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Diário das pequenas descobertas da vida.
Segunda-feira, 6 de Junho de 2005
Decem dimensiones
Na experiência do dia-a-dia movemo-nos num espaço com 3 dimensões (largura, comprimento e altura).</br></br>Desde que a Teoria da Relatividade de
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Na experiência do dia-a-dia movemo-nos num espaço com <b>3 dimensões</b> (largura, comprimento e altura).</br></br>Desde que a <u>Teoria da Relatividade</U> de <a href="http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/634674.html" target="_blank"><font color="blue"<b>Einstein</font></b></a> generalizou-se a ideia (mas a ideia foi criada pelo Matemático Minkowsky) de que vivemos num mundo a <b>4 dimensões</b> (as três do espaço e uma do tempo).</br>Dessa forma, para marcar um encontro, especificar-se-ão as 4 dimensões: estou na Rua Cognosco, no 5.º andar, porta 161 às 21h.</br></br><b>A Teoria da Relatividade Geral explica os grandes objectos do Universo</b></br></br><img alt="Partícula" src="http://cognoscomm.com/mm/Esfera.jpg" width="98" height="99" align="left" border="0" />No entanto <b>não</b> permite entender os movimentos dos menores objectos do Universo. Quando se entra no Reino Sub-Atómico falha e uma outra teoria é usada: a <u>Mecânica Quântica</u> (<i>mecânica porque trata de partículas e movimentos e quânticas porque no mundo sub-atómico a energia não aumenta de forma contínua mas em pequenos pacotes chamados «quanta», quantidades em latim</i>).
Com ela são descritas (e várias vezes foram previstas antes de descobertas) todas as partículas sub-atómicas e os seus movimentos.</br></br>Mas as duas teorias são <b>completamente</b> contraditórias entre si.</br>A aplicação da <u>Teoria da Relatividade Geral</u> às partículas sub-atómicas leva a resultados exagerados e falsos. Só a <u>Mecânica Quântica</u> resolve os problemas do muito pequeno, com conclusões que contradizem as da Relatividade Geral.</br></br>O próprio Einstein trabalhou nesta questão até morrer, sem ter chegado a um resultado. Uma das últimas teorias surgidas para ligar a Relatividade à Quântica foi a <b>Teoria das Cordas</b>.</br></br><img alt="Corda" src="http://cognoscomm.com/mm/Corda.jpg" width="100" height="94" align="left" border="0" />Nessa teoria todas as partículas do Universo e todas as forças existentes são vibrações diferentes das mesmas partículas ínfimas, as «cordas». Tal como um «dó» é diferente de um «fá» numa guitarra porque é uma vibração diferente da corda, também um electrão é diferente de um quark porque é uma vibração diferente das mesmas »cordas».</br>A <b>Teoria das Cordas</b> resolve o problema da incompatibilidade porque o tamanho onde começam as divergências é inferior ao tamanho das teóricas «cordas».</br>Dessa forma o problema <b>não</b> é resolvido, é simplesmente esquecido por nunca ocorrer.</br></br>A <b>Teoria das Cordas</b> tem alguns resultados diferentes do que indica o senso comum. Uma delas é que vivemos num Universo a <b>10 dimensões</b></br></br><i>~ Como 10 dimensões? Altura, largura, comprimento, tempo,... não se anda em mais nenhuma direcção. Como pode haver 10 dimensões?</i></br></br>Além das dimensões <b>infinitas</b> espacial e temporal existem mais algumas dimensões que são tão pequenas que nada passa por elas (à excepção das «cordas»).</br>A razão pela qual não são detectadas emtende-se num simples exemplo:</br>Uma mangueira tem 3 dimensões, uma delas (o comprimento) significativamente maior do que as outras (a largura e a altura). Quando se pega numa mangueira as 3 dimensões são visíveis. No entanto, se a mangueira for colocada a 500 metros só o seu comprimento é detectável. As outras são tão pequenas que passam despercebidas.</br></br>Da mesma forma as dimensões extra passam-nos despercebidas. Existem em todos os pontos do Universo e no entanto só em 4 delas (as maiores) os objecto podem circular.</br>O Universo tem assim 10 dimensões (ou talvez mais), mesmo que não se veja por onde andam.</br><b>Espero que não tenhamos de circular pelo Universo com uma lâmpada na mão em busca delas...</b></br></br><i>No título «Dez dimensões»</i>


Publicado por Mauro Maia às 21:41
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62 comentários:
De Carlos Rodrigues a 23 de Abril de 2007 às 22:02
Primeiro que tudo já percebeste que fui induzido em erro pelos professores do meu tempo, mas de qualquer das maneiras acredito que só um número restrito de indivíduos conhece os elementos físicos ou conceptuais que os alunos sem saberem têm de cumprir escrupolosamente. De resto os que sabem é que têm direito a prevaricar acerca de algumas dessas regras em que algumas parecerão grandes disparates. Os espaços Calabi-Yau são uma teoria em que não há nada que a desminta nem a prove. Começou com uma teoria baseada num tornado que por sua vez é baseada na relatividade. Os inteligentes que intuiram que o núcleo de espaços desses são buracos negros suspeito que se basearam numa das muitas surpreendentes propriedades da gravidade predita por Newton que é quanto mais nos aproximamos da gravidade para o lado nano mais forte é a força misteriosa da gravidade. É uma teoria linda de facto, talvez seja neste argumento com esta prova que a teoria das cordas concilia a mecânica quântica com a relatividade ao incluir a gravidade neste âmbito. Para o lado do nano dominar estes buracos negros também serve de interesse à coisa mais complicada do planeta - os sapiens, serve para viajar no tempo, dominar o tempo, entrar por um buraco de minhoca e sair noutro lado do universo, mas até à data só há especulações abstractas e controversas no que se passa no interior dum buraco negro estrelar e é baseado na relatividade dos buracos negros macro para viajar no tempo que pensamos que os buracos negros nano são de longe domináveis ao contrário dos macro. Quanto ao zero e ao um estamos também a falar de macro e micro, mas mais profundo e irredutível, são as coisas verdadeiramente simples onde está a maior complexidade do mundo, onde os melhores pensadores do mundo têm convicções mais fortes que as certezas das ciências exactas, talvez esteja a ser idealista mas um dia todos no mundo estarão numa maravilhosa sintonia de todos serem Criacionistas. Na questão do zero e do um, no cogito interior, em questões semânticas semióticas sou eu que tenho razão ficando também a estrutura da lógica neste âmbito com uma lacuna por resolver sabe-se lá até quando.


De Mauro a 24 de Abril de 2007 às 22:17
Houve um tempo, «Carlos Rodrigues», em que se sonhava que todas as pessoas tivessem consciência da «verdade divina». No entanto, os conflitos religiosos mostraram a «face feia» da Religião (monoteísta) e do seu uso como «verdade surprema». Houve um tempo, «Carlos Rodrigues», em que se sonhava que todas as pessoas tivessem consciência da «verdade científica». No entanto, veio a Iª Guerra Mundial e o Comunismo e mostraram a «face feia» da Ciência e do seu uso como «verdade suprema». Penso retirar, da História (que tanto aprecio), a lição de que os sonhos mais cruéis para a Humanidade são os sonhos para a Humanidade, sem respeito pela diversidade do ser humano e das suas crenças. Prefiro sonhar que eu não acredito em Deus e que outros acreditam do que desejar que todos não acreditem ou que todos acreditem. Como já alguém disse «Não concordo consigo mas bater-me-ei até à morte para que seja ouvido». Esse é o espírito que valorizo e que me parece o mais frutuoso. Tendo em conta que tive o mesmo tipo de professores que a maioria dos alunos deste país, e fazendo uma rápida comparação, parece-me que pôr a tónica nos «maus professores» não é a resposta correcta. Muito do que se retira da escola (e da vida) é aquilo que procuramos tirar dela(s). Se for passar as férias ao Havai e ficar sempre fechado no hotel, poderei afirmar que passar «férias no Havai» é muito aborrecido, mas a culpa será minha porque não procurei a sua beleza. O mesmo se aplica às aulas e à escola. Só se traz aquilo que se quer trazer. Mais uma vez parece-me que colocas «a carroça à frente dos bois» (peço desculpa pelo jargão popular, mas não encontro outra forma de me fazer entender nesta «conversa») no que diz respeito a espaços de Calabi-Yau. Estes são construções meramente matemáticas, tanto faz para a sua solidez conceptual que descrevam ou não as dimensões extra da teoria das cordas. Nada há que desminta ou não a aplicação destes espaços às dimensões extra da teoria das cordas, mas a sua validade matemática é inquestionável e impossível de rebater. A minha carteira existe e tem validade, independentemente de a usar para transportar dinheiro ou não. Não me parece de todo que a gravidade tenha «lados» macro ou nano. A gravidade é a mesma, quer em parsecs quer em nanómetros. Daí que ela constitua a grande brecha entre a Mecânica Quântica e a Relatividade: é exactamente por ser a mesma força a mediar as interacções de partículas quânticas e buracos negros. Além do mais, dadas as dimensões das dimensões extra da teoria das cordas, nanómetros serão uma medida tão irrealisticamente grande para os espaços Calabi-Yau como usar quilómetros para medir a altura de uma pessoa. Se apenas cordas se podem movimentar nas dimensões extra, qual é a natureza desses «buracos negros» existentes nessas dimensões? Um conceito à partida demasiado infundado para ser abordado sem maiores especificações. Viagens no tempo e «proezas» que tais parecem surgir demasiado à vontade no teu discurso para que pareçam verosímeis. Por tudo e nada, qualquer (falso) conceito que apresentas como prova de «paradoxos» (geralmente imaginários ou forçados) parecem conduzir-te a esses assomos de imaginação. Não os descarto à partida mas só os aceitarei com fundamentos sólidos. E peço desculpa de te o dizer, a haver «os melhores pensadores do mundo» nunca poderiam ter convicções mais fortes do que a Ciência. A começar pelo critério absolutamente subjectivo do que será um «melhor pensador». A meu ver, qualquer pensador que ignore conceitos tão fundamentais como a Ciência só poderá ser um «pior pensador». Quando muito um «melhor iludido». Quanto às razões semióticas, insistes em querer usar o argumento da (presunçosa) autoridade que terás (e que não vejo espelhada em qualquer palavra ou conceito). Se tens razão porque tens razão não entendo sequer a necessidade desta intereacção «virtual».


De Carlos Rodrigues a 26 de Abril de 2007 às 14:13
Se a verdade fosse uma pluralidade de diversidade em que cada um tivesse razão, todos têm razão mesmo que a razão de uns seja contrária à de outros, se é este caminho que escolhemos então caminhamos para a anarquia. Sabemos que não é assim e que a liberdade degenera em libertinagem, se uma criança for entregue a si própria não recebendo qualquer educação sabemos que a maioria dessas crianças se perdem na vida. Existem regras porque há quem não as queira cumprir, existem pessoas realmente más, realmente porque sabem o mal que estão a fazer, eu ao ignorante perdoo e ensino, ao inteligente que sabe o mal que fez , é perverso e merece castigo. Existem sistemas e subsistemas a que chamamos Governos e empresas e instuituições porque sabemos que deve haver previdência para assegurar a ordem. O ser humano cria leis para se rodear e privar de coisas. E as leis são criadas baseadas em erros que cometemos e também baseadas no empirismo. Assim as comunidades científicas também têm leis que são baseadas em observações empíricas e consensos gerais entre os membros. Obrigado pelas faíscas e de me irritares em não dares o braço a torcer a coisas que já estão bem cimentadas. Foi belo a intuição dos espaços Calabi-yau baseada na estranha afirmação de Newton, se no tempo dele tivessem sido intuidos os buracos negros ele mesmo tinha intuido os micro buracos negros.


De Mauro a 26 de Abril de 2007 às 15:40
Em relação, «Carlos Rodrigues», ao conceito de verdade (e apenas em relação a este), sou um descontente mas resignado agnóstico: eu sinto que Ela existe, não consigo é prová-lo (a mim ou a outros). Analisa uma partícula, atenta na sua dualidade simultânea de partícula e onda e tenta encaixar uma só dessas verdades (onda ou partícula ou então velocidade ou posição) nela... É curioso todo o teu discurso sobre regras: é exactamente pela minha necessidade que elas sejam respeitadas que me insurgi (vitualmente, como é óbvio) em relação à tua peremptória afirmação de que «eu é que tenho razão», sem que um vestígio sequer de base sólida para essa caricata afirmação. Desrespeitas impunemente raciocínios lógicos, atropelas conceitos, forças conclusão e falas em «seguir regras»? Só se for a regra de não seguir regras. As regras e a moral pla qual uma sociedade se mantém coesa são convenções sociais, mutáveis e diferentes conforme as sociedades, não deixando de cimentar o edifício social. Os Maias praticavam sacrifícios humanos para garantir boas colheitas e a sua sociedade manteve-se intacta durante milénios. Os gregos clássicos praticavam abertamente a homossexualidade (tanto masculina como feminina) e a sua sociedade manteve-se intacta por séculos. O facto de qualquer um destes valores serem condenados (abertamente ou não) na sociedade actual não retira poder a esses valores como cimento social nas sociedades onde existiram. Posso não aceitar nem compreender sacrifíicos humanos ou a homossexualidade mas não deixo de respeitar as sociedades em que eles perduraram. É difícil, concedo-te isso, olhar para o Mundo sem as restricções morais da Religião Católica, mas se conseguisses vias como o Mundo é belo e complexo. Tira os óculos de sol e vêm contemplar um museu, tira os auscultadores e vem ouvir uma sinfonia. E quanto a «dar o braço a torcer», nunca tive qualquer problema em o fazer quando estava errado. Não é seguramente este o caso, principalmente sobre coisas que «estão bem cimentadas». Cimentadas por quem e baseado em que argamassa é que fica a questão...


De Carlos Rodrigues a 27 de Abril de 2007 às 23:40
A nível social sem dúvida que existe muito autismo
onde são preocupação coisas que até os estúpidos concordam como lógicas verdadeiras, mas a nível cosmológico uma das minhas máximas é o seguinte: Qualquer sobredotado que queira sentir-se um estúpido ignorante é uma questão de tentar aferir e explicar o infinito. Acredito que os psicólogos e psiquiatras de todo o mundo resolveriam bastantes casos de psicoses e autismos lançando no campo dessas mentes alguns princípios metafísicos e deixá-los divagar até se confrontarem com eles mesmos. Uma imagem simples que sobrepõe a loucura como maioria às ditas ciências exactas é simples, o nosso cérebro é pequeno em relação ao resto do corpo e no entanto o que não houver codificado no cérebro esse corpo não tem fisicamente, mas nós temos inúmeras coisas que o corpo não tem, temos por exemplo a noção de ir à praia e ficarmos por momentos a olhar o horizonte conseguindo medir mentalmente a distância que observamos, sabemos que o nosso cérebro é pequeno comparado com a distância do horizonte que calculamos com ele, logo temos dentro do cérebro distâncias astronomicamente maiores que aquelas que ocupam o cérebro. Extrapolando podíamos começar por ter a noção correcta de unidade astronómica comparando com quilómetros que já percorremos, depois extrapolavámos sucessivamente sem nunca perder a noção da lonjura em distância real, passávamos pela velocidade da luz, chegávamos ao parsec até ao diâmetro do universo observável, mas a nossa IMAGINAÇÃO vai mais longe, tão longe, que mesmo que existam outras dimensões espaciais que contradigam o lugar onde estamos no infinito pondo em causa a noção de princípio, meio e fim, no nosso modesto univero basta-nos a correcta definição da consequência metafísica entre recta e curva para sabermos que em qualquer espaço dimensional, a noção de distância leva-nos a deparar connosco próprios no centro do infinito que significa que o princípio, meio e fim estão onde nós estivermos, que o infinito tem ter fim e tem não ter fim que estamos sempre no centro do infinito e que todo o infinito está no centro de todo o infinito, não há fuga possível para este autismo da realidade, onde «autismo», «realidade» e «ilusão» são todos sinónimos. Continuarei a dizer.


De Mauro a 29 de Abril de 2007 às 00:18
É sempre, «Carlos Rodrigues», um exercício perigoso o de tomar o que consideramos verdades absolutas como sendo verdades universais. Faz-me lembrar os primeiros europeus que aportavam em terras desconhecidas pensando que os (amer)índios reconheceriam e ajoelhar-se-iam perante a imagem da cruz. Não percebiam que a verdade absoluta que conheciam não era a verdade universal que julgavam. É um pensamento curioso mas «verdade absoluta» não é sinónimo de «verdade universal» (penso que aqui se encontra a raíz dos conflitos religiosos). Portanto o que são «coisas que até os estúpidos concordam como lógicas verdadeiras» é matéria de óbvia discordância. Começo por apontar o dedo ao adjectivo «estúpido» e perguntar qual o critério que se poderá empregar para fazer essa classificação. E meu ver, provavelmente só um critério estúpido poderá ser usado para classificar alguém como estúpido. Novamente divagas inifitamente sobre o conceito do infinito, acabando por efectuar o mais limitado de todos os possíveis infinitos: uma curva fechada. Argumentos que suportam argumentos qu levam a argumentos que apoiam os argumentos iniciais. Roda e roda e nunca se sai da roda. Foi graças a um semelhante circuito que se deu a Queda da Bolsa em Nova Iorque, em 1933, começando na infame Quinta-feira negra: dinheiro em acções que apoiavam dinheiro em acções que apoiavam dinheiro em acções, tudo baseado em papel. A queda era inevitável... Dou-te plena razão num aspecto: há considerações sobre o infinito e a realidade que parecem verdadeiros autismos...


De Carlos Rodrigues a 4 de Maio de 2007 às 22:10
Começo por assumir o erro de utilizar a palavra «estúpido», eu sou estúpido em muitos assuntos, um deles é a classificação escolar, um mal-educado rótulo que se coloca a quem não tem a escolaridade básica. Embora muito por dizer acerca da ignorância, da inocência, da ingenuidade, palavras todas de significados diferentes mas da família do mesmo assunto, salto para o fim, no assunto de cosmologia do infinito somos todos estúpidos, mas aqueles que mais sabem acerca do assunto ou tornam-se extremamente modestos e têm dificuldades em sobreviver e a desenvolver estados de loucura ou caiem no erro de se tornarem arrogantes e querer como às vezes eu quero impor ao mundo inteiro impor verdades universais que as confundem com verdades absolutas. Mas é aqui que há uma subtil diferença que ao distinguir uma da outra se percebe que não é subtil de transição suave e imperceptível mas sim um radical abismo. Para emendar a diferença, para ti que julgo-te com conhecimentos para isso não tendo desculpa para cometer erros no assunto, essa abismal diferença é que as verdades universais podem escrever-se com letra minúscula e no plural ou no singular e estão sujeitas à mudança, as verdades de hoje podem ser as mentiras de amanhã, incluindo a própria matemática que defendes não haver contradições é uma criação embora seja vista como o instrumento virtual das realidades físicas, mas só conhecemos uma ínfima parte da natureza e tudo indica que há lógicas subjacentes às lógicas conhecidas que as contradigam e as digam simultaneamente, os desconhecidos são maiores que os conhecidos, os fenómenos físicos e fenómenos psicológicos são ainda muitos os que esperam por respostas de lógica coerente. No meu livro de cosmologia eu discuto este assunto onde uma coisa pode ser verdadeira dentro dum sistema e falsa dentro de outro e vice-versa fazendo depois uma extrapolação unicamente escalar de conjuntos hierárquicos. Mas o grande abismo é que verdade universal é válido para a natureza e a outra é um assunto tão sério que deverá escrever-se assim: Verdade Absoluta, que pode ser um outro nome d'O Infinito Absoluto. Conceptualmente o plural e singular também são válidos mas acrescentando: Verdade Absoluta Singular-Plural. É isto que eu tenho tendência a impor não sem alguma relutância no âmbito de Singular-Plural, como eu já te disse uma vez, eu, tu ou seja quem for somos não-ser a tentar aferir O Ser, este princípio da mediocridade para mim é um absoluto sem letras maiúsculas no assunto, mas existem consensos, hierarquias e padrões e não conseguimos imaginar os sistemas adequados e para os sapiens sem eles. Pensamos que é verdade o que cada um considera verdade mas vivemos num universo pejado de impossíveis que não nos permite concordar com a total liberdade de tudo e todos. Não se trata também do mais limitado dos infinitos, mas uma das naturezas do infinito, por um lado a noção de curva diz-nos que concorda com a teoria do Hotel de Hilbert, o infinito não seria infinito se estivesse em fase de criação, ele tem de ser já infinito à priori, e ainda contrariando «o mais limitado dos infinitos» está a noção de recta que justifica que o infinito é infinito e nos induz a não haver uma expressão equívoca por natureza do assunto que é «o eterno retorno» a proposição das duas únicas geometrias conhecidas, recta-curva, encerra o paradoxo do infinito ser simultaneamente infinito e fechado, ou mais correctamente, realizado. No entanto, no teorema de Hilbert cabe sempre mais, há sempre mais lugar para novos «clientes», mas esta alegoria não a considero totalmente correcta. Discordo a métrica e o próprio sistema com que chegam e são colocados nos quartos esses clientes. Este assunto leva-nos a outro que já discutimos e se conecta com outro, eu digo o meu oito deitado para o Infinito Absoluto Todo Poderoso, e digo o meu oito em pé para Este Ser Continuamente Original a criar novos clientes para o Hotel mas se ripostares em reperguntares se Deus Pode fazer uma pedra que Ele não Consiga levantar, novamente digo-te que a pedra não é pesada nem leve, somos ilusão com presunção à Realidade e o último passo atrás, somos não-é a tentar aferir O Que É.


De Mauro a 5 de Maio de 2007 às 12:20
Esse adjectivo, «Carlos Rodrigues», deveria mesmo ser abolido do uso quotidiano. Tem uma tal carga subjectiva, excluidora e pretensamente-superior que o tornam, a meu ver, adequado apenas a auto-descrever-se: somente o adjectivo «estúpido» é estúpido... Em relação à Matemática, uma breve que seja leitura do que aqui tenho deixado torna claro que NUNCA disse que a Matemática é distituída de contradições: como já disse, Kurt Gödel mostrou claramente isso. A confusão óbvia que estás a fazer é entre o Princípio Constructor da Matemática (o da não contradição) com a Realidade Última dessa construcção (a existência, em ALGUNS sectores mais teóricos da Matemática, de contradições insanáveis). Mas o facto de haver contradições em ALGUNS sectores não implica obviamente existirem contradições em TODOS os sectores. Da mesma forma que se pode visitar uma mesquita em Lisboa sem daí aferir que toda a cidade ou todo o país é muçulmano (lembrei-me desse exemplo por ter acabado de ver um interessantíssimo programa na RTP2 sobre a minoria muçulmana no Reino De Portugal pré e pós expulsão manuelina. Sem dúvida, foi Portugal que mais perdeu com essa expulsão-ou-conversão-forçada). Novamente cometes uma enorme contradição: afirmas que «somos ilusão com presunção à Realidade e o último passo atrás, somos não-é a tentar aferir O Que É» (e a validade desta afirmação não colocarei para já sob escrutínio). No entanto, és tu mesmo quem afirma sistematicamente as características desse Infinito que consideras tão acima de todos que não pode ser compreendido. Como afirmas a impossibilidade de caracterizar esse infinito por parte de nós-não-seres quando tu mesmo o fazes ao o afirmar? Como retiras a conclusão de que o teu Infinito (a ter vontade consciente, que penso poder retirar das tuas palavras) não quer/deseja/obriga/permite que as suas criações o compreendam e descrevam? Se tiveres razão quanto ao facto de esse infinito-divindade ser incompreensível então automaticamente deixas de ter razão quanto ao facto de esse infinito-divindade ser incompreensível. Acabei de mostrar a contradição do teu pensamento da mesma forma (mas claramente que não com a mesma mestria) com que Gödel mostrou que, ao nível da auto-demonstração, a Matemática não se pode auto-provar (apesar de poder provar que não se pode auto-provar). E esta é, a meu ver, uma das maiores forças que tem a Matemática: a capacidade de mostrar que tem as suas fraquezas.


De Carlos Rodrigues a 6 de Maio de 2007 às 23:22
Não pretendo afirmar que O Infinito Absoluto seja Incompreensível, pretendo fazer entender a nossa insignificância e o tão pouco que sabemos do infinito criado, quanto mais, será uma presunção definir O Infinito Absoluto. Se analisarmos as coisas do ponto de vista semiótico vemos apenas indução dedutiva, é como uma das minhas máximas que é o seguinte: A visibilidade do invisível é a palavra invisível. Esta pode ser junta ao dizeres que a matemática demonstrou as suas próprias limitações, mas eu já te defini no cogito anterior o que é para mim a matemática mas posso acrescentar que a métrica decimal é plana tendo o que não existe no mundo físico. Isto significa que a exactidão lógica, a consistência absoluta existe embora não a tenhamos fisicamente. Se dissermos que a verdade são as coisas como elas são está correctíssimo afirmá-lo, é um bom truque. Mas vejamos outra proposição que pode pôr em causa a semiótica no domínio dos signos linguísticos e a lógica de afirmar que a verdade são as coisas como elas são, é o seguinte: a palavra refutável é refutável e a palavra irrefutável é irrefutável, isto é uma clara contradição de ambas, uma contradiz a outra e vice-versa e ambas se concordam uma com a outra, ambas são uma contradição e uma não contradição. Não pretendo impor a «minha» verdade aos outros, pretendo sim, um dia, ser capaz de a fazer entender, afinal os maiores conflitos no mundo e a nível individual são um pouco parecidos com dois daltónicos a discutirem o transparente. É de longe mais gratificante fazer perceber aos outros o que nós também percebemos, sabemos até que o amor, coisa completamente subjectiva tem num dos seus princípios duas pessoas gostarem ambas das mesmas coisas ao ponto culminante de surgir o que possa parecer telepatia. E para terminar gosto de passar de metro nos Olivais, numa direcção cito-te que uma coisa não é só o que vemos mas também o que ela significa, depois faço a viagem no sentido inverso e cito: A Verdade não pertence a ninguém mas tão somente a quem seja capaz de a entender.


De Mauro a 7 de Maio de 2007 às 10:52
Quer-me parecer, «Carlos Rodrigues», que estás a querer voltar atrás sobre as tuas pegadas... As afirmações que aqui tens deixado sobre «O Infinito» são extensas e por demais óbvias. Afirmas as suas características mas acabas por afirmar a incoerência de caracterizar «O Infinito» por parte de não-seres como tu (e eu e todos nós). O paradoxo deste ponto essencial no teu discurso deverá levar-te a ponderar seriamente a validade e profundidade das tuas crenças. Quanto a tudo o mais, reafirmo que apenas fazes malabarismos desajeitados com palavras e com conceitos, como afirmar que «A visibilidade do invisível é a palavra invisível». Conceitos nulos construídos com raciocínios nulos... Poderia perfeitamente, mimetizando a tua afirmação «A sonoridade do silêncio é a palavra som». Vácuo gerando vácuo.


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