) desde a Monar&lt;big&gt;qui&lt;/big&gt;a era muito baixa e assim permaneceu. Não convinha à ditadura que os cidadãos passassem a ter opiniões formadas e pensassem por si...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/GGMrt.jpg" width="185" height="210" align="right" border="0" /&gt;Um argumento que, muitas vezes, surge em conversas sobre esse período é o de que esse «senhor» nos «livrou da Grande Guerra» (referência à II.ª Guerra Mundial). Claro que não nos livrou de 13 anos de Guerra Colonial (1961-1974), em que o papel de Portugal no Mundo foi ridicularizado, em que uma geração inteira de jovens foi morta, mutilada e psicologicamente marcada, com os custos pessoais e sociais decorrentes. Também uma História de 900 anos foi denegrida e transformada em propaganda de Estado. Mas terá Portugal «sofrido» menos com a Guerra Colonial (13 anos) do que teria sofrido se tivesse entrado na II.ª Guerra Mundial (6 anos)?&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Esta e mais imagens em &lt;/i&gt;&lt;a href="http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?p=112597" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;FórumDefesa.com&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analise-se os números referentes à mortalidade de uma e de outra. Como é natural, para se poder fazer uma mais correcta comparação (se é possível comparar assim tão friamente acontecimentos tão traumáticos como guerras), é necessário ter-se o mesmo sistema de referência, neste caso períodos de tempo com a mesma amplitude. Ao longo dos 13 anos de conflito, &lt;big&gt;&lt;b&gt;8 289&lt;/b&gt;&lt;/big&gt; militares portugueses perderam a sua vida e 112 205 ficaram mutilados com deficiências permanentes.&lt;br /&gt;&lt;code&gt;Fonte pormenorizada sobre os mortos e deficientes militares portugueses no conflito:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.guerracolonial.org/specific/guerra_colonial/uploaded/graficos/estatiscas/deficientes.swf" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Guerra colonial - Estatística de feridos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.guerracolonial.org/specific/guerra_colonial/uploaded/graficos/estatiscas/mortos.swf" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Guerra colonial - Estatística de mortos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;/code&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estatísticas referentes à II.ª Guerra Mundial podem-se analisar na tabela:&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img alt="Soldados mortos na II.ª Guerra Mundial por país" src="http://cognoscomm.com/mm/GGiig.gif" width="500" height="280" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;                 &lt;b&gt;fonte: &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties"&gt;http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_&lt;wbr /&gt;II_casualties&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Nunca me deixam de surpreender as baixas sofridas pela URSS nesta guerra:&lt;br /&gt;23 milhões e 100 mil mortos! Dava mais de duas vezes a população portuguesa morta 2 vezes em apenas 6 anos! E só em termos de soldados, uma população inteira portuguesa pereceu. Falamos de jovens na flor da idade...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="D. Filipa de Lencastre, mãe da Ínclita Geração" src="http://cognoscomm.com/mm/GGFl.jpg" width="123" height="150" align="left" border="0" /&gt;A ligação entre Portugal e o Reino Unido é curiosa, dado o laço histórico que os liga desde que D. João I casou com a princesa inglesa D. Filipa de Lencastre. Tal como Portugal na Guerra Colonial, o Reino Unido também não foi invadido (ainda que muitos civis tenham morrido nos bombardeamentos sofridos), tendo os seus soldados combatido fora do país (nas colónias ultra-marinhas que tinha e no continente europeu). Curiosamente até, Portugal iniciou a Guerra Colonial com armamento antiquado da II.ª Guerra Mundial. O Reino Unido foi um actor importante em todo o teatro da guerra (durante algum tempo esteve «orgulhosamente só» na oposição ao regime nazi que engolia sofregamente uma Europa continental cansada ainda da barbárie da I.ª Guerra Mundial. Uma grande diferença é o facto de Portugal não ter nem 9 milhões de habitantes durante a Guerra do Ultramar, enquanto o Reino Unido tinha menos mas perto de 48 milhões, o que torna os nossos números bem mais dramáticos, se compararmos o número de mortos e feridos com o total da população. Mas a propaganda salazarista só «lembrava» que Portugal não entrou na II.ª Guerra Mundial, «esquecendo» a barbaridade da Guerra Colonial, que dizimou uma geração de jovens portugueses, marcando-os para toda a vida, sem contar com a população africama que sofreu directamente o impacto da guerra. A única coisa «boa» de tudo poderá ter sido o facto de essa ser a semente que levou, em 1974, à queda deste regime cego ao sofrimento nacional, aos custos da sua teimosia e às consequências.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ou seja, Portugal foi «salvo» da II.ª Guerra Mundial mas perdeu e fez perder inúmeras vidas, comparando com um dos intervenientes principais dessa Guerra, o Reino Unido, tendo menos de um quinto da população! Esse «senhor» não nos salvou de nada, apenas adiou para a geração seguinte o sofrimento e a mortandade. Com isso, perdeu-se a oportunidade de criar uma Commonwealth portuguesa, com descolonizações bem-feitas e com ganhos para todos.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, «lembram-nos» também quem irracionalmente advoga o «bem» do velho regime, economicamente Portugal estava bem: graças às poupanças desse dito «senhor», o ouro acumulou-se no Banco de Portugal. Não só não sei quantas bocas alimenta ouro num cofre como esta argumentação (mais uma manobra propagandista desse regime) ignora factos importantes: o dinheiro que Portugal recebeu indevidamente em ajudas para a reconstrução de uma guerra na qual não participou e os custos de uma guerra que exauriu os recursos nacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Cartaz de promoção do Plano Marshall" src="http://cognoscomm.com/mm/GGPlMrsCrtz.jpg" width="109" height="150" align="right" border="0" /&gt;Indevidamente, depois de cobardemente brincar com Aliados (tendo em mente o tratado de Windsor que nos ligava ao RU) e com as Potências do Eixo (esse «senhor» era admirador dos regimes totalitários Nazi alemão e Fascista italiano), recebeu dinheiro dos EUA, no final da guerra, para ajudar na reconstrução pós-guerra. Portugal, que foi apenas ligeiramente beliscado pela ocupação da colónia de Timor Leste pelos Japoneses em 1942. Poderão dizer os mais afoitos admiradores desse «senhor» que receber indevidamente dinheiro que poderia ter sido usado para ajudar verdadeiras vítimas da barbárie nazi e do conflito militar na Europa foi uma jogada inteligente. Não foi inteligente, foi jogada de esperto saloio sem moral. E ainda fez de conta que recusou (e ainda há quem pense erradamente que recusou), para receber depois a fatia toda em 1951...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Plano Marshall foi estabelecido em 1947 na sequência de um discurso do Secretário de Estado George Marshall, general do exército americano, que recebeu o Prémio No&lt;u&gt;bel&lt;/u&gt; da Paz, em 1953, homenageando o Plano. O Plano consistia em reconstruir uma Europa devastada pela Guerra, impedindo que a miséria impelisse o surgimento de estados comunistas na Europa Ocidental. Para isso, os EUA, entrre 1949 e 1951, disponibilizaram um total de 12 milhões e 721 mil Dólares. Utilizando uma simples conversão, encontrada em &lt;a href="http://www.measuringworth.com/ppowerus/result.php" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Measuring Worth&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, permite verificar que $US 1 de 1947 equivalia a aproximadamente $US 9,64 actuais. Utilizando ainda outra conversão, de dólares para euros (à data em que escrevo o artigo), disponibilizada em &lt;a href="http://www.x-rates.com/calculator.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Currency calculator&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, verificamos que $US 1 actual são 0,715717 . Compilando tudo numa tabela obtemos os seguintes valores:&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img alt="Plano Marshall" src="http://cognoscomm.com/mm/GGplMr.gif" width="420" height="431" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;code&gt;&lt;b&gt;fonte: &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marshall_plan" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Wikipedia - Marshall Plan&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;/code&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Outros países europeus usaram o dinheiro para se desenvolveram, para benefício dos seus habitantes. Dessa forma, tornaram-se prósperos, desenvolvidos e pacifistas. Ao contrário, esse «senhor» preferiu meter o dinheiro debaixo do colchão, deixar morrer de fome e pobreza as pessoas, fomentou o alcoolismo e a histeria religiosa, reduziu a expressão cultural do país a jogos de Futebol. Portugal tornou-se mais míope, mais xenófobo, mais atrasado e mais submisso à autoridade estatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Como medida de comparação, registe-se que Portugal, nos últimos 20 anos, recebeu um total de 48 322 milhões de euros (fonte: &lt;a href="http://www.mundolusiada.com.br/COLUNAS/ml_artigo_092.htm" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Jornal Mundo Lusíada&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Moeda corrente, valor actual do Euro. O Escudo português do Estado Novo não valia os aproximadamente 0,0005 Euros de aquando da transição (1 = 200$482). Não tenho dados para fazer uma transição correcta entre o valor do Escudo no Estado Novo e o seu valor aquando da transição para o Euro. Mas registo que o actual PIB de Portugal, de acordo com &lt;a href="https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/po.html#Econ" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;CIA&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, é de 237 mil milhões de US$, ou cerca de 170 mil milhões de  (34 milhões de contos). Não esquecer que, como visto em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/633623.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Cardinando&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, 1 bilião nos EUA corresponde a 1 mil milhões na Europa.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Savana africana" src="http://cognoscomm.com/mm/GGSvAf.jpg" width="150" height="200" align="left" border="0" /&gt;Além disso, Portugal usufruía, no altura, das riquezas minerais do territórios que colonizou em África (Petróleo, Ouro, Diamantes,...). Dirão talvez, os que cegamente poderão advogar favoravelmente essa Idade das Trevas portuguesa que foi o Estado Novo: «Então foi para conservar essas riquezas em mãos portuguesas que fomos para a Guerra». Na verdade, tivesse Portugal dado progressivas autonomias às suas colónias, fomentado a educação e o desenvolvimento das populações sobre o seu jugo e teria continuado a usufruir, em níveis de progressiva maior igualdade, das riquezas das colónias (e eventualmente países irmãos) sem ter sacrificado uma geração inteira de valentes jovens portugueses (e gerações de valentes angolanos, moçambicanos, guineenses, cabo-verdianos). Em termos de Despesas &lt;b&gt;Financeiras&lt;/b&gt; da Guerra (as Humanas são impossíveis de contabilizar), remeto novamente para a mesma excelente página virtual sobre a Guerra Colonial, desta vez para as &lt;a href="http://www.guerracolonial.org/specific/guerra_colonial/uploaded/graficos/custos/custosguerra.swf" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;despesas financeiras da Guerra Colonial&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; (&lt;i&gt;não lhe chamo «Guerra do Ultramar», porque essa é uma denominação do Estado Novo destinada a fomentar a ideia errada que os territórios em África eram Portugal, quando na verdade foram apenas terras que expropriámos aos seus habitantes&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado português, durante a Guerra Colonial, gastou cerca de 85 mil contos com Despesas Extraordinárias nas Forças Armadas (ou seja, além do Orçamento normal de gestão do Estado). De acordo com o OE para 2008, o Ministério da Defesa teve um total de despesas de 1215,5 M, cerca de 3% do PIB nacional desse ano. (fonte: &lt;a href="http://www.portaldasaude.pt/NR/rdonlyres/6925F742-2C8D-48C5-ACE1-724222181670/0/rel2008.pdf" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Orçamento de Estado para 2008&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;. Durante os anos de guerra, gastou uma média de 35,15% do Orçamento de Estado com as Forças Armadas. Ou seja, hoje teria gasto cerca 247 mil M na guerra. Do Plano Marshall tinha recebido o &lt;b&gt;dobro&lt;/b&gt; desse dinheiro indevidadmente! Os polémicos &lt;a href="http://www.bolsatotal.com/showthread.php?t=16472" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;estádios do Euro 2004&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;  custaram um total de 323 M; o &lt;a href="http://www.mundopt.com/n-tgv-vai-custar-o-dobro-da-ota-8177.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;TGV&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; poderá custar mais de 7 mil M; o &lt;a href="http://www.mundopt.com/n-custos-do-aeroporto-da-ota-estao-subestimados-9451.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;novo aeroporto da Ota&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; cerca de 3 mil M. Qualquer uma dessas despesas é irrisória face aos custos financeiras e humanos da Guerra Colonial!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/GGMp.jpg" width="178" height="210" align="right" border="0" /&gt;De que nos «salvou» esse dito «senhor»? Estou para saber. Aproveitando a desordem social e económica do país após o regicídio de 1908, a instabilidade económica da desastrosa participação de Portugal na I.ª Guerra Mundial (ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/569993.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Portugal de Primeira&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;), transformou-se de Ministro das Finanças em 1928 em ditador português em 1933. Pelo caminho, isolou Portugal do Mundo, coarctou a inteligência nacional com efeitos que ainda hoje se sentem, pactuou com outros regimes ditatoriais para a expropriação de inocentes (o «ouro» que meteu ao bolso roubado às vítimas do Nazismo), militarizou e mutilou psicologicamente crianças com a sua Mocidade Portuguesa, meteu-nos numa sanguinária guerra contra povos que apenas queriam ter direito de estabelecerem o seu próprio rumo, matou dessa forma milhares de pessoas, roubou aos pobres para dar a uns poucos ricos, semeou desconfiança, xenofobismo e racismo, transformou a fantástica História de Portugal num mero fantoche para auto-promoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que nos salvou esse «senhor»? Antes a pergunta&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;big&gt;«Há algo em que este «senhor» não nos tenha prejudicado?»&lt;/b&gt;&lt;/big&gt;&lt;br /&gt;Caso para &lt;u&gt;beatificar a célebre cadeira&lt;/u&gt; de que caiu, não fosse o facto de ter demorado tanto tempo a livrar-nos desse cancro social...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo aqui as palavras de um dos nossos maiores poetas, Fernando Pessoa (1988-1935), que foi contemporâneo desse «senhor» (morreu dois anos após a instauração da ditadura):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SALAZAR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António de Oliveira Salazar.&lt;br /&gt;Três nomes em sequência regular...&lt;br /&gt;António é António&lt;br /&gt;Oliveira é uma árvore&lt;br /&gt;Salazar é só apelido.&lt;br /&gt;Até aí está bem.&lt;br /&gt;O que não faz sentido&lt;br /&gt;É o sentido que tudo isto tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este senhor Salazar&lt;br /&gt;É feito de sal e azar.&lt;br /&gt;Se um dia chove,&lt;br /&gt;A água dissolve&lt;br /&gt;O sal&lt;br /&gt;E sob o céu&lt;br /&gt;Fica só azar, é natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, c'os diabos!&lt;br /&gt;Parece que já choveu...</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2009-02-20T19:30:00</issued>
    <title>Mentes aplanadas</title>
    <published>2009-12-20T14:00:13Z</published>
    <updated>2009-12-30T21:28:48Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt;Olhando o longínquo horizonte, vejo que um barco se aproxima: primeiro surgem as velas, orgulhosas na sua alvura, depois timidamente se revela o casco, como uma tímida donzela na sua noite de núpcias: só após descobrir o alvo véu se entrega à rubra paixão.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;img border="0" alt="" align="right" width="214" height="136" src="http://cognoscomm.com/mm/GmElp.gif" /&gt;Este é um fenómeno que qualquer um, tendo a isso prestado atenção, se terá já apercebido. Primeiro avista-se o topo de objectos distantes (as velas de um barco, o cume de distantes montanhas) e só depois a sua base. Isto ocorre pelo facto de a Terra ser uma esfera (na verdade uma elipsóide, uma elipse que, ao girar ao longo de um dos seus eixos, produz uma figura tridimensional como a de uma bola de Râguebi. &lt;b&gt;Particularmente, trata-se de um esferóide, um elipsóide com dois eixos de igual comprimento, como notou «Fernando Vouga» no comentário que aqui deixou&lt;/b&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;A Terra, que se não rodasse seria uma esfera, gira sobre o seu eixo, desta forma distorcendo a sua forma (devido à força centrífuga, achata-se nos pólos). Devido também a essa rotação, existe a alternância entre dias e noites. Como o eixo de rotação da Terra não é perpendicular à sua órbita em volta do Sol, a rotação faz com que a inclinação em relação aos raios solares dos diferentes hemisférios varie ao longo do ano, o hemisfério Norte e o hemisfério Sul alternando as estações (quando a Norte é Inverno no Sul é Verão). É um fenómeno facilmente observado e que não passa despercebido a quem olhe para o horizonte.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;Mas é comum a ideia de que, na Idade Média, se acreditava que a Terra era plana. Será que as pessoas não olhavam à sua volta? Não olhavam para o horizonte? E o que dizer sobre o papel da Religião Católica nisto tudo? &lt;img border="0" alt="Gravura de 1888, contida em «L&amp;#39;atmosphère : météorologie populaires», do Cosmógrafo francês Nicolas Camille Flammarion, a brincar com a noção de que a Terra e o Céu se tocavam" align="left" width="200" src="http://cognoscomm.com/mm/GmTp.jpg" /&gt;Bem, a verdade é que já no século IV AC (a Idade Média começou no século V DC, com a queda do Império Romano do Ocidente, à mãos de tribos germânicas fugidas às investidas hunas), filósofos naturalistas gregos (como Eudóxo de Cnides e Calipo de Cyzicus, na actual Turquia, propuseram o universo como formado por esferas, centradas na Terra; Heraclides propôs que a Terra girava sobre o seu eixo; Eratóstenes mediu a curvatura da Terra com grande precisão) tinham já afirmado que a Terra era esférica. Nesses perto de 900 anos que separam a Antiguidade Grega da Idade Média, esqueceu-se tão evidente observação? É também amplamente divulgada a história de que Colombo, contrariando a noção de que a Terra era plana, propôs a sua esfericidade e assim encontrar um caminho por Ocidente para a Ásia, diferente do caminho por Oriente depois encontrado pelos Portugueses, o que não corresponde à verdade histórica. &lt;i&gt;Ver mais sobre Eratóstenes e algumas das suas descobertas em &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/761376.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Campester numerus&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;Mas a verdade é que a visão de que a Terra era «redonda» (esférica ou elipsóide) era compreendida e aceite pela generalidade das pessoas ao longo da Idade Média. Seria até estranho que não o fosse: não só pela sua evidência ao olhar o horizonte como pelo facto de, na Idade Média, o conhecimento da Antiguidade Grega ser tida como autoridade máxima em muitas questões. Em 1945, a &lt;a target="_blank" ref="http://www.history.org.uk/"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Associação Histórica&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, baseada na Inglaterra, com o propósito de apoiar o estudo e a fruição da História a todos os níveis, criando um atmosfera que promove o estudo continuado e dá resposta às necessidades emergentes das pessoas que partilham um interesse pela História) listou o mito «Colombo e a Noção da Terra Plana» como uma das concepções erradas sobre História mais populares (listada como a segunda maior entre vinte). &lt;img border="0" alt="o Rei D João II, o príncipe perfeito" align="right" width="124" height="150" src="http://cognoscomm.com/mm/GmJii.jpg" /&gt;A questão perante a qual Colombo se defrontou para ganhar o apoio dos Monarcas espanhóis (depois de ver recusada a sua proposta de chegar à Índia pelo Ocidente pelo grande Monarca português, D. João II,&lt;i&gt; o príncipe perfeito&lt;/i&gt;) não foi sobre a possibilidade de chegar à Índia pelo Ocidente (obviamente possível já que a Terra era redonda) mas sim quanto às distâncias envolvidas e se elas permitiriam a uma tripulação humana lá chegar. Teve a sorte de encontrar, a meio caminho, um Continente pela maioria dos Europeus desconhecido, que viria a receber o nome de América (ver o artigo &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/771217.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Magnus Tellus&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; para a origem do nome dos Continentes). Até ao fim da sua vida, Colombo pensou que tinha chegado à Índia e daí os povos que lá viviam terem recebido o nome de «Índios» (modernamente opta-se pela designação «Ameríndios», para evitar confusões). Sobre Colombo há ainda que referir que ele designou, a ilha depois chamada de «Cuba», de «Isla Juana» em homenagem ao filho varão dos Reis espanhóis, Juan, príncipe das Astúrias, que morreu com 19 anos (em 1497), a caminho do casamento da sua irmã mais velha, D. Isabel, que se casou com o sucessor de D. João II, D. Manuel I, &lt;i&gt;o venturoso&lt;/i&gt;) pelo que a ideia de que Colombo era português, nascido em Cuba, Alentejo, e por isso ter assim chamado à ilha que descobriu, cai por Terra (pode até ter nascido português mas o nome de Cuba não remete para a localidade portuguesa). O nome «Cuba» terá vindo ou de «Cubao» (onde há terra fértil abundante) ou «Coabana» (grande local), da língua dos povos que moravam na ilha quando a expedição espanhol lá chegou. &lt;i&gt;A história de um Colombo a enfrentar a ideia generalizada de que a Terra seria plana terá surgido apenas no século 19, pelas mãos do ensaísta e autor norte-americano Washington Irving, numa ficção histórica de nome «A vida e viagens de Cristóvão Colombo» (The Life and Voyages of Christopher Columbus).&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;No entanto, apesar da noção de que a Terra era esférica (ou elipsóide) datar dos antigos Gregos, durante séculos não existiu a Matemática que permitisse estudar convenientemente a geometria desta Terra curva. Apesar de se saber que a Terra era curva, apenas a Geometria plana era conhecida. No século 3 AC, o matemático grego &lt;b&gt;Euclides&lt;/b&gt; de Alexandria escreveu a sua obra «Elementos» (dividida em 13 livros) e a Matemática ainda hoje se desenvolve com o espírito que Euclides usou na sua obra. Esquecida durante vários séculos, a sua obra foi dos primeiros livros a serem publicados, em 1482) usando a prensa recém-inventada (cujo primeiro livro que imprimiu, a Bíblia, em 1452) prensa de Gutemberg. Conjectura-se que, depois da Bíblia, é o livro mais vezes foi impresso, tamanho foi o seu sucesso e importância. (&lt;i&gt;Mais sobre Gutemberg e a origem da translinearização pode ser lido em &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1073433.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;42 regras&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;). Nesta importante obra, que dominou o pensamento matemático até hoje, Euclides parte de 5 axiomas (&lt;i&gt;um axioma é uma proposição que não carece de demonstração por ser intuitivamente evidente, como o célebre axioma de Descartes «Penso logo existo» que é obviamente verdadeiro&lt;/i&gt;) básicos e incontestáveis e, com base neles, construía uma série de demonstrações. &lt;img border="0" alt="" align="left" width="100" height="100" src="http://cognoscomm.com/mm/GmTr.jpg" /&gt;Um pouco como se, usando 5 expressões de uma Língua estrangeira, se fosse a um país onde ela era falada e, a partir das 5 expressões que se tinha, se fosse reconstruindo e aprendendo toda a Língua. Podia ser, por exemplo, «Bom dia», «Que horas são?», «Quanto é?», «Sim» e «Não». Mas como poderia entender as respostas não entendendo a Língua? Talvez fosse melhor «Não compreendo porque não falo a vossa Língua», «Pode-me mostrar o caminho para...», «Indique-me onde posso comer e dormir», «Explique com sinais de mãos o que quer dizer» e «O que acabei de dizer está correcto?». Talvez se governasse melhor com estas expressões, para poder ir aprendendo a Língua interagindo com os seus falantes. Talvez a expressão «Como se chama isto para o qual estou a apontar?» pudesse dar jeito e substituir uma das outras. Podia haver ainda outras expressões que ajudariam o pobre visitante a aprender a Língua do País que visitava. Provavelmente cada um teria a sua opinião sobre quais seriam as 5 expressões mais úteis para ajudar alguém, sem assistência, a aprender uma Língua estrangeira. Foi de uma base semelhante que Euclides partiu para demonstrar uma série de propriedades sobre várias figuras, fundando assim a Geometria como hoje a conhecemos, de uma forma tão sólida e incontestável que perdurou até aos dias de hoje como a única forma de se fazer Matemática (as relativamente recentes tentativas de utilizar demonstrações com base em cálculos gigantes efectuados por computadores não têm sido aceites pela comunidade matemática, como foi o caso do &lt;a target="_blank" href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/842930.html"&gt;&lt;font color="#0000ff"&gt;Mapa de 4 cores&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;).&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt;Partindo dos axiomas, demonstrava outras afirmações, usando-as também para demonstrações posteriores, uma construção de um imenso edifício com base em apenas 5 alicerces. &lt;img border="0" alt="" align="right" width="100" height="100" src="http://cognoscomm.com/mm/GmBrq.jpg" /&gt;Por exemplo, suponhamos que tínhamos estes axiomas, referentes a uma sala com 5 crianças e 10 brinquedos:&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; 1) Cada criança tem, pelo menos, um brinquedo;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; 2) Cada criança demora o mesmo tempo a arrumar um brinquedo;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; 3) As crianças só podem lanchar depois de arrumarem os brinquedos;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; 4) O Leonardo tem 4 brinquedos;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt;5) O último a chegar come pão com manteiga e não bolachas;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; Daqui poderíamos então fazer a seguinte afirmação (teorema):&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; &lt;b&gt;O Leonardo não comerá bolachas.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; Demonstração: Há 5 crianças e, pelo &lt;b&gt;axioma 4&lt;/b&gt;, o Leonardo tem 4 brinquedos. Assim, as outras crianças têm necessariamente menos de 4 brinquedos. Se outra tivesse também 4 brinquedos, então ela e o Leonardo teriam 8 brinquedos, no total. Mas assim só sobrariam 2 brinquedos para as outras 3 crianças. Mas, pelo &lt;b&gt;axioma 1&lt;/b&gt;, cada criança tem, pelo menos um brinquedo. Assim, as outras crianças têm todas menos de 4 brinquedos e o Leonardo é o que tem mais brinquedos. Como, pelo &lt;b&gt;axioma 2&lt;/b&gt;, cada criança demora o mesmo tempo a arrumar cada brinquedo, o Leonardo, sendo a que tem mais brinquedos, é a que demorará mais tempo a arrumá-los. Assim, como pelo &lt;b&gt;axioma 3&lt;/b&gt;, só poderá ir lanchar depois de arrumar todos os brinquedos, sendo o último. Pelo &lt;b&gt;axioma 5&lt;/b&gt;, isso significa que comerá pão com manteiga e não bolachas, c.q.d. (como queríamos demonstrar). &lt;i&gt;Eu pessoalmente prefiro a expressão latina q.e.d. (quod erat demonstratum) que significa o mesmo.&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;i&gt;A diferença entre este simples exemplo de deduções lógicas (como &lt;i&gt;Sherlock Holmes&lt;/i&gt; faria, tendo o seu autor, &lt;i&gt;Arthur Conan Doyle&lt;/i&gt; sido, como a generalidade dos seus contemporâneos letrados, fortemente influenciado pelas demonstrações de Euclides) e os &lt;i&gt;Elementos&lt;/i&gt; de Euclides é grande: o exemplo refere apenas uma sala com condições especiais, enquanto Euclides se refere há totalidade das figuras geométricas. Os 5 axiomas que Euclides usa para fundar toda a Geometria (plana) são: 1) Dois pontos podem ser unidos por uma recta; 2) Um segmento de recta pode ser estendido tanto quanto se deseje; 3) Em qualquer segmento de recta, uma circunferência pode ser traçada, tendo o segmento de recta como raio e o seu centro como um dos extremos do segmento; 4) Todos os ângulos rectos são iguais; &lt;img border="0" alt="" align="right" width="178" height="72" src="http://cognoscomm.com/mm/GmPP.gif" /&gt;&lt;b&gt;5) Se duas rectas intersectam uma terceira e um dos ângulos for menor do que a soma de dois ângulos rectos, as duas rectas intersectam-se se estendidas suficientemente.&lt;/b&gt; &lt;i&gt;É importante realçar que os Gregos não tinham a noção de infinito nem de indefinidamente, pelo que referiam um segmento a ser estendido tanto quanto se deseje, em vez de referirem uma recta de comprimento infinito..&lt;/i&gt; De todas as suas 5 proposições, era da quinta (realçada a negrito) que Euclides e os seus contemporâneos tinham mais reticências quanto à sua evidência lógica. Este proposição, conhecida também como o Postulado das Paralelas, é equivalente a dizer que duas rectas paralelas nunca se cruzam. E, ao longo da História, muitos foram os que procuraram tornar o 5.º axioma desnecessário e provado usando os outros 4. Mas todas as tentativas foram em vão. Isso porque o 5.º axioma prende-se com uma característica própria do espaço em que se está a concretizar a Geometria. Num espaço plano (como uma folha de papel), é verdade que rectas paralelas mantêm sempre a mesma distância entre si e nunca se cruzam. O que esses Matemáticos só tiveram noção, a partir sensivelmente do século 19, era que havia outras Geometrias, em espaços que não eram planos (Geometrias não-Euclidianas). Se o espaço for côncavo (curvo para fora de si, curvatura positiva) rectas paralelas têm a distância entre si sempre a diminuir e cruzam-se em infinitos pontos enquanto que, se o espaço for convexo (curva para dentro de si, curvatura negativa), rectas paralelas têm a distância entre si sempre a aumentar e nunca se cruzam. Um exemplo bom de uma curvatura positiva é o da superfície da Terra. Nela, rectas paralelas (os meridianos) cruzam-se nos pólos (infinitas vezes, já que têm comprimento infinito) e a soma dos ângulos internos de um triângulo é &lt;b&gt;maior&lt;/b&gt; do que 180º. &lt;img border="0" alt="" width="500" height="177" src="http://cognoscomm.com/mm/GmGms.jpg" /&gt; E desde Einstein e a sua Relatividade Geral (que aborda a problemática da gravidade) que sabemos que a matéria encurva o espaço-plano e que não vivemos num Mundo plano, nem mesmo num Universo plano. Apenas localmente há aproximadamente áreas aparentemente planas... &lt;b&gt;A mente humana é como o nosso Mundo: só localmente é que pode dar a aparência de ser plana. Mas a nossa mente é elíptica e as rectas que traça para a vida cruzam-se infinitas vezes no espaço da sua vida... E infinitamente com os meridianos dos outros...&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:cognosco:1147</id>
    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2009-01-10T18:44:00</issued>
    <title>Sonhos prateados</title>
    <published>2009-12-20T14:00:13Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:13Z</updated>
    <content type="html">&lt;i&gt;Mas que coisa mais &lt;/i&gt;&lt;b&gt;roscofe&lt;/b&gt;&lt;i&gt; essa que compraste!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis uma expressão curiosa, popularizada pelo uso mas que não se encontra atestada em dicionários. Algo &lt;i&gt;roscofe&lt;/i&gt; é entendido como algo sem qualidade.&lt;br /&gt; &lt;i&gt;Em alguns estados do Brasil, «roscofe», supostamente do russo, significa «ânus», ainda que o mais próximo que encontrei com esse significado foi "py&amp;#1087;op" (rupor).&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Mas de onde virá esta expressão que usamos em Portugal? O que é ou o que foi ao certo um «roscofe»?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de uma palavra que tenha origem portuguesa, é um empréstimo de uma língua estrangeira que foi aportuguesada. A verdade é que, como em outras situações, o uso da expressão esconde uma origem mais elevada do que a acepção comum parece indicar. Situações como as do Marechal de &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/965386.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Lapalisse&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, cuja morte em combate levou a que as suas tropas lhe compusessem uma canção fúnebre de homenagem, adulterada depois com o tempo; ou ainda a do polimático &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1060630.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Possidónio&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, filósofo admirado na Antiguidade, cujo nome viria, mais tarde, a ser usado como sinónimo do oposto de quem foi; ou mesmo o uso difamatório do nome da tribo dos &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1080349.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Vândalos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, cujo percurso histórico foi invejável e foram dos povos mais civilizados a conquistar a cidade de Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Georges Frederic Roskopf" src="http://cognoscomm.com/mm/Rscf.jpg" height="120" width="90" align="right" border="0" /&gt;E quanto a «roscofe»? Bem, Georges Frederic &lt;b&gt;Roskopf&lt;/b&gt; (1813-1889) foi um inventor, nascido alemão e depois naturalizado suíço, do final do século 19 que pretendia vender relógios de bolso de &lt;b&gt;qualidade&lt;/b&gt; e baratos para as pessoas comuns, em vez de apenas pessoas abastadas os poderem comprar. Quis apenas permitir a qualquer um saber a quantas andava, por assim dizer, numa altura em que os relógios tinham de ser produzidos à mão e eram vistos como peças de joelharia. Queria democratizar o tempo!&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Na língua alemã, a combinação de letras Pf (como em Pferd, «cavalo»), lê-se apenas «f». Daí que se leia «Roscofe» e  «Fêrde». Curiosamente também, «Ros» em Alemão antigo significa «cavalo» e «kopf» significa «cabaça». Assim, «Roscopf» significa «Cabeça de Cavalo»... &lt;br /&gt;Para uma análise à subjectiva e carecida de fundamento real acepção do Alemão como uma língua feia e rude, leia-se o artigo &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1081975.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Die Wahrheit den Herzen&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nasceu, em 1813, Napoleão tinha sofrido, no ano anterior (1812), a grande derrota na Invasão da Rússia, enquanto na Península Ibérica Wellington derrotava as tropas francesas e nascia, no norte da actual Itália, o compositor Giuseppe Verdi. Roskopf, nascido na então-alemã cidade de &lt;i&gt;Niderwiller&lt;/i&gt; (faz agora parte da França), tinha 9 irmãos e tornou-se, com a idade de 21 anos, aprendiz de relojoeiro numa firma na cidade de &lt;i&gt;La Chaux de Fonds&lt;/i&gt;, no cantão de língua francesa de Neuchatel, na Suíça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acalentava o sonho de construir relógios de qualidade e baratos para as massas e, em 1860, conseguiu finalmente fazer um bom relógio, sólido e fiável, ao preço de uma semana de trabalho de um trabalhador não-qualificado, a que seu o nome de &lt;i&gt;montre proletaire&lt;/i&gt;. Mas os outros relojoeiros não aceitaram bem a ideia de um «relógio para o povo» e, só em 1867, é que pode começar a produzir os seus relógios, com um mecanismo interno mais simples e que ia de encontro às necessidades dos seus compradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Relógio Roskopf" src="http://cognoscomm.com/mm/RscfRlg.jpg" height="200" width="139" align="left" border="0" /&gt;Uma das características que tinha era a de não possuir ponteiro dos segundos, tal como os restantes relógios do seu tempo (não era considerado necessário então saber com exatidão os segundos, excepto pelos médicos, para mediram as batidas cardíacas). Graças à introdução, nos seus relógios, de uma mola «inquebrável» inventada por Adrien Philippe, os seus relógios eram mais resistentes do que os dos seus concorrentes. Também a introdução de uma esfera (ou disco), no topo, com a qual, rodando, se dava corda ao relógio, foi uma característica introduzida por Roskopf (até então a corda era dada com o uso de uma chave nas costas do relógio). Outras inovações em termos mecânicos permitiam a fabricação em série de um relógio fiável, barato e que podia ser produzido em massa, o que ia ao encontro do sonho de Roskopf. O relógio estava inserido numa caixa feita de «Prata alemã», que na verdade é um liga metálica de Cobre, Níquel e Zinco que tem uma aparância prateada. Como, no final do século 19, os alemães aperfeiçoaram o seu fabrico, passou a ser conhecido como «Prata alemã», ainda que de prata tenha só a aparência. Graças a essa característas e aos tumultos causados pela guerra com a inda e vinda de exércitos inteiros neste período conturbado da História europeia, os relógios Roskopf ganharam fama e aceitação generalizada. De aparência requintada, com um preço acessível e podendo ser produzido em massa, o Relógio Roskopf tornou-se muito popular, até entre as classes mais abastadas. O filho (Fritz Edouard Roskopf) e depois o neto (Louis-Frederic Roskopf) deram seguimento ao seu sonho.&lt;br /&gt;&lt;i&gt; As antigas moedas de Escudo eram também feitas, tal como os relógios Roskopf, de «Prata alemã».&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img alt="Antiga moeda de 50$00" src="http://cognoscomm.com/mm/Rscf50.jpg" height="150" width="295" border="0" /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o sonho de Roskopf tornou-se vítima do seu próprio sucesso. Perante a qualidade, facilidade de fabrico e número de vendas do relógio (Georges Roskopf terá produzido perto de 20 milhões de relógios, o seu filho mais outros 20 milhões e o seu neto 10 milhões), outros fabricantes de relógio começaram a fazer cópias menos fiáveis, com menos peças e mais baratas de fazer. Vendidas com pequenas alterações do nome (como «Rosskopf», com duplo «s» ou com a designação «Estilo Roskopf») estes relógios invadiram o mercado e emprestaram a sua má qualidade e defeitos de fabrico ao prestigiado nome Roskopf. Um nome que representava simultaneamente relógios fiáveis e acessíveis passou a ter uma acepção adulterada e contrário ao sonho que lhe deu origem. Como tantas vezes aconteceu ao longo da História, o que começou como um sonho que pretendia elevar a qualidade de vida da Pessoa Comum foi desvirtuado pela ganância de outros, que apenas procuravam lucro fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Saber a verdadeira origem do termo «roscofe» alterará a forma como é vulgarmente usado? Dificilmente mas é sempre bom termos presente os sonhos de outros que esmagamos sobre as botas da nossa ignorância...&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2008-11-26T19:37:00</issued>
    <title>Parto crasso</title>
    <published>2009-12-20T14:00:14Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:14Z</updated>
    <content type="html">&lt;img src="http://cognoscomm.com/artg/108837401.jpg" width="569" height="289" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1074832.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Se em Roma sê Egipciano&lt;font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/artg/108837402.jpg" width="569" height="509" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/artg/108837403.jpg" width="271" height="17" align="left" /&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/821470.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Duplex negatio&lt;font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/artg/108837404.jpg" width="569" height="454" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/artg/108837405.jpg" width="569" height="234" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/artg/108837406.jpg" width="205" height="17" align="left" /&gt;&lt;a href="http://translate.google.pt/translate?hl=pt-PT&amp;amp;sl=en&amp;amp;u=http://heijira.com/lecture_1.html&amp;amp;sa=X&amp;amp;oi=translate&amp;amp;resnum=2&amp;amp;ct=result&amp;amp;prev=/search%3Fq%3DThemes%2Bin%2BEuropean%2BHistory%2B-%2BLecture%2B1%2B%2522early%2Bmiddle%2Bages%2522%26hl%3Dpt-PT" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;História Europeia - Baixa Idade Média&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;font color="small"&gt;.&lt;/font&gt; &lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/artg/108837407.jpg" width="569" height="164" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/artg/108837408.jpg" width="569" height="1000" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/font&gt;&lt;font color="#B6310D" size="3.5"&gt;Conceitos-chave:&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;i&gt;&lt;small&gt;&lt;font color="black"&gt;Erro crasso, general romano, etimologia, Português, gajo, cigano, origem, palavras, Lusitanos, Celtiberos, abóbora, baía, barro, bezerro, cama, esquerda, manteiga, sapo, Fenícios, saco, Celtas, bico, brio, bruxa, camisa, cerveja, carro, camisa, carvalho, picar, Germanos, Germânicos, barão, branco, espora, estaca, guerra, roubar, guardar, guia, lasca, tampa, trégua, ufa, Árabes, Mouros, al, aldeia, alface, armazém, azeite, azar, açúcar, garrafa, jarra, limão, oxalá, in sha Allah, salamaleque, as-salam-alaik, Descobrimentos, Wolof, banana, Tupi, ananás, China, chá, Sudoeste Asiático, corja, manga, Japão, catana, origem latina, 80%, século, XIII, 13, dupla negativa, crasso, crassus, crassitas, crassitatis, espessura, crassiudo, crassinis, grossura, consistência, matéria consistente, crassas, crassare, crassavi, crassatum, tornar espesso, tornar-se espesso, crassa, crassum, grosso, gordo, grosseiro, estúpido, pesado, crassus aer, ar pesado, crassae paludes, lagoas lodosas, crassa toga, tecido grosseiro, latim tardio, Idade Média, grosso, grosseiro, grosa, crassius, Publius Licinius Crassius, Marcus Licinius Crassius, Marco Licínio Crasso, Roma, Carrhae, Turquia, Síria, sestércio, moeda, valor, actual, Forbes, Personagens mais ricas da História, Bill Gates, Napoleão, Bonaparte, Al-Waleed bin Talal, Arábia, Saudita, Calouste, Gulbenkian, Guerra, Civil, Sila, Mário, Quintus, Sertorius, Sertório, Península Ibérica, Pompeu, Revolta, Escravos, Espártaco, escravos, crucificados, Triunvirato, César, Hispânia, Síria, Eufrates, Pártia, Império, Arsácida, Legionários, escudos, calor, setas, príncipe, Surena, ouro, derretido, garganta, tropas, chinesas, formação, tartaruga, romana, Li-jian, Legião, Liqian, chineses, louros, olhos, claros, feições, europeias.&lt;/i&gt;&lt;/small&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2008-10-27T18:44:00</issued>
    <title>Cirílicas expressões</title>
    <published>2009-12-20T14:00:14Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:14Z</updated>
    <content type="html">Neste início de século XXI, a realidade social e demográfica de Portugal tem vindo a alterar-se. Não só se ultrapassou a marca dos 10 milhões e 600 mil habitantes, em 2007, como muitos imigrantes fizeram do país o seu lar. Havendo vários imigrantes de ex-colónias portugLuesas (tanto de vários países africanos como do Brasil), também muitos são oriundos de países da Europa de Leste. De  acordo com o &lt;a href="http://www.sef.pt/portal/v10/PT/aspx/estatisticas/index.aspx?id_linha=4224&amp;amp;menu_position=4142#0" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;SEF&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), de 2001 para 2007, o número de imigrantes registados em Portugal duplicou, passando de 223 mil 997 para 435 mil 736 neste &lt;a href="http://otalentodamediocridade.blogspot.com/2006/06/jardim-beira-mar-plantado.html" target="blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;jardim à beira mar plantado&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destes, 37% (159 mil 224) são oriundos do continente africano, a larga maioria (34%, 147 mil 959) de ex-Colónias Portuguesas (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe) e 15% (66 mil 354) do Brasil.&lt;br /&gt;Mas novidade tem sido o afluxo de imigrantes da Europa de Leste para o país. Em 2001, num total de 223 mil 997 imigrantes registados, apenas 1% era de países europeus anteriormente comunistas (2 mil 351). Mas, em 2007, no total dos             435 mil e 736 imigrantes registados, 20% (86 mil 230) eram de anteriores membros do extinto Pacto de Varsóvia (a vermelho).&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CxPV.gif" width="500" height="147" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pacto de Varsóvia, fundado em 1955 e extinto em 1991, foi a reacção da União Soviética à NATO. Os seus membros incluíam a Albânia, a Bulgária, a Checoslováquia (que se dividiu nas modernas República Checa e República Eslovaca), a Hungria, a Polónia, a Roménia, a URSS e a ex-Alemanha de Leste. A URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (CCCP em Russo), era constituída pelos agora independentes estados Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Estónia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Letónia, Lituânia, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia e Uzbequistão.     &lt;br /&gt;Várias são as características que diferenciam estes países europeus dos restantes da Europa, além da localização geográfica. Sendo muitos Cristão-Ortodoxos e tendo passado pela experiência comunista, usam também um alfabeto bem diferente do usado pela maioria dos outros países europeus, o chamado Alfabeto Cirílico (a Grécia usa ainda outro, o Alfabeto Grego). Há letras com representação gráfica semelhante às do Alfabeto Latino (usado em Portugal) mas com significados diferentes (a referida CCCP seria, em caracteres latinos, SSSR, aproximando-se assim de URSS em Inglês e URSS em Português) e há ainda semelhanças com letras gregas. Mas que Alfabeto é esse e de onde e como surgiu? Porquê as suas semelhanças e as suas diferenças com o Alfabeto Latino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias são as línguas europeias que usam este alfabeto, nomeadamente o Bielorrusso, o Búlgaro, o Macedónio, o Servo, o Ucraniano e o Russo, havendo algumas letras que se usam numa língua mas não noutra (da mesma forma que «k», «y» e «w» não eram usados no Alfabeto português, apesar de fazerem parte do Alfabeto latino). O país que mais facilmente se associa ao Alfabeto cirílico é a Rússia, devido à sua importância cultural e histórica e este Alfabeto é usado na maioria dos países do anterior Pacto de Varsóvia. Das letras do Alfabeto cirílico estas são as que são usados pelo Alfabeto russo, maiúsculas à esquerda e minúsculas à direita e tendo por baixo a relativa correspondência sonora de cada letra com as do Alfabeto latino. &lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CxAlf.gif" width="500" height="156" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CxCgn.gif" width="150" height="75" align="left" border="0" /&gt;A título de exemplo, «Cognosco», em caracteres cirílicos, representa-se desta forma. É importante chamar a atenção que não há uma correspondência unívoca (isto é, de um para um) entre o Alfabeto cirílico e o Alfabeto latino: nem todas as letras cirílicas correspondem a uma só letra latina, há letras cirílicas que não têm correspondência latina (sons que não se utilizam nas línguas que usam o Alfabeto latino) e a correspondência é feita a nível sonoro e não visual.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.cognoscomm.com/mm/CxMsh.jpg" width="100" height="84" align="right" border="0" /&gt;Por exemplo, uma frase simples em Russo: &amp;#1055;&amp;#1088;&amp;#1080;&amp;#1074;&amp;#1077;&amp;#1090;, &amp;#1084;&amp;#1086;&amp;#1077; &amp;#1080;&amp;#1084;&amp;#1103;  &amp;#1052;&amp;#1080;&amp;#1096;&amp;#1072;.&lt;br /&gt;Em caracteres latinos, esta frase escreve-se: Privet, moye im'a Misha.&lt;br /&gt;Em Português, o significado da frase é: Olá, o meu nome é Misha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou atente-se a esta banda feminina russa, de nome Ranetki (em alfabeto latino):    &amp;#1056;&amp;#1072;&amp;#1085;&amp;#1077;&amp;#1090;&amp;#1082;&amp;#1080; - &amp;#1040;&amp;#1085;&amp;#1075;&amp;#1077;&amp;#1083;&amp;#1099;&lt;br /&gt;Ranetki - Anjos&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/F6QQNavxuUg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/F6QQNavxuUg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na região central da Europa, onde se situa a parte ocidental da Rússia, a Ucrânia, a Bielorrússia, a Bulgária, a República Checa, entre outros, desenvolveu-se um grupo de povos a que o historiador grego Ptolomeu chamou de «tribos eslavas», pois esse era o nome que davam a si mesmos (sendo que «slovo» significava «falar», por oposição a «nemi» que significa «mudo». Ou sejam, chamavam Eslavos aos povos que partilhavam línguas mutuamente entendíveis. A outros povos, como os Germânicos, chamavam «Nemi». Ainda hoje, o termo polaco para «alemão» é «Niemcy»). Por volta do final do século 9º, dois irmãos (entretanto canonizados como santos) de nomes Cyril e Methodius decidiram criar um alfabeto eslavo que permitisse traduzir a Bíblia para as línguas eslavas. Criaram então o Alfabeto Glagolítico (de «glagol», «declaração». Simultaneamente, «glagolati» também significa «falar»), que foi usado até à Idade Média, principalmente em contextos religiosos, tendo como base os Alfabetos latino e grego. Um aperfeiçoamento posterior daria origem a um novo Alfabeto a que é dado o nome de Cirílico, do nome de uma dos irmãos, o Santo Cyril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CxVk.jpg" width="500" height="355" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, no século 10, chegaram à Europa Central, vindos da Escandinávia (actuais Suécia, Noruega e Dinamarca), povos víquingues, nomeadamente um de nome Rus, que viria a emprestar o seu nome ao país que que depois aí surgiu, a Rússia. Esta expansão deu-se durante a chamada Idade víquingue, um período da História Medieval Europeia que decorreu entre o século 8.º (com a pilhagem de Lindisfarne, em 793) e até ao século 11.º (com a conquista normanda da Inglaterra, em 1066). Em 793, um grupo de Víquingues chocou a Europa com o ataque e pilhagem da ilha de Lindisfarne, no Noroeste da moderna Inglaterra, com a pilhagem do seu Mosteiro e escravização dos seus monges. Os Víquingues (palavra esdrúxula logo carecida de acento grave na antepenúltima sílaba) expandiram-se territorialmente para a Inglaterra, Norte da França Europa de Leste e há mesmo a hipótese de terem chegado ao continente americano. Os Víquingues colonizaram o oeste da Inglaterra, vencendo os Bretões, os Anglos e os Saxões residentes. Outros, oriundos da Dinamarca, colonizaram a Europa, como foi o caso da moderna França, na região conhecida como Normandia (de Norsemen, Homens do Norte, como os Víquingues eram conhecidos). Estes últimos, em 1066, às mãos de Guilherme, o Conquistador, invadiram por sua vez a Inglaterra, vencendo os Víquingues anteriormente aí estabelecidos, bem como os restantes Anglo-Saxões e Bretões.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Aborda-se a origem da moderna língua inglesa no artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1084742.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;&lt;/i&gt;Franca mente&lt;i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;. É referida a influência víquingue, havendo perto de mil palavras do moderno inglês que são de origem víquingue, como as iniciadas por «sk» (como «sky»  céu- e «skii» - esqui). A origem víquingue de muitas palavras inglesas começadas por «sk» é equivalente à origem árabe de muitas palavras portuguesas começadas por «al».&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Mosaico na Catedral de Santa Sofia de Jesus Cristo" src="http://cognoscomm.com/mm/CxSCy.jpg" width="150" height="182" align="right" border="0" /&gt;Um século antes, em 864 AC, o Cristianismo tinha passado a ser a religião oficial da Bulgária e o Príncipe Boris I Michael (&amp;#1041;&amp;#1086;&amp;#1088;&amp;#1080;&amp;#1089; I &amp;#1052;&amp;#1080;&amp;#1093;&amp;#1072;&amp;#1080;&amp;#1083;, em cirílico) encomendou a Clemente de Ohrid, estudioso búlgaro e o primeiro Arcebispo búlgaro, Bíblias escritas em Búlgaro. Não sendo o Alfabeto Latino o mais indicado para expressar alguns sons da língua, este utilizou o Alfabeto Glagolítico, inventado pelos seus Mestres Cyril e Methodius e, combinando-o com o Alfabeto grego (a Bulgária faz fronteira com a Grécia) e com o Alfabeto Hebraico, inventou um novo Alfabeto, inicialmente com fins meramente religiosos, a que deu o nome de Cirílico, nome de um dos seus Mestres e criador do Alfabeto no qual ele mesmo se baseou para desenvolver o seu. Os Víquingues que se instalaram na região converteram-se à religião Ortodoxa e adoptaram este novo Alfabeto. Quando os estados a que deram origem surgiram (como a Rússia), esta era a sua religião e este era o seu Alfabeto. Assim, à medida que a Religião Ortodoxa se expandia da Grécia e Médio Oriente para a Europa de Lesta, o Alfabeto cirílico, criado inicialmente para permitir essa expansão religiosa, foi-se propagando, tendo sido alvo de algumas reformas de índole política ao longo a sua História. O Alfabeto cirílico original é o usado ainda pela Igreja Ortodoxa, sendo o moderno cirílico usado para fins não religiosos e adaptados a língua que o usa. Este tem sido o Alfabeto que tem sido usado, desde a sua criação, no século 9º, na maioria dos países da Europa de Leste. A semelhança visual por vezes curiosa entre os Alfabetos latino e cirílico, como seja o caso de «&amp;#1080;», que parece um «N» invertido (correspondendo ao «i» latino), tornam-no numa fonte apetecível para a escrever mensagens de forma curiosa, como muitos já terão tido a oportunidade de constatar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Quando, em 795, o Imperador romano Teodósio I morreu, o império foi dividido em Ocidente e Oriente. O Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e o Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla. Em 1054, dá-se a ruptura entre os dois braços do Cristianismo: enquanto, no Ocidente, o Imperador e o Papa eram figuras distintas, no Oriente o Imperador era simultaneamente a figura religiosa cimeira. O Catolicismo e o Ortodoxismo partilham as mesmas raízes cristãs, procurando no entanto a Ortodoxa ser mais «fiel» aos ensinamentos cristãos mais próximos da origem. Ambos os ramos aceitam a Santíssima Trindade, a Ressurreição, a Comunhão, a Confissão, a existência de Santos, do Pecado e da Remissão do mesmo entre outros pontos comuns. São irmãs desavindas, simplesmente&lt;/i&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2008-08-30T19:39:00</issued>
    <title>Doce mecânica</title>
    <published>2009-12-20T14:00:14Z</published>
    <updated>2010-08-08T10:36:15Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Muitas são as razões pelas quais o nome de um país circula pelo Mundo e geralmente procura ter uma boa reputação no palco mundial. O adjectivo «bom», subjectivo como é, pode ser interpretado de formas diferentes por pessoas diferentes. Um país militarista com armas nucleares poderá ser visto como «mau» pela generalidade das pessoas e em especial pelos seus vizinhos mas, na sua visão, será algo positivo ser visto internacionalmente como um país a recear. Alguns procuram alcançar um lugar no palco mundial realçando o seu glorioso passado, outros através do poder bélico, através das influências políticas, através do número de medalhas desportivas ganhas... Eis algo em que Portugal não é excepção: procura o seu lugar ao Sol internacional mas o seu passado é ignorado por muitos e a sua pequenez presente pode torná-lo uma mera curiosidade nalgum Atlas geográfico.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/LrjAtl.jpg" border="0" alt="Atlas segurando os céus" width="200" height="262" align="left" /&gt;&lt;em&gt;O termo Atlas, referindo-se a uma colecção de cartas geográficas, deve o seu nome a um lendário Rei Atlas, da Mauritânia, conhecido, de acordo com o grego do século IV AC Eumero, por ser um grande Filósofo, Matemático e Astrónomo. Quando, em 1595, Gerardus Mercator (1512-1594), cartógrafo flamengo (parte da actual Bélgica), reuniu uma colecção de mapas num mesmo livro, deu-lhe o nome de «Atlas, Sive Cosmographicae Meditationes De Fabrica Mundi» (Atlas, ou Descrição do Universo). O Atlas a que se referia era o mitológico Rei Atlas, da Mauritânia, e não ao também mítico Titã Atlas, irmão do Prometeu. Atlas, de acordo com a mitologia clássica grega, sustinha o peso do Céu, pelo que a representação comum de Atlas a carregar o mundo às costas é uma incorrecção. No Norte de África, a atravessar Marrocos, Argélia e Tunísia, há uma cordilheira montanhosa chamada Montanhas Atlas. Deve o seu nome ao famoso Rei da região e não ao malogrado Titã. Para mais sobre Prometeu e Epimeteu (ambos irmãos do Titã Atlas) ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/579930.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/579930.html"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Pandora&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;; para mais sobre a origem do nome África (e dos outros continentes), ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/771217.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/771217.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Magnus Tellus&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Bem podem os portugueses se exaltar quando o seu decisivo papel como país que iniciou os Descobrimentos e deu início à primeira Globalização é esquecido; discutir acaloradamente quem foi o maior português de sempre (o resultado da «auscultação» popular deu um vergonhoso resultado que revela bem como a memória das pessoas é curta e, mesmo após décadas, como uma propaganda, repetida até à exaustão; pode &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/LrjJO.jpg" border="0" alt="" width="100" height="158" align="right" /&gt;ainda lavar mentalidades...), podem abespinhar-se perante o número de medalhas ganhas nos Jogos Olímpicos (é de realçar que há 192 países no Mundo; destes todos participaram nos Jogos Olímpicos; mais 13 territórios, como Hong Kong ou a Formosa ou as Ilhas Cook participaram; no total, 205 equipas olímpicas participaram nos J.O. de Pequim; das 205 Delegações Olímpicas apenas 87 (42%) levaram alguma medalha; mais países ganharam apenas 1 medalha (19) do que 2 medalhas (12). Portugal ficou em 46.º lugar (quadragésimo sexto) em termos de medalhas ganhas (2). O Brasil em 23.º (vigésimo terceiro) em termos de medalhas ganhas (17). Ficar na metade que ganhou efectivamente medalhas parece que é ainda pior, para alguns, do que ficar na metade que nada ganhou...); pode ficar terrivelmente emocionado quando a selecção nacional de futebol marca algum golo (e desconsiderá-la quando perde algum jogo).&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Mas a verdade é que não é nenhuma destas razões que coloca mais vezes o nome de Portugal nas bocas do mundo. Tal honra deve-se a um simples fruto, a mui humilde &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;laranja&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.  &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/LrjLrj.jpg" border="0" alt="" width="100" height="99" align="left" /&gt;Mas que possível ligação pode ter esse fruto com o nosso pequeno rectângulo geográfico (mais as suas 11 principais ilhas)? Portugal não é o maior produtor de laranjas do mundo (nem há registos históricos de alguma vez o ter sido). O maior produtor mundial de laranjas é o Brasil (cerca de 18 milhões de toneladas anuais); segue-se os EUA (8 milhões e 500 mil toneladas) e depois o México (4 milhões). Mesmo a Espanha, nossa vizinha geográfica, produz apenas 2 milhões e 500 mil toneladas anuais, o que é cerca de noves vezes inferior ao Brasil.&lt;br&gt;&lt;br&gt;Para desvendar esse mistério, analisemos primeiro o que é ao certo uma «laranja». Originária do Sudoeste Asiático, a Laranja terá surgido pelo cruzamento entre o Pomelo e a Tangerina. Há dois tipos de laranjas, a «laranja doce» (Citrus sinensis) e a «laranja amarga» (Citrus aurantium). A primeira a chegar, vinda da China, ao Médio Oriente, nomeadamente à Pérsia, foi a «laranja amarga» (C. aurantium). Essa variedade de laranja (amarga) ainda hoje é conhecida como «maçã chinesa» (e.g., «apfelsine», em Alemão) e é muito usada na perfumaria e na produção de compotas. Foi essa a primeira laranja a chegar à Europa, quando foi introduzida, em Itália, no século XI, vinda da Pérsia.  Até que, no século XV, os portugueses chegaram à Índia e trouxeram uma outra variedade de laranjas. Estas eram doces e mais do agrado do paladar da maioria das pessoas. Ao longo das rotas marítimas, os navegadores portugueses plantaram laranjeiras, como forma de combaterem o escorbuto (doença provocada pela falta de vitamina C no organismo). Durante séculos, a principal fonte de importação das laranjas doces era Portugal (e as suas colónias). De tal forma que, em muitas línguas, Portugal passou a ser sinónimo de laranja (doce):
&lt;br&gt; ~ &lt;strong&gt;Árabe&lt;/strong&gt;: al-Burtuqal «البرتقال»
&lt;br&gt;~ &lt;strong&gt;Búlgaro&lt;/strong&gt;: Portokal «портокал»;
&lt;br&gt; ~ &lt;strong&gt;Etíope&lt;/strong&gt;: Birtukan «birtukan»;
&lt;br&gt; ~ &lt;strong&gt;Georgiano&lt;/strong&gt;: Phortokhali «ფორთოხალი»;
&lt;br&gt; ~ &lt;strong&gt;Grego&lt;/strong&gt;: Portokali «πορτοκάλι»;
&lt;br&gt; ~ &lt;strong&gt;Italiano&lt;/strong&gt; (alguns dialectos): Portogallo ou Purtualle «Portogallo»;
&lt;br&gt; ~ &lt;strong&gt;Persa&lt;/strong&gt;: Porteghal «پرتقال» &lt;br&gt; ~ &lt;strong&gt;Romeno&lt;/strong&gt;: Portocala «Portocală»;
&lt;br&gt; ~ &lt;strong&gt;Turco&lt;/strong&gt;: Portakal «Portakal».
&lt;br&gt; &lt;em&gt;No livro de Ficção-Científica «Dune», de Frank Herbert, fortemente influenciado pela cultura, modo de vida e língua árabes, é dado o nome de «Portyguls» às laranjas.&lt;/em&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Como é natural, em português o fruto não se chama Portugal, é «laranja». Esta palavra deriva do Sânscrito (antiga língua indiana de moderno uso religioso) «nāraṅgaḥ». Daqui derivou o persa «nārang», que deu origem ao árabe «nāranj», de onde veio o «laranja» português, «naranja» espanhol e «arancia» italiano. Não temos um nome distintivo para as laranjas amargas e para as laranjas doces, enquanto que, para os árabes, «nāranj» é a laranja-amarga» e «al-Burtuqal» é a laranja-doce.&lt;br&gt;
&lt;em&gt;Para a origem persa de Xadrez, Xeque-mate e Xeque, ver &lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1083629.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;O Rei vai manco&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Da laranja veio também o nome para a cor. A cor, claro, não foi inventada apenas nessa altura, sempre existiu. Mas apenas quando os Europeus tiveram acesso às laranjas é que a cor que anteriormente designavam por algo como «amarelo-vermelho» passou a ter a designação do fruto com essa cor. &lt;br&gt;
É uma fruta que modernamente se associa à Vitamina C e ao combate às Gripes e Constipações.  &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/LrjAmr.jpg" border="0" alt="" width="120" height="120" align="left" /&gt;No entanto, como foi visto em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1047358.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;O-zono de Morfeu&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, a laranja não é a fruta com maior percentagem de Vitamina C. A acerola (0,72%), a amora (0,2%), os pimentos (0,19%), a salsa (0,13), o kiwi (0,09%), os brócolos (0,09%), couves-de-bruxelas (0,08%), dióspiros (0,08%), papaia (0,08%), morangos (0,08%) têm mais Vitamina C do que a laranja (0,05%) e do que o limão (0,04%). Por exemplo, um quilograma de amoras tem 2 gramas de Vitamina C, enquanto um quilograma de laranjas tem apenas 0,5 gramas! Além disso, não há qualquer ligação cientificamente estabelecida entre a Vitamina C e o combate às gripes e constipações por «reforço imunitário». No artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1050615.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Influências astrais&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, viu-se que as causas das gripes e das constipações nada têm a ver com os ditos populares de que são «causadas» pelo frio ou pela chuva. Esse é um mito do século 18, que se propagou naturalmente, sem fundamentos válidos. Tanto se repete e repetiu que parece «verdade» mas não é.&lt;br&gt;&lt;br&gt;

Da próxima vez que se ouvir a expressão «laranja mecânica», como referência à selecção de futebol da Nederlândia, vulgo «Países Baixos» ou o extremamente incorrecto «Holanda» (em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1072231.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Novas e Demónios&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; há a explicação), pense-se que, para muitos países do mundo (entre eles vários apreciadores de futebol), Portugal é a verdadeira selecção &lt;strong&gt;&lt;span style="color: orange;"&gt;LARANJA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;!&lt;br&gt;&lt;br&gt;

&lt;em&gt;«Clockwork Orange» (Laranja mecânica) é o título de um livro do escritor inglês Anthony Burgess, datado de 1962, que relata a vida de um grupo de jovens marginais inglesas que praticam crimes nas ruas de Londres. O livro deu origem a um filme com o mesmo nome, realizado por Stanley Kubrick, em 1971. Devido ao facto de a cor predominante da selecção da Nederlândia ser laranja, alguém achou engraçado fazer essa referência e a moda pegou...&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2008-07-25T12:22:00</issued>
    <title>Tremor estimado</title>
    <published>2009-12-20T14:00:14Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:14Z</updated>
    <content type="html">&lt;i&gt;Esta sondagem, realizada pelo Centro de Sondagens e Estudos de Opinião, tem uma margem de erro de 2,2 por cento e um grau de confiança de 95 por cento. Para a sua elaboração, foram feitos 2 023 inquéritos telefónicos, entre 07 e 10 de Julho, a eleitores recenseados, escolhidos em 21 freguesias seleccionadas aleatoriamente.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TCBl.jpg" width="150" height="168" align="right" border="0" /&gt;Sempre que são mostradas sondagens, em jornais impressos ou televisivos, aparece, no final, sempre uma ficha técnica semelhante a esta. Fala-se em «margem de erro» e «grau de confiança». Mas ao certo o que significa isto?&lt;br /&gt;É compreensível que não se possa perguntar a todos os eleitores de um país em quem tencionam votar (pelo menos não a tempo das eleições!) ou, semelhantemente, numa fábrica não se pode experimentar todas as bolachas produzidas para ver se estão boas (ficava-se sem ter o que vender!)&lt;br /&gt;Por isso, o procedimento usual é tirar uma amostra, analisar uma pequena quantidade da população que se quer estudar e verificar aí aquilo que se pretende estudar na população total. Mas como poderá isto funcionar? Como se pode ter a certeza que uma parte pode representar o todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos que queríamos saber a percentagem de pessoas do sexo feminino que moram numa cidade de 1 milhão de habitantes. Podíamos tirar uma amostra de 100 pessoas para averiguar a percentagem do sexo feminino presente. Mas o que impede que a amostra tenha valores bem diferentes da população total? Pode ter 67 mulheres (67% da amostra) mas a população ter 532 mil (53,2%), por exemplo. A amostra que tirámos pode não representar adequadamente o parâmetro que queremos estudar da população...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui entramos no reino da Matemática, esse bicho papão que não o é, essa jóia do pensamento humano, em especial na &lt;b&gt;Inferência Estatística&lt;/b&gt;. Termos como «amostra», «população», «margem de erro», «grau de confiança», «parâmetros» fazem parte da sua linguagem mas não se esgota neles. A Inferência Estatística surge como uma forma de se poder tirar conclusões válidas para uma população que se quer estudar mas apenas analisando uma amostra, uma parte dela.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Infere-se, i.e., deduz-se por meio de raciocínio; tira-se por conclusão os valores que se pretende estudar de uma população grande de mais ou sensível de mais para uma recolha sistemática e exaustiva dos elementos em estudo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/NmPr.jpg" width="480" height="182" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Dois valores surgem, como traves-mestras, para este ramo matemático: a &lt;b&gt;média&lt;/b&gt; e o &lt;b&gt;desvio-padrão&lt;/b&gt;. Já antes se falou neles, no artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1033743.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Erros normais&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, quando se abordou a &lt;b&gt;Curva de Gauss&lt;/b&gt;. Esta simples relação estatística, que desenha um elegante gráfico em forma de sino, é a ligação entre variados e díspares fenómenos naturais. O que há, parafraseando Pessoa, é poucas pessoas a saberem-no.&lt;br /&gt;A &lt;b&gt;média&lt;/b&gt; (valor esperado) é o valor que se situa a meio de todos os outros, uma espécie de representante de todos os outros;&lt;br /&gt;o &lt;b&gt;desvio-padrão&lt;/b&gt; indica qual a diferença entre os valores e a média, a dispersão dos dados. É diferente, por exemplo, que, na altura de um grupo de pessoas, a média das alturas seja 1,70m e haja alturas como 1,50m e 1,80m e outro grupo em que a média seja também 1,80m mas haja valores como 1,45m e 2,11m. A &lt;b&gt;média&lt;/b&gt; é a mesma mas a dispersão das alturas é maior, o seu &lt;b&gt;desvio-padrão&lt;/b&gt; é maior.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Há várias medidas de dispersão que se podem usar, além do &lt;b&gt;desvio-padrão&lt;/b&gt;, como a &lt;b&gt;ampitude&lt;/b&gt;, mas esta tem apenas em consideração o valor mais alto e o valor mais baixo, enquanto o &lt;b&gt;desvio-padrão&lt;/b&gt;, que é usado a generalidade das fórmulas estatísticas, tem em consideração a totalidade dos valores e a sua diferença à média.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando à questão, como é que podemos tirar uma amostra e daí inferir resultados para toda a população? Os valores da média populacional e da média amostral; do desvio-padrão populacional e do desvio-padrão amostral; da proporção populacional e da proporção amostral nem sempre são, de forma directa, iguais.&lt;br /&gt;Suponhamos o seguinte exemplo simples:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TCCf.jpg" width="120" height="83" align="right" border="0" /&gt;A um grupo de 5 pessoas, perguntou-se, após o almoço, quantos cafés tinham tomado até àquela hora, nesse dia. Para facilitar as contas, suponhamos que a primeira pessoa inquirida tomou 1, a segunda pessoa 2, a terceira 3, a quarta 4 e a quinta 5.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para os ordinais para diferentes números, ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1053964.html" target="blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;&lt;/i&gt;Termos ordinais&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Obtemos a seguinte população de cafés tomados {1; 2; 3; 4; 5}, cuja média (populacional) é (1+2+3+4+5)/5 = 15/5 = 3. A média populacional é de 3 cafés tomados.&lt;br /&gt;Mas suponhamos (ao contrário deste exemplo simples) que não tínhamos como calcular directamente a média populacional, pelo que teríamos de tirar amostras.&lt;br /&gt;Tiremos amostras de tamanho dois da população, podendo então obter qualquer uma das seguintes dez amostras:&lt;br /&gt;{1; 2} - média 1,5; {1; 3} - média 2; {1; 4} - média 2,5; {1; 5} - média 3;&lt;br /&gt;{2; 3} - média 2,5; {2; 4} - média 3; {2; 5} - média 3,5;&lt;br /&gt;{3; 4} - média 3,5; {3; 5} - média 4; {4; 5} - média 4,5;&lt;br /&gt;Conforme a amostra que se tirasse, a média que obtermos é diferente e é diferente da média populacional. Os valores situam-se entre os 1,5 e os 4,5 (a dispersão, a diferença entre os valores e a média pretendida é muito grande).&lt;br /&gt;Se fizermos agora a média das média obtemos:&lt;br /&gt;(1,5+2+2,5+3+2,5+3+3,5+3,5+4+4,5)/10 = 30/10 = 3, que corresponde à média populacional.&lt;br /&gt;Suponhamos que fazíamos amostras de tamanho 3. Obteríamos as seguintes possíveis dez amostras:&lt;br /&gt;{1; 2; 3} - média 2; {1; 2; 4} - média 2,33; {1; 2; 5} - média 2,66;&lt;br /&gt;{1; 3; 4} - média 2,66; {1; 3; 5} - média 3; {1; 4; 5} - média 3,33;&lt;br /&gt;{2; 3; 4} - média 3; {2; 3; 5} - média 3,33; {2; 4; 5} - média 3,66;&lt;br /&gt;{3; 4; 5} - média 4;&lt;br /&gt;Os valores situam-se entre os 2 e os 4: a dispersão é já menor, os valores possíveis aproximam-se mais da média populacional. Se fizermos agora a média das médias obtemos novamente 3.&lt;br /&gt;Se fizéssemos amostras de quatro elementos, obteríamos um total de 5 amostras:&lt;br /&gt;{1; 2; 3; 4} - média 2,5; {1; 2; 3; 5} - média 2,75; {1; 2; 4; 5} - média 2,66;&lt;br /&gt;{1; 3; 4; 5} - média 3,25; {2; 3; 4; 5} - média 3,5;&lt;br /&gt;Aqui, os valores situam-se entre os 2,5 e os 3,5: a dispersão é ainda menor, estando os valores cada vez mais próximos da média populacional, que é de 3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TCPl.gif" width="150" height="100" align="left" border="0" /&gt;Portanto, aumentando o tamanho da amostra recolhida, obtemos valores mais próximos da média populacional. A exacta média populacional só é atingida com uma amostra do tamanho da população em si. Isto, como se viu anteriormente, nem sempre é praticável ou desejável. Então como saber qual o tamanho da amostra que devemos tirar para que seja praticável (quanto menor melhor) e o mais aproximada da correcta possível (quanto maior melhor)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui entra em cena a &lt;b&gt;Curva Normal&lt;/b&gt;, de que já se falou em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1033743.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Erros normais&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;. Devido às suas características, providencia uma forma de encontrar percentagens e a valores correctos para uma enorme variedade de situações. Se todas as amostras seguissem uma distribuição normal, muitas questões seriam facilmente respondidas. Mas nem todas são... Nomeadamente, partindo da média amostral e do desvio-padrão amostral, seria possível saber se os valores que obtivémos são ou não próximos dos da população em estudo: quanto menor o desvio-padrão mais a média amostral se aproxima da média populacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Marquês de Pombal" src="http://cognoscomm.com/mm/TCMp.jpg" width="120" height="150" align="right" border="0" /&gt;Mas há um teorema matemático que nos permite trabalhar com a média e desvio-padrão amostrais como uma distribuição normal. É o Teorema do Limite Central, que nos diz que «para amostras de dimensão grande (tipicamente superior a 30), a distribuição das médias é aproximadamente normal". Este Teorema, importantíssimo na Estatística (e na Inferência Estatística), foi primeiro cogitado pelo matemático francês &lt;i&gt;Abraham &lt;b&gt;de Moivre&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, num artigo datado de 1733 (situe-se historicamente tendo em conta que o Grande Terremoto de Lisboa, era o Marquês de Pombal primeiro-ministro do Reino, ocorreu em 1755, 22 anos depois). Desse teorema obtemos que a média populacional, para amostras suficientemente grandes, é igual à média populacional e o desvio padrão populacional é igual ao desvio-padrão amostral a dividir pela raíz quadrada do tamanho da amostra considerada.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por exemplo, temos uma amostra de tamanho 50 de uma população de que desconhecemos a dimensão ou quaisquer valores. A média amostral é de 20 e o desvio-padrão é 5.&lt;br /&gt;Então, a média populacional é 20 é o desvio-padrão populacional é 5/&amp;#8730 50 &amp;#8776 0,7071.&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitas situações, não é possível obter um valor exacto para o parâmetro que queremos estudar da população. Para obter esse valor exacto seira necessário uma amostra tão grande e próxima do tamanho da população que é impraticável fazê-lo. Temos de reduzir o nosso grau de certeza no valor que estamos a estimar, de forma a tornar as amostras necessárias de tamanho mais manejável. Assim, poderíamos baixar a fasquia dos 100% de certeza para os 90%, 95% ou 99% (percentagens suficientemente elevadas para serem úteis). Desta forma, estaríamos a garantir que 90%, 95% ou 99% das amostras que recolhemos têm o valor correcto que queremos estimar. Por exemplo, querendo estudar a altura média de uma população, poderíamos retirar uma amostra (idealmente de mais de 30 pessoas) e afirmar que «a altura média da população se situa entre ]1,62; 1,66[, com um grau de confiança de 95%». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas numa situação concreta, como determinamos esse intervalos e esse grau de confiança?&lt;br /&gt;Bem, aqui depende do grau de confiança que pretendemos (tendo em conta que quanto maior o grau de confiança maior terá de ser a amostra). Depois, construímos o intervalo desta forma:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TCIc.jpg" width="400" height="100" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, o x com a barra por cima indica a média amostral, &amp;#963 o desvio-padrão, N o tamanho da amostra, o que está acima da braa da fracção é a margem de erro admitida e o Z o grau de confiança que pretendemos. Assim, se pretendemos um grau de confiança de 68,3%, Z =1; grau de confiança de 90%, Z=1,65; grau de confiança de 95%, Z=1,96; grau de confiança de 99%, Z=2,58. Quanto maior o grau de confiança que pretendemos, maior será o intervalo dos valores possíveis.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Estes valores para Z surgem de uma forma natural a partir das propriedades da Distribuição Normal e da sua tabela de percentagens tendo em conta os valores pretendidos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos um caso concreto: numa empresa, trabalham duzentas pessoas. Pretende-se saber a média das alturas dos empregados, de forma a ajustar a farda de trabalho. Para isso, recolheu-se uma amostra de 40 pessoas e mediu-se a sua altura. Obteve-se a seguinte tabela:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TCAl.gif" width="500" height="100" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.cognoscomm.com/mm/TCGC.gif" width="240" height="123" align="left" border="0" /&gt;Colocando estes dados numa folha de cálculo, é possível, utilizando as fórmulas já contidas no programa, calcular a média e o desvio-padrão da amostra. Neste caso, a média é de 1,80 e o desvio-padrão 0,256145. Usando a fórmula, podemos então os intervalos de confiança apropriados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso o que se pretende estimar seja a proporção populacional (como no caso das sondagens para as eleições), a forma de o fazer é a mesma, apenas mudando alguns aspectos na fórmula para a determinação do intervalo de confiança:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TCPp.gif" width="400" height="92" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, se numa eleição para a qual há um milhão de potenciais eleitores, se perguntar a &lt;br /&gt;cem em que partido irão votar, obtemos a proporção amostral. Tendo em conta o tamanho da amostra e colocando depois na fórmula indicada, obtemos os intervalos de confiança pretendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É claro que isto é visão muito simplificada tanto do processo como na quantidade de fórmulas usadas, servindo apenas como forma de mostrar que nada há de fora do normal naquela ficha técnica.&lt;/b&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2008-06-01T22:24:00</issued>
    <title>Franca mente</title>
    <published>2009-12-20T14:00:15Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:15Z</updated>
    <content type="html">&lt;i&gt;Dois amigos conversam:&lt;br /&gt;- E então, como correu a entrevista para o emprego?&lt;br /&gt;- Estava a correr tudo bem até que me perguntaram como era o meu Inglês.&lt;br /&gt;- E então?&lt;br /&gt;- Tive de confessar que não sei Inglês. Depois disso, continuaram simpáticos mas acho que a entrevista acabou aí mesmo. No final, despediram-se de mim, informando-me que não tinha ficado com o emprego e recomendando-me que aprendesse Inglês.&lt;br /&gt;- Sabes bem que, hoje em dia, quem não sabe Inglês e não sabe usar um computador é quase visto como analfabeto.&lt;br /&gt;- Eu sei disso. Mas eu nunca fui bom a Inglês, como sabes. Porque se costuma dizer que o Inglês é muito fácil? Para mim, é um bicho de sete cabeças...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/Ingint.jpg" width="200" height="200" align="left" border="0" /&gt;É inegável a importância que, na segunda metade do século XX e início do século XXI, o Inglês tem como &lt;i&gt;lingua franca&lt;/i&gt; (a expressão latina é assim mesmo, sem acento) internacional. Isto é, como uma língua de conversação para a generalidade dos encontros internacionais. Quem se encontre perante alguém de outro país e não sabe a sua língua nativa, a primeira língua que tentará usar para estabelecer contacto e um ponto de entendimento é o Inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta não foi a primeira &lt;i&gt;lingua franca&lt;/i&gt; alguma vez usada. Na Europa, o Latim (e o Grego) foram usadas durante mais de dois mil anos como plataforma de entendimento; aquando dos Descobrimentos, o Português era usada como &lt;i&gt;lingua franca&lt;/i&gt; na Ásia e na África; o Inglês surgiu como a &lt;i&gt;lingua franca&lt;/i&gt; internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que catapultou a língua inglesa, oriunda de uma ilha a norte do continente europeu, para os palcos mundiais? É por vezes apontada a facilidade da língua, ou a sua capacidade de síntese, ou a sua flexibilidade em variados contextos para explicar essa importância cultural actual. O facto de os EUA serem a única super-potência que sobreviveu à Guerra Fria (sensivelmente entre 1946 e 1991) e a sua importância e hegemonia cultural são também vistos facilmente como outros factores importantes para o domínio cultural mundial do Inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não serão as características particulares da Língua Inglesa a razão para a sua dessiminação. Se é certo que tem a conjugação da generalidade dos verbos simplificada (apenas a 3.ª pessoa do singular difere das restantes por ter um «s» acrescido), a transição entre a língua falada e a língua escrita pode ser um pesadelo para muitos. A título de exemplo, considere-se estas palavras: «though»; «thought»; «through»; «thorough». Para um falante de Português, a semelhança entre as formas escritas das 4 remeteria para sonoridades semelhantes. Mas, na verdade, o mesmo conjunto de letras tem um som diferente conforme a palavra onde se encontra :&lt;br /&gt;:: though - «Dou» - «apesar (de)»&lt;br /&gt;:: thought - «&lt;u&gt;Th&lt;/u&gt;ót» - «pensamento»&lt;br /&gt;:: through - «&lt;u&gt;Th&lt;/u&gt;ru» - «através (de)»&lt;br /&gt;:: thorough - «&lt;u&gt;Th&lt;/u&gt;ârou» - «minucioso»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo conjunto de letras «ough» é lido como «ou», «ó» ou «ú»!&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/IngTh.gif" width="200" height="107" align="right" border="0" /&gt;&lt;i&gt;O som «Th» é feito pondo em contacto a ponta da língua com os incisivos superiores. Em seguida, faz-se um som semelhante a um «s» fazendo passar o ar pelos dentes e a língua na posição descrita. Também pode ser lido como um «d» (como em «this») ou um «t» (como em «lighthouse»), consoante a palavra em que se encontra.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será também por ser mais sucinta ou lógica (apesar de, como outras línguas germânicas, não usar a dupla negativa como reforço da negação. Para mais ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/821470.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Duplex negatio&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;). O Latim é geralmente visto como uma língua complexa, em que a posição das palavras na frase pode alterar o seu significado e função; o Português, durante a época de ouro dos descobrimentos, produziu pensadores que falavam e escreviam em Português, sem que isso lhes minasse a objectividade (como o matemático português Pedro Nunes, abordado num comentário ao artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1073433.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;42 regras&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; ou o jogador de Xadrez Pedro Damião, abordado no artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1083629.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;O Rei vai manco&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem será a sonoridade do Inglês que o distingue das demais línguas: como visto no artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1081975.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Die Wahrheit den Herzen&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, se se analisar o uso da sonoridade «r» e «t» em 4 línguas europeias (Português, Inglês, Alemão e Francês), o Inglês e o Português são bastantes semelhantes em termos de «suavidade».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como em outros fenómenos culturais humanos, a resposta reside em circunstâncias históricas particulares que se combinam para produzir um efeito casualmente comum. Analisemos portanto a História da Língua inglesa, esta língua germânica de origem, germânica de vocabulário e de construção gramatical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/IngGB.gif" height="255" width="200" align="left" border="0" /&gt;O Inglês desenvolveu-se, ao longo dos séculos, numa ilha a norte da Europa, a que modernamente se chama Grã-Bretanha (que inclui a Escócia a norte, a Inglaterra no centro e sul e o País de Gales a oeste). A Irlanda, a ilha sua vizinha, fez já parte da Grã-Bretanha mas tornou-se independente em 1920 (reconhecido pelo governo britânico em 1921), ficando somente uma das suas 4 províncias, o Ulster (Irlanda do Norte) ligada ainda à Grã-Bretanha até hoje. É frequente ser usado o nome Inglaterra para designar o &lt;i&gt;Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte&lt;/i&gt;, na verdade é apenas um dos países que o constitui (e que, historicamente, uniu todos os outros sob a sua coroa).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Uma situação semelhante ocorre com os Países Baixos. Na verdade, trata-se de um só país e esta designação surge como tradução literal do seu nome na sua língua: «Netherlands». Muitas vezes chamado como Holanda, a Holanda é apenas um (na verdade dois) dos estados que constituem o país. Para mais sobre este assunto ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1072231.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Novas e demónios&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta do século 6 AC, habitavam, na Europa Central, um grupo de povos dispersos que falava uma língua comum. Daí, espalharam-se por o resto do continente e, em 3 AC, tinha já chegado à Península Ibérica a ocidente, à Anatólia (parte da actual Turquia) a oriente e às Ilhas Britânicas a Norte.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/IngClt.gif" width="450" height="314" border="0" /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa expansão pela Europa, os Celtas foram-se dividindo em povos cada mais mais numerosos, muitos deles tendo dado origem aos modernos nomes de muitos países europeus que se encontram na área dos seus antigos territórios: os &lt;i&gt;Gallaeci&lt;/i&gt; (Galiza) e os Celtiberos (no centro da Península Ibérica, fusão entre os Celtas e os Iberos, sendo uma das sua tribos os nossos conhecidos &lt;b&gt;Lusitanos&lt;/b&gt;), os &lt;b&gt;Aquitani&lt;/b&gt; (actual Aquitânia, no sudoeste da França), os &lt;b&gt;Helvetii&lt;/b&gt; (na actual Suíça e razão porque o adjectivo «helvético» se refere a esse país), os &lt;b&gt;Parisii&lt;/b&gt; (que deram o nome à cidade de Paris), os &lt;b&gt;Belgae&lt;/b&gt; (actual Bélgica), entre outros. Viveram nos seus territórios (com conflitos com povos seus vizinhos) durante muitos séculos até que os romanos venceram a sua rival Cartago e se apoderaram dos seus territórios (nomeadamente na Península Ibérica), no século 2 AC. Júlio César, general romano, no século 1 AC, empreendeu uma campanha militar de 10 anos que conquistou a Gália (onde residiam os Gauleses, um povo descendente dos primeiros povos celtas a alargarem fronteiras). Eventualmente, a maioria dos territórios celtas foram incorporados no Império Romano. Muitas línguas celtas (como o Lusitano, no território actual de Portugal) desapareceram sem deixarem vestígios significativos nas modernas línguas faladas nos seus antigos territórios (embora possam ter influenciado indirectamente a evolução do Baixo Latim para as modernas línguas românicas). Nas Ilhas Britânicas, os romanos não conquistaram a Irlanda nem o norte da Grã-Bretanha, actual Escócia. As línguas faladas aí (à parte o Inglês) são descendentes directas das línguas celtas e mesmo o seu sotaque característico é devido à influência celta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/IngSx.gif" width="120" height="163" align="right" border="0" /&gt;Mas, nos territórios romanos britânicos, deu-se a chegada do Latim e das línguas faladas pelos legionários romanos. Muitos eram oriundos de territórios conquistados e falavam outras línguas que não o Latim. Os soldados estacionados na Grã-Bretanha eram principalmente oriundos do actual norte da Alemanha e Dinamarca e a acompanhá-los vieram muitos colonos Anglos (de Angeln, região que agora é em Schleswig-Holstein, no norte da actual Alemanha), Saxões (da Saxónia, no sudeste da actual Alemanha) e os Jutos (oriundos da Jutelândia, Sul da Saxónia). Quando se deu a retirada romana das ilhas, no século 5 DC, foi a língua germânica desses soldados e desses colonos que foram a semente da língua que viria a ser conhecida como Inglês.&lt;br /&gt;Uma das diferenças entre esse dialecto germânico e as restantes é a transformação do som «k» no início de algumas palavras no som «ts». Vestígos dessa sonoridade da língua levada para a Grã-Bretanha pode-se encontrar em palavras como &lt;i&gt;cheese&lt;/i&gt; (queijo em Inglês), que se lê «txize», e em Alemão é &lt;i&gt;Käse&lt;/i&gt;, que se lê «kêsa». Ou &lt;i&gt;church&lt;/i&gt; (igreja em Inglês), que se lê «txârtx», enquanto em Alemão é «Kirche», que se lê «kirxa».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/IngVq.jpg" width="180" height="135" align="left" border="0" /&gt;Até que, três séculos depois, no século 8 DC, os Víquingues (&lt;i&gt;aqui temos um interessante palavra esdrúxula: «Ví»+«quin»+«gues» e como tal é acentuada na antepenúlima sílaba&lt;/i&gt;) oriundos da península escandinava (actuais Noruega, Suécia e Finlândia), conquistaram o nordeste da Grã-Bretanha (a costa mais próxima da sua península nativa). Navegavam nos seus característicos navios (geralmente conhecidos como «drakkar», que não passa da palavra víquingue para «Dragão», devido à forma da proa dos navios). Esta vaga de conquistadores, que falavam um língua germânica conhecida como «Norse» e que deu origem aos actuais Norueguês, Sueco e Finlandês, introduziu significtivas mudanças e simplificações nesse Proto-Inglês. Entre essas simplificações contam-se a conhecida ausência de género nas palavras inglesas (não há palavras masculinas ou femininas) e a perda das declinações da língua alemã. Surgiu assim o Inglês Antigo, ocasionalmente (mas não significativamente) importando umas poucas palavras gregas e romanas quando o Cristianismo foi introduzido nas ilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, as conquistas Víquingues prosseguiram na Europa.&lt;br /&gt;Uma tribo víquingue, os &lt;b&gt;Russ&lt;/b&gt; penetrou no actual território russo e deram o seu nome à região e ao país que aí viria a surgir: a Rússia (Terra dos Russ).&lt;br /&gt;Outra tribo víquingue instalou-se, no século X, no norte da França, na actual Normandia (derivado de «Norseman», homens do Norte, nome porque eram também conhecidos os Víquingues). &lt;i&gt;Foi na Normandia que as forças aliadas desembarcaram, na Segunda Guerra Mundial, só parando em Berlim, após a derrota dos exércitos nazis.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Eventualmente a língua dos conquistadores víquingues passou a ser a língua francesa da região que ocupavam, uma língua marcadamente românica. &lt;br /&gt;Quando, no século XI (em 1066), o Duque da Normandia, &lt;i&gt;Guilherme, o Conquistador&lt;/i&gt;, atravessou o canal da Mancha e venceu os Anglo-Saxões (a última invasão bem sucedida das ilhas britânicas até hoje! Os espanhóis tentaram infrutiferamente em 1588 e os Franceses, liderados por Napoleão, em 1744 e 1759), a Grã-Bretanha passou a ser governada pelos Normandos, que falavam Francês. Esta nova (e última invasão) voltou a introduzir alguma da complexidade gramatical na língua. Durante muitos séculos, à medida que a língua do povo britânico ia evoluindo, com as suas raízes germânicas e as suas influências germânicas e francesas, a língua da coroa inglesa era o Francês e, ainda hoje, o mote da casa real inglesa é «Dieu et mon droit» (Deus e o meu direito), expressão em língua francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Joana D&amp;#39;Arc" src="http://cognoscomm.com/mm/IngJq.jpg" width="90" height="190" align="right" border="0" /&gt;Durante muitos séculos, o Rei inglês (descendente de Guilherme, o Conquistador) era Duque da Normandia (no Norte da França) e esse facto despoletou fortes rivalidades entre ingleses e franceses, que deram origem à Guerra dos 100 anos (entre 1337 e 1453, cento e desasseis anos) sobre quem seria o legítimo Rei Francês, se a Casa de Valois (francesa) se a Casa Plantageneta (inglesa). Nesta guerra, notabilizou-se &lt;b&gt;Joana D'Arc&lt;/b&gt;, valorosa combatente francesa. No fim da Guerra, a casa de Valois (falou-se, em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/854645.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Fumare salutem&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, de &lt;i&gt;Marguerite de Valois&lt;/i&gt;, durante algum tempo possível futura mulher de D. Sebastião) emergiu como a governante de toda a França, incluindo o Ducado da Normandia. Essa rivalidade prosseguiu durante séculos, até que, no final do século XIX, uma aproximação histórica devido a uma linha de caminho-de-ferro entre as suas possessões africanas enterrou o machado de guerra entre os dois países (a Grã-Bretanha lidou de forma diferente connosco, o que originou a célebre questão do mapa Cor-de-Roa, de que se falou em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1077656.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Jardins cor-de-rosa&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;) e ambos se tornaram os fortes aliados a que o século XX nos acostumou, através da Iª e IIª Guerras Mundiais.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Nos dos primeiros artigos do Cognosco, &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/497917.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;&lt;/i&gt;Ái sei&lt;i&gt;&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; falou-se na semelhanças entre o Inglês e o Francês. Tendo em conta a história de como o Inglês surgiu, não estará muito longe da verdade a hipótese do artigo de que, talvez, algumas palavras inglesas não sejam mais do que mau Francês!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, esse povo oriundo da 8.ª maior ilha do Mundo (a 1.ª é a Gronelância, 2 milhões, 130 mil e 800 quilómetros quadrados; 2.ª é a Nova Guiné, 785 mil e 753 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;; 3ª é o Bornéu, com 748 mil e 168 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;; 4ª Madagáscar com 587 mil e 713 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;; 5.ª é Baffin com 507 mil e 451 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;; 6.ª é Sumatra com 443 mil e 66 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;; 7.ª é Honshu com 225 mil e 800 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; e a 8ª é a Grã-Bretanha com 218 mil e 595 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;), conquistou o Mundo. Na esteira dos Descobrimentos portugueses, os Holandeses fizeram seu o império português do Oriente (como visto em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1068005.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;A lágrima do Leão&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;). Após os Holandeses, os Ingleses dominaram todos os ocenos e levaram a sua língua aos «quatro cantos» do Mundo (claro que, como o Mundo é redondo, não tem cantos, apenas os mapas os têm).&lt;br /&gt;&lt;img alt="Joe Rosenthal - Marines americanos a levantar a bandeira americana em Iwo Jima" src="http://cognoscomm.com/mm/IngAmr.jpg" width="200" height="245" align="left" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Já no século XX, após duas desastrosas Guerras Mundiais que puseram de joelhos todos os países europeus devido ao grau de destruição a que foram sujeitos, os Estados Unidos, antiga colónia inglesa, emergiram como uma das Super-Potências do Mundo, tendo uma presença militar em todos os continentes habitados mundiais. Como o Inglês não era estranho à maioria dos países do mundo (devido ao antigo império inglês), a cúltura america espalhou-se facilmente por entre os países por onde estiveram os americanos na esteira da II.ª Guerra Mundial e da Guerra Fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E assim, uma língua fruto de misturas entre línguas germânicas e românicas, provinda de um povo insular no norte da Europa, se encontra na confortável posisão de língua franca do Mundo (não a mais falada, mas a internacionalmente mais usada).&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2008-04-23T09:26:00</issued>
    <title>O Rei vai manco</title>
    <published>2009-12-20T14:00:15Z</published>
    <updated>2010-08-08T11:36:40Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Corre o ano de 1996. Dois adversários confrontam-se num jogo usualmente sinónimo de raciocínio, imaginação, destreza mental e capacidade intelectual. Um é um relativo desconhecido, o outro é o campeão mundial. O primeiro é limitado intelectualmente, o segundo é dono de uma inteligência e cultura exemplares. No primeiro recontro, disputam seis partidas, sendo a primeira ganha pelo relativo desconhecido, enquanto outras três são ganhas pelo campeão mundial e registam-se dois empates. A vitória é do campeão mundial. Em Maio de 1997, voltam-se a encontrar o aspirante e o mestre. Desta vez, para surpresa e preocupação do mundo inteiro, o aspirante derrotou o mestre no conjunto das 6 partidas disputadas. O mestre: o campeão mundial de Xadrez &lt;strong&gt;Gari Kasparov&lt;/strong&gt;. O aspirante: o &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1053964.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;ducentésimo quinquagésimo nono&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; super-computador mais potente do mundo Deep Blue.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/XdTb.gif" border="0" alt="Tabuleiro de Xadrez" width="200" height="136" align="right" /&gt;Mas como pôde um computador ganhar a um ser humano numa actividade tão associada à inteligência e aptidão mental humanas? Terão os computadores finalmente chegado ao limiar da inteligência artificial? Estará a espécie humana prestes a ser derrubada pelas suas próprias criações? Já há muito as &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;hi&lt;/span&gt;stórias (&lt;code&gt;pois é, não me habituo/aprecio a usar o termo «&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;e&lt;/span&gt;stória»&lt;/code&gt;) de Ficção Científica abordam essa possibilidade.&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Ver os artigos&lt;br /&gt; ~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/597673.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/597673.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Ó AI meu bem&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; para uma análise do filme «IA - Inteligência Artificial»;&lt;br /&gt; ~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/674654.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/674654.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Kubernates&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; sobre a origem da palavra «ciberbética»;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/em&gt; Mas o que há de concreto na suposta inteligência de &lt;span style="color: blue;"&gt;Deep blue&lt;/span&gt;, esse gigante com 1,4 toneladas curtas, as usadas nos EUA, o que equivale às nossas 1,25 ton? Será que, na verdade, o xadrez não é o jogo de inteligência e astúcia que geralmente se pensa? Ou será que esta victória é a primeira indicação da revolução prestes a acontecer? Para responder a esta questão, talvez valha a pena analisar primeiro o que é, ao certo, o xadrez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/XdPc.gif" border="0" alt="Peças de Xadrez" width="150" height="137" align="left" /&gt;O Xadrez é um jogo de tabuleiro, que simula um cenário de disputa militar, em que se confrontam dois adversários. É jogado num tabuleiro com 64 (8x8) quadrados claros e escuros (geralmente, mas não sempre, brancos e pretos). No início do jogo, cada adversário tem, à sua disposição e nas duas filas mais próximas de si, 16 peças jogáveis: 8 «Peões», 2 «Torres», 2 «Cavalos», 2 «Bispos», 1 «Rainha» (ou «Dama») e 1 «Rei». Por convenção, o primeiro a jogar é quem tem as peças brancas. É também um jogo em que a peça mais poderosa e influente é feminina. Tendo em conta a ancestralidade do jogo, isto é digno de nota!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As peças só podem ser movimentadas de acordo com as suas regras próprias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ~ o &lt;strong&gt;Peão&lt;/strong&gt; só pode ser movido para a frente na vertical, desde que a casa esteja livre, um quadrado e, na primeira vez que é movido, pode (mas não é obrigatório) andar duas casas (ou quadrados) para a frente. Não se pode deslocar para uma casa já ocupada por outra peça excepto quando «come» a peça, o que só pode ocorrer na diagonal para a frente. Cada jogador tem oito Peões no início da partida;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ~ a &lt;strong&gt;Torre&lt;/strong&gt; só se pode mover na vertical ou na horizontal, quantas casas livres estiverem ao longo desse trajecto. Se houver uma peça do adversário a meio do trajecto que efectua, substitui («come») a peça adversária e fica no seu lugar. Se for uma peça da sua cor, pára na casa imediatamente anterior. Cada jogador tem duas Torres no início da partida;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ~ o &lt;strong&gt;Cavalo&lt;/strong&gt; move-se em «L»: 3 casas na vertical e 1 na horizontal ou 3 casas na horizontal e 1 na vertical (podendo começar por andar 1 casa numa direcção e depois 3 na direcção perpendicular a essa primeira). «Salta» por cima de quaisquer peças que estejam a meio do «L» que efectua, não as «come» mas ignora-as. Se, na casa onde termina o «L», estiver uma peça da outra cor, o cavalo «come» a peça, substituindo-a. Se estiver uma peça da mesma cor, o Cavalo não pode fazer o «L» para aí. Cada jogador tem, no início da partida, 2 Cavalos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ~ o &lt;strong&gt;Bispo&lt;/strong&gt; só se pode mover obliquamente, quantas casas estiverem livres ao longo desse trajecto. Se houver uma peça do adversário a meio do trajecto que efectua, substitui («come») a peça adversária e fica no seu lugar. Se for uma peça da sua cor, pára na casa imediatamente anterior. Devido à forma peculiar como se move, um Bispo deslocar-se-á, até ao fim da partida, sempre por quadrados da mesma cor que a sua casa inicial. Para cada adversário, um dos Bispos começa (e desloca-se) em casas «brancas» e o outro em casas «pretas». Cada jogador tem dois Bispos no início da partida;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ~ a &lt;strong&gt;raínha&lt;/strong&gt; pode-se mover como uma torre (na vertical ou na horizontal) ou como um bispo (obliquamente), quantas casas livres estiverem ao longo desse trajecto. Se houver uma peça do adversário a meio do trajecto que efectua, substitui («come») a peça adversária e fica no seu lugar. Se for uma peça da sua cor, pára na casa imediatamente anterior. Cada jogador tem apenas um raínha no início da partida e é a peça mais poderosa do jogador;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ~ o &lt;strong&gt;rei&lt;/strong&gt; é a peça mais importante do jogo, uma vez que a sua perda (&lt;code&gt;o substantivo, que se lê «pêr+da»&lt;/code&gt;) implica que se perca (&lt;code&gt;do verbo «perder», que se lê «pér+ca»&lt;/code&gt;) o jogo. Pode-se mover como uma torre (na vertical ou na horizontal) ou como um bispo (obliquamente), mas apenas uma casa de cada vez. Se houver uma peça do adversário no quadrado para onde se desloca, substitui («come») a peça adversária e fica no seu lugar. Se for uma peça da sua cor, não se pode deslocar nesse sentido. Cada jogador tem apenas um rei no início da partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Há ainda, além destas regras de movimento, outras que alteram a movimentação das peças: Roque (quando Rei e Torre trocam), Captura &lt;em&gt;en passant&lt;/em&gt; (quando um peão chega à 3.ª linha do adversário) ou a Promoção (quando um peão chega à 1.ª linha do adversário e pode ser subtituído por qualquer peça que o jogador queira).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É um jogo estimulante e interessante e muito tem-se já escrito sobre este jogo de origens antiquíssimas (&lt;em&gt;veja-se, por exemplo, o artigo, sobre o Xadrez na Wikipédia em Português, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Xadrez" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Xadrez" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Xadrez&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;). As suas regras são simples, a estratégia é que demora a ser dominada e implementada. E, seguramente, saber como as diferentes peças se movem no tabuleiro não é o mesmo que saber jogar Xadrez. Quando um ser humano aprende a jogar, começa por interiorizar os movimentos das peças. Mas, quando joga com um jogador (mesmo que pouco mais) experiente, vê-se derrotado de formas que geralmente o surpreendem e o deixam admirado. «O meu adversário pôs ali a Torre há umas quantas jogadas e agora ela está no sítio certo para ele vencer-me facilmente agora. Parece que foi planeado ou assim...»&lt;br /&gt; &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/XdMv00.jpg" border="0" alt="" width="100" height="100" align="right" /&gt;&lt;em&gt;Um famoso internacionalmente jogador de Xadrez português foi &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;Pedro Damião&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt; (1480-1544), também conhecido pela versão italiana do seu nome, Pedro Damiano. Nascido em Odemira, era farmacêutico de profissão. Em 1512, escreveu o livro &lt;/em&gt;Questo libro e da imparare giocare a scachi et de li partiti&lt;em&gt; (Este livro e como jogar xadrez e [jogar] partidas), que teve 8 edições durante o século XVI (numa era em que a imprensa tinha menos de um século de existência): foi um best-seller na sua altura. Nele, Pedro Damião descreve as regras do jogo, dá conselhos sobre estratégias a usar e faz a análise de algumas jogadas e aberturas de jogo. É também o primeiro livro onde aparece referida a regra de que o tabuleiro deve ser colocado, frente ao jogador, com o quadrado da direita na fila mais próxima de si de cor branca (ou, o que é o mesmo, com o quadrado da esquerda de cor preta).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/XdQd.jpg" border="0" alt="Pormenor de um quadro de Vermeyen" width="200" height="113" align="left" /&gt;E a verdade é que um ser humano, quando verdadeiramente sabe jogar Xadrez, sabe como e onde colocar as peças para planear as jogadas futuras, não se limita à jogada imediata. Faz o planeamento, a antecipação, certos padrões de colocação das peças, algumas jogadas e os seus possíveis desfechos. Um computador não pode fazer a maioria destas coisas. Poderá ter um programa que lhe identifica padrões de peças mas não pode planear, ou antecipar, ou colocar-se no papel do adversário.&lt;br /&gt; &lt;em&gt;A imagem é um detalhe do quadro, do pintor renascentista holandês &lt;em&gt;Jan Cornelisz &lt;strong&gt;Vermeyen&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1500 - 1559), «Von Sachsen jouant aux échecs avec un noble espagnol» (Von Sachsen joga Xadrez como um nobre espanhol), pintado em 1549. Na verdade, Varmeyen nasceu em Beverwijk, cidade da província da Holanda do Norte, um das 12 províncias do país &lt;strong&gt;incorrectamente&lt;/strong&gt; designado, em vários países, por Holanda (há duas, Holanda do Norte e Holanda do Sul, dentro do país). Ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1072231.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1072231.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Novas e demónios&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; para mais sobre esta questão, sobre o declínio do Império Português no Oriente e para se saber a ligação entre a província da Zelândia e a Nova Zelândia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas então como foi possível um computador ganhar a um ser humano? As regras de movimentação são simples e até uma criança as pode saber e usar mas isso não significa que se saiba jogar Xadrez por isso. &lt;em&gt;(Da mesma forma, qualquer um pode dar um chuto numa bola mas nem todos são bons o suficiente para serem convocados para uma selecção.)&lt;/em&gt; Poder-se-á pensar que a simplicidade das regras do Xadrez poderá explicar a vitória de &lt;em&gt;Deep Blue&lt;/em&gt;. Bastaria que o computador analisasse todas as possibilidades de como as peças podem ser movidas e escolhesse, de cada vez, as que dão origem a uma vitória sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Por vezes, surge a dúvida sobre se se deve escrever «analisasse», «escolhesse», «comesse»,... ou «analisa-se», «escolhe-se», «come-se»,...  A primeira forma (sem travessão) é o pretérito imperfeito enquanto a segunda é o presente. Uma mnemónica que se pode usar é a de que a sílaba tónica (o «acento» caso ele estivesse presente) não está ao pé do travessão. «Ana-b&amp;gt;lisa-se» e «anali&lt;strong&gt;sa&lt;/strong&gt;sse». Mais uma vez, como referido no artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1067238.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1067238.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Esdruxulamente&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; é importantíssimo saber onde a sílaba tónica está presente na palavra analisada.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acontece que o número de jogadas possíveis num jogo de Xadrez ultrapassa até o número de átomos existentes no Universo (estima-se que seja aproximadamente 10&lt;sup&gt;75&lt;/sup&gt; o total de átomos no Universo inteiro). Devido à complexidade do jogo, e ao crescimento explosivo de jogadas possíveis à medida que o jogo decorre, há várias estimativas para o total de posições no tabuleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em 1950, o matemático norte-americano &lt;em&gt;Claude Elwood &lt;strong&gt;Shannon&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; estimou que o número total de jogadas possíveis num jogo com 40 turnos era, numa estimativa por baixo, de 10&lt;sup&gt;120&lt;/sup&gt; (um 1 seguido de 120 zeros), o chamado &lt;strong&gt;Número de Shannon&lt;/strong&gt;. Para se ter uma ideia da magnitude deste número, o Universo tem aproximadamente &lt;br /&gt; 13 mil milhões de anos (13,73 × 10&lt;sup&gt;9&lt;/sup&gt;) = 1,373 × 10&lt;sup&gt;10&lt;/sup&gt; anos.&lt;br /&gt; Um ano tem 365,25 dias, cada dia tem 24 horas, cada hora 60 minutos, cada minuto 60 segundos. Multiplicando todos estes números, o Universo tem um total de&lt;br /&gt; 410 &lt;small&gt;mil biliões,&lt;/small&gt; 248 &lt;small&gt;biliões e&lt;/small&gt; 800 &lt;small&gt;mil milhões&lt;/small&gt; = 4,1 × &lt;strong&gt;10&lt;sup&gt;15&lt;/sup&gt;&lt;/strong&gt; segundos de existência.&lt;br /&gt; Este é um número vastamente inferior aos 10&lt;sup&gt;120&lt;/sup&gt;.&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Outro exemplo, o Universo tem milhares de milhões de galáxias, sendo a nossa (a Via Láctea) apenas uma delas. Estima-se que a nossa galáxia tenha &lt;strong&gt;apenas&lt;/strong&gt; perto de&lt;br /&gt; 200 mil milhões (2 x 10&lt;sup&gt;9&lt;/sup&gt;) de estrelas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; E apenas numa partida com 40 turnos (a média nos jogos internacionais)...&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1053964.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1053964.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Termos ordinais&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; para mais sobre ordinais e cardinais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ou seja, um computador nunca conseguiria planear, no início de uma partida, todas as jogadas que deve fazer para ganhar o jogo. Demorar-lhe-ia muito mais do que todo o tempo de vida do Universo para efectuar apenas a primeira jogada de uma estratégia vencedora. No máximo, consegue planear as jogadas seguintes mais próximas. Mas, se os seres humanos são muito mais capazes de planificação e antecipação, como pode um computador não só jogar como ganhar a um ser humano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em primeiro lugar, é necessário avaliar a força das peças que o computador e o jogador têm disponíveis. Para isso, é atribuído, a cada peça, um valor numérico que indica quão importante ela é. Assim, são geralmente atribuídos os seguintes valores às peças de Xadrez (outras numerações são possíveis, mas esta é geralmente a mais aceite):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div class="saportecontainer" style="text-align: justify;"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://cognoscomm.com/mm/XdPcs.gif" alt="" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Rainha&lt;/strong&gt; - 9 pontos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Torre&lt;/strong&gt; - 5 pontos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Bispo&lt;/strong&gt; - 3 pontos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Cavalo&lt;/strong&gt; - 3 pontos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Peão&lt;/strong&gt; - 1 ponto;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estes são os valores que o computador atribui às peças que tem e às peças que o adversário tem para avaliar o equilíbrio de forças. Com os cálculos efectuados, um computador podia fazer uma «árvore de decisão»: no início da partida, o jogador «branco» tem 20 possibilidades de jogar (cada um dos 8 peões pode avançar 1 ou 2 casas - 16 possibilidades - e um dos dois cavalos pode avançar para um de dois quadrados - 4 possibilidades). Como resposta, o jogador «preto» tem as mesmas 20 possibilidades de jogar. Dependendo da peça jogada, o jogador «branco« tem depois um número variável de possibilidades de jogo, assim como o jogador «preto». Como forma de facilitar o cálculo, suponhamos que cada jogador tem novamente 20 possibilidades de jogar no turno seguinte. No segundo turno, no qual o jogador preto» joga, há 20x20 = 400 possibilidades de jogadas. No terceiro turno, no qual joga o jogador «branco», há 400x20 possibilidades de jogadas. Continuando estes cálculos (simplificados, não esquecer), chega-se ao turno 12 (cada jogador fez apenas 6 jogadas) com 4x10&lt;sup&gt;15&lt;/sup&gt; jogadas possíveis, tantas como os segundos de existência do Universo!&lt;br /&gt; Assim, numa partida de 40 turnos, usando esta simplificação, haveria 20&lt;sup&gt;40&lt;/sup&gt; = 1,1x10&lt;sup&gt;52&lt;/sup&gt; jogadas possíveis (um número tão grande que não há, em qualquer língua humana, um nome comum para esta ordem de grandeza. Os nomes acabam-se no «decalião» 10&lt;sup&gt;33&lt;/sup&gt;).&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1053964.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1053964.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Termos ordinais&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; para mais sobre como nomear os números acima do milhão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/XdDbKp.gif" border="0" alt="" width="247" height="333" /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt; O computador-jogador de Xadrez, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;DeepBlue&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; conseguia efectuar 11,38 gigaflops (ou seja, uma vez que 1 FLOPS «FLoating Operations Per Second» indica 1 operação por segundo, isto significa que é capaz de efectuar 1,138x10&lt;sup&gt;10&lt;/sup&gt; operações por segundo, ou &lt;strong&gt;uma dezena de milhares de milhões de operações num segundo&lt;/strong&gt;). As partidas efectuadas entre &lt;strong&gt;Kasparov&lt;/strong&gt; e &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Deepblue&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; foram 12, divididas por 2 jogos de 6 partidas cada. O quadro acima faz um resumo dessas partidas:&lt;br /&gt; ~ na primeira coluna, o número da partida;&lt;br /&gt; ~ na segunda coluna, quantos turnos teve cada partida;&lt;br /&gt; ~ na terceira coluna, quem ganhou a partida;&lt;br /&gt; ~ na quarta coluna, quantas jogadas seriam necessárias calcular &lt;small&gt;(se acordo com o cálculo simplificado apresentado acima)&lt;/small&gt;;&lt;br /&gt; ~ na quinta coluna, quantos segundos demoraria DeepBlue a efectuar esse cálculo;&lt;br /&gt; ~ na sexta coluna, quantos &lt;strong&gt;anos&lt;/strong&gt; demoraria a efectuar esses cálculos.&lt;br /&gt; &lt;em&gt;O valor 45,9167 é a média de turnos de cada partida ao longo dos dois jogos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; Mesmo na partida mais curta, a última, com apenas 19 turnos jogados, DeepBlue demoraria 1 mil e quinhentos milhões de anos a calcular todas as jogadas possíveis!&lt;br /&gt; &lt;code&gt;A tabela que compilei pode ser encontrada aqui &lt;a href="http://cognoscomm.com/mm/JogadasXadrez.xls" target="blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Jogadas de Xadrez&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/code&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um computador moderno, por mais avançado que seja, baseia todo o seu poder de processamento em cálculos brutos, ao contrário de um ser humano. Por exemplo, imagine-se que é necessário calcular metade de 512. Um computador efectuaria mesmo a divisão, após transformar o número da base decimal para a base binária, chegando ao valor de 256 na base binária e transformando o resultado para a base decimal. Um ser humano poderia, por exemplo fazer os seguintes raciocínios:&lt;br /&gt; 512 = 500 + 10 + 2. Metade de 500 é 250, metade de 10 é 5, metade de 2 é 1. Tudo somado é 250+5+1 = 256. Um outro exemplo poderia ser o cálculo do dia da semana a que calha (ou calhou) determinada data, poderia usar a Regra de Zeller e efectuar todos os cálculos. Um ser humano poderia apenas somar (ou subtrair) 7 em 7 de uma data de que conhece o dia da semana (por exemplo, o dia em que está).&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Para mais sobre a Regra de Zeller e como efectuar cálculos para determinar o dia da semana de uma data a partir de outro, veja-se &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/923335.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/923335.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Problema calendarii&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas, de os cálculos necessários, demorariam muito mais do que o tempo que o Universo tem vida, como se programa um computador, mesmo os modestos computadores domésticos, para jogar e ganhar uma partida de Xadrez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/XdTrk.gif" border="0" alt="O Turco" width="150" height="182" align="left" /&gt;Se um computador (ou um ser humano) conseguisse calcular TODAS as jogadas possíveis de uma partida, bastar-lhe-ia, em cada turno, escolher a jogada que levaria à sua vitória. Mas acontece que não consegue. Já houve máquinas com a reputação de saberem jogar (e ganhar) a seres humanos numa partida de Xadrez, sendo o mais famoso «O Turco», exibido pela Europa e América entre 1770 e 1854, tendo até derrotado Napoleão Bonaparte, em 1808. Em 1859, foi desvendado o segredo das vitórias d'O Turco: um operador humano escondia-se no interior da «mesa» onde se desenrolava a partida, manobrando engrenagens para que o boneco fizesse as famosas movimentações de peças e ganhasse partidas. Por um elaborado sistema de painés de madeira, o operador era escondido quando se abriam as portas que «mostravam» o mecanismo de funcionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas foi apenas com o advento dos computadores, na segunda metade do século XX, que foi possível ter máquinas que verdadeiramente jogavam e derrotavam seres humanos. Usavam, além do seu poder de cálculo, um teorema demonstrado, em 1928, pelo matemático &lt;em&gt;John &lt;strong&gt;von Neumann&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, o &lt;strong&gt;Teorema Minimax&lt;/strong&gt;, que permite analisar, numa situação como uma disputa de recursos, a determinação da melhor estratégia a adoptar, um jogo (de Xadrez ou algo tão simples como o Jogo do Galo, conhecido como «Jogo da velha» no Brasil).&lt;br /&gt; &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/XdJg.gif" border="0" alt="" width="500" height="59" /&gt;&lt;br /&gt; Começa por verificar todas as jogadas possíveis ao fim de 3 turnos. Tendo em conta os valores das peças presentes no tabuleiro nesse jogada, bem como a sua posição e vários outros parâmetros (como a existência de padrões que conduzem a estratégias já conhecidas), o computador calcula o valor dessa posição. Faz o mesmo para cada uma das (aproximadamente) 20x20x20 = 8 mil. Escolhe então a posição mais vantajosa para si (o &lt;strong&gt;máximo&lt;/strong&gt;) e verifica as posições da jogada anterior (a do adversário) que conduziram a essa. Desta vez, faz a mesma análise para as (sensivelmente) 400 jogadas anteriores mas escolhe o valor mais baixo (o &lt;strong&gt;mínimo&lt;/strong&gt;) uma vez que a pior jogada do adversário é a melhor para si. Verifica então as (mais ou menos) 20 jogadas que conduziram a esse valor mínimo do adversário, escolhendo a jogada que poderá fazer que tem uma disposição de peças com o valor mais elevado. É por ter essa procura que oscila enre a procura de um máximo e de um mínimo que o teorema é chamado de &lt;strong&gt;Minimax&lt;/strong&gt;. Usando o &lt;strong&gt;Algorimo Alfa-Beta&lt;/strong&gt;, o computador elimina os ramos que são o resultado de uma posição com um valor muito baixo (caso seja um turno em que jogaria) ou um valor muito alto (caso seja um turno do adversário). Esse mínimo  esse máximo recebem o nome de Alfa e Beta (daí o nome do Algoritmo), permitindo ao computador reduzir até quase metade os cálculos a efectuar. Este método relaciona-se com o Método de Condorcet, aplicável a eleições (onde se escolhe o cadidato com mais escolha dos eleitores). Em Portugal, além das eleições directas para Presidente da Reública  para Primeiro-Ministro, usa-se o Método de D'Hondt (ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1030384.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;D'Hondt vem?&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;) para as eleições para o Parlamento nacional (situação em que há vários vencedores).&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Para um exemplo, em Português, do algoritmo em funcionamento ver &lt;a href="http://www.bugio.org/ia/node17.html" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.bugio.org/ia/node17.html" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;O algoritmo Alfa-Beta&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Adicionando a possibilidade de o computador poder mudar os valores das posições (de onde escolhe a melhor para si e a pior para o adversário), de modo a reflectir os jogos que vai efectuando (os jogos de Xadrez domésticos em computadores não têm essa opção mas computadores que são unicamente jogadores de Xadrez como o famoso &lt;em&gt;DeepBlue&lt;/em&gt;), o computador não só pode efectuar bons jogos, ganhá-los bem como «aprender» com os jogos que vai efectuando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/XdKsp.jpg" border="0" alt="Garry Kasparov" width="150" height="226" align="right" /&gt;Ou seja, a vitória de  &lt;em&gt;DeepBlue, longe de pressagiar o fim do controlo humano sobre os computadores, na verdade é uma demonstração de quão longe o espírito humano pode compreender e ultrapassar-se a sim mesmo: um simples teorema matemático e o avanço que os seres humanos estão sempre a criar para as suas máquinas em termos de cálculos em bruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;A vitória de &lt;em&gt;Deepblue&lt;/em&gt; sobre Kasparov apenas demonstra a força e capacidade do espírito humano e a sua capacidade de se ultrapassar. A inteligência humana não sai manca do embate contra &lt;em&gt;DeepBlue&lt;/em&gt;, sai mais forte e reforçada.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;O primeiro registo de um jogo semelhante ao Xadrez surgiu, no século VI DC, na Índia, com o nome de «Chaturanga» (que significa «4 divisões militares»: Infantaria (peões), Cavalaria (cavalos), Elefantes de guerra (bispos) e Carros de combate (torres). Um século depois, é adoptado na Pérsia, com o nome de «Shatranj». Os Árabes introduziram depois, no século XX, o jogo na Península Ibérica, onde «Shatranj» se transformou em «Xadrez». Nos países anglófonos, do persa Xá («āh») derivou a palavra «Chess» que usam para o jogo. O termo «Cheque» derivou da mesma palavra persa («āh»), vindo a ser incorporado no vocabulário francês arcaico como «eschec». De «eschec» derivou, por evolução convergente, o termo «cheque», usado quando o Rei está ameaçado mas tem possibilidade de se defender ou afastar do ataque. O termo «Cheque-mate» deriva do persa «Shah Mat» que significa "O Rei (Xá) está indefeso" ou "O Rei está desprotegido". É comum pensar-se que significa «O Rei está morto", mas não é esse o seu significado. A palavra «mate» evoluiu da palavra persa «mandan», que entronca na mesma raíz que a palavra latina «mancu». «Mandan» é utilizado no contexto de abandonado (ou surpreendido sem protecção) e «mancu», que evoluiu para o «manco» português, tem o significado usual de desprovido de um membro.&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2008-02-23T20:17:00</issued>
    <title>Die Wahrheit den Herzen</title>
    <published>2009-12-20T14:00:15Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:15Z</updated>
    <content type="html">&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/DtchIlona.jpg" height="100" width="100" align="left" border="0" /&gt;&lt;i&gt;Hallo. Ich bin Ilona. Wie heißt du?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis uma frase que faria levantar algumas sobrancelhas e não apenas por não se entender o seu significado (um simples «Olá. Eu sou a Ilona. Como te chamas?»). Quando se fala em (ou no) Alemão, recebe-se respostas como «Eu não sei Alemão mas não gosto, acho uma língua muito feia, muito dura de se ouvir. E depois tem umas letras esquisitas». É claro que o Alemão é uma língua como outra qualquer, nem mais nem menos feia. Estes são critérios subjectivos, variando conforme cada um. Mas de onde terá surgido esta má vontade em relação a uma das línguas mais antigas e importantes da Europa? Língua de compositores como Mozart e Strauss (o das valsas), poetas como Goethe, cientistas como Einstein e Von Braun (que desenhou os foguetões que levou o Homem à Lua), matemáticos como Gauss? E quem fala em língua fala nos próprios Alemães.....&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A frase teria soado como «Hálô. Ixe bin Ilôna. Vi áisst du?». O ß não passa de um duplo «s» e assim é lido...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de que se trata de um povo frio, calculista, que fala uma língua que se assemelhará a uma sucessão de rosnidos poderá estar ligada ao passado recente e a um indivíduo, com um complexo de inferioridade e um bigodinho ridículo que, em 12 anos de governo, conseguiu destruir e distorcer uma cultura e uma nação que foi sempre das mais humanitárias e culturais do Mundo. Mas aproveitou as circunstâncias históricas em que surgiu e soube explorar, criar e aumentar os sentimentos negativos que na altura existiam, devido à forma como foi conduzido o final da I.ª Guerra Mundial (que não foi iniciada por eles, como por vezes se pensa). Para mais sobre a I.ª Guerra Mundial ver:&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/768561.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Um século&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre as ligações do terrorismo islâmico moderno às acções britânicas e francesas após a vitória contra as Potências Centrais;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/667146.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Deutschland (Alemanha em Alemão)&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre a razão de os Alemães chamaram ao seu país Deutscland;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/639806.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;As pontes de Königsberg&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre a ligação entre a Alemanha e a criação dos Grafos;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1074015.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Cavaleiro de Trapp'o&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre a família que inspirou o filme «Musica no Coração (A noviça rebelde) e a sua fuga aos nazis;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/872746.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Pacis nox&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre o mais bonito episódio de Natal e que se passou na I.ª Guerra Mundial;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/DtchBnd.jpg" height="144" width="100" align="right" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;E a Alemanha não se resume ao Holocausto (e é de recordar que os primeiros judeus mortos pelos nazis foram os judeus alemães, pessoas que apenas a religião distinguia dos restantes. A barbárie nazi começou por comer os próprios Alemães...) nem ao governo de 12 anos de um psicopata megalómano que, para nosso infortúnio, subiu ao poder de uma nação poderosa e respeitável como a Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um das críticas mais fáceis que se ouvem à língua alemã é que «tem muitos R's, é muito dura no ouvido!». Mas corresponderá isto à verdade? Será simplesmente um preconceito perpetuado pelo desconhecimento ou terá algum fundo de verdade? Analisemos a frequência com que a letra R surge em algumas línguas europeias, com base em algumas estatísticas retiradas da internet. Assim, em 1 000 letras, podemos encontrar as seguintes proporções de R:&lt;br /&gt;Espanhol 7,7%; Francês 7,4%; Português 7,3%; Italiano 7,0%; &lt;u&gt;Alemão 6,9%&lt;/u&gt;; Latim 6,8%; Inglês 6,1%.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Estas percentagens variam com a amostra de mil letras que se use. Para outras estatísticas sobre a frequência das letras entre várias línguas, ver &lt;/i&gt;&lt;a href="http://everything2.com/index.pl?node_id=914452" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Frequência das letras em várias línguas&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;i&gt; O valor do tamanho das amostras é importante, já que, pela &lt;b&gt;Lei dos Grandes Números&lt;/b&gt;, quanto maior a amostragem recolhida mais a frequência relativa se aproxima da probabilidade pretendida. E a selecção das amostras desempenha um papel importante também.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/DtchCss.jpg" height="150" width="104" align="left" border="0" /&gt;Ou seja, mesmo o Português usa mais vezes o R nas suas palavras do que o Alemão. Mas será que a forma como o R é pronunciado em Alemão é tão carregada que os R's que há são realçados e exagerados? Explicaria isso a razão pela qual poderá parecer, a alguns, que há mais R's do que há verdadeiramente? Na verdade, como em muitos (todos?) outros países, há vários dialectos de Alemão, sendo que alguns carregam mais no R do que outros. No Alemão Padrão, muitos R's são quase inaudíveis ou transformados num som semelhante a um A. Por exemplo, considere-se esta citação do fabuloso filme alemão, de Fritz Lang, de 1927, «Metrópolis», pioneiro nos efeitos especiais: «&lt;b&gt;Der Mittler zwischen Hirn und Händen muss das Herz sein.&lt;/b&gt;» (Entre a mente e a mão deve estar o coração). Esta frase, lida em Alemão Padrão, soaria como «Déa Mítla chvíchan Hérrne unt Hénden mus dás Hertze záin». Outros dialectos, como o Alemão austríaco, pronunciam mais carregadamente o R. Mas o Alemão Padrão suaviza naturalmente o R. Ou seja, é mais a má vontade/desconhecimento do que realidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, decidi, procurar por mim mesmo as frequências do uso do R e do T (outro possível candidato para a ideia de que o alemão é uma língua muito desagradável) nas «principais» línguas europeias (claro que este «principais» é um adjectivo de cariz estritamente pessoal). Por isso, reuni, textos com uma informação similar em 4 línguas europeias diferentes: Português, Inglês, Alemão e Francês. Para o fazer, consultei as páginas da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Wikipédia em Português&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Main_Page" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Wikipedia em Inglês&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://de.wikipedia.org/wiki/Hauptseite" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Wikipedia em Alemão&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; e a &lt;a href="http://fr.wikipedia.org/wiki/Accueil" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Wikipédia em Francês&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;. O objectivo foi encontrar, em cada uma delas, textos sobre os 4 países de onde a língua é originária: Portugal, Inglaterra, Alemanha e França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que encontraria uma frequência similar àquela que encontrei?&lt;br /&gt;E verdade é que a minha insistência foi proveitosa: encontrei valores bastantes díspares&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/DtchFrq.gif" width="500" height="104" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Os dados que encontrei e coligi podem ser encontrados &lt;a href="http://cognoscomm.com/mm/DchtFrq.xls"&gt;&lt;font color="blue"&gt;aqui&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto não responde na totalidade à questão de saber se realmente o Alemão é uma língua que diz mais R's (e T's) do que as outras línguas europeias.&lt;br /&gt;Com o propósito de fazer essa comparação, criarei um valor estatístico, que denominarei de &lt;b&gt;Dureza da Língua em Português&lt;/b&gt; (a percentagem dos sons que, na língua, são ouvidos como R's e como T's para quem fala Português).&lt;br /&gt;Infelizmente, há várias excepções, em todas as línguas, e nem todas podem ser avaliadas olhando apenas à forma como a palavra é escrita. Mas, mesmo tendo em conta esta característica das línguas vivas, é possível traçar tendências gerais.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É claro que este é um critério puramente subjectivo e lusocentrado, uma vez que é uma definição baseada no que alguém, cuja língua materna é o Português, ouve.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Português, um R lê-se carregado (no início das palavras e quando num RR). De outra forma, fala-se um R muito suave, quase nem R, como em «claro» ou em «protagonista».&lt;br /&gt;Juntando os mesmos textos sobre as 4 países europeus e fazendo uma contagem, obtive, em 100 mil letras, 757 (0,757%) R's carregados (RR e R no início das palavras). Além disso, obtive um total de 4817 (4,817%) T's (que é sempre lido como T). Obtive uma percentagem de &lt;b&gt;Dureza da Língua em Português (DLEP)&lt;/b&gt; do &lt;b&gt;Português&lt;/b&gt; de &lt;b&gt;5,574%&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/DtchIgr.jpg" width="150" height="212" align="right" border="0" /&gt;Em Alemão, geralmente um R é lido como um R carregado, com a excepção de, no final de uma palavra, de um «er», «ir», «or», «ur». A somar ao som R escrito com esta letra, há ainda que contabilizar os «ach» (árr), «och» (órr) e «uch» (úrr). Assim, num total de 220 mil caracteres num texto, há 14 mil e 443 (6,565%) R's carregados. Como, além dos T's, os Z's se lêem como «tz», há 15 mil e 520 (7,068%) T's pronunciados. Assim, o &lt;b&gt;DLEP em Alemão é 13,633%&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Em Francês, os R's são ditos carregados, com excepção dos «er» no final das palavras (há excepções como «mer» -&amp;gt; mar). Assim, em 182 mil caracteres, encontrei 11 mil e 046 (6,069%) R's carregados e 11 mil e 026 (6,058%) T's. Assim, o &lt;b&gt;DLEP em Francês é 12,127%&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Em Inglês, os R's não são lidos da forma carregada que se faz noutras línguas: o som R é feito com a língua no topo da boca (os R's suaves) e não com a garganta (os R's carregados). Os T's são lidos como T's, exceptuando-se os Th (um som que se assemelha mais a um S feito com a língua a tocar nos dentes). Assim, em 246 mil caracteres, conto 0 R's carregados e 13 mil e 332 (5,420%) T's. O &lt;b&gt;DLEP do Inglês é 5,420%&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, após esta imensa odisseia estatística, eis que encontro valores surpreendentes:&lt;br /&gt;O total de R's e T's, nas 4 línguas estudadas, aproxima-as todas. Mas já a «dureza» com que um falante de Português as ouve aproxima, surpreendentemente, o Português ao Inglês e o Alemão ao Francês.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/DtchDLEP.gif" width="342" height="200&amp;quot;" border="0" /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atente-se a este exemplo da música «La foulle», em Francês, cantada por Edith Piaf, e preste-se atenção aos «R»'s da letra. O R's em Francês são bastante carregados, o que não significa que a língua não seja romântica...&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gHGN9uoFtZ8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gHGN9uoFtZ8&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ou seja, tendo em consideração não apenas o uso das letras R e T mas também o som ouvido, o Alemão (padrão) não se sai muito pior do que uma língua, tida como romântica e agradável, como o Francês. E a nossa língua também se aproxima bastante, em termos de sonoridade menos carregada, ao Inglês. Eis duas conclusões verdadeiramente surpreendentes...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;No título «A verdade do coração» em Alemão».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouça-se esta excelente música, cantada em Alemão pela banda alemã Juli (cuja vocalista se chama Eva Briegel): «Regen und Meer» (Chuva e Mar). Quem, depois de ouvir a música, pode verdadeiramente continuar a achar que o Alemão é uma língua dura? É uma língua muito bonita, é preciso é não cair em falsos pressupostos, em repetições do que se ouve e em julgamentos apressados:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8_fwhto3oFw&amp;amp;hl=pt-br"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8_fwhto3oFw&amp;amp;hl=pt-br" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div align="left"&gt;&amp;lt;/i&amp;gt;.&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2008-01-06T16:03:00</issued>
    <title>Vandalismo civilizacional</title>
    <published>2009-12-20T14:00:16Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:16Z</updated>
    <content type="html">&lt;img alt="Machado de 2 faces" src="http://cognoscomm.com/mm/VdMcDp.gif" width="100" height="245" align="right" border="0" /&gt;Há palavras que surgem no uso quotidiano sobre as quais geralmente não se descortina bem qual a sua origem ou só se tem uma vaga ideia. Uma dessas palavras é «Vândalo». Uma brevíssima pesquisa virtual permite encontrar, entre outros cabeçalhos de revistas e jornais, os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;~ Maio de 2007:&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Um &lt;b&gt;vândalo&lt;/b&gt; no estômago - &lt;/i&gt;Helicobacter pylori&lt;i&gt; causador da úlcera&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;~ Agosto de 2007:&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Stephen King tomado por &lt;b&gt;vândalo&lt;/b&gt; em livraria&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;~ Outubro de 2007:&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;&lt;b&gt;Vândalo&lt;/b&gt; tinge de vermelho a água da Fontana di Trevi&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os exemplos sucedem-se ininterruptamente. É uma palavra que está firmemente implantada no léxico de muitas línguas europeias, incluindo o português. Mas de onde vem este termo? A que se deve? E será justificado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num artigo anterior, &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1060630.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Polimáticos possidónios&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, verificou-se que que o uso corrente que se dá de «Possidónio» não faz jus ao grande Homem que foi o filósofo Possidónio, figura maior do Estoicismo.&lt;br /&gt;Também, em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/965386.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Ante mortem vivetes&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, se verificou que a História do Marechal La Palisse em nada corresponde ao uso caricatural que se faz do seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma definição, dada por um qualquer dicionário de Português, de &lt;b&gt;Vândalo&lt;/b&gt; será:&lt;br /&gt;&lt;code&gt;Aquele que destrói monumentos ou objectos dignos de respeito&lt;/code&gt;.&lt;br /&gt;Porque se associa este nome, vândalo, a este tipo de actos? A palavra terrorista vem de terror (que quer causar) mas vândalo vem de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/VdCv.gif" width="100" height="112" align="left" border="0" /&gt;Ora muitas são as pessoas que têm conhecimento da existência histórica de um povo intitulado Vândalos, algumas mais sabem que, em algum momento da História romana, invadiram a cidade de Roma. Até que ponto corresponderá o uso do seu nome aos seus actos históricos? Será esse adjectivo pejurativo o único legado que esse povo deixou? Será surpreendente saber que, na fronteira portuguesa, existe toda uma vasta região cujo nome se deve a este povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Façamos então uma viagem pelo tempo e acompanhemos a História notável deste povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Júlio César (100AD - 44AD) entrou na Gália (actual França) para ajudar os Gauleses contra as investidas militares dos povos Germânicos. Após repeli-los, acabou por ficar na Gália e, após longas campanhas militares, conquistou-a. Em 52AC, derrota Vercingetorix, líder gaulês, e toda a região fica controlada. Entretanto, aproveitando a ausência de César, os seus adversários políticos em Roma começam a conspirar contra ele. César regressa então à península romana, atravessando o Rio Rubicão (rio entretanto desaparecido no norte da Itália). Para isso, quebra uma lei do Senado Romano que proíbe qualquer general romano de atravessar esse rio com as suas legiões. César desobedece, pronunciando a célebre frase "&lt;b&gt;Os dados estão lançados&lt;/b&gt;", entra na cidade com as suas legiões leais acampadas no exterior das cidades e silencia os seus opositores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a Gália controlada, Júlio César virou-se para as ilhas britânicas, onde fez alguns progressos. Mas, ao lado da Gália, estendia-se a vasta região conhecida pelos romanos como Germânia. Esta era habitada por um conjunto grande de povos, chamados conjuntamente de Germânicos pelos romanos. Ora os germanos tinham uma média de altura superior à dos romanos (a altura masculina de um homem adulto romano, a julgar pelos esqueletos encontrados, seria de 1,70m) e eram temidos por todos os seus vizinhos: Celtas, Gauleses &lt;img alt="Reconstrução da ponte de César sobre o Reno" src="http://cognoscomm.com/mm/VdPtCs.gif" width="100" height="56" align="right" border="0" /&gt;e mesmo Romanos. Aquando da derrota das tribos germânicas, César, numa grande manifestação da capacidade das legiões, mandou construir uma ponte de madeira a atravessar o rio Reno. A ponte, com perto de 400 metros de comprimento e 8 metros de largura, demorou 10 dias a ser feita e atravessa o rio Reno (algures entre as actuais cidade de &lt;a href="http://www.staedte-verlag.de/stadtplaene/plan/index.php4?plz=56626" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;&lt;i&gt;Andernach&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Neuwied&lt;/i&gt;&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;) num ponto com perto de 9 metros de profundidade e fortes correntes. César atravessou a ponte, demonstrou o poderio militar romano e a sua capacidade de ir aonde quisesse e voltou para trás, destruindo a ponte. A acção de César revelou-se bastante eficaz e, durante os 600 anos seguintes, os povos germânicos mantiveram-se na sua área e não atravessaram a fronteira romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que, no século IV DC, os Hunos, vindos da Ásia, irrompem na Europa. Os povos germânicos (Godos, Francos, Anglos, Saxões, Vândalos) atravessam o rio Reno, no séculos V DC,  para escaparem aos exércitos hunos. Os Godos dividem-se em dois ramos (Ostrogodos e Visigodos), os Francos ocupam a Gália (que viria a adoptar o seu nome, vindo a ser conhecida como França), os Anglos e os Saxões ocupam a Bretanha, os Vândalos começam por ocupar a zona que é hoje a Polónia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/VdGr.gif" width="500" heigth="291" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguiram depois, atacando as desmoralizadas legiões romanas, no rio Danúbio, instalando-se, após um tratado de paz com os Romanos, nas actuais Roménia e Hungria. Mas as pressões hunas prosseguiam e os Vândalos, em 400DC, juntamente com os seus aliados, os Alanos (vindos do actual Irão) e os Suevos (outro povo germânico) penetram mais profundamente no território romano. Os três povos chegam à Gália, dominada já pelos Francos, e encontram enorme resistência. Através de várias batalhas e terríveis devastações pelas terras por onde passavam, chegam aos Pirinéus, a cordilheira montanhosa que separa a Gália da Ibéria. No sentido de os apaziguar, os Romanos dão-lhes «permissão» para se estabelecerem na península ibérica: os Suevos ficaram com o parte do Noroeste da Península (actuais Galiza e norte de Portugal), os Alanos com a Lusitânia, os Vândalos ficaram com o sul da península, os Visigodos, que chegaram depois, estabeleceram-se no sul da Gália e nordeste da península (os Visigodos derrotaram depois os Alanos e entregaram a coroa alana ao Rei Vândalo). A região que os Vândalos ocuparam, na actual Espanha, era conhecida como &lt;b&gt;Vandaluzia&lt;/b&gt;. Os Árabes, muitos séculos depois, chamaram à península Al Andaluz, como chamaram ao sudoeste Al Garb. De Al Andaluz (a anterior Vandaluzia sem o V) veio o nome Andalucia, nome da região espanhola e de Al Garb veio o português Algarve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o uso do termo «vândalo» surgiu historicamente como consequência da entrada dos Vândalos na cidade de Roma. Mas, se os Vândalos atravessaram a Gália e se instalaram na Península Ibérica, quando se deu esse saque que lhes valeu o uso do seu nome como sinónimo de destruição e violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/VdGs.jpg" width="100" height="188" align="right" border="0" /&gt;Bem, é que os Vândalos, após chegarem à Península, não se limitaram a cruzar os braços e a saborear os frutos das suas vitórias contra os Romanos e outros povos. Em 429AD, aproveitando distúrbios políticos no Império Romano (do Ocidente), cruzaram o Estreito de Gibraltar e atacaram as províncias romanas do Norte de África, que foram atravessando e conquistando até chegarem às muralhas de Hippo Regius (actual Annaba, cidade o norte da Argélia), cidade a que fizeram um cerco de 1 ano. Finalmente um acordo de paz foi feito com os Romanos, em 435DC, que os Vândalos quebraram 4 anos depois, em 439DC, quando conquistaram a cidade de Cartago e formaram o Reino Vândalo e Alano no Norte de África.&lt;div align="right"&gt;&lt;b&gt;&lt;small&gt;Moeda do Rei Geiseric&lt;/b&gt;&lt;/small&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base no Norte de África e nas ilhas Baleares, Sicília, Córsega e Sardenha, principiaram uma era de pirataria e pilhagem no Mar Mediterrâneo. Até 453DC, ano da morte de Átila o Huno, os Romanos pouco fizeram para combater a frota vândala que pilhava as cidade costeiras do Império Romano do Oriente e do Ocidente. Mas, a partir desse ano, com a ameaça huna diminuída, os Romanos decidiram prestar mais atenção aos piratas vândalos que lhes assolavam a costa. Longe do poderio militar romano de outrora, o Imperador Valenciano III ofereceu a mão da sua  filha em casamento ao filho do rei vândalo mas um usurpador de nome Petrónio Máximo assasinou o imperador romano para se apoderar do trono. A imperatriz enviou então um pedido de ajuda ao filho do rei vândalo e, como resposta ao pedido, a frota vândala aproximou-se da costa italiana e tomou a cidade de Roma, em 455DC. Partiram então, com a Imperatriz e as suas duas filhas e com inúmeros tesouros romanos, incluindo os despojos do Templo de Jerusalém e regressaram a Cartago. O clima político com o Império Romano do Oriente, único sobrevivente do império romano, situado no Mediterrânio oeste, com capital em Constantinopla (actual cidade de Istambul, na Turquia, mas não a sua capital, que é Ancara) estabilizou-se, exceptuando as tensões religiosas decorrentes do facto dos Vândalos serem Cristãos Arianos e os Bizantinos (nome porque passarem a ser conhecidos os romanos do oriente) serem Cristãos Ortodoxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Imperador Justiniano I" src="http://cognoscomm.com/mm/VdJt.gif" width="100" height="131" align="left" border="0" /&gt;Então, em 477DC, com 88 anos, morreu o rei Vândalo Geiseric (389AD-477AD), que tinha sido coroado quando os Vândalos entraram no Norte de África. O Reino Vândalo foi progressivamente declinando de poder e influência. Quando os Muçulmanos do Norte de África (conhecidos como Mouros) venceram militarmente as tropas vândalas, o Imperador Bizantino Justiniano I (482-565) declarou guerra aos Vândalos, argumentando que estes não protegiam os Cristãos Ortodoxos do Reino dos exércitos infiéis dos Mouros. Os Bizantinos tomaram Cartago, em 533, e um ano depois, em 534, vencerem finalmente os Vândalos, tornando novamente o Norte de África uma província romana. O império bizantino foi sendo progressivamente conquistado pelos Muçulmanos até à queda de Constantinopla, em 1453. &lt;i&gt;Ver o artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/616701.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;&lt;/i&gt;Míngua&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre a adopção do Quarto Crescente pelos Muçulmanos depois da conquista de Constantinopla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, apesar do termo «vandalismo» remeter para violência desmedida, o que é certo é que os Vândalos foram até bastante civilizados quando entraram em Roma &lt;b&gt;a pedido&lt;/b&gt; da Imperatriz, apenas levaram tesouros e não há quaisquer evidências de que tenham tocado numa única casa ou monumento romanos. Na verdade, Roma foi saqueada pelo menos 7 vezes ao longo da sua História:&lt;br /&gt;~ em 387 pelos Gauleses, que saquearam a cidade;&lt;br /&gt;~ em 410 pelos Visigodos, que saquearam a cidade durante 3 dias;&lt;br /&gt;~ em 455 pelos Vândalos, que levaram os tesouros da cidade;&lt;br /&gt;~ em 546 pelos Ostrogodos, que a saquearam e escravizaram a sua população; &lt;br /&gt;~ em 846 pelos Árabes, que saquearam a Basílica de São Pedro; &lt;br /&gt;~ em 1084 pelos Normandos, que incendiaram a cidade, destruindo ruínas romanas; &lt;br /&gt;~ em 1527 pelas tropas Imperador espanhol Carlos V, que mataram todas as tropas da cidade e pilharam e destruíram todos os edifícios religiosos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Runa Germânica na Suécia" src="http://cognoscomm.com/mm/VdRn.jpg" width="150" height="200" align="right" border="0" /&gt;Os Vândalos foram até bastante civilizados, tendo até em consideração a forma como as legiões romanas conquistaram, mataram, escravizaram, pilharam e destruíram ao longo dos mil anos de existência do Império Romano. Mas, no início do século XIX, em França, a Idade Clássica foi idealizada e Godos e Visigodos foram apontados como inimigos e destruidores da Civilização. Injustamente, tendo em conta a profunda influência que os Vândalos e outros povos germânicos tiveram na criação da cultura europeia. É de salientar que a História Europeia, desde a queda do Império Romano do Ocidente, foi escrita pelos povos Germânicos e seus descendentes (a Península Ibérica foi depois conquistada e influenciada pelos Mouros e a Europa do Norte pelos Viquingues). Os cristãos que fizeram a Reconquista Cristã, reconquistando aos Mouros a Península Ibérica, eram descendentes dos povos germânicos e as populações dos países europeus descendem directamente dos povos germânicos. Ser Europeu significa ser Germânico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade seja dita, a Europa foi fundada sobre alicerces latinos mas assenta sobre solo germânico. E os Vândalos foram os mais proeminentes de entre eles.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Wir sind Wandals Kinder!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(&lt;i&gt;Traduzindo do Alemão «Nós somos filhos dos Vândalos!»&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2007-11-01T10:42:00</issued>
    <title>Jardins cor-de-rosa</title>
    <published>2009-12-20T14:00:17Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:17Z</updated>
    <content type="html">&lt;i&gt;Corria o ano de 1871, num pacato jardim à beira-mar plantado.&lt;br /&gt;Descontentes com o rumo que o seu país tem vindo a tomar, um grupo de jovens escritores decide reunir-se e, durante alguns dias, publicamente discutir as causas para o seu declínio e as soluções para lhe devolver a glória. Preocupadas com as ilações que estavam a ser tiradas e as suas consequências para o seu &lt;/i&gt; status quo&lt;i&gt;, as autoridades proibiram a realização de mais encontros. Somente 5 foram realizados (dos 10 planeados) mas, pouco tempo depois, os acontecimentos vieram a dar razão à preocupação dos intervenientes e o resultado viria a mudar, 40 anos depois, para sempre o seu país.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Casino Lisbonense" src="http://cognoscomm.com/mm/AQCL.jpg" width="150" height="150" align="right" border="0" /&gt; Eis o que aconteceu em Portugal, nas últimas décadas de Monarquia que viveu (no final do século XIX): um grupo de jovens artistas reuniu-se para pensar sobre o país e as conclusões a que chegaram revelaram-se correctas e premonitórias. Como o encontro se deu no Casino Lisbonense (no actual Largo Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa), ficou conhecido como &lt;b&gt;Conferências do Casino&lt;/b&gt;. Entre 22 de Maio e 19 de Junho, discursaram Antero de Quental (poeta açoriano), Augusto Soromenho (escritor aveirense), Eça de Queiroz (romancista poveiro, i.e., de Póvoa de Varzim) e Adolfo Coelho (pedagogo coimbrense).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Na imagem, o Casino Lisbonense&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura, vivia-se ainda no choque da independência do Brasil e a Guerra Civil Portuguesa que se lhe seguiu. E tudo ocorreu num dos séculos mais turbulentos e complicados da História de Portugal: o século XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/AQIt1786.gif" width="373" height="500" border="0" /&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;code&gt;Os países da Península Itálica em 1786&lt;/code&gt;&lt;/b&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/AQNlJ.gif" width="110" height="120" align="left" boder="0" /&gt;Esta História começa com o nascimento de um menino, a 15 de Agosto de 1769, na ilha da Córsega, no Mar Mediterrâneo. Apenas um ano antes, em 1768, a ilha tinha sido vendida, pela República de Génova, ao Reino da França. Na altura, a Itália era composta por vários estados diferentes, alguns Repúblicas, outros Ducados, outros Reinos. Génova tinha sido uma das mais importantes repúblicas, sendo famosa pelo seu comércio com o Oriente (e, por isso, grande rival da República de Veneza). Mas, em 1768, os seus dias de glória já se tinham eclipsado e os habitantes da Córsega fizeram pressão, junto do governo genovês, para que este vendesse a ilha aos Franceses. Era Rei Luís XV, &lt;i&gt;o bem amado&lt;/i&gt;, pai do último rei francês, Luís XVI, morto aquando da Revolução Francesa (17891799).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Luís XVI é também conhecido por causa da sua esposa, Maria Antonieta. Terá sido ela a trazer, para a França, os famosos &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/643324.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Croissant&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;'s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse menino nasceu já francês mas toda a vida falou com um sotaque italiano que o tornou alvo de chacota quando era novo e estudava no continente (francês), num Colégio Militar. &lt;i&gt;Formou-se, em 1785, como Segundo Tenente de Artilharia.&lt;/i&gt; Mais tarde, viria a destacar-se na Revolução Francesa e eventualmente a governar a França e a conquistar militarmente grande parte da Europa. Esse menino chamava-se &lt;b&gt;Napoleão&lt;/b&gt; Bonaparte (nasceu «Napoleone di Buonaparte» mas afrancesou o seu nome para «Napoléon Bonaparte»).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/AQIF.gif" width="250" height="212" align="right" border="0" /&gt; Ora Napoleão empreendeu uma série de batalhas e conquistas militares no Continente Europeu e o seu génio militar permitiu-lhe vir a dominar, além da França, a Espanha, a Itália, os Estados Germânicos (na altura ainda não havia Alemanha) e a Polónia. Fruto da força que o exército e a liderança de Napoleão tinham, eram também aliados da França a Áustria e a Prússia (antigo estado germânico, que unificou, no século XIX, toda a Alemanha e que foi desfeito piliticamente após a II.ª Guerra Mundial, sendo o seu território sido maioritariamente entregue à Polónia, parte à Alemanha e parte à Lituânia). Na sua expansão era invitável o confronto com a Grã-Bretanha, com um vasto império colonial e senhora dos mares. Não podendo enfrentar o poderio naval inglês, decretou, em 1806, um Bloqueio Continental, pelo qual proibia os territórios que tinha sob controlo de fazerem comércio com a Inglaterra. Esperava, dessa forma, estrangular economicamente os ingleses. Mas um país europeu, que tinha laços comerciais com a Inglaterra desde a Idade Média, recusou a ordem de Napoleão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Aliança Anglo-Portuguesa foi celebrada em 1373 (no reinado de D. Fernando) e foi reforçada pelo Tratado de Windsor, datado de 1386 (no reinado de D. João I). O Tratado de Windsor foi firmado pelo casamento de D. João I com Filipa de Lencastre (filha do Duque de Lencaster, um nobre extremamente influente na coroa inglesa). Com a ajuda inglesa providenciada pelo sogro, D. João conseguiu derrotar as tropas espanholas do marido da sua sobrinha (a princesa herdeira Beatriz), tornou-se Rei e foi pai da Ínclita Geração, os príncipes portugueses que se detacavam pelos seus dotes pessoais e que impulsionaram Portugal para a sua Época de Ouro: os Descobrimentos (em particular D. Henrique).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Mapa da Terra da Vera Cruz de 1510" src="http://cognoscomm.com/mm/AQMpBr.jpg" width="150" height="204" align="left" order="0" /&gt;Em 1500, o navegador português Pedro Álvares Cabral, desembarcou nas costas de uma terra desconhecida a que deu o nome de Terra da Vera Cruz. A colonização portuguesa foi-se alastrando pelo continente, ao longo dos séculos, ultrapassando inclusivamente o traçado do Tratado de Tordesilhas, o segundo tratado no qual Portugueses e Espanhóis dividiam o Mundo em duas áreas de influência.&lt;br /&gt;Em 1479, foi assinado o Tratado de Alcáçovas, uma linha que dividia o Globo horizontalmente a sul do Cabo Bojador no paralelo 27. Por politiquices junto do papa Alexandre VI (espanhol de nascimento) e a fim de os espanhóis poderem reclamar as terras que Colombo tinha descoberto, o Tratado de Alcáçovas foi abolido e o Tratado de Tordesilhas foi assinado.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ver o artigo &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/669040.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Canarias et ignotus tractatus&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt; para mais sobre este tratado e como as Canárias foram cedidas aos Espanhóis.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até ao século XIX, o Brasil permaneceu como a maior colónia e a maior fonte de riqueza da Coroa Portuguesa: o Império Português no Oriente foi perdido para os Holandeses, como visto em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1068005.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;A lágrima do leão&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; mas o Brasil, apesar das temporárias conquistas holandesas, permaneceu português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular" src="http://cognoscomm.com/mm/AQMnGp.jpg" width="105" height="450" align="right" border="0" /&gt;Até que, em 1806, Napoleão decretou o Bloqueio Continental. Portugal recusou e Napoleão decidiu enviar as suas tropas para conquistarem os portos portugueses e forçarem o Bloqueio à Inglaterra. Em 1807, a França e a Espanha assinaram o Tratado de Fountainbleau, pelo qual os dois países acordaram dividir Portugal em 3 Reinos:&lt;br /&gt;~ a Lusitânia Setentrional (terras entre o Rio Minho e o Rio Douro), que seria governado pelo (já extinto) Reino da Etrúria, uma das nações existentes na altura na península itálica e governada pela filha do Rei Espanhol Carlos IV;&lt;br /&gt;~ Algarves (terras a sul do Rio Tejo), que seria governado por um espanhol;&lt;br /&gt;~ Portugal (terras entre o Rio Douro e o Rio Tejo), que se tornariam um território francês.&lt;br /&gt;Para fazer cumprir o acordo, as tropas francesas comandadas pelo General Jean-Andoche &lt;b&gt;Junot&lt;/b&gt; (e não por Napoleão), invadiram Portugal. A coroa portuguesa consegiu escapar e fugiu para o Brasil. Entretanto, os Franceses voltaram-se contra os seus aliados Espanhóis e ocuparam militarmente a Espanha. Em Portugal, apesar das suas vitórias iniciais, as tropas francesas foram repelidas (não sem antes pilharem tesouros portugueses. Vestígio disso são os danos provocados nos túmulos reais existentes no Mosteiro da Batalha), retiraram em 1810 e derrotadas finalmente em 1814.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Existe, na cidade do Porto, na Rotunda da Boavista, um Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular: uma coluna com 45 metros de altura encimada por uma estátua de um leão (a vitória Luso-Inglesa) sobre uma águia derrubada (o Império Francês). Ao contrário do que a alguns terá ocorrido, a estátua nada tem a ver com o mundo futebolístico, é uma homenagem ao espírito independente português.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. Maria I continuou a governar Portugal a partir da colónia com o seu filho João (futuro Rei João VI) a seu lado e a capital portuguesa passa a ser a cidade do Rio de Janeiro. Os portos brasileiros foram então abertos ao comércio com outras nações (até então apenas podiam comerciar directamente com portos portugueses). A economia brasileiro floresce até que, em 1815, ganha o estatuto de Vice-Reino e Portugal para a ser o Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves. O Brasil não era mais uma simples colónia, ganhava um estatuto em pé de igualdade com Portugal. A perda do dinheiro brasileiro e a distância da corte leva a descontentamentos em Portugal (nomeadamente a Revolução Liberal, em 1820, no Porto). D. João VI regressa então a Portugal, 6 anos após a derrota das tropas francesas. O Brasil volta à sua condição de simples colónia e D. João VI deixa o seu filho herdeiro, D. Pedro, a governar o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="D. Pedro I do Brasil, D. Pedro IV de Portugal" src="http://cognoscomm.com/mm/AQDP.gif" width="89" height="100" align="left" border="0" /&gt;Mas, para contribuir para a complexidade que este século teve na História portuguesa, as coisas complicaram-se ainda &lt;b&gt;muito mais&lt;/b&gt;:&lt;br /&gt;D. João ordena que D. Pedro volte a Portugal. Este recusa-se e declara a independência do Brasil com ele como Imperador: D. Pedro I do Brasil, em 1822.&lt;br /&gt;Entretanto morre D. João VI e parece ter indicado, por carta, como seu sucessor, D. Pedro.&lt;br /&gt;Ora este é Imperador do Brasil e não pode unir Portugal e Brasil desta vez com o Brasil como principal reino. Então, na qualidade de D. Pedro IV, Rei de Portugal (durante apenas 7 dias), dá uma nova constituição ao país (uma constituição liberal e mais limitadora dos poderes régios) e abdica em favor da sua filha, Dona Maria da Glória de Bragança (futura Dona Maria II) com a condição de esta (com apenas 7 anos) casar com o seu tio paterno, D. Miguel e jurar manter a Carta Liberal (a nova constituição). Ora D. Miguel I não apreciava a constituição liberal do irmão e, como regente do reino, ignorou-a. No Brasil, entretanto, as atitudes autoritárias de D. Pedro levaram a que os brasileiros o forçassem a abdicar do trono brasileiro em favor do seu filho, D. Pedro II do Brasil (1825-1891), o segundo e último imperador do Brasil. D. Pedro II do Brasil subiu ao poder em 1841 e governou até 1889, tendo abolido o comércio negreiro em 1850 e a escravatura em 1888, o que provocou descontentamento entre os fazendeiros brasileiros, o que levou no ano seguinte, em 1889, a um golpe de estado no Brasil, em que foi deposto D. Pedro II e implantada a República.&lt;br /&gt;&lt;img alt="D. Pedro contra D. Miguel pela coroa portuguesa, Honoré Daumier, 1833" src="http://cognoscomm.com/mm/AQGrCv.jpg" width="500" height="396" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;D. Pedro I do Brasil tinha sido forçado a exilar-se e a regressar à Europa, em 1831. Chegado à Europa, reuniu Homens e armas e invadiu Portugal, com o intuito de fazer prevalecer a constituição liberal face ao absolutismo de D. Miguel. Após longas e duras batalhas, os liberais de D. Pedro venceram e D. Miguel foi forçado a exilar-se na Áustria. D. Pedro IV, doente, pediu às cortes portuguesas para declararem a maioridade de D. Maria, de 15 anos, para que esta assumisse o trono de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal sobreviveu a esta Guerra Civil portuguesa (1828-1834), mas emergiu um reino mais pobre (perdera a maior e mais rica das suas colónias) e exangue da luta fraticida que acabara de vivenciar. Simultaneamente a população portuguesa via-se com mais direitos e com novos sentimentos de liberdade e vontade de se exprimir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Antero de Quental, por Colombano Bordalo Pinheiro" src="http://cognoscomm.com/mm/AQAQ.jpg" width="90" height="150" align="right" border="0" /&gt;E é num reino empobrecido, habituado a viver do ouro brasileiro e mais ainda amarrado ao comércio inglês, como a sua única fonte de riqueza, que surge a &lt;b&gt;Geração de 70&lt;/b&gt;.  Este foi um grupo de estudantes de Coimbra (liderado intelectualmente por Antero de Quental) que se rebelou contra a arte que se fazia na altura, contra a sociedade em que viviam, contra pesadas e estagnadas as concepções históricas, sociais e filosóficas da sua época. Este grupo de escritores viria a fazer as supracitadas Conferências do Casino, onde discutem, aberta e publicamente, as causas para o declínio de Portugal e para a sua tão grande dependência do que obtinha da sua colónia brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, arquipélago dos Açores, evidenciou-se um jovem de nome &lt;b&gt;Antero Tarcínio de Quental&lt;/b&gt; (1842-1891). Era filho de Fernando de Quental, que lutou ao lado de D. Pedro IV na Guerra Civil (que instaurou o liberalismo em Portugal) e neto de André da Ponte Quental, que lutou contra as invasões francesas e foi amigo do poeta Bocage. Provinha, por isso, de uma família de arreigados defensores da pátria e do liberalismo, tradição que Antero de Quental prosseguiu na sua vida. Teve sempre um espírito lutador e idealista, pugnando pela igualdade e pela justiça social. Em 1852, com 13 anos, vem viver com a mãe para Lisboa e, em 1858, com 18 anos, ingressa na Faculdade de Direito de Coimbra (tendo-se formado em 1864, com 22 anos).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Universidade de Coimbra" src="http://cognoscomm.com/mm/AQCbr.jpg" width="150" height="112" align="left" border="0" /&gt;No ano seguinte à sua formatura em Direito, envolveu-se numa disputa literária com o seu antigo professor, António Feliciano de Castilho, que viria a ser conhecida por &lt;b&gt;Questão Coimbrã&lt;/b&gt; (pela cidade onde ocorreu). Castilho advogava uma poesia ultra-romântico que, aos olhos de Antero de Quental, era decadente, torpe e beato. Para Antero, a poesia deveria pugnar pelo Realismo, a descrição da vida tal como é, com todo o sofrimento, pobreza e injustiça que contém. Dessa forma, a poesia tem um papel mais do que decorativo ou estético: é também uma arma de combate à injustiça social. Nesta disputa animada, foi o Realismo de Antero que saiu vitorioso sobre o Ultra-Romantismo de Castilho. No ano seguinte, em 1866, foi para Lisboa, para exercer a profissão de tipógrafo, profissão que exerceria, em 1867 e 1868, em Paris, para onde se mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ano, 1868, regressa a Lisboa, onde forma o Cenáculo (também conhecido como a Geração de 70), um grupo de intelectuais (maioritariamente escritores) que se tinham conhecido em Coimbra nos seus anos estudantis. O Cenáculo era contestatário, apontando o dedo à sociedade, aos seus costumes decadentes e ao servilismo social que se vivia, nesses anos após a independência do Brasil e a cada vez maior dependência do comércio com a Inglaterra. Decidem, então, realizar uma série de conferências, que ficaram conhecidas como Conferências do Casino, onde expunham as suas ideias e denúncias para a decadência social portuguesa. Foram realizadas 5 conferências:&lt;br /&gt;~ "O Espírito das Conferências", por Antero de Quental;        &lt;br /&gt;~ Causas da Decadência dos Povos Peninsulares", por Antero de Quental;&lt;br /&gt;~ "Literatura Portuguesa", por Augusto Soromenho;&lt;br /&gt;~ "O Realismo como nova expressão da arte", por Eça de Queiroz;&lt;br /&gt;~ "O Ensino", por Adolfo Coelho;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Antero culpava, para o atraso português:&lt;br /&gt;~ A &lt;b&gt;contra-reforma religiosa&lt;/b&gt;, que aprofundou o atraso intelectual e científico do país;&lt;br /&gt;~ A &lt;b&gt;centralização política&lt;/b&gt;, herdada do Absolutismo e a que o liberalismo não tinha posto cobro, mantendo o país subdesenvolvido e dependente da capital;&lt;br /&gt;~ A &lt;b&gt;herança económica dos Descobrimentos&lt;/b&gt;, que tornou o país dependente dos bens que lhe chegavam das suas colónias;&lt;br /&gt;Mas as autoridades políticas e religiosa não apreciaram as Conferências e estas foram proibidas, havendo mais 5 que não chegaram a se realizar. O país fez «ouvidos moucos» aos conselhos  e avisos do Cenáculo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Mapa Cor-de-Rosa" src="http://cognoscomm.com/mm/AQMpCr.gif" width="150" height="172" align="right" border="0" /&gt;Em 1890, os avisos do Cenáculo concretizam-se, com o &lt;b&gt;Ultimato Inglês&lt;/b&gt; que exigia, a Portugal, que se abstivesse das pretensões de ligar, por terra, as colónias de Angola e Moçambique (o território que agora é o Zimbabué), o chamado Mapa Cor-de-Rosa. A Inglaterra pretendia unir, com uma linha ferroviária, as suas colónias no Sul da África com as do Norte de África. A Inglaterra, sentindo a fraqueza portuguesa, optou por exigir e ameaçar os portugueses, enquanto se entendia com a França, que tinha já uma linha ferrovária que se estendia da costa oriental à costa ocidental africanas (após longos séculos de animosidade entre os dois países, este acordo estreitou os laços entre os dois países, levando a que estes, tradicionais inimigos e rivais, se tornassem os aliados que o século XX testemunhou, na I.ª e II.ª Guerras Mundiais). A humilhação nacional foi sentida por todos os portugueses e viria a levar, em 1908, ao regicídio (onde morreu D. Carlos) e, em 1910, à abdicação de D. Manuel II e à implantação da República.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, dois exploradores portugueses, tinham, entre 1884 e 1885, feito a travessia a pé de Angola a Moçambique, no intuito de cartografaram a região e reforçarem as pretensões portuguesas na região, mas 5 anos depois, a Inglaterra ultimou Portugal a abandonar essas pretensões.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1891, Antero de Quental, já doente de Doença Bipolar (uma psicose maníaco-depressiva), muda-se para a sua nativa Ponta Delgada, nos Açores, onde acaba por se suicidar, num banco de um jardim da cidade. Esse jardim chama-se agora Jardim Antero de Quental e tem um memorial em hora de Antero, um dos filhos mais ilustres da região (a par de Manuel de Arriaga, primeiro presidente da República, a poetisa e deputada Natália Correia, entre outros vultos nacionais).&lt;br /&gt;&lt;img alt="Jardim Antero de Quental, Ponta Delgada, Açores" src="http://cognoscomm.com/mm/AQJrd.jpg" width="500" height="375" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;code&gt;Jardim Antero de Quental, Ponta Delgada, Açores, onde o poeta é homenageado.&lt;/b&gt;&lt;/code&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;code&gt;&lt;b&gt;Mors-Amor&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse negro corcel, cujas passadas&lt;br /&gt;Escuto em sonhos, quando a sombra desce,&lt;br /&gt;E, passando a galope, me aparece&lt;br /&gt;Da noite nas fantásticas estradas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donde vem ele? Que regiões sagradas&lt;br /&gt;E terríveis cruzou, que assim parece&lt;br /&gt;Tenebroso e sublime, e lhe estremece&lt;br /&gt;Não sei que horror nas crinas agitadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cavaleiro de expressão potente,&lt;br /&gt;Formidável, mas plácido, no porte,&lt;br /&gt;Vestido de armadura reluzente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cavalga a fera estranha sem temor:&lt;br /&gt;E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!"&lt;br /&gt;Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antero de Quental&lt;/code&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Outros poemas, de Antero e de outros autores, podem ser encontrados no interessante blog, pleno de poesia de autores portugueses e estrangeiros, &lt;a href="http://nox.blogs.sapo.pt" target="_blank"&gt;&lt;/i&gt;&lt;font color="blue"&gt;Nox&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para uma existência poética e encantada, de quem o Cognosco usufrui da amizade e companhia, ver ainda &lt;/i&gt;&lt;a href="http://a-papoila.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;&amp;lt;/i&amp;gt;A Papoila&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2007-10-06T10:34:00</issued>
    <title>Dragões e vampiros</title>
    <published>2009-12-20T14:00:18Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:18Z</updated>
    <content type="html">&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/VpEsc.gif" width="71" height="150" align="right" border="0" /&gt;Entrámos, a 1 de Janeiro de 2001, no 2.º milénio (como não houve ano 0, os dois mil anos completaram-se em 2001).&lt;br /&gt;A tendência da cultura ocidental tem sido a de ver o progresso da Humanidade como algo linear e cumulativo. A ser assim, seríamos, hoje, mais avançados do que os Portugueses que fizeram a descoberta do Brasil (por exemplo), como esses seriam mais avançados do que os Portugueses que lutaram pela criação de Portugal e esses mais avançados do que os Suevos e Alanos que os procederam e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Não se confunda aqui o desenvolvimento com progresso tecnológico, se bem que mesmo este teve vários recuos ao longo da História, mesmo que o século XX possa parecer indicar o oposto.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;As raízes dessa visão da História como sendo um processo cumulativo (como a Ciência), terá as suas raízes na Revolução Francesa (como muitas outras coisas, quer boas quer más, que ainda hoje temos) e o Comunismo (filho ilegitimo dessas ideias) preconiza-o de forma cega e alienatória. Mas a História da Humanidade tem parecido recheada de retrocessos e de repetição de erros passados. A barbárie e a desumanidade de algumas épocas têm encontrado paralelos ao longo da História, por muito que os anos, os séculos e os milénios avancem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/VpFrc.gif" width="120" height="96" align="left" border="0" /&gt;Uma componente da Humanidade (não a mais importante, não a exclusiva mas uma importante) tem sido a do pensamento racional e científico, que projectou uma pequena e frágil espécie de primatas, oriunda de África, para a conquista do Planeta.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para um sumário resumo sobre a evolução humana e a sua ascendência primata, ver o artigo &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1059563.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Primos inter primos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados ao início do século XXI (com apenas 150 séculos passados desde o nosso aparecimento na Terra, comparados com os 600 mil séculos que os Dinossáurios vagueram por cá, cerca de 400 vezes mais tempo do que nós) a espécie humana encontra-se simultaneamente desconfiada da Ciência e cada vez mais dependente dela.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/584964.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Cave Savrie&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre os Dinossáurios e uma das suas principais características, que indica que somos mais parentes deles do que muitos répteis actuais e ainda, para uma reflexão sobre a dualidade do papel da Ciência, ver  &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/606354.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;&lt;/i&gt;Scientia in orbis core&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Não se confunda a busca pelo pensamento racional com incapacidade de sonhar. Aliás, se algo tem fomentado o desenvolvimento da Ciência tem sido exactamente o sonho de procurar o (aparentemente) impossível, sem as amarras e os grilhões da auto-ilusão e da exploração para fins alheios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta dualidade do papel da Ciência, na sociedade actual, tem fomentado misticismos e noções perfeitamente desadequadas (se não mesmo perigosas) no final do século que terminou e neste que inicia. Seria moroso (e desprovido de finalidade concreta, aqui no Cognosco) fazer uma lista dessas noções. Abordaremos apenas uma, um curioso &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1069708.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;meme&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; que dá pelo nome de &lt;b&gt;Vampiros&lt;/b&gt; e o seu &lt;b&gt;Conde Drácula&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/VpMnch.jpg" width="400" height="310" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias de vampiros humanos que sugam o sangue das suas vítimas para se alimentarem, tornando-as igualmente vampiros, têm-se espalhado pelo Mundo, à medida que a Globalização avança. Mas os &lt;b&gt;Vampiros&lt;/b&gt; como hoje se entendem, os seus poderes e fraquezas, teve a sua origem no folclore da Europa de Leste.&lt;br /&gt;A própria palavra «vampiro» deriva directamente da palavra «&lt;b&gt;vampir&lt;/b&gt;», comum a todas as línguas eslavas (do romeno ao russo), surgida por volta de 1050 DC.&lt;br /&gt;Nessa altura, os vampiros eram «apenas» criaturas que roubavam a alma aos vivos, tornando-os também a eles vampiros. Alguns alimentavam-se dos mortos, outros sugavam o sangue às suas vítimas. Mas nada de morcegos que mordem para chuparem (um pouco) de sangue. Essa ligação entre vampiros e morcegos surgiu com os Descobrimentos. As únicas três espécies de morcegos que se alimentam de sangue são oriundas da América do Sul. Quando os Europeus (Espanhóis e Portugueses) depararam com estes morcegos, a notícia de que os vampiros eram mesmo reais correu a Europa. A associação entre os morcegos e os vampiros tornou-se, então, fixa. Mas vampiros e morcegos &lt;b&gt;não&lt;/b&gt; são a mesma coisa: se fossem, que lógica haveria em chamar a esses animais morcegos-vampiros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.:. No início do século XIX (em 1819), surgiu o livro «&lt;b&gt;The Vampire&lt;/b&gt;», de John Polidori, onde surge, pela primeira vez na literatura europeia, um vampiro humano aristrocrático, na figura de &lt;i&gt;Lord Ruthven&lt;/i&gt;. O livro que escreveu baseou-se num pequeno conto escrito pelo famoso poeta inglês &lt;i&gt;Lord Byron&lt;/i&gt;, escrito por este na mesma noite e na sequência do mesmo desafio que levou Mary Shelley a escrever «&lt;b&gt;Frankenstein&lt;/b&gt;».&lt;br /&gt;.:. Em 1871, &lt;i&gt;Sheridan Le Fanu&lt;/i&gt; escreveu «&lt;b&gt;Carmilla&lt;/b&gt;», a história de uma mulher vampira que persegue uma jovem e inocente vítima.&lt;br /&gt;.:. Baseado neste último, Bram Stoker escreveu, em 1897, o famoso livro «&lt;b&gt;Drácula&lt;/b&gt;». &lt;br /&gt;Inspirou-se também no enigmático príncipe (e não conde) &lt;b&gt;Vlad III Tepes&lt;/b&gt;, que governou a &lt;i&gt;Valáquia&lt;/i&gt; (parte da actual Roménia), entre 1448 e 1476.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img alt="27 países da União Europeia" src="http://cognoscomm.com/mm/VpEU.gif" width="350" height="350" border="0" /&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;b&gt;União Europeia em 2007&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, como visto no artigo &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/597750.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;esTepes&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, que vampiros humanos, com as características geralmente aceites, são uma &lt;b&gt;impossibilidade&lt;/b&gt; matemática (pelo menos), mas isso não lhes retira o apelo e interesse. Mas que sejam pontuados com um conhecimento concreto de onde vêm e do que podem ou não significar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A História que liga Vampiros a Dragões e ao Príncipe Vlad III, começa sensivelmente no século XIV DC.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por volta dessa altura, D. Dinis era o Rei de Portugal e Marco Pólo fez a sua viagem à China. Ver o artigo &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/987081.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;A derrota de pizza&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt; para mais sobre Marco Pólo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Império Romano há muito tinha passado a pertencer somente aos livros de História: em 476 DC, o imperador Rómulo Augusto capitulou perante as forças de rei bárbaro Odoacro, pondo fim ao Império Romano do Ocidente. O Império Romano do Oriente, com a sua capital na cidade de Constantinopla (actual Istambul) permaneceu.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;O Império Romano foi definitivamente separado em dois, em 395, pelos filhos do último Imperador do Império Romano Unido, Teodósio. Ver &lt;/i&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/880293.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Magna bybliotheca&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt; para a possível ligação de Todósio ao desaparecimento da Grande Biblioteca de Alexandria&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Entre 476 e 1453, o Império Romano do Oriente subsistiu e chegou mesmo a reconquistar a Península Itálica às forças bárbaras que a tinham conquistado. Mas um povo de religião muçulmana (tinham sido convertidos pelos Árabes, cuja religião fora fundada, no século VII, por Maomé), oriundo da Anatólia (onde se situa presentemente a Turquia), liderado por &lt;i&gt;Osman I&lt;/i&gt;, aproveitando a fraqueza militar do Império Romano do Oriente, aos poucos foi conquistando todos os seus territórios. Em 1453, com a queda da Constantinopla (rebatizada Istambul pelos Turcos Otomanos), o Império Romano acabou, ficando as antigas possessões orientais sob domínio muçulmano.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ver, sobre este Império, que só acabou em 1918, com a sua derrota na I.ª Guerra Mundial, os artigos:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/616701.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Míngua&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt; sobre a ligação entre a conquista desta cidade, o Império Otomano e a razão porque tantas nações muçulmanas modernas têm um Quarto Crescente na bandeira, apesar de &lt;b&gt;não&lt;/b&gt; ser este o símbolo da religião islâmica;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1036605.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Os Magos dos Medos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt; sobre as origens comums das 3 religiões monoteístas mundiais.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/VpIO.gif" width="200" height="188" align="left" border="0" /&gt;Após a conquista de Constantinopla, o Império Otomano cresceu em poder e influência, tornando-se uma potência de respeito. Foi, por exemplo, a primeira nação do Mundo a equipar o seu exército regular com armas de fogo.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Várias nações europeias decidiram tentar seguir o exemplo do Império Otomano, criando corpos militares armados com armas de fogo. Uma dessa tentativas foi na França, com a criação dos &lt;b&gt;Mosqueteiros do Rei&lt;/b&gt;, um grupo de elite que combatia a cavalo e com mosquetes, não com as espadas a que os filmes nos habituaram. Ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1040414.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Um por todos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; para mais sobre os Mosqueteiros e os verdadeiros D'Artagnan, Portos, Atos e Aramis.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;A expansão otomana preocupava os reis e príncipes europeus, em especial a Hungria, que fazia directamente fronteira com os muçulmanos otomanos (cujo nome deriva directamente do seu primeiro líder, Osman I).&lt;br /&gt;Mas o mundo cristão não era somente feito de lutas contra os muçulmanos. Em 1330, Basarab I, que governava a &lt;b&gt;Valáquia&lt;/b&gt;, então parte da Hungria, revoltou-se contra o Rei húngaro e estabeleceu a independência da Valáquia, tornando-se, dessa forma, o país europeu mais directamente em contacto com o Império Otomano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Símbolo da Ordem d Dragão" src="http://cognoscomm.com/mm/VpDrc.gif" width="150" height="109" align="right" border="0" /&gt;E os Otomanos continuavam a sua expansão territorial e militar. Para lhes fazer face, o Rei Sigismundo I da Hungria criou, em 1408, a &lt;b&gt;Ordem do Dragão&lt;/b&gt; (&lt;i&gt;Societatis Draconistrarum&lt;/i&gt;), um grupo de cavaleiros nobres cuja missão era defender a religião cristã. Dos 24 membros-fundadores, faziam parte o Rei da Hungria, o Rei da Sérvia, o Rei da Polónia, o Rei da Lituânia, o Rei da Áustria, o Rei da Dinamarca e o Rei de Aragão e Nápoles (de nome Afonso e bisneto de &lt;b&gt;D. Pedro I de Portugal e de Dona Inês de Castro&lt;/b&gt;).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Equivalentemente, em Portugal, em 1318, foi criada a &lt;b&gt;Ordem de Cristo&lt;/b&gt;, uma ordem militar cristã, inicialmente sediada em Castro Marim e depois movida para Tomar, onde absorveu os bens e propriedades da extinta &lt;b&gt;Ordem dos Templários&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Em 1431, Sigismundo I resolveu alargar a Ordem e convidou o Príncipe da Valáquia, de nome &lt;b&gt;Vlad II&lt;/b&gt;. Dessa forma, Vlad II da Valáquia assumiu o nome de &lt;b&gt;Vlad II Dracul&lt;/b&gt; (de «Draco», Dragão/Serpente em Latim). Assim foi fundada, em 1431, a dinastia de príncipes da Valáquia dos Dracul, cujo objectivo era lutar contra a expansão otomana.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;As vitórias que tiveram foram efémeras e, em 1521, os Otomanos já tinham conquistado a Valáquia, a Transilvânia, a Moldávia e o Reino da Hungria foi conquistado nesse ano.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Vlad III Draculae" src="http://cognoscomm.com/mm/VpVl.gif" width="100" height="145" align="left" border="0" /&gt;Na altura em que nasceu (em 1431) o seu segundo filho, na Transilvânia, de nome Vlad III, Vlad Dracul encontrava-se em Nuremberga, para ser integrado na Ordem do Dragão. &lt;br /&gt;Com a idade de 5 anos, Vlad III tornou-se membro da Ordem do Dragão e assumiu o cognome de &lt;b&gt;Draculae&lt;/b&gt; («pequeno dragão» em latim).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Actualmente, em romeno, a palavra «draco» significa «demónio» mas, na altura, o seu significado era o mesmo que tinha em latim, Dragão.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era jovem, o seu pai negociou com os Otomanos para que estes não invadissem a Valáquia. Em troca, Vlad II tornou-se vassalo dos Otomanos e entregou os seus dois filhos mais jovens (Vlad III e Radu) como reféns dos Otomanos, como garantia. Vlad III foi muito maltrado fisicamente pelos turcos, o que lhe marcou o espírito e lhe deu um ódio enorme pelos turcos e pelo seu pai, que considerava como traidor à Ordem do Dragão (em vez de lutar contra os muçulmanos otomanos, tornou-se seu vassalo sem oferecer luta). Vlad III passava bastante tempo no seu palácio, à volta do qual se desenvolveu a moderna cidade de Bucareste, capital da actual Roménia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vlad III Draculae tem também a alcunha de &lt;b&gt;Vlad III Tepes&lt;/b&gt; (que significa «O Impalador»), pois essa era a sua forma preferida para executar prisioneiros. Durante a sua vida, manteve a luta contra os Otomanos e é até, na Roménia, ainda recordado como um príncipe justo e defensor do principado. Foi casado duas vezes, tendo a primeira mulher (de que não se sabe o nome) morrido em 1462: os Otomanos preparavam-se para invadir a Valáquia e a mulher de Vlad Draculae atirou-se da janela do palácio Poienari para o rio alegadamente dizendo que «preferia que o seu corpo apodrecesse e fosse comido pelos peixes do que ser capturada pelos Turcos». Ainda hoje, o rio onde ela se suicidou chama-se «Râul Doamnei» (O rio da Senhora, em romeno).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vlad terá morrido em 1476 mas não se sabe se em combate ou durante uma caçada. Os Turcos ficaram com e decapitaram o cadáver do Príncipe da Valáquia, conservando-o em mel e enviando a cabeça para o Sultão do Império Otomano. Supostamente o corpo terá sido enterrado num convento perto de Bucareste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/VpRm.gif" width="303" height="225" align="right" border="0" /&gt;Vlad Draculae faz parte das lendas e folclore romenos. Para os camponeses romenos, Vlad Darculae é lembrado como um defensor do povo e protector da nação contra os Turcos. O poeta nacional da Roménia &lt;i&gt;Mihai Eminescu&lt;/i&gt; (1850-1889) escreveu «Onde estás, Lorde Tepes, para os apanhares e separares em dois grupos: os tolos e os patifes», numa referência às medidas anti-corrupção e anti-criminais (muitas vezes brutais) que Vlad Draculae usava. A par dessa luta contra o crime e a corrupção, Vlad Drculae também é recordado por ter, como resposta ao que considerou um insulto, pregado, em vida, os chapéus de embaixadores (a nação varia conforme a lenda) às suas cabeças. O seu gosto por impalar também é uma outra das suas características mais negativas referidas. As principais vítimas eram os prisoneiros turcos que ele capturava depois das batalhas. Conta-se que Mehmed II, sultão otomano, voltou para trás numa altura em que invadia a Valáquia depois de deparar com dezenas de milhar de cadáveres de soldados turcos impalados em redor da capital de Vlad Draculae, Targoviste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabelecem-se assim algumas diferenças entre o mito do Conde Drácula e a figura histórica que «inspirou» a sua criação (o nome Drácula deriva directamente do seu título de membro da Ordem do Dragão, Draculae):&lt;br /&gt;~ Vlad III Draculae era &lt;b&gt;príncipe&lt;/b&gt; (e não conde) e o seu nome significa &lt;b&gt;pequeno dragão&lt;/b&gt;, por pertencer à Ordem Militar Cristã do Dragão.&lt;br /&gt;~ Foi cruel durante o seu reinado mas, certamente, não muito mais do que muitos dos reis da sua época. É recordada e elogiada a sua luta contra a corrupção e contra o crime (referida, em 2004, pelo então candidato e actual presidente da Roménia Traian Basescu como exemplo a seguir).&lt;br /&gt;~ Apesar de ser associado à Transilvânia (onde nasceu durante o exílio dos seus pais), Vlad Draculae governou a Valáquia, um principado vizinho.&lt;br /&gt;~ Foi um governante que lutou pela Fé Católica e pelo Poder da Igreja. Por isso, dificilmente seria afectado por lhe ser mostrada um cruz...&lt;br /&gt;~ Morreu, em 1476, decapitado pelos inimigos da fé católica, o seu corpo enterrado na Valáquia e a cabeça enviada para a Turquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Morcego vampiro «Desmodus rotundus»" src="http://cognoscomm.com/mm/VpMcVp.jpg" width="200" height="152" align="right" border="0" /&gt;&lt;i&gt;Os verdadeiros vampiros existem, de facto: os &lt;b&gt;Morcegos Vampiros&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;Há, neste momento, aproximadamente mil e cem espécies de vampiros, das quais apenas três &lt;small&gt;(0,27%)&lt;/small&gt; são vampiras (isto é, alimentam-se de sangue): os &lt;/i&gt;Desmodus rotundus&lt;i&gt;, os &lt;/i&gt;Diphylla ecaudata&lt;i&gt; e os &lt;/i&gt;Diaemus youngi&lt;i&gt;, as três originárias (e residentes) na América do Sul... Ou seja, uma família pacata e maioritariamente frugívora ou insectívora como os Morcegos, com as suas milhares de espécies, recebe uma tremenda má fama por causa de apenas 3 delas (um pouco como se uma família inteira de mil e cem pessoas fosse suspeita dum crime cometido por apenas três dos seus membros).&lt;br /&gt;Aliás, há quem (e é de bom-senso) construa «Casas para Morcegos», tal como se constroem «Casas para Pássaros», em particular na Europa, onde a maioria dos morcegos é insectívora. Deste forma, estimula-se o crescimento da população de morcegos insectívoros: os mosquitos e outros insectos voadores perigosos são comidos e os morcegos, que passam o dia a dormir e, durante e noite, voam em silêncio e emitem sons demasiado altos para um Ser Humano ouvir (a eco-localização que lhes permite voar no escuro), não incomodam qualquer pessoa e contribuem para a saúde de quem, tantas vezes, os maltrata.&lt;br /&gt;Uma das espécies que os Morcegos caçam e que é altamente irritante e perigosa, por extrair sangue de animais (e de seres humanos) e poder, dessa forma, propagar graves doenças, é a dos mosquitos. Mas apenas as fêmeas o fazem, para alimentar os seus ovos, enquanto os machos se alimentam de pólen, ver &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/606847.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Girl Power&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a página oficial do &lt;a href="http://www.brancastlemuseum.ro/indexfrm_en.htm" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;«Castelo de Drácula»&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;, na Transilvânia (disponível em Inglês e em Romeno), que pode ser (e é) visitado.&lt;/i&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2007-08-31T14:11:00</issued>
    <title>Se em Roma, sê Egipciano</title>
    <published>2009-12-20T14:00:19Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:19Z</updated>
    <content type="html">&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CgRmRn.gif" width="150" height="128" align="right" border="0" /&gt;&lt;i&gt;Ci&lt;/i&gt;ro &lt;i&gt;Gano&lt;/i&gt;ma&lt;i&gt; vivia tranquilo na sua aldeia. Um dia, subitamente, ameaçaram a sua vida e a da sua família. Não teve outro remédio se não partir. Pelas aldeias vizinhas por onde a sua família ia passando, todos olhavam com desconfiança. A sua família foi aumentado, à medida que Ci&lt;/i&gt;ro &lt;i&gt;Gano&lt;/i&gt;ma&lt;i&gt; se deslocava, ficando filhos, netos, sobrinhos, afilhados, ... nas diversas terras por onde iam passando. Mas o estigma estava presente, onde quer que tentassem reconstruir o seu lar e viver como queriam. E o mito propagou-se por si mesmo, baseado em desconfiança em quem não se conhece. Após vários anos, só o mar se estendia à sua frente e, para trás, ficaram muitos membros da família, sempre mal recebidos onde procuravam refúgio. Não lhes bastava terem sido obrigados a deixar o seu lar e a deixar para trás tudo o que tinham, eram e continuavam sempre a ser mal-vindos. Mesmo após 58 anos de estadia (&lt;u&gt;700&lt;/u&gt; meses), ainda eram vistos com desconfiança pelos seus vizinhos, fossem crianças de colo, jovens, adultos, idosos, homens ou mulheres.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este história parecerá estranha, num mundo de refugiados e preocupações humanitárias:&lt;br /&gt;Como pode uma família ser tão pouco ou nada socorrida e ajudada perante tudo pelo qual passaram? Poderá parecer estranho mas acontece diariamente neste pequeno jardim à beira mar plantado que se chama Portugal. Um dos povos mais antigos com os quais os Portugueses contactaram e com os quais convivem é ainda mal compreendido, rejeitado, alvo de desconfianças e de má-vontades. Acha-se tão natural essa forma de estar que nem se pensa muito nisso, a catalogação e a subvalorização são já tão naturais que saem espontaneamente. A demonstração de que muito paciente tem sido este povo é que todos se alarmam quando algo se noticia sobre eles. Isto só demonstra quão pouco frequentes são as suas acções negativas (que também as têm, ou não fossem membros da espécie humana).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CgRmChg.jpg" width="150" height="150" align="left" border="0" /&gt;Quando chegaram a Portugal, corria o século XV (cerca de 1425), já lá vão &lt;u&gt;700&lt;/u&gt; anos. Esta é a História do povo &lt;b&gt;Cigano&lt;/b&gt;, a etnia não originária de Portugal mais antiga que cá vive. E a sua história, costumes, crenças, dificuldades, sonhos e esperanças continuam a ser mal-compreendidos, ostracizados, as suas diferenças incompreendidas e desrespeitadas. Como povo, tem-se revelado, ao longo da sua história, resistentes, sobreviventes e orgulhosos das suas tradições e costumes (apesar das perseguições sistemáticas ao longo da sua história e à perda da sua cultura e língua por aculturação aos países onde se foram instalando).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo a que se chama &lt;b&gt;Cigano&lt;/b&gt; em Portugal e Brasil (e Gitano em Espanha) pertence a uma etnia mais vasta, denominada &lt;b&gt;&lt;u&gt;Rom&lt;/u&gt;&lt;/b&gt; (substantivo singular) ou &lt;b&gt;&lt;u&gt;Roma&lt;/b&gt;&lt;/u&gt; (substantivo plural) ou &lt;b&gt;&lt;u&gt;Romani&lt;/b&gt;&lt;/u&gt; (adjectivo).&lt;br /&gt;Dessa etnia fazem parte ainda os &lt;b&gt;Garachi&lt;/b&gt; (Azerbaijão), &lt;b&gt;Kalderach&lt;/b&gt; (Balcãs e Europa Central), &lt;b&gt;Romnichal&lt;/b&gt; (Grã-Bretanha e América do Norte) e os &lt;b&gt;Sinti&lt;/b&gt; (Alemanha, Áustria e Itália).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do povo cigano fazem parte algumas individualidades que se têm destacado no Mundo (e em particular em Portugal, que é o tema do artigo). Alguns dos mais conhecidos incluem o grupo musical &lt;b&gt;Gipsy Kings&lt;/b&gt; (banda musical de França), &lt;b&gt;Joaquin Cortés&lt;/b&gt; (dançarino de Espanha) ou &lt;b&gt;Ricardo Quaresma&lt;/b&gt; (futebolista de Portugal), só para mencionar alguns dos membros da etnia cigana dos Roma da península. Na ficção, quem pode esquecer &lt;i&gt;Esmeralda&lt;/i&gt;, a amada de &lt;i&gt;Quasímodo&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos países europeus, eis as últimas estatísticas disponíveis:&lt;br /&gt;&lt;i&gt;incluí também o Brasil&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CgRmPp.gif" width="500" height="353" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Por análise da tabela, pode-se ver que o Reino Unido (1 cigano em 1 mil 496 habitantes) tem uma proporção muito baixa de ciganos (há os romanchi, mas fala-se de ciganos), e a Roménia e a Bulgária as mais altas (1 cigano em cada 15 e em cada 13 habitantes, respectivamente). Portugal e Brasil têm sensivelmente a mesma percentagem da etnia cigana na sua população: Portugal tem, em números absolutos menos ciganos e menos população e os dois números equilibram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da semelhança, o povo Roma não emprestou o seu nome ao país Roménia (que deriva o seu nome directamente dos Romanos e o seu império). Há uma razão concreta para que os Roma (Rom no singular) existentes na península ibérica sejam chamados &lt;b&gt;Ciganos&lt;/b&gt;, e tem a ver com a sua origem, viagens e o julgamento apressado de que sempre foram alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde é o povo Roma originário (que depois deu origem às etnias actuais) é uma matéria ainda especulativa, tendo em conta que é um povo desconfiado após séculos de perseguição e desconfiança. Que, antes de chegar à Europa, veio da Índia é consensual, se foi de lá que primeiro vieram se foi mais um dos seus locais de passagem ainda é matéria de discórdia, sendo que a opinião mais generalizada é que são oriundos da Índia mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise da língua romani (realizada desde o século XV) indica que serão originários do Paquistão (antiga parte norte da Índia maioritariamente de religião muçulmana que se tornou independente em 1952).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para mais sobre os meçulmanos ou sobre os povos que conviveram com os Roma ver:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1036605.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Os Magos dos Medos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; que fala sobre um povo da Pérsia, os Medos, e os Reis Magos;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/768561.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Um século&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre as possíveis razões dos atentados suicidas muçulmanos;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/616701.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Míngua&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre a origem do símbolo do Quarto Crescente;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse território, tradicionalmente budista, foi conquistado, em 712 DC, pelo general muçulmano &lt;i&gt;Muhammad bin Qasim&lt;/i&gt;, tendo a religião islâmica aí se propagado. O povo Roma eram habitantes dessa região e acabaram por fugir, por volta do século XI (especula-se que tenham sido levados, como escravos, pelos invasores muçulmanos, para a Pérsia, actual Médio Oriente). No século XIV surge a primeira referência escrita a um povo de tez escura (chamados «Atsingani») que vivia na ilha de Creta. Em 1360 há o registo da criação de um importante reino Romani na ilha de Corfú (entre a Grécia e a Itália). No século XIV, os Roma alcançaram os Balcãs, em 1424 a Alemanha.&lt;br /&gt;Alguns Roma vieram directamente da Pérsia, pelo Norte de África e entraram na Península Ibérica no século XV e tornaram-se os &lt;b&gt;Ciganos&lt;/b&gt; que todos conhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os Roma alcançaram a Europa através da Península Ibérica, o seu anterior estatuto de aliados comerciais mudou radicalmente. Por exemplo, durante 5 séculos (até 1864), os Roma foram escravizados nos principados de Valáquia, Moldávia e Transilvânia, até os três terem sido fundidos na actual Roménia, em 1860. Na península ibérica foram, desde a sua chegada, no século XV, encarados com desconfiança e o nome «cigano» tinha conotações negativas. a primeira legislação anti-cigana ibérica data de 1492, o mesmo ano em que Colombo chegou à América e Granada foi finalmente conquistada as Mouros.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ver&lt;/i&gt; &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/669040.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Ceuta et ignotus tractatus&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; &lt;i&gt;sobre porque a chegada de Colombo à América acarretaria a perda portuguesa das Canárias.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CgRmTz.gif" width="107" height="150" align="right" border="0" /&gt;Aquando da chegada à península e tendo em conta a sua tez morena e o facto de virem do nordeste da África, levou a que as pessoas pensassem que vinham do &lt;b&gt;Egipto&lt;/b&gt;, pelo que eram designados por &lt;b&gt;Egipcianos&lt;/b&gt;. O nome «egipciano» foi mudando a par da evolução das línguas, dando origem ao &lt;b&gt;gitano&lt;/b&gt; espanhol, ao &lt;b&gt;cigano&lt;/b&gt; português, ao &lt;b&gt;Tsiganes&lt;/b&gt; francês e ao &lt;b&gt;gipsy&lt;/b&gt; inglês, nomes pelos quais este povo Roma é ainda designado nesses países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Rússia, Catarina &lt;i&gt;a Grande&lt;/i&gt; (1729-1796), tinha declarado os Roma escravos imperiais e, no Sacro Império Germânico (que inclui a actual Alemanha, Áustria e Europa de Leste) os Roma foram simlplesmente banidos. Ambas estas atitudes descriminatórias viriam a dar origem à perseguição, no século XX, do povo romani pelos Soviéticos e pelos Nazis (por exemplo, os Roma residentes nos países conquistados pelo exército nazi foram perseguidos, enviados para campos de concentração e assassinados em grande escala, num total de mais de 500 mil. Os Roma foram o segundo povo que mais sofreu às mãos nazis, depois dos Judeus. Após a II.ª Guerra Mundial, as tradições culturas romani foram proibidas nos países ocupados pelos soviéticos e os Roma foram perseguidos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, os Roma sobreviveram e prosperaram (estima-se uma taxa de natalidade de 5% entre os Ciganos). Ao contrário da etnia Kalderach, da Europa de Leste, os Ciganos não são nómadas, não são tão pobres e a maioria (pelo menos em Portugal) dedica-se à venda em feiras. Apesar disso, cerca 25% das reclusas em Espanha (e uma percentagem de que não tenho números em Portugal) são de etnia cigana, principalmente devido ao tráfico de droga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CgRmBd.gif" width="500" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;code&gt;A bandeira internacional do povo Romani.&lt;br /&gt;No centro o Chacra de Açoka, como na da Índia.&lt;/b&gt;&lt;/code&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para mais sobre Açoka e porque o seu símbolo figura na bandeira indiana ver&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1057885.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;O Príncipe e a roda&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência cultural dos Ciganos na cultura ibérica é geralmente desconhecida e/ou desvalorizada:&lt;br /&gt;~ A mais conhecida é a dança da Andaluzia chamada «&lt;b&gt;Flamengo&lt;/b&gt;». Esta é uma dança com raízes nos Roma Ciganos que viviam nesse reino (na altura mouro) e o seu nome vem da frase «fellah mengu» que significa «camponês sem terra», o que caracterizava o povo cigano da altura.&lt;br /&gt;~ Uma outra influência, desta vez na linguagem popular portuguesa, tem a ver com a palavra «&lt;b&gt;gajo&lt;/b&gt;». O povo cigano adaptou a religião católica existente e fala a língua do país que habita, com algumas palavras do Romani. Assim, designam-se a si mesmos como «Rom» ou «Calé» (cigano) e a quem não é como «&lt;b&gt;Gaje&lt;/b&gt;» (não-cigano). Portanto, o generalizado uso de «gajo/gaja» no vocabulário popular português vem desses nossos antiquíssimos vizinhos.&lt;br /&gt;E isto para falar de algumas influências mais directas, uma vez que serviram de inspiração a muitos artistas europeus, de pintores a músicos a escritores...&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CgRmVaGg.jpg" width="500" height="428" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão a ver o Aladino? Estão a ver as histórias das Mil e uma Noites?&lt;br /&gt;São persas e foi da Pérsia que o Ciganos saíram para nos vir visitar.&lt;br /&gt;Um pouco como os 3 Reis Magos, que também de lá vieram.&lt;br /&gt;Quem se encanta ou encantou com os maravilhosos contos dessas terras distantes, saiba que é de lá que vieram os «nossos» Roma, os Ciganos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se diria em Rom:&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Gadje si Dilo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Os gajos são estúpidos!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para um interesssante estudo social dos Ciganos em Portugal ver a página&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.janusonline.pt/sociedade_cultura/sociedade_2001_3_3_10_c.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Janus 2001 - A etnia cigana em Portugal&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para se ter uma ideia da complexidade da língua Romani, eis a palavra &lt;b&gt;phral&lt;/b&gt;  que significa «irmão», nos 8 casos das suas declinações:&lt;br /&gt;&amp;gt; nominativo: phrala (irmãos)&lt;br /&gt;&amp;gt; genitivo: phralengo (dos irmãos) &lt;br /&gt;&amp;gt; dativo: phralenge (para os irmãos) &lt;br /&gt;&amp;gt; acusativo: phralem (os irmãos) &lt;br /&gt;&amp;gt; vocativo: phralale (irmãos!) &lt;br /&gt;&amp;gt; ablativo: phralendar (dos irmãos) &lt;br /&gt;&amp;gt; locativo: phraleste (para os irmãos) &lt;br /&gt;&amp;gt; instrumental: phralentsa (com os irmãos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por comparação, uma língua tão complexa como o Latim tem meramente 6 casos...&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;</content>
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    <author>
      <name>Mauro</name>
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    <issued>2007-08-15T15:12:00</issued>
    <title>Cavaleiro de Trapp'o</title>
    <published>2009-12-20T14:00:19Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:19Z</updated>
    <content type="html">&lt;i&gt;Uma jovem professora de 21 anos vivia num convento, preparando-se para ser freira. Entretanto residia perto do convento um militar, com 46 anos, viúvo havia 4 anos e com 7 filhos. Uma das filhas do militar adoeceu e não podia ir à escola. O pai então dirigiu-se ao convento local para contratar uma professora que desse à filha as aulas que estava a perder. A jovem professora foi escolhida e contratada por um período de 10 meses, após os quais integraria o convento. Mas acabou por casar com o militar, 25 anos mais velho, com quem viria a ter 3 filhos, e não mais voltou ao convento. A família eventualmente acabou por dedicar a sua vida familiar a cantar, bem longe da sua terra natal.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis uma história que será, em termos gerais, reconhecida pela maioria das pessoas.&lt;br /&gt;A História da família foi posta em livro e deu origem a um dos filmes que a maioria das pessoas já viu, gostou ou não gostou mas não ficou indiferente: &lt;i&gt;Música no coração&lt;/i&gt; (Portugal) ou &lt;i&gt;A noviça rebelde&lt;/i&gt; (Brasil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/kPvWXfkjyEQ"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/kPvWXfkjyEQ" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme foi baseado na verdadeira História da família &lt;i&gt;von Trapp&lt;/i&gt;, originária da Europa Central e que emigrou para os EUA durante a Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A História dos &lt;i&gt;von Trapp&lt;/i&gt; começa com &lt;i&gt;Georg Ludwig &lt;b&gt;Trapp&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, nascido em 1880, na cidade de Zadar, no Império Áustro-Húngaro (agora cidade da Croácia). Quando Georg Trapp nasceu, o Império Áustro-Húngaro (de 1804 até 1867 apenas Império Austríaco e, de 1867 até 1918, Império Áustro-Húngaro), com os seus 676 mil e 615 km&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; governava onze povos diferentes (e outras tantas línguas diferentes) num total de perto de 51 milhões de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrAHMp.gif" width="232" height="182" align="right" border="0" /&gt;Quando Georg Trapp nasceu, o Império Austríaco tinha já mudado de nome para Império Áustro-Húngaro. A Hungria era uma parte importante do Império Austríaco (maior até do que a da própria Áustria) antes de 1867 mas a casa governante era a dos Habsburgos da Áustria. Mas, em 1867, em consequência das guerras com a Sardenha (na actual Itália), em 1859, e com a Prússia (na actual Polónia), em 1866, o Imperador Franz Joseph (marido da famosa Sissi e tio do Arquiduque Franz Ferdinand) não tinha já a mesma força unificadora de antes. Os Húngaros exigiam mais predominância no Império, a par da sua importância geográfica e populacional. Para estabilizar o Império Austríaco, Franz Joseph, em 1867, modificou a constituição da nação (e o seu nome), dando plena igualdade política à Hungria e Áustria e criando o Império Áustro-Húngaro.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;A Imperatriz Sissi, de verdadeiro nome Elisabeth Amalie Eugenie, Duquesa da Baviéria, viveu entre 1837 e 1898, tendo sido assassina por um anarquista, na Suíça. Sissi era tia do Arquiduque Franz Ferdinand, cujo assassinato iniciou a I.ª Guerra Mundial.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse vasto Império, com uma zona costeira mediterrânica (ao contrário das actuais Áustria ou Hungria), que Georg Trapp cresceu. O seu pai, que morreu quando Georg tinha apenas 4 anos de idade, fazia parte da Marinha Áustro-Húngara e Georg seguiu-lhe as pisadas: ingressou na Academia Naval e formou-se após 6 anos (4 de estudo e 2 de navegação). Em 1900 entrou para a tripulação do Cruzador &lt;i&gt;Kaiserin und Königin Maria Theresia&lt;/i&gt; (Imperatriz e Rainha Maria Teresa).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Maria Teresa, 1717-1780, foi Arquiduquesa da Áustria e Rainha da Hungria.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1910, o seu fascínio por submarinos foi recompensado, sendo nomeado Comandante do recentemente construído submarino áustro-húngaro U-6. A cerimónia de baptismo da embarcação foi feita por &lt;i&gt;Agatha Whitehead&lt;/i&gt;, neta de &lt;i&gt;Robert Whitehead&lt;/i&gt;, inventor do torpedo, em 1866. Os dois casaram um ano depois, em 1911.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Assassínio do Arquiduque Franz Ferdinand em 1914" src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrAss.gif" width="200" height="200" align="left" border="0" /&gt;Em 1914, a vida dos europeus (e das suas colónias) foi abalada por um evento que viria a ter repercussões ao longo de todo o século XX e início do século XXI (e esperemos que não muito para além disto): o assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro da coroa Áustro-Húngara. Em 1914, enquanto visitava o Reino dos Servos, Croatas e Eslovenos, no sul do Império, foi assassinado, nas ruas de Sarajevo, por &lt;i&gt;Gravilo Princip&lt;/i&gt;, membro do grupo &lt;i&gt;Black Hand&lt;/i&gt; que pretendia a independência do Reino do Império. O &lt;i&gt;Black Hand&lt;/i&gt; foi fundado na Sérvia e era financiado por esta. A Áustria-Hungria, quando se deu o assassinato, exigiu à Sérvia que punisse o grupo e, quando esta se recusou, declarou-lhe guerra. Os Russos, aliados da Sérvia declararam guerra à Áustria-Hungria. Por sua vez, o Império Alemão, aliado dos áustro-húngaros, declarou guerra à Rússia. Os aliados de ambos os países (a Inglaterra e a França, aliadas da Rússia; o Império Otomano, aliado da Áustria-Hungria e da Alemanha) entraram por sua vez em guerra, tornando o continente europeu um barril de pólvora em explosão, cujas consequências viriam a incluir o fim da hegemonia cultural, colonial e política no Mundo da Europa, a ascensão dos EUA como a grande Superpotência Mundial, a Segunda Guerra Mundial e, eventualmente, a Guerra Fria e o terrorismo mundial dos séculos XX-XXI. É incrível como os actos de um só homem podem ter tão directo e nefasto efeito sobre o Mundo inteiro...&lt;br /&gt;&lt;i&gt;As últimas palavras do Arquiduque Franz Ferdinand, após ser atingido, foram&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;«Sopherl! Sopherl! Sterbe nicht! Bleibe am Leben für unsere Kinder!»&lt;br /&gt;«Querida Sofia! Querida Sofia! Não morras! Continua a viver pelas crianças!» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para mais sobre a I.ª Guerra Mundial ver os artigos:&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/569970.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Wilhelm&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre o último Kaiser Alemão: Wilhelm, imperador alemão na I.ª Guerra Mundial;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/768561.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Um século&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre a ligação entre a I.ª Guerra Mundial e o terrorismo internacional dos séculos XX e XXI, como a destruição das Torres Gémeas;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/872746.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Pacis nox&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre a Trégua do Natal de 1914, uma das mais bonitas (na minha opinião) histórias de Natal, que ocorreu no primeiro ano da I.ª Guerra Mundial;&lt;br /&gt;~ &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/568321.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Pequenos tijolos&lt;/font&gt;&lt;/a&gt; sobre a razão porque o governo alemão, entre a I.ª Guerra Mundial e a ascensão de Hitler, assumiu o nome de República de Weimar;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrUbt.gif" width="61" height="150" align="right" border="0" /&gt;Em 1915, Georg Trapp foi comandante do submarino U-5 e do submarino U-14 (submarino francês capturado de nome Curie). Georg distinguiu-se no comando, afundando várias embarcações inimigas na sua carreira militar. Pelos seus serviços, foi-lhe dado um título nobiliárquico, tornando-se Georg, Ritter von Trapp. Ritter era o título germânico equivalente a «Cavaleiro» (ou seja, o «sir» inglês) e quem se tornava Ritter passava a ostentar, no seu nome, a partícula «von» e passava a ser barão, título hereditário (passado, por isso mesmo, para os seus descendentes masculinos).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Se fosse português, nascido Jorge Trapo, ter-se-ia tornado Jorge, Cavaleiro de Trapo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, em 1918, a I.ª Guerra Mundial terminou, com a derrota das Potências Centrais (Alemanha, Áustria-Hungria e Império Otomano). Após a retirada dos Russos da Guerra (em consequência das inúmeras perdas de soldados e da consequente revolução comunista de 1916), as Potências Centrais pareceram ver o maré da Guerra virar a seu favor: depois de 4 anos de uma esgotante Guerra de Trincheiras na Frente Ocidental (em que milhares, milhões de soldados perdiam a vida para conquistar parcos quilómetros de terreno, que era pouco depois novamente perdido), as Potências Centrais podiam concentrar (em particular a Alemanha, a mais forte das três) as suas tropas na Frente Ocidental, ao longo da França, e eventualmente ganhar a Guerra. Mas o afundamento do navio de passageiros dos EUA &lt;i&gt;Lusitania&lt;/i&gt;, em 1915, por parte de um submarino alemão (estes acusavam, parece que correctamente, o navio de secretamente transportar armas para a Inglaterra), levou os EUA entrarem na Guerra, em 1917. A sua entrada deu novo fôlego aos esforços aliados e as Potências Centrais foram derrotadas, um ano depois.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img alt="Europa em 1914" src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrAIGMp.gif" width="330" height="250" border="0" /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;A Alemanha foi forçada a assinar o Tratado de Paz de Versailhes, onde eram forçados a assumir a culpa da Guerra (incorrectamente mas a pressão inglesa neste ponto foi muito grande) e a pagar chorudas indemnizações de guerra. Quando se deu a Grande Depressão, em 1929, a Alemanha foi particularmente atingida, obrigada a socorrer a sua população e a pagar as indemnizações que a França e a Inglaterra exigiram de imediato. O ressentimento alemão foi tal que levou à ascensão política de um desconhecido Cabo do exército alemão na I.ª Guerra Mundial, Adolf Hitler, vindo a dar origem à II.ª Guerra Mundial.&lt;br /&gt;O Império Austro-Húngaro foi desfeito, a Áustria foi reduzida ao seu núcleo actual, a Hungria tornou-se independente, o Império Otomano foi desfeito, reduzido ao seu núcleo turco (a moderna Turquia), os Ingleses e os Franceses ocuparam os territórios muçulmanos do Médio-Oriente ricos em petróleo, dando-lhes a soberania que tinham prometido  apenas após a II.ª Guerra Mundial (o famoso Lawrence da Arábia foi um capitão inglês que ajudou os árabes a revoltarem-se contra o Império Otomano com a promessa não concretizada de independência quando a guerra terminasse).&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img alt="Europa em 1919" src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrDIGMp.gif" width="413" height="283" border="0" /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Georg e Agatha tiveram 7 filhos: Rupert (19111992), Agathe (1913), Maria (1914), Werner (1915), Hedwig (19171972), Johanna (19191994) e Martina (19211952).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a Áustria perdeu a sua costa marítima em consequência da Guerra, não tinha necessidade de uma Marinha (de Guerra), pelo que Georg Trapp viu-se «Marinheiro em Terra», sem emprego e sem meios de subsistência. Felizmente a família tinha bastante dinheiro, fruto da herança de Agatha.&lt;br /&gt;Então, em 1922, 4 anos após o final da Guerra, Agatha morreu de Febre Escarlatina, deixando os seus 7 filhos orfãos e o seu marido viúvo. A família von Trapp mudou-se então, de Pula (na actual Croácia, nas costas do Mediterrâneo, a 150 quilómetros da cidade natal de Georg, Zadar) para Salzburgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto tudo isto decorria com a família von Trapp, uma jovem professora, de nome &lt;b&gt;Maria&lt;/b&gt; Augusta Kutschera (nascida em 1905), orfã, criada por um tio ateu e socialista, ouviu, acidentalmente, um sermão de um padre de Viena (entrou na igreja pensando que estava a decorrer um concerto de Bach) e as palavras do pregador inspiraram-na. Ingressou então na Abadia de Nonnberg, em Salzburgo, como professora e com a intenção de se tornar freira.&lt;br /&gt;Um ano antes de professar os seus votos de freira, foi-lhe pedido, na qualidade de professora, que desse explicações a Maria Agatha von Trapp, a filha doente de um viúvo da região com 7 filhos, Georg Ritter von Trapp.&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img alt="Salzburgo" src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrSlz.gif" width="500" height="221" border="0" /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;code&gt;&lt;b&gt;Cidade Velha de Salzburgo, Áustria&lt;/b&gt;&lt;/code&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contrato era de 10 meses, após os quais Maria voltaria ao convento, para se tornar freira. Mas Maria, como mais tarde revelou na sua autobiografia, apaixonou-se por todos os 7 filhos do viúvo e, quando este lhe pediu em casamento nesse mesmo ano, pedindo-lhe para ser a Segunda Mãe dos seus filhos, aceitou, apesar de não estar apaixonada por ele (como revela, se ele não tivesse posto a proposta nesses termos, se só a tivesse pedido em casamento, teria recusado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1927, casaram, vindo a ter três filhos: Rosmarie (1928), Eleonore (1931) e Johannes (1939). Os 10 jovens von Trapp apreciavam cantar e Maria muitas vezes juntava-se a eles. O pai não participava (o talento musical dos filhos não foi herdado dele) mas não se opunha a que os filhos cantassem. Então, 7 anos depois de casaram, em 1935, Georg perdeu a fortuna da família, em consequência da Grande Depressão (e das tensões políticas e militares provocadas pela ascenção política nazi e a sua política beligerante que conduziria, 4 anos depois, à II.ª Guerra Mundial). Mas Georg recusava-se a trabalhar, considerando-o pouco digno. Maria assumiu então as rédeas da família, despedindo os empregados e fechando o andar superior para diminuir as despesas (e, desta forma, a família podia tratar ela mesma da enorme casa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Família von Trapp ganhou, de facto, em 1936, o Festival de Música de Salzburgo (mas não fugiu do país logo de seguida, como apresentado no filme): continuaram a cantar como profissão, pela Europa toda. Somente 3 anos após a vitória, no festival, é que se deu a &lt;i&gt;Anshluss&lt;/i&gt; (a unificação da Alemanha e da Áustria num único país). Nessa altura, os Nazis ofereceram, a Georg, um comando naval e convidaram os von Trapp a cantarem no aniversário de Hitler &lt;small&gt;(data que nem merece divulgação)&lt;/small&gt;. Tudo foi recusado e, como os 7 primeiros filhos de Georg tinham nascido em Pula e esta fazia agora parte da Itália (como consequência da redistribuição territorial após a I.ª Guerra Mundial), os von Trapp simplesmente foram para Itália (não fugiram, não se esconderam. Apanharqm um comboio para Itália  e todos estavam cientes da partida da família: ninguém os procurou impedir). Daí partiram para a Inglaterra e depois para os EUA (supostamente fazer um único concerto mas onde ficaram a residir. O filho mais pequeno, Johannes, nasceu já nos EUA, em 1939).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img alt="Mulheres von Trapp, em 1944" src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrFvT.jpg" width="490" height="380" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, em 1944, com uma quinta comprada nos EUA, os von Trapp pediram a cidadania americana. Apenas Maria (39 anos) e Agathe (31 anos), Maria (30 anos), Hedwig (27 anos)Johanna (25 anos) e Martina (23 anos) pediram a cidadania: Georg nunca o fez, Rupert e Werner tornaram-se cidadãos ao lutar no exército do EUA durante a II.ª Guerra Mundial, Rosmarie e Eleanore tornaram-se automaticamente cidadãs quando a sua mãe (Maria) se naturalizou e Johannes nasceu já nos EUA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Georg morreu em 1947 (com 67 anos) e foi enterrado na quinta da família, nos EUA.&lt;br /&gt;Um ano depois, em 1948, quatro anos depois do pedido, os von Trapp foram naturalizados como cidadãos dos EUA. Apesar do sucesso, a família parou de cantar em 1955 (30 anos depois de começarem), uma vez que cada von Trapp queria atingir objectivos diferentes na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img alt="Cartaz do filme alemão «Die Trapp-Familie»" src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrDieTrpp.jpg" width="137" height="200" align="right" border="0" /&gt;Em 1949, Maria escreveu &lt;i&gt;The Story of the Trapp Family Singers&lt;/i&gt;. Baseados no livro, cineastas alemães fizeram dois filmes baseados na família von Trapp (&lt;i&gt;Die Trapp-Familie&lt;/i&gt;, em 1956, e &lt;i&gt;Die Trapp-Familie in Amerika&lt;/i&gt;, em 1958). Eventualmente os direitos dos filmes foram comprados aos cineastas alemães por cineastas americanos (antes disso foi ainda feito um Musical na Broadway intitulado «The Sound of Music» baseado nos von Trapp). Mas, quando Maria vendeu os direitos da história aos cineastas alemães, a família perdeu qualquer direito à história e aos subsequentes imensos lucros que o filme alcançou a nível mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As diferenças entre a verdadeira história dos von Trapp e a constante do filme incluem:&lt;br /&gt;~ a adulteração da personalidade de Georg Trapp: este não era um tirano que desaprovava as actividades musicais da família. Na verdade, tinha uma personalidade gentil e apreciava juntar-se à família nesses momentos;&lt;br /&gt;~ Maria não foi contratada para cuidar das 7 crianças, apenas dar explicações privadas a Maria Agatha, que estava doente;&lt;br /&gt;~ Maria e Georg casaram em 1927, 11 anos antes dos nazis chegarem à Áustria via &lt;i&gt;Anshluss&lt;/i&gt; e 11 anos antes da família ganhar o Festival de Música de Salzburgo, não depois;&lt;br /&gt;~ os nomes e idades (e mesmo os sexos) das crianças von Trapp foram alteradas. Liesl era na verdade &lt;b&gt;Rupert&lt;/b&gt; (rapaz), Friedrich era na verdade &lt;b&gt;Agathe&lt;/b&gt; (rapariga), Louisa era &lt;b&gt;Maria&lt;/b&gt;, Kurt era &lt;b&gt;Werner&lt;/b&gt;, Brigitta era &lt;b&gt;Hedwig&lt;/b&gt;, Marta era &lt;b&gt;Joana&lt;/b&gt; e Gretl era &lt;b&gt;Martina&lt;/b&gt;. As dois filhos que Maria e Georg tiveram antes de fugiram da Áustria, Rosmarie e Eleanore, não são mencionadas no filme;&lt;br /&gt;~ as crianças von Trapp já cantavam antes de Maria chegar à família;&lt;br /&gt;~ a personalidade de Maria era mais explosiva do que o retratado no filme: apesar de amar as crianças (e eventualmente o marido), por vezes tinha repentes de cólera e agressividade;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/CvTrSM.jpg" width="450" height="260" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por isso, qualquer semelhança entre a realidade e a ficção &lt;b&gt;não&lt;/b&gt; é pura coincidência, mas é preciso estar-se atento às diferenças e respeitar as verdadeiras pessoas por detrás da ficção. Um caso em que não é uma história só história, é uma história da História...&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;</content>
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      <name>Mauro</name>
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    <issued>2007-08-02T10:20:00</issued>
    <title>42 regras</title>
    <published>2009-12-20T14:00:20Z</published>
    <updated>2009-12-20T14:00:20Z</updated>
    <content type="html">&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TrlzLs.gif" width="100" height="91" align="left" border="0" /&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;A Língua Portuguesa (&lt;i&gt;e reconheço que estarei a ser parcial&lt;/i&gt;) é uma das mais belas e complexas do Mundo. Tem algumas bonitas construções frásicas, como a &lt;b&gt;pronominalização&lt;/b&gt; de que se falou em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/826381.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Lusitanae linguae&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;.&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desenvolvimento tecnológico e o contacto cada vez mais frequente e importante com outras línguas significativamente mais pobres têm feito esfumar-se algumas das catedrais da ortografia portuguesa. Um dos efeitos do desenvolvimento tecnológico (&lt;i&gt;que é extremamente importante, tendo até em conta que é através dele que escrevo estas palavras, deve ser um meio para a promoção da língua e não para a sua banalização&lt;/i&gt;) tem sido o progressivo esquecimento do uso e conhecimento do &lt;b&gt;hífen&lt;/b&gt; aquando da passagem de parte de uma palavra no final de uma linha para a linha seguinte (a &lt;b&gt;translinearização&lt;/b&gt;).&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TrlzGt.gif" width="110" height="150" align="right" border="0" /&gt;O primeiro uso do hífen corresponderá igualmente ao primeiro texto impresso em 1452.&lt;br /&gt;Neste ano, o alemão &lt;i&gt;Johannes &lt;b&gt;Gutenberg&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; imprimiu aquele que será, ainda hoje, o livro mais imprimido do Mundo, a Bíblia. A prensa de Gutenberg imprimia exactamente 42 linhas da mesma altura em cada página, não sendo possível alterar este valor. Cada página era composta por «tipos» (pequenas peças de madeira ou metal onde está gravada uma única letra) que eram alinhados para formar as frases do texto e que eram mantidos fixos em 42 linhas por meio de uma estrutura rígida que circundava toda a «página». Para tornar cada linha do mesmo tamanho (evitando o uso de imensos «tipos» de espaço em branco), Gutenberg, quando uma linha de texto terminava a meio de uma palavra, colocou um traço no final, do lado direito, indicando que a palavra continuava na linha seguinte.&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Na verdade, Gutenberg usava dois traços paralelos horizontais ( = ) para a translinearização. Nessa época, entre os séculos XIII e XVII, usava-se um traço oblíquo ( / ) para representar uma pequena pausa no texto (a bem conhecida vírgula), uma vez que o símbolo moderno ( , ) ainda não se usava. Mais tarde, no século XVI, com a evolução da escrita, a vírgula passou a ser o actual «,» e o traço horizontal passou a ser o símbolo da translinearização. No mesmo século, em 1557, os dois traços horizontais passaram a ser usados, para propósitos matemáticos, como o símbolo da igualdade. O uso de dois traços horizontais para o hífen da translinearização ainda foi usado, na Alemanha, até meados do século XX.&lt;/i&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes das prensa mecânicas, em textos manuscritos, não havia necessidade de se usarem sinais indicadores de que a palavra continuava na linha seguinte: se uma palavra não cabia ou se escrevia na margem ou colocava-se toda a palavra na linha seguinte. Mas a necessidade de manter as linhas com tamanhos iguais para permitirem o seu uso em prensas mecânicas levou à criação desta singular pequena linha, que os descendentes das prensas de Gutenberg (os computadores) ameaçam (esperemos que uma falsa ameaça) agora.&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, a translineação (o uso de um hífen no final de uma frase para indicar que a palavra continua na linha seguinte) pode ser&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;Conhe-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;cimento&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TrlzMn.gif" width="67" height="100" align="left" border="0" /&gt;É verdade que os processadores de texto podem realizar esta tarefa de divisão silábica no final de uma linha automaticamente, mas não é menos verdade que essa opção é pouco utilizada e, principalmente, como é feito automaticamente as regras pelas quais tal processo é feito permanecem ocultas.&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então quais as regras que regem a translineação? À partida é muito linear (aparentemente) mas tem algumas excepções que vale apena referir.&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;~ A primeira e óbvia(?) regra é que a divisão se faz por soletração. Fazê-lo é, geralmente, fácil (&lt;code&gt;ge-ral-men-te&lt;/code&gt;), não havendo regras para o fazer. É daquelas coisas que se sentem audivelmente («ge»+«ral» são duas sílabas mas «ger»+«al» NÃO são).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por exemplo:&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que é geral-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;men&lt;/b&gt;te válida esta regra.&lt;/i&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;~ Os ditongos não se quebram no final de uma linha. Ou parmanece junto numa linha ou passa junto para a seguinte.Um ditongo, como visto em &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/1067238.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;Esdruxulamente&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;, é um conjunto de duas vogais que se lê como um só som. Nem todas as combinações de vogais são ditongos («ai» é ditongo mas «ia» não é), apenas «ai», «ao», «ei», «eu», «ou», «ui».&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por exemplo:&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TrlzCL.gif" width="80" height="80" align="right" border="0" /&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;Hoje apetece-me começar com bis-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;coitos&lt;/b&gt; de chocolate e um copo de &lt;b&gt;lei&lt;/b&gt;-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;te.&lt;/i&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;~ Nos casos em que há uma consoante dupla (geralmente «rr» ou «ss» mas podendo ser «nn», como em &lt;i&gt;co&lt;u&gt;nn&lt;/u&gt;osco&lt;/i&gt;), as consoantes são separadas.&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por exemplo:&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TrlzBR.gif" width="100" height="120" align="right" border="0" /&gt;Este artigo é uma ba&lt;b&gt;r-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;ri&lt;/b&gt;gada de riso e divertimento&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;e eu não sei se a impo&lt;b&gt;s-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;si&lt;/b&gt;bilidade de o reescrever não&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;fará com que ele tenha co&lt;b&gt;n-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;nos&lt;/b&gt;co muito sucesso.&lt;/i&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;~ Se existirem duas consoantes seguidas diferentes, passa apenas a segunda para a segunda linha, excepto se a segunda consoante for «h», «l» ou «r», em que as duas passam em conjunto.&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por exemplo:&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos alcançar o cami-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;nho&lt;/b&gt; que nos levará a des-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;bloquear todo o nosso con-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;tro&lt;/b&gt;lo sobre o processo.&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;/i&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;~ Quando há «qu» ou «gue»/«gui», a constante nunca é separada do «u» que a acompanha.&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por exemplo:&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TrlzMg.jpg" width="100" height="121" align="right" border="0" /&gt;Foi somente por ser in&lt;b&gt;ques&lt;/b&gt;-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;tionável que não se sabe o &lt;b&gt;quo&lt;/b&gt;-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;ciente que se pode comprar dez &lt;b&gt;qui&lt;/b&gt;-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;los de manteiga e um &lt;b&gt;aquá&lt;/b&gt;-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;rio. Não se sabe nem mesmo se conse-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;gue&lt;/b&gt; saber se, em se&lt;b&gt;gui&lt;/b&gt;-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;da, não se comprará um elefante branco.&lt;/i&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;~ Quando as palavras contém já um hífen (ou mais) por serem formadas por justaposição (como «arco-íris») ou por serem &lt;a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/826381.html" target="_blank"&gt;&lt;font color="blue"&gt;pronominalizadas&lt;/a&gt;&lt;/font&gt; (como «colocá-lo-ei») a separação pelo hífen acarreta a escrita de dois hífens, um no final da primeira linha e outro no início da seguinte.&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Por exemplo:&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://cognoscomm.com/mm/TrlzCrt.jpg" width="100" height="79" align="right" border="0" /&gt;&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;Ao andar pela cidade, caiu-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;-me&lt;/b&gt; a carteira ao chão. Apanha-la-&amp;lt;/br&amp;gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;-ei&lt;/b&gt; de imediato.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que há cuidados que se devem ter para manter um texto adequada e esteticamente translinearizado. Se, por uso das regras da translinearização, ficar apenas uma letra no final ou no início de uma linha, deve-se evitar fazê-lo, colocando toda a palavra no final da primeira linha ou no início da segunda, dependendo do espaço que se tem disponível.</content>
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