Diário das pequenas descobertas da vida.
Terça-feira, 17 de Abril de 2007
Q questões
Há também, a par com a acentuação e leitura das palavras em Português, questões relacionadas com o uso correcto (e as diferenças) de "c","g", "j", "q", "s", "r" "rr",ss
O som «ca», «co», «cu» só se faz com «c» - casar, comer, cujo
O som «ce» e «ci» só se faz com «q» - queijo, quilómetro
Para se usar o «c» para «sa», «so» ou «su» põe-se a cedilha caça, coço, roçar, ruçar
c + a "ca" - carro, bucal
c + e "se" - parece, acetona (para fazer o som ce tem de se escrever que «aquele»)
c + i "si" - acima, plasticina (para fazer o som ci tem de se escrever qui «aquilo»)
c + o "co" ou "cu" - cachecol, copiar
c + u "cu" - cuja
ç + a "sa" - criança,
ç + e nunca se usa - usa-se ce ou ci
ç + i nunca se usa - usa-se ce ou ci - «criancice»
ç + o "so" ou "su" - soçobrar, caroço
ç + u "su"
O som «g» só se faz com «g» gigante, guerra, figo,...
O som «ja», «jo», «ju» só se faz com «j» - janela, beijoca,...
O som «je» ou «ji» faz-se normalmente com «g» - megera, fingir
excepções laje
eg: exigir -> exijo (para preservar o som, o «g» tem de se tornar «j»)
g + a "ga" - gato, papagaio
g + e "je" - gelo, afugenta
g + i "ji" - giratório, ágil
g + o "go" ou "gu" - golpe, gostoso
g + u "gu" gutural, agudo
g + u + e "ge" guerra, afoguear
g + u + i "gi" Guilherme, guiar, águia
E quanto ao «q»» O que dizer desta letra, geralmente lida como «q de cauda» (sendo o seu verdadeiro nome «que»
qu + a "cua" - quando, antiquado
qu + e "ce" - aquele, quebrar
qu + i "ci" - aquilo, quimera (a excepção, é a palavra tranquilo que se lê (tran + cui +lo)
qu + o "cuo" - quociente, quota (que se lê por vezes "cota" erradamente)
«Cota» com «c» é um dos eixos coordenados do espaço: o das Abcissas (x), o das Odenadas (y) e o das Cotas (z)
qu + u - não usado
Quantos aos «r»:
Um "r" entre duas vogais lê-se "re" - caro
Um "r" no início de uma sílaba entre uma consoante e uma vogal lê-se "rre" palrar
Um r no meio de um sílaba entre uma consoante e uma vogal lê-se "re" palavra, breve
Dois "r" usam-se só entre duas vogais para o som "rre" - carro
No início de uma palavra só se usa um "r", nunca dois - rato, rotunda
Quanto ao «ss»:
Um "s" entre duas vogais lê-se o som "ze" - caso, quase, liso
Um "s" entre uma consoante e uma vogal ou entre duas consoantes lê-se o som "se" - conselho
Dois "s" usam-se SÓ entre duas vogais para o som "se" - lasso
No início de uma palavra SÓ se usa um "s", NUNCA dois - sapato, sino
O uso de "ç" ou "s" ou "ss" não tem regra
- conselho (opinião)
- concelho (município)
- faça - "fassa"
- faca
- face
- fase
- soçobrar - "sossobrar"
- assombro - "açombro"
O uso de "x" ou "ch" não tem regra, apenas o bom hábito d ler permite saber qual deles se usa na palavra que esteja em causa (e um dicionário, claro):
- xadrez - "chadrez"
- cachecol - "caxecol"
- caixa - "caicha"
- chatear - "xatiar"
O som "ke" ou "ki" é sempre feito com "qu";
O som "ge" ou "gi" é sempre feito com "gu";
O som "ja" ou "jo" ou "ju" é sempre feito com "j";
O som "je" ou "ji" é normalmente feito com "g" - Jesus é uma excepção.
Diminutivos e advérbios de modo
Os diminutivos e o advérbios de modo são sempre palavras graves, em que a sílaba tónica é a penúltima, mesmo que a palavra de origem seja acentuada. Logo os diminutivos e o advérbios de modo nunca têm acentos (excluem-se, como já visto, os "tis")
só - sozinho - somente
científico - cientificamente
café - cafezinho
José - Josezinho
verbos e substantivos com a mesma raíz
Os verbos na forma infinitiva são sempre agudos, ao passo que os substantivos são graves.
Pescar - Pesca ("Pêscár - Pésca")
Trocar Troca (Trucár Tróca)
Drogar - Droga ("Drugár - Dróga")
Isto deve-se ao facto de os verbos terminaram em «r» e, como já visto, palavras terminadas em «r» são sempre agudas, exceptuando-se acentuação em contrário.
Querido Mauro:
Errar é próprio do homem mas os erros quando corrigidos ajudam-no a crescer... Este artigo é exaustivo e passa a ser uma referência para o uso adequado da pronúncia e da escrita da nossa lingua mãe.
Beijo
De
Mauro a 17 de Abril de 2007 às 22:47
Receio até, «Maria Papoila» que seja até demasiado exaustivo. Talvez uma divisão em 3 artigo fosse melhor, menos cansativo e extenso... Provavelmente ainda é o que farei.
Sempre distraída...
Este é o selo:
(http://photobucket.com)
Beijo
há terceira é de vez...
http://i173.photobucket.com/albums/w53/mouraaoluar/thinkingbloggerpf8.jpg
Beijo
De Observador a 7 de Maio de 2007 às 14:56
"mesmo que ainda hajam muitos..." será que as regras mudaram desde que fui estudante?
Perdoe-se-me a ignorância, mas será que não deveria ser "mesmo que ainda haja muitos..."?
Um blog deveras interessante e muito proveitoso nestes tempos onde o português é tão mal tratado.
Um abraço.
De
Mauro a 7 de Maio de 2007 às 16:29
Quanto à questão, «Observador», de se empregar «haja muito» ou «hajam muitos» tenho duas considerações que, neste momento, me surgem. A primeira, de cariz puramente pessoal, é a de agradecer a correcção: de facto, também a mim surge como mais natural «haja muitos» do que «hajam muitos». Nessa medida corrigirei o artigo removendo a letra em excesso. A segunda é de carácter mais geral: no meu tempo (e foi há poucos anos) a questão nem era abordada. Como leigo interessado (e não passo disso mesmo, um leio interessado) já, por diversas vezes, fui confrontado com esta ou similares questões. «Vende-se apartamentos» ou «Vendem-se apatamentos»; «Dá-se conselhos» ou «Dão-se conselhos»; «Ainda que haja muito» ou «Ainda que hajam muitos»; ... ? Como resposta a esta questão, tenho visto diferentes pontos de vista, apoiados por exemplos, contra-exemplos, razões literárias, razões académicas, razões de bom-senso, sendo todas elas fornecidas por quem, contrariamente a mim, tem formação profunda e específica da área linguística em questão. A questão parece sempre girar em torno de qual é o sujeito da frase, o implícito no verbo ou aquele ao qual o verbo se refere directamente. Não havendo, infelizmente na minha opinião, uma Autoridade Máxima para a Língua Portuguesa, vemo-nos todos enredados numa rede de opiniões conflituosas. Talvez, se a AMaLP fosse criada, estas e outras questões (como o de saber a quem nos deveríamos queixar quando Decretos-Lei são publicados com clamorosos erros linguísticos ou quando impunemente orgãos ditos-de-comunicação-social cometem/divulgam/criam/reforçam erros de Português. Um projecto-lei que eu consideraria tão importante como o da proibição de fumar em recintos fechados...
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